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Manual-de-Boas-Praticas-Montagem-Armaduras-Estruturas-Concreto-Armado

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Figura D
Trecho de grande complexidade do projeto de armação desenvolvido pela 
França e Associados para o empreendimento Cyrela by Pininfarina
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CAPÍTULO 1
A importância dos 
espaçadores
MANUAL DE 
BOAS PRÁTICAS
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Para a estrutura principal de uma edificação atender  à Vida Útil de 
Projeto (VUP) mínima de 50 anos, devemos seguir as diretrizes da 
ABNT NBR 15575-1 e da ABNT NBR 6118.
Assim, devem-se proteger as armaduras dos mecanismos de 
deterioração de acordo com a classe de agressividade ambiental (CAA), 
conforme a tabela do capítulo 6 da ABNT NBR 6118, e, definida a CAA, 
definir a relação água/cimento, a classe do concreto e o cobrimento a 
partir das tabelas do capítulo 7 da ABNT NBR 6118.
A norma ABNT NBR 14931 também possui uma tabela em seu 
capítulo 9 que estabelece tolerâncias de execução no posicionamento 
das armaduras. Ressalta-se que essas tolerâncias não se aplicam em 
regiões especiais, como encontro viga x pilar, encontro viga x viga, 
consoles, região de transpasse de armadura de pilares, entre outros. 
Confira as reproduções dessas tabelas ao lado.
Nesse contexto, de modo a respeitar os cobrimentos especificados 
nas normas e em projeto, é importante utilizar espaçadores de boa 
qualidade, posicionados em locais corretos e em distâncias adequadas 
entre si. Quando corretamente utilizados, os espaçadores asseguram 
aos elementos estruturais as seguintes características:
• Proteção contra corrosão do vergalhão, maximizando a durabilidade;
• Proteção térmica do vergalhão, para a situação de incêndio;
• Garantia do funcionamento eficiente do conjunto aço-concreto.
No entanto, conforme relatado por Menna Barreto (2014) e Maran 
(2015), a falta de orientação na execução das estruturas e o uso 
incorreto de espaçadores ainda é comum na construção civil 
brasileira. A partir do levantamento dos cobrimentos em nove obras 
nacionais, os pesquisadores constataram um número alarmante de 
descumprimentos dos valores mínimos de cobrimento especificados 
em norma, especialmente em lajes e fundos de vigas.
Tabela do capítulo 6 da ABNT NBR 6118 (reprodução)
Classes de agressividade ambiental (CAA)
Tabela do capítulo 7 da ABNT NBR 6118 (reprodução)
Correspondência entre a classe de agressividade e a qualidade do concreto
Classe de 
agressividade 
ambiental
Agressividade
Classificação 
geral do tipo de 
ambiente para 
efeito de projeto
Risco de 
deterioração da 
estrutura
I Fraca 
Rural 
Insignificante 
Submersa 
II Moderada Urbana a, b Pequeno 
III Forte 
Marinha a 
Grande 
Industrial a, b 
IV Muito forte 
Industrial a, b 
Elevado 
Respingos de maré 
a Pode-se admitir um microclima com uma classe de agressividade mais branda (uma classe 
acima) para ambientes internos secos (salas, dormitórios, banheiros, cozinhas e áreas de 
serviço de apartamentos residenciais e conjuntos comerciais ou ambientes com concreto 
revestido com argamassa e pintura).
b Pode-se admitir uma classe de agressividade mais branda (uma classe acima) em obras 
em regiões de clima seco, com umidade média relativa do ar menor ou igual a 65%, partes 
da estrutura protegidas de chuva em ambientes predominantemente secos ou regiões onde 
raramente chove.
c Ambientes quimicamente agressivos, tanques industriais, galvanoplastia, branqueamento 
em indústrias de celulose e papel, armazéns de fertilizantes, indústrias químicas.
I II III IV
CA ≤ 0,65 ≤ 0,60 ≤ 0,55 ≤ 0,45
CP ≤ 0,60 ≤ 0,55 ≤ 0,50 ≤ 0,45
CA ≥ C20 ≥ C25 ≥ C30 ≥ C40
CP ≥ C25 ≥ C30 ≥ C35 ≥ C40
a O concreto empregado na execução das estruturas deve cumprir com os requisitos 
estabelecidos na ABNT NBR 12655.
b CA corresponde a componentes e elementos estruturais de concreto armado.
c CP corresponde a componentes e elementos estruturais de concreto protendido.
Concreto a Tipo b, c
Classe de agressividade (Tabela 6.1)
Relação água/cimento 
em massa
Classe de concreto 
(ABNT NBR 8953)
I II III IV
CA ≤ 0,65 ≤ 0,60 ≤ 0,55 ≤ 0,45
CP ≤ 0,60 ≤ 0,55 ≤ 0,50 ≤ 0,45
CA ≥ C20 ≥ C25 ≥ C30 ≥ C40
CP ≥ C25 ≥ C30 ≥ C35 ≥ C40
a O concreto empregado na execução das estruturas deve cumprir com os requisitos 
estabelecidos na ABNT NBR 12655.
b CA corresponde a componentes e elementos estruturais de concreto armado.
c CP corresponde a componentes e elementos estruturais de concreto protendido.
Concreto a Tipo b, c
Classe de agressividade (Tabela 6.1)
Relação água/cimento 
em massa
Classe de concreto 
(ABNT NBR 8953)
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Desse modo, faz-se necessário chamar atenção para a importância 
dos espaçadores e os requisitos necessários para seu desempenho 
adequado. A seguir, os requisitos essenciais dos espaçadores, segundo 
Menna Barreto (2014):
DIMENSIONAL
• Proporcionar um único cobrimento ou no máximo dois claramente 
identificados.
• Garantir o cobrimento mínimo nominal.
• Possuir as dimensões mínimas da base onde será posicionado o vergalhão.
IDENTIFICAÇÃO 
• Possuir cobrimento nominal e identificação do fabricante no produto.
• Possuir cores distintas entre produtos do mesmo modelo com 
cobrimentos diferentes.
FIXAÇÃO 
• Possuir item de fixação integrado capaz de impedir o deslizamento 
da barra.
ESTABILIDADE
• Possuir estabilidade.
CAPACIDADE DE CARGA
• Possuir capacidade de carga e deformação linear permanente inferior 
a 1 mm.
APLICAÇÃO 
• Possuir fácil aplicação.
Nas próximas páginas, apresentamos os principais tipos de espaçadores 
utilizados na construção de edifícios em concreto armado. Já nos 
capítulos 2, 3 e 4, chamamos a atenção para as distâncias adequadas 
entre espaçadores em pilares, vigas e lajes separadamente. Vale lembrar 
que essas distâncias são sugestões e convém ao responsável pela 
inspeção das armaduras avaliar se estas distâncias estão mantendo a 
posição da armadura de acordo com o cobrimento registrado no projeto.
Tabela do capítulo 7 da ABNT NBR 6118 (reprodução)
Correspondência entre a classe de agressividade ambiental e o cobrimento 
nominal para Δc = 10 mm
Dimensão (s) 
cm Tolerância 1), 3) (t) 
mm Tipo de elemento 
estrutural Posição da verificação 
Elementos de superfície 
Horizontal 5 
Vertical 202) 
Elementos lineares 
Horizontal 10 
Vertical 10 
1) Em regiões especiais (tais como: apoios, ligações, intersecções de elementos estruturais, 
traspasse de armadura de pilares e outras) essas tolerâncias não se aplicam, devendo ser 
objeto de entendimento entre o responsável pela execução da obra e o projetista estrutural. 
2) Tolerância relativa ao alinhamento da armadura. 
3) O cobrimento das barras e a distância mínima entre elas não podem ser inferiores aos 
estabelecidos na ABNT NBR 6118. 
 
Tipo de estrutura Componente ou elemento 
Classe de agressividade 
ambiental 
I II III IV c 
Cobrimento nominal mm 
Concreto armado 
Laje b 20 25 35 45 
Viga/pilar 25 30 40 50 
Elementos estruturais em 
contato com o solod 
30 40 50 
 
Concreto protendidoa 
Laje 25 30 40 50 
Viga/pilar 30 35 45 55 
a Cobrimento nominal da bainha ou dos fios, cabos e cordoalhas. O cobrimento da 
armadura passiva deve respeitar os cobrimentos para concreto armado. 
 
b Para a face superior de lajes e vigas que serão revestidas com argamassa de 
contrapiso, com revestimentos finais secos tipo carpete e madeira, com argamassa de 
revestimento e acabamento, como pisos de elevado desempenho, pisos cerâmicos, 
pisos asfálticos e outros, as exigências desta Tabela podem ser substituídas pelas de 
7.4.7.5, respeitado um cobrimento nominal ≥ 15 mm. 
 
c Nas superfícies expostas a ambientes agressivos, como reservatórios, estações de 
tratamento de água e esgoto, condutos de esgoto, canaletas de efluentes e outras obras 
em ambientes química e intensamente agressivos, devem ser atendidos os cobrimentos 
da classe de agressividade IV. 
 
d No trecho dos pilares em contato com o solo junto aos elementos de fundação, a 
armadura deve ter cobrimento nominal ≥ 45 mm.