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UmTratado
Sobreo Batismo
Rev.John Wesley
11 de Novembro de 1.756
Tradução: Izilda Bella
Concernente ao batismo, eu devo inquirir, o que ele é;
quais os benefícios que recebemos através dele; se nosso
Senhor o designou para manter sempre em sua Igreja; e quem
são os objetos apropriados dele.
I.
1. O que ele é. É um sacramento iniciatório, que nos
coloca em aliança com Deus. Ele foi instituído por Cristo,
quem apenas tem poder de instituir um sacramento apropriado,
um sinal, selo, garantia e meios da graça perpetuamente
obrigatório sobre todos os cristãos. Nós não sabemos, de fato, o
exato momento desta instituição; mas sabemos que ela existiu
muito antes da ascensão de nosso Senhor. E foi instituída em
lugar da circuncisão. Porque, já que aquele era um sinal e selo
da aliança de Deus, então este também.
2. A matéria deste sacramento é a água; que, como tem
um poder natural de limpar, é a mais adequada para este uso
simbólico. O batismo é executado pelo lavar, mergulhar, ou
aspergir a pessoa, em nome do Pai, Filho e Espírito Santo, que
é, por este intermédio, consagrada à sempre abençoada
Trindade. Eu digo, pelo lavar, mergulhar ou aspergir; porque
não está determinado nas Escrituras quais destas maneiras
deverá ser feito, nem através de algum preceito expresso, nem
através de tal exemplo, como uma prova clara disto; nem pela
força ou significado da palavra batizar.
3. Que não existe preceito expresso, todos os homens
sensatos admitem. Nem existe algum exemplo conclusivo. O
batismo de João, em algumas coisas, concordou com o de
Cristo; em outras, diferiu dele. Mas ele não pode ser
certamente provado das Escrituras que, até mesmo o de João
foi executado pelo mergulho. É verdade que ele batizou em
Enom, junto a Salim, onde havia "muita água". Mas isto se
referia à respirar, preferivelmente a mergulhar; uma vez que
um local estreito não teria sido suficiente para tão grande
multidão. Nem pode ser provado, que o batismo de nosso
Salvador, ou aquele ministrado por seus discípulos, foi por
imersão. Não, nem do eunuco batizado por Felipe, embora
"eles entrassem na água". Porque este entrar pode referir-se à
carruagem, e não implica determinada profundidade de água.
Deveria ser acima dos joelhos deles; não seria acima de seus
tornozelos.
4. Como nada pode ser determinado pelos preceitos ou
exemplos bíblicos, então, nem da força ou significado da
palavra. Porque as palavras batizar e batismo não
necessariamente significam mergulhar, mas são usadas em
outros sentidos em diversos lugares. Assim, lemos que os
Judeus "eram todos batizados na nuvem e no mar" (I. Cor.
10:2); mas eles não eram mergulhados em algum deles.
Portanto, poderia ser apenas gotas aspergidas da água do mar, e
orvalhos frescos da nuvem, provavelmente sugerido neste: "Tu,
ó Deus, mandaste a chuva em abundância, confortaste a tua
herança, quando estava cansada" (Salmos 68:9).
Novamente: Cristo disse aos seus dois discípulos: "Não
sabeis o que pedis; podeis vós beber o cálice que eu bebo, e ser
batizados com o batismo com que eu sou batizado?" (Marcos
10:38), mas nem ele, nem eles foram mergulhados, mas apenas
aspergidos, ou lavados com o próprio sangue.
Novamente lemos em (Marcos 7:4) dos batismos
(assim está no original) de potes e copos, e mesas e camas.
Agora, os potes e copos não são necessariamente mergulhados,
quando eles são lavados. Mais do que isto, os fariseus lavaram
os exteriores deles somente. E quanto às mesas ou camas,
ninguém admite que pudessem ser mergulhadas. Aqui, então, a
palavra batismo. Em seu sentido natural, não é tomada por
mergulhar, mas por lavar ou limpar. "E, quando voltam do
mercado, se não se lavarem, não comem. E muitas outras
coisas há que receberam para observar, como lavar os copos,
e os jarros, e os vasos de metal e as camas". E, que este é o
verdadeiro significado da palavra batizar, é testificado pelos
maiores estudiosos, e os mais apropriados juízes deste assunto.
É verdade que lemos do ser "enterrado com Cristo no
batismo". Mas nada pode ser deduzido de tal expressão
figurativa. E mais, se ela se mantivesse exatamente, seria usada
tanto para aspergir, quanto mergulhar; uma vez que, no
enterrar, o corpo não é mergulhado através da substância da
terra, mas, antes, a terra é derramada aos poucos sobre ele.
5. E quanto a existir nenhuma prova clara do
mergulhar, nas Escrituras, então, existe uma prova muito
provável do contrário. É altamente provável que os próprios
Apóstolos batizaram grandes números, não pelo mergulhar,
mas por lavar, aspergir, derramar água. Isto claramente
representou a limpeza do pecado, que é figurada pelo batismo.
E a quantidade de água usada não foi material; não mais do que
a quantidade de pão e vinho na Ceia do Senhor. O carcereiro
"e todos de sua casa foram batizados" na prisão; Cornélio com
seus amigos, (e assim diversos pertences) em casa. Agora, isto
quer dizer igualmente, que todos esses tinham tanques ou rios,
dentro ou perto de suas casas, suficiente para mergulhá-los
todos? Toda pessoa imparcial deve admitir que o contrário é
muito mais provável
Novamente: Três mil de uma só vez, e cinco mil em
outra, se converteram e foram batizadas por Pedro em
Jerusalém; onde eles tinham nada, a não ser águas gentis de
Siloé, de acordo com a observação do Sr. Fuller. "Não existiam
moinhos de água em Jerusalém, porque não havia correnteza
larga o suficiente para dirigi-las". O lugar, portanto, assim
como o número torna altamente provável que todos esses foram
batizados pelo aspergir ou derramar, e não pela imersão. Para
resumir tudo, a maneira de batizar (quer por mergulho, ou
aspersão) não está determinada nas Escrituras. Não existe
mandamento para um, preferivelmente ao outro. Não existe
exemplo do que podemos concluir por mergulhar,
preferivelmente a aspergir. Existem prováveis exemplos de
ambos; e ambos estão igualmente contidos no significado
natural da palavra.
II.
1. Quais os benefícios que recebemos pelo batismo, é o
próximo ponto a ser considerado. E o primeiro destes é, o lavar
a culpa do pecado original, pela aplicação dos méritos da morte
de Cristo. Que nós todos nascemos sob a culpa do pecado de
Adão, e que todos os pecados merecem miséria eterna, era a
consciência unânime da Igreja antiga, como está expresso no
Nono Artigo da nossa Igreja. E as Escrituras plenamente
afirmam que nós somos "moldados na iniqüidade, e no pecado
nossa mãe nos concebeu"; que "éramos todos, pela natureza,
filhos da ira, e mortos nas transgressões e pecados"; que "em
Adão todos morrem"; que "através da desobediência de um
homem todos foram feitos pecadores"; que "através de um
homem, o pecado entrou no mundo, e a morte, através do
pecado; que veio sobre todos os homens, porque todos haviam
pecado". Isto plenamente inclui as crianças; porque elas
também morrem; portanto, elas pecaram: Mas não através do
pecado atual; portanto, através do original; ou que necessidade
teriam elas da morte de Cristo? Sim, "a morte reinou de Adão a
Moisés, até mesmo sobre aqueles que não pecaram"
verdadeiramente, "de acordo com a similitude da transgressão
de Adão".
Isto, que podem se referir às crianças apenas é uma
prova clara de que toda a raça da humanidade é detestável, para
a culpa e punição da transgressão de Adão. Mas "como pela
ofensa de um, o julgamento veio sobre todos os homens como
condenação; então, pela retidão de um, o dom livre veio sobre
todos os homens, para a justificação da vida". E a virtude deste
dom livre, os méritos da vida e morte de Cristo são aplicados a
nós no batismo. "Ele deu a si mesmo pela Igreja, e ele
santificaria e limparia com a lavagem da água, através da
palavra" (Efésios 5:25,26); ou seja, no batismo, o instrumento
ordinário de nossa justificação. Concordante com isto, nossa
Igreja ora no ofício batismal, para que a pessoa a ser batizada
possa ser "lavada e santificada pelo Espírito Santo, e, livre da
ira de Deus, receba a remissão dos pecados, e desfrute da
graça divina de sua lavagem celestial"; e declare na Rubrica no
final do ofício: "É certo que, atravésda Palavra de Deus, que
os filhos, que são batizados, morrendo antes que eles cometam
pecado atual são salvos". E isto está de acordo com o
julgamento unânime de todos os Antepassados.
2. Pelo batismo, nós entramos em aliança com Deus;
naquela aliança eterna, que ele tem ordenado para sempre
(Salmos 111:9) "Redenção enviou ao seu povo; ordenou a sua
aliança para sempre; santo e tremendo é o seu nome"; que a
nova aliança que ele prometeu fazer com a Israel espiritual; até
mesmo "dar a eles um novo coração e um novo espírito, para
aspergir água limpa sobre eles" (do qual o batismo é apenas
uma figura), "e não mais lembrar de seus pecados e
iniqüidades"; em uma palavra, ser o Deus Deles, como ele
prometeu a Abraão, na aliança evangélica que ele fez com ele e
toda sua descendência espiritual. (Gênesis 17:7,8). E assim
como a circuncisão foi, então, o meio de fazer parte desta
aliança, então, o batismo é agora; o que é, portanto,
denominado pelo Apóstolo (tantos bons interpretes atribuem a
suas palavras), "a condição, contrato, ou aliança de uma boa
consciência com Deus".
3. Através do batismo, nós somos admitidos na Igreja, e,
consequentemente, feitos membros de Cristo, a sua Cabeça. Os
judeus foram admitidos na Igreja, através da circuncisão, assim
são os cristãos, através do batismo. Porque, "tantos quantos são
batizados em Cristo", em seu nome, "são, desta forma,
revestidos de Cristo". (Gálatas 3:27); ou seja, são unidos
misteriosamente a Cristo, e feito um com ele. Porque, "através
de um Espírito, todos somos batizados em um corpo". (I Cor.
12:13); ou seja, a Igreja, "o corpo de Cristo" (Efésios 4:12). De
cuja união espiritual, vital com ele, procede a influência de sua
graça sobre aqueles que são batizados, como nossa união com a
Igreja, um compartilhar de todos os seus privilégios e em todas
as promessas que Cristo tem feito a ela.
4. Pelo batismo, nós que somos "pela natureza, filhos
da ira" somos feitos filhos de Deus. E esta regeneração que
nossa Igreja em tantos lugares atribui ao batismo é mais do que
meramente ser admitido na Igreja, embora comumente ligado
por meio disto; sendo "enxertado no corpo da Igreja de Cristo,
somos feitos os filhos de Deus pela adoção e graça". Este é o
alicerce sobre as claras palavras de nosso Senhor: "Exceto que
um homem nasça novamente da água e do Espírito, ele não
poderá entrar no reino de Deus". (João 3:5). Pela água, então,
como um meio, a água do batismo, nós somos regenerados ou
nascidos novamente; de onde é também chamado pelo
Apóstolo, "a lavagem da regeneração". Nossa Igreja, portanto,
atribui nenhuma virtude maior ao batismo do que o próprio
Cristo tem feito. Nem ele atribui isto ao lavar exterior, mas à
graça interior, que, acrescentada a isto, faz dela um sacramento.
Aqui um princípio da graça é introduzido, o que não será
totalmente tirado, exceto se nós suprimirmos o Espírito Santo
de Deus, pela longa continuidade da maldade.
5. Em conseqüência de nosso sermos feitos filhos de
Deus, somos herdeiros do reino do céu. "Se filhos" (como o
Apóstolo observa), então, "herdeiros, herdeiros de Deus, e co-
herdeiros com Cristo". Nisto nós recebemos uma porção e uma
garantia de "um reino que não pode ser mudado". O batismo
agora nos salva, se nós vivemos respondíveis a ele, se nos
arrependermos, crermos e obedecermos ao evangelho: Supondo
que se ele nos admite aqui na Igreja, então, nos admite na
glória vindoura.
III.
1. Mas nosso Salvador quer que isto possa permanecer
sempre em sua Igreja? Esta é a terceira coisa que vamos
considerar. E isto pode ser expedido em algumas poucas
palavras, uma vez que não pode existir dúvida razoável, mas
foi pretendido durar tanto quanto a Igreja em que ele é o meio
designado de entrada. De maneira extraordinária, não existem
outros meios de se entrar na Igreja ou no céu.
2. Em todas as épocas, o batismo exterior é o meio do
interior; como a circuncisão exterior foi o da circuncisão do
coração. Nem seria proveitoso um judeu dizer: "Eu tenho a
circuncisão interior, e não necessito da circuncisão exterior
também". Aquela alma deveria ser extirpada de seu povo. Ele
teria menosprezado, ele teria quebrado a aliança eterna de
Deus, por menosprezar o selo dela. (Gênesis 17:14). Agora, o
selo da circuncisão deveria durar em meio ao judeu, por quanto
tempo a lei durasse, para o qual ela os obrigou. Através da clara
paridade de razão, o batismo, que veio em seu lugar, deve durar
dentre os cristãos, por quanto tempo a aliança evangélica, na
qual ele foi admitido, e a qual ela obriga todas as nações.
3. Isto aparece também da autoridade original que nosso
Senhor deu aos seus Apóstolos: "Vão, façam discípulos em
todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho, e do
Espírito Santo; ensinando-os. E observe, eu estarei sempre
com vocês, até o fim do mundo". Agora, por quanto tempo esta
autoridade durou, por quanto tempo Cristo prometeu estar com
eles na execução dela, por tanto tempo, sem dúvida, eles a
executaram, e batizaram, assim como ensinaram. Mas Cristo
prometeu estar com eles, ou seja, através de seu Espírito, em
seus sucessores, até o fim do mundo. Por quanto tempo,
portanto, sem discussão, foi o desígnio que aquele batismo
permanecesse em sua Igreja.
IV.
1. Mas a grande questão é: quem são os objetos próprios
do batismo? Pessoas adultas apenas, ou crianças também? Com
o objetivo de responder isto totalmente, eu devo, Em Primeiro
Lugar, colocar os alicerces do batismo infantil, tomados das
Escrituras, razão, e prática primitiva e universal; e, Em
Segundo Lugar, responder às objeções quanto a elas.
2. Quanto aos fundamentos dele: se as crianças são
culpadas do pecado original, então, elas são objetos adequados
ao batismo; uma vez que, da maneira extraordinária, elas não
podem ser salvas, exceto que isto seja limpo, através do
batismo. Já foi provado que esta escravidão original adere-se a
todo filho do homem; e que, por este intermédio, eles são filhos
da ira, e sujeitos à condenação eterna. É verdade que o Segundo
Adão encontrou um remédio para a enfermidade que veio sobre
todos, através da ofensa do primeiro. Mas o benefício deste
deve ser recebido, através dos meios que ele designou; através
do batismo, em específico, que é o meio extraordinário que ele
indicou para este propósito; e ao qual Deus nos atou; embora
ele não pudesse ter atado a si mesmo. Na verdade, onde ele não
pudesse ser feito, o caso é diferente, mas os casos
extraordinários não tornam nula uma regra permanente. Este
portanto, é nosso Primeiro fundamento: As crianças precisam
ser lavadas do pecado original; portanto, eles são objetos
apropriados do batismo.
3. Em Segundo Lugar. Se as crianças são capazes de
fazer uma aliança e estiveram e ainda estão sob a aliança
evangélica, então, eles têm um direito ao batismo, que é o selo
de entrada dela. Mas as crianças são capazes de fazer uma
aliança, e estiveram e estão ainda sob a aliança evangélica.
O costume das nações e bom-senso da humanidade
prova que as crianças podem fazer uma aliança e podem ser
obrigadas pelos acordo feitos por outros em nome delas, e
receber vantagens através deles. Mas nós temos uma prova
mais forte disto, até mesmo nas próprias palavras de Deus:
"Vós todos estais hoje perante o Senhor, vosso Deus; os
capitães de vossas tribos, vossos anciãos, e os vossos oficiais,
todos os homens de Israel; os vossos meninos, as vossas
mulheres, e o estrangeiro que está no meio do vosso arraial;
desde o rachador da vossa lenha até ao tirador da vossa água;
Para entrardes na aliança do Senhor teu Deus, e no seu
juramento que o Senhor teu Deus hoje faz convosco"
(Deuteronômio 29:10-12). Agora, Deus nunca teria feito uma
aliança com os pequeninos, se eles não tivessem sido capazes
disto. Não foi dito crianças apenas, mas criancinhas, a palavra
hebraica propriamente significa criancinhas. E essas podem ser
ainda, como se elas fossem adultas, obrigadas a executar em
tempos vindouros, o que elas não são capazes de executar no
tempo em que entraram naquela obrigação. Elas estavam
incluídosnela, elas tiveram direito a ela, e ao selo dela; como
um herdeiro tem um direito à sua propriedade, embora ele não
possa ainda ter posse verdadeira.A aliança com Abraão foi a
aliança evangélica; a condição, a mesma, ou seja, fé, o que o
Apóstolo observa, foi "imputada junto a ele por retidão". O
fruto inseparável desta fé foi a obediência, porque, através da
fé, ele deixou sua região, e ofereceu seu filho. Os benefícios
foram os mesmos; porque Deus prometeu: "Eu serei teu Deus,
e o Deus de tua semente depois de Ti". E ele pode prometer não
mais a alguma criatura; porque isto inclui todas as bênçãos
temporal e eterna. O Mediador é o mesmo; porque ele estava
em sua Semente, ou seja, em Cristo (Gênesis 22:18; Gálatas
3:16), que todas as nações deveriam ser abençoadas; sobre o
que, o próprio relato do Apóstolo diz: "O evangelho foi
pregado junto a Abraão". (Gálatas 3:8). Agora, a mesma
promessa que foi feita a ele, a mesma aliança que foi feita com
ele, foi feita "com seus filhos, depois dele". (Gênesis 17:7;
Gálatas 3:7). E junto a este relato, ela é chamada "uma aliança
eterna". Nesta aliança, os filhos foram também obrigados ao
que eles não conheciam, a mesma fé e obediência com Abraão.
E assim, eles ainda são; já que eles estão ainda igualmente
autorizados a todos os benefícios e promessas dela.
5. A circuncisão era, então, o selo da aliança; o que é,
em si mesma, portanto, figurativamente denominada de a
aliança. (Atos 7:8). Por isto, as crianças daqueles que
professaram a verdadeira religião foram, então, admitidas nela,
e obrigadas às condições dela; e, quando a lei foi acrescentada,
à observância dela também. E quando o antigo selo da
circuncisão foi tirado, este do batismo foi acrescentado em seu
lugar; nosso Senhor indicou uma instituição inegável para
suceder outra. Um novo selo foi colocado para a aliança de
Abraão; os selos diferiam, mas o contrato era o mesmo; apenas
aquela parte foi cortada, a que era política ou cerimonial. Que
aquele batismo veio em lugar da circuncisão, aparece da clara
razão da coisa, como do argumento do Apóstolo, onde, depois
da circuncisão, ele menciona o batismo, como aquele em que
Deus "perdoou nossas transgressões"; ao qual ele acrescenta o
"apagar dos manuscritos das ordenanças", plenamente
referindo-se à circuncisão e outros ritos judaicos; que tão
fielmente implica que o batismo veio no lugar da circuncisão,
como nosso Salvador denominar o outro sacramento de páscoa
dos judeus, (Colossenses 2:11-13; Lucas 22:15) mostra que
ele foi instituído no lugar dele. Nem é alguma prova de que o
batismo não sucedeu a circuncisão, o fato de ele diferir algumas
circunstâncias dela. Este, então, é o Segundo fundamento: As
crianças são capazes de entrar em aliança com Deus. Já que lês
sempre estiveram, e estão ainda sob a aliança evangélica.
Portanto, eles têm um direito ao batismo, que é agora o selo de
entrada dela.
6. Em Terceiro Lugar. Se as crianças devem vir a
Cristo; se elas são capazes de admissão na Igreja de Deus, e,
consequentemente da solene dedicação sacramental a ele,
então, eles são objetos apropriados do batismo. Mas as crianças
são capazes de virem a Cristo, da admissão na Igreja, e solene
dedicação a Deus.
Que as crianças devam vir a Cristo, aparece de suas
próprias palavras: "Eles trouxeram as criancinhas a Cristo e os
discípulos os repreendiam. E Jesus disse: Permitam que as
criancinhas venham até mim, e não as proíba; porque delas é o
reino do céu". (Mateus 19:13, 14). Lucas expressa isto ainda
mais fortemente: "Eles trouxeram a ele, até mesmos
criancinhas, para que ele as tocasse" (18:15). Essas crianças
eram tão pequenas que foram trazidas até ele; ainda assim, ele
diz: "Permitam que elas venham até mim". Tão pequenas, que
ele "as pegou em seus braços"; ainda assim, ele repreende
aqueles que teriam impedido a vinda delas. E seu mandamento
se refere ao futuro, tanto quanto ao presente. Portanto, seus
discípulos ou ministros devem ainda permitir às crianças que
venham, ou seja, que sejam trazidas até Cristo. Mas elas não
podem vir até ele, exceto se trazidas para dentro da Igreja; o
que não pode ser, senão através do batismo. Sim, e "de tais",
diz nosso Senhor, "é o reino dos céus"; não de tais apenas que
eram como aquelas crianças. Porque, se elas mesmas não
fossem adequadas a serem súditos daquele reino, como outros
seriam, porque eles eram como elas? Crianças, portanto, são
capazes de serem admitidas em Igreja, e ter um direito a isto.
Até mesmo sob o Velho Testamento, elas eram admitidas a ela,
através da circuncisão. E pode nós supor que elas estão em uma
condição pior, debaixo do evangelho, do que estavam debaixo
da lei? E que nosso Senhor tiraria alguns privilégios que elas,
então, desfrutavam? Ele, antes, não faria adições a elas? Este,
então, é o Terceiro fundamento: As crianças devem vir a
Cristo, e nenhum homem deve proibi-las. Elas são capazes de
admissão na Igreja de Deus. Portanto, elas são objetos
apropriados do batismo.
7. Em Quarto Lugar. Se os Apóstolos batizaram
crianças, então, elas são objetos apropriados do batismo. Mas
os apóstolos batizaram crianças, como fica claro da seguinte
consideração: Os judeus continuamente batizaram, assim como
circuncidaram todos os prosélitos infantis. Nosso Senhor,
portanto, ordenou aos seus Apóstolos a fazerem prosélitos ou
discípulos de todas as nações, batizando-os, e não os proibindo
de receberem as criancinhas, assim como outros, eles
necessitariam batizar crianças também.
Os judeus admitiram prosélitos, através do batismo,
assim como, através da circuncisão, até mesmo famílias
completas juntas, pais e filhos, nós temos o testemunho
unânime de seus mais antigos, eruditos e autênticos escritores.
Os homens eram recebidos pelo batismo e circuncisão; as
mulheres pelo batismo apenas. Consequentemente, os
Apóstolos, exceto se nosso Senhor proibisse expressamente,
faziam a mesma coisa, evidentemente.
Na verdade, a conseqüência mantida da circuncisão
apenas. Porque, se fosse costume dos judeus, quando eles
reuniam prosélitos de todas as nações, admitirem crianças
dentro da Igreja, através da circuncisão, embora elas não
pudessem verdadeiramente acreditar na lei, ou obedecerem-na;
então, os Apóstolos, fazendo prosélitos para o Cristianismo,
através do batismo, nunca pensariam em excluir crianças, a
quem os judeus sempre admitiram (a razão porque sua
admissão é a mesma), exceto se nosso Senhor tivesse
expressamente proibido isto. Segue-se que os Apóstolos
batizaram crianças. Portanto, eles são objetos apropriados do
batismo.
8. Se for objetado. "Não existe menção expressa nas
Escrituras de algumas crianças às quais os Apóstolos
batizaram". Eu perguntaria: Suponha que nenhuma menção
tivesse sido feita em Atos, sobre aquelas duas mulheres
batizadas pelos Apóstolos, ainda assim, nós não poderíamos
fielmente concluir que quando tantos milhares, tantas famílias
inteiras, foram batizados, as mulheres não foram excluídas?
Especialmente, uma vez que era costume dos judeus batizá-
las? O mesmo se refere às crianças; mais do que isto, mais
fortemente sobre o relato da circuncisão. Três mil foram
batizados pelos Apóstolos em um dia, e cinco mil em outro. E
pode ser razoavelmente suposto que existia nenhuma criança
em meio a tais números vastos? Novamente: Os Apóstolos
batizaram muitas famílias; mais do que isto, nós dificilmente
lemos de algum chefe de família, que foi convertido e batizado,
mas toda sua família (como era antes o costume dentre os
judeus) não foi batizada com ele:
Assim "a casa do carcereiro, ele e todos os seus; a casa de
Gaio de Estéfanas, de Crispo". E podemos supor, que em
todas essas casas, que, nós lemos, foram, sem exceção,
batizados, não havia uma criança ou criancinha? Mas para dar
um passo além: Pedro diz à multidão: "Arrependam-se e sejam
batizados, cada um de vocês, pela remissão dos pecados.
Porque a promessa é para vocês e seus filhos". (Atos 2:38-39).
Na verdade, a resposta é feita diretamente àqueles que
perguntaram: "O que devemos fazer para sermos salvos". Mas
elaalcança mais além do que aqueles que fizeram a questão. E
embora as crianças não possam verdadeiramente se arrepender,
ainda assim, elas deveriam ser batizadas. E que elas estão
incluídas, aparece (1) Porque o Apóstolo discursa a "cada um"
deles, e em "cada um" as crianças devem estar inseridas. (2)
Que são expressamente mencionados: "A promessa é para
vocês e seus filhos".
9. Por fim. Se batizar crianças tem sido a prática geral
da Igreja cristã, em todos os lugares, e em todas as épocas,
então, esta deve ter sido a prática dos Apóstolos, e,
consequentemente, a mente de Cristo. Mas batizar crianças tem
sido a prática geral da Igreja cristã, em todos os lugares e em
todas as épocas. Disto nós temos perfeitamente testemunhado.
Agostinho para a Igreja Latina, que floresceu antes do ano 400;
e Orígenes para a Grega, nascida no segundo século; ambas
declarando, não apenas que toda a Igreja de Cristo, então,
batizou crianças, mas igualmente aquelas que receberam esta
prática dos próprios Apóstolos. Cipriano igualmente é
simbolizado por ela, e todo o Concilio com ele. Se necessidade
houvesse, poderíamos citar igualmente Atanásio, Crisóstomo, e
uma nuvem de testemunhas. Nem existe um exemplo a ser
encontrado em toda a antiguidade, de algum cristão ortodoxo
que negou batizar crianças, quando trazidas para serem
batizadas; nem algum dos Anciãos, ou escritores antigos, nos
primeiros oitocentos anos, pelo menos, que consideraram isto
ilegítimo. E que tem sido a prática de todas as Igrejas regulares,
desde sempre, está claro e manifesto. Não apenas de nossos
ancestrais, quando dos primeiros convertidos ao Cristianismo;
não apenas de todas as Igrejas européias, mas da Africana
também e da Asiática, mesmo aquela de Tomas nas Índias,
batizam, e sempre batizaram suas crianças. O fato estando
assim claro, de que o batismo infantil tem sido a prática geral
da Igreja cristã, em todos os lugares, e em todas as épocas, que
isto tem continuado, sem interrupção na Igreja de Deus, por
mais de mil e setecentos anos, nós podemos seguramente
concluir que ele foi transmitido dos Apóstolos, que melhor
conheciam a mente de Cristo.
10. O resumo é evidente: Se o batismo exterior fosse
geralmente de uma maneira extraordinária, necessária à
salvação e as crianças pudessem ser salvas, assim como os
adultos, nem deveríamos negligenciar alguns meios de salvá-
las; se nosso Senhor ordena tais para virem, e serem trazidas
junto a ele, e declara: "De tais é o reino dos céus"; se as
crianças são capazes de fazerem uma aliança, ou terem uma
aliança feita por eles, através de outros, estando incluídas na
aliança de Abraão (que foi a aliança da fé, uma aliança
evangélica), e nunca excluída por Cristo; se elas têm o direito a
serem membros da Igreja, e eram concordantemente membros
da judaica; se, supondo-se que nosso Senhor tivesse designado
excluí-las do batismo, ele deveria ter expressamente proibido
seus Apóstolos de batizá-las (o que ninguém se atreve a afirmar
que foi feito), uma vez que, do contrário, eles fariam isto,
naturalmente, de acordo com a prática universal da nação deles;
se é altamente provável que eles fizeram assim, até mesmo, da
carta das Escrituras, porque eles frequentemente batizaram
todos da casa, e seria estranho que não houvesse crianças
dentre eles; se toda a Igreja de Cristo, por mil e setecentos anos
consecutivos, batizou crianças, e nunca foi contestada até o
último século, a não ser por uma, por alguns homens não os
próprios homens santos na Alemanha; por fim, se existem tais
benefícios inquestionáveis conferidos no batismo, o lavar a
culpa do pecado, o nos estampar em Cristo, ao nos tornarmos
membros de sua Igreja, e, por meio disto, dar-nos um direito a
todas as bênçãos do evangelho; segue-se que as crianças
podem, sim, devem ser batizadas e isto ninguém deve impedi-
las.
Agora, eu vou, em último lugar, responder àquelas
objeções que são comumente trazidas contra o batismo
infantil:
1. A principal é esta: "Nosso Senhor disse aos seus
Apóstolos: 'Vão e ensinem todas as nações, batizando-os em
nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo'. (Mateus 28:19).
Aqui, o próprio Cristo coloca o ensino antes do batismo.
Portanto, as crianças, sendo incapaz de serem ensinadas, são
incapazes de serem batizadas".
Eu respondo: (1) A ordem das palavras nas Escrituras
não é regra certa para a ordem das coisas. Nós lemos em
Marcos 1: 4: "João batizou no deserto, e pregou o batismo do
arrependimento", e versículo 5: "Eles foram batizados dele no
Jordão, confessando seus pecados". Agora, tanto a ordem das
palavras nas Escrituras nem sempre implicam a mesma ordem
das coisas; ou segue-se que João batizou antes que seus
ouvintes, confessassem ou se arrependessem. Mas (2) as
palavras são manifestamente mal traduzidas. Porque, se lemos:
"Vão, e ensinem todas as nações, batizando-as, -- ensinem a
eles a observarem todas as coisas", isto torna clara a tautologia
, a repetição vã e estúpida. Deve ser traduzido (qual é o sentido
literal das palavras): "Vão, e façam discípulos de todas as
nações, através do batismo deles". Que as crianças são capazes
de serem feitas prosélitos ou discípulos já tem sido provado;
portanto, este texto, corretamente traduzido não é objeção
válida contra o batismo infantil.
2. Sua próxima objeção é: "As Escrituras dizem:
'Arrependam-se e sejam batizados; creiam e sejam batizados'.
Portanto, o arrependimento e fé devem vir antes do batismo.
Mas as crianças são incapazes desses; portanto, elas são
incapazes do batismo".
Eu respondo: O arrependimento e fé eram para vir antes
da circuncisão, assim como antes do batismo. Portanto, se este
argumento se mantém, ele provaria exatamente tanto quanto,
que as crianças eram incapazes da circuncisão. Mas nós
sabemos que o próprio Deus determinou o contrário,
ordenando-as a serem circuncidadas no oitavo dia. Agora, se as
crianças eram capazes de serem circuncidadas, não obstante
aquele arrependimento e fé acontecessem antes da circuncisão
nas pessoas adultas, elas eram exatamente tão capazes de serem
batizadas; não obstante aquele arrependimento e fé, no adulto,
devam se seguir antes do batismo. Esta objeção, portanto, não
tem força, porque ele é tão forte contra a circuncisão de
crianças, quanto o batismo infantil.
3. É objetado, em terceiro lugar: "Não existe
mandamento para isto nas Escrituras. Agora, Deus estava
irado com seu próprio povo, porque eles fizeram o que ele
disse, 'eu ordeno que eles não façam' (Jeremias 7:31). Um
texto claro que terminaria toda a discussão".
Eu respondo: (1) Nós temos razão para temer que
terminaria, Isto é tão positivamente ordenado, em um texto
muito claro das Escrituras, que nós 'poderíamos ensinar e
admoestar uns aos outros, com salmos, e hinos, e cânticos
espirituais, cantadas ao Senhor com graça em nossos
corações'. (Efésios 5:19), como é honrar nosso pai e mãe. Mas
isto coloca um fim em toda disputa? Essas mesmas pessoas
absolutamente se recusam a fazer isto, não obstante um texto
claro, um mandamento expresso?
Eu respondo (2) Eles mesmos praticam o que não é
mandamento expresso, nem exemplo claro nas Escrituras. Eles
não têm mandamento expresso para batizar mulheres. Eles
dizem, de fato, "mulheres estão inseridas em 'todas as
nações'". Elas estão; e assim estão as crianças também: Mas o
mandamento não é expresso para nenhum. E para admitir as
mulheres na Ceia do Senhor, eles têm nem mandamento
expresso, nem exemplo claro. Ainda assim, eles o fazem
continuamente, sem tanto um quanto o outro. E eles estão
justificados nisto, pela razão clara da coisa. Isto também nos
justifica no batizar crianças, embora sem mandamento expresso
ou exemplo claro.
Se for dito: "Mas existe um mandamento: 'Que o
homem examine a si mesmo; e, sendo assim, que ele coma
daquele pão' (I Cor. 11:28), a palavra 'homem', no original
significa indiferentemente tanto os homens quanto as
mulheres". Eu garanto que isto acontece, em outros lugares;
mas aqui a 'própria' palavra, imediatamente seguinte, confina
isto aos homens apenas. "Mas as mulheresestão inseridas nela,
embora não expresso". Certamente, e assim estão as crianças,
em "todas as nações".
"Mas nós temos exemplo bíblico para ela: Porque é
dito em Atos: 'Os Apóstolos continuaram em oração e súplica
com as mulheres". Verdade, na oração e súplica; ,as não e dito,
"no comungar". Nem temos um exemplo claro disto na Bíblia.
Uma vez, então, que eles admitem mulheres para a
comunhão, sem qualquer mandamento ou exemplo expresso, a
não ser apenas pela conseqüência das Escrituras, eles podem
nunca mostrar razão, porque as crianças não seriam admitidas
para o batismo, quando existem tantas escrituras que, pela
conseqüência clara mostra que elas têm direito a ele, e são
capazes dele.
Quanto aos textos em que Deus reprova seu povo por
fazer "o que ele ordenou que não fizessem"; aquela frase
evidentemente significa que ele havia proibido, especialmente,
naquela passagem de Jeremias. Todo o verso é: "Eles
construíram os lugares altos de Tofete, para queimarem seus
filhos e suas filhas no fogo, o que eu não ordenei a eles que
fizessem". Agora, Deus havia expressamente proibido a eles; e
isto na dor da morte. Mas, certamente, existe uma diferença
entre a oferta dos judeus de seus filhos e filhas aos diabos, e os
cristãos ofertarem os seus a Deus.
No conjunto, portanto, não é apenas lícito e inocente,
mas adequado, correto, e nosso dever sagrado, em
conformidade com a prática ininterrupta de toda a Igreja de
Cristo, desde as primeiras eras, consagrar nossas crianças a
Deus, através do batismo, como a Igreja judaica foi ordenada
fazer, através da circuncisão.

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