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FICHAMENTO DO LIVRO - DOS DELITOS E DAS PENAS

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FICHAMENTO DO LIVRO “DOS DELITOS E DAS PENAS” 
Milena Vitória de Sousa Gomes 
REFERÊNCIA 
BECCARIA, Cesare. Dos Delitos e das Penas. Ed.Ridendo Castigat Mores, 2001. 
 
I. INTRODUÇÃO 
Segundo Beccaria, as vantagens da sociedade devem ser repartidas entre todos de formas 
iguais, e para evitar abusos e atrocidades a solução são boas leis. Entretanto, o que se observa 
ao longo da história é que as leis na maioria das vezes foram apenas frutos de uma pequena 
minoria, e não, uma obra sensata com o objetivo de dirigir ações para o bem estar da maioria. 
Diante disso, a obra busca indicar os princípios mais gerais, e as faltas e erros mais comuns, 
visto que, existem diversas variedades de crimes, com inúmeras circunstâncias de tempo e lugar 
que seria impossível descrever cada um deles. Assim, o autor se contenta em contribuir de 
alguma forma para salvar da morte algumas pessoas, vítimas da tirania ou da ignorância. 
II. ORIGEM DAS PENAS E DIREITO DE PUNIR 
É apenas no coração do homem que estão os princípios fundamentais do direito punir. E os 
indivíduos cansados de viver no meio de temores, sacrificaram uma parte de sua liberdade para 
usufruir do resto com mais segurança, e a soma de todas essas porções de liberdades, 
sacrificadas pelo bem geral, formou-se a soberania da nação. E o administrador do depósito e 
dos cuidados dessas liberdades foi proclamado o soberano do povo. 
Entretanto, não é suficiente apenas o depósito é necessário que sejam criadas formas de 
protegê-lo, e esses meios foram as penas estabelecidas contra os infratores das leis. No entanto, 
as penas que ultrapassam a esse depósito da salvação pública são injustas por sua natureza. 
III. CONSEQUÊNCIAS DESSES PRINCÍPIOS 
Segundo Beccaria, “[...] a primeira consequência desses princípios é que só as leis podem 
fixar as penas de cada delito [...]” (p.10). Diante disso, pode-se observar uma relação com as 
fontes do direito penal, visto que, a fonte imediata é a lei. Apenas ela pode proibir ou impor 
condutas sob ameaça de sanção. Ademais, o trecho que fala sobre o magistrado não poder 
infligir uma pena que não esteja estatuída pela lei, relaciona-se com o Princípio da Legalidade 
presente no ordenamento jurídico brasileiro, fixado na Constituição em seu Art. 5°, XXXIX, o 
qual preconiza que “não há crime, nem pena, sem lei anterior que os defina”. 
Bem como, a segunda consequência para Beccaria, é que o soberano só poderá fazer leis 
gerais, e não julgar se alguém as violou. Relacionando com o sistema brasileiro, o ordenamento 
possui o princípio da separação dos poderes previsto no art. 2° da Constituição, pelo qual 
constitui como harmônicos e independentes entre si os poderes Legislativos, Executivos e 
Judiciário. Nesse sentido, cada poder possui sua função e sua esfera de atuação sem adentrar 
ou interferir de forma arbitrária nos outros poderes. 
E no caso de delito, existem duas partes: o soberano que afirma o contrato social ter sido 
violado, e o acusado que nega. Nesse caso, no sistema brasileiro os “acusados em geral são 
assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes” (Art. 5º, 
LV, CF/88), como também que exista entre eles um terceiro que decida sobre a contestação, 
isto é, o magistrado. Assim, de acordo com a Constituição Brasileira “ninguém será processado 
nem sentenciado senão pela autoridade competente” (Art. 5º, LIII, CF/88). 
IV. DA INTERPRETAÇÃO DAS LEIS 
Diante dos princípios estabelecidos, Beccaria destaca que os juízes não podem ter o direito 
de interpretar as leis, pois não são legisladores. Como também, que o espírito de uma lei não 
pode ser resultado da boa ou má lógica de um juiz, visto que, cada homem tem sua maneira 
própria de ver as coisas à sua volta. E deixar a vida de um cidadão à mercê de um falso 
raciocínio, ou do mau humor do juiz, é inviável. No ordenamento brasileiro, existe o princípio 
da determinação taxativa – determina que a norma penal incriminadora deve ser clara, certa e 
precisa para evitar dúvidas ou ambiguidades, bem como evitar interpretações arbitrárias. 
V. DA OBSCURIDADE DAS LEIS 
Segundo Beccaria, o texto das leis deve estar nas mãos do povo, para que os homens 
meditando nos crimes e na certeza das penas, diminuirão a prática de cometer delitos. Como 
também, precisam ser escritas em uma língua comum ao povo, para evitar que os indivíduos 
fiquem sempre à mercê de um pequeno número de homens depositários e intérpretes das leis. 
Diante disso, ele destaca o importante papel da imprensa para tornar públicas as leis para todos 
os indivíduos e não apenas para alguns particulares. E que a diminuição dos crimes cometidos 
na Europa, era mérito do papel desenvolvido pela imprensa. 
VI. DA PRISÃO 
Neste capítulo, Beccaria destaca que os magistrados encarregados de fazer leis, ferem o 
direito da sociedade, isto é, a segurança pessoal. Logo, o direito de prender discricionariamente 
os cidadãos, de tirar a liberdade do seu inimigo sob pretextos funestos e deixar livres os que 
eles protegem, é um erro. O sistema brasileiro, possui o princípio constitucional da igualdade 
fixado no caput do art. ° da Constituição – garantindo que todos os indivíduos são iguais perante 
a lei. Assim, previne que os indivíduos sejam bem tratados ou mal tratados apenas de acordo 
com a vontade e os interesses dos magistrados, pois todos possuem o direito de serem tratados 
de forma igual, independente das predileções dos aplicadores da Lei. 
Para Beccaria, as penas poderão ser mais brandas, à medida que as prisões não forem uma 
horrível mansão de desespero e de fome. Não devendo, também, deixar nenhuma nota de 
infâmia sobre o acusado que teve juridicamente sua inocência reconhecida. Entretanto, lançam 
de forma indistinta na mesma masmorra, o inocente suspeito e o criminoso convicto, apenas 
para reforçar a ideia de força e poder, e não o desejo de justiça. 
VII. DOS INDÍCIOS DO DELITO E DA FORMA DOS JULGAMENTOS 
Vale destacar, o papel dos indícios do delito que segundo Beccaria, se eles não se sustentam 
por si só, o número de provas nada acrescenta nem diminui a probabilidade do fato, merecendo 
pouca consideração, logo, destruindo uma única prova, derruba todas as outras. Assim, no 
ordenamento jurídico brasileiro, existe o princípio da culpabilidade – pelo qual define que 
nenhum resultado pode ser atribuído a quem não o tenha produzido por dolo ou culpa, atribui-
se esse princípio à vontade do agente de querer o resultado ilícito. 
Diante disso, o autor destaca que as provas devem ser independentes e quanto mais 
numerosas forem, mais será provável o delito, visto que, a falsidade de uma prova não 
influência sobre a certeza das outras. As provas podem ser divididas em: perfeitas e imperfeitas. 
As primeiras demonstram de forma positiva que é impossível o acusado ser inocente, sendo a 
única prova perfeita suficiente para autorizar a condenação. E as imperfeitas, não excluem a 
possibilidade da inocência do acusado, e para condenar mediante elas, é necessário um número 
muito grande para valerem uma prova perfeita. 
VIII. DAS TESTEMUNHAS 
Para Beccaria, é importante determinar em toda boa legislação de maneira exata o grau de 
confiança que deve ser concedido às testemunhas e a natureza das provas necessárias para 
constatar o delito, medindo o grau de confiança pelo interesse que o indivíduo possui de dizer 
ou não dizer a verdade. Como também, a confiança das testemunhas podem ser medidas de 
acordo com as proporções de ódio ou da amizade que ela possui com o acusado. Devendo 
também, observar os crimes mais atrozes com mais prudência, por exemplo, as acusações de 
magia e as ações gratuitamente cruéis, visto que, as possibilidades de existirem calúnias e 
precipitação sobre esses casos é bem maior. 
IX. DAS ACUSAÇÕES SECRETAS 
Para Beccaria,