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03/07/2020 UFMG
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Nº 1397 - Ano 29 - 22.05.2003
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UFMG descobre organela em núcleo da célula
Até então, estrutura havia sido identificada apenas no citoplasma
Ludmila Rodrigues
 
versão on-line da Nature Cell
Biology, uma das mais
importantes revistas
científicas do mundo, publicou, no dia
22 de abril, artigo com resultados de
um estudo desenvolvido no ICB, que
promete ampliar os horizontes da
pesquisa celular. Trata-se da
descoberta de uma organela no núcleo da célula, o retículo
nucleoplasmático, estrutura contínua e similar ao retículo
endoplasmático, existente no citoplasma.
"Nosso trabalho foi o primeiro a identificar a presença de uma organela no
núcleo da célula", conta a professora Maria de Fátima Leite, do
departamento de Fisiologia e Biofísica do ICB. O retículo é uma estrutura
responsável por funções celulares, como síntese de proteínas e
armazenamento de cálcio. Por isso, sua descoberta pode gerar estudos
aplicados nas áreas de saúde, como formulação de medicamentos e de
novas terapias.
A organela no núcleo
"A partir dessa descoberta, a ciência poderá desenvolver processos para
manipular cálcio nuclear e regular, por exemplo, o crescimento e o
desenvolvimento do fígado", explica Fátima Leite, que se valeu
exatamente de células do fígado em seus experimentos. Ainda segundo a
professora, a partir do reconhecimento das especificidades da nova
organela, medicamentos que controlam o cálcio no organismo, como os
anti-hipertensivos, poderão ser reformulados a fim de amenizar efeitos
colaterais.
Nas experiências, os cientistas utilizaram sondas fluorescentes para
marcar compartimentos intracelulares, visualizar a nova organela e
estudar seu efeito funcional. Para ampliar as condições de observação da
estrutura, a equipe usou o microscópio Two Photon, sofisticado aparelho
com alta resolução de imagem, existente na Universidade de Yale, nos
Estados Unidos.
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03/07/2020 UFMG
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Repercussão
O estudo, desenvolvido durante um ano e meio em parceria com dois
médicos da Universidade de Yale, no estado de Connecticut, e um físico da
Universidade de Cornell, em Nova Iorque, foi saudado pelo meio científico
internacional. Já publicados na versão on-line da Nature Cell Biology,
periódico especializado em estudos celulares vinculado à Nature, os
resultados do estudo também serão detalhados na versão impressa da
revista. Além disso, a pesquisa foi tema, no dia 9 de maio, de editorial na
Science, outra revista de grande impacto científico.
As conclusões da pesquisa já foram apresentadas em evento no
departamento de Morfologia do ICB e em conferência realizada em Bern,
na Suíça. Ainda este mês, o cientista Mateus Tavares Guerra, ex-aluno de
iniciação científica da professora Fátima Leite, levará os resultados do
trabalho a uma sessão plenária para cinco mil pessoas na conferência
Digestive Desease Week, em Orlando, Estados Unidos. Também estão
previstas apresentações na Gordon Conference, em Massachusetts, e na
Universidade Mcgill, em Québec, Canadá.
A identificação do retículo nucleoplasmático também deve obrigar os
autores de livros de ciência a alterar capítulos referentes às estruturas
celulares. É o caso da obra Princípios de Bioquímica, de Lehninger, editada
nos Estados Unidos e adotada em universidades do mundo inteiro. "Nos
próximos anos, o assunto pode até virar questão de vestibular", brinca a
professora Fátima Leite.
Organela formada por redes de tubos
ramificados. Eles são responsáveis pela
síntese de proteínas, armazenamento e
controle de cálcio intracelular. As
variações das taxas de cálcio, o local e a
freqüência com que esta substância é
liberada na célula regulam importantes
funções do organismo, como contração
muscular, secreção de hormônios,
multiplicação e diferenciação celulares.
Pesquisa: Regulação da sinalização de cálcio no núcleo através do
retículo nucleoplasmático 
Equipe: Maria de Fátima Leite, Mateus Tavares Guerra, Wihelma
Echevarría, Warren Zipfel e Michael H. Nathanson 
Instituições: Instituto de Ciências Biológicas da UFMG e Yale University
School of Medicine (Estados Unidos) 
Financiadores: Nacional Institute of Health e Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) 
Suporte científico: Laboratório de Imunologia Celular e Molecular,
coordenado pelo professor Alfredo Miranda Góes, do departamento de
Bioquímica e Imunologia; e Laboratório de Neurofarmacologia, chefiado
pelo professor Marcus Vinicius Gómez, do departamento de Farmacologia,
ambos no ICB.

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