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Estudo de caso: O Solista Resumo: O filme é baseado em uma historia real e retrata o drama de um Jornalista (Steve Lopes, representado por Robert Downwy Jr.) com um brilhante músico (Nathaniel Anthany Ayers Jr., representado por Jaime Foxx) diagnosticado com Esquizofrenia. Caracterização do Caso: O paciente Nathaniel é um morador de rua diagnosticado como esquizofrênico. Quando jovem, estudou na famosa escola de Arte Julliard, local onde se destacou como um brilhante aluno. Sua vida passou então a ser a música. Passava horas tocando, às vezes nem dormia. Tempos depois Nathaniel começou a ouvir vozes que sempre diziam que “estavam olhando-o, vigiando-o”. No filme isso fica evidente em três momentos, duas em flash back, em que, quando jovem, ao tocar em um Conserto ele interrompe e sai correndo porque a vozes começaram a insinuar-lhe perseguição, e o outro quando a irmã leva-lhe sopa. Nesse episodio, a vozes lhe diz que não é sopa que a irmã lhe oferece e sim ácido clorídrico. Nathaniel briga com a irmã e foge de casa. O outro episodio retratado no filme se dá quando Nathaniel “revive” uma “condensação” dessas duas cenas anteriores. Ao ser levado por Steve a tocar em um pequeno conserto, ele revive a primeira cena e se cristaliza no medo, momento em que as vozes retornam. Nathaniel, ao reviver e ouvir as vozes repete o mesmo gesto de desespero e fuga: fica agitado, nervoso, agressivo e sai correndo. Em síntese, o filme traz, na imagem de Nathaniel, a representação de um quadro de esquizofrenia de um jovem brilhante que tinha tudo pra ser um grande músico. Diagnóstico: Esquizofrenia – por sua frequência e importância clinica, é a principal forma de psicose. Dalgalarrondo, pag 328. Considera-se que alguns sintomas são muito significativos para o diagnostico da esquizofrenia (Tandon; Grendom, 1987), particularmente aqueles que Kurt Schneider (1887 -1967) denominou “ sintomas de primeira ordem”, que são: · Percepção delirante. · Alucinações auditivas características. · Eco do pensamento ou sonorização do pensamento. · Difusão do pensamento. · Roubo do pensamento. · Vivência de influência na esfera corporal ou ideativa. Segundo Dalgalarrondo é uma profunda alteração da relação EU-MUNDO, na qual o indivíduo se desconecta deste mundo a qual vivemos e passa a perceber que o mundo em si invade seu próprio eu, seu mundo imaginário, no filme percebemos que os sintomas de primeira ordem a qual mais representaram e caracterizaram a esquizofrenia foram às alucinações auditivas, que são vozes que comentam ou comandam a ação, comportamento e discurso desorganizado, porém com informações verdadeiras, (Exemplo: quando Nathaniel fala dos amigos da escola) a esquizofrenia se retrata também nos delírios e sintomas negativos, e disfunções sociais, no filme observamos a negação a todo o momento para seu tratamento, além da agitação psicomotora, ideias bizarras e produções linguísticas. De acordo com o DSM-IV é preciso identificar dois ou mais dos sintomas, obsevamos que no filme Nathaniel desenvolve todos os sintomas citados acima, mas devo enfatizar que às funções sociais não causaram perda de habilidades ao que lhe realmente interessava a música, o instrumento, e sua percepção foi aguçada em relação às músicas de Beethoven. Mecanismos: Introjeção, confluencia (?) (Preciso estudar mais pra responder esse topico. Quem já tiver alguma sugestão, favor contibuir). Discussão Ética: Um dos pontos mais marcantes do filme, além da brilhante história que o cerca, se dá sobre a relação entre Steve e Nathaniel, uma vez que remete, a nós psicólogos, a relação entre terapeuta e paciente, representada, respectivamente, por ambos. A busca de Steve em querer levar Nathaniel ao Psiquiatra a fim de “cura-lo”, entre outras coisas, nos faz refletir até onde o quê acreditamos ser um “bem” para o outro, é um bem em si pra ele. No filme, a todo instante Nathaniel rejeita intervenções que ele acredita não ser boas para si, como tomar remédio, morar em um apartamento, tocar em um conserto (coisas que o desestabiliza e são desconhecidas e/ou desconsideradas por Steve) etc. Steve, inicialmente, faz uso da representação que ele tem para Nathaniel e o “induz” a fazer coisas que, por vontade própria, Nathaniel não faria. Todas essas tentativas, no entanto, são fracassadas. Steve questiona-se, então, “até que ponto ele deve respeitar a vontade de Nathaniel ou tirá-lo a força das ruas” ou “se não o tirar a força, para tratamento, não seria mais desumano do que o deixar morando nas ruas?”. Aqui, têm-se, claramente, uma importante discussão ética em que o terapeuta precisa se confrontar. Muitas vezes a padronização dos diagnósticos psicopatológicos deixa de fora a subjetividade dos indivíduos a ele submetidos. Por isso é importante que não só o psicólogo, mas o psiquiatra, os agentes de saúde, cuidadores e amigos ofereçam a esses indivíduos uma escuta diferenciada pautada no respeito e acolhimento.