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Livro - Fundamentos e Metodologia do Ensino da Lingua Portuguesa

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abordar algum tema e trans-
mitir conhecimento a respeito desse tema, transmitir dados e conceitos. O 
texto informativo corresponde a manifestações textuais cujo emissor (escri-
tor) expõe um tema, fato ou circunstância ao receptor (leitor). Em outras 
palavras, representa as produções textuais objetivas, normalmente em prosa, 
com linguagem clara e direta (linguagem denotativa).
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Concepções de 
Linguagem
É comum encontrar em referências teóricas três concep-
ções que correspondem às três grandes correntes dos estudos lin-
guísticos: a) gramática tradicional; b) estruturalismo; c) interacio-
nismo. A discussão aqui proposta procurará se situar no interior 
da terceira concepção de linguagem, uma vez que esta implicará 
numa postura educacional diferenciada, contemplando a lingua-
gem como o lugar de constituição de relações sociais, em que os 
falantes se tornam sujeitos.
Nesse sentido, a língua só tem existência no jogo que se faz 
na sociedade, na interação, e é no interior de seu funcionamento 
que se pode procurar estabelecer as regras de tal jogo. Um exemplo: 
considerando qualquer atividade conjunta numa sociedade simples 
– como trocar as aves abatidas em uma caça pelos frutos que o vizi-
nho colheu –, é possível exercê-la sem linguagem? A reposta será 
sim, se por linguagem se entender apenas a fala e a escrita. Mas será 
não, se por linguagem se entender qualquer forma de comunicação.
Fundamentos e Metodologia do Ensino da Língua Portuguesa
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Essa resposta envolve tanto uma concepção de linguagem quanto uma 
postura relativa à educação; uma e outra se fazem presentes na articulação 
metodológica. Mediante a concepção adotada (tradicional, estruturalista ou 
interacionista) é possível entender muitas coisas, por exemplo, que costuma-
-se privilegiar algumas linguagens no uso do cotidiano escolar. Por que isso é 
feito? Preferência? Intuição? Fidelidade ao senso comum? Convém perscrutar 
um pouco em busca de uma resposta.
2.1 Linguagem como expressão do pensamento
Essa concepção representa, basicamente, os estudos tradicionais. 
Segundo Geraldi (1984, p. 43), “se concebermos a linguagem como tal, 
somos levados às afirmações – correntes – de que pessoas que não conseguem 
se expressar não pensam”.
Quando se fala em gramática tradicional recorre-se, implacavelmente, 
à eleição, à preocupação com uma única variedade linguística: a escrita, a 
formal, a erudita, a literária, a “melhor”, a única, com a consequente exclu-
são das demais variedades. Nela, ressalta-se a importância das regras a serem 
seguidas, em que o conceito de “certo” e “errado” é salientado – a obsessão 
pelo erro –, contemplando a língua não como um meio de interação, mas um 
conjunto de coisas certas e erradas.
Essa exclusão das demais variedades vai gerar, automaticamente, o cha-
mado “preconceito linguístico” (são atribuídos valores de certo à fala de pres-
tígio, e de errado aos falares menos prestigiados) em relação à linguagem 
popular, à linguagem dos jovens, à linguagem dos nordestinos, à linguagem 
dos paranaenses etc.
Trata-se de um “irrealismo linguístico”, uma vez que a língua se trans-
forma, isto é, muda através do tempo, já que é um organismo vivo. Contudo, 
os gramáticos alheios à evolução, aos fatos, aos usos, aos costumes, tentam 
manter a língua em conservação. Durante muitos anos, a escola apresentou a 
língua como um fato único e homogêneo, e, como já foi enfocado, a língua é 
um conjunto bastante heterogêneo de variedades linguísticas.
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Concepções de Linguagem
Em síntese, essa concepção contempla um sistema fechado: o professor 
como o único detentor de saberes e a gramática como centro do ensino. O 
professor ensina, o aluno aprende; ensinar língua é ensinar gramática.
2.2 Linguagem como instrumento 
de comunicação
Segundo Geraldi (1984, p. 43), “essa concepção está ligada à teoria da 
comunicação e vê a língua como código (conjunto de signos que se combinam 
segundo regras) capaz de transmitir ao receptador uma certa mensagem”. Em 
livros didáticos, esta é a concepção confessada nas instruções ao professor, nas 
introduções, nos títulos etc. Corresponde ao estruturalismo, centrando o ensino 
da língua em listagens de palavras destinadas à memorização, em exercícios repe-
titivos, em pontos de gramática, concebendo a linguagem como um código a ser 
treinado e um comportamento a ser medido, por meio da contagem de erros.
O estudo da língua, apesar das propostas de inovações, ainda tende ao 
ensino gramatical, embora a leitura e a produção textual comecem a ganhar 
maior relevância na escola, ao lado dos elementos da teoria da comunicação. 
Com isso, não se quer dizer, é evidente, que a língua não seja instrumento de 
comunicação, mas, obviamente, não se resume a tal.
2.3 Linguagem como forma de interação
Para Geraldi (1984, p. 43), mais do que possibilitar uma transmissão de 
informações de um emissor a um receptor, “a linguagem é vista como um lugar 
de interação humana: através dela o sujeito que fala pratica ações que não con-
seguiria praticar a não ser falando; com ela o falante age sobre o ouvinte, cons-
tituindo compromissos e vínculos que não pré-existiam antes da fala”.
O interacionismo tem o ensino centrado no uso e na reflexão sobre a 
linguagem, na produção de textos e na proposta de atividades a partir do 
diagnóstico avaliativo do estado da linguagem do aluno, que sinaliza a direção 
a ser tomada.
Fundamentos e Metodologia do Ensino da Língua Portuguesa
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O objetivo que pretende ser alcançado no final do trabalho com a língua 
é que o aluno domine a linguagem em toda sua dimensão discursiva, usando-
-a adequadamente, nas modalidades oral e escrita, nas mais diversas situações.
Para isso, não basta apenas o domínio do código linguístico e das con-
venções ortográficas. É necessário muito mais. É preciso contemplar a lingua-
gem enquanto uso efetivo em situações reais e não apenas em simulações de 
exercícios escolares.
Assim, percebendo a linguagem enquanto processo interlocutivo, e 
considerando a interação verbal como o lugar de produção da linguagem, 
assume-se que a língua não é apenas um código, um sistema pronto. Seu todo 
significativo é obtido no uso da linguagem entre pessoas.
Por isso, na perspectiva interacionista, considera-se que a linguagem é 
um trabalho social e histórico no qual as pessoas se constituem, e na cons-
tituição da linguagem os discursos operam com recursos linguísticos e da 
situação, sempre retomando experiências anteriores.
Sendo assim, assume-se o pressuposto de que as relações entre mundo e 
linguagem são convencionais, nascem da procura e da necessidade das socie-
dades, dos seus grupos sociais e das transformações pelas quais elas passam. 
Daí a necessidade de conhecimentos elaborados, por formas de linguagem e 
atividades coletivas em que os sujeitos da prática mediam situações interati-
vas com sujeitos participantes. Oferecer a contextualização de saberes para 
que haja uma significação ou (re)significação de sentidos singulares para uma 
transformação histórica e social do estudante.
Por outro lado, independentemente se o educando ingressará ou não 
no mundo do trabalho, a escola também deve oferecer a literatura para que 
o aluno se forme literariamente, situando-se em tempos e espaços próximos 
e remotos da sociedade ou de grupos de intelectuais. Esse contato com textos 
temáticos, paralelos e/ou individualizados de autores de literatura brasileira e 
estrangeira fará com que esse “leitor-mirim” torne-se um “leitor-ledor” que se 
apropria efetivamente de outras linguagens (estéticas ou não). Dessa forma, o 
ensino estará colaborando para que o aluno se aproprie realmente daquilo a 
que ele tem direito: o letramento.
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Concepções de Linguagem
 Saiba mais
Letramento
“É o resultado da ação de ensinar e aprender as

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