Prévia do material em texto
AULA 4 - HISTÓRIA DO BRASIL Durante a União Ibérica, a expansão territorial seguiu três direções: • direção norte; • direção sul; • direção centro-oeste. A metrópole bancou algumas expedições para a região norte: expedição Castelo Branco (1616) e expedição de Pedro Teixeira (1617). O Forte do Presépio foi construído para evitar a presença estrangeira na região. A principal atividade produtiva eram as drogas do sertão (baunilha, cacau, guaraná). Essa atividade tinha mão de obra indígena hegemônica e era controlada pelas missões religiosas. A pecuária era proibida a menos de 60 léguas do litoral para preservar o solo para a cana de açúcar. Essa atividade de desenvolveu no centro-oeste, Ilha de Marajó, região dos pampas gaúcho e vale do São Francisco. O mercado de destino da pecuária é o mercado interno (para a alimentação, transporte e tração). A pecuária utilizava mão de obra escrava indígena e mão de obra livre. Não há como falar de expansão sem citar os bandeirantes. As principais bandeiras saíram de São Paulo e algumas do nordeste. As primeiras bandeiras foram de apresamento - escravização dos índios. Havia também as monções (bandeira de abastecimento, de comercio fluvial que iam para o interior utilizando rios), as bandeiras para recuperar escravos fugidos (sertanismo por contrato) e as bandeiras prospectoras (com o objetivo descobrir metais preciosos). Em um determinado momento, Portugal percebeu que Palmares era uma realidade e decidiu negociar. A negociação ficou conhecida como o Acordo de Recife (1678). Palmares seria um reino africano no meio do Brasil. Foi concedida a utilização dos terrenos da região norte de Alagoas e reconhecida a liberdade dos negros nascidos em Palmares. Contudo, alguns negros liderados por Zumbi disseram que Ganga Zumba teria feito o Acordo para benefício próprio. Houve um racha em Palmares. O governo de Recife contratou uma expedição de bandeirantes liderados por Domingos Jorge Velho que foi para o interior de Alagoas a fim de acabar com Palmares. Com relação a expansão sul, Colônia de Sacramento foi fundada em 1680 na margem oposta a Buenos Aires para dar apoio aos peruleiros e para fazer oposição à ocupação espanhola. O Tratado de Lisboa foi o primeiro dos acordos de limite no qual se acertou em 1681 que os espanhóis sairiam de Colônia. O Primeiro Tratado de Utrecht (1713) teve como contexto a Guerra de Sucessão Espanhola. A Espanha perdeu seu rei e o herdeiro mais próximo era um Bourbon que tinha ligação com a coroa francesa. A Inglaterra temia uma união de ambas as monarquias que poderiam formar uma super potência. Inglaterra juntamente com Portugal e Holanda ganhou a guerra. Portugal tinha uma disputa territorial com a França (ao norte). A França reconheceu a soberania portuguesa no Brasil e foi estabelecido o limite ao norte que seria o rio Jupoque (atual Oiapoque). O Segundo Tratado de Utrecht (1715) foi com a Espanha. Mais uma vez, ficou firmado que ela sairia de Colônia. Algumas fortalezas foram criadas no sul do Brasil para defender o território diante da eminência de uma invasão espanhola. O Tratado de Madri (1750) foi assinado entre Portugal e Espanha. (Alexandre Gusmão era o representante de Portugal e Lancaster era representante da Espanha.) Admitiu-se a violação mútua de Tordesilhas. Foi utilizado o princípio do uti possidetis (quem estiver ocupando, fica com o território). Um dos artigos do Tratado diz que mesmo em caso de guerra na Europa, haveria paz na América. Estabeleceu-se a permuta territorial: Portugal ficou com Sete Povos das Missões e cedeu Colônia de Sacramento à Espanha. Foi a primeira vez em que a ocupação portuguesa no centro-oeste e no vale amazônico foram reconhecidas. Houve dificuldade na demarcação mesmo tendo sido usado como base o Mapa das Cortes (acidentes geográficos como limites). Um dos motivos foi a troca de governos: Dom José I assumiu e nomeou Marquês de Pombal. Esse não aceitava que Portugal abrisse mão de Colônia por uma questão econômica. Pombal aproveitou-se da Guerra Guaranítica. (Os índios dos Sete Povos das Missões não queriam passar para o outro lado da fronteira após o Tratado de Madri.) O Tratado de El Pardo aconteceu no contexto da Guerra dos 7 anos. Ele anulou o Tratado de Madri. Para Portugal, era vantajoso porque estava ocupando o sul, Colônia, a bacia amazônica e o centro-oeste. Entretanto, correlação de forças mudou. Dona Maria I, a Louca, assumiu. Ela demitiu Pombal e isso levou ao Tratado de Santo Idelfonso. Na Espanha, estavam acontecendo as reformas bourbônicas; foi criado o Vice-reino do Rio da Prata para fortalecer a presença espanhola na região. Dom Pedro de Ceballos tomou Colônia de Sacramento e subiu conquistando os territórios até Florianópolis para a Espanha. Em 1777, Portugal perdeu Sacramento e os Sete Povos das Missões. Observação: o Tratado de Badajos (1801) não foi um tratado de limites. A Espanha estava aliada a Napoleão e, aproveitando-se disso, invadiu Portugal na chamada Guerra das Laranjas. No final, foi assinado um acordo de paz entre Portugal, Espanha e França. Nesse acordo, não houve retorno ao status quo ante bélico. Dessa forma, Portugal ficou com a região dos Sete Povos e a Espanha ficou com a região de Olivença. Leituras Obrigatórias: GOES FILHO, Synesio Sampaio. Navegantes, bandeirantes, diplomatas: um ensaio sobre a formação das fronteiras do Brasil. São Paulo: Martins Fontes, 2001. Leituras Complementares: CORTESÃO, Jayme. Alexandre de Gusmão e o Tratado de Ma- dri. São Paulo: Funag/Imprensa O cial, 2008. HOLANDA, Sérgio Buarque de. “A Colônia do Sacramento e a expansão no extremo sul”. In: ___ (org.). História geral da civilização brasileira: do descobrimento à expansão terri- torial (vol. 1). 16a. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2008. pp. 351-95