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como verdadeiras (V) ou falsas (F) as afirmações sobre a obra Eles não usam Black-tie, 
de Gianfrancesco Guarnieri. Em seguida, assinale a sequência correta 
 I. A música de Juvêncio no final da narrativa é concedida a intérpretes citadinos, simbolizando uma 
tentativa do dramaturgo de unir o morro e a cidade. 
 II. Diferentemente de Maria, Tião não reconhece o morro como seu espaço, o que, segundo alguns 
personagens, atribui-se ao fato de ter sido criado na cidade. 
 III. É uma peça peculiar da década de 50 que inova ao trazer uma linguagem revolucionária e ao abordar a 
plena liberdade sindical vivenciada pelos operários brasileiros. 
 IV. Há uma relação conflituosa entre os interesses coletivos (representado pelos operários) e os 
particulares (representado pela figura de Tião) 
 A sequência correta é: 
a) V, F, V, F. 
 b) F, V, V, F. 
 c) F, V, F, V. 
d) V, V, V, F. 
GABARITO 
 1) C 2) D 3) C 
 
POEMAS ESCOLHIDOS DE GREGORIO DE MATOS 
GREGORIO DE MATOS 
 
Sobre o autor: Gregório de Matos e Guerra nasceu em 7 de abril de 1633 (séc. XVII), na cidade de 
Salvador. Era o caçula de 3 filhos de abastada família baiana ligada a cultura açucareira. Aos 14 anos, viajou 
para Lisboa, onde concluiu os estudos em Direito. Em Portugal, depois de formado, exerceu importantes 
cargos no clero: Desembargador da Relação Eclesiástica da Baia e tesoureiro-mor da Sé Primacial do Brasil. 
Tido como intratável, acabou brigando com o arcebispo, por se recusar a vestir roupas sacerdotais 
obrigatórias para os cargos. Com uma vida envolta em mistérios e mitos, Gregório teria até entrado na 
mira da Inquisição, mas escapou graças ao prestigio da família. Tinha também fama de mulherengo, 
esbanjador e boêmio incorrigível. 
 
 
 Casou-se com Maria dos Povos e vendeu as terras que havia recebido como herança, gastando tudo sem 
economizar. Enquanto isso, trabalhava também como advogado e ficou famoso por escrever 
argumentações judiciais na forma de versos. Depois, Gregório de Matos largou tudo e tornou-se cantador 
itinerante pelo Recôncavo baiano, frequentando festas populares e convivendo com o povo. Nesse período 
ele passa a escrever cada vez mais poesias satíricas e eróticas, o que lhe rendeu o apelido “Boca do 
Inferno”. Além disso, ele escreveu diversas poesias de crítica política à corrupção e aos fidalgos locais, o 
que fez com que ele fosse deportado para Angola. 
 Só voltou ao Brasil em 1695, com a condição de que ele abandonasse os versos satíricos e fosse morar em 
Pernambuco. Nessa altura da vida, ele volta-se para a religião e escreve diversos poemas pedindo perdão a 
Deus pelos pecados que cometeu. Falece em 1696, no Recife (PE). 
 Escola literária: barroco. 
 O Barroco nasceu na Itália, na passagem para o século XVII, em meio a Reforma Protestante, que separou 
a antiga unidade religiosa. Foi um estilo de reação contra o classicismo do Renascimento, cujas bases 
giravam em torno da simetria e da proporcionalidade. Assim, a estética barroca primou pela assimetria, 
pelo excesso, pelo expressivo e pelo irregular. O próprio termo “barroco”, que nomeou o estilo, designava 
uma perola de formato bizarro. Esses traços constituíram uma verdadeira forma de vida e deram o tom a 
toda a cultura do período, uma cultura que enfatizava o contraste, o conflito, o dinâmico, o dramático, o 
grandiloquente, a dissolução dos limites. No Brasil, ainda colônia e sob grande influência de Portugal, o 
estilo se desenvolveu durante o ciclo do ouro, em que a exploração desse minério foi a principal atividade 
econômica. Nessa época, a capital do Brasil ainda era Salvador, que depois foi transferida para o Rio de 
Janeiro. Como as elites burguesas não se preocupavam em patrocinar as artes, e como a religião exercia 
enorme influência no cotidiano, vem daí que a vasta maioria do legado barroco brasileiro esteja na arte 
sacra: estatuária, pintura e obra de talha para decoração de igrejas e conventos ou para culto privado. 
Sobre a obra: Gregório de Matos é, historicamente, o primeiro grande poeta do Brasil. Sua obra é 
uma das mais importantes produzidas pelo Barroco nas Américas portuguesa e espanhola. O livro “Poemas 
escolhidos de Gregório de Matos” foi elaborado por José Miguel Wisnik, professor de Literatura Brasileira 
da USP, ensaísta, músico e compositor. De acordo com o profissional, a obra foi dividida por um critério 
temático. Partindo desse pressuposto, a divisão se dá em 3 partes: 
1) Poesia de circunstância: voltada para a realidade, o meio social, a cidade, o Recôncavo. Foram 
elencados, nesse segmento, os poemas que visam à sátira social, bem como ao aspecto gracioso 
(fazendo referência a acontecimentos pitorescos, às festas e demais divertimentos da Bahia). Além 
do mais, estão inseridos, nessa seção, os poemas encomiásticos por meio dos quais Gregório de 
Matos homenageou indivíduos que considerava dignos de admiração. 
2) Poesia amorosa: Nessa parte, estão contemplados os poemas líricos, que se voltam para a 
descrição da beleza feminina e, também, para a dualidade barroca entre amor espiritual 
(purificador, redentor) e amor carnal (pecaminoso, mas inevitável). Sobretudo, foram escolhidos, 
ainda, os poemas eróticosirônicos, responsáveis por retratarem a sexualidade de modo burlesco. 
3) Poesia religiosa: No último agrupamento, ficou a poesia que tematiza o binômio culpa X perdão 
e a vida humana como trânsito. São recorrentes, aqui, os temas da inevitabilidade do pecado, do 
medo da punição divina e da busca desesperada do eu-lírico pelo perdão de suas transgressões. 
Além da divisão, Wisnik ressalta, por meio das notas, os registros diferentes de variantes 
linguísticas encontradas no mesmo poema. Ademais, faz questão de salientar os textos cuja autoria 
está sob suspeita. 
 
 
QUESTÕES 
1) Leia o poema abaixo, de Gregório de Matos. 
 Retrato / Dona Ângela 
 Anjo no nome, Angélica na cara 
 Isso é ser flor, e Anjo juntamente: 
Ser Angélica flor e Anjo florente 
 Em quem, senão em vós se uniformara? 
Quem veria uma flor, que a não cortara 
 De verde pé, de rama florescente? 
E quem um Anjo vira tão luzente, 
 Que por seu Deus o não idolatrara? 
 Se como Anjo sois dos meus altares, 
 Fôreis o meu custódio, e minha guarda, 
 Livrara eu de diabólicos azares. 
Mas vejo, que tão bela, e tão galharda 
 Posto que os anjos nunca dão pesares 
Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda. 
Considere as seguintes afirmações sobre o poema: 
I — O poeta explora o paralelo entre Anjo e Angélica e revela a condição perecível e doméstica da flor, 
permitindo que se perceba a uniformização pretendida pelo barroco, a qual estabelece regras poéticas 
rígidas. 
 II — A mulher Anjo Luzente, no poema, encarna tanto o anjo protetor que livra "de diabólicos azares", 
quanto a criatura feminina tentadora que provoca a imaginação e a sensualidade. 
 III — A associação e o contraste da flor, que seria cortada do verde pé, com o Anjo luzente a ser 
idolatrado, indica o diálogo do poeta (vós) com o anjo enviado dos céus para proteger os altares de sua 
esposa. 
 Quais estão corretas? 
a) Apenas I 
b) . b) Apenas II. 
c) c) Apenas I e II. 
d) d) Apenas I e III. 
e) e) I, II e III. 
 
2) (UFPA) Assinale a alternativa correta a respeito de Gregório de Matos ou do Barroco. 
 
 
 a) Gregório de Matos é considerado o autor mais importante do Barroco brasileiro por ter 
introduzido a estética no país e ter escrito poemas épicos, de herança camoniana, em louvor à 
pátria, traço do nativismo literário da época. 
 b) A crítica reconhece a obra lírica de Gregório de Matos como superior à satírica, porque, nela, 
o autor não trabalha com o jogo de palavras que instaura o erótico e às vezes até o licencioso. 
 c) Tematicamente, a poesia de Gregório de Matos trabalha a religião, o amor, os costumes e a 
reflexão moral, às vezes por meio de um jogo entre erotismo idealizado x sensualismo 
desenfreado; temor divino x desrespeito