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ANGELO RICARDO DE SOUZA

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do diretor, para esta tese, é a
de coordenação do trabalho geral da escola, no centro das relações de poder e da política
escolar. O diretor é o coordenador do processo político que é a gestão escolar, é seu
executivo. Mas, este capítulo ainda trata das formas de escolha dos diretores escolares,
uma vez que a identificação política da função e dos processos de gestão escolar se
destacam marcadamente é neste momento: o da escolha de quem será o diretor/a da
escola. As diferentes metodologias adotadas pelos sistemas de ensino no país (eleições,
seleção, indicações), expressam compreensões também diferentes sobre a natureza da
função dirigente. Mais uma vez Bourdieu e Weber, agora somados a Paro e Dourado,
dentre outros, são importantes para o desvelamento dos significados da política e da
burocracia presentes tanto na natureza como nas formas de escolha da função de diretor
escolar. 
Por fim, a terceira e última parte da tese. Essa é a parte dedicada aos dados
empíricos do SAEB 2003 e, portanto, de análise do perfil do diretor escolar e dos
processos de gestão. Ela está dividida em dois capítulos.
O capítulo VI, primeiro dessa última parte do trabalho, apresenta os caminhos da
metodologia da pesquisa, descrevendo os percursos e recursos utilizados na construção
do perfil das idéias sobre a gestão escolar no Brasil, do perfil do diretor escolar e do
perfil dos processos de gestão escolar, como também descreve os elementos
considerados para cada um desses perfis e para as análises cruzadas entre eles.
O capítulo VII, último capítulo da terceira parte e de toda a tese, trabalha com os
dados coletados pelos questionários do SAEB 2003 aplicados aos diretores, professores
e alunos participantes daquele teste estandardizado. Um primeiro item desse capítulo é
dedicado ao perfil dos diretores. Nesse ponto, percebe-se a forte marca da desigualdade
de gênero presente em uma função em campo profissional majoritariamente feminino,
cujas funções de liderança, mesmo sendo ocupados de forma proporcional entre homens
e mulheres, apresentam-se de forma desigual entre eles e elas, tanto em relação ao
tempo de ascenção quanto ao salário e carreira desses profissionais.
O segundo item desse capítulo é o perfil da gestão escolar. E o primeiro aspecto
analisado nesse item são as formas de provimento dos diretores escolares, destacando-se
que boa parte deles foram escolhidos através de alguma forma de eleição ou seleção,
demonstrando uma face mais democrática na assunção da função ou sobre as quais
parece existir mais transparência e mais publicidade. Todavia, as indicações ainda são
responsáveis pela maioria das escolhas dos diretores. É certo que há formas diversas de
indicação, mas não é menos certo que todas elas carregam consigo uma marca forte de
controle do poder público ou de lideranças políticas sobre o dirigente escolar e,
consequentemente, sobre a instituição escolar. Outro elemento importante que se
destaca neste ponto, diz respeito ao patrimonialismo e à aparente troca de favores
políticos presentes nas redes municipais de ensino, nas quais o índice de diretores
indicados é superior ao das escolas estaduais e da média nacional, em todas as regiões
do país. Isso se articula com as formas como a política é tratada nos diferentes espaços e
âmbitos administrativos, pois nos municípios a presença do poder público e as relações
políticas entre o poder público e as escolas é um tanto diversa do que ocorre no nível
estadual.
O conselho de escola é o ponto seguinte analisado no perfil da gestão escolar.
Nesse tópico, observa-se que apesar da legislação estabelecer que as escolas devem ter
os seus conselhos como uma condição mínima de garantias à gestão escolar
democrática, há um grande número de escolas que não possuem o conselho ou não
conseguem reuni-lo mais do que duas vezes ao ano. Isso demonstra um problema sério,
pois a despeito de se saber que a existência desse organismo colegiado não garante a
democratização da gestão escolar, a sua inexistência e/ou funcionamento precário
certamente não contribuem para o cumprimento deste princípio constitucional. Nesse
aspecto, também se destaca a diferença entre as escolas municipais e as escolas
estaduais, uma vez que as escolas estaduais demonstram conseguir reunir os seus
conselhos mais vezes do que as escolas municipais. Isto só faz reforçar aquela avaliação
sobre a interferência das relações políticas municipais na organização e gestão da escola
pública.
O perfil do diretor também influencia o funcionamento do conselho de escola,
bem como da existência e construção do projeto pedagógico. Esse projeto, como o
conselho, se desenvolve de forma mais coletiva nas escolas cujos diretores foram eleitos
e em piores condições naquelas cujos diretores foram indicados. Isso é tratado no
terceiro tópico do perfil da gestão escolar. Nesse tópico, observa-se que a produção do
projeto pedagógico foi constituída na maioria das escolas através de trabalho conjunto
entre professores e dirigentes escolares, fazendo coro com as exigências legais apostas
na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Lei Federal nº 9.394/96. Porém,
ainda há um número de escolas que não possuem o projeto pedagógico, o qual se
destaca seja pelo não cumprimento da lei, seja pela não preocupação com a construção
de uma ferramenta que pode auxiliar centralmente a direção na condução das escolas.
As escolas das redes estaduais continuam sendo aquelas que têm maior participação,
transparência e democracia na condução da política escolar, pois apresentam índices
melhores que as escolas municipais tanto na existência de projeto pedagógico, quanto
principalmente na presença dos professores como sujeitos ativos da sua construção. E,
complementarmente, observa-se que as escolas municipais são aquelas que mais adotam
os modelos de projeto pedagógico que foram apresentados pelas secretarias de
educação, o que pode significar que, nas redes estaduais de ensino, as escolas recebem
menores impactos da política e menor influência pedagógica da administração do
sistema de ensino.
Um último aspecto do perfil da gestão escolar se refere à participação e
atividades comunitárias e às interferências políticas. Apesar de os dirigentes escolares
avaliarem que suas comunidades lhes dão o apoio necessário e participam das atividades
que lhe são próprias, isso pode estar relacionado com a mitificação da participação.
Seria interessante se saber quais seriam as formas de participação e de atividades
comunitárias a que esses diretores estão se reportanto. Isto, contudo, não é possível de
ser discutido a partir da base empírica. Os dirigentes também afirmam que têm o apoio
dos seus superiores e que não sofrem grandes interferências externas na condução
política da escola. Mas se a maioria dos diretores é indicada é pouco provável que, ao
menos esses, não recebam ações de controle e, portanto, interferência na gestão escolar.
Ainda no capítulo VII, o leitor encontra um cotejamento entre o perfil da gestão
escolar e o rendimento estudantil. Trata-se de um item voltado a discutir a existência de
um efeito-gestão, já mencionado. O estudo mostra que este efeito existe. Apesar das
evidências apontando uma forte relação entre o rendimento estudantil e o nível social,
cultural e econômico dos alunos, confirmado por pesquisas diversas (citadas dentre
outros por Bressoux, 2003 e Macbeth & Mortimore, 2001), esta tese demonstra que há
relações de interferência tanto entre o perfil da qualificação e da experiência do diretor
escolar e os resultados apresentados pelos alunos nos testes estandardizados, quanto
entre o perfil da gestão escolar democrática e aqueles resultados estudantis.
Por fim, um último item, ao final da tese, volta-se para cotejar o perfil das idéias
sobre a gestão escolar e os perfis dos diretores e dos processos de gestão. Esse
cotejamento permite reconhecer que há algum grau de articulação entre esses perfis,
uma vez que

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