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HÉRNIAS DA PAREDE ABDOMINAL 
Vitória Correia Moura – T4C 
1) DEFINIÇÃO 
Hérnia é derivada da palavra latina para ruptura de alguma estrutura, nesse caso, uma ruptura da 
parede abdominal, gerando um abaulamento de estruturas abdominais. Uma hérnia é definida como 
protusão anormal de um órgão ou tecido por um defeito em suas paredes circundantes (conteúdo sai 
do continente). 
Hérnias da parede abdominal ocorrem apenas em locais onde a aponeurose e a fáscia não são 
cobertas por músculo estriado: áreas inguinal, femoral, umbilical, linha alba, porção inferior da linha 
semilunar e locais de incisões anteriores. 
 
O colo ou orifício de uma hérnia é localizado na camada musculoaponeurótica mais interna, enquanto 
o saco herniário é revestido por peritôneo e faz protusão no colo. 
A prevalência das hérnias aumenta com a idade, bem como a probabilidade de estrangulamento e a 
necessidade de hospitalização. 
 
2) EPIDEMIOLOGIA 
 As hérnias de parede abdominal são muito prevalentes, cerca de 5% da população mundial 
desenvolverá algum tipo de hérnia, sendo que 75% desses defeitos da parede abdominal são na localização 
inguinal (50% delas é do tipo indireta e cerca de 25% do tipo direta). De forma geral, os mais acometidos 
pelas hérnias são os homens, cerca de 25 vezes a mais do que a população do sexo feminino. 
 
3) FATORES DE RISCO 
 Histórico familiar; 
 Sexo masculino (no sítio do canal inguinal feminino está o ligamento redondo do útero e não ocorre 
passagem de nenhuma estrutura por essa região, já nos homens ocorre a passagem de diversas 
estruturas como o funículo espermático, os nervos, o músculo cremaster, entre outras); 
 Idade acima de 70 anos; 
 Tabagismo (tosse crônica  diafragma empurra constantemente as vísceras abdominais  aumento 
da pressão abdominal  hérnia); 
 Doenças colagenosas; 
 Aumento da pressão abdominal (DPOC, Ascite, Hiperplasia prostática benigna). 
 
Vitória Correia Moura – T4C 
Obs.: Uma consideração importante é acerca da obesidade, que não entra como fator de risco, na 
verdade é um fator protetor, pois parece estar associado com um espessamento da pele e do tecido 
subcutâneo, o que pode exercer uma proteção ao abaulamento das estruturar abdominais. 
 
4) REVISANDO A ANATOMIA 
 
 
 
 
CANAL INGUINAL  tem cerca de 4 cm e estende-se do anel inguinal interno/profundo (delimitado pelos 
vasos epigástricos inferiores) ao anel inguinal externo/superficial (delimitado pela aponeurose do m. oblíquo 
externo). É do anel inguinal externo que se projeta o funículo espermático. 
 
Vitória Correia Moura – T4C 
 
 Parede ANTERIOR: aponeurose do m. oblíquo externo 
 Parede POSTERIOR: aponeurose do m. transverso e fáscia transversal 
 Parede MEDIAL: tendão conjuntivo (aponeurose do m. oblíquo interno + aponeurose do m. transverso) 
 Parede LATERAL: ligamento inguinal. 
 
 
5) CLASSIFICAÇÃO DAS HÉRNIAS 
 
 
 
 
A) HÉRNIA UMBILICAL 
A hérnia umbilical surge, sobretudo em bebês e crianças, afetando igualmente ambos os sexos. 
Acomete mais os prematuros e afrodescendentes. Na maioria das hérnias umbilicais, o fechamento ocorre 
em torno dos 4 a 5 anos de idade, sem tratamento. 
A hérnia umbilical é o abaulamento de estruturas abdominais devido a uma fraqueza na parede, só 
que no nível da cicatriz umbilical. Vale lembrar que nessa situação há formação de uma “estrutura” que 
recebe o nome do saco herniário, o abaulamento da camada peritoneal junto com a víscera abdominal. 
Defeito da fascia remanescente do anel que passa o cordão umbilical. 
Vitória Correia Moura – T4C 
Colo herniado  por onde ocorre a protusão da hérnia umbilical. 
Obs.: um orifício pequeno é mais perigoso, pelo maior risco de sofrer estrangulamento/ 
encarceramento gerando isquemia, necrose ou perfuração. 
 
B) HÉRNIA INGUINAL 
 É a hérnia mais comum da parede abdominal, acometendo mais os homens. O risco aumenta se 
houver história familiar positiva ou prematuridade. Surge como um desconforto ou massa na virilha (edema 
inguinal ou escrotal). 
 Quadro clínico: Apresenta-se como um abaulamento que aparece ou piora com o esforço muscular e 
que reduz espontaneamente com o decúbito ou por pressão manual (desconforto que piora ao final do dia e 
melhora com o decúbito). 
 Diagnóstico diferencial: Varicocele, cisto do cordão espermático, hidrocele, tumor da parede 
abdominal, adenopatia ganglionar. 
 Classificação: Direta (mais comum em paciente acima de 40 anos e que fazem esforço repetitivo; 
surge abaixo dos vasos epigástricos inferiores, no trígono de Hesselbach) ou Indireta (mais comum em 
pacientes jovens; surge acima dos vasos epigástricos inferiores). 
 Exame físico: 
 Paciente em pé e deitado; 
 Solicitar que realize a manobra de Valsalva (ex: assoprar a mão ou tossir); 
 Inspeção estática e dinâmica; 
 Se a hérnia for INDIRETA  a hérnia empurra a PONTA do dedo; 
 Se a hérnia for DIRETA  a hérnia empurra a POLPA LATERAL do dedo; 
 MANOBRA DE LANDIVAR  Obstruir o anel interno por cima da pele e pede que o paciente realize a 
manobra de Valsalva. Se houver abaulamento trata-se de hérnia DIRETA, pois o orifício de saída do 
saco herniário indireto (anel interno) está obstruído. 
 
6) DIAGNÓSTICO 
O diagnóstico é baseado em uma boa anamnese associada com o exame físico. É muito importante 
perguntar sobre situações de complicações prévias, caracterizar muito bem os sintomas e realizar o exame 
físico adequado, com o paciente em posição supina e em ortostase. Deve ser realizada a palpação do anel 
inguinal e do anel herniário. 
Vale lembrar que o diagnóstico da hérnia é clínico, sendo dispensável – segundo os protocolos – o 
uso da ultrassonografia, deixando esse exame complementar, assim como outros exames de imagem, para 
os casos duvidosos e complexos. 
 Hérnia redutível  quando é possível retornar o conteúdo herniado para o seu lugar de origem. 
 Hérnia irredutível ou encarcerada  quando o conteúdo herniário está preso ao anel herniário, 
impossibilitando o retorno. Pode levar a quadro de abdome agudo obstrutivo. 
 Estrangulamento  nos casos das hérnias encarceradas, existe o risco do conteúdo herniário ficar 
preso (encarcerado) no saco herniário e sujeito a sofrer estrangulamento, o que compromete a 
circulação sanguínea no local e leva a necrose do órgão herniado. Ou seja, o que define uma hérnia 
como estrangulada é saco não redutível com sofrimento vascular do seu conteúdo. 
 Hérnia de deslizamento  Protusão do peritônio visceral cobrindo parte de um órgão, como bexiga e 
cólon. 
Quando não for possível reduzir a hérnia ou a hérnia estiver estrangulada a conduta é  cirurgia de 
urgência + inguinotomia. 
 
Vitória Correia Moura – T4C

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