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1. Direito Coletivo do trabalho. 
 
Complexo de institutos, princípios e regras jurídicas que regulam as rela-
ções laborais de empregados e empregadores e outros grupos jurídicos norma-
tivamente especificados, considerada sua ação coletiva, realizada autonoma-
mente ou através das respectivas entidades sindicais. 
 
O direito do trabalho regula as relações inerentes a chamada autonomia 
privada coletiva, isto é, relações entre organizações coletivas de empregados e 
empregadores e/ou entre organizações obreiras e empregadores diretamente, a 
par da demais surgidas na dinâmica da representação e atuação coletiva dos 
trabalhadores. 
 
Controvérsia sobre autonomia do segmento juscoletivo trabalhista 
 
Existe uma controvérsia sobre a autonomia do direito coletivo do trabalho. 
Independente da referida controvérsia, há institutos e particularidades do direi-
to coletivo do trabalho que reclamam o exame circunstanciado, por exemplo, a 
negociação coletiva e seus instrumentos, dos sujeitos coletivos trabalhistas, es-
pecialmente os sindicatos, da greve, da mediação e arbitragem coletivas e do 
dissídio coletivo. 
 
Conteúdo e função 
 
O direito coletivo do trabalho tem função de regulamentar as relações cole-
tivas entre entidades sindicais e empresa/empregador. 
 
No direito individual é desigual a relação jurídica, em razão da subordina-
ção jurídica do empregado. 
 
Já na relação coletiva de trabalho há a presença coletiva do sindicato para a 
defesa dos trabalhadores, em que se equiparam as partes, isto é, estão equiva-
lentes. 
 
Por essa razão pode o sindicado dispor de alguns direitos legalmente pre-
vistos, desde que o faça por acordo ou convenção coletiva. 
 
Formação histórica: Direito Coletivo teve início no século XVIII em face de 
abusos cometidos durante a revolução industrial, nos movimentos de união de 
trabalhadores, com o intuito de lutar contra as péssimas condições de trabalho, 
reivindicando , ilustrativamente, melhores salários e redução de jornada. 
 
Inglaterra: o berço do sindicalismo ocorre na Inglaterra em razão da Revo-
lução Industrial ter ocorrido primeiro naquele país. O Parlamento inglês aprova 
legislação que tolera a união de trabalhadores, o que faz com que os sindicatos 
surjam, conhecidos como “trade unions”. 
 
 
 
 
Corporativismo e intervenção estatal 
 
Durante os regimes fascistas na Europa sindicatos assumem natureza pú-
blica, pois o Poder Público passa a intervir e interferir na fundação, organização 
e funcionamento dos sindicatos. Esse modelo influenciou fortemente o desen-
volvimento do sindicalismo no Brasil nas décadas de 1930 a 1940. 
 
Concepção fundada na autonomia de vontade e liberdade sindical: após a 
II Guerra Mundial e término dos regimes fascistas, surgem as concepções que 
visam o desvincular o sindicato do Estado, seguindo o princípio democrático, 
hoje predominante. Nesse sentido a OIT estabelece a necessidade dos Estados 
assegurarem a plena liberdade sindical, conforme disposto na Convenção 87 da 
OIT. 
 
Princípios do direito coletivo 
 
1. Princípio da liberdade sindical: traz em seu bojo a liberdade de criação, 
administração e filiação sindical. 
 
No Brasil como ocorre a formação de um sindicato? 
 
Primeiramente haverá a fundação do sindicatos com necessidade de ins-
crever os atos constitutivos na Junta Comercial para adquirir personalidade ju-
rídica, posteriormente registrar-se no Ministério do Trabalho e Emprego para 
controle da unicidade sindical, para garantir a legitimidade de representação. 
 
2. Princípio da unicidade sindical no Brasil 
 
O princípio da liberdade sindical é mitigado em razão da necessidade obri-
gatória de garantia de legitimidade pelo MTE em decorrência da distribuição de 
bases territoriais, e vedação de criação de sindicato em área inferior e um muni-
cípio. 
 
Também é oposta a liberdade sindical a obrigatoriedade do imposto sindi-
cal. (reforma trabalhista isentou os trabalhadores). 
 
Em razão desses dois dispostos que a Convenção n.º 87 da OIT não foi rati-
ficada. 
 
3. Princípio da Autorregulamentação 
 
É o poder conferido ao sindicato de estabelecer normas coletivas que serão 
aplicadas no contrato de trabalho. Os instrumentos coletivos são fonte formal 
autônoma, cogentes e imperativos. 
 
4. Princípio da adequação setorial negociada 
 
Os instrumentos devem ter sempre a finalidade de buscar condições mais 
benéficas para o trabalhador. As normas prejudiciais podem ser estipuladas de 
forma excepcional, na busca de interesses mais amplos para a categoria e nos 
casos previstos pelo legislador, podemos citar como exemplo: redução salarial, 
aumento da jornada para quem trabalha em turnos ininterruptos de revezamen-
to, compensação de horas etc. 
 
5. Princípio da Boa-fé, lealdade ou transparência. 
 
A boa-fé é fundamental para a elaboração de acordo que traga melhores 
benefícios às partes, analisando adequadamente a situação econômica da em-
presa e as reivindicações dos trabalhadores. 
 
Organização sindical brasileira 
 
Sindicalismo no Brasil: com a formação de sindicato surgiu no país no Sé-
culo XX, fortemente influenciada pela chegada dos imigrantes europeus por 
meio das ligas europeias. Logo a primeira formação de sindicato ocorreu no 
âmbito rural em 1903 e no âmbito rural ocorreu em 1907. 
 
Diversas greves foram realizadas durante a República Velha (1889-1930), 
sendo reprimidas pelo Estado. 
 
 Decreto n.º 19.770/1931 (influencia fascista). Diante dos regimes corpora-
tivistas e sob influência europeia é editado decreto conhecido com “lei dos 
sindicatos”, que prevê o caráter público dos sindicatos e permite a inter-
venção do estado em seu funcionamento. Nesse momento, é estabelecida 
a representação dos trabalhadores por sindicato único e a distinção entre 
sindicato de empregados e empregadores, que permanece até os dias de 
hoje. 
 
 Constituição de 1934: previu o pluralismo sindical. Mas este era mitigado 
pelo Dec. 24.694/1934, trouxe diversas restrições a essa pluralidade, com a 
necessidade de atendimento a diversos requisitos para a criação da enti-
dade sindical. 
 
 Constituição de 1937: outorgada no regime de Estado Novo por Getúlio 
Vargas trouxe a noção de corporação, que reuniu representantes dos tra-
balhadores e empregadores para dentro da estrutura estatal, evitando lu-
tas de classe. Os movimentos grevistas e reivindicatórios foram reprimi-
dos pelo Governo. Esse modelo foi mantido com a promulgação da CLT 
em 1943. 
 
Constituição Federal 1988: assegurou o respeito a liberdade sindical e de-
terminou que o Estado não interfira no funcionamento dos sindicatos. 
 
No entanto manteve dois pilares corporativistas: unicidade sindical e con-
tribuição sindical obrigatória. 
 
Art. 8º É livre a associação profissional ou sindical, observado o seguinte: 
I - a lei não poderá exigir autorização do Estado para a fundação de sindi-
cato, ressalvado o registro no órgão competente, vedadas ao Poder Público a 
interferência e a intervenção na organização sindical; 
II - é vedada a criação de mais de uma organização sindical, em qualquer 
grau, representativa de categoria profissional ou econômica, na mesma base 
territorial, que será definida pelos trabalhadores ou empregadores interessa-
dos, não podendo ser inferior à área de um Município; 
III - ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou indi-
viduais da categoria, inclusive em questões judiciais ou administrativas; 
IV - a assembleia geral fixará a contribuição que, em se tratando de cate-
goria profissional, será descontada em folha, para custeio do sistema confede-
rativo da representação sindical respectiva, independentemente da contribui-
ção prevista em lei; 
V - ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a sindicato; 
VI - é obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas 
de trabalho; 
VII - o aposentado filiado tem direito a votar e ser votado nas organiza-
ções sindicais; 
VIII