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Bactérias Intestinais

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MICROBIOLOGIA 
AULA 11 
Bactérias Intestinais 
 MICROBIOTA DO TRATO DIGESTÓRIO 
 
COMPOSIÇÃO DA MICROBIOTA DO TRATO GASTROINTESTINAL 
 BOCA ESÔFAGO ESTÔMAGO DUODENO JEJUNO ÍLEO TERMINAL INTESTINO GROSSO 
Staphylococcus X X X X X 
Streptococcus X X X X X 
Enterococcus X X X 
Difteróides X X X X X 
Enterobacteriaceae X X X 
Anaeróbios estritos X X X X 
Treponema X X 
Candida X X 
Pseudomonas X X 
SÍTIO 
ANATÔMICO 
AERÓBIOS/ANAERÓBIOS 
FACULTATIVOS 
ANAERÓBIOS 
Boca 
Streptococcus α-
hemolíticos 
Difteróides 
Bacteroides 
Fusobacterium 
Intestino 
delgado 
Enterococcus 
Difteróides 
Enterobacteriaceae 
Lactobacillus 
Intestino 
grosso 
Enterobacteriaceae 
Bacteroides 
Fusobacterium 
Clostridium 
Bifidobacterium 
 
 ENTEROBACTERIACEAE 
• Bastonetes gram negativos. 
• Anaeróbios facultativos. 
• A família é composta por 40 gêneros e 150 espécies. 
• Alguns fermentam a lactose através do 
metabolismo anaeróbio liberando ácidos, sendo 
assim chamados de coliformes. 
• São encontrados na microbiota intestinal de 
homens e animais, e frequentemente, na microbiota 
do solo, da água e de vegetais, em virtude da 
contaminação fecal do ambiente. 
• Alguns coliformes, especialmente a Escherichia coli, 
são classicamente utilizados como indicadores de 
contaminação fecal da água, alimentos, ambientes 
etc. 
• A família Enterobacteriaceae engloba inúmeros 
gêneros e espécies, que podem ser normais ou 
patogênicas no trato instestinal. 
• Enteropatogênica: Apresentam quadros de 
infecção no próprio intestino. 
• A maioria das Escherichia coli são normais, mas 
existem espécies enteropatogênicas. 
• Membros da família podem ser importantes 
patógenos extra-intestinais. 
PRINCIPAIS GÊNEROS/ESPÉCIES 
COLIFORMES NÃO COLIFORMES 
Escherichia coli Salmonella 
Klebsiella Shigella 
Enterobacter Yersinia 
Citrobacter Proteus 
Serratia Morganella 
 Erwinia 
 Providencia 
 Hafnia 
 Edwardsiella 
 
PRINCIPAIS GÊNEROS/ESPÉCIES 
ENTEROPATOGÊNICAS NORMAIS NO INTESTINO 
Escherichia coli 
enteropatogênicas 
Escherichia coli 
Salmonella Klebsiella 
Shigella Proteus 
Yersinia Moganella 
 Serratia 
 Erwinia 
 Providencia 
 Hafnia 
 Edwardsiella 
 Enterobacter 
 Citrobacter 
 
BACTÉRIA E DOENÇAS RELACIONADAS 
BACTÉRIA DOENÇA 
Escherichia coli 
uropatogênica (UPEC) 
Proteus mirabilis 
Proteus vulgaris 
Infecções do trato urinário 
Escherichia coli K1 Meningite neonatal 
Klebsiella pneumoniae 
Klebsiella oxytoca 
Pneumonias hospitalares e 
infecções urinárias 
Yersinia pestis Peste 
 
 
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ESTRUTURA ANTIGÊNICA 
• Antígeno O (Somático): Corresponde a parte 
polissacarídica do lipopolissacarídeo (LPS), presente 
no folheto externo da membrana externa da parede 
celular. 
• Antígeno H (Flagelar): Corresponde a antígenos 
proteicos presentes no flagelo (flagelina). 
• Antígeno K (Capsular): Corresponde a antígenos 
polissacarídicos ou proteicos presentes na cápsula. 
Engloba o antígeno K da Escherichia coli e da 
Klebsiella, e o antígeno Vi da Salmonella. 
 
ENTEROPATOGENICIDADE 
1. Aderência a mucosa intestinal: 
→ Superficial: Mediada pela pili somática ou 
adesinas não fimbriais (receptores de membran). 
A bactéria se adere sem causar alterações 
estruturais nos enterócitos. 
▪ Ex: Escherichia coli enterotoxigênica (ETEC). 
→ Íntima: Inicialmente se liga por pili e, 
posteriormente, é mediada pela intimina 
(proteína da membrana externa), que causa 
alteração no citoesqueleto das microvilosidades 
dos enterócitos. Nesse caso, temos o rearranjo da 
rede de actina e formação da lesão em pedestal. 
▪ Ex: Escherichia coli enteropatogênica (EPEC). 
▪ Ex: Escherichia coli enterohemorrágica 
(EHEC). 
2. Invasão: 
→ Intraepitelial: Invade a mucosa intestinal e se 
multiplica dentro dos enterócitos. É capturada 
pelas células N e se dissemina horizontalmente 
de uma célula para outra. Causa reação 
inflamatória provocando disenteria. 
▪ Ex: Escherichia coli enteroinvasora (EIEC). 
▪ Ex: Shigella. 
→ Transepitelial: Atravessa a mucosa do intestino 
e se multiplica na lâmina própria, onde é 
fagocitada pelos macrófagos residentes. Caso a 
bactéria não seja destruída pode causar uma 
disseminação hematogênica, através da 
locomoção dos macrófagos, os quais iram 
apresentar o antígeno. 
▪ Ex: Salmonella. 
3. Produção de substâncias tóxicas (exotoxinas): 
→ Enterotoxinas: Atuam nas células epiteliais da 
mucosa intestinal. Determinam alteração 
funcional dos enterócitos, provocando a saída de 
eletrólitos e, consequentemente, água, causando 
a diarreia. 
▪ Enterotoxina LT (termo-lábil): O Vibrio 
cholerae se liga ao enterócito liberando sua 
enterotoxina, a qual entra na célula e contribui 
para o aumento do AMPc, resultando na 
excreção ativa de eletrólitos e água. 
▪ Enterotoxina ST (termo-estável): A ETEC se 
liga ao enterócito liberando sua enterotoxina, 
a qual entra na célula e contribui para o 
aumento do GMPc, resultando na excreção 
ativa de eletrólitos e água. 
→ Citotoxinas: Agem em qualquer célula do 
organismo. Paralisam a síntese de proteínas de 
células eucarióticas, acarretando destruição dos 
enterócitos, necrose e hemorragia. A toxina 
possui fragmentos A e B, o A é ativo e se liga a 
porção 60S do ribossomo, paralisando a síntese 
proteico. Provocam o quadro de fezes aquosas 
com presença de muco e sangue (disenteria). 
▪ Ex: Escherichia coli enterohemorrágica 
(EHEC). 
 
TRATAMENTO DA ENTERITE BACTERIANA 
• Fezes aquosas sem ou com desidratação: 
→ Reposição de água e eletrólitos via oral (casos 
brandos) e endovenosa (casos graves). 
→ Soro caseiro composto por 1L de água tratada, 
1 colher de sopa de açúcar e 1 colher de chá de 
sal. 
→ Antimicrobiano não é recomendado, pois pode 
retardar o processo de cura. 
 
 
 
• Fezes com presença de muco e sangue 
(disenteria): 
→ Reposição de água e eletrólitos. 
→ Antimicrobiano (Ciprofloxacina ou Ceftriaxona). 
 
 ESCHERICHIA COLI 
• Bastonetes gram negativos. 
• Anaeróbios facultativos mais predominantes do 
intestino grosso. 
• Fermentadores de glicose com produção de gás. 
• Geralmente fermentadores de lactose (coliformes). 
• Podem ser móveis ou imóveis. 
• Classificadas dependendo dos seus antígenos: 
→ Sorogrupos (Ag O): 174 sorogrupos. 
→ Sorotipos (Ag H): 57 sorotipos. 
Quadros de infecção intestinais por bactérias são 
graves em crianças e idosos, sendo uma das 
maiores causas de mortalidade infantil em países em 
desenvolvimento. 
Uma prevenção importante é o aleitamento 
materno, pois evita o contato da criança nos 
primeiros meses de vida com água potencialmente 
contaminada. 
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→ Variantes (Ag K): 100 variantes. 
• Quando nomeamos uma E. coli devemos fornecer 
pelo menos o sorogrupo e sorotipo. 
• Sorogrupos e sorotipos diferem quanto à virulência, 
podendo ser: 
→ Microbiota intestinal. 
→ Agentes de infecções extra-intestinais. 
→ Agentes de infecções intestinais 
(enteropatogênicas). 
 
FATORES DE VIRULÊNCIA 
• E. coli comensal: DNA circular de fita única. 
• E. coli ligada a diarreia: Apresenta plasmídeos e 
unidades genéticas extras (transposons), que são 
elementos acoplados ao DNA, os quais podem 
conferir resistência a antibióticos e fatores de 
virulência. 
• E. coli ligada a disenteria: Transposom e 
plasmídeos. 
• E. coli ligada a hemorragia: Transoposons. 
• E. coli ligada a meningite: Transopom. 
 
INFECÇÕES EXTRA-INTESTINAIS 
• Infecções urinárias: As UPEC são responsáveis