A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
5 pág.
Obrigações de dar

Pré-visualização | Página 1 de 2

Direito Civil III | Maria Eduarda Q. Andrade 
 
 
 
 Das Obrigações de dar 
 
 
® Estão disciplinadas do Art. 233 ao Art. 246 do CC. 
® É uma classificação quanto ao objeto (prestação) 
 
As obrigações de dar são Obrigações POSITIVAS, porque exigem uma atividade do devedor. São 
classificadas como de dar as obrigações cuja prestação consiste em um dar = o devedor tem de 
entregar ou restituir um bem material (coisa) ao credor. 
As obrigações de dar compreendem: 
 
® Obrigações de dar coisa certa = objeto determinado 
Pois pode-se estabelecer quantidade, gênero e qualidade 
 
® Obrigações de dar coisa incerta = objeto determinável 
Pois pode-se estabelecer apenas quantidade e gênero. 
 
OBRIGAÇÕES DE DAR COISA CERTA 
 
São Classificadas como de dar coisa certa as obrigações cuja prestação consiste na ENTREGA ou 
RESTITUIÇÃO de uma coisa certa (determinada= individualizada). 
 
Subdivide-se em obrigação de entregar e obrigação de restituir. 
 
® Entregar: entregar algo/ coisa. Transferência de domínio/ dono. 
® Restituir: devolver algo/ coisa. Não há transferência de domínio. 
 
OBRIGAÇÃO DE ENTREGAR 
 
As obrigações de dar coisa certa abrange não apenas o bem principal, mas também os acessórios. 
¨ Art. 233 do CC. Exemplo: quem se comprometeu a entregar a Fazenda do moinho deve 
também entregar todas as árvores- com seus frutos pendentes- plantadas na fazenda. 
 
Isso decorre do princípio da gravitação jurídica = acessórios seguem o bem principal. A obrigação de 
dar os acessórios juntamente com o bem principal diz respeito somente aos acessórios propriamente 
ditos (partes integrantes) e não as pertenças. 
 
Modalidade Das Obrigações 
 
 
 
 
 
 
 
Art. 104 do CC determina que a 
validade do negócio jurídico requer 
um objeto determinado ou 
determinável. 
 
 
 
 
Pertença é um bem que foi feito para utilizar no 
bem principal, mas não é parte integrante, por isso 
não acompanha o bem principal se não estiver 
determinado na lei ou no contrato. 
 ART. 94 DO CC. 
Direito Civil III | Maria Eduarda Q. Andrade 
 
 
E quando a coisa se perde? Quais as consequências jurídicas dessa perda? Vejamos as hipóteses de 
perda e deterioração do objeto da prestação. 
 
Na hipótese de perda, as consequências jurídicas vão depender se a perda do bem ocorreu com 
culpa ou sem culpa do devedor. 
¨ Art. 234 do CC. Perda da Coisa 
 
® Se o devedor NÃO tiver culpa na perda da coisa, a obrigação se resolve / extingue-se. 
® Se o devedor perder a coisa COM culpa, o devedor responde pelo equivalente + perdas e 
danos. 
 
IMPORTANTE: O art. refere-se nos casos de perda antes da tradição (entrega do bem) ou antes de 
implementada a condição suspensiva. 
Portanto, se a perda do bem se deu SEM culpa do devedor antes da tradição ou enquanto pendente 
a condição suspensiva= extingue-se a obrigação para ambas as partes. 
 
® Exemplo: João vendeu seu carro para Maria. João ficou de entregar o carro no sábado para 
Maria. Ocorre que na sexta-feira o carro de João estava estacionado na garagem quando foi 
atingido pela enchente, vindo a sofrer perda total. Conclusão: extingue-se a obrigação. 
 
Se a perda do bem se deu COM culpa do devedor antes da tradição e enquanto pendente a condição 
suspensiva= O devedor deverá dar o valor do bem + perdas e danos 
 
® Exemplo: Fernando doou seu carro para Clara. Fernando ficou de entregar o carro no sábado. 
Na sexta-feira João estava dirigindo embriagado e arremessou o veículo em um rio, vindo a 
causa perda total do veículo. Conclusão: Fernando deve pagar o valor do veículo + perdas e 
danos. 
 
Na hipótese de deterioração (perda parcial de substância) da coisa antes da tradição, SEM culpa do 
devedor a lei concede duas alternativas: 
® Dar a obrigação por resolvida, recebendo do devedor o que lhe pagara previamente 
® Aceitar a coisa no estado em que se encontra + abatimento do valor que a coisa houver 
perdido. 
¨ Art. 235 do CC 
 
Se a coisa se deteriorar COM culpa do devedor, o credor pode optar por exigir o equivalente, ou 
aceitar a coisa no estado em que se encontra + direito a indenização pelas perdas e danos. 
¨ Art. 236 do CC 
 
 
 
 
 
Direito Civil III | Maria Eduarda Q. Andrade 
 
 
OBRIGAÇÃO DE RESTITUIR 
 
Aqui, a coisa pertence, desde sempre, ao credor. E, para que se possa pensar em obrigação de 
restituir, é necessário que o devedor tenha recebido algo do credor para devolver depois. 
 
Na hipótese de perda da coisa: 
® SEM culpa do devedor, antes da tradição, o credor sofrerá a perda e então a obrigação se 
resolve. 
¨ Art. 238 do C 
 
® COM culpa do devedor, responderá este pelo equivalente + perdas e danos 
® Art. 239 do CC 
 
Na hipótese de deterioração da coisa: 
¨ Art. 240 do CC 
 
® SEM culpa do devedor, o credor tem de aceita-la, no estado em que se encontra, sem direito 
a indenização. 
 
® COM culpa do devedor, o CC determina a aplicação do art. 239. 
 
 Mas houve uma mudança que determina que as disposições do Art. 236 do CC, também são 
aplicáveis a hipótese do art. 240. 
 
Art. 236: Sendo culpado o devedor, poderá o credor exigir o equivalente, ou aceitar a coisa no estado 
em que se acha, com direito a reclamar, em um ou em outro caso, indenização das perdas e danos. 
 
Art. 240: Se a coisa restituível se deteriorar sem culpa do devedor, recebê-la-á o credor, tal qual se 
ache, sem direito a indenização; se por culpa do devedor, observar-se-á o disposto no art. 239. 
MELHORAMENTOS E ACRÉSCIMOS DO OBJETO DA PRESTAÇÃO 
 
É comum que uma coisa seja melhorada, ou que nela sejam acrescentadas coisas. Seja em caso de 
acessório ou de pertença, o melhoramento sempre pertence ao dono da coisa melhorada ou 
aumentada. 
 
OBRIGAÇÃO DE ENTREGAR 
 
Considerando-se que a coisa pertence ao devedor ate a entrega, a ele pertence também os 
acréscimos e melhoramentos que a ela sobrevierem ate aquele momento. 
® Art. 237, primeira parte do CC 
 
 
Direito Civil III | Maria Eduarda Q. Andrade 
 
Podendo o devedor exigir o credor aumento do preço, sobrevindo ao objeto da prestação acréscimo 
ou melhoramento, caso o credor não esteja de acordo, resolve-se a obrigação 
® Art. 237, segunda parte do CC 
 
OBRIGAÇÃO DE RESTITUIR 
 
Considerando que a coisa pertence ao credor e posteriormente o devedor deverá devolve-la, se 
sobrevier um melhoramento ou acréscimo a coisa sem despesa/ trabalho do devedor não haverá 
indenização, portanto, o credor sai no lucro. 
® Art. 241 do CC 
 
Mas, se tais acréscimos/ melhoramentos o devedor tiver realizado com despesa ou trabalho, deverá 
ser aplicado as normas atinentes às BENFEITORIAS realizadas pelo possuidor de boa-fé ou má-fé. 
® Art. 242 do CC 
 
® Se o devedor tem posse de BOA- FÉ, isto é, desconhece os vícios que sua posse porventura 
tenha, e realizou na coisa uma melhoria/ acréscimo por trabalho seu, cabe examinar a natureza 
de tais obras. 
 
Podendo ser: 
 
Benfeitorias necessárias (96, §3º do CC): são as que tem por fim conservar o bem ou evitar que se 
deteriore. 
 
Benfeitorias úteis (96, §2º do CC): são as que aumenta ou facilitam o bem 
 
Aqui o devedor terá direito à indenização dos custos das obras, e a se recusar a restituir a coisa, 
enquanto não receber. Trata-se do direito de retenção (art. 1.219, primeira e terceira parte) 
Entretanto, se tratando de benfeitorias voluptuárias, o devedor também terá direito à indenização 
dos custos das obras, e se o credor recusar a pagá-la, poderá fazer mesmo assim as benfeitorias, 
MAS, nesse caso não há direito de retenção. 
 
® Se o devedor tem posse de MÁ-FÉ 
 
Haverá direito à indenização somente pelas benfeitorias necessárias, sem direito de retenção, e sem 
direito de levantar as benfeitorias voluptuárias. 
 
 
 
 
 
 
 
Direito Civil III | Maria Eduarda Q. Andrade 
 
OBRIGAÇÃO DE DAR COISA INCERTA 
 
A obrigação de dar coisa incerta é aquela prestação de entregar um bem que será indicado ao menos 
pelo gênero e quantidade. Cuida-se de um BEM DETERMINÁVEL. 
® Art. 243 do CC 
 
A incerteza