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1/39 Lista de Exercícios : Filosofia | Filosofia Moderna 1. (Unesp 2019) Galileu tornou-se o criador da física moderna quando anunciou as leis fundamentais do movimento. Formulando tais princípios, ele estruturou todo o conhecimento científico da natureza e abalou os alicerces que fundamentavam a concepção medieval do mundo. Destruiu a ideia de que o mundo possui uma estrutura finita, hierarquicamente ordenada e substituiu-a pela visão de um universo aberto, infinito. Pôs de lado o finalismo aristotélico e escolástico, segundo o qual tudo aquilo que ocorre na natureza ocorre para cumprir desígnios superiores; e mostrou que a natureza é fundamentalmente um conjunto de fenômenos mecânicos. (José Américo M. Pessanha. Galileu Galilei, 2000. Adaptado.) A importância da obra de Galileu para o surgimento da ciência moderna justifica-se porque seu pensamento a) resgatou uma concepção medieval de mundo. b) baseou-se em uma visão teológica sobre a natureza. c) fundamentou-se em conceitos metafísicos. d) fundou as bases para o desenvolvimento da alquimia. e) atribuiu regularidade matemática aos fenômenos naturais. 2. (Enem 2019) Dizem que Humboldt, naturalista do século XIX, maravilhado pela geografia, flora e fauna da região sul-americana, via seus habitantes como se fossem mendigos sentados sobre um saco de ouro, referindo-se a suas incomensuráveis riquezas naturais não exploradas. De alguma maneira, o cientista ratificou nosso papel de exportadores de natureza no que seria o mundo depois da colonização ibérica: enxergou-nos como territórios condenados a aproveitar os recursos naturais existentes. ACOSTA, A. Bem viver: uma oportunidade para imaginar outros mundos. São Paulo: Elefante, 2016 (adaptado). A relação entre ser humano e natureza ressaltada no texto refletia a permanência da seguinte corrente filosófica: a) Relativismo cognitivo. b) Materialismo dialético. c) Racionalismo cartesiano. d) Pluralismo epistemológico. e) Existencialismo fenomenológico. 3. (Uece 2019) “[É] uma coisa bem notável que não haja homens [...] que não sejam capazes de arranjar em conjunto diversas palavras e de compô- las num discurso pelo qual façam entender seus pensamentos; [...] os homens que, tendo nascido surdos e mudos, são desprovidos dos órgãos que servem aos outros para falar, [...] costumam inventar eles próprios alguns sinais, pelos quais se fazem entender por quem, estando comumente com eles, disponha de lazer para aprender a sua língua.” DESCARTES, R. Discurso do método, V. A passagem acima informa sobre a relação entre pensamento e linguagem no racionalismo moderno. Sobre essa relação, pode-se afirmar corretamente que a) a linguagem, quer seja sonora quer seja em sinais, tem a função de fazer o pensamento ser entendido pelos outros. b) a capacidade de produzir discursos, isto é, a linguagem, é o que permite aos homens ter pensamentos. c) o entendimento entre homens se dá através da linguagem, que, todavia, é anterior ao pensamento. d) o pensamento existe independentemente do discurso e, como ocorre entre surdos e mudos, não precisa ser entendido. 4. (Uel 2019) Leia o texto a seguir. E se escrevo em francês, que é a língua de meu país, e não em latim, que é a de meus preceptores, é porque espero que aqueles que se servem apenas de sua razão natural inteiramente pura julgarão melhor minhas opiniões do que aqueles que não acreditam senão nos livros dos antigos. E quanto aos que unem o bom senso ao estudo, os únicos que desejo para meus juízes, não serão de modo algum, tenho certeza, tão parciais a favor do latim que recusem ouvir minhas razões, porque as explico em língua vulgar. DESCARTES, R. Discurso do Método. Trad. J. Guinsburg e Bento Prado Jr. São Paulo: Abril Cultural, 1973. Coleção “Os pensadores”. p. 79. Com base nos conhecimentos sobre Descartes e o surgimento da filosofia moderna, assinale a alternativa correta. a) A língua vulgar, o francês, expressa de modo mais adequado o espírito da modernidade por estar livre dos preconceitos da língua dos doutos, o latim. b) Redigir o Discurso do Método em francês teve propósito similar à tradução da bíblia para o alemão feita por Lutero: facilitar o acesso à sacralidade do texto em língua vulgar. c) O desencantamento do mundo, resultante da radical crítica cartesiana à tradição, teve como Todos direitos reservados - www.seliganessahistoria.com.br - Página 1 de 39 http://www.seliganessahistoria.com.br/ 2/39 Lista de Exercícios : Filosofia | Filosofia Moderna consequência o abandono da referência à divindade. d) As ideias expressas por Descartes em seu Discurso do Método refletem a postura tipicamente moderna de ruptura total com o passado. e) A razão natural inteiramente pura é um atributo inerente à natureza humana, independentemente da tradição ou da cultura à qual o humano se vincula. 5. (Uel 2019) Leia o texto a seguir. Por que só o homem é suscetível de tornar-se imbecil? [...] O verdadeiro fundador da sociedade civil foi o primeiro que, tendo cercado um terreno, lembrou-se de dizer isto é meu e encontrou pessoas suficientemente simples para acreditá-lo. ROUSSEAU, Jean-Jacques. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens. Trad. Lourdes Santos Machado, 3. ed. São Paulo: Abril Cultural, 1983. pp. 243; 259. Com base nos conhecimentos sobre sociedade civil, propriedade e natureza humana no pensamento de Rousseau, assinale a alternativa correta. a) A instauração da propriedade decorre de um ato legítimo da sociedade civil, na medida em que busca atender às necessidades do homem em estado de natureza. b) A instauração da propriedade e da sociedade civil cria uma ruptura radical do homem consigo mesmo e de distanciamento da natureza. c) A fundação da sociedade civil é legitimada pela racionalidade e pela universalidade do ato de instauração da propriedade privada. d) O sentimento mais primitivo do homem, que o leva a instituir a propriedade, é o reconhecimento da necessidade da propriedade para garantir a subsistência. e) A sociedade civil e a propriedade são expressões da perfectibilidade humana, ou seja, da sua capacidade de aperfeiçoamento. 6. (Enem PPL 2019) TEXTO I Eu queria movimento e não um curso calmo da existência. Queria excitação e perigo e a oportunidade de sacrificar-me por meu amor. Sentia em mim uma superabundância de energia que não encontrava escoadouro em nossa vida. TOLSTÓI, L. Felicidade familiar. Apud KRAKAUER, J. Na natureza selvagem. São Paulo: Cia. das Letras, 1998. TEXTO II Meu lema me obrigava, mais que a qualquer outro homem, a um enunciado mais exato da verdade; não sendo suficiente que eu lhe sacrificasse em tudo o meu interesse e as minhas simpatias, era preciso sacrificar-lhe também minha fraqueza e minha natureza tímida. Era preciso ter a coragem e a força de ser sempre verdadeiro em todas as ocasiões. ROUSSEAU, J.-J. Os devaneios do caminhante solitário. Porto Alegre: L&PM, 2009. Os textos de Tolstói e Rousseau retratam ideais da existência humana e defendem uma experiência a) lógico-racional, focada na objetividade, clareza e imparcialidade. b) místico-religiosa, ligada à sacralidade, elevação e espiritualidade. c) sociopolítica, constituída por integração, solidariedade e organização. d) naturalista-científica, marcada pela experimentação, análise e explicação. e) estético-romântica, caracterizada por sinceridade, vitalidade e impulsividade. 7. (Unesp 2019) A maior violação do dever de um ser humano consigo mesmo, considerado meramente como um ser moral (a humanidade em sua própria pessoa), é o contrário da veracidade, a mentira [...]. A mentira pode ser externa [...] ou, inclusive, interna. Através de uma mentira externa, um ser humano faz de si mesmo um objeto de desprezo aos olhos dos outros; através de uma mentirainterna, ele realiza o que é ainda pior: torna a si mesmo desprezível aos seus próprios olhos e viola a dignidade da humanidade em sua própria pessoa [...]. Pela mentira um ser humano descarta e, por assim dizer, aniquila sua dignidade como ser humano. [...] É possível que [a mentira] seja praticada meramente por frivolidade ou mesmo por bondade; aquele que fala pode, até mesmo, pretender atingir um fim realmente benéfico por meio dela. Mas esta maneira de perseguir este fim é, por sua simples forma, um crime de um ser humano contra sua própria pessoa e uma indignidade que deve torná-lo desprezível aos seus próprios olhos. (Immanuel Kant. A metafísica dos costumes, 2010.) Em sua sentença dirigida à mentira, Kant a) considera a condenação relativa e sujeita a justificativas, de acordo com o contexto. b) assume que cada ser humano particular representa toda a humanidade. c) apresenta um pensamento desvinculado de pretensões racionais universalistas. d) demonstra um juízo condenatório, com justificação em motivações religiosas. Todos direitos reservados - www.seliganessahistoria.com.br - Página 2 de 39 http://www.seliganessahistoria.com.br/ 3/39 Lista de Exercícios : Filosofia | Filosofia Moderna e) assume o pressuposto de que a razão sempre é governada pelas paixões. 8. (Enem 2019) TEXTO I Duas coisas enchem o ânimo de admiração e veneração sempre crescentes: o céu estrelado sobre mim e a lei moral em mim. KANT, I. Crítica da razão prática. Lisboa: Edições 70, s/d (adaptado). TEXTO II Duas coisas admiro: a dura lei cobrindo-me e o estrelado céu dentro de mim. FONTELA, O. Kant (relido). In: Poesia completa. São Paulo: Hedra, 2015. A releitura realizada pela poeta inverte as seguintes ideias centrais do pensamento kantiano: a) Possibilidade da liberdade e obrigação da ação. b) A prioridade do juízo e importância da natureza. c) Necessidade da boa vontade e crítica da metafísica. d) Prescindibilidade do empírico e autoridade da razão. e) Interioridade da norma e fenomenalidade do mundo. 9. (Uece 2019) “No Brasil, a tortura ganhou destaque durante o período da ditadura militar, quando foram cometidos diversos atos de tortura contra pessoas consideradas pelo governo como uma ‘ameaça’ à ordem e à paz. Após esse período turbulento, a Assembleia Constituinte se reuniu para elaborar a nova Constituição, aquela que mais tarde seria considerada como a Constituição Cidadã, pois ressalta o respeito à dignidade da pessoa humana e a garantia dos direitos essenciais”. TEIXEIRA, Adriano Mendes. Os crimes de tortura e o princípio constitucional da dignidade da pessoa humana. Disponível em: https://adrianomendes2016.jusbrasil.com.br/artigos/ 385521311/os-crimes-de-tortura-e-o-principio- constitucionalda-dignidade-da-pessoa-humana O conceito de pessoa na expressão “dignidade da pessoa humana” se refere ao conceito a) jurídico de persona, no sentido hobbesiano, como indivíduo em sua existência legal como membro do Estado. b) religioso, no sentido agostiniano, da pessoa individual como imago dei, ou seja, criado à imagem e semelhança de Deus. c) estético-teatral, como dramatis personae, lista dos personagens principais de uma obra teatral. d) ético-moral, no sentido kantiano, em que o homem, como ser racional, é fim em si mesmo e nunca meio. 10. (Enem 2018) O século XVIII é, por diversas razões, um século diferenciado. Razão e experimentação se aliavam no que se acreditava ser o verdadeiro caminho para o estabelecimento do conhecimento científico, por tanto tempo almejado. O fato, a análise e a indução passavam a ser parceiros fundamentais da razão. É ainda no século XVIII que o homem começa a tomar consciência de sua situação na história. ODALIA, N. In: PINSKY, J.; PINSKY. C. B. História da cidadania. São Paulo: Contexto. 2003. No ambiente cultural do Antigo Regime, a discussão filosófica mencionada no texto tinha como uma de suas características a a) aproximação entre inovação e saberes antigos. b) conciliação entre revelação e metafísica platônica. c) vinculação entre escolástica e práticas de pesquisa. d) separação entre teologia e fundamentalismo religioso. e) contraposição entre clericalismo e liberdade de pensamento. 11. (Uel 2018) Leia o texto a seguir. Resta-nos um único e simples método, para alcançar os nossos intentos: levar os homens aos próprios fatos particulares e às suas séries e ordens, a fim de que eles, por si mesmos, se sintam obrigados a renunciar às suas noções e comecem a habituar-se ao trato direto das coisas. (BACON, F. Novum Organum Trad. José Aluysio Reis de Andrade. São Paulo: Abril Cultural, 1973, p. 26.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre o problema do método de investigação da natureza em Bacon, assinale a alternativa correta. a) O preceito metodológico do “trato direto das coisas” supõe que cada um já possui em si as condições para realizar a investigação da natureza. b) A investigação da natureza consiste em aplicar um conjunto de pressupostos metafísicos, cuja função é orientar a investigação. c) As “séries e ordens” referentes aos fatos particulares resultam da aplicação dos pressupostos do método de investigação. d) A renúncia às noções que cada um possui é o princípio do método de investigação, que levará a ida aos fatos particulares. Todos direitos reservados - www.seliganessahistoria.com.br - Página 3 de 39 http://www.seliganessahistoria.com.br/ 4/39 Lista de Exercícios : Filosofia | Filosofia Moderna e) O método de interpretação da natureza propõe uma nova atitude com relação às coisas e uma nova compreensão dos poderes do intelecto. 12. (Ufu 2018) Na obra Discurso do método, o filósofo francês Renê Descartes descreve as quatro regras que, segundo ele, podem levar ao conhecimento de todas as coisas de que o espírito é capaz de conhecer. Quanto a uma dessas regras, ele diz que se trata de "dividir cada dificuldade que examinasse em tantas partes quantas possíveis e necessárias para melhor resolvê-las". Descartes. Discurso do método,I-II, citado por: MARCONDES, Danilo. Textos Básicos de Filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2000. Tradução de Marcus Penchel. Essa regra, transcrita acima, é denominada a) regra da análise. b) regra da síntese. c) regra da evidência. d) regra da verificação. 13. (Upe-ssa 2 2018) Sobre a consciência crítica e a filosofia, analise o texto a seguir: Como relata Descartes no Discurso sobre o método, depois de ter lançado tudo à dúvida, somente depois, tive de constatar que, embora eu quisesse pensar que tudo era falso, era preciso necessariamente que eu, que assim pensava, fosse alguma coisa. E, observando que essa verdade – ‘penso, logo sou’ – era tão firme e sólida que nenhuma das mais extravagantes hipóteses dos céticos seria capaz de abalá-la.” (REALE, Giovanni. História da Filosofia: Do Humanismo a Kant. São Paulo: Paulinas, 1990, p. 366). O autor do texto retrata alguns apontamentos sobre o pensamento cartesiano. Com relação a esse assunto, assinale a alternativa CORRETA. a) As ideias de Descartes enfatizam que a dúvida tem valor secundário sobre como conduzir bem sua razão. b) O pensamento cartesiano afirma que não devemos rejeitar como falso tudo aquilo do qual não podemos duvidar. c) O cartesianismo é um empirismo, ou seja, prioriza o valor dos sentidos no âmbito do conhecimento. d) O pensamento de Descartes influenciou, efetivamente, o mundo cultural francês e retratou a significância do espírito crítico na investigação do conhecimento. e) O método racionalista prioriza a verdade da fé como critério da cientificidade. 14. (Uel 2018) Leia o texto a seguir. Vimos, assim, que a Alma pode sofrer grandes transformações e passar ora a uma maior perfeição, ora a uma menor, paixões estas que nos explicam as afecções de alegria e detristeza. Assim, por alegria, entenderei, no que vai seguir-se, a paixão pela qual a Alma passa a uma perfeição maior; por tristeza, ao contrário, a paixão pela qual a Alma passa a uma perfeição menor. (ESPINOSA, B. Ética. Trad. Antonio Simões. Lisboa: Relógio D’Água, 1992. p. 279). Com base no texto e nos conhecimentos sobre o problema da paixão e da afecção em Espinosa, assinale a alternativa correta. a) A tristeza é uma ação da alma, consistente na afecção causada por uma paixão, por meio da qual a alma visa a própria destruição. b) As transformações da alma, seja o aumento ou a diminuição de intensidade, fazem coexistir paixões contrárias. c) O aumento de perfeição, característico de afecção da alegria, vincula-se ao esforço da alma em perceber-se com mais clareza e distinção. d) Tristeza e alegria são denominadas paixões porque resultam da ação de distintas dimensões da alma, responsáveis pela produção dessas afecções. e) Se uma coisa aumenta a potência de agir do corpo, a ideia dessa mesma coisa diminuirá a potência de pensar da nossa alma. 15. (Unioeste 2018) O filósofo alemão Immanuel Kant formulou, na Crítica da Razão Pura, uma divisão do conhecimento e acesso da razão aos fenômenos. Fenômenos não são coisas; eles nomeiam aquilo que podemos conhecer das coisas, através das formas da sensibilidade (Espaço e Tempo) e das categorias do entendimento (tais como Substância, Relação, Necessidade etc.). Assim, Kant afirma que o conhecimento humano é finito (limitado por suas formas e categorias). Como poderia haver, então, algum conhecimento universalmente válido? Ele afirma que tal conhecimento se formula num “juízo sintético a priori”. Juízos são afirmações; o adjetivo “sintéticos” significa que essas afirmações reúnem conceitos diferentes; “a priori”, por sua vez, indica aquilo que é obtido sem acesso à experiência dos fenômenos, antes deles e para que os fenômenos possam ser reunidos em um conhecimento que tenha unidade e sentido. Com base nisso, indique a alternativa CORRETA. Todos direitos reservados - www.seliganessahistoria.com.br - Página 4 de 39 http://www.seliganessahistoria.com.br/ 5/39 Lista de Exercícios : Filosofia | Filosofia Moderna a) Para Kant, o conhecimento humano é diretamente dado pela experiência das coisas, acessíveis pelos sentidos (visão, audição, etc.). b) Juízos sintéticos a priori são afirmações de conhecimento cuja natureza é particular e que se altera caso a caso. c) Se a Metafísica é o conhecimento da essência das coisas elas mesmas, Kant é, na Crítica da Razão Pura, um defensor da Metafísica, e não um defensor da finitude do conhecimento. d) Para Kant, Espaço e Tempo são categorias do entendimento mediante as quais conhecemos os fenômenos. e) Juízos sintéticos a priori permitem organizar o conhecimento, dando a ele validade universal e unicidade. 16. (Ufu 2018) De acordo com o pensamento do filósofo Immanuel Kant (1724-1804), os juízos a priori são todos analíticos e os juízos a posteriori são todos sintéticos. Assinale a alternativa que define corretamente as noções de juízo analítico e juízo sintético. a) O juízo analítico é uma proposição que não pode ser pensada sem ser simultaneamente acompanhada de sua necessidade, já o juízo sintético não é uma proposição necessária. b) No juízo analítico, o sujeito está contido no conceito do predicado, mas, no juízo sintético, o predicado advém da experiência. c) No juízo analítico, o predicado pertence ao sujeito como algo que está contido nele, já no juízo sintético, o predicado está totalmente fora do conceito do sujeito. d) O juízo analítico é uma proposição necessária, já no juízo sintético, o predicado vai além do conceito do sujeito, acrescentando algo a esse. 17. (Uel 2018) Leia o texto a seguir. Rochedos audazes sobressaindo-se por assim dizer ameaçadores, nuvens carregadas acumulando- se no céu, avançando com relâmpagos e estampidos, vulcões em sua inteira força destruidora, furacões com a devastação deixada para trás, o ilimitado oceano revolto, uma alta queda d’água de um rio poderoso etc. tornam nossa capacidade de resistência de uma pequenez insignificante em comparação com o seu poder. Mas o seu espetáculo só se torna tanto mais atraente quanto mais terrível ele é, contanto que, somente, nos encontremos em segurança; e de bom grado denominamos estes objetos sublimes, porque eles elevam a fortaleza da alma acima de seu nível médio e permitem descobrir em nós uma faculdade de resistência de espécie totalmente diversa, a qual encoraja a medir-nos com a aparente onipotência da natureza. (KANT, I. Crítica da Faculdade do Juízo. Trad. Antonio Marques e Valério Rohden. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1995. p. 107.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre o juízo de gosto e o sublime na estética moderna, particularmente em Kant, assinale a alternativa correta. a) O conceito de beleza, resultante da atividade do entendimento, permite apreender o sentido dos eventos ameaçadores, protegendo o sujeito da destruição. b) Os elementos da natureza compõem o núcleo da teoria kantiana do juízo de gosto, constituindo, também, parte importante da sua concepção de gênio. c) Os eventos naturais de proporções ameaçadoras provocam nosso interesse quando nos situam na possibilidade iminente de sermos por eles destruídos. d) O sublime não está contido em nenhuma coisa da natureza, e sim em nosso ânimo, quando nos tornamos conscientes de nossa superioridade à natureza. e) A faculdade de resistência à dimensão ameaçadora e destruidora dos eventos naturais de grande magnitude é a faculdade produtora do belo. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Para responder à(s) questão(ões), considere o texto abaixo. O que singulariza o pessimismo de Machado de Assis é a sua posição antagônica em relação ao evolucionismo oitocentista, ao culto do progresso e da ciência. Frente às ingenuidades do cientificismo, o sarcasmo de Brás Cubas reabre a interrogação metafísica, a perplexidade radical ante a variedade do ser humano. Um artista como Machado levou mais a sério do que os arautos do evolucionismo cientificista o golpe que Darwin tinha desfechado contra as ilusões antropocêntricas da humanidade. MERQUIOR, José Guilherme. De Anchieta a Euclides. Rio de Janeiro: José Olympio, 1977, p. 171-172. 18. (Puccamp 2018) A interrogação metafísica fez parte das preocupações de diversos pensadores e artistas durante o Renascimento. Nesse período, observa-se a contestação de ideias como a) o antropocentrismo, que concebia o homem como o centro do universo, uma vez que os renascentistas passam a valorizar a ciência e a Todos direitos reservados - www.seliganessahistoria.com.br - Página 5 de 39 http://www.seliganessahistoria.com.br/ 6/39 Lista de Exercícios : Filosofia | Filosofia Moderna natureza como os temas e eixos centrais do conhecimento humano. b) a beleza clássica, que postulava serem os padrões estéticos do classicismo aqueles a serem seguidos nas artes plásticas, uma vez que os renascentistas passam a defender uma arte livre de regras e modelos. c) o universalismo, que afirmava a existência de leis universais que atuavam sobre a existência humana, uma vez que os renascentistas eram avessos a dogmas e a admissão de regras dessa amplitude. d) o dogma eclesiástico, que determinava algumas verdades absolutas que não poderiam ser contestadas, uma vez que os renascentistas defendiam o racionalismo como meio de se produzir e aperfeiçoar o conhecimento. e) a escolástica, corrente do pensamento católico cultivada nas universidades, uma vez que os renascentistas questionavam a validade da fé, a existência de Deus e defendiam que a ciência era a única fonte de conhecimento real. 19. (Upe-ssa 2 2017) O bom senso é a coisa do mundo melhor partilhada, pois cada qual pensa estar tãobem provido dele que mesmo os que são mais difíceis de contentar em qualquer outra coisa, não costumam desejar tê-lo mais do que o têm. E não é verossímil que todos se enganem a tal respeito; mas isso antes testemunha que o poder de bem julgar e distinguir o verdadeiro do falso, que é propriamente o que se denomina o bom senso ou a razão, é naturalmente igual em todos os homens. DESCARTES, René. Discurso do Método, 1973, p. 37. Na perspectiva de René Descartes, a) o conhecimento filosófico prioriza a sensação, deixando à margem o valor da razão, isto é, o que vale é ter bom senso. b) o conhecimento filosófico é natural em todos os homens, mesmo sem fazerem uso do bom senso. c) o conhecimento filosófico salienta a importância capital de bem conduzir a própria razão para a aquisição da ciência. d) o conhecimento filosófico delimita a faculdade de julgar o absoluto, desprezando o valor do conhecimento. e) o conhecimento filosófico enfatiza que a essência do homem consiste nos sentidos, uma vez que o bom senso acentua o caráter relativo e particular da razão. 20. (Unesp 2017) Todas as vezes que mantenho minha vontade dentro dos limites do meu conhecimento, de tal maneira que ela não formule juízo algum a não ser a respeito das coisas que lhe são claras e distintamente representadas pelo entendimento, não pode acontecer que eu me equivoque; pois toda concepção clara e distinta é, com certeza, alguma coisa de real e de positivo, e, assim, não pode se originar do nada, mas deve ter obrigatoriamente Deus como seu autor; Deus que, sendo perfeito, não pode ser causa de equívoco algum; e, por conseguinte, é necessário concluir que uma tal concepção ou um tal juízo é verdadeiro. René Descartes. Vida e Obra. Os pensadores, 2000. Sobre o racionalismo cartesiano, é correto afirmar que a) sua concepção sobre a existência de Deus exerceu grande influência na renovação religiosa da época. b) sua valorização da clareza e distinção do conhecimento científico baseou-se no irracionalismo. c) desenvolveu as bases racionais para a crítica do mecanicismo como método de conhecimento. d) formulou conceitos filosóficos fortemente contrários ao heliocentrismo defendido por Galileu. e) se tratou de um pensamento responsável pela fundamentação do método científico moderno. 21. (Enem (Libras) 2017) Os filósofos concebem as emoções que se combatem entre si, em nós, como vícios em que os homens caem por erro próprio; é por isso que se habituaram a ridicularizá- los, deplorá-los, reprová-los ou, quando querem parecer mais morais, detestá-los. Concebem os homens, efetivamente, não tais como são, mas como eles próprios gostariam que fossem. ESPINOSA, B. Tratado político. São Paulo: Abril Cultural, 1973. No trecho, Espinosa critica a herança filosófica no que diz respeito à idealização de uma a) estrutura da interpretação fenomenológica. b) natureza do comportamento humano. c) dicotomia do conhecimento prático. d) manifestação do caráter religioso. e) reprodução do saber tradicional. 22. (Ufu 2017) Hume descreveu a confiança que o entendimento humano deposita na probabilidade dos resultados dos eventos observados na natureza. Ele comparou essa convicção ao lançamento de dados, cujas faces são previamente conhecidas, porém, nas palavras do filósofo: [...] verificando que maior número de faces aparece mais em um evento do que no outro, o espírito [o entendimento humano] converge com mais frequência para ele e o encontra muitas vezes ao Todos direitos reservados - www.seliganessahistoria.com.br - Página 6 de 39 http://www.seliganessahistoria.com.br/ 7/39 Lista de Exercícios : Filosofia | Filosofia Moderna considerar as várias possibilidades das quais depende o resultado definitivo. HUME, D. Investigação acerca do entendimento humano. Tradução de Anoar Aiex. São Paulo: Nova Cultural, 1989, p. 93. Coleção “Os Pensadores”. Esse tipo de raciocínio, descrito por Hume, conduz o entendimento humano a uma situação distinta da certeza racional, uma espécie de “falha”, representada pelo(a) a) verdade da fantasia, que é superior à certeza racional. b) crença, que ocupa o lugar da certeza racional. c) sentido visual, que é mais verídico que a certeza sensível. d) ideia inata, que atua como o a priori da razão humana. 23. (Uel 2017) Leia o texto a seguir. Podemos definir uma causa como um objeto, seguido de outro, tal que todos os objetos semelhantes ao primeiro são seguidos por objetos semelhantes ao segundo. Ou, em outras palavras, tal que, se o primeiro objeto não existisse, o segundo jamais teria existido. O aparecimento de uma causa sempre conduz a mente, por uma transição habitual, à ideia do efeito; disso também temos experiência. Em conformidade com essa experiência, podemos, portanto, formular uma outra definição de causa e chamá-la um objeto seguido de outro, e cujo aparecimento sempre conduz o pensamento àquele outro. Mas, não temos ideia dessa conexão, nem sequer uma noção distinta do que é que desejamos saber quando tentamos concebê-las. Adaptado de: HUME, D. Investigação sobre o entendimento humano e sobre os princípios da moral. Seção VII, 29. Trad. José Oscar de Almeida Marques. São Paulo: UNESP, 2004. p. 115. Com base no texto e nos conhecimentos acerca das noções de causa e efeito em David Hume, assinale a alternativa correta. a) As noções de causa e efeito fazem parte da realidade e por isso os fenômenos do mundo são explicados através da indicação da causa. b) A presença do efeito revela a causa nele envolvida, o que garante a explicação de determinado acontecimento. c) A causa e o efeito são noções que se baseiam na experiência e, por meio dela, são apreendidas. d) A causa e o efeito são conhecidos objetivamente pela mente e não por hábitos formados pela percepção do mundo. e) A causa e o efeito proporcionam, necessariamente, explicações válidas sobre determinados fatos e acontecimentos. 24. (Pucpr 2017) Na abertura do “Discurso sobre a Origem e os fundamentos da Desigualdade entre os Homens”, Rousseau, dirigindo-se aos soberanos, senhores de Genebra, diz considerar-se um felizardo. Por quê? Assinale a alternativa CORRETA. a) Por haver nascido entre vós e poder meditar sobre a igualdade que a natureza instalou entre os homens e sobre a desigualdade de que eles instituíram. b) Por haver nascido na floresta e haver vivido como um animal selvagem. c) Por perceber que na República de Genebra reinava uma igualdade natural e política entre os homens. d) Por crer que Deus é o autor da desigualdade entre os homens. e) Por acreditar que só os animais irracionais conseguem viver plenamente a igualdade entre eles. 25. (Uel 2017) Leia os textos a seguir. Exercita-te primeiro, caro amigo, e aprende o que é preciso conhecer para te iniciares na política; antes, não. Então, primeiro precisarás adquirir virtude, tu ou quem quer que se disponha a governar ou a administrar não só a sua pessoa e seus interesses particulares, como a cidade e as coisas a ela pertinentes. Assim, o que precisas alcançar não é o poder absoluto para fazeres o que bem entenderes contigo ou com a cidade, porém justiça e sabedoria. PLATÃO, O primeiro Alcebíades. Trad. Carlos Alberto Nunes. Belém: EDUFPA, 2004. p. 281-285. Esclarecimento é a saída do homem de sua menoridade, da qual ele próprio é culpado. A menoridade é a incapacidade de fazer uso do seu entendimento sem a direção de outro indivíduo... Sapere Aude! Tem coragem de fazer uso de teu próprio entendimento, tal é o lema do esclarecimento. KANT, I. Resposta à pergunta: que é ‘Esclarecimento’ (‘Aufklärung’). Trad. Floriano de Souza Fernandes, 2. ed. Petrópolis: Vozes, 1985. p. 100-117. Tendo em vista a compreensão kantiana do Esclarecimento (Aufklärung) para a constituição de uma compreensão tipicamente moderna do humano, assinalea alternativa correta. a) Fazer uso do próprio entendimento implica a destruição da tradição, na medida em que o poder da tradição impede a liberdade do pensamento. Todos direitos reservados - www.seliganessahistoria.com.br - Página 7 de 39 http://www.seliganessahistoria.com.br/ 8/39 Lista de Exercícios : Filosofia | Filosofia Moderna b) A superação da condição de menoridade resulta do uso privado da razão, em que o indivíduo faz uso restrito do próprio entendimento. c) A saída da menoridade instaura uma situação duradoura, pois as verdadeiras conquistas do Esclarecimento se afiguram como irreversíveis. d) A menoridade é uma tendência decorrente da natureza humana, sendo, por esse motivo, superada no Esclarecimento, com muito esforço. e) A condição fundamental para o Esclarecimento é a liberdade, concebida como a possibilidade de se fazer uso público da razão. 26. (Unioeste 2017) Na obra Fundamentação da Metafísica dos Costumes, Kant apresenta uma formulação do imperativo categórico: “Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal”. KANT, Immanuel. Fundamentação da metafísica dos costumes. São Paulo: Abril Cultural, 1980. p. 129 Em relação ao pensamento de Kant, é CORRETO afirmar. a) O propósito do imperativo categórico é o de permitir que o indivíduo decida suas ações sem que tenha que se preocupar com os demais. b) O imperativo categórico tem por objetivo desfazer o conflito entre a providência divina, relacionada à cidade de Deus, e o espaço terreno. c) O imperativo categórico vincula a conduta moral a uma norma universal. d) Para Kant, não é possível que o indivíduo constitua um fim em si mesmo. Por isso mesmo, ele precisa espelhar-se na ação dos demais para a sua ação. e) O imperativo categórico corresponde à condição do estado de natureza, que é anterior à instituição do Estado civil. 27. (Ufu 2017) Leia a citação a seguir. A preguiça e a covardia são as causas pelas quais uma grande parte dos homens, depois que a natureza de há muito os libertou de uma direção estranha, continuem no entanto de bom grado menores durante toda a vida. São também as causas que explicam porque é tão fácil que os outros se constituam em tutores deles. KANT, I. Resposta à pergunta: que é “Esclarecimento”? (Aufklarung). In: ______. Textos seletos. Tradução de Raimundo Vier. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 2005, p. 64. A menoridade de que fala Kant é a condição daqueles que não fazem o uso da razão. Essa condição evidencia a ausência a) do idealismo necessário para a ampliação dos horizontes existenciais. b) da autonomia para fazer uso próprio da razão sem a tutela de outrem. c) da religião encarregada de fazer feliz o homem indigente de pensamento. d) da ignorância, pois quem se deixa guiar pelos outros acerta sempre. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Leia o texto a seguir e responda à(s) questão(ões). O tempo nada mais é que a forma da nossa intuição interna. Se a condição particular da nossa sensibilidade lhe for suprimida, desaparece também o conceito de tempo, que não adere aos próprios objetos, mas apenas ao sujeito que os intui. KANT, I. Crítica da razão pura. Trad. Valério Rohden e Udo Baldur Moosburguer. São Paulo: Abril Cultural, 1980. p. 47. Coleção Os Pensadores. 28. (Uel 2017) Com base nos conhecimentos sobre a concepção kantiana de tempo, assinale a alternativa correta. a) O tempo é uma condição a priori de todos os fenômenos em geral. b) O tempo é uma representação relativa subjacente às intuições. c) O tempo é um conceito discursivo, ou seja, um conceito universal. d) O tempo é um conceito empírico que pode ser abstraído de qualquer experiência. e) O tempo, concebido a partir da soma dos instantes, é infinito. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: José de Alencar retratou o seu herói goitacá em prosa, a exemplo do que o escocês Walter Scott havia feito com os cavaleiros medievais na célebre novela Ivanhoé. Para evocar um mítico passado nacional, na falta dos briosos cavaleiros medievais de Scott, o índio seria o modelo de que Alencar lançaria mão. (...) O índio entrara como tema na literatura universal por influência das ideias dos filósofos iluministas e especialmente, da obra de Jean-Jacques Rousseau (...). As teses de Rousseau sobre o “bom selvagem”, por sua vez, bebiam na fonte das narrativas de viajantes do século XVI, os primeiros Todos direitos reservados - www.seliganessahistoria.com.br - Página 8 de 39 http://www.seliganessahistoria.com.br/ 9/39 Lista de Exercícios : Filosofia | Filosofia Moderna europeus que haviam colocado os pés no chão americano. Foram esses viajantes os responsáveis pela propagação do juízo de que, do outro lado do oceano, existia um povo feliz, vivendo sem lei nem rei (...). (NETO, Lira. O inimigo do Rei. Uma biografia de José de Alencar. São Paulo: Globo, 2006. p. 166-167) 29. (Puccamp 2017) Para o filósofo iluminista francês a que o texto de Lira Neto se refere, a) o governo democrático deveria sempre representar a maioria dos cidadãos, a qual opinaria sobre as questões sociais, enquanto os governantes deveriam consultar o povo sempre que necessário. b) o universo é governado por leis físicas e não submetido a interferências de cunho divino, sendo a universalidade da razão o único caminho que levaria ao conhecimento do mundo de forma coerente. c) os homens possuem a vida, a liberdade e a propriedade como direitos naturais e os governos teriam que respeitar esses direitos e, caso não o fizessem, caberia à sociedade civil o direito de rebelião. d) o espírito humano é uma ‘tábua rasa’ e todo conhecimento se faz com a própria capacidade intelectual do homem de se desenvolver mediante sua atividade e de exercício do pensamento. e) o Estado deveria garantir aos cidadãos a liberdade, por meio de uma divisão equilibrada dos poderes, quais sejam: o de fazer as leis, o de executar as resoluções públicas e o de julgar os crimes. 30. (Unesp 2016) Os ídolos e noções falsas que ora ocupam o intelecto humano e nele se acham implantados não somente o obstruem a ponto de ser difícil o acesso da verdade, como, mesmo depois de superados, poderão ressurgir como obstáculo à própria instauração das ciências, a não ser que os homens, já precavidos contra eles, se cuidem o mais que possam. O homem se inclina a ter por verdade o que prefere. Em vista disso, rejeita as dificuldades, levado pela impaciência da investigação; rejeita os princípios da natureza, em favor da superstição; rejeita a luz da experiência, em favor da arrogância e do orgulho, evitando parecer se ocupar de coisas vis e efêmeras; rejeita paradoxos, por respeito a opiniões vulgares. Enfim, inúmeras são as fórmulas pelas quais o sentimento, quase sempre imperceptivelmente, se insinua e afeta o intelecto. (Francis Bacon. Novum Organum [publicado originalmente em 1620], 1999. Adaptado.) Na história da filosofia ocidental, o texto de Bacon preconiza a) um pensamento científico racional afastado de paixões e preconceitos. b) uma crítica à hegemonia do paradigma cartesiano no âmbito científico. c) a defesa do inatismo das ideias contra os pressupostos da filosofia empirista. d) a valorização romântica de aspectos sentimentais e intuitivos do pensamento. e) uma crítica de caráter ético voltada contra a frieza do trabalho científico. 31. (Enem 2ª aplicação 2016) Pode-se admitir que a experiência passada dá somente uma informação direta e segura sobre determinados objetos em determinados períodos do tempo, dos quais ela teve conhecimento. Todavia, é esta a principal questão sobre a qual gostaria de insistir: por que esta experiência tem de ser estendida a tempos futuros e a outros objetos que, pelo que sabemos, unicamente são similares em aparência. O pão que outrora comi alimentou-me,isto é, um corpo dotado de tais qualidades sensíveis estava, a este tempo, dotado de tais poderes desconhecidos. Mas, segue- se daí que este outro pão deve também alimentar-me como ocorreu na outra vez, e que qualidades sensíveis semelhantes devem sempre ser acompanhadas de poderes ocultos semelhantes? A consequência não parece de nenhum modo necessária. HUME, D. Investigação acerca do entendimento humano. São Paulo: Abril Cultural, 1995. O problema descrito no texto tem como consequência a a) universabilidade do conjunto das proposições de observação. b) normatividade das teorias científicas que se valem da experiência. c) Dificuldade de se fundamentar as leis científicas em bases empíricas. d) inviabilidade de se considerar a experiência na construção da ciência. e) correspondência entre afirmações singulares e afirmações universais. 32. (Enem PPL 2015) Após ter examinado cuidadosamente todas as coisas, cumpre enfim concluir e ter por constante que esta proposição, eu sou, eu existo, é necessariamente verdadeira todas as vezes que a enuncio ou que a concebo em meu espírito. DESCARTES, R. Meditações. Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1979. A proposição “eu sou, eu existo” corresponde a Todos direitos reservados - www.seliganessahistoria.com.br - Página 9 de 39 http://www.seliganessahistoria.com.br/ 10/39 Lista de Exercícios : Filosofia | Filosofia Moderna um dos momentos mais importantes na ruptura da filosofia do século XVII com os padrões da reflexão medieval, por a) estabelecer o ceticismo como opção legítima. b) utilizar silogismos linguísticos como prova ontológica. c) inaugurar a posição teórica conhecida como empirismo. d) estabelecer um princípio indubitável para o conhecimento. e) Questionar a relação entre a filosofia e o tema da existência de Deus. 33. (Enem PPL 2015) A pura lealdade na amizade, embora até o presente não tenha existido nenhum amigo leal, é imposta a todo homem, essencialmente, pelo fato de tal dever estar implicado como dever em geral, anteriormente a toda experiência, na ideia de uma razão que determina a vontade segundo princípios a priori. KANT, I. Fundamentação da metafísica dos costumes. São Paulo: Barcarolla, 2009. A passagem citada expõe um pensamento caracterizado pela a) eficácia prática da razão empírica. b) transvaloração dos valores judaico-cristãos. c) recusa em fundamentar a moral pela experiência. d) comparação da ética a uma ciência de rigor matemático. e) importância dos valores democráticos nas relações de amizade. 34. (Uema 2015) Fraqueza e covardia são as causas pelas quais a maioria das pessoas permanece infantil mesmo tendo condição de libertar-se da tutela mental alheia. Por isso, fica fácil para alguns exercer o papel de tutores, pois muitas pessoas, por comodismo, não desejam se tornar adultas. Se tenho um livro que pensa por mim; um sacerdote que dirige minha consciência moral; um médico que me prescreve receitas e, assim por diante, não necessito preocupar-me com minha vida. Se posso adquirir orientações, não necessito pensar pela minha cabeça: transfiro ao outro esta penosa tarefa de pensar. Fonte: I. Kant, O que é a ilustração. In: F. Weffort (org). Os clássicos da política, v. 2, 6 ed. São Paulo: Saraiva, 2006. Esse fragmento compõe o livro de Kant que trata da importância da(o) a) juízo. b) razão. c) cultura. d) costume. e) experiência. 35. (Enem 2014) A filosofia encontra-se escrita neste grande livro que continuamente se abre perante nossos olhos (isto é, o universo), que não se pode compreender antes de entender a língua e conhecer os caracteres com os quais está escrito. Ele está escrito em língua matemática, os caracteres são triângulos, circunferências e outras figuras geométricas, sem cujos meios é impossível entender humanamente as palavras; sem eles, vagamos perdidos dentro de um obscuro labirinto. GALILEI, G. “O ensaiador”. Os pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1978. No contexto da Revolução Científica do século XVII, assumir a posição de Galileu significava defender a a) continuidade do vínculo entre ciência e fé dominante na Idade Média. b) necessidade de o estudo linguístico ser acompanhado do exame matemático. c) oposição da nova física quantitativa aos pressupostos da filosofia escolástica. d) importância da independência da investigação científica pretendida pela Igreja. e) inadequação da matemática para elaborar uma explicação racional da natureza. 36. (Enem PPL 2013) O contrário de um fato qualquer é sempre possível, pois, além de jamais implicar uma contradição, o espírito o concebe com a mesma facilidade e distinção como se ele estivesse em completo acordo com a realidade. Que o Sol não nascerá amanhã é tão inteligível e não implica mais contradição do que a afirmação de que ele nascerá. Podemos em vão, todavia, tentar demonstrar sua falsidade de maneira absolutamente precisa. Se ela fosse demonstrativamente falsa, implicaria uma contradição e o espírito nunca poderia concebê-la distintamente, assim como não pode conceber que seja diferente de HUME, D. Investigação acerca do entendimento humano. São Paulo: Nova Cultural, 1999 (adaptado). O filósofo escocês David Hume refere-se a fatos, ou seja, a eventos espaço-temporais, que Todos direitos reservados - www.seliganessahistoria.com.br - Página 10 de 39 http://www.seliganessahistoria.com.br/ 11/39 Lista de Exercícios : Filosofia | Filosofia Moderna acontecem no mundo. Com relação ao conhecimento referente a tais eventos, Hume considera que os fenômenos a) acontecem de forma inquestionável, ao serem apreensíveis pela razão humana. b) ocorrem de maneira necessária, permitindo um saber próximo ao de estilo matemático. c) propiciam segurança ao observador, por se basearem em dados que os tornam incontestáveis. d) devem ter seus resultados previstos por duas modalidades de provas, com conclusões idênticas. e) exigem previsões obtidas por raciocínio, distinto do conhecimento baseado em cálculo abstrato. 37. (Unioeste 2013) “A necessidade prática de agir segundo este princípio, isto é, o dever, não assenta em sentimentos, impulsos e inclinações, mas, sim, somente na relação dos seres racionais entre si, relação essa em que a vontade de um ser racional tem de ser considerada sempre e simultaneamente como legisladora, porque de outra forma não podia pensar-se como fim em si mesmo. A razão relaciona, pois, cada máxima da vontade concebida como legisladora universal com todas as outras vontades e com todas as ações para conosco mesmos, e isto não em virtude de qualquer outro móbil prático ou de qualquer vantagem futura, mas em virtude da ideia da dignidade de um ser racional que não obedece à outra lei senão àquela que ele mesmo simultaneamente dá a si mesmo. [...] O que se relaciona com as inclinações e necessidades gerais do homem tem um preço venal [...], aquilo, porém, que constitui a condição só graças a qual qualquer coisa pode ser um fim em si mesma, não tem somente um valor relativo, isto é, um preço, mas um valor íntimo, isto é, dignidade”. Kant. Considerando o texto citado e o pensamento ético de Kant, seguem as afirmativas abaixo: I. Para Kant, existe moral porque o ser humano e, em geral, todo o ser racional, fim em si mesmo e valor absoluto, não deve ser tomado simplesmente como meio ou instrumento para o uso arbitrário de qualquer vontade. II. Fim em si mesmo e valor absoluto, o ser humano é pessoa e tem dignidade, mas uma dignidade que é, apenas, relativamente valiosa, por se encontrar em dependência das condições psicossociais e político-econômicas nas quais vive. III. A moralidade, única condição que pode fazer de um ser racional fim em si mesmo e valor absoluto, pelo princípio da autonomia da vontade, e a humanidade, enquanto capaz de moralidade, são as únicascoisas que têm dignidade. IV. As pessoas têm dignidade porque são seres livres e autônomos, isto é, seres que se submetem às leis que se dão a si mesmos, atendendo imediatamente aos apelos de suas inclinações, sentimentos, impulsos e necessidades. V. A autonomia da vontade é o fundamento da dignidade da natureza humana e de toda natureza racional e, por esta razão, a vontade não está simplesmente submetida à lei, mas submetida à lei por ser concebida como vontade legisladora universal, ou seja, se submete à lei na exata medida em que ela é a autora da lei (moral). Das afirmativas feitas acima a) somente a afirmação I está incorreta. b) somente a afirmação III está incorreta. c) as afirmações II e IV estão incorretas. d) as afirmações II e III estão incorretas. e) as afirmações II, III e V estão incorretas. 38. (Uff 2012) Galileu Galilei é considerado um dos grandes nomes da história da ciência graças às suas revolucionárias observações astronômicas por meio do telescópio e aos seus estudos sobre a) a economia política. b) a composição da luz. c) a anatomia humana. d) o movimento dos corpos. e) a circulação do sangue. 39. (Ufsj 2012) Sobre os ídolos preconizados por Francis Bacon, é CORRETO afirmar que: a) “A consequência imediata da ação dos ídolos é a inscrição do Homem num universo de massacre e sofrimento racional-indutivo, onde o conhecimento científico se distancia da filosofia, se deteriora e se amesquinha”. b) “Toda idolatria é forjada no hábito e na subjetividade humanos”. c) “Os ídolos invadem a mente humana e para derrogá-los, é necessário um esforço racional- dedutivo de análise, como bem advertiu Aristóteles”. d) “Os ídolos da caverna são os homens enquanto indivíduos, pois cada um [...] tem uma caverna ou uma cova que intercepta e corrompe a luz da natureza”. 40. (Uema 2012) Das alternativas abaixo, marque aquela que apresenta o sentido de cultura elaborado pelos humanistas no Renascimento do século XVI. a) Cultura é a valorização do trabalho, pois se acredita que pelo trabalho o homem não só aprimora suas habilidades como também ganha dignidade. Todos direitos reservados - www.seliganessahistoria.com.br - Página 11 de 39 http://www.seliganessahistoria.com.br/ 12/39 Lista de Exercícios : Filosofia | Filosofia Moderna b) Cultura é o cultivo do espírito no sentido de seguir firmemente os ordenamentos de Deus aqui na terra como necessário para a salvação da alma. c) Cultura é o cultivo do espírito, exprimindo a ação de desenvolver a capacidade intelectual e de aprimorar as qualidades naturais dos homens. d) Cultura seria associada à prática do lazer, do cultivo às artes, à ciência e às letras. e) Cultura seria o fazer humano por meio do qual o homem produz bens materiais e se autoproduz. 41. (Ufsj 2012) David Hume afirma que “a razão, em sentido estrito e filosófico, só pode influenciar nossa conduta de duas maneiras”, a saber: a) “a razão por si só funda a moral humana e como tal nela encontra respaldo para instaurar influências, além disso, reduz o campo de influência dogmática sobre a conduta humana”. b) “ao reconhecer o estatuto racional que fundamenta e legitima a paixão, a moral se estabelece como consequência dessa razão em si mesma, além de determinar o sujeito que age”. c) “despertando uma paixão ao nos informar sobre a existência de alguma coisa que é um objeto próprio dessa paixão ou descobrindo a conexão de causas e efeitos de modo a nos dar meios de exercer uma paixão qualquer”. d) “razão e ação prática são princípios ativos fundamentais que conferem poderes aos corpos externos ou às ações racionais ou se fundam, exclusivamente, na intenção que é peculiar ao indivíduo”. 42. (Ufsj 2012) “Algumas criaturas vivas, como as abelhas e as formigas, que vivem socialmente umas com as outras [...] tendem para o benefício comum”. Para Thomas Hobbes, essa tendência não ocorre entre os homens porque a) esses insetos, dentro da sua irracionalidade natural, dão lições de conduta aos seres humanos; seja na tarefa diária, seja na politização paradoxal do modelo comunista difundido por Joseph Stalin e Karl Marx. b) as abelhas e as formigas têm a peculiaridade de construir suas sociedades dentro de uma unidade dinâmica e circular, que poderia ser bem definida como um contrato social se elas fossem humanas. Os seres humanos não atingiram tal estágio ainda. c) estes estão constantemente envolvidos numa competição pela honra e pela dignidade e se julgam uns mais sábios que outros para exercer o poder público, reformam e inovam, o que muitas vezes leva o país à desordem e à guerra civil. d) o motivo maior que guia a vida de tais criaturas é a engrenagem da soberania da vontade de criar, da vontade de poder, retomada por Nietzsche e pelo existencialismo. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Texto I O desenvolvimento não é um mecanismo cego que age por si. O padrão de progresso dominante descreve a trajetória da sociedade contemporânea em busca dos fins tidos como desejáveis, fins que os modelos de produção e de consumo expressam. É preciso, portanto, rediscutir os sentidos. Nos marcos do que se entende predominantemente por desenvolvimento, aceita-se rever as quantidades (menos energia, menos água, mais eficiência, mais tecnologia), mas pouco as qualidades: que desenvolvimento, para que e para quem? (LEROY, Jean Pierre. Encruzilhadas do Desenvolvimento. O Impacto sobre o meio ambiente. Le Monde Diplomatique Brasil. jul. 2008, p.9.) 43. (Uel 2012) Tendo como referência a relação entre desenvolvimento e progresso presente no texto, é correto afirmar que, em Kant, tal relação, contida no conceito de Aufklärung (Esclarecimento), expressa: a) A tematização do desenvolvimento sob a égide da lógica de produção capitalista. b) A segmentação do desenvolvimento tecnocientífico nas diversas especialidades. c) A ampliação do uso público da razão para que se desenvolvam sujeitos autônomos. d) O desenvolvimento que se alcança no âmbito técnico e material das sociedades. e) O desenvolvimento dos pressupostos científicos na resolução dos problemas da filosofia prática. 44. (Uel 2011) Leia o texto a seguir. O pensamento moderno caracteriza-se pelo crescente abandono da ciência aristotélica. Um dos pensadores modernos desconfortáveis com a lógica dedutiva de Aristóteles – considerando que esta não permitia explicar o progresso do conhecimento científico – foi Francis Bacon. No livro Novum Organum, Bacon formulou o método indutivo como alternativa ao método lógico-dedutivo aristotélico. Com base no texto e nos conhecimentos sobre o pensamento de Bacon, é correto afirmar que o método indutivo consiste Todos direitos reservados - www.seliganessahistoria.com.br - Página 12 de 39 http://www.seliganessahistoria.com.br/ 13/39 Lista de Exercícios : Filosofia | Filosofia Moderna a) na derivação de consequências lógicas com base no corpo de conhecimento de um dado período histórico. b) no estabelecimento de leis universais e necessárias com base nas formas válidas do silogismo tal como preservado pelos medievais. c) na postulação de leis universais com base em casos observados na experiência, os quais apresentam regularidade. d) na inferência de leis naturais baseadas no testemunho de autoridades científicas aceitas universalmente. e) na observação de casos particulares revelados pela experiência, os quais impedem a necessidade e a universalidade no estabelecimento das leis naturais. 45. (Ufu 2011) Na obra Discurso sobre o método, René Descartes propôs um novo método de investigação baseado em quatro regras fundamentais, inspiradas na geometria: evidência, análise, síntese, controle. Assinale a alternativa que contenha corretamente a descrição das regras de análise e síntese. a) A regra da análise orienta aenumerar todos os elementos analisados; a regra da síntese orienta decompor o problema em seus elementos últimos, ou mais simples. b) A regra da análise orienta a decompor cada problema em seus elementos últimos ou mais simples; a regra da síntese orienta ir dos objetos mais simples aos mais complexos. c) A regra da análise orienta a remontar dos objetos mais simples até os mais complexos; a regra da síntese orienta prosseguir dos objetos mais complexos aos mais simples. d) A regra da síntese orienta a acolher como verdadeiro apenas aquilo que é evidente; a regra da análise orienta descartar o que é evidente e só orientar-se, firmemente, pela opinião. 46. (Uel 2011) O principal problema de Descartes pode ser formulado do seguinte modo: “Como poderemos garantir que o nosso conhecimento é absolutamente seguro?” Como o cético, ele parte da dúvida; mas, ao contrário do cético, não permanece nela. Na Meditação Terceira, Descartes afirma: “[...] engane-me quem puder, ainda assim jamais poderá fazer que eu nada seja enquanto eu pensar que sou algo; ou que algum dia seja verdade eu não tenha jamais existido, sendo verdade agora que eu existo [...]” (DESCARTES. René. “Meditações Metafísicas”. Meditação Terceira, São Paulo: Nova Cultural, 1991. p. 182. Coleção Os Pensadores.) Com base no enunciado e considerando o itinerário seguido por Descartes para fundamentar o conhecimento, é correto afirmar: a) Todas as coisas se equivalem, não podendo ser discerníveis pelos sentidos nem pela razão, já que ambos são falhos e limitados, portanto o conhecimento seguro detém-se nas opiniões que se apresentam certas e indubitáveis. b) O conhecimento seguro que resiste à dúvida apresenta-se como algo relativo, tanto ao sujeito como às próprias coisas que são percebidas de acordo com as circunstâncias em que ocorrem os fenômenos observados. c) Pela dúvida metódica, reconhece-se a contingência do conhecimento, uma vez que somente as coisas percebidas por meio da experiência sensível possuem existência real. d) A dúvida manifesta a infinita confusão de opiniões que se pode observar no debate perpétuo e universal sobre o conhecimento das coisas, sendo a existência de Deus a única certeza que se pode alcançar. e) A condição necessária para alcançar o conhecimento seguro consiste em submetê-lo sistematicamente a todas as possibilidades de erro, de modo que ele resista à dúvida mais obstinada. 47. (Unioeste 2011) Considerando-se as primeiras linhas das Meditações sobre a filosofia primeira de René Descartes: “Há já algum tempo dei-me conta de que, desde meus primeiros anos, recebera muitas falsas opiniões por verdadeiras e de que aquilo que depois eu fundei sobre princípios tão mal assegurados devia ser apenas muito duvidoso e incerto; de modo que era preciso tentar seriamente, uma vez em minha vida, desfazer-me de todas as opiniões que recebera até então em minha crença e começar tudo novamente desde os fundamentos, se eu quisesse estabelecer alguma coisa de firme e de constante nas ciências. (...) Agora, pois, que meu espírito está livre de todas as preocupações e que obtive um repouso seguro numa solidão tranquila, aplicar-me-ei seriamente e com liberdade a destruir em geral todas as minhas antigas opiniões” É correto afirmar sobre a teoria do conhecimento cartesiana que a) Descartes não utiliza um método ou uma estratégia para estabelecer algo de firme e certo no conhecimento, já que suas opiniões antigas eram incertas. b) Descartes considera que não é possível encontrar algo de firme e certo nas ciências, pois até então esse objetivo não foi atingido. c) Descartes, ao rejeitar o que a tradição filosófica considerou como conhecimento, busca Todos direitos reservados - www.seliganessahistoria.com.br - Página 13 de 39 http://www.seliganessahistoria.com.br/ 14/39 Lista de Exercícios : Filosofia | Filosofia Moderna fundamentar nos sentidos uma base segura para as ciências. d) ao investigar uma base firme e indestrutível para o conhecimento, Descartes inicia rejeitando suas antigas opiniões e utiliza o método da dúvida até encontrar algo de firme e certo. e) Descartes necessitou de solidão para investigar as suas antigas opiniões e encontrar entre elas aquela que seria o verdadeiro fundamento do conhecimento. 48. (Ufsj 2011) John Locke é apontado como pioneiro do materialismo moderno. Sobre o “materialismo moderno”, é CORRETO afirmar que: a) “Deriva as ‘ideias’ de que se constitui o conhecimento diretamente das sensações que se marcaram na mente [...] não cabendo assim ao pensamento nada mais, [...] que combinar, comparar e analisar essas mesmas ideias”. b) “Todo o princípio do conhecimento material é sensorial, transponível, relativo e infinito”. c) “O valor da experiência sensível, como fator primário da elaboração cognitiva, está na possibilidade de conhecer a essência da natureza”. d) “O conhecimento deve ser introjetado a partir da experiência extrassensorial, peculiar a todo ser pensante”. 49. (Ufsj 2011) A razão, para Hume, é: a) “a descoberta da verdade ou da falsidade. A verdade e a falsidade consistem no acordo e desacordo seja quanto à relação real de ideias, seja quanto à existência e aos fatos reais”. b) “nossas propensões naturais e distinções morais implicam, necessariamente, uma razão inata”. c) “os concomitantes da ação induzem a uma concepção notória daquilo que se pode determinar como universo da razão”. d) “em sentido estrito e filosófico, a razão nos informa sobre os critérios e conexões entre as paixões e desafetos humanos”. 50. (Ufsj 2011) Sobre a origem da justiça, Hume afirma que: a) “O senso de justiça é derivado da virtude, que por sua vez move toda e qualquer mudança na esfera do comportamento humano”. b) “A justiça tira sua origem exclusivamente do egoísmo e da generosidade restrita aos Homens em conjunto com a escassez das provisões que a natureza ofereceu para suas necessidades”. c) “As impressões dão origem ao senso de justiça e são naturais à mente humana”. d) “A justiça tem sua origem nas regas naturais e buscam seu fim em interesses gerados pelas paixões mais profundas dos homens”. 51. (Unioeste 2011) “A natureza fez os homens tão iguais, quanto às faculdades do corpo e do espírito que, embora por vezes se encontre um homem manifestamente mais forte de corpo, ou de espírito mais vivo do que outro, mesmo assim, quando se considera tudo isto em conjunto, a diferença entre um e outro não é suficientemente considerável para que qualquer um possa com base nela reclamar qualquer benefício a que outro não possa também aspirar, tal como ele. (...) Desta igualdade quanto à capacidade deriva a igualdade quanto à esperança de atingirmos nossos fins. Portanto, se dois homens desejam a mesma coisa, ao mesmo tempo (...) esforçam-se por se destruir ou subjugar um ao outro. (...) Com isto se torna manifesto que, durante o tempo em que os homens vivem sem um poder comum capaz de manter a todos em respeito, eles se encontram naquela condição a que se chama de guerra; e uma guerra que é de todos os homens contra todos os homens”. Hobbes. Com base no texto citado, seguem as seguintes afirmativas: I. Os homens, por natureza, são absolutamente iguais, tanto no exercício de suas capacidades físicas, quanto no exercício de suas faculdades espirituais. II. Sendo os homens, por natureza, “tão iguais, quanto às faculdades do corpo e do espírito” é razoável que cada um ataque o outro, quer seja para destruí- lo, quer seja para proteger-se de um possível ataque. III. Na inexistência de um “poder comum” que “mantenha a todos em respeito”, a atitude mais racional é a de manter a paz e a concórdia na “esperança” de que todos e cada um atinjam seus fins. IV. A condição dos homens que vivem sem um poder comum é de guerra generalizada, de todos contra todos.V. O homem, por natureza, vive em sociedade e nela desenvolve suas potencialidades, mantendo relações sociais harmônicas e pacíficas. Assinale a alternativa correta. a) Apenas I está correta. b) Apenas II e III estão corretas. c) Apenas I e V estão corretas. d) Apenas II e IV estão corretas. e) Todas as afirmativas estão corretas. 52. (Uenp 2011) “Porque as leis de natureza (como a justiça, a equidade, a modéstia, a piedade, ou, em resumo, fazer aos outros o que queremos que Todos direitos reservados - www.seliganessahistoria.com.br - Página 14 de 39 http://www.seliganessahistoria.com.br/ 15/39 Lista de Exercícios : Filosofia | Filosofia Moderna nos façam) por si mesmas, na ausência do temor de algum poder capaz de levá-las a ser respeitadas, são contrárias a nossas paixões naturais, as quais nos fazem tender para a parcialidade, o orgulho, a vingança e coisas semelhantes. E os pactos sem a espada não passam de palavras, sem força para dar qualquer segurança a ninguém. Portanto, apesar das leis de natureza (que cada um respeita quando tem vontade de respeitá-las e quando pode fazê-lo com segurança), se não for instituído um poder suficientemente grande para nossa segurança, cada um confiará, e poderá legitimamente confiar, apenas em sua própria força e capacidade, como proteção contra todos os outros.” MALMESBURY, Thomas Hobbes de. Leviatã ou matéria, forma e poder de um Estado eclesiástico e civil. Sobre o pensamento de Hobbes, assinale a alternativa incorreta: a) O contrato social que dá origem ao Estado só é obedecido pela força e pelo temor. b) Os homens, na sua condição natural, observam apenas as suas paixões naturais. c) O contrato social que dá origem ao Estado pode ser desfeito quando o soberano desrespeita os direitos dos súditos e age de forma parcial, visando a seus próprios interesses. d) A concepção de homem natural de Hobbes é marcada por um profundo pessimismo antropológico. e) A filosofia política hobbesiana é atomista. 53. (Uenp 2011) “O homem nasce livre, e por toda a parte encontra-se a ferros. O que se crê senhor dos demais, não deixa de ser mais escravo do que eles (...). A ordem social é um direito sagrado que serve de base a todos os outros. Tal direito [ordem social], no entanto, não se origina da natureza: funda- se, portanto, em convenções.” ROUSSEAU, J.J. Contrato Social. Coleção Os pensadores. São Paulo: Abril Cultural. Analise as afirmativas sobre o pensamento de Rousseau I. O homem natural é bom, o isolamento propiciado pelo estado de natureza favorece o desenvolvimento e o exercício de qualidades positivas, como o amor de si mesmo e a piedade. II. A ordem social é natural e deriva da natureza gregária do ser humano. III. O estado se origina com o objetivo de impedir que os homens retornem ao estado de guerra generalizado. A(s) afirmativa(s) verdadeira(s) é(são): a) apenas a I. b) apenas a II. c) apenas a III. d) apenas a IV. e) todas. 54. (Uff 2011) José Bonifácio de Andrada e Silva, homem público e cientista respeitado na Europa, desempenhou papel decisivo no processo de emancipação do Brasil. De ideias avançadas, defendeu a extinção do escravismo, a valorização da pequena e da média propriedade, o uso racional dos recursos naturais e a tese pioneira da preservação do meio ambiente. Ele achava que a finalidade última da ciência é contribuir para o bem da humanidade de modo racional e eficiente. As ideias que influenciaram diretamente a formação intelectual e política de José Bonifácio estão contidas no a) Naturalismo. b) Iluminismo. c) Renascimento. d) Socialismo. e) Jacobinismo. 55. (Uema 2011) No texto Que é “Esclarecimento”? (1783), o que significa, conforme Kant, a saída do homem da menoridade da qual ele mesmo é culpado? a) O uso da razão crítica, exceto quando se tratar de doutrinas religiosas. b) A capacidade de aceitar passivamente a autoridade científica ou política. c) A liberdade para executar desejos e impulsos conforme a natureza instintiva do homem. d) A coragem de ser autônomo, rejeitando, portanto, qualquer condição tutelar. e) O alcance da idade apropriada para uso da racionalidade subjetiva. 56. (Uema 2011) Kant, no texto Que é “Esclarecimento”? (1783), aborda os conceitos de uso público e privado da razão. Entre as alternativas abaixo, a única que contém informação correta sobre o uso público da razão é: Todos direitos reservados - www.seliganessahistoria.com.br - Página 15 de 39 http://www.seliganessahistoria.com.br/ 16/39 Lista de Exercícios : Filosofia | Filosofia Moderna a) Livre uso da razão desde que avalizada pela autoridade competente eclesiástica e política. b) Liberdade ilimitada do sábio usar a razão e autonomia para publicizar suas ideias com as melhores intenções. c) Uso que o professor faz de sua razão diante de sua comunidade acadêmica ou outra qualquer. d) Discurso aberto sobre temáticas monitoradas por uma instituição que forma pessoas para o serviço militar. e) Abordagem de uma teoria determinada por um paradigma vigente, seja ele religioso, político ou científico. 57. (Uema 2011) Na perspectiva do conhecimento, Immanuel Kant pretende superar a dicotomia racionalismo-empirismo. Entre as alternativas abaixo, a única que contém informações corretas sobre o criticismo kantiano é: a) A razão estabelece as condições de possibilidade do conhecimento; por isso independe da matéria do conhecimento. b) O conhecimento é constituído de matéria e forma. Para termos conhecimento das coisas, temos de organizá-las a partir da forma a priori do espaço e do tempo. c) O conhecimento é constituído de matéria, forma e pensamento. Para termos conhecimento das coisas temos de pensá-las a partir do tempo cronológico. d) A razão enquanto determinante nos conhecimentos fenomênicos e noumênicos (transcendentais) atesta a capacidade do ser humano. e) O homem conhece pela razão a realidade fenomênica porque Deus é quem afinal determina este processo. 58. (Uel 2010) A obra de Galileu Galilei está indissoluvelmente ligada à revolução científica do século XVII, a qual implicou uma “mutação” intelectual radical, cujo produto e expressão mais genuína foi o desenvolvimento da ciência moderna no pensamento ocidental. Neste sentido, destacam-se dois traços entrelaçados que caracterizam esta revolução inauguradora da modernidade científica: a dissolução da ideia greco-medieval do Cosmos e a geometrização do espaço e do movimento. (KOYRÉ, A. Estudos Galilaicos. Lisboa: Dom Quixote, 1986. pp. 13-20; KOYRÉ, A. Estudos de História do Pensamento Científico. Brasília, Editora UnB, 1982. pp. 152-154.). Com base no texto e nos conhecimentos sobre as características que marcam revolução científica no pensamento de Galileu Galilei, assinale a alternativa correta. a) A dissolução do Cosmos representa a ruptura com a ideia do Universo como sistema imutável, heterogêneo, hierarquicamente ordenado, da física aristotélica. b) A crença na existência do Cosmos, na física aristotélica, se situa na concepção de um Universo aberto, indefinido e até infinito, unificado e governado pelas mesmas leis universais. c) Contrária à concepção tradicional de ciência de orientação aristotélica, a física galilaica distingue e opõe os dois mundos do Céu e da Terra e suas respectivas leis. d) A geometrização do espaço e do movimento, na física galilaica, aprimora a concepção matemática do Universo cósmico qualitativamente diferenciado e concreto da física aristotélica. e) A física galilaica identifica o movimento a partir da concepção de uma totalidade cósmica, em cuja ordem cada coisa possui um lugar próprio conforme sua natureza. 59. (Uel 2010) A ONU declarou 2009 o Ano Internacional da Astronomia pelos 400 anos do uso do telescópio nas investigaçõesastronômicas por Galileu Galilei. Essas investigações desencadearam descobertas e, por sua vez, uma nova maneira de compreender os fenômenos naturais. Além de suas descobertas, Galileu também contribuiu para a posteridade ao desenvolver o método experimental e a concepção de uma nova ciência física. Com base nas contribuições metodológicas de Galileu Galilei, é correto afirmar: a) A experiência espontânea e imediata da percepção dos sentidos desempenha, a partir de Galileu, um papel metodológico, preponderante na nova ciência. b) A observação, a experimentação e a explicação dos fenômenos físicos da natureza desenvolvidos por Galileu aprimoram o método lógico-dedutivo da filosofia aristotélica. c) A observação controlada dos fenômenos na forma de experimentação, segundo o método galileano, consiste em interrogar metodicamente a natureza na linguagem matemática. d) A verificação metodológica da verdade das leis científicas pelos experimentos aleatórios, defendida por Galileu, fundamenta-se na concepção finalista do Universo. e) O método galileano reafirma o princípio de autoridade das interpretações teológico-bíblicas na definição do método para alcançar a verdade física. 60. (Ufpa 2010) Galileu, ao conceber a ciência, valoriza a experiência e se preocupa com a descrição quantificada dos fenômenos. Tal descrição torna-se possível, porque ele faz a distinção entre qualidades primárias e secundárias Todos direitos reservados - www.seliganessahistoria.com.br - Página 16 de 39 http://www.seliganessahistoria.com.br/ 17/39 Lista de Exercícios : Filosofia | Filosofia Moderna (ARANHA, M. L.; MARTINS, M. H. P. Filosofando. p. 179). De acordo com o exposto acima, é correto afirmar que a) somente as qualidades primárias devem ser levadas em consideração pelos cientistas. b) somente as qualidades secundárias são relevantes para o conhecimento científico. c) as qualidades primárias não são suscetíveis de receberem tratamento matemático. d) somente as qualidades secundárias devem ser tratadas cientificamente por serem consideradas matematizáveis. e) nenhuma das qualidades dos corpos pode ser tratada quantitativamente. 61. (Uff 2010) Segundo o filósofo inglês Francis Bacon (1561-1626), o ser humano tem o direito de dominar a natureza e as técnicas; as ciências são os meios para exercer esse poder. Que processo histórico pode ser diretamente associado a essas ideias? a) Os ideais de retorno à vida natural. b) O bloqueio continental imposto à Europa por Napoleão Bonaparte. c) A Contrarreforma promovida pela Igreja Católica. d) O surgimento do estilo barroco nas artes. e) A Revolução Industrial. 62. (Ufpa 2010) Segundo a tradição racionalista, a verdade não reside nas próprias coisas, mas somente no juízo. De acordo com essa concepção de verdade, é lícito afirmar: a) As ideias são verdadeiras por coincidirem naturalmente com as coisas. b) A verdade reside na atribuição do predicado inerente ao sujeito do juízo. c) A verdade reside no ato de julgar, porque é isento de qualquer valor cognitivo. d) A apreensão do objeto é produto de um julgamento exclusivamente ético. e) O sujeito do juízo não deve pertencer ao predicado, para se evitar um julgamento preconceituoso. 63. (Uenp 2010) Uma preocupação comum dos filósofos modernos era com o método. Eles partiam de um senso comum teórico amplamente difundido na filosofia, o de que os homens só erravam porque tomavam o caminho errado. Qualquer um que se utilizasse do método adequado teria condições de chegar ao conhecimento da verdade. Sobre o tema do método é correto dizer que: a) Descartes era indutivista tendo em vista que seu método consistia em partir das informações obtidas pela experiência para a construção de verdades mais gerais, a partir de um processo de abstração. b) Bacon era racionalista e considerava que as verdades eram eternas e imutáveis, sendo que o seu conhecimento independe da experiência ou dos sentidos. Sua proposta metodológica se aproximava muito do platonismo tardio do final do renascimento. c) Spinoza era empirista, e seu método prescindia de qualquer interferência da razão, sendo que a verdade pode ser encontrada nos próprios objetos a partir da intervenção percuriente da experiência. d) Descartes no Discurso do Método desenvolve uma metodologia analítica. De acordo com o filósofo, era preciso que a partir de um critério de verdade, se partisse para a análise (decomposição) dos problemas, para poder solucioná-los, havendo necessidade de uma síntese (recomposição) e uma revisão final do processo. e) J. Locke, como Descartes, era racionalista, e desvalorizava o papel da experiência na busca do conhecimento verdadeiro das causas e das essências das coisas. 64. (Unioeste 2010) “Há já algum tempo dei- me conta de que, desde meus primeiros anos, recebera muitas falsas opiniões por verdadeiras e de que aquilo que depois eu fundei sobre princípios tão mal assegurados devia ser apenas muito duvidoso e incerto; de modo que era preciso tentar seriamente, uma vez em minha vida, desfazer-me de todas as opiniões que recebera até então em minha crença e começar tudo novamente desde os fundamentos, se eu quisesse estabelecer alguma coisa de firme e de constante nas ciências. […] Agora, pois, que meu espírito está livre de todas as preocupações e que obtive um repouso seguro numa solidão tranquila, aplicar-me-ei seriamente e com liberdade a destruir em geral todas as minhas antigas opiniões. Ora, não será necessário, para atingir esse propósito, provar que elas todas são falsas, o que talvez jamais realizasse até o fim; mas, visto que a razão já me persuade de que não devo menos cuidadosamente impedir-me de acreditar nas coisas que não são inteiramente certas e indubitáveis do que nas que nos parecem ser manifestamente falsas, a menor razão de duvidar que eu nelas encontrar será suficiente para me fazer rejeitá-las todas.” (Descartes) A partir da filosofia cartesiana, seguem as seguintes afirmações: I. A dúvida cartesiana é uma dúvida sobre os fundamentos do conhecimento, e seu objetivo é avaliar a possibilidade da conquista de algo evidente e verdadeiro. II. A primeira certeza que conquistamos é a de que, embora nossos sentidos nos enganam às vezes, não é possível duvidar da existência das coisas que nos rodeiam. III. A dúvida, quando generalizada ao máximo, será autodestrutiva, uma vez que ela é um ato de Todos direitos reservados - www.seliganessahistoria.com.br - Página 17 de 39 http://www.seliganessahistoria.com.br/ 18/39 Lista de Exercícios : Filosofia | Filosofia Moderna pensar e, portanto, requer como certa a existência de uma entidade que é sujeito desse ato IV. Generalizar ao máximo a dúvida é uma atitude irracional e meramente negativa. V. A dúvida cartesiana traz como resultado um fato determinante para toda a filosofia moderna: só temos acesso imediato às nossas percepções mentais, ao passo que o conhecimento de tudo o mais (o mundo, Deus, etc.) deve ser provado como possível, dada a distância que há entre nossos pensamentos e as demais coisas. Das afirmações feitas acima a) apenas as afirmativas II, III e IV estão corretas. b) apenas as afirmativas I e III estão corretas. c) apenas as afirmativas I, III e V estão corretas. d) apenas a afirmativa IV está incorreta. e) todas as afirmativas estão corretas. 65. (Uel 2010) Observe a tira e leia o texto a seguir: Mas há um enganador, não sei quem, sumamente poderoso, sumamente astucioso que, por indústria, sempre me engana. Não há dúvida, portanto, de que eu, eu sou, também, se me engana: que me engane o quanto possa, nunca poderá fazer, porém, que eu nada seja, enquanto eu pensar que sou algo. De sorte que, depois de ponderar e examinar cuidadosamente todas as coisas é preciso estabelecer, finalmente, que este enunciadoeu, eu sou, eu, eu existo é necessariamente verdadeiro, todas as vezes que é por mim proferido ou concebido na mente. (DESCARTES, R. Meditações sobre Filosofia Primeira. Tradução, nota prévia e revisão de Fausto Castilho. Campinas: Unicamp, 2008, p. 25.) Com base na tira e no texto, sobre o cogito cartesiano, é correto afirmar: a) A existência decorre do ato de aparecer e se apresenta independente da essência constitutiva do ser. b) A existência é manifesta pelo ato de pensar que, ao trazer à mente a imagem da coisa pensada, assegura a sua realidade. c) A existência é concebida pelo ato originário e imaginativo do pensamento, o qual impede que a realidade seja mera ficção. d) a existência é a plenitude do ato de exteriorização dos objetos, cuja integridade é dada pela manifestação da sua aparência. e) A existência é a evidência revelada ao ser humano pelo ato próprio de pensar. 66. (Ufu 2010) Em O Discurso sobre o método, Descartes afirma: Não se deve acatar nunca como verdadeiro aquilo que não se reconhece ser tal pela evidência, ou seja, evitar acuradamente a precipitação e a prevenção, assim como nunca se deve abranger entre nossos juízos aquilo que não se apresente tão clara e distintamente à nossa inteligência a ponto de excluir qualquer possibilidade de dúvida. (REALE, G.; ANTISERI, D. História da filosofia: Do humanismo a Descartes. Tradução de Ivo Storniolo. São Paulo: Paulus, 2004. p. 289.) Após a leitura do texto acima, assinale a alternativa correta. a) A evidência, apesar de apreciada por Descartes, permanece uma noção indefinível. b) A evidência é a primeira regra do método cartesiano, mas não é o princípio metódico fundamental. c) Ideias claras e distintas são o mesmo que ideias evidentes. d) A evidência não é um princípio do método cartesiano. 67. (Unioeste 2010) “A física de Aristóteles […] é uma 'física', isto é, uma ciência altamente elaborada, embora não o seja matematicamente. […] A distinção entre movimentos 'naturais' e movimentos 'violentos' se situa numa concepção de conjunto da realidade física, concepção cujos traços principais parecem ser: (a) a crença na existência de 'naturezas' qualitativamente definidas; e (b) a crença na existência de um Cosmo […] Assim, mover-se é mudar, mudar em si mesmo e em relação aos outros. Por outro lado, isso implica um termo de referência em relação ao qual a coisa movida muda seu ser ou sua relação; o que implica – se examinarmos o movimento local – a existência de um ponto fixo em relação ao qual a coisa movida se move, um ponto fixo imutável que, evidentemente, só pode ser o centro do Universo”. (Koyré) Dentre as proposições dadas abaixo, todas elas, exceto uma, indicam características da Todos direitos reservados - www.seliganessahistoria.com.br - Página 18 de 39 http://www.seliganessahistoria.com.br/ 19/39 Lista de Exercícios : Filosofia | Filosofia Moderna Revolução Científica do Século XVII, que ocasionou a derrocada da física e da cosmologia aristotélica. Assinalar qual constitui a exceção (ou seja, qual das alternativas é a incorreta). a) O rompimento com a física qualitativa e a homogeneização do espaço, com a consequente substituição da noção de lugares naturais das coisas pela de espaço homogêneo da geometria, considerado como real. b) A consideração da lei da inércia como princípio fundamental da natureza, ela que afirma que um corpo abandonado a si mesmo permanece em seu estado de repouso ou de movimento tanto tempo quanto esse estado não for submetido à ação de uma força exterior qualquer. c) O combate ao princípio de inalterabilidade do céu e a todo o arcabouço teórico que sustentava a dicotomia entre céu e Terra. d) A destruição do Cosmo, isto é, a substituição da visão de mundo finito e hierarquicamente ordenado por uma concepção de universo homogêneo, ligado por elementos de mesma natureza e regido por leis necessárias e universais. e) A compreensão do movimento como um tipo de mudança que depende da constituição interna do corpo, de modo que o movimento contrário à natureza do corpo que se move, como quando arremessamos uma pedra para o alto, é considerado violento e, como tal, tende à sua própria destruição. 68. (Uff 2010) O italiano Picco della Mirandola foi um importante filósofo humanista do Renascimento dos séculos XV e XVI. Seu livro Sobre a Dignidade do Homem enaltece a importância do ser humano e narra um mito da criação do homem. Segundo o autor, quando decidiu criar o ser humano, o criador já havia utilizado na criação dos outros seres todos os modelos e qualidades de que dispunha. Então, o criador falou assim a Adão: “Se não te conferi um lugar fixo, uma forma que te fosse própria e um dom especial, Adão, foi para que tu mesmo, escolhendo segundo teu desejo e tua determinação o lugar, a forma e o dom que quiseres, possas fazê-los teus. Todos os outros seres receberam uma natureza rigidamente definida e ficaram sob o meu poder, segundo leis previamente estabelecidas. Somente a ti não te prendem laços, exceto tu mesmo, segundo a vontade que te concedo”. Marque a sentença que expressa ideais do Humanismo Renascentista e que é mais adequada ao pensamento de Picco della Mirandola. a) O ser humano é inacabado e livre e por isso pode se aperfeiçoar. b) A imperfeição impede o aperfeiçoamento do ser humano. c) A imperfeição humana o impede de ser livre. d) A liberdade impede o aperfeiçoamento humano. e) Somente se fosse perfeito é que o ser humano seria livre. 69. (Uenp 2010) A cidade inteira se divide em quatro quarteirões iguais. No centro de cada quarteirão, encontra-se o mercado das coisas necessárias à vida. São depositados aí os diferentes produtos do trabalho de todas as famílias. Esses produtos, depositados primeiramente nos entrepostos, são em seguida classificados nas lojas de acordo com sua espécie. Cada pai de família vai procurar no mercado aquilo de que tem necessidade para si e os seus. Tira o que precisa sem que seja exigido dele nem dinheiro nem troca. Jamais se recusa alguma coisa aos pais de família. A abundância sendo extrema, em todas as coisas, não se teme que alguém tire além de sua necessidade. De fato, aquele que tem a certeza de que nada faltará jamais, não procurará possuir mais do que é preciso. O que torna, em geral, os animais cúpidos e rapaces, é o temor das privações no futuro. No homem, em particular, existe uma outra causa de avareza - o orgulho, que o excita a ultrapassar em opulência os seus iguais e a deslumbrá-los pelo aparato de um luxo supérfluo. Mas as instituições utopianas tornam este vício impossível. Thomas Morus.Utopia. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/c v000070.pdf. Sobre, de Thomas Morus, é incorreto afirmar: a) Thomas Morus se inspira na República de Platão para escrever a Utopia. De um modo geral, o movimento filosófico ao qual pertencia Morus, o humanismo, é caracterizado pela retomada dos temas da filosófica grega antiga. b) O texto de Thomas Morus é de caráter contraideológico. Isso significa que a Utopia, além de significar “o não lugar, o lugar que não existe”, era uma profunda crítica ao contexto histórico e social em que vivia o autor. c) Não é possível afirmar que no texto da Utopia exista qualquer crítica à propriedade privada, que teria início apenas na contemporaneidade com o marxismo. d) A Utopia, na medida em que descreve uma sociedade justa, indica que ela deveria ter leis pouco numerosas e as riquezas repartidas. e) Na Utopia de Morus existe condenação explícita ao luxo e às vaidades, pois estes levam a um falso prazer, incitando a desigualdade e a falsa superioridade. 70. (Uenp 2010) O Renascimento é um período que compreende o fim da Idade Média e o Início da Idade Moderna, entre os séculos XIV e XVI, e tem alcance em diversos campos da sociedade, do saberTodos direitos reservados - www.seliganessahistoria.com.br - Página 19 de 39 http://www.seliganessahistoria.com.br/ 20/39 Lista de Exercícios : Filosofia | Filosofia Moderna e da arte. Por causa disso é classificado por muitos estudiosos como um período de transição, não mais medieval, mas ainda não moderno. Autores recentes como Michel Foucault, no entanto, ampliaram o valor do Renascimento sustentando que ele constitui um sistema completo. Sobre o período é incorreto afirmar que: a) Os humanistas resgataram o conceito romano de studia humanitatis. Entre suas preocupações estava o ensino do latim, da retórica e da filosofia moral. Resgataram em seus textos o valor do homem, o colocando no centro da cultura como valor maior, em contraposição a Deus, que o era durante a Idade Média. b) Maquiavel tem como uma de suas propostas teóricas a demarcação do objeto de estudo da política, bem como a sua separação da ética, da moral e da religião. Maquiavel é considerado por isso como o fundador da ciência política, ou da filosofia política moderna. c) A propriedade privada, recém ressurgida na época, é vista como um empecilho à pratica da virtude humana, por alguns humanistas. Para Tomas More, o homem deveria viver de acordo com a natureza, dai seu esforço de defender uma nova civilização. Muitas vezes, a critica social de A Utopia parece estar endereçada à Inglaterra, lugar onde More nasceu. d) Uma das preocupações recorrentes dos que escrevem sobre Utopia é delinear a educação dos jovens, e isso é um tema central da Cidade do Sol de Campanella, onde os jovens receberiam todo tipo de instrução e até os muros da cidade seriam decorados com todo o saber conhecido. Essa preocupação já estava presente na filosofia grega antiga, por exemplo, em Platão. e) Os humanistas de um modo geral criticaram o movimento de reforma religiosa, tendo em vista que eram em sua maioria católicos e percebiam que, se o projeto da reforma fosse levado a cabo, a Igreja Católica perderia sua hegemonia cultural e religiosa, fortalecendo o paganismo clássico que renascia. 71. (Uel 2010) Leia o seguinte texto de Locke: Aquele que se alimentou com bolotas que colheu sob um carvalho, ou das maçãs que retirou das árvores na floresta, certamente se apropriou deles para si. Ninguém pode negar que a alimentação é sua. Pergunto então: Quando começaram a lhe pertencer? Quando os digeriu? Quando os comeu? Quando os cozinhou? Quando os levou para casa? Ou quando os apanhou? (LOCKE, J. Segundo Tratado Sobre o Governo Civil. 3 ed. Petrópolis: Vozes, 2001, p. 98) Com base no texto e nos conhecimentos sobre o pensamento de John Locke, é correto afirmar que a propriedade: I. Tem no trabalho a sua origem e fundamento, uma vez que ao acrescentar algo que é seu aos objetos da natureza o homem os transforma em sua propriedade. II. A possibilidade que o homem tem de colher os frutos da terra, a exemplo das maçãs, confere a ele um direito sobre eles que gera a possibilidade de acúmulo ilimitado. III. Animais e frutos, quando disponíveis na natureza e sem a intervenção humana, pertencem a um direito comum de todos. IV. Nasce da sociedade como consequência da ação coletiva e solidária das comunidades organizadas com o propósito de formar e dar sustentação ao Estado. Assinale a alternativa correta. a) Somente as afirmativas I e II são corretas. b) Somente as afirmativas I e III são corretas. c) Somente as afirmativas III e IV são corretas. d) Somente as afirmativas I, II e IV são corretas. e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas. 72. (Uel 2010) Leia o texto a seguir: Ao empreender a análise da estrutura e dos limites do conhecimento, Kant tomou a física e a mecânica celeste elaboradas por Newton como sendo a própria ciência. Entretanto, era preciso salvá- la do ceticismo de Hume quanto à impossibilidade de fundamentar as inferências indutivas e de alcançar um conhecimento necessário da natureza. Com base no pensamento de David Hume acerca do entendimento humano, é correto afirmar: a) Dentre os objetos da razão humana, as relações de ideias se originam das impressões associadas aos conceitos inatos dos quais se obtém dedutivamente o entendimento dos fatos. b) As conclusões acerca dos fatos obtidas pelo sujeito do conhecimento realizam-se sem auxílio da experiência, recorrendo apenas aos raciocínios abstratos a priori. c) O postulado que afirma a inexistência de conhecimento para além daquele que possa vir a resultar do hábito funda-se na ideia metafísica de relação causal como conexão necessária entre os fatos. d) O sujeito do conhecimento opera associações de suas percepções, sensações e impressões semelhantes ou sucessivas recebidas pelos órgãos dos sentidos e retidas na memória. e) Pelo raciocínio o sujeito é induzido a inferir as relações de causa e efeito entre percepções e Todos direitos reservados - www.seliganessahistoria.com.br - Página 20 de 39 http://www.seliganessahistoria.com.br/ 21/39 Lista de Exercícios : Filosofia | Filosofia Moderna impressões acerca da regularidade de fenômenos semelhantes que se repetem na sucessão do tempo. 73. (Unicentro 2010) Assinale a alternativa correta. Para David Hume (1711-1776), a) a alma é como uma tábula rasa (uma tábua onde não há inscrições), ou seja, o conhecimento só começa depois da experiência sensível. b) o que nos faz ultrapassar o dado e afirmar mais do que pode ser alcançado pela experiência é o hábito criado através da observação de casos semelhantes. c) “saber é poder”, ou seja, o conhecimento não é contemplativo e desinteressado, mas sim um saber instrumental, direcionado para a utilidade da ciência para a vida. d) as ideias claras e distintas são ideias inatas, não derivam do particular, mas já se encontram no espírito. Por isso, não estão sujeitas ao erro, pois vêm da razão, isto é, são independentes das ideias que vêm “de fora”, formadas pela ação dos sentidos. e) o positivismo corresponde à maturidade do espírito humano. O reino da ciência é o reino da necessidade. No mundo da necessidade, não há lugar para a liberdade. 74. (Uel 2010) Leia o texto a seguir: O principal argumento humeano contra a explicação da inferência causal pela razão era que este tipo de inferência dependia da repetição, e que a faculdade chamada “razão” padecia daquilo que se pode chamar uma certa “insensibilidade à repetição”, ou seja, uma certa indiferença perante a experiência repetida. Em completo contraste com isso, o princípio defendido por nosso filósofo, um princípio para designar o qual propôs os nomes de “costume ou hábito”, foi concebido como uma disposição humana caracterizada pela sensibilidade à repetição, podendo assim ser considerado um princípio adequado à explicação dos raciocínios derivados de experiências repetidas. (MONTEIRO, J. P. Novos Estudos Humeanos. São Paulo: Discurso Editorial, 2003, p. 41) Com base no texto e nos conhecimentos sobre o empirismo, é correto afirmar que Hume a) atribui importância à experiência como fundamento do conhecimento dedutivo obtido a partir da inferência das relações causais na natureza. b) corrobora a afirmação de que a experiência é insuficiente sem o uso e a intervenção da razão na demonstração do nexo causal existente entre os fenômenos naturais. c) confere exclusividade à matemática como condição de fundamentação do conhecimento acerca dos fenômenos naturais, pois, empiricamente, constata que a natureza está escrita em caracteres matemáticos. d) demonstra que as relações causais obtidas pela experiência representam um conhecimento guiado por hábitos e costumes e, sobretudo, pela crença de que tais relações serão igualmente mantidas no futuro. e) evidencia a importância do racionalismo, sobretudo as ideias inatas que atestam o nexo causal dos fenômenos naturais descobertos pela experiência.75. (Uff 2010) O escritor e filósofo francês Voltaire, que viveu no século XVIII, é considerado um dos grandes pensadores do Iluminismo ou Século das Luzes. Ele afirma o seguinte sobre a importância de manter acesa a chama da razão: “Vejo que hoje, neste século que é a aurora da razão, ainda renascem algumas cabeças da hidra do fanatismo. Parece que seu veneno é menos mortífero e que suas goelas são menos devoradoras. Mas o monstro ainda subsiste e todo aquele que buscar a verdade arriscar-se-á a ser perseguido. Deve-se permanecer ocioso nas trevas? Ou deve-se acender um archote onde a inveja e a calúnia reacenderão suas tochas? No que me tange, acredito que a verdade não deve mais se esconder diante dos monstros e que não devemos abster-nos do alimento com medo de sermos envenenados”. Identifique a opção que melhor expressa esse pensamento de Voltaire. a) Aquele que se pauta pela razão e pela verdade não é um sábio, pois corre um risco desnecessário. b) A razão é impotente diante do fanatismo, pois esse sempre se impõe sobre os seres humanos. c) Aquele que se orienta pela razão e pela verdade deve munir-se da coragem para enfrentar o obscurantismo e o fanatismo. d) O fanatismo e o obscurantismo são coisas do passado e por isso a razão não precisa mais estar alerta. e) A razão envenena o espírito humano com o fanatismo. 76. (Uema 2010) Rousseau, para explicar como e onde crescem as desigualdades, aponta estágios. A humanidade ao se desenvolver os transpõe. Os estágios rousseaunianos são os seguintes: ( ) O estado de natureza e seus primeiros progressos. ( ) A idade do ouro. ( ) O primeiro progresso da desigualdade: a propriedade. ( ) O segundo progresso da desigualdade: os magistrados. Todos direitos reservados - www.seliganessahistoria.com.br - Página 21 de 39 http://www.seliganessahistoria.com.br/ 22/39 Lista de Exercícios : Filosofia | Filosofia Moderna ( ) O terceiro progresso da desigualdade: o despotismo. Coloque V para verdadeiro ou F para falso nas afirmações acima e, em seguida, marque a alternativa correta. a) V, V, F, F, V. b) V, V, V, V, V. c) F, F, V, V, V. d) V, V, V, F, V. e) F, F, F, F, F. 77. (Pucpr 2010) Segundo Rousseau, em seu hipotético “estado de natureza”, o homem é portador de duas faculdades naturais: a primeira delas é a liberdade e a segunda é a perfectibilidade, uma faculdade que, “com o auxílio das circunstâncias, desenvolve sucessivamente todas as outras e se encontra, entre nós, tanto na espécie quanto no indivíduo” (Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens, Primeira parte). Sobre essa segunda faculdade, leia as assertivas que seguem: I. Trata-se da capacidade do homem se aperfeiçoar física e espiritualmente. II. No caso do aperfeiçoamento físico, o homem se aproximaria da realização de sua natureza; no caso do espiritual, ao contrário, ele se distanciaria cada vez mais do seu “estado natural”. III. Como desdobramento da perfectibilidade, o homem acabaria por entrar num estado de infelicidade. IV. Ao mesmo tempo em que a perfectibilidade ajuda o homem a vencer os obstáculos da natureza, empurra-o a uma situação de degradação. Está(ão) correta(s): a) Apenas as assertivas I e II. b) Apenas as assertivas I, II e III. c) Apenas a assertiva III. d) Apenas a assertiva IV. e) Todas as assertivas. 78. (Unicentro 2010) “[...] Todos correram ao encontro de seus grilhões, crendo assegurar sua liberdade [...] Tal foi ou deveu ser a origem da sociedade e das leis, que deram novos entraves ao fraco e novas forças ao rico, destruíram irremediavelmente a vontade natural, fixaram para sempre a lei da propriedade e da desigualdade, fizeram de uma usurpação sagaz, um direito irrevogável e, para proveito de alguns ambiciosos, sujeitaram doravante todo o gênero humano, à servidão e à miséria”. (ROUSSEAU, J.-J. Discurso sobre a origem da desigualdade. In: WEFFORT, F. C. Os Clássicos da Política. São Paulo: Editora Ática: 1989-pg. 195). Todas as alternativas abaixo caracterizam o pensamento de Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), exceto uma. Assinale-a. a) Rousseau parece demonstrar extrema nostalgia do estado feliz em que vive o bom selvagem, quando é introduzida a desigualdade entre os homens, a diferenciação entre rico e pobre, o poderoso e o fraco e a predominância da lei do mais forte. b) O soberano é, para Rousseau, um representante eleito pelo povo que expressa a vontade geral. A democracia rousseauísta considera que é esse representante do povo que ratifica as leis, sendo a obediência às leis que caracteriza a liberdade. c) Para Rousseau, o contrato social, para ser legítimo, deve se originar do consentimento necessariamente unânime. Pelo pacto, o homem abdica de sua liberdade, mas sendo ele próprio parte integrante e ativa do todo social, ao obedecer à lei obedece a si mesmo e, portanto, é livre. d) Para Rousseau, a soberania do povo, manifesta pelo legislativo é inalienável, ou seja, não pode ser representada. A democracia rousseauísta considera que toda lei não ratificada pelo povo em pessoa é nula. e) Rousseau preconiza a democracia direta e participativa, mantida por meio de assembleias frequentes de todos os cidadãos. O mesmo homem enquanto faz a lei é um cidadão e, enquanto a obedece e se submete, é um súdito. 79. (Uel 2010) Nos Princípios Matemáticos de Filosofia Natural, Newton afirmara que as leis do movimento, assim como a própria lei da gravitação universal, tomadas por ele como proposições particulares, haviam sido “inferidas dos fenômenos, e depois tornadas gerais pela indução”. Kant atribui a estas proposições particulares, enquanto juízos sintéticos, o caráter de leis a priori da natureza. Entretanto, ele recusa esta dedução exclusiva das leis da natureza e consequente generalização a partir dos fenômenos. Destarte, para enfrentar o problema sobre a impossibilidade de derivar da experiência juízos necessários e universais, um dos esforços mais significativos de Kant dirige-se ao esclarecimento das condições de possibilidade dos juízos sintéticos a priori. Com base no enunciado e nos conhecimentos acerca da teoria do conhecimento de Kant, é correto afirmar: a) A validade objetiva dos juízos sintéticos a priori depende da estrutura universal e necessária da razão e não da variabilidade individual das experiências. b) Os juízos sintéticos a priori enunciam as conexões universais e necessárias entre causas e efeitos dos fenômenos por meio de hábitos psíquicos associativos. Todos direitos reservados - www.seliganessahistoria.com.br - Página 22 de 39 http://www.seliganessahistoria.com.br/ 23/39 Lista de Exercícios : Filosofia | Filosofia Moderna c) O sujeito do conhecimento é capaz de enunciar objetivamente a realidade em si das coisas por meio dos juízos sintéticos a priori. d) Nos juízos sintéticos a priori, de natureza empírica, o predicado nada mais é do que a explicitação do que já esteja pensado realmente no conceito do sujeito. e) A possibilidade dos juízos sintéticos a priori nas proposições empíricas fundamenta-se na determinação da percepção imediata e espontânea do objeto sobre a razão. 80. (Uenp 2010) “Ora, propondo-me publicar, um dia, uma Metafísica dos costumes, faço-a preceder deste opúsculo que lhe serve de fundamentação. Decerto não há, um rigor, outro fundamento em que da possa assentar, de não seja a Crítica de uma razão pura prática, do mesmo modo que, para fundamentar a Metafísica, se requer a Crítica da razão pura especulativa por mim já publicada. Mas, em parte, a primeira destas Críticas não é de tão extrema necessidade como a segunda, porque em matéria moral a razão humana, mesmo entre o comum dos mortais, pode ser facilmente levada a alto grau de exatidão e de perfeição, ao passo que no seu uso teorético, mas puro, daé totalmente dialética; e, em parte, no que concerne à Crítica de uma razão pura prática, para que ela seja completa, reputo imprescindível que se mostre ao mesmo tempo a unidade da razão prática e da razão especulativa num princípio comum; pois que, em última instância, só pode haver uma e a mesma razão, e só na aplicação desta há lugar para distinções. Ora, não me seria possível aqui realizar um trabalho tão esmiuçado e completo, sem introduzir considerações de ordem inteiramente diferente e sem lançar a confusão no ânimo do leitor. Por isso, em vez de dar a este livrinho o título de Crítica da razão pura prática, denominei-o Fundamentação da Metafísica dos costumes.” (Kant, Fundamentação da metafísica dos costumes, 1785) Sobre a filosofia moral de Kant, é correto afirmar que: a) Kant pretende construir uma filosofia moral particularista que parte da conduta e da ação individual. b) A proposta kantiana de ética passa pelo conceito de imperativo categórico que pode ser reduzido na seguinte assertiva: age de tal forma, que a máxima de sua ação possa ser universal. c) Kant usava suas concepções éticas para justificar as dominações políticas dos povos não europeus. d) A ética kantiana é relativista, como a dos sofistas combatidos por Sócrates na antiguidade clássica. e) O que constitui o bem de uma vontade boa e aquilo que ela efetivamente alcança. 81. (Uel 2010) Leia o texto a seguir: Como determinamos as regras do que é certo ou errado? Immanuel Kant (1724-1804) responde a essa pergunta da seguinte forma: é moralmente correta a ação que está de acordo com determinadas regras do que é certo, independente da felicidade resultante a um ou a todos. Kant não propõe uma lista de regras com conteúdo previamente determinado - como é o caso dos mandamentos religiosos, por exemplo -, mas formula uma regra para averiguar a correção da máxima que orienta nossa ação. Essa regra de averiguação é chamada imperativo categórico [...] (BORGES, M. de L.; DALL’AGNOL, D.; DUTRA, D. V. O que você precisa saber sobre... Ética. Rio de Janeiro: DP&A, 2002, p.15.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre o Imperativo Categórico kantiano, é correto afirmar: I. Constitui um princípio formal dado pela razão que visa à discriminação das máximas de ação, com a pretensão de verificar quais podem, efetivamente, enquadrar-se numa legislação universal. II. Representa a capacidade de a razão prática, do ponto de vista a priori, fornecer à vontade humana um dever incondicional com pretensão de universalidade e de necessidade. III. Compreende um princípio teleológico construído a partir da concepção valorativa do “bem viver” e que se impõe, como condição absoluta, na realização de ações e comportamentos das pessoas em geral. IV. Abrange a sabedoria prática, como condição inata de o ser humano deliberar e proceder, sempre de forma semelhante em relação às demais pessoas, no quesito das ações que envolvem virtude e prudência. Assinale a alternativa correta. a) Somente as afirmativas I e II são corretas. b) Somente as afirmativas II e IV são corretas. c) Somente as afirmativas III e IV são corretas. d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas. e) Somente as afirmativas I, III e IV são corretas. 82. (Uenp 2009) “Eu, Galileu, filho do falecido Vincenzo Galilei, florentino, de setenta anos de idade, intimado pessoalmente à presença deste tribunal e ajoelhado diante de vós, Eminentíssimos e Reverendíssimos Senhores Cardeais Inquisidores- Gerais contra a gravidade herética em toda a comunidade cristã, tendo diante dos olhos e tocando com as mãos os Santos Evangelhos, juro que sempre acreditei, que acredito, e, mercê de Deus, acreditarei no futuro, em tudo quanto é defendido, pregado e ensinado pela Santa Igreja Católica e Apostólica. Mas, Todos direitos reservados - www.seliganessahistoria.com.br - Página 23 de 39 http://www.seliganessahistoria.com.br/ 24/39 Lista de Exercícios : Filosofia | Filosofia Moderna considerando que [....] escrevi e imprimi um livro no qual discuto a nova doutrina (o heliocentrismo) já condenada e aduzo argumentos de grande força em seu favor, sem apresentar nenhuma solução para eles, fui, pelo Santo Oficio, acusado de veementemente suspeito de heresia, isto é, de haver sustentado e acreditado que o Sol está no centro do mundo e imóvel, e que a Terra não está no centro, mas se move; desejando eliminar do espírito de Vossas Eminências e de todos os cristãos fiéis essa veemente suspeita concebida mui justamente contra mim, com sinceridade e fé verdadeira, abjuro, amaldiçoo e detesto os citados erros e heresias, e em geral qualquer outro erro, heresia e seita contrários à Santa Igreja, e juro que no futuro nunca mais direi nem afirmarei, verbalmente nem por escrito, nada que proporcione motivo para tal suspeita a meu respeito.” Analisando o texto, o momento e as circunstâncias em que foi escrito, julgue as proposições: I. As ideias racionalistas, que decorrem da teologia racional do final da Idade Média, tiveram amplo apoio da aristocracia rural, que as usou como argumentação para combater o poder do clero. II. As ideias de Galileu, segundo o ofício, foram aceitas pela Igreja, mas condenadas pelo Tribunal do Santo Ofício; Galileu, por essa razão, teve de retratar-se. III. Bacon, Spinoza, Newton, assim como Galileu, entre outros, enfrentaram as ideias tradicionais então vigentes, criando as bases do racionalismo e do pensamento científico, que deram a tônica do pensamento moderno. IV. Trata-se da retratação de Galileu Galilei, que em seus estudos de astronomia negou a concepção geocentrista aceita, até então, por grande parte dos astrônomos e defendeu que o Sol, e não a Terra, seria o centro do Universo. O geocentrismo era fundamentado basicamente em passagens bíblicas e na cosmologia aristotélica. V. Galileu é um dos vultos do Renascimento. O Renascimento vai marcar uma mudança de mentalidade e a afirmação de novos valores, entre outros, o individualismo, o humanismo e o antropocentrismo. Assinale a alternativa correta: a) são falsas apenas I e II. b) são verdadeiras apenas I, II e III. c) todas são falsas. d) todas são verdadeiras. e) são verdadeiras apenas III e V. 83. (Pucpr 2009) “Ciência e poder do homem coincidem, uma vez que, sendo a causa ignorada, frustra-se o efeito. Pois a natureza não se vence, se não quando se lhe obedece. E o que à contemplação apresenta-se como causa é regra na prática”. Em relação a esse aforismo III do Livro I do Novum Organum de Francis Bacon, considere a alternativa que apresenta a interpretação correta: a) O saber, para Bacon, é uma forma de alterarmos as leis da natureza e, com isso, seus fenômenos podem ser controlados tendo em vista um benefício humano. b) O autor menciona que o conhecimento, o saber, está ligado ao poder, ou seja, mediante o conhecimento é possível, de maneira segura e rigorosa, conquistar o poder sobre a natureza. c) Para Bacon, é inerente ao saber uma forma de controle sobre a natureza, mas principalmente sobre as pessoas, possibilitando um poder incondicional ao detentor do saber. d) O saber já possui um valor em si mesmo, o que conduz, consequentemente, de acordo com Bacon, a um poder. e) O que Bacon pretende dizer é que o saber nem sempre tem uma relação com a prática e que é a conveniência individual desse saber que determina seu valor. 84. (Uel 2009) [...] chamamos esses lugares de regiões superiores. [...] Tais torres, conforme sua altura e posição, servem para experimentos de isolamento, refrigeração e conservação, e para as observações atmosféricas, como o estudo dos ventos, da chuva, da neve, granizo e de alguns meteoros ígneos. (BACON, F. Nova Atlântida. São Paulo: Nova Cultural. 1997. P; 246.) De acordo com o texto e os conhecimentos sobre os subtemas, pode-se afirmar que o pensamento de Francis Bacon:a) Reconhece e valoriza o distanciamento da realidade preconizado pelos autores da escolástica. b) Rejeita a máxima “saber é poder” e compreende a ciência como meio de controle sobre os seres humanos. c) Está voltado para o problema do método e para a defesa da experimentação. d) Considera o acesso à verdade como um processo que resulta do método dialético e que parte dos dados gerais para chegar ao particular. e) Estrutura, assim como de Platão, sua “utopia política”, tendo como base a sociedade organizada em trabalhadores, soldados e governantes. 85. (Ufla 2009) “A razão é uma estrutura vazia, uma forma pura sem conteúdos. Essa estrutura é que é universal, a mesma para todos os seres humanos, em todos os tempos e lugares. Essa estrutura é inata, isto é, não é adquirida pela experiência. Por ser inata e Todos direitos reservados - www.seliganessahistoria.com.br - Página 24 de 39 http://www.seliganessahistoria.com.br/ 25/39 Lista de Exercícios : Filosofia | Filosofia Moderna não depender da experiência para existir, a razão é, do ponto de vista do conhecimento, anterior à experiência e independente da experiência. Os conteúdos que a razão conhece e nos quais ela pensa, dependem da experiência. Sem ela (a experiência) a razão seria sempre vazia, inoperante, nada conheceria. A experiência fornece a matéria (os conteúdos) do conhecimento para a razão e essa fornece a forma do conhecimento”. De acordo com o texto, assinale a alternativa CORRETA. a) O conteúdo, a matéria do conhecimento, é inato. b) A estrutura da razão é inata. c) A estrutura da razão é adquirida por experiência. d) A experiência fornece a forma do conhecimento para a razão. 86. (Uel 2009) De há muito observara que, quanto aos costumes, é necessário às vezes seguir opiniões, que sabemos serem muito incertas, tal como se fossem indubitáveis [...]; mas, por desejar então ocupar-me somente com a pesquisa da verdade, pensei que era necessário agir exatamente ao contrário, e rejeitar como absolutamente falso tudo aquilo em que pudesse imaginar a menor dúvida, a fim de ver se, após isso, não restaria algo em meu crédito, que fosse inteiramente indubitável [...] E, tendo notado que nada há no eu penso, logo existo, que me assegure de que digo a verdade, exceto que vejo muito claramente que, para pensar, é preciso existir, julguei poder tomar como regra geral que as coisas que concebemos mui clara e mui distintamente são todas verdadeiras [...]. (DESCARTES, R. Discurso do Método. Quinta Parte. Os Pensadores. São Paulo: Nova Cultural, 1991. p. 46- 47.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre o pensamento de Descartes, é correto afirmar. a) A dúvida metódica permitiu a Descartes compreender que todas as ideias verdadeiras procedem, mediata ou imediatamente, das impressões de nossos sentidos e pela experiência. b) A clareza e a distinção das ideias verdadeiras representam apenas uma certeza subjetiva, além da qual, apesar da radicalização da dúvida metódica, não se consegue fundamentar a objetividade da certeza científica. c) Somente com o cogito, a concepção cartesiana das ideias claras e distintas, inatas ao espírito humano, garante definitivamente que o objeto pensado pelo sujeito é determinado pela realidade fora do pensamento. d) Do exercício da dúvida metódica, no itinerário cartesiano, a certeza subjetiva do cogito constitui a primeira verdade inabalável e, portanto, modelo das ideias claras e distintas. e) A dúvida cartesiana, convertida em método, rende- se ao ceticismo e demonstra a impossibilidade de qualquer certeza consistente e definitiva quanto à capacidade do intelecto de atingir a verdade. 87. (Ufla 2009) “Conhecimento racional é a síntese que a razão realiza entre uma forma universal inata e um conteúdo particular oferecido pela experiência. O que existe como estrutura da razão é anterior à experiência. Assim, forma é aquilo sem o que não haveria percepção ou captação da experiência. A razão tem a percepção de todas as coisas como realidades espaciais e temporais. Assim, o espaço e o tempo existem em nossa razão antes e sem a experiência. O conhecimento da realidade como ela é em si, não é possível, mas pode ser conhecida a forma como ela (a realidade) se apresenta (fenômeno)”. De acordo com o texto, assinale a alternativa CORRETA. a) Espaço e tempo são formas inatas existentes na razão. b) A forma universal inata é percebida na experiência. c) A razão pode conhecer a realidade em si. d) A realidade em si é a forma como ela se apresenta. 88. (Uel 2009) Fui nutrido nas letras desde a infância, e por me haver persuadido de que, por meio delas, se podia adquirir um conhecimento claro e seguro de tudo o que é útil à vida, sentia extraordinário desejo de aprendê-las. Mas, logo que terminei todo esse curso de estudos, ao cabo do qual se costuma ser recebido na classe dos doutos, mudei inteiramente de opinião. Pois me achava enleado em tantas dúvidas e erros, que me parecia não haver obtido outro proveito, procurando instruir-me, senão o de ter descoberto cada vez mais a minha ignorância. E, no entanto, estivera numa das mais célebres escolas da Europa, onde pensava que deviam existir Todos direitos reservados - www.seliganessahistoria.com.br - Página 25 de 39 http://www.seliganessahistoria.com.br/ 26/39 Lista de Exercícios : Filosofia | Filosofia Moderna homens sapientes, se é que existiam em algum lugar da Terra. (DESCARTES, R. Discurso do Método. 3ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, I994. p. 43.) O texto aponta a insatisfação que assola Descartes ao término dos seus estudos. Dentre os motivos que conduziram Descartes a essa avaliação, pode-se citar: I. A situação da filosofia, envolta em multas dúvidas. II. A ausência de um método adequado, inspirado na matemática, capaz de conduzir com segurança ao conhecimento do verdadeiro. III. A crítica à educação, cuja base epistemológica se mantém construída sobre pressupostos empíricos. IV. A separação, existente desde o século XV, entre ciências do espírito e ciências da natureza. Assinale a alternativa correta. a) Somente as afirmativas I e II são corretas. b) Somente as afirmativas II e IV são corretas. c) Somente as afirmativas III e IV são corretas. d) Somente as afirmativas I, lI e III são corretas. e) Somente as afirmativas I, lII e IV são corretas. 89. (Ufma 2009) “Os utopianos admiram-se de que seres razoáveis possam se deleitar com a luz incerta e duvidosa de uma pedra ou de uma pérola, quando tem os astros e o sol com que encher os olhos. Encaram como louco aquele que se acredita mais nobre e mais estimável só porque está coberto com uma lã mais fina, lã tirada das costas de carneiro, e que foi usada primeiro por esse animal. Admiram-se que o ouro, inútil por sua própria natureza, tenha adquirido um valor fictício tão considerável que seja mais estimado do que o homem; ainda que somente o homem lhe tenha dado esse valor e dele se utilize, conforme seus caprichos.” (MORE, Thomas. A utopia. Trad. Luis de Andrade, São Paulo: Nova Cultural, 1988. Col. Os Pensadores) A Utopia, de Thomas More, procura pensar sobre a condição humana e social da Europa renascentista do sec. XVI. Dentro dessa condição humana e social está a problemática do modelo de beleza. Qual a visão do autor sobre esse tema? a) Afirma a existência de um padrão universal de beleza. b) Aponta um ideal de beleza universal, fundado na estética mercantilista. c) Defende a beleza para fins utilitários, visando, essencialmente, ao prazer corpóreo. d) Elogia o culto a beleza como desnecessária para a felicidade. e) Denuncia a estética consumista e utilitarista do mercantilismo. 90. (Uel 2009) O princípio de toda ação está na vontade de um ser livre, não poderíamos remontar além disso. [...] não há verdadeiravontade sem liberdade. O homem, portanto, é livre em suas ações [..]. Se o homem é ativo e livre, ele age por si mesmo. Tudo o que faz livremente não entra no sistema ordenado da Providência e não lhe pode ser imputado. [...] A consciência é a voz da alma, as paixões são a voz do corpo. [...] [A consciência] é o verdadeiro guia do homem; ela está para a alma assim como o instinto está para o corpo: quem a segue obedece à natureza e não tem medo de se perder [...] Existe, pois, no fundo das almas um princípio inato de justiça e de virtude a partir do qual, apesar de nossas próprias máximas, julgamos nossas ações e as de outrem como boas ou más, e é a esse princípio que dou o nome de consciência. (ROUSSEAU, J. J. Emilio ou da Educação. São Paulo. Martins Fontes, 2004. p. 396; 405; 409V) Com base no texto e nos conhecimentos sobre o pensamento moral de Jean-Jacques Rousseau, é correto afirmar. a) Rousseau reafirma que o fundamento objetivo dos juízos morais está em Deus, que ilumina a consciência humana e nela inspira o “princípio inato de justiça e de virtude”. b) Herdeiro do pensamento de Platão, Rousseau defende que a prática do bem coincide com a Todos direitos reservados - www.seliganessahistoria.com.br - Página 26 de 39 http://www.seliganessahistoria.com.br/ 27/39 Lista de Exercícios : Filosofia | Filosofia Moderna busca interminável do conhecimento da verdade e da justiça. c) Rousseau reafirma que, por meio da consciência, o ser humano é movido pela busca da felicidade, alcançada pela reflexão e pelo desprezo dos desejos e das paixões. d) Rousseau rejeita que o fundamento da moral seja a conformidade com a lei divina, afirmando a crença na objetividade de uma lei natural, anterior a qualquer lei positiva. e) Rousseau recusa aceitar a existência de noções morais anteriores à experiência humana e defende que o ser humano é naturalmente movido pela busca do prazer. 91. (Uel 2009) Oswald de Andrade, no Manifesto Antropofágico, procurou transformar o “bom selvagem” de Rousseau num aguerrido selvagem devorador, que digere e transforma a cultura europeia do colonizador, tornando-a parte de sua própria cultura. Considerando a questão do “bom selvagem” no pensamento de Rousseau, é correto afirmar. a) A idealização do bom selvagem, no estado de natureza, representa a exaltação da animalidade do homem primitivo que, no estado civil, adquire forma agressiva. b) A felicidade original do bom selvagem se realiza no suor de seu trabalho em sua propriedade, de onde retira o necessário para a sua sobrevivência. c) O homem, degenerado pela civilização, só poderá recuperar a felicidade no estado de natureza com o retorno à vida isolada no meio das florestas. d) No estado de natureza, o bom selvagem busca satisfazer sua necessidade inata de reconhecimento de si e de admiração pelo outro. e) No estado de natureza, o bom selvagem é autossuficiente e vive isolado, sobrevivendo com o que a natureza lhe provê e de acordo com suas necessidades inatas. 92. (Pucpr 2009) De acordo com as intenções de Rousseau em Discurso sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homens, considere as seguintes afirmações: I. Nessa obra, Rousseau analisa a degeneração da moralidade da natureza humana e atribui responsabilidade à própria civilização pela queda moral do homem. II. A sociedade, ao ver de Rousseau, impôs aos seus indivíduos uma uniformidade artificial de comportamento, levando-os a ignorar os deveres e as necessidades fundamentais da natureza humana. III. O desenvolvimento da sociedade, para Rousseau, trouxe a possibilidade de o homem fazer uso de seu livre-arbítrio, tornando-se autossuficiente. Assinale a alternativa verdadeira: a) As três afirmações estão incorretas. b) As afirmações I e III estão corretas. c) Apenas a afirmação I está correta. d) Apenas a afirmação III está correta. e) As afirmações I e II estão corretas. 93. (Ufu 2009) No texto que se segue, Marilena Chauí comenta a estrutura da sensibilidade em Kant. “A forma da sensibilidade é o que nos permite ter percepções, isto é, a forma é aquilo sem o que não pode haver percepção, sem o que a percepção seria impossível.” CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 1995. p. 78. Marque a alternativa que explicita corretamente a forma da sensibilidade para Kant. a) A forma da sensibilidade é constituída por impressões e sensações, a partir das quais captamos todos os conteúdos da experiência possível. b) A forma da sensibilidade é retirada da experiência, com a qual aprendemos as noções fundamentais de número e extensão. c) A forma da sensibilidade é constituída pelos cinco sentidos, que produzem todas as imagens possíveis da experiência. d) A forma da sensibilidade não é dada pela experiência, mas possibilita a experiência, sendo constituída pelo espaço e pelo tempo. 94. (Ueg 2009) Leia a citação abaixo: “(...) Pois segundo essa lei, não poderia haver propriamente promessa alguma, já que seria inútil afirmar a minha vontade quanto às minhas futuras ações, pois as pessoas não acreditariam em meu fingimento, ou, se precipitadamente o fizessem, pagar-me-iam na mesma moeda. Portanto, a minha máxima, uma vez arvorada em lei universal, destruir- se-ia a si mesma necessariamente”. KANT, Immanuel. Fundamentos da metafísica dos costumes e outros escritos. São Paulo: Martin Claret, 2004. p. 13. No texto citado acima o autor se refere a) à crítica da razão pura. b) ao conhecimento a posteriori. c) ao conhecimento a priori. d) ao imperativo categórico. Todos direitos reservados - www.seliganessahistoria.com.br - Página 27 de 39 http://www.seliganessahistoria.com.br/ 28/39 Lista de Exercícios : Filosofia | Filosofia Moderna Gabarito: Resposta da questão 1: [E] A produção científica de Galileu Galilei se caracterizou pela adoção do método científico – que se baseia na experimentação prática sistematizada – para fundamentar formulações teóricas. Assim, a importância de Galilei para a ciência moderna está no fato de que sua prática científica consistia na descrição dos fenômenos aliada à observações experimental, para chegar à leis gerais expressas matematicamente. Para ele, “A filosofia encontra-se escrita neste grande livro que continuamente se abre perante nossos olhos (isto é, o universo), que não se pode compreender antes de entender a língua e conhecer os caracteres com os quais está escrito. Ele está escrito em língua matemática, os caracteres são triângulos, circunferências e outras figuras geométricas, sem cujos meios é impossível entender humanamente as palavras; sem eles, vagamos perdidos dentro de um obscuro labirinto”. Nesse sentido, Galilei se contrapõe à tradição aristotélica, lançando as bases da ciência moderna. Resposta da questão 2: [C] De acordo com uma visão cartesiana, a natureza deve ser compreendida pela razão, podendo servir às necessidades humanas. Essa concepção é, em certo sentido, próxima àquela descrita no texto da questão. Resposta da questão 3: [A] A partir da leitura do texto e, principalmente, do trecho “[É] uma coisa bem notável que não haja homens [...] que não sejam capazes de arranjar em conjunto diversas palavras e de compô-las num discurso pelo qual façam entender seus pensamentos”, infere-se que, para Descartes, a linguagem constitui um instrumento para a expressão e comunicação dos pensamentos humanos. Assim, o pensamento precede a linguagem, sendo esta última o elemento que permite ao primeiro ser entendido. Assim, a alternativa [A] é a única que deve ser identificada como correta. Resposta da questão 4: [E] [A] Incorreta. Não é a língua por si só que abriga o preconceito, mas sim a adesão irrefletida à autoridade motivada pela fé cega. Por essa razão, a criticidade não é garantida pelo mero abandono do latim em favor do francês.[B] Incorreta. Redigir o Discurso do Método em francês não teve por objetivo dar acesso à sacralidade de um texto. Ao contrário, deslocou a suposta legitimidade de um texto simplesmente por ter sido escrito em latim. Além disso, instaurou um gesto crítico com relação à autoridade das explicações da natureza e do humano, vinculadas à supremacia explicativa dos autores antigos, principalmente de Aristóteles e dos aristotélicos medievais. Além disso, o gesto cartesiano, na medida em que apela para uma “razão natural inteiramente pura”, possui um espírito completamente distinto do gesto de Lutero, pois, diferentemente deste, não há a sacralidade do texto. Existe, sim, a apresentação do método por meio do qual é possível chegar à verdade, baseado não na fé, mas na razão. [C] Incorreta. Descartes, além de não abandonar a ideia de Deus, apreende-a como uma ideia perfeita que surge ao pensamento, por meio da qual garante a objetividade do mundo exterior ao pensamento. [D] Incorreta. Embora haja uma crítica à tradição, ou mais precisamente, às práticas históricas que sustentam determinados pressupostos, muito mais por hábito e crença do que por razões sustentadas em argumentos, no Discurso do Método, Descartes apresenta uma “moral provisória”, que valeria enquanto não se chegasse a estabelecer novos fundamentos para o conhecimento. A primeira máxima dessa moral consistia em “obedecer às leis e aos costumes do meu país”. [E] Correta. A novidade do pensamento de Descartes, que faz com que ele seja definido na posteridade como o filósofo que inaugurou a modernidade filosófica, consiste em submeter a validação e legitimação de qualquer teoria, não mais à fé ou à crença religiosa, e sim, aos poderes da “razão natural inteiramente pura”. O famoso “Eu, eu penso, eu, eu existo”, ou “penso, logo existo”, é a primeira verdade que inaugura a série de verdades posteriores, sendo algo a que se chega pelo pensamento, não mais por meio da revelação. Resposta da questão 5: [B] [A] Incorreta. A propriedade não resulta de um ato tardio da sociedade civil, sendo antes o ato de inauguração da própria sociedade civil. Além disso, a instauração da propriedade não busca satisfazer necessidades naturais, e sim busca satisfazer o excesso, tudo aquilo que no humano excede o natural. Além disso, estado de natureza e sociedade civil são conceitos antagônicos. [B] Correta. Para Rousseau, a condição biológica e espiritual natural, na qual o homem existiria antes do surgimento da sociedade civil, caracteriza o seu estado de natureza, no qual as ações humanas estariam baseadas nos seus instintos de sobrevivência, de modo que elas não seriam nem boas nem más, ou seja, não seriam guiadas a Todos direitos reservados - www.seliganessahistoria.com.br - Página 28 de 39 http://www.seliganessahistoria.com.br/ 29/39 Lista de Exercícios : Filosofia | Filosofia Moderna partir de uma moral. A passagem da condição natural para a condição social, segundo Rousseau, teria ocasionado a corrupção da pureza humana característica da primeira condição, levando ao surgimento de novas necessidades para a manutenção da vida coletiva, como a adequação das ações humanas a um padrão de comportamento social, vinculado à uma moral, criando uma ruptura radical do indivíduo com o seu estado natural, afastando-o do mesmo. [C] Incorreta. Se para Rousseau a sociedade civil foi primitivamente fundada na propriedade e se a fundação da propriedade é ilegítima, resultando de astúcia, coerção ou força, o ato de instauração da propriedade privada não é legitimado racionalmente. Não há legitimação racional possível de algo fundado em arbítrio privado, razão pela qual também não é possível sustentar sua suposta universalidade, tendo em vista que as motivações são particulares. [D] Incorreta. Para Rousseau, “O primeiro sentimento do homem foi o de sua existência, sua primeira preocupação a de sua conservação” (ROUSSEAU, Discurso sobre a origem e os fundamentos... p. 260). Assim, a defesa incondicional e irrestrita da propriedade como um fato inerente à própria natureza humana já expressa uma perversão da própria compreensão da natureza humana. Antes de pensar: “isso é meu”, o homem sente: “eu existo”. Além disso, uma parte significativa disso que chamamos “necessidades” resulta, não de uma disposição natural, e sim do arbítrio, do supérfluo, instaurado justamente pelo excesso produzido pela propriedade privada. [E] Incorreta. A perfectibilidade, a “faculdade humana de aperfeiçoar-se” (ROUSSEAU, Discurso sobre a origem e os fundamentos..., p. 243), restringe- se a operações muito elementares, tais como “[...] querer e não querer, desejar e temer” (ROUSSEAU, Discurso sobre a origem e os fundamentos..., p. 244), as quais “serão as primeiras e quase que as únicas operações de sua alma” (ROUSSEAU, Discurso sobre a origem e os fundamentos..., p. 244) em estado de natureza, e é precisamente isso que a instauração da propriedade e da sociedade civil subverterão, irremediavelmente. Portanto, a instauração da sociedade civil e da propriedade civil não expressa a perfectibilidade humana, mas um modo avançado de decadência. Resposta da questão 6: [E] A forma de vida defendida tanto por Rousseau quanto por Tolstói está vinculada a uma experiência estético-romântica, na medida em que valoriza atributos como a sinceridade, a impulsividade e a coragem. Resposta da questão 7: [B] Para Kant, pensador iluminista, a filosofia moral estaria fundamentada em princípios racionais, sendo a razão o único fundamento que daria validade à moral humana. Com efeito, a ação moral estaria condicionada ao sujeito epistemológico, ou seja, à estrutura cognitiva que é universal e necessária, e não ao sujeito subjetivo, individual. Por ser racional, portanto, o indivíduo deveria agir segundo uma razão pura prática de validade universal, ideia expressa na conhecida frase de Kant: “age só segundo máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal”. A partir do exemplo da mentira, Kant aponta que a mesma não poderia ser usada sem cair em uma autocontradição moral, pois o indivíduo particular representaria uma moral geral, de toda a humanidade, como aponta a alternativa [B]. Resposta da questão 8: [E] Essa famosa formulação de Kant diz respeito tanto ao imperativo categórico (lei moral em mim) e ao seu conceito de fenômeno (o céu estralado sobre mim). Resposta da questão 9: [D] A partir do conhecimento acerca da filosofia kantiana e do texto, que indica o aspecto da constituição cidadã que destaca a dignidade e os direitos como elementos da condição de pessoa humana, o aluno deve identificar que o texto constitucional apresenta o indivíduo como um fim em si mesmo. Ou seja, o reconhecimento da dignidade e dos direitos que devem ser respeitados e garantidos pressupõe o caráter não-pragmático, pois não se fundamenta em um valor ou preço, da condição de pessoa, de modo que a autonomia enquanto ser racional constitui, ela mesma, a fundamentação para esse reconhecimento. Para Kant, a dignidade não é concebida enquanto preço, mas como uma qualidade própria de indivíduos racionais que, no uso da sua autonomia, exercem a sua razão prática. Resposta da questão 10: [E] O contexto apontado pela questão se caracteriza pela ruptura com o paradigma que fundamentava o processo para a obtenção do conhecimento dito científico dominante até então. A mudança cultural que se processa lança novas bases para a atividade intelectual, valorizando o pensamento crítico e racional, o que implica o livre pensar, em contraposição à aceitação dos dogmas religiosos e da autoridade clerical como “verdades reveladas”. Resposta da questão 11: [E] Todos direitos reservados - www.seliganessahistoria.com.br - Página 29 de 39 http://www.seliganessahistoria.com.br/ 30/39 Lista de Exercícios : Filosofia | Filosofia Moderna De acordo com o pensamentode Francis Bacon, filósofo empirista, o método de interpretação da natureza mais adequado é o método científico indutivo, baseado na observação metódica dos fenômenos da natureza. Assim, a proposta desse filósofo rompe com o pensamento predominante da época, ao apontar a necessidade de uma nova atitude intelectual para se chegar à verdade. Resposta da questão 12: [A] Ao lançar as bases para as ciências modernas, Descartes cria um método científico baseado na razão para a obtenção do conhecimento. Para chegar a verdades ordenadas racionalmente, o método científico estabelece regras de investigação dedutiva. A regra apresentada pelo texto abordado envolve o processo de dividir os problemas no maior número de partes possível, a fim de melhor resolvê-los, regra que ficou conhecida como regra da análise, apresentada na alternativa [A]. Resposta da questão 13: [D] O pensamento cartesiano, que introduz as bases para as ciências modernas, apresenta como fundamentação do conhecimento a dúvida metódica, a partir da qual todo conhecimento seria posto em dúvida, eliminando, dessa forma, as falsas percepções tomadas erradamente como certezas, condição a partir da qual seria possível chegar a um conhecimento indubitável. A partir disso, Descartes cria um método científico baseado na razão para a obtenção do conhecimento, o que influenciou o pensamento cultural francês, como corretamente indicado pela alternativa [D]. Resposta da questão 14: [C] A filosofia de Espinosa envolve propõe o entendimento dos afetos para que se possa utilizar-se deles para atingir uma maior perfeição. Para ele, um afeto de alegria eleva a alma para uma potência maior de pensar e existir, aproximando o indivíduo da realidade do mundo e de si mesmo, o que leva a uma maior perfeição. Por sua vez, um afeto de tristeza é uma afecção leva a alma à uma condição menor de potência, diminuindo a capacidade de existir e agir, passando a uma perfeição menor. Resposta da questão 15: [E] Para Kant, os juízos são estruturas que formulam o processo do conhecimento, sendo alguns juízos necessários e universais e, portanto, puros e a priori. Esses juízos, para ele, possibilitam o conhecimento denominado puro, ou seja, o conhecimento que está relacionado à estrutura cognitiva humana a priori, independentemente da experiência empírica. Resposta da questão 16: ANULADA Questăo anulada no gabarito oficial. O enunciado da questăo afirma que “os juízos a posteriori săo todos sintéticos”, no entanto, Kant classifica esses juízos em juízos sintéticos a priori e juízos sintéticos a posteriori, de modo que também os juízos sintéticos podem ser a priori. Ademais, a questăo apresenta duas alternativas corretas, no caso, as alternativas [C] e [D]. Justificativa: [C] De acordo com a proposta epistemológica kantiana e com a alternativa [C], o juízo analítico, por ser a priori, é universal e necessário. Esse tipo de juízo se caracteriza, ainda, pela relaçăo direta que o predicado possui com o sujeito, de modo que o predicado está contido no sujeito, enquanto nos juízos sintéticos o predicado está fora do sujeito, ou seja, o predicado năo está contido no sujeito, estando “fora” dele, sendo a relaçăo entre eles uma relaçăo de ampliaçăo. [D] A alternativa [D], por sua vez, também está correta pois, segundo Kant, săo universais e necessários tanto os juízos analíticos quanto os juízos sintéticos a priori, sendo que nos do segundo tipo o predicado năo está contido no sujeito, ou seja, o predicado năo está diretamente relacionado com o sujeito, estando além do sujeito, como indicado pela alternativa. Tendo em vista estas consideraçőes, a anulaçăo da questăo é justificada. Resposta da questão 17: [D] Para Kant, a sublimidade das coisas da natureza não está contida na própria natureza, mas sim no indivíduo, uma vez que ele possui consciência da sua superioridade em relação à natureza. Para ele, não existe faculdade que provoca a sublimidade, sendo esse sentimento provocado quando a faculdade responsável pela imaginação, diante da contemplação de eventos naturais de grande magnitude, reconhece o domínio próprio da natureza humana, a partir do reconhecimento que eventos naturais provocam. Não seria, assim, o reconhecimento do medo, uma vez que não se estaria em uma situação de real ameaça, mas o reconhecimento da força humana enquanto seres racionais. Resposta da questão 18: [D] Todos direitos reservados - www.seliganessahistoria.com.br - Página 30 de 39 http://www.seliganessahistoria.com.br/ 31/39 Lista de Exercícios : Filosofia | Filosofia Moderna As reflexões metafísicas que marcam o período renascentista são caracterizadas pela mudança em relação ao modo como se percebiam essas questões até então, uma vez que houve uma valorização do pensamento racionalista em detrimento da perspectiva dogmática defendida, sobretudo, pelos representantes eclesiásticos da Igreja, caracterizando a adoção de uma postura crítica frente ás ideias apresentadas como verdades absolutas. Resposta da questão 19: [C] Para Descartes, o conhecimento filosófico não se limita à abstração teórica, mas se aplica ao conhecimento prático científico, fundamentando o uso correto da razão humana de forma a possibilitar a obtenção do conhecimento. Resposta da questão 20: [E] Descartes, ao defender a dúvida metódica como base do pensamento filosófico, inaugura um novo princípio para fundamentar as ciências. Assim, o racionalismo cartesiano, baseado na dúvida sistemática e na certeza da existência de um sujeito pensante, rompe com o pensamento científico clássico e fornece as bases das ciências modernas. Resposta da questão 21: [B] Espinosa, no texto, critica a tradição filosófica que trata a natureza dos modos de agir humanos a partir de uma concepção idealizada, afastando-se, dessa forma, da realidade que condiciona o comportamento dos indivíduos, ideia presente na alternativa [B]. Resposta da questão 22: [B] Para Hume, a noção de causalidade se forma a partir da imaginação humana que cria a relação de necessidade a partir da identificação reiterada das mesmas “cenas da natureza”. Ou seja, relaciona-se causa e efeito através da inferência de que um objeto existe pela existência de um outro antecedente, afirmando-se o efeito pela causa. No entanto, esse raciocínio conduziria ao erro, pois não haveria fundamento lógico que garantisse o mesmo efeito, ainda que a causa se repetisse. Por exemplo: não há relação necessária entre fumaça e fogo, mas, devido a percepção, em vários momentos, da existência de fogo quando se tem fumaça nos céus, passou-se a relacionar, quase que imediatamente, a existência de fogo quando se tem fumaça nos céus. Essa ideia não teria lugar diante da inconstância da natureza pois a repetição é fundamental na criação de relações entre os elementos que compõem as cenas naturais, os fenômenos. Resposta da questão 23: [C] David Hume tem como uma das questões centrais em sua teoria filosófica a relação entre causa e efeito. Para ele, essa relação fornece a base para todos os raciocínios, e consiste na inferência de que um objeto existe pela existência de um outro antecedente, ou seja, afirma-se o efeito pela causa. Para Hume, essa relação causal entre objetos é baseada na experiência, sendo, portanto, a posteriori, pois inferir o efeito pela causa só é possível porque existe uma ligação entre os objetos que é percebida empiricamente. Resposta da questão 24: [A] No pensamento de Rousseau, em seu estado natural, os homens existiam em condições de igualdade em relação uns aos outros, sendo livres. O surgimento da propriedade privada, no entanto, teria instituído um estado de desigualdade entre os homens, uma vez que aqueles que não a detém estariam subordinados aos que a possuem. Partindo- se dessa consideração, a única alternativa que apresenta uma proposição convergente com as ideias de Rousseau é a alternativa[A]. Resposta da questão 25: [E] Para Kant, o esclarecimento pressupõe a capacidade do indivíduo de fazer uso da sua própria razão de forma autônoma, ou seja, a partir do uso de seu próprio entendimento de maneira independente do entendimento alheio. A autonomia de pensamento característica do esclarecimento implica, por sua vez, a liberdade, o que inclui a possibilidade do indivíduo de se expressar livremente, realizando o uso público da sua razão, como constatado na alternativa [E]. Resposta da questão 26: [C] A filosofia moral formulada por Kant se fundamenta na razão humana e no imperativo categórico, segundo o qual a ação moral tem fim e valor em si mesma e é uma norma universal. A partir dessas considerações e do trecho “Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal”, o aluno deve identificar a alternativa [C] como correta. Resposta da questão 27: [B] A concepção de menoridade kantiana, como indicado pelo texto, se caracteriza pelo não uso da razão de forma autônoma pelo indivíduo, de modo que ele adota a razão de outrem, estando, portanto, em um estado de menoridade. Todos direitos reservados - www.seliganessahistoria.com.br - Página 31 de 39 http://www.seliganessahistoria.com.br/ 32/39 Lista de Exercícios : Filosofia | Filosofia Moderna Resposta da questão 28: [A] Para Kant, os indivíduos possuem estruturas ou faculdades cognitivas que possibilitam a experiência e o entendimento, sendo essas estruturas existentes a priori, ou seja, estariam presentes nos indivíduos desde o nascimento, não dependendo de nenhuma condição empírica de aquisição. Entre essas estruturas, estaria a noção de tempo, de modo que o tempo seria uma forma a priori da sensibilidade, condicionante da apreensão dos fenômenos empíricos, como apontado pela alternativa [A]. Resposta da questão 29: [A] Para Rousseau, pensador representante do movimento filosófico iluminista, o poder do Estado deveria existir enquanto representante dos interesses dos cidadãos, tendo sua autoridade legitimada pela escolha popular e pelo atendimento das demandas coletivas da sociedade civil, ideia que está presente na alternativa [A]. Resposta da questão 30: [A] Para Bacon, filósofo representante do método de investigação científico empirista, os ídolos levam os homens a adotar falsas noções que dificultam o acesso da mente humana à verdade, dificultando, assim, o avanço científico. Nessa perspectiva, esse pensador defende um pensamento científico baseado no afastamento do homem das paixões e dos preconceitos. Resposta da questão 31: [C] A filosofia empirista de David Hume estabelece uma crítica ao raciocínio indutivo que pode ser observada no texto, no qual Hume argumenta que o pensamento indutivo não possui fundamentação lógica, uma vez que partiria de uma crença de que percepções repetidas irão sempre se repetir, quando nada poderia garantir essa certeza. Para Hume, apenas o raciocínio dedutivo fundamentado na matemática faz uso da lógica, o que justifica a alternativa [C]. A classificação de Hume como filósofo empirista pode gerar dúvida em relação à alternativa [B], no entanto, apesar da teoria do conhecimento desse filósofo se basear na rejeição da existência de ideias inatas que independam das impressões empíricas, a crítica ao raciocínio indutivo formulada por ele invalida essa alternativa. Resposta da questão 32: [D] Segundo a filosofia cartesiana, o processo de conhecimento só é possível a partir da aplicação do método da dúvida metódica, que implicaria um questionamento radical de toda ideia anteriormente existente. Descartes estabelece, no entanto, o princípio “eu sou, eu existo” como indubitavelmente necessário para o conhecimento. Resposta da questão 33: [C] Para Kant, o modo como a razão humana opera caracteriza o ser racional como ser de condição moral, ou seja, a moral kantiana se fundamenta no exercício da razão. Ademais, para o filósofo, na mente humana existem estruturas a priori que determinam a forma como a razão apreende os objetos de conhecimento, independentemente de qualquer experiência empírica. Dessa forma, como a razão se articula à moral, a mesma não se fundamenta pela experiência. Resposta da questão 34: [B] No livro “O que é Ilustração”, Kant estabelece que este conceito refere-se à saída da menoridade, em outras palavras, fazer com que o homem não delegue sua capacidade de entendimento (razão) a outro. Segundo Kant, os motivos que levam o homem a não querer sair da menoridade são a covardia e o medo. Os motivos que conduzem o ser humano a sentir medo e covardia podem ser expressos pelo receio de utilizar o próprio entendimento. Uma vez que o ser humano faz uso do entendimento, ele se torna responsável por si, por seu próprio autodesenvolvimento, sem que exista a necessidade de recorrer a outros como forma de validar suas próprias convicções. A liberdade é o pressuposto que faz com que seja possível o homem libertar-se da menoridade (ilustração) e caminhar por si, pensar por si e guiar suas ações pelo uso da razão. O juízo representa neste sentido a faculdade da razão em atribuir significado. A cultura e o costume são elementos que fazem parte da existência, sendo percebidos pela experiência pessoal. Estes não agem por si, são reflexos do estar no mundo, somente a razão possibilita o entendimento da realidade que envolve o ser humano. Resposta da questão 35: [C] A Revolução Científica do século XVII é caracterizada por questionar certos pressupostos da filosofia que a antecedia, sobretudo a escolástica. Galileu foi um dos principais pensadores do período e uma de suas ideias era de que a Terra não é o centro do Universo. Isso significava questionar verdades religiosas, procurando abrir espaço para a constituição da ciência moderna, ancorada na linguagem matemática. Resposta da questão 36: [E] Todos direitos reservados - www.seliganessahistoria.com.br - Página 32 de 39 http://www.seliganessahistoria.com.br/ 33/39 Lista de Exercícios : Filosofia | Filosofia Moderna Na filosofia empirista de David Hume, a ideia de relação entre fenômenos que se repetem, ou seja, a ideia de que um fenômeno que ocorre de determinada maneira ocorrerá sempre da mesma forma, não parte de nenhum pressuposto sensível, não tendo, portanto, fundamentação para ser aceita como fato. Resposta da questão 37: [C] Devemos entender inicialmente que a reflexão kantiana a respeito da liberdade está organizada em torno da noção de autonomia. Isso significa que o homem livre será, para Kant, o homem capaz de guiar moralmente sua vida servindo-se do seu próprio intelecto, das suas próprias faculdades, dos seus próprios esforços. Ou seja, livre será o homem capaz de viver sem a tutela do outro, de usar publicamente sua razão, e de se responsabilizar por suas palavras sem propaga-las através do uso da autoridade de outrem. Se livre é o homem que vive uma vida regrada pelas suas próprias faculdades, isso significa que livre será o homem capaz de definir para si mesmo uma Moral universalizável. Quer dizer, a vontade do homem livre precisa ser a boa vontade. Em terminologia kantiana, a boa vontade é aquela vontade cujas decisões são totalmente determinadas por demandas morais ou, como ele normalmente se refere a isso, pela Lei Moral. Os seres humanos veem essa Lei como restrição dos seus desejos, por conseguinte uma vontade decidida por seguir a Lei Moral só pode ser motivada pela ideia de Dever. E Kant distingue dois tipos de lei produzidos pela razão. Dado certo fim que nós gostaríamos de alcançar a razão pode proporcionar um imperativo hipotético – uma regra contingente para a ação alcançar este fim. Um imperativo hipotético diz, por exemplo: se alguém deseja comprar um carro novo, então se deve previamente considerar quais tipos de carros estão disponíveis para compra. Mas Kant objeta que a concepçãode uma Lei Moral não pode ser meramente hipotética, pois uma ação moral não pode ser fundada sobre um propósito circunstancial. A moralidade exige uma afirmação incondicional do Dever de um indivíduo, a moralidade exige uma regra para ação que seja necessária, a moralidade exige um imperativo categórico. Resposta da questão 38: [D] Galileu Galilei é também famoso pelos seus estudos sobre o movimento dos corpos. Foram justamente esses estudos que o fizeram formular a lei das quedas dos corpos e a esboçar o princípio da inércia, aprofundado posteriormente por Isaac Newton. Resposta da questão 39: [D] Na sua busca pelo conhecimento verdadeiro, Francis Bacon desenvolveu a crítica dos ídolos. Esses ídolos correspondem a imagens que impedem o conhecimento da verdade, podendo ser de quatro tipos: os ídolos da caverna, ídolos do fórum, ídolos do teatro e ídolos da tribo. Nessa perspectiva, somente a alternativa [D] está correta, pois corresponde a uma justa citação da forma como Bacon, em seu texto Novum Organum, explica o que são os ídolos da caverna. Resposta da questão 40: [C] O período renascentista foi caracterizado pela valorização da arte e da cultura clássica, tendo como referência o humanismo. Assim, o sentido que a cultura adquire nesse tempo é justamente o culto às artes e às faculdades humanas que mais podem elevar o espírito. Resposta da questão 41: [C] A alternativa [C] é a única correta, e corresponde a uma afirmação de David Hume em seu texto Tratado sobre a natureza humana. Essa passagem se insere numa argumentação a respeito da moral, que leva Hume a considerar que a distinção entre o bem o mal não pode ser feita por princípios da razão. Resposta da questão 42: [C] A passagem do enunciado, retirada do Leviatã, compara as formas de agregação do homem com a de algumas outras criaturas vivas, como as abelhas e as formigas. Hobbes reconhece que a sociedade dessas criaturas é diferente da sociedade humana e, então, procura as razões dessa diferença. Dentre as razões que ele enumera, está aquela afirmada na alternativa [C]. Resposta da questão 43: [C] Segundo Kant, o esclarecimento é a saída do estado de menoridade e corresponde à autonomização do sujeito mediante o uso público da razão. Sendo assim, somente a alternativa [C] está correta. Resposta da questão 44: [C] Francis Bacon elaborou a teoria “Crítica os Ídolos” que tinham por objetivo desconstruir as imagens que formam nos seres humanos opiniões cristalizadas e cheias de preconceito deste modo, será possível aplicar na razão a experiência, neste caso, o método indutivo infere de dados universais Todos direitos reservados - www.seliganessahistoria.com.br - Página 33 de 39 http://www.seliganessahistoria.com.br/ 34/39 Lista de Exercícios : Filosofia | Filosofia Moderna argumentações a partir de dados singulares como uma porção de água que ferve a cem graus, e outra, e mais aquela, logo, a água ferve a cem graus. Resposta da questão 45: [B] Descartes está convencido de que é possível vencer os defeitos no conhecimento por meio de uma reforma no entendimento e das ciências. Tal reforma deve ser feita pelo sujeito do conhecimento quando este compreende a necessidade de encontrar fundamentos seguros para o saber e, para tanto, instituiu um método que possa guiar o pensamento em direção aos conhecimentos verdadeiros e distingui-los dos falsos. Eis por que Descartes escreve o “Discurso do método e Regras para a direção do espírito”. Além da regra da análise e da síntese, ainda há a evidência que somente admite verdadeiro um conhecimento evidente, isto é, sobre o qual não cabe nenhuma dúvida e para isso o próprio Descartes criou um procedimento, a dúvida metódica e o controle que permite ajudar no conhecimento das realidades complexas a necessidade de dividir as dificuldades e os problemas em suas parcelas mais simples, examinando cada uma delas em conformidade com a regra da evidência. Resposta da questão 46: [E] Descartes tem como ponto de partida a busca de uma verdade que não pode ser colocada em dúvida, por isso, começa duvidando de tudo, começando pelas afirmações do senso comum, passando pelas autoridades, do testemunho dos sentidos, até do mundo exterior, inclusive da realidade do seu corpo, no entanto, só interrompe essa cadeia de dúvidas diante do seu próprio ser, do seu próprio intelecto que duvida, pois não pode duvidar de que está duvidando, daí, a célebre máxima cartesiana: “penso, logo, existo”. Resposta da questão 47: [D] A alternativa [D] é a única correta. Descartes busca um fundamento sólido para o conhecimento nas ciências. Para tanto, utiliza-se do método da dúvida para destruir todas as falsas opiniões. Resposta da questão 48: [A] O mais comum é considerar John Locke um empirista e não um materialista. De qualquer forma, a alternativa [A] é a que está mais adequada ao seu pensamento. Segundo ele, todo conhecimento provém da experiência, sendo que as ideias são derivadas das sensações e o pensamento corresponde à combinação, comparação e análise dessas ideias. Resposta da questão 49: [A] A razão, segundo Hume, corresponde à relação entre verdade e falsidade a partir do hábito de associação de ideias. Ela não é inata e não está relacionada às decisões morais. Sendo assim, podemos identificar que somente a alternativa [A] está correta. Resposta da questão 50: [B] A justiça, segundo Hume, tem como princípio acabar com conflitos derivados de fatores naturais e de ordem passional. Na formulação de Hume em Tratado da Natureza Humana, a justiça nasce a partir de convenções humanas, que remediam inconvenientes decorrentes de certas qualidades da mente (como o egoísmo e a generosidade restrita aos homens) relacionadas à situação de objetos externos (ou seja, à escassez desses objetos em relação à necessidade dos homens). Resposta da questão 51: [D] Segundo Hobbes, os homens, no estado de natureza, vivem em guerra de todos contra todos. Uma vez que não há um poder que mantenha a todos em respeito, o mais racional é atacar o outro, seja para destruí-lo ou para preservar-se do seu ataque. Vale ressaltar que apesar de serem “tão iguais, quanto às faculdades do corpo e do espírito”, os homens não são absolutamente iguais uns em relação aos outros. Resposta da questão 52: [C] A função do soberano é assegurar que todos respeitem o contrato social e, dessa forma, garantir a vontade de todos que é a paz e a segurança individual. Para desempenhar bem esta função, o soberano deve exercer um poder absoluto, sem estar subordinado a ninguém; e nem mesmo a uma Carta Magna. Se o poder soberano não conseguir realizar o interesse de todos, isto é, a obediência de todos ao contrato social, pode vir a ser deposto por uma rebelião. Concluir-se-á, nesse caso, que o soberano não era legítimo. Resposta da questão 53: [A] No Discurso sobre a origem da desigualdade dos homens Rousseau cria a hipótese dos homens em estado de natureza, vivendo sadios, bons e felizes enquanto cuidam de sua própria sobrevivência, até o momento em que é criada a propriedade e uns passam a trabalhar para outros, gerando escravidão e miséria. Todos direitos reservados - www.seliganessahistoria.com.br - Página 34 de 39 http://www.seliganessahistoria.com.br/ 35/39 Lista de Exercícios : Filosofia | Filosofia Moderna Resposta da questão 54: [B] Antes de atuar no processo de Independência, José Bonifácio estudou por cerca de 30 anos na Europa, do fim do século XVII ao início do século XVIII. Ali, assistiu ao processo da Revolução Francesa e assim, assimilou muitos dos ideais iluministas do período. Resposta da questão 55: [D] O homem, em seu estado de menoridade, vive no comodismo, preguiça e covardia e não ousa fazer uso do seu entendimento. Para sair desse estado, ele deve arriscar ou, mais especificamente, deve “ousar saber”, deve cultivar seu autocontrole e a sualiberdade. O homem que sai do estado de menoridade é o homem que se torna autônomo, rejeitando as crenças e tradições que o enganam, não sendo direcionado por outro indivíduo. Resposta da questão 56: [B] O uso público da razão, segundo Kant, corresponde à forma que qualquer homem, enquanto sábio, faz uso da razão e fala em seu próprio nome diante do grande público. Nesse sentido, somente a alternativa [B] está correta. Resposta da questão 57: [B] Segundo Kant, o conhecimento é formado por matéria e forma. A matéria corresponde aos conteúdos e a forma a um elemento a priori, que permite conhecimento. Para tanto é necessário o espaço e o tempo, duas formas a priori do conhecimento sensível. Resposta da questão 58: [A] Em Galileu a ciência é autônoma em relação à fé, mas é algo bem diferente daquele saber dogmático representado pela tradição aristotélica. Isso, porém, não significa para Galileu que a tradição é danosa enquanto tradição. Ela é danosa quando se erige um dogma incontrolável que pretende ser intocável. É contra do dogmatismo (imutável, heterogêneo e hierarquicamente ordenado) que Galileu se bate contra. Resposta da questão 59: [C] Além do conhecimento demonstrativo, a ciência é um conhecimento eficaz, isto é, capaz de permitir ao homem não só conhecer o mundo, mas também dominá-lo e transformá-lo. O método galileano é o da concepção racionalista da ciência cujo modelo de objetividade – que se estende dos gregos até o final do século XVII - é matemático, pois afirma que a ciência é um conhecimento racional dedutivo e demonstrativo como a matemática, portanto, capaz de provar a verdade necessária e universal de seus enunciados e resultados, sem deixar nenhuma dúvida. Uma ciência é a unidade sistemática de axiomas, postulados e definições, que determinam a natureza e as propriedades de seu objeto, e de demonstrações que provam as relações de causalidade que regem o objeto investigado. Resposta da questão 60: [A] Galileu faz distinção entre qualidades secundárias (odor, sabor, cor) e qualidades primárias (figura, movimento, forma e número). Consideram-se as qualidades primárias porque são objetivas e passíveis de tratamento matemático, o que permitiu Galileu assimilar o espaço físico ao espaço geométrico de Euclides. Resposta da questão 61: [E] Francis Bacon segue a tradição empirista inglesa que remonta Roger Bacon (século XIII) realçando a significação histórica da ciência e do papel que ela poderia desempenhar na vida da humanidade. Seu lema, muito conhecido, “saber é poder” mostra como ele procura, bem no espírito da nova ciência, não um saber contemplativo, desinteressado, que não tenham um fim em si, mas um saber instrumental, que possibilite a dominação da natureza como fez a Revolução Industrial que superou a manufatura pelas maquinofatura (chamadas hoje de indústria) substituindo o trabalho manual pelas máquinas. Resposta da questão 62: [B] As ideias verdadeiras são ideias inatas, são claras e distintas que não residem nas coisas, mas no próprio sujeito, no próprio espírito como instrumento para a apreensão de outras verdades. Resposta da questão 63: [D] O Discurso do Método revela-se como um guia do pensamento em direção aos conhecimentos verdadeiros para assim, distingui-los dos falsos, portanto, define o método como um conjunto de regras que começa pela certas que dá segurança ao pensamento, depois pelas fáceis que evita complicações e esforços inúteis e por fim, pelas amplas que permite alcançar todos os conhecimentos possíveis para o entendimento humano. Resposta da questão 64: [C] Todos direitos reservados - www.seliganessahistoria.com.br - Página 35 de 39 http://www.seliganessahistoria.com.br/ 36/39 Lista de Exercícios : Filosofia | Filosofia Moderna A respeito do racionalismo cartesiano, as afirmações I, III e V estão corretas. No sentido de rejeitar todas as verdades incertas, Descartes utiliza- se da dúvida metódica e universal, chegando à conclusão de que não pode duvidar que pensa. Assim, a sua conclusão de que é uma coisa pensante se constitui na sua primeira certeza, e é em base a ela que Descartes irá desenvolver sua filosofia racionalista. Resposta da questão 65: [E] A palavra evidência contida na afirmação [E] é a primeira das quatro grandes regras elaboradas por Descartes e significa que só demos admitir como verdadeiro um conhecimento evidente, ou seja, no qual e sobre o qual não caiba qualquer dúvida. A segunda, a regra da divisão diz que para conhecermos realidades complexas precisamos dividir as dificuldades e os problemas em suas parcelas mais simples. A terceira, a regra da ordem diz que os pensamentos devem ser ordenados em séries que vão dos mais simples aos mais complexos, dos mais fáceis aos mais difíceis, pois a ordem consiste em distribuir conhecimentos de tal maneira que possamos passar do conhecido ao desconhecido e por fim, a quarta, a regra da enumeração diz que cada conhecimento novo obtido, deve-se fazer a revisão dos passos dados, dos resultados parciais e os encadeamentos que permitiram chegar ao novo conhecimento. A existência do ser humano é revelada a ele mesmo através do ato de pensar e este é o princípio fundamental de toda a certeza racionalista. Para chegar ao 'penso, logo existo', Descartes utilizou-se da dúvida radical ou hiperbólica. Ele duvidou inicialmente de suas sensações como forma de conhecer o mundo, pois as sensações enganam sempre, duvidou posteriormente da realidade externa e da realidade do seu corpo como forma de comprovar que o conhecimento certo, através do argumento do sonho, duvidou da certeza advinda das entidades matemáticas, através do argumento do gênio maligno, mas não teve como duvidar que estava duvidando. Eis aí a primeira certeza: duvido, logo existo, mas duvidar é um modo de pensar, então: 'Penso, logo existo', que significa: penso, logo tenho consciência de mim mesmo, ou penso, logo sei, ou penso, logo tenho consciência, ou penso, logo sei algo certo. Resposta da questão 66: [C] A evidência é juntamente com a regra da divisão, da ordem e da enumeração uma das grandes regras do método cartesiano, assim, entende-se por evidência a admissão apenas do que é verdadeiro como um conhecimento evidente, ou seja, no qual e sobre o qual não caiba a menor dúvida a parir de ideias claras e distintas. Resposta da questão 67: [E] Somente a alternativa [E] é incorreta a respeito da Revolução Científica do Século XVII. A Lei da Inércia substitui a Lei dos Movimentos aristotélica, contrariando a ideia de que existem movimentos naturais, movimentos violentos e que há uma relação do movimento com a constituição interna de cada corpo. Resposta da questão 68: [A] Enquanto o pensamento medieval é predominantemente teocêntrico (centrado na figura de Deus), o homem renascentista coloca a si próprio no centro dos interesses e decisões. O saber, a moral e a política são laicizados além de ser estimulados pela livre capacidade de exame. Na consciência de ser inacabado e livre, o homem renascentista descobre também sua subjetividade preocupando-se com a “consciência da consciência”. O problema central é o sujeito que conhece e que indaga se nós podemos eventualmente conhecer qualquer coisa. Resposta da questão 69: [C] Ao contrário do que parece, a questão da propriedade privada não teve início na contemporaneidade com Marx por ser esta uma preocupação muito anterior a ele com os utopistas e nesta questão, com a figura de Thomas Morus que pensou no processo violento de desapropriação de terras ao qual foram submetidos imensos contingentes da população inglesa, que exerciam sobre estas terras diversas formas de propriedade, que não a privada. A causa da miséria decorrente desses processos de cercamento, processos exercidos a fim de viabilizar a criação de ovelhas, com o objetivo de abastecer as nascentes indústrias têxteis com matéria-prima,era identificada claramente com a apropriação privada das terras. O mérito da reflexão de Marx em relação ao tema, no escrito em questão, é que, em vez de afirmar que a propriedade privada é a causa da alienação, como faziam os socialistas utópicos, afirma o contrário: que o trabalho alienado é a causa (condição de possibilidade) da propriedade privada. Resposta da questão 70: [E] A Reforma Religiosa foi um movimento iniciado por Martinho Lutero quando este fixou suas 95 teses em 1517, portanto, não há nada em que atribuir a mesma um movimento iniciado por católicos quando na verdade, a Reforma é o protesto sobre a Doutrina da Igreja Católica tendo apoio não só de muitos Todos direitos reservados - www.seliganessahistoria.com.br - Página 36 de 39 http://www.seliganessahistoria.com.br/ 37/39 Lista de Exercícios : Filosofia | Filosofia Moderna humanistas como também de vários religiosos e governantes da época. Resposta da questão 71: [B] Propriedade na visão de Locke argumenta que, quando os homens se multiplicaram a terra se tornou escassa, fizeram-se necessárias leis além da lei moral ou lei da natureza. Isto o leva a querer unir-se em sociedade com outros que tanto quanto ele tenha a intenção de preservar suas vidas, sua liberdade e suas posses, e a tudo isso Locke chama de "propriedade". Mas não é esta a causa imediata da constituição do governo. O direito à propriedade seria natural e anterior à sociedade civil, mas não inato. Sua origem residiria na relação concreta entre o homem e as coisas, através do processo do trabalho. O trabalho é a origem e justificação da propriedade. Se, graças a este o homem transforma as coisas, pensa Locke, o homem adquire o direito de propriedade. Locke considera que, no seu estado natural, o homem é senhor de sua própria pessoa, e de suas coisas, e não está subordinado a ninguém. O resultado que está sujeito constantemente à incerteza e à ameaça dos demais, pois no estado natural um é rei tanto quanto os demais, e como a maior parte dos homens não observa estritamente a equidade e a justiça, o desfrute da propriedade que um homem tem em uma situação dessas é sumamente inseguro. Resposta da questão 72: [D] Na seção IV da Investigação acerca do Entendimento Humano, David Hume encaminha claramente o ataque à razão e à metafísica. Uma das questões cruciais da existência envolve o suceder dos acontecimentos. Hume afirma que a inferência e as analogias que fazemos em relação aos efeitos de causas semelhantes nas questões de fato não podem ser baseadas em nenhuma espécie de raciocínio formal. Em sua crítica aos pressupostos metafísicos da ideia de causalidade, ele defende que o sujeito do conhecimento opera inferências associando sensações, percepções e impressões recebidas pelos órgãos dos sentidos e retidas na memória. Deste modo, as ideias se reduzem a hábitos mentais de associação de impressões semelhantes ou sucessivas. A ideia de causalidade, portanto, apresenta-se como o mero hábito que nossa mente adquire ao estabelecer relações de causa e efeito entre percepções que se sucedem no tempo, chamando as anteriores de causas e as posteriores de efeitos. (cf. CHAUI, M. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 1994. p. 231.) Resposta da questão 73: [B] Duas alternativas são muito parecidas entre si. A alternativa [A] e a alternativa [B]. Ambas fazem referência a concepções empiristas do pensamento. Entretanto, a [A] faz referência ao pensamento de John Locke, e somente a [B] faz referência a David Hume. A noção de hábito como modelo explicativo das conexões daquilo que é observado é uma das marcas mais conhecidas de sua filosofia. Resposta da questão 74: [D] Hume pergunta sobre qual a natureza de todos os raciocínios humanos sobre os fatos e qual o fundamento de todas as conclusões derivadas da experiência. O filósofo conclui que todos os fatos são exteriores entre si. Neles, não há nada de interior e intrínseco que os relacione necessariamente uns aos outros. A relação de causalidade é uma crença baseada no hábito. Hume indica que os homens associam ideias e acreditam nessa associação por força do hábito ou costume. E este não é a repetição de experiências semelhantes por parte de um único indivíduo, mas de muitos. Há um aspecto coletivo do costume. Por isso, mesmo quando se tem um prazer individual, mas que os outros reprovam porque contraria o costume, o sujeito passa a duvidar desse prazer íntimo e exclusivo. Resposta da questão 75: [C] Voltaire acreditava que as pessoas comuns estavam curvadas ao fanatismo e à superstição. Para ele, a sociedade deveria ser reformada mediante o progresso da razão e o incentivo à ciência e tecnologia. Assim, Voltaire transformou-se num perseguidor ácido dos dogmas, sobretudo os da Igreja Católica, que afirmava contradizer a ciência. Nas palavras do próprio Voltaire, a título de exemplo: “A superstição (fanatismo e obscurantismo) põe o mundo em chamas, a filosofia (razão) apaga-as”. Resposta da questão 76: [B] Todas as afirmações são verdadeiras e correspondem a uma leitura da obra Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens. Do seu estado de natureza, o homem caminha para o estado de homem civilizado, degenerando o seu estado naturalmente bom. Resposta da questão 77: [E] Todas as assertivas estão corretas. A assertiva I se mostra correta por estar totalmente de acordo com a citação no enunciado da questão. Já as outras se relacionam com o pensamento mais amplo de Rousseau. Sendo um jusnaturalista, ele pensava na existência de um “estado de natureza” humano. Este seria, em sua filosofia, o estado em que os homens viveriam em plena harmonia, tendo como princípio a Todos direitos reservados - www.seliganessahistoria.com.br - Página 37 de 39 http://www.seliganessahistoria.com.br/ 38/39 Lista de Exercícios : Filosofia | Filosofia Moderna bondade natural de todos os seres humanos. Entretanto, graças à faculdade da perfectibilidade, os homens se associaram para poder desenvolver suas potencialidades, afastando-se, assim, do estado de natureza. Assim, ao inventarem novas coisas para melhorar seu bem-estar e vencer obstáculos da natureza em uma vida social, os seres humanos acabaram por enfraquecer seu espírito. Portanto, aquele que seria o bom selvagem deixou o estado de natureza, degradou-se e se tornou infeliz na vida civil. Resposta da questão 78: [B] A alternativa [B] é a única incorreta. Rousseau é muitas vezes tido como um dos teóricos da democracia participativa. Isso porque, segundo ele, a soberania corresponde ao exercício da vontade geral do povo, não podendo ser transferida para a mão de um único homem. Resposta da questão 79: [A] Os juízos sintéticos são derivados da experiência de modo a expandir o conceito uma vez que o predicado não está implícito no sujeito e a experiência funcionaria como um fornecedor da extensão dos mesmos. A título de exemplo, para melhor compreensão, Kant explicita esse caso com a afirmação “todos os corpos são pesados”. Diferentemente do conceito “todos os corpos são extensos”, no qual o predicado já estava incorporado no conceito inicial e só estava omisso. Esta afirmação agrega um conhecimento empírico, a saber, o de peso, sendo pela experiência o único meio de se obter tal predicado. É na “Crítica da Razão Pura” que Kant elabora categorias que denomina de transcendentais, que são estruturas “a priori” da sensibilidade e do intelecto ao mesmo tempo em que possibilitam a experiência do objeto. Ele distingue três tipos de juízo: - Juízo Analítico a priori (universal e necessário) – esta forma de juízo não amplia o conhecimento, só explica e é baseado no princípio da identidade, ou seja, o predicado não é nada mais que a explicitação do conteúdo do sujeito. Ex: um triângulo tem três lados. - Juízo Sintético a posteriori (não é universal, nem necessário) – esta forma de julgamento ampliao conhecimento, pois realiza uma síntese, fundamentada na experiência. - Juízo Sintético a priori (universal e necessário) – esta forma de julgamento amplia o conhecimento e é formulado independentemente da experiência empírica. Resposta da questão 80: [B] O imperativo categórico é assim chamado por ser incondicional, absoluto, voltado para a realização da ação tendo em vista o dever. Para melhor entender, não se faz necessário agir bem para evitar a dor ou ser feliz, ou ainda para alcançar o céu ou livrar- se da condenação eterna, porque o agir moral funda- se exclusivamente na razão, pois é ela quem preserva a dignidade dos homens. Resposta da questão 81: [A] O autêntico valor moral estaria, então, nas ações em que a vontade é guiada pelo imperativo categórico, que são também definidas por Kant como ações por dever. Nestas, não pode haver considerações sobre os efeitos da ação, ela tem de ser incondicionada e desinteressada, ou seja, devemos agir de forma correta porque é a forma correta de agir. Nesse caso, a vontade deve estar subordinada a uma lei posta pela razão, por isso nas palavras do filósofo: “Devo proceder de modo que eu possa querer que a minha máxima, aquilo que determina minha vontade a agir, seja uma lei universal”. A título de exemplo para melhor ser entendido, em outras palavras, devo não me corromper ainda que tenha a certeza da minha impunidade. Devo não cobiçar a riqueza do próximo ainda que não tema o julgamento de Deus a esse respeito. Resposta da questão 82: [A] Somente as afirmativas I e II são falsas. A primeira é absurda, enquanto que a segunda contradiz o texto do enunciado, onde Galileu afirma que suas ideias eram contrárias ao que a Igreja pregava. Por isso é que ele foi denunciado ao Tribunal do Santo Ofício. Todas as outras afirmativas correspondem a contextualizações a respeito do ambiente intelectual no qual Galileu se insere e, por isso, estão corretas. Resposta da questão 83: [B] “Ciência e poder do homem coincidem”. Isso é o mesmo que está expresso na alternativa [B], a respeito da relação entre o conhecimento e o poder. Bacon, nesta concepção, define o saber como algo prático, como um domínio do homem sobre as coisas. Resposta da questão 84: [C] Francis Bacon foi um dos fundadores do método científico moderno. Sua máxima “saber é poder” revela a visão de que o conhecimento da natureza é também uma forma de poder sobre ela. A necessária passagem do particular para o geral, no Todos direitos reservados - www.seliganessahistoria.com.br - Página 38 de 39 http://www.seliganessahistoria.com.br/ 39/39 Lista de Exercícios : Filosofia | Filosofia Moderna método científico, se daria por meio da experimentação. Resposta da questão 85: [B] A razão inata é exclusiva da capacidade humana de pensar. Não estão sujeitas ao erro. São ideias verdadeiras que somente advém da razão. Resposta da questão 86: [D] No trecho extraído do Discurso do Método, Descartes afirma que a única ideia verdadeira que pode ser extraída do fato de pensar é a ideia de que “eu existo”. É justamente esse modelo de verdade clara e distinta que o pensador vai utilizar para chegar às outras verdades inatas através de seu método científico. Resposta da questão 87: [A] O dualismo psicofísico de Descartes, ou seja, a dicotomia entre corpo e consciência, refere-se ao corpo como uma realidade física e como tal possui massa e extensão no espaço e por outro lado, os fenômenos mentais não tem extensão no espaço nem localização porque as principais atividades da mente, das ideias inatas, são: recordar, raciocinar, esquecer e querer. Resposta da questão 88: [A] No livro Discurso do Método, René Descartes procurou encontrar fundamentos seguros para o desenvolvimento do conhecimento verdadeiro. Dado que havia muitas dúvidas filosóficas e científicas, estas seriam solucionadas mediante um método rigoroso. Descartes, nisso, utilizou-se do modelo matemático, considerado o conhecimento intelectual por excelência. Resposta da questão 89: [E] Frases como “Menosprezar o zelo pela beleza natural é dar prova de uma preguiça ignóbil” e “Muitos se deixam seduzir. pela beleza; mas nem um só é constante e fiel se não encontra com a beleza, a bondade e a virtude” demonstram como Thomas More não criticava a beleza, tampouco a considerava como desnecessária ou relacionada somente a fins utilitários. A crítica feita na citação do enunciado refere-se, de forma indireta, à estética mercantilista do período histórico do autor. É contra eles que Thomas More faz o elogio da beleza. Resposta da questão 90: [D] Todos direitos reservados - www.seliganessahistoria.com.br - Página 39 de 39 http://www.seliganessahistoria.com.br/