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1 Anatomia Mariana Oliveira UCI XIV aul� 1 - anatomi� Peritônio Caso clínico 1 Paciente sexo masculino, 23 anos, é admitido no hospital que você está de plantão com quadro de febre, Perda do apetite e dor em fossa ilíaca direita. Refere que os sintomas iniciaram há 5 dias, inicialmente com a perda do apetite e dor mal localizada, periumbilical, de leve intensidade. Porém, nas últimas 24h a dor apareceu na fossa ilíaca direita. Ao exame: Paciente febril, dor abdominal à palpação em fossa ilíaca direita, com sinal de Blumberg positivo. O que é esse sinal? Dor à descompressão brusca, que não necessariamente tem que ser na fossa ilíaca direita, ou seja, pode aparecer em qualquer região do abdome. - Indica peritonite Qual o diagnóstico? Apendicite. O que provoca irritação peritoneal? Processos in�lamatórios/ infecciosos, processo químico; sangue; fezes ou qualquer outro �luido que seja de vísceras ocas, como urina, bile, suco gástrico, suco pancreático etc; Qual a explicação para a mudança da localização da dor? A mudança está relacionada ao acometimento do peritônio. Quando o processo in�lamatório acomete somente o peritônio visceral, a dor é muito mal localizada (difusa). - Nesse caso, seria a dor periumbilical, epigástrica No entanto, quando a mesma compromete o peritônio parietal, a dor se torna mais localizada, sendo precisa com a parede abdominal que foi in�lamada. - Migração para a FID, dor bem localizada *Peritônio parietal possui a mesma inervação da parede abdominal (inervação somática). Quando o peritônio estiver irritado, haverá uma dor localizada e contração dos músculos abdominais (abdome em tábua). O que é o peritônio? Membrana serosa que reveste a cavidade abdominopélvica e envolve as vísceras. Divide-se em duas lâminas Peritônio parietal: Reveste a face interna da parede abdominopélvica ✓Inervação somática / Dor localizada ✓Vascularização similar a região da parede que ele reveste (abdominal) Peritônio visceral: Envolve as vísceras. ✓Inervação visceral / dor mal localizada ✓Vascularização similar a do órgão que ele envolve Formações Peritoneais *Todas essas formçãoes são formadas pelo peritônio visceral. Mesentério: Dupla lâmina de peritônio visceral que faz continuidade com o peritônio parietal. Promove �ixação da víscera à parede, bem como passagem do plexo neurovascular. - Intestino delgado (�ixa o intestino a parede do peritônio parietal) - Dá mobilidade ao órgão Mesocólon: Mesentério do intestino grosso (Cólon Transverso). Mesossigmóide: Cólon sigmóide Mesoapêndice: Apêndice vermiforme Omento Maior: Extensão bilaminada de peritônio visceral que se projeta como avental a partir da curvatura maior do estômago, dobra-se para trás e prende-se na face anterior do cólon transverso. - “Avental de gordura”, reveste anteriormente as vísceras 2 Anatomia Mariana Oliveira UCI XIV - Função: proteção das vísceras contras traumas, contenção de processos in�lamatórios infecciosos Ele contém muitos linfonodos e pode aderir a áreas in�lamadas, desempenhando, portanto, um papel fundamental na imunidade gastrointestinal e minimizando a disseminação intraperitoneal e infecções. *Se houver extravasamento de pus, sangue o omento maior migra para a região afetada para tentar fazer uma contenção/ bloqueio para impedir que a infecção/ in�lamação se distribua para toda a cavidade. Omento Menor: Extensão bilaminada de peritônio visceral que liga o �ígado ao duodeno e pequena curvatura gástrica. - Forma 2 ligamentos: hepatoduodenal e hepatogástrico *A principal função do omento menor é anexar o estômago e o duodeno ao �ígado. Ligamentos peritoneais: Lâmina dupla de peritônio visceral que liga um órgão com outro ou com a parede abdominal. - Fixa um órgão ao outro ou liga o órgão à parede abdominal ✓Lig. falciforme ✓Lig. hepatoduodenal ✓Lig. hepatogástrico ✓Lig. gastroentérico ✓Lig. gastroesplênico ✓Lig. gastrocólico Caso clínico 2 Você está de plantão em um hospital no interior do estado. Quando dá entrada um paciente sexo masculino, 44 anos, vítima de capotamento há 30 minutos. É admitido sem queixas respiratórias, com distensão abdominal, hematúria e sem sinais de irritação peritoneal, PA 110X60 mmHg - FC: 110 bpm Suspeitando de sangramento e não dispondo de exames de imagem no hospital, realiza um Lavado Peritoneal Diagnóstico (o qual foi negativo!) *O principal exame de imagem utilizado em abdomes traumáticos é a USG. O Que é um lavado peritoneal diagnóstico? O lavado peritoneal é usado quando não há exames de imagens disponíveis. Pode ser feito em sala de emergência. É feito da seguinte forma: faz-se uma incisão (1-2 cm) na região infra umbilical (na linha entre o umbigo e sín�ise púbica). Após feita, joga soro e espera um pouco e, em seguida, faz a aspiração do conteúdo e encaminha para análise. A coleta do líquido é feita nos recessos peritoneais. Se vier com sangue é indicativo de sangramento ou ruptura de vísceras ocas. É um procedimento que só pode ser feito com o paciente estável. Se for positivo o paciente é encaminhado para a laparotomia exploratória. Se o paciente chegar instável já é encaminhado logo para o centro cirúrgico. 3 Anatomia Mariana Oliveira UCI XIV - Avaliar a presença de leucócitos, hemácias, �ibras de fezes, suco gástrico, bile no conteúdo aspirado *Exame invasivo *Utiliza-se anestesia local *Laparotomia exploratória: utilizada em último caso (quando há dúvida diagnóstica) Quais possíveis diagnósticos? Lesão retroperitoneal Distensão abdominal - a lesão retroperitoneal irá formar um hematoma e consequentemente irá “empurrar” as estruturas a sua frente. Hematúria - lesão renal Quando ocorre um trauma retroperitoneal, o sangue não cai dentro do peritônio não causando irritação peritoneal e fazendo com que o lavado peritoneal seja negativo. *Paciente possui sangramento (hematúria - lesão renal) mas não irritação peritoneal. Quais estruturas são retroperitoneais? *Estão situados externamente ao peritônio parietal, e são apenas parcialmente cobertos por peritônio (geralmente apenas em uma face). •Rim •Glândulas adrenais •Ureter •Pâncreas •Duodeno distal •Cólons ascendente e descendente •Vasos abdominais: Aorta abdominal e VCI *Órgão subperitoneal: Bexiga - Só tem peritônio parietal em sua face superior. Quais estruturas são intraperitoneais? *São quase completamente cobertos por peritônio visceral. •Fígado •Baço •Estômago •Parte superior do duodeno •Jejuno •Íleo •Cólon transverso •Cólon sigmóide •Parte superior do reto Caso clínico 3 Paciente sexo masculino, 53 anos, pedreiro, etilista crônico, (bebe 1L de cachaça/dia), dá entrada na UPA com queixa de Novamente sua “barriga ter enchido de água” e não está conseguindo dormir, pois ao deitar-se, �ica com falta de ar. Ao exame: Paciente emagrecido, com aumento do volume abdominal, �ígado palpável, com consistência endurecida, presença de dilatações de vasos da parede abdominal (principalmente nos vasos periumbilicais - caput de medusae), sinal de piparote +. Piparote: exame que veri�ica se há ascite. Analisa a presença de líquido na cavidade peritoneal. Qual a causa da dispnéia do paciente ao se deitar? Há um aumento da pressão intra-abdominal, o que leva a di�iculdade de rebaixamento do diafragma. •Em pé: líquido localizado inferiormente no abdome •Decúbito dorsal: líquido se espalha e impede um e�iciente rebaixamento do diafragma Qual o diagnóstico de base desse paciente? 4 Anatomia Mariana Oliveira UCI XIV Cirrose hepática por causa alcoólica (principal causa de cirrose). Outra grande causa é a esquistossomose. A principal forma de drenar esse líquido é por paracentese (feita entre a espinha ilíaca ântero-superior e a cicatriz umbilical do lado esquerdo). • Obs: nem toda ascite é cirrose. O Que encontramos na cavidade peritoneal? Líquido ascítico. Há uma pequena quantidade de líquido dentro da cavidade peritoneal com função lubri�icante. *Ovário: único órgão intraperitoneal - Divergência de fontes Ascite Ascite é o acúmulo de mais de 20 mililitrosde �luido na cavidade peritoneal. A causa mais comum é o aumento da pressão na veia porta - a hipertensão portal. A hipertensão portal é mais comumente vista em pessoas com cirrose hepática. A ascite se apresenta clinicamente como um abdome globoso que mostra ondas de movimento de �luido quando gentilmente percutido - isso não ocorre no tecido gorduroso. O diagnóstico de ascite é feito pelo exame clínico e por métodos de imagem. O tratamento ideal da ascite é direcionado à sua causa, juntamente com restrições dietéticas de sódio, uma vez que o sódio causa retenção de líquido. Qual a diferença da cavidade peritoneal entre homens e mulheres? A cavidade peritoneal da mulher é aberta. Existe comunicação do meio externo com o meio interno na mulher, o que faz com que haja a possibilidade de algo externo entrar na parte interna (cavidade peritoneal). A abertura se dá pela trompa. Ex: dip, transmissão sexual (clamídia ou gonococo). - Por isso a mulher tem maior susceptibilidade a infecções (DIP) No homem a cavidade intraperitoneal é fechada. Quando a paciente possui hímen imperfurado, o �luxo menstrual não consegue se exteriorizar e vai se acumulando aos poucos até extravasar para a cavidade peritoneal. Isso pode gerar um quadro de abdome agudo. Cavidade Peritoneal Espaço potencial situado entre o peritônio parietal e visceral. Contém pequena quantidade de líquido (água, eletrólitos, leucócitos,etc). O líquido peritoneal lubri�ica as faces peritoneais, permitindo que as vísceras movimentem-se umas sobre as outras sem atrito e permitindo os movimentos da digestão. Além disso, o líquido peritoneal contém leucócitos e anticorpos que resistem à infecção. Divide-se em Saco maior (cavidade peritoneal) •É a maior parte da cavidade •Dividida pelo mesocolo transverso em: - Compartimento supra cólico (Estômago, Fígado, Baço) - Compartimento infra cólico (Delgado, Cólon Asc/Des) *Mesocólon transversos faz essa divisão Saco menor ou bolsa Omental: Situa-se posterior ao estômago e omento menor. - nessa região existe uma abertura chamada de forame omental, que dá passagem para acesso a bolsa omental - é apenas o buraquinho) *A bolsa omental permite que o estômago se mova livremente contra as estruturas posteriores e inferiores a ele. 5 Anatomia Mariana Oliveira UCI XIV A bolsa omental comunica-se com a cavidade peritoneal por meio do forame omental, uma abertura situada posteriormente à margem livre do omento menor (ligamento hepatoduodenal). Caso clínico 4 Paciente sexo feminino, 38 anos, dá entrada no hospital que você se encontra de plantão com queixa de dor abdominal nas últimas 48h. Refere que estava bem, porém há 2 dias iniciaram dores abdominais do tipo cólica, por todo abdome, com parada de eliminação de gases e fezes. Refere dois episódios de vômitos nas últimas horas. Nega febre Antecedentes: Nega comorbidades, nega gestações e atraso menstrual, cirurgia abdominal por úlcera gástrica há 6 anos Ao exame: Desidratada, Abdome distendido, com hipertimpanismo à percussão, cicatriz mediana xifo-púbica, dor à palpação sem sinais de irritação peritoneal, toque retal com ausência de fezes na ampola retal. Solicitado radiogra�ias de abdome! Qual o diagnóstico? Abdome agudo obstrutivo por bridas - Paciente com histórico de cirurgias prévias Bridas - Aderências entre as alças intestinais - Diminui a mobilidade das alças, podendo gerar um quadro obstrutivo RX: níveis hidroaéreos (RX em ortostase) - Imagem típica de abdome agudo obstrutivo - Acúmulo de líquidos Tratamento clínico •Sonda nasogástrica (drenar o líquido) •Hidratação (paciente desidratado pela perda de líquidos para a luz intestinal) •Jejum Tratamento cirúrgico - Se houver complicações (sofrimento de alças/ necrose) 6 Anatomia Mariana Oliveira UCI XIV 7 Anatomia Mariana Oliveira UCI XIV