A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
31 pág.
Obras uel

Pré-visualização | Página 2 de 12

regionalismo do 
romance de 30, inclusive no âmbito temático. 
 c) reúne intimismo e crítica social, firmando-se como uma obra de caráter reflexivo do modernismo e 
discutindo diversos preconceitos, como a homossexualidade e o tabu da morte no âmbito familiar. 
 d) recorre, em diversos textos, à personagem Juca, que, ora como narrador, ora como personagem, se 
constitui na defesa do presente e no desprezo pelo passado. 
 e) contraria um traço expressivo da obra poética do autor, ao repudiar a oralidade valorizada nos poemas 
da primeira geração modernista. 
2) (UNEMAT) Os contos de Mário de Andrade ligam-se ao tom coloquial da primeira fase do Modernismo 
brasileiro. Nesse aspecto, assinale a alternativa correta quanto à composição narrativa. 
a) A ausência dos nomes das personagens em Primeiro de Maio e Atrás da catedral de Ruão indica a 
alienação do homem na sociedade. 
 b) A linguagem coloquial, próxima da oralidade, caracteriza a necessidade de manter o estilo parnasiano. 
 
 
 c) A exploração das novas técnicas de linguagem garante a densidade da composição e o apagamento da 
emoção. 
 d) A narrativa linear não permite a digressão e o flashback. 
e) A manutenção do espírito conservador e conformista estabiliza os conflitos das personagens. 
 3) (FUVEST) 
 I. A manobra psicológica do narrador-protagonista mostra que as lembranças obsessivas perdem a força, 
quando o seu culto as eleva a uma respeitosa distância. 
II. A paisagem paulistana é percorrida pelo olhar ingênuo de quem busca reconhecimento e esbarra no 
oficialismo autoritário. 
 As afirmações I e II referem-se, respectivamente, aos seguintes contos de Mário de Andrade (Contos 
Novos): 
 a) Vestida de Preto e Primeiro de Maio 
b) Peru de Natal e Frederico Paciência 
c) O Ladrão e Frederico Paciência 
d) Peru de Natal e Primeiro de Maio 
 e) Vestida de Preto e O Ladrão 
 4) (UNEMAT) Leia os fragmentos da obra Contos Novos, de Mário de Andrade. 
I. “E só mais tarde, já lá pelos nove ou dez anos, é que lhe dei nosso único beijo, foi maravilhoso. Se a 
criançada estava toda junta naquela casa sem jardim da Tia Velha, era fatal brincarmos de família, porque 
assim Tia Velha evitava correrias e estragos. Brinquedos aliás que nos interessava muito, apesar da idade já 
avançada para ele, mas é que na casa de Tia Velha tinha muitos quartos, de forma que casávamos rápido, 
só de boca, sem nenhum daqueles cerimoniais de mentira que dantes nos interessavam tanto, e cada par 
fugia logo, indo viver no seu quarto […]. O que os outros faziam, não sei. Eu, isto é, eu com Maria, não 
fazíamos nada. Eu adorava principalmente era ficar assim sozinho com ela, sabendo várias safadezas já, 
mas sem tentar nenhuma”. (Vestida de Preto, p. 19) 
 II. “Foi decerto por isto que me nasceu, esta sim, espontaneamente, a ideia de fazer uma das minhas 
chamadas ‘loucuras’. Essa fora aliás, e desde muito cedo, a minha esplêndida conquista contra o ambiente 
familiar. Desde cedinho, desde os tempos de ginásio, em que arranjava regularmente uma reprovação 
todos os anos; desde o beijo às escondidas, numa prima, aos dez anos, descoberto por Tia Velha, uma 
detestável de tia; e principalmente desde as lições que dei ou recebi, não sei, duma criada de parentes: eu 
consegui no reformatório do lar e na vasta parentagem, a fama conciliatória de ‘louco’”. (O Peru de Natal, 
p. 71) 
 Assinale a alternativa correta: 
a) Juca é o personagem-narrador do primeiro conto, enquanto o segundo, é narrado por Joaquim Prestes. 
b) As memórias da infância são recuperadas no segundo conto, pois o primeiro traz o narrador onisciente. 
 c) Em ambos os contos o personagem-narrador é o Juca que recupera a memória da infância. 
 
 
d) Nas lembranças do personagem-narrador Juca, de ambos os contos, o trauma causado pela Tia Velha foi 
o corte de seus longos cabelos cacheados. 
e) A Tia Velha representa uma lembrança prazerosa na memória do narrador. 
5) (FUVEST) “Se em ambos os contos a dominação social é tema de primeiro plano, cabe, no entanto, 
fazer uma DISTINÇÃO: em um deles, ela é direta, e aparece sob a forma do capricho e do arbítrio 
patronais; já em outro, ela é mais moderna – torna-se indireta e anônima.” 
 A distinção realizada nesta afirmação refere-se, RESPECTIVAMENTE, aos seguintes contos de Mário de 
Andrade (Contos Novos): 
a) Nélson e O Poço 
 b) O Ladrão e O Poço 
 c) O Ladrão e Nélson 
 d) O Poço e Primeiro de Maio 
e) Primeiro de Maio e O Ladrão 
GABARITO 
1) C 2) A 3) D 4) C 5) D 
 
A PALAVRA ALGO 
LUCI COLLIN 
Sobre a autora: Luci Collin nasceu em Curitiba-PR, em 1964, e reside na capital. Graduou-se em piano 
(1985) pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná (EMBAP), em Letras PortuguêsInglês (1987) pela 
Universidade Federal do Paraná (UFPR) e em Percussão Clássica (1990) pela EMBAP. Obteve os títulos de 
mestre em Literaturas de Língua Inglesa (1994) pela UFPR, de doutora em Estudos Linguísticos e Literários 
em Inglês (2003) pela Universidade de São Paulo (USP) e de pós-doutora (2010) pela USP. Entre 1986 a 
1987, foi presidente da Cooperativa de Artes do Paraná e, desde 1999, leciona Literaturas de Língua Inglesa 
na UFPR. Poetisa, ficcionista, tradutora e professora universitária, publicou livros de literatura, participou 
de antologias nacionais e internacionais (EUA, Alemanha, França, Uruguai, Argentina, Peru e México), 
produziu artigos e ensaios para revistas e jornais no Brasil e no exterior, escreveu e produziu textos 
dramáticos e teve vários textos seus transformados em peças teatrais. Publicou seu primeiro livro aos vinte 
anos: Estarrecer. Depois vieram outros oito livros de poesia, sete de contos e quatro romances. Obteve 
diversos prêmios por sua obra. Em 2017, com a publicação de A palavra algo (de 2016) ficou em segundo 
lugar no prêmio Jabuti, o mais importante na área literária no Brasil. 
Movimento literário: nova poética. 
 Assim como há uma prosa e teatro contemporâneo, há a poesia de autores que passaram a produzir e 
publicar no fim do século XX ou já no século XXI. Podemos dividir tal produção em oficial e marginal. Luci 
Collin se encaixa na poética oficial, que são os autores que publicaram seus trabalhos no circuito 
tradicional, ou seja, por meio de editoras. Outros autores, como: Manoel de Barros, Adélia Prado e Ferreira 
Gullar também fazem parte dessa divisão. 
 
 
Sobre a obra: Há, em A palavra algo, 47 poemas, na maior parte líricos, em que a autora retoma e 
ressignifica a tradição literária do ocidente, com destaque para alguns autores, como Edgar Allan Poe, 
Mallarmé, Fernando Pessoa, Casimiro de Abreu, William Shakespeare, entre outros. Do ponto de vista 
formal, os poemas raramente apresentam alguma pontuação, aproveitando-se da lição aprendida dos 
modernistas de 1922 e que ainda influencia uma série de poetas de outros momentos. Também exploram 
a sonoridade, os recursos estéticos, como o uso reiterado de anáforas, a linguagem simbólica por meio de 
metáforas. Além disso os poemas são marcados pela repetição e pela diversidade. 
 Enredo e Análise da obra: Como em um lance de dados Luci Collin celebra o jorro da linguagem 
em A Palavra Algo (Iluminuras, 2016) – livro que lhe concedeu o segundo lugar no Prêmio Jabuti 2017. A 
metáfora dos dados pode ser encontrada no poema “Lances” em que mostra como Collin utiliza as 
palavras para “cumprir o poema”: “dado que nos poreja / cumprir o poema / sagrar sua sorte / de verbos 
em chamas”. Sua poesia – apesar de cerebral – estabelece essa conexão com o improvável, o que lhe 
garante maior liberdade para compor seus versos: 
dado que é sem doutrina 
 jogo de emblemas 
 ondulação das cortinas 
 que tudo a voragem do início 
 e os sons feito fossem azes 
 estilando 
 o âmago desimpedido 
 de um esplêndido algo. 
Seu único comprometimento é com a poesia, ela mesma enquanto fluxo constante, como escreve em 
“Tule”: “assim aqui não se traceja perguntas / que