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Orientação Profissional

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a mais do que ser apenas um simples trabalhador, ou seja, a procura por uma profissão. A profissão além de carregar o esforço da ação para sobrevivência, também atribui um valor de status ao sujeito e uma consolidação de papéis sociais. Nesse cenário, nada melhor do que o surgimento de uma orientação profissional à propiciar o processo (SILVA & SOARES, 2001).
3.2 Orientação profissional em uma perspectiva histórica
A escolha profissional nem sempre foi vista como assunto relevante, por exemplo, na Grécia antiga o ócio era algo contemplado, apenas os cidadãos não livres trabalhavam por questões de sobrevivência. Já no contexto da Idade Média, tinha-se uma concepção cristalizada do poder da Igreja, em que utilizavam o termo vocação como um chamado divino, ou seja, o sujeito nascia destinado por Deus à determinada tarefa dependendo da classe em que se encontrava. (BOCK, 2014). 
Logo no início do século XX, com o grande avanço da revolução industrial e o capitalismo, surge a Orientação Profissional como um instrumento capaz de detectar os trabalhadores que estariam aptos para realização de determinado trabalho e desse modo evitando qualquer possível dificuldade no ambiente profissional, direcionando-se sempre ao aspecto de produtividade (SPARTA, 2003).
Dessa forma, em cada época a orientação profissional tinha um respectivo objetivo, também trazendo várias técnicas para o seu estudo. No seu começo, era prevalente a questão de autoconhecimento defendida por Parsons, no entanto, posteriormente foram desenvolvidos vários testes e a psicometria ganhou bastante relevância na área (FURTADO & BARBOSA, 2011).
Ademais, no Brasil, a orientação profissional teve seu marco no início do século XX com caráter psicométrico, o que era defendido por diversos empresários da época. Sendo que até o momento a formação em Psicologia se dava por cursos como: Filosofia e Ciências Sociais. Por razões que o reconhecimento da profissão psicólogo(a) só ocorreu no ano de 1962 (ABADE, 2005).
Conforme Bock (2014), diversas abordagens permeiam o campo de orientação. Podem ser divididas em três grupos: Teorias tradicionais, teorias críticas e teorias além da crítica. Essas concepções trazem em si uma análise de indivíduo e sociedade. Em que as teorias tradicionais se aproximam do que foi permeado no início da introdução de OP, vendo o sujeito como alguém que possui a partir de certa idade uma personalidade e aptidões cristalizadas passíveis de uma construção de um perfil profissional.
Segundo Sparta (2006), é a partir da década de 1970 o processo de orientação profissional vai perdendo seu caráter diretivo e com as contribuições de teorias dos autores Rogers e Super, o modelo que valoriza a perspectiva de aprendizagem durante a escolha começa a ganhar espaço, com uma escala menor do uso de testes.
Como também, a orientação na perspectiva clinica por Bohoslavsky em consonância com as teorias de Rogers, em que o processo tomava importância. Ele não negava a utilização de testes, porém o seu principal instrumento era entrevista clínica, como uma ideia não diretiva. Ainda hoje é uma técnica muito estudada e aplicada, como também outros métodos (SPARTA, 2003).
Em 1990 com o processo de mudança, tanto no sentido nacional como mundial, a orientação profissional passa a ser de interesse não só do campo educacional, de alunos precisam decidir qual profissão seguir, como também foco de vários profissionais de carreiras universitárias. Dessa forma em 1993 foi criada a ABOP (Associação Brasileira de Orientação Profissional), com o intuito de debater as mais diferentes questões a respeito da aplicação e pesquisas na área (MELO-SILVA ET AL, 2004).
3.3 O jovem e o processo de escolha profissional
Na concepção adulta o adolescente é um ser passível de crises e conflitos, no que diz respeito a todas as mudanças no sentido físico e psicológico, e a respeito de dilemas familiares. O mesmo só é considerado maduro quando é capaz de uma adaptação ao mundo exterior (BECKER, 2017).
A adolescência é um período marcado por várias mudanças, tanto no campo físico como emocional. Dessa forma o jovem vivencia momentos de crise em relação a si mesmo, trazendo a questão referente a angústia e influências nesse processo de amadurecimento (PAPALIA & FELDMAN, 2013).
Desse modo, o adolescente é submetido a elaboração de lutos, deixar para traz as fantasias de criança, o perder algumas particularidades da infância e propor-se à um amadurecimento ao mundo externo. Ele se encontra em uma fase de transição e adaptação, que pode desencadear conflitos internos (ALMEIDA & PINHO, 2008)
No cenário da escolha da profissão no adolescente, surge o sentimento de indecisão. O fator de imposição onde é preciso escolher entre algo que o agrada, que tem bastante valorização financeira no mercado, ou fazer faculdade e construir uma família traz diversas implicações na esfera de ansiedade do sujeito (BARRETO & AIELLIO-VAISBERG).
Portanto, o oferecimento de uma Educação Profissional no Brasil, revela um importante tarefa não só no sentido de escolha do indivíduo. Mas também a adaptação, ou seja, a ruptura entre o processo de aprendizado em uma escola para o mercado de trabalho e suas implicações (MELO-SILVA ET AL, 2004).
O processo de deliberação da escolha de qual carreira seguir pelos jovens costuma pontuar questões negativas referentes ao estresse como também influência do contexto familiar. Desse modo a discussão desses temas é de muita pertinência na atuação do Orientador, visando uma facilitação do processo com uma diminuição da ansiedade e tensão gerada por tais aspectos influenciadores (DE FARIA, 2017).
3.4 Fatores que influenciam nos processos de escolha profissional
O processo de escolha pode ser influenciado por vários fatores. A maioria dos estudantes destaca a participação da família no processo de decisão de qual carreira escolher. Os genitores muitas vezes não percebem essa influência, porém atuam como direcionadores. Também é visto a influência de outras pessoas, como os amigos através de trocas de informações (SOBROSA ET AL, 2015). 
A realização do vestibular como uma transição da adolescência para a fase adulta, implica aos jovens uma denotação de estresse e ansiedade. A decisão por determinada carreira seguir, faz com que o jovem seja pressionado pelos pais e pela própria instituição escolar (DIAS ET AL, 2009).
A questão social também está estritamente relacionada à escolha profissional. Dependendo do ambiente em que a pessoa nasce pode determinar algumas questões como sua inserção em uma faculdade, ou seja, as suas condições financeiras para pagar os estudos e por exemplo as suas experiências com o seu contexto familiar, as quais precisam de alguma forma serem superadas (SOARES, 2002).
Em alguns contextos, o diploma tem mais significância do que a própria escolha profissional. Visto que na realidade de muitos, sua família não obteve condições para uma formação profissional. Possuir um diploma apresenta ao indivíduo oportunidades de uma carreira e questões de sobrevivência (DIAS & SOARES, 2012). 
Por conseguinte, a orientação profissional surge como um processo minimizador das dificuldades encontradas no processo de escolha da carreira. Ter noção de quais fatores influenciam essa decisão, faz tornar o decurso mais leve, refletindo sobre os possíveis obstáculos e evitando certos dilemas. Com o maior aprimoramento de técnicas, a chance de êxito da escolha é aumentada (NEPOMUCEMO & WITTER, 2010).
4 METODOLOGIA
4.1 Caracterização da instituição
O respectivo projeto será realizado em uma instituição localizada na cidade de Cajazeiras, PB. Em um primeiro momento será realizada a visita local, para que o grupo apresente a proposta de intervenção ao coordenador(a) do Ensino Médio. Após sua aprovação, serão recolhidos alguns dados sobre a turma a ser trabalhada e sobre o contato que os mesmo tem com o processo de Orientação Profissional.
4.2 Público Alvo
O projeto de intervenção será realizado com alunos do terceiro ano do ensino médio, período diurno de uma instituição