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LEIA ATENTAMENTE AS INSTRUÇÕES SEGUINTES 1o DIA CADERNO 1 CINZA 1 Este CADERNO DE QUESTÕES contém uma prova de redação e 90 questões numeradas de 01 a 90, dispostas da seguinte maneira: a. as questões de número 1 a 45 são relativas à área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias; b. a prova de Redação; c. as questões de número 46 a 90 são relativas à área de Ciências Humanas e suas Tecnologias. ATENÇÃO: as questões de 1 a 5 são relativas à língua estrangeira. Você deverá responder apenas às questões relativas à língua estrangeira (inglês ou espanhol) escolhida. 2 Confira se o seu CADERNO DE QUESTÕES contém a quantidade de questões e se essas questões estão na ordem mencionada na instrução anterior. Caso o caderno esteja incompleto, tenha qualquer defeito ou apresente divergência, comunique ao aplicador da sala, para que ele tome as providências cabíveis. 3 Preencha corretamente os seus dados no CARTÃO- -RESPOSTA. 4 ATENÇÃO: após o preenchimento, escreva e assine seu nome nos espaços próprios do CARTÃO-RESPOSTA com caneta esferográfica de tinta preta. 5 Marque no CARTÃO-RESPOSTA, no espaço apropriado, o CÓDIGO DA PROVA abaixo. CÓDIGO DA PROVA (INGLÊS): 33512 CÓDIGO DA PROVA (ESPANHOL): 33522 6 Não dobre, não amasse nem rasure o CARTÃO- -RESPOSTA, pois ele não poderá ser substituído. 7 Para cada uma das questões objetivas, são apresentadas 5 opções identificadas com as letras , , , e . Apenas uma responde corretamente à questão. 8 No CARTÃO-RESPOSTA, preencha todo o espaço compreendido no círculo correspondente à opção escolhida para a resposta. A marcação em mais de uma opção anula a questão, mesmo que uma das respostas esteja correta. 9 O tempo disponível para esta prova é de cinco horas e trinta minutos. 10 Reserve os 30 minutos finais para marcar seu CARTÃO- -RESPOSTA. Os rascunhos e as anotações assinaladas no CADERNO DE QUESTÕES não serão considerados na avaliação. 11 Quando terminar as provas, acene para chamar o aplicador e entregue o CARTÃO-RESPOSTA. 12 Você poderá deixar o local de prova somente após decorridas duas horas do início da aplicação. 13 Você será eliminado do Simulado, a qualquer tempo, no caso de: a. prestar, em qualquer documento, declaração falsa ou inexata; b. perturbar, de qualquer modo, a ordem no local de aplicação das provas, incorrendo em comportamento indevido durante a realização do Simulado; c. comunicar-se, durante as provas, com outro participante verbalmente, por escrito ou por qualquer outra forma; d. portar qualquer tipo de equipamento eletrônico e de comunicação após ingressar na sala de provas; e. utilizar ou tentar utilizar meio fraudulento, em benefício próprio ou de terceiros, em qualquer etapa do Simulado; f. utilizar livros, notas ou impressos durante a realização do Simulado; g. ausentar-se da sala de provas levando consigo o CARTÃO-RESPOSTA a qualquer tempo. EXAME NACIONAL DO ENSINO MÉDIO PROVA DE LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS E REDAÇÃO PROVA DE CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS 3a SÉRIE LC – 1o dia | Caderno 1 - Cinza - Página 3 LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS Questões de 01 a 45 Questões de 01 a 05 (opção Inglês) QUESTÃO 01 The Intergovernmental Panel on Climate Change The Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) is the United Nations body for assessing the science related to climate change. The IPCC was created to provide policymakers with regular scientific assessments on climate change, its implications and potential future risks, as well as to put forward adaptation and mitigation options. Through its assessments, the IPCC determines the state of knowledge on climate change. It identifies where there is agreement in the scientific community on topics related to climate change, and where further research is needed. The reports are drafted and reviewed in several stages, thus guaranteeing objectivity and transparency. The IPCC does not conduct its own research. IPCC reports are neutral, policy-relevant but not policy- prescriptive. The assessment reports are a key input into the international negotiations to tackle climate change. Created by the United Nations Environment Programme (UN Environment) and the World Meteorological Organization (WMO) in 1988, the IPCC has 195 member countries. In the same year, the UN General Assembly endorsed the action by WMO and UNEP in jointly establishing the IPCC. A relação dos vocábulos “objectivity”, “transparency” e “neutral” refere-se A à utilização de pessoas dentro da ONU que sejam objetivas, transparentes e neutras nas relações com os países no trato de alguns temas. B à criação de reportagens objetivas, transparentes e neutras para serem divulgadas no mundo sobre a meteorologia. C à revisão de reportagens, garantindo objetividade, transparência e neutralidade no trato das mudanças climáticas. D ao estabelecimento de regras objetivas, transparentes e neutras para que as mudanças climáticas tenham menores impactos nos países associados às ONU. E à garantia da objetividade, da transparência e da neutralidade nos relatórios sobre mudanças climáticas dentro do mundo científico. QUESTÃO 02 Disponível em: bayleejae.com. Acesso em: 15 jan. 2020. No cartum, os vocábulos “declutter”, na fala da menina, e “donate”, presente na caixa, estão associados, pois A quando você resolve organizar suas coisas, você obrigatoriamente fará uma doação. B há a separação de alguns itens que já não são mais utilizados e são direcionados à doação. C a doação é um ato importante para a sociedade. D a doação ocorre apenas com objetos que já foram utilizados diversas vezes e já se encontram desgastados. E há diversas formas de realizar uma doação. QUESTÃO 03 Disponível em: https://lh3.googleusercontent.com/9VfhzGMdhOPoCLf_ e4zR4DxZYGrk5ZfRdH_E6JyofZoQ7bffCgZV2POo8DavtJy9OrwEB0s=s87. Acesso em: 15 jan. 2020. Pogo é um personagem engajado em críticas sociais e políticas criado pelo cartunista Walt Keely (1913-1973) e atingia o público adulto e o infantil. A charge acima apresenta os personagens utilizando tecnologias distintas e o diálogo entre eles apresenta dúvidas contextuais, como A fato de o jovem criticar o idoso pelo uso do jornal. B o fato de as gerações serem muito próximas no desenvolvimento tecnológico e social. C o idoso querer ensinar o jovem sobre as tiras de jornal de seu tempo. D a questão de haver um problema sério sobre o uso errado da tecnologia. E as gerações sentirem dificuldades em acompanhar as mudanças tecnológicas e sociais. LC – 1o dia | Caderno 1 - Cinza - Página 4 QUESTÃO 04 There is no reason anyone would want a computer in their home. Ken Olsen, founder of Digital Equipment Corporation, 1977. Fazer previsões sobre o futuro é realmente algo difícil, principalmente em relação ao mundo tecnológico. Muitos empreendedores de um passado não tão distante acreditavam que computadores, internet e televisão, entre outros, seriam destinados a um público muito específico e não haveria uma demanda de mercado. De acordo com a previsão de Olsen, A os computadores domésticos seriam utilizados apenas pelos adultos. B as pessoas não iriam querer computadores em casa, pois aparentemente não haveria um uso para eles. C os computadores foram desenvolvidos primariamente para o uso de desencriptação de mensagens inimigas e a criação de armas mais inteligentes durante a Segunda Guerra Mundial. D os computadores seriam sempre muito grandes para caberem dentro de uma casa. E as previsões sobre os usos da tecnologia para o público foram sempre acertadas. QUESTÃO 05 When I had started building the time machine, I had had the stupid idea that people of the future would certainly be far ahead of us in all their inventions. Instead, they have become weak, child-like creatures. They dance and sing and wear flowers. WELLS, H. G. The time machine, 2006. The Big Bang Theory Wells escreveu esse livro no final doséculo XIX, em que um “viajante do tempo” se transporta para o ano de 802701. Ao chegar nesse futuro, ele percebe que não está preparado para o que encontra. Filmes e seriados foram criados com base na obra de Wells, como um episódio de The Big Bang Theory, em que os personagens adquirem a máquina do tempo e realizam suas próprias “viagens”, utilizando a fértil imaginação e os conhecimentos de física e de história. O “viajante do tempo”, em sua jornada futurística, não está preparado para o que ele encontra porque A os avanços tecnológicos são muito superiores ao que ele poderia imaginar. B as pessoas se comunicam telepaticamente por meio de um dispositivo implantado. C ele encontra pessoas frágeis e infantis. D o futuro do planeta está destruído em função das guerras que ocorreram. E a dança da época é diferente da dança a que ele estava habituado. LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS Questões de 01 a 45 Questões de 01 a 05 (opção Espanhol) QUESTÃO 01 La mirada de el dengue Roberto Moso revisa y busca una fotografía todas las semanas y nos ofrece una reflexión sobre la vida. Por si fuera poco… Nuestro flash de hoy muestra una foto publicada por la agencia France24 y captada en un hospital de Honduras. Dos niños afectados por el dengue miran a la cámara con una mezcla de tristeza y agotamiento. Mientras el mundo mira con preocupación la epidemia de coronavirus COVID-19, el dengue avanza silenciosamente por Latinoamérica. Esta misma semana el gobierno de Paraguay ha declarado la emergencia nacional por una enfermedad que, con el tratamiento adecuado, tiene una escasa mortalidad. El propio presidente del país, Mario Abdo Martínez, y su esposa han tenido dengue. El cambio climático acelera la diseminación del dengue en el territorio americano y en las regiones tropicales de todo el mundo, anuncian unos investigadores. La mayor precipitación en ciertas áreas y el incremento general de la temperatura proporcionan condiciones ideales para que los mosquitos que transmiten el virus causante del dengue se reproduzcan y migren a nuevos territorios. Este mal endémico está teniendo un repunte en el continente americano que comenzó en 2019, año en el que, según la Organización Panamericana de Salud (OPS), se produjeron más de tres millones de casos que provocaron la muerte de 1 538 personas. Disponível em: www.eitb.eus/es/radio/radio-euskadi/programas/hagase-la-luz/ detalle/7065543/el-dengue-enfermedad-no-ha-sido-extinguida (adaptado). Acesso em: 15 jan. 2020. . LC – 1o dia | Caderno 1 - Cinza - Página 5 O mundo hoje está voltado para a epidemia do coronavírus, pois este é um vírus que no momento ainda não é muito conhecido e para o qual não existe vacina. Porém, o texto reflete acerca A do vírus da dengue ter menor importância que o COVID-19, pois o COVID-19 é um vírus muito mais perigoso, visto que mata. B do vírus da dengue ser mais brando e, por isso, não exigir preocupação. C do COVID-19 não se sobrepor aos vírus já existentes. D do vírus da dengue, que continua se propagando, enquanto o mundo se preocupa com o COVID-19. E do vírus da dengue ser tão importante quanto o COVID-19, mas já estar catalogado e não causar mortes. QUESTÃO 02 Pruebas para que una máquina pueda ser considerada más inteligente que un humano Son varias las pruebas a las que podemos someter a una inteligencia artificial para saber si ha superado los niveles de la inteligencia humana. Determinar que una inteligencia artificial es más inteligente que un ser humano es harto difícil porque ni siquiera podemos definir la inteligencia humana con precisión, por ello hay diversas pruebas complementarias para evaluar la inteligencia de una máquina. Desde este campo de investigación, una inteligencia artificial que pudiera desarrollar cualquier tarea intelectual con una solvencia superior a la humana sería catalogada como una inteligencia artificial general (IAG). Por el momento, nadie ha logrado diseñar una inteligencia así (si bien algunos investigadores sostienen que hace unos años se superó una de las pruebas necesarias, el llamado test de Turing). Para poder considerar que un sistema es un ejemplo operativo de este tipo de inteligencia general, la máquina debería superar las siguientes pruebas: test de humanidad (la prueba del café, la prueba del estudiante universitario, la prueba del empleo y el test de Turing) PARRA, Sérgio. Pruebas para que una máquina pueda ser considerada más inteligente que un humano. Disponível em: www.muyinteresante.es/tecnologia/ articulo/ pruebas-para-que-una-maquina-pueda-ser-considerada-mas-inteligente-que-un- humano-801582575740. Acesso em: 15 jan. 2020 (adaptado). No mundo científico há uma grande corrida para que as máquinas consigam superar os seres humanos. Grandes cientistas trabalham intensamente para criar uma inteligência artificial que se sobreponha à inteligência humana. Segundo o texto, determinar a superioridade da inteligência artificial A é difícil, mas a máquina realiza as provas facilmente, exceto uma delas. B é difícil por causa das provas a que as máquinas têm de se submeter. C é difícil por causa da imprecisão da inteligência humana. D é difícil, mas existem investigadores que sustentam já terem conseguido. E é difícil, mas existem pessoas que conseguiram mapear a inteligência humana. QUESTÃO 03 La familia frente a la TV Según un estudio de la Asociación de Televisión por Cable de los Estados Unidos, un estudiante norteamericano de 16 anos ha pasado en su vida, como mínimo, 11 000 horas en el aula del colegio y 15 000 frente a un televisor. No hacen falta más datos para advertir que la formación moral y cultural de los niños y los jóvenes es hoy, en el mundo, en buena medida, el resultado de las tensiones entre el sistema educativo formal y lo que se ha dado en llamar el sistema paraeducativo o informal. Dicho de un modo más simple, los jóvenes están sometidos, hoy, a la influencia de dos educadores que, a menudo compiten entre sí: la escuela y la TV [...]. La Nación. Buenos Aires, 27 ago. 2000. O trecho acima consiste em A um estudo que apresenta curiosamente o quanto se vê televisão hoje em dia. B um relatório pedindo aos professores que sejam mais interessantes para seus alunos. C um texto jornalístico que convida a refletir sobre toda a influência da televisão na sociedade. D um artigo que ajuda as famílias a educar as crianças. E uma tese que confronta o quão importante é a televisão para a educação atual. LC – 1o dia | Caderno 1 - Cinza - Página 6 QUESTÃO 04 Lesiones oculares en manifestaciones son una “tragedia” Como una “tragedia” calificó el titular de Salud, Jaime Mañalich, las cerca de 200 personas que han sufrido daños complejos, e incluso, irreparables en su vista al ser golpeados en el rostro por balines de goma o lacrimógenas utilizadas por la policía para dispersar las manifestaciones no autorizadas que alteran el orden público y aquellas de las que se descuelgan incidentes violentos. Al respecto, la autoridad sanitaria dijo que al programa Bienvenidos, que “hay situaciones concretas donde se ha hecho un uso excesivo de la fuerza represiva. Ese es un dato que lo reconoce hasta la policía uniformada”. El facultativo recalcó que “en la medida en que alguna de estas lesiones se han producido en el contexto de conflicto político, podría configurarse fallas a los derechos humanos de las personas y eso es algo que tiene que investigarse”. Consultado por el caso del estudiante de Sicología de la Universidad Academia de Humanismo Cristiano (UAHC), Gustavo Gatica, quien recibió balines en ambos ojos, mientras se manifestaba en Plaza Italia, el ministro de Salud tildó la situación como “desgracia máxima”. Ello, porque el joven de 21 años perdió la visión de uno de sus ojos y existe una alta probabilidad de que ocurra lo mismo con el otro. Disponível em: http://lanacion.cl/2019/11/11/ministro-de-salud-lesiones-oculares-en-manifestaciones-son-una-tragedia/. Acesso em: 17 fev. 2020.. Essa notícia trata de um dos efeitos das manifestações ocorridas no Chile em 2019. Para o ministro da Saúde chileno, A em todas as situações houve uso excessivo de força por parte da polícia. B é preciso investigar se houve desrespeito aos direitos humanos dos feridos, no caso das lesões provocadas no contexto de conflito político. C as manifestações não foram autorizadas, por isso a polícia cumpriu bem seu papel. D a polícia não reconheceu o uso excessivo de força contra os manifestantes. E os ferimentos são o menor efeito colateral das mani- festações. QUESTÃO 05 Redes sociales: amigos a la carta […] El deseo de vivir en sociedad es tan antiguo como la humanidad, aunque las formas han variado a lo largo de la historia. Por eso, no es extraño que en un vehículo de comunicación tan omnipresente como internet hayan crecido vertiginosamente el número de redes sociales en poco más de una década. Y, como sucede con todos los cambios, mientras una importante parte del mundo se ha entregado sin pudor a la conexión virtual, hay quien teme perder el contacto con el mundo tangible que le rodea. […] A decir verdad, las relaciones que se crean en el ciberespacio son un reflejo de las que se establecen fuera de éste. Las personas que disfrutan de una vida social activa en la calle, es posible que también sean muy sociables en el mundo virtual. […] No estamos hablando de dos mundos paralelos, un breve paseo por los foros virtuales es suficiente para descubrir que muchos de los contactos que nacen en la red están encaminados a facilitar después encuentros cara a cara. […] Un dato curioso es que en lugares cuya cultura es más proclive al contacto físico y a la vida al aire libre, tales como España, Italia o Brasil, las redes sociales alcanzan mayor éxito. […] Revista Punto y Coma, no 26. Disponível em: http://hablacultura.com/cultura-textos- aprender-espanol/nuevas-tecnologias/redes-sociales/. Acesso em: 15 fev. 2020. O artigo apresenta uma reflexão sobre a influência da internet nas relações humanas. Para o autor, A as redes sociais se tornaram extremamente populares porque as pessoas preferem manter contato com seus amigos e conhecidos via internet do que se relacionar com eles na vida real. B as redes sociais são apenas outra maneira de as pessoas estabelecerem vínculos, porque o ser humano é gregário por natureza. C as pessoas mais ativas nas redes sociais são aquelas que têm maior dificuldade de relacionamento. D as relações estabelecidas na internet raramente se tornam efetivas fora do mundo virtual. E a maior parte das pessoas tem receio de que o uso das redes sociais faça com que elas percam o contato com o mundo real. LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS Questões de 06 a 45 QUESTÃO 06 AZEVEDO, Ronaldo. Disponível em: http://poesiameiofio.blogspot.com/2012/02/ velocidade-ronaldo-azeredo.html. Acesso em: 15 jan. 2020. No texto acima, um poema concreto, seu autor, Ronaldo Azeredo, explora expressivamente características do gênero. Nesse sentido, pode-se reconhecer que LC – 1o dia | Caderno 1 - Cinza - Página 7 A sua ênfase está restrita à forma, sem maiores preocupações quanto ao conteúdo. B dialogando com a vanguarda futurista, constrói uma crítica à velocidade como símbolo negativo da época. C sua construção “geométrico-isomórfica” obedece às propostas da fase ortodoxa do Concretismo. D só pode ser lido no sentido horizontal, conforme preceitos firmados para esse tipo de poesia. E representa a continuidade do processo discursivo tradicional, com nova concepção do verso. QUESTÃO 07 Disponível em: https://digartmedia.files.wordpress.com/2013/05/001.jpg. Acesso em: 15 jan. 2020. A imagem acima, com humor, refere-se a um aspecto da reconfiguração das formatações tradicionais da escrita em meio digital, ou seja, A o emprego intensivo de neologismos. B o uso de recursos visuais de valorização da palavra. C a livre utilização de formas abreviadas. D a utilização indiscriminada de emoticons. E alterações sintáticas expressivas. QUESTÃO 08 Disponível em: http://ambiguidadesim.blogspot.com/2011/08/ambiguidade-em- propagandas.html. Acesso em: 15 jan. 2020. A rede de mercados Hortifruti tem firmado, diante do seu público-alvo, um padrão criativo de propaganda que se vale de trocadilhos jocosos envolvendo filmes consagrados, vinculando-os aos produtos que pretende divulgar. É o caso de “Kiwi Bill”, uma alusão ao filme Kill Bill, de Quentin Tarantino, na peça publicitária acima retratada, voltada para a comercialização da fruta “kiwi” (forma original na língua inglesa) ou “quiuí” (no português do Brasil). No caso em questão, além desse recurso de caráter parodístico, é possível identificar A duplo sentido na expressão “vai pagar caro”. B inusitado emprego polissêmico do verbo “apresentar”. C uso metonímico da palavra “estrela”. D ambiguidade na utilização da palavra “promessa”. E desvinculação entre os elementos verbais e não verbais QUESTÃO 09 Disponível em: http://economia.estadao.com.br/blogs/nos-eixos/como-raca-e-genero-ainda-afetam-as-suas-chances-de-conseguir-emprego-e-bons-salarios/. Acesso em: 15 jan. 2020 (adaptado). Os gráficos são gêneros textuais que aliam elementos verbais e não verbais em representações visuais voltadas para a exibição de dados sobre assunto determinado. O gráfico acima, relativo ao rendimento médio salarial verificado no Brasil, a partir dos critérios raça e cor, permite a constatação de que A a diferença salarial entre os diversos segmentos representados manteve-se relativamente estável no período considerado. B os elementos constitutivos apontam para uma acentuada tendência de elevação salarial nas faixas relativas a pretos e pardos. C as pessoas tidas como pardas apresentam, no final do período, tendência de crescimento superior às pessoas de cor preta. D os dados coletados desmentem afirmações correntes relativas à existência de desigualdades no país. E o rendimento médio dos assalariados brancos é mais que o dobro daquele relativo aos pretos ou pardos. LC – 1o dia | Caderno 1 - Cinza - Página 8 QUESTÃO 11 Disponível em: http://api.ning.com/files/PD*OEYumS6U8Fqqi8SlHCA*gDrb9PKj-FnL2A TNUBZmHn1nBZ5SBuomXTDni8oYaPHA-p7RlZl89CrHM4FdzRuB9TZKULF2O/05.jpg. Acesso em: 15 jan. 2020. As charges são construções textuais que, voltadas para o cotidiano das pessoas que constituem o público-alvo, não raro trazem consigo, junto a componentes de humor em maior ou menor grau, um tom de crítica. No caso da charge acima, esse tom é potencializado, basicamente, por meio da ironia representada A pelo acidente de trânsito noticiado. B pela figura da morte diante do computador. C pelo sinal de like atribuído à morte. D pela figura da foice e sua carga simbólica. E pela irrealidade da cena apresentada. QUESTÃO 12 Mas, se por um lado é certo de que a imprensa se constitui em uma defesa contra eventuais excessos cometidos pelo poder e um forte controle sobre as atividades desenvolvidas pelo Estado, assegurando, além disso, a expansão da liberdade humana, também pode-se dizer que a liberdade de imprensa tem limites internos e externos. Os limites internos traduzem-se nas responsabilidades sociais e no compromisso com a verdade. Os limites externos significam que a liberdade de imprensa tem seu âmbito de atuação estendido até o momento em que não atinja outros direitos de igual hierarquia constitucional. [...] Quando estávamos limitados ao impresso, poder-se- -ia argumentar que a ausência de legislação específica se constituísse em fator favorável ao exercício da liberdade de informar. Agora, porém, quando se multiplicaram os recursos da divulgação e os instrumentos da comunicação se aperfeiçoaram, é impraticável coexistirmos sem uma legislação adequada, capaz de equilibrar os interesses conflitantes da sociedade e do cidadão, do empresárioda comunicação, do profissional que ele emprega e do povo que lê, assiste ou ouve a notícia. [...] QUESTÃO 10 Nesta época de redes sociais, ainda sou dos que acordam com o rádio. É uma garantia de que escutarei notícias, não fakes. Imagine se, naquela mesma manhã, na Casa Branca, Donald Trump tiver tropeçado no próprio topete e fraturado a uretra. Se for verdade, é algo de que precisamos ficar sabendo em tempo real. Nos anos 50, foi pelo Repórter Esso e pelo O Globo no Ar que ouvi as notícias da morte de Francisco Alves, Getúlio Vargas, Carmen Miranda, James Dean e Oliver Hardy, o Gordo de O Gordo e o Magro. Infelizmente, nenhuma delas era boato. Durante muito tempo, a divisão entre o rádio e seus ouvintes era mais nítida. Cada qual ficava em seu lado do dial, e isso parecia muito natural. As únicas possibilidades de um ouvinte se ouvir no rádio eram se fosse entrevistado na rua, telefonasse para pedir música ou cantasse no programa de calouros. Hoje, principalmente nas rádios que só tocam notícia, não é mais assim. Os ouvintes são estimulados a participar da programação, telefonando para a emissora a fim de dar notícias sobre o que está acontecendo no seu bairro ou rua. E, com isso, temos: Há um tiroteio na Praça Seca, em Jacarepaguá. Vazamento de água da altura de um chafariz está inundando a Rua do Matoso, na Tijuca. Acidente envolvendo dois ônibus fechou uma pista da Avenida Brasil na altura de Bonsucesso. Engarrafamento na ponte Rio-Niterói faz com que a travessia sentido Rio esteja levando 23 minutos. E por aí vai. Só notícias chatas, desagradáveis. Gostaria de, um dia, ser acordado ao som de: Garças sobrevoam a Lagoa. O Sol está nascendo de uma maneira incrível atrás da igreja da Penha. Há um ipê amarelo todo florido na Gávea. O mar está cristalino no Arpoador, dá até para ver os cardumes. Acabo de passar por um casal apaixonado se beijando numa praça do Grajaú. Essas coisas também acontecem todo dia no Rio. Talvez por isso não sejam notícia. CASTRO, Ruy. Folha de S.Paulo, 12 nov. 2019. Ao tecer considerações sobre a presença do rádio em seu cotidiano, o cronista A expressa seus temores de que o rádio, acompanhando o movimento das redes sociais, passe a ser divulgador das chamadas fake news. B rememora uma época em que o rádio era mais interativo do que no presente, propiciando maior participação dos ouvintes. C relaciona, com um tom de desaprovação, exemplos de hipotéticas notícias do tipo das que o rádio, na atualidade, veicula. D considera positiva a participação dos ouvintes como contribuintes das notícias que os rádios veiculam. E questiona o fato de que, no rádio, algumas notícias, ainda que agradáveis, acabam sendo vulgarizadas. LC – 1o dia | Caderno 1 - Cinza - Página 9 Liberdade de imprensa implica responsabilidade. Quando atua dentro do limite da legalidade e de princípios éticos, a participação da imprensa na construção da democracia é fundamental e, nesse contexto, a liberdade de imprensa passa a ter um caráter preferencial entre os demais direitos constitucionais. Todavia, quando ocorre violação à dignidade da pessoa humana, o direito de informação e expressão continua a existir, porém despido do referido caráter preferencial. LEAL, Magnólia Moreira; THOMAZI, Letícia Rossato. A liberdade de informação pela imprensa e o princípio constitucional da dignidade da pessoa humana. Disponível em: http:// coral.ufsm.br/congressodireito/anais/2012/12.pdf. Acesso em: 15 jan. 2020 (adaptado). A leitura do fragmento acima enseja a compreensão de que, para as autoras, a liberdade de imprensa A deve constituir, independentemente de quaisquer considerações limitadoras, o maior dos direitos de que dispõem todos os componentes da sociedade. B rejeita a existência de imperativos legais de qualquer natureza, pois isso configuraria indesejável censura, própria dos espaços antidemocráticos. C deve ser garantida à luz do princípio da relatividade, pois não deve abrigar notícias falsas ou matérias que violem a dignidade humana. D deve estar sujeita a limitações, voltadas para os interesses maiores do Estado, verdadeiro guardião da democracia. E independe do grau de responsabilidade e de confiabilidade que mereçam os empresários e os profissionais da comunicação. QUESTÃO 13 Foco na postura e mudança de hábitos são aliados na manutenção da saúde corporal Inflamação, hérnia de disco, dor de cabeça e até dificuldade de aprendizagem. Problemas comuns e que podem ser evitados a partir de mudanças simples, mas que sem a atenção devida não são colocadas em prática. A postura correta no dia a dia é uma aliada e tanto para manter a boa saúde do corpo e da mente. Usar um apoio ao passar as roupas, dormir com o travesseiro entre as pernas e olhar sempre para frente ao caminhar são algumas das recomendações dos especialistas. Porém, elas esbarram em um obstáculo: o hábito. É que o cérebro, acostumado a movimentos inadequados, precisa ser reeducado em cada atividade, até entender qual é a prática certa. A observação atenta das formas e curvas do próprio corpo é uma boa maneira de notar incorreções na postura. Especialista em fisioterapia esportiva e ortopédica, Magda Rocha explica que o autoconhecimento é essencial. “A má postura causa dor, e as pessoas só dão importância a isso em função da resposta a esse incômodo. Mas o que elas não sabem é que o corpo não entende qual é a postura ideal. Ele cria padrões de comportamento”, ensina. Segundo a profissional, atitudes como mexer no celular durante uma caminhada pode estimular a coluna vertebral a ficar em posições inadequadas, o que compromete o funcionamento do organismo. Outros sintomas também devem ser analisados. “É preciso estar atento a dores de cabeça por estar pisando errado, distúrbios do sono, alterações no humor por um desgaste físico muito grande. Às vezes, esse quadro indica a necessidade de procurar um especialista”, frisa a fisioterapeuta. INÁCIO, Bruno. Foco na postura e mudança de hábitos são aliados na manutenção da saúde corporal. Disponível em: www.hojeemdia.com.br/horizontes/ foco- na-postura-e-mudan%C3%A7a-de-h%C3%A1bitos-s%C3%A3o-aliados- namanuten%C3%A7%C3%A3o-da-sa%C3%BAde-corporal-1.632889. Acesso em: 15 jan. 2020. Em dado momento do texto acima, aponta-se uma afirmação da especialista Magda Rocha, segundo a qual o corpo “cria padrões de comportamento”. De acordo com a afirmação, entende-se que A o corpo humano, ainda que não submetido a posições corretas no cotidiano de uma pessoa, acaba por lhe corrigir eventuais defeitos posturais. B o nosso corpo traz em si, originalmente, padrões comportamentais que nos vão adaptando e corrigindo posturas inadequadas. C posturas incorretas e repetidas no dia a dia do indivíduo acabam por ser assimiladas pelo corpo, gerando variados problemas físicos. D somos levados, pelo corpo e seus padrões, a buscar posturas ideais, corrigindo, automaticamente, compor- tamentos inadequados. E cada corpo humano possui, na origem, padrões posturais que vão sendo aperfeiçoados ao longo da vida. QUESTÃO 14 A final do Mundial de Triatlo, no último sábado (17), no México, mostrou ao mundo que vencer nem sempre é o mais importante. Foi essa a lição deixada pelos irmãos ingleses Jonny Browniee e Alistar Browniee. LC – 1o dia | Caderno 1 - Cinza - Página 10 Jonny venceria a competição caso mantivesse o ritmo forte, mas ele estava exausto e quase desabou na pista a 700 metros da linha de chegada. As pernas não respondiam mais e ele precisou se apoiar em uma pessoa à beira da pista. Alistar vinha logo atrás, disputando a segunda posição com o sul-africano Henri Schoeman. Ele ultrapassou o irmão, mas não o deixou para atrás. Alistar apoiou Jonny em seu ombro e correram assim, lado a lado, até a linha de chegada. Schoeman acabou vencendo a corrida, mas a cena que não vai sair da cabeça das pessoas é a deAlistar empurrando Jonny para que o irmão chegasse em segundo lugar, com ele terminando na terceira colocação. Depois da prova, Jonny foi levado para o hospital, onde os médicos disseram que ele havia sofrido desidratação. “Foi uma reação humana natural”, afirmou Alistair. “Eu teria feito o mesmo por qualquer pessoa naquela situação”. Disponível em: https://razoesparaacreditar.com/gentilezas/atleta-desiste-de-ganhar- medalha-de-ouro-para-ajudar-seu-irmao-vencido-pelo-cansaco/. Acesso em: 15 jan. 2020. O episódio descrito nessa notícia exemplifica atitude que mereceu aplausos do mundo esportivo. O fato, aliado à frase final de Alistar Browniee, simboliza, em um sentido mais amplo, A o primado da solidariedade sobre a competitividade. B a prevalência dos laços familiares sobre os esportivos. C a mínima importância do resultado em competições esportivas. D a humanização de um ambiente marcado por egocentrismos. E o desejo de divulgar o esporte, a partir de exemplo meritório. QUESTÃO 15 Os grandes críticos de arte Mário Pedrosa e Mirko Lauer diziam que o artesanato era a arte do povo. Para ambos, a denominação “artesanato” se deve a preconceitos dos que insistem em ser intelectuais com a força do achismo, ou dos desinformados teimosos. Hoje, parece engraçado, todo mundo é artista visual, crítico de arte e curador. Do ponto de vista estético, nem Pedrosa nem Mirko faziam distinção entre arte e artesanato. A questão do artesanato é a proposital reprodução do “molde” para que o produto seja mais acessível ao público. O material usado pelos artesões é o mesmo de um artista visual. Muitos artistas e artesões transformam elementos encontrados na natureza em objetos artísticos. O barro vira cerâmica, madeiras e pedras se transformam em esculturas, pedaços de papel se transformam em cestas, vasos. O artesanato produz objetos artísticos e utilitários. Mesmo no utilitário há incursões artísticas inusitadas. Hoje em dia, em todos os estados brasileiros, encontramos uma produção diversificada, realizada com matérias-primas regionais e com técnicas muito especiais que variam de acordo com a cultura, o modo de vida desse povo e o material de maior abundancia na região. O artesanato vem desde o princípio da humanidade e sabe-se que nada é mais regional que o artesanato. Identificador de origens, fruto expressivo de culturas e tradições, seja na repetição de formas ou peça única. Não existe um critério matemático/científico para se julgar obras de arte e artesanato. Existem sinais e sintomas, que nos ajudam a, no mínimo, identificar valores. O principal é a originalidade, a essência, a marca autoral, e tanto o artesanato como a arte erudita têm esses princípios. Existem obras ditas artesanais muito mais criativas que a de artistas já “consagrados”. Os artistas materializam sonhos, os artesões também. [...] A repetição causa perda do valor de mercado. Só você no mundo terá essa obra, mais ninguém. Privilégio de poucos. Na realidade, no aspecto estético, arte e artesanato são iguais. A repetição no artesanato também pode justificar a repetição da gravura, da escultura. O que de fato existe é um terrível preconceito em relação às artes populares, que o tempo vai resolver. ROMERO, César. Disponível em: www.correio24horas.com.br/noticia/nid/existe-um- terrivel-preconceito-em-relacao-as-artes-populares/. Acesso em: 15 jan. 2020 (adaptado). Segundo o autor do texto acima, e considerados os posicionamentos nele citados, o artesanato, comparado à arte propriamente dita, deve ser tido como A arte menor, porque desprovido de autenticidade e com valor inexpressivo no mercado. B de menor originalidade, porque desprovido de marca autoral e calcado em procedimentos de repetição. C manifestação da arte popular, fruto de culturas e tradições, que nada deixa a desejar, esteticamente, em relação à arte. D sem valor artístico considerável, dadas as marcantes finalidades utilitárias que justificam seus trabalhos. E produção diversificada, refletindo valores culturais regionais, a que falta, no entanto, a criatividade da arte. QUESTÃO 16 Grafite, a arte além dos muros do preconceito O grafite interfere na leitura dos espaços urbanos, e os grafiteiros acreditam que seus desenhos possam ser vistos e interpretados por pessoas de qualquer segmento social. A maioria dos grafites representa algo para o grafiteiro ou para o mundo que o rodeia. É uma espécie de linguagem e necessidade básica do ser humano de se comunicar mediante figuras e símbolos por meio da arte. [...] Muitas polêmicas giram em torno desse movimento artístico, pois, de um lado, o grafite é desempenhado com qualidade artística e, de outro lado, não passa de poluição visual e vandalismo. A pichação ou vandalismo é caracterizado pelo ato de escrever em muros, edifícios, monumentos e vias públicas, bem diferentes da arte de grafitar. Os materiais utilizados pelos grafiteiros vão desde as tradicionais latas de spray até o látex. LC – 1o dia | Caderno 1 - Cinza - Página 11 No Acre, a visão sobre essa arte não é tão diferente das demais localidades. Ainda se vê um olhar preconceituoso e marginalizado. Porém, ela tem resistido ao pensamento retrógrado e às mentes pequenas. [...] Matias Souza é integrante do movimento RB Grafitti, no Acre, e revela os desafios encontrados no percurso dessa arte. Ele considera que o grafite em Rio Branco teve muitos desafios. O primeiro deles foi a conscientização de que era arte e não pichação. Matias reconhece que por décadas o grafiteiro era visto como pichador, levando as pessoas ao preconceito, que foi diminuindo com a presença e a ação de grafiteiros de outros estados no Acre, que vieram e compartilharam suas artes. Para ele, hoje o grafite está no cenário nacional como um movimento, no qual as pessoas das grandes cidades reconhecem o Acre como um “celeiro de artistas grafiteiros”. [...] MELO, Katiussi. Grafite, a arte além dos muros do preconceito. Disponível em: https:// agencia.ac.gov.br/grafitti-a-arte-alem-dos-muros-do-preconceito/. Acesso em: 27 out. 2019 (adaptado). A propósito das produções que hoje cercam o grafite no Acre, o texto autoriza o entendimento de que o conceito de “celeiro dos artistas grafiteiros” se justifica porque A diferentemente de outros estados do país, o grafite acreano não chegou a passar por um estágio de discriminação. B a despeito do diminuto prestígio de que gozam as suas produções, não se percebeu, no espaço acreano, olhares depreciativos típicos de outros locais. C o grafite se diferencia da mera pichação pelo olhar externo diferenciador que sobre ele se debruça no Acre, independentemente das intenções autorais. D as produções artísticas vindas de outros espaços têm trazido contribuições para que se superem visões preconceituosas sobre o grafite acreano. E desde o início, era de se prever, por suas características especiais, únicas, o reconhecimento do Acre como o berço das produções grafiteiras. QUESTÃO 17 Podcasts são uma série de episódios gravados em áudio e transmitidos on-line. Esses episódios podem ser gravados em diversos formatos, sendo que os mais comuns são entrevista entre convidado e apresentador e gravações individuais nas quais o apresentador comenta sobre um tema específico. De qualquer maneira, para qualquer formato, esses programas precisam obrigatoriamente de um tema e de alguém para realizar a apresentação (normalmente denominados hosts). Apesar de ser disponibilizado on-line, uma das suas características fundamentais é a possibilidade de realizar o download dos episódios para escutá-los até mesmo off-line. Inclusive, a palavra “podcast” é resultado da junção das palavras “iPod”, referindo-se a que esse conteúdo é portátil, e “broadcast”, referindo-se a que a sua transmissão segue o mesmo modelo das transmissões via rádio. Se ontem ler um artigo de cincominutos em um blog era algo muito mais acessível do que ler uma revista física, hoje, escutar esse mesmo conteúdo em áudio pode ser mais acessível do que uma leitura. Estamos inseridos em um cenário no qual consumir está totalmente conectado com tecnologia, acessibilidade e praticidade. Dito isso, os podcasts surgem como uma opção que garante ao ouvinte a conexão com todos esses pontos. Disponível em: https://rockcontent.com/blog/podcasts/. Acesso em: 15 jan. 2020 (adaptado).. O podcast, gênero que se vem impondo no meio digital, apresenta como fatores diferenciais que justificam a sua a aceitação o fato de A ser obrigatoriamente apresentado ao vivo, em determinado momento. B poder ser baixado e disponibilizado em horários predeterminados. C não ser uma produção original, destinando-se a divulgação de trabalho alheio. D exigir, para produzir efeitos, tecnologia de elevadíssimo grau de sofisticação. E permitir ilimitada quantidade de ouvintes e absoluta flexibilidade de horários. QUESTÃO 18 PIGNATARI, Décio. O infinito dos seus olhos. Disponível em: http://poemassempressa. blogspot.com/2012/03/poema-concreto.html. Acesso em: 22 nov. 2018. As possibilidades de leitura oferecidas pela poesia concreta passam pela fuga aos padrões de leitura dos textos poéticos tradicionais. No poema acima transcrito, é possível identificar A a ausência de elementos de pontuação, determinando um único significado. B os elementos visuais dissociados dos verbais na construção do significado. C o espaço em branco como elemento de desconstrução da linguagem verbal. D a articulação do verbal e do não verbal, possibilitando a sua plurissignificação. E a sobreposição da imagem sobre o texto verbal, anulando-lhe o sentido. LC – 1o dia | Caderno 1 - Cinza - Página 12 QUESTÃO 19 Recente levantamento do instituto de pesquisa Datafolha, encomendada pela ONG Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) para avaliar o impacto da violência contra as mulheres no Brasil, levou a diretora-executiva do Fórum, Samira Bueno, a questionar a existência de espaços em que a mulher possa se sentir efetivamente segura no país. A diretora respondeu, entre outras, às seguintes questões que lhe foram formuladas pelo site BBC News Brasil a propósito do assunto: BBC News Brasil – A razão para isso é mais cultural ou relacionada a políticas públicas? Samira Bueno – A origem é cultural. Podemos ter as melhores políticas públicas de punição a agressores, mas se elas não incorporarem uma perspectiva de prevenção, pensando em como é possível alterar normas sociais e culturais, não vamos resolver o problema. Temos a Lei Maria da Penha, a alteração na lei do estupro, a lei do feminicídio, a de importunação sexual; são todas boas, mas a lei por si só não resolve o problema. O menino que vê o pai batendo na mãe vai bater na esposa; a menina que sofre violência sexual dentro de casa e muitas vezes nem sabe que aquilo é uma violência. Se ouvir falar sobre isso na escola, vai identificar que talvez ela seja vítima. BBC News Brasil – Como a política pública pode intervir no aspecto cultural? Samira Bueno – Agressores têm de ser presos, mas também têm de passar por processos que não ocorrem, mas deveriam, como os grupos reflexivos. Eles precisam entender que aquilo é uma violência, repensar seu comportamento. Temos que levar às escolas um ensino de igualdade de gênero, do que é a violência. No caso da violência doméstica, o homem vai repetir esse comportamento. É um padrão que precisa ser rompido. A gente pode apostar na prisão como punição que vai alterar isso, mas sabemos que, se a ameaça de prisão fosse uma forma de evitar que as pessoas cometessem crimes no Brasil, estaríamos numa situação melhor, pois temos a terceira maior população carcerária do mundo. Temos a lei do estupro há dez anos, mas não temos menos estupros por isso. O mesmo vale para a lei de drogas. Legislação é um instrumento importante, mas por si só, não resolve o problema. Disponível em: www.bbc.com/portuguese/brasil-47365503. Acesso em: 12 dez. 2019. Com relação ao aspecto cultural que envolve a questão, a entrevistada externou sua posição, segundo a qual A é preciso acrescer outros dispositivos legais ao conjunto de leis que, no país, já regulam a matéria, ainda que muitas delas sejam positivas. B é necessário, independentemente da eventual prisão dos agressores, o estabelecimento de mecanismos sociais que os levem à reflexão de seus atos. C a reprodução, no ambiente doméstico, de ações de violência contra a mulher deve ser limitada com ações mais efetivas voltadas para a punibilidade. D a elevação do número de casos de estupro e de uso de drogas serve de exemplo para justificar a necessidade de uma legislação mais rígida. E medidas punitivas, como a prisão, devem ser abolidas no caso de agressão às mulheres, uma vez que não vêm dando resultado. QUESTÃO 20 Disponível em: http://blogdastirinhas.blogspot.com/2010/08/hagar-n-10-ao-23.html. Acesso em: 13 mar. 2011. LC – 1o dia | Caderno 1 - Cinza - Página 13 Na pequena narrativa que constitui a tira anterior, é possível reconhecer, como elementos da coesão nas falas de Hagar, A uma pergunta inicial feita diretamente ao Eddie Sortudo, na qual o emprego do demonstrativo “essa” revela a aprovação de Hagar ao uso do apito. B uma série de perguntas que, na realidade, pretendem levar Eddie Sortudo a valorizar a compra por ele efetuada. C o uso reiterado do demonstrativo “isso”, com valor catafórico, sempre antecipando a menção ao objeto comprado por Eddie. D o emprego da conjunção adversativa “mas”, estabe- lecendo a contradição entre a compra do apito e a sua finalidade. E o uso do elemento conector “então”, que introduz uma explicação para a compra efetuada. QUESTÃO 21 Todo dia nos deparamos com uma notícia diferente que envolve tecnologia e suas contribuições para avanços de outras áreas. Todo dia, também com esses avanços, contribuímos para certa preocupação e ansiedade nos jovens que estão iniciando a carreira. No que esses avanços podem impactar seus futuros? Bom, os jovens que têm acesso a recursos e à educação de qualidade conseguem ingressar nesse tipo de discussão e provocação que faço neste parágrafo. Mas e os jovens marginalizados pela sociedade, qual a perspectiva deles em relação a esse debate? Como a tecnologia chega neles? Ela chega? [...] As escolas públicas não têm, em sua maioria, recursos e espaços que promovam discussão acerca da utilização da tecnologia para soluções que impactem uma comunidade, mas dentro das periferias tem se criado um movimento incrível de troca de conhecimento nessa área. O jovem que consegue atravessar a rede social e entender conceitos como algoritmos e programação tem tentado ensinar e colocar outros jovens de periferia no mercado. Perifa Code e Tecnogueto são alguns desses exemplos. Jovens como William Oliveira e Rodrigo Ribeiro, que conseguiram aprender e estão voando na área de tecnologia, criaram esses dois projetos que ensinam a jovens da periferia conceitos de programação e ajudam no direcionamento deles dentro do mercado. Esses jovens estão conseguindo ser líderes de suas famílias utilizando a programação. Logo, essa ferramenta não só impacta a sociedade como muda economicamente a estrutura de uma família. [...] HORA, Nina da. Folha de S.Paulo. No primeiro parágrafo do fragmento transcrito, Nina da Hora formula algumas perguntas sobre o alcance da tecnologia pelos jovens socialmente marginalizados, da periferia. O desenvolvimento do texto permite o entendimento de que, na visão da autora, A é impossível a vinculação entre esses jovens e a tecnologia, dada a carência dos recursos disponíveis no ensino público. B o ensino público vem empreendendo projetos que estão permitindo ao jovem menos favorecido socialmente a igualdade de acesso à tecnologia. C é viável, apesar de todas as dificuldades,que tais jovens consigam beneficiar-se da tecnologia por meio de projetos desenvolvidos na própria periferia. D é a família, e não a escola ou outras entidades educacionais, quem deve propiciar aos jovens o acesso à tecnologia. E as necessidades do mercado acabarão por absorver todos os jovens, em função dos previsíveis progressos da tecnologia. QUESTÃO 22 Texto I É uma coisa bastante uniforme a espécie humana. Boa parte dela passa seus dias trabalhando para viver, e o poucochinho de tempo livre que lhe resta pesa-lhe tanto que busca todos os meios possíveis para livrar-se dele. Oh, destino dos homens! GOETHE, Johanm Wolfgang Von. Os sofrimentos do jovem Werther. Porto Alegre: L&PM, 2001. Texto II Disponível em: https://br.pinterest.com/pin/429671620689812599/?lp=true. Acesso em: 15 jan. 2020. LC – 1o dia | Caderno 1 - Cinza - Página 14 Os dois textos, a despeito de terem sido produzidos em diferentes momentos e com distintos recursos expressivos, dialogam quanto à mensagem pretendida, com um possível sentido que pode ser sintetizado na necessidade de o homem utilizar parte do seu tempo para A valorizar sua qualidade de vida. B aprimorar aspectos tecnológicos. C aproveitar-se do dinamismo da atualidade. D retornar a valores consagrados do passado. E preparar-se para as conquistas do futuro. QUESTÃO 23 Descobrimento Abancado à escrivaninha em São Paulo Na minha casa da rua Lopes Chaves De supetão senti um friúme por dentro. Fiquei trêmulo, muito comovido Com o livro palerma olhando pra mim. Não vê que me lembrei que lá no Norte, meu Deus! muito longe de mim Na escuridão ativa da noite que caiu Um homem pálido magro de cabelo escorrendo nos [olhos, Depois de fazer uma pele com a borracha do dia, Faz pouco se deitou, está dormindo. Esse homem é brasileiro que nem eu. ANDRADE, Mário de. Descobrimento (Dois poemas acreanos). In: ANDRADE, Mário de. Poesias completas. Belo Horizonte: Itatiaia, 1980. O poema “Descobrimento”, publicado em 1927, se insere no contexto literário da primeira fase do Modernismo no Brasil, que se iniciou em 1922, com a Semana de Arte Moderna. É possível perceber, nesses versos, um ideário que encerra A a renovação do sentimento dos românticos da primeira geração, com a exaltação ufanista das coisas do Brasil. B a afirmação do sentimento de identidade nacional e a problematização do problema social da desigualdade. C um compromisso com a renovação estética no plano estritamente formal, com a manutenção do viés nacionalista firmado pela tradição. D a enfática glorificação do nosso sentimento nativista e o consequente repúdio a todo e qualquer valor do estrangeiro. E a aceitação do “adormecimento” da memória nacional, visto como peculiaridade consagrada em nossa tradição literária. QUESTÃO 24 Admirável expressão que faz o poeta de seu atencioso silêncio Largo em sentir, em respirar sucinto, Peno, e calo, tão fino, e tão lento, Que fazendo disfarce do tormento, Mostro que o não padeço, e sei que o sinto. O mal, que fora encubro, ou me desminto, Dentro no coração é que o sustento: Com que, para penar é sentimento, Para não se entender, é labirinto. Ninguém sufoca a voz nos seus retiros; Da tempestade é o estrondo efeito: Lá tem ecos a terra, o mar suspiros. Mas oh do meu segredo alto conceito! Pois não chegam a vir à boca os tiros Dos combates que vão dentro no peito. MATOS, Gregório. Admirável expressão que faz o poeta de seu atencioso silêncio. Disponível em: https://pt.wikisource.org/wiki/Largo_em_sentir,_em_respirar_sucinto. Acesso em: 15 jan. 2020. Gregório de Matos é, seguramente, a maior expressão lírica do movimento Barroco. No poema acima transcrito, o eu lírico deixa transparecer, fiel aos princípios desse movimento artístico, A o equilíbrio existencial, expresso, por exemplo, nos adjetivos “largo” e “sucinto”, que compõem o verso inicial. B um sentimento voltado para a ausência de conflitos, ao afirmar, no fim da primeira estrofe, que não padece tormentos. C uma visão do mundo contraditória, antitética, marcada pela oposição entre a essência e a aparência. D a calma de um interior despido de angústias, já antecipada na menção, no título do poema, a um “atencioso silêncio”. E a convicção de que sempre é possível superar, no mais recôndito do ser, aparentes tormentas do espírito. LC – 1o dia | Caderno 1 - Cinza - Página 15 QUESTÃO 25 Soneto Quando cheios de gosto, e de alegria Estes campos diviso florescentes, Então me vêm as lágrimas ardentes Com mais ânsia, mais dor, mais agonia. Aquele mesmo objeto, que desvia Do humano peito as mágoas inclementes, Esse mesmo em imagens diferentes Toda a minha tristeza desafia. Se das flores a bela contextura Esmalta o campo na melhor fragrância, Para dar uma ideia de ventura; Como, ó Céus, para os ver terei constância, Se cada flor me lembra a formosura Da bela causadora de minha ânsia? Claudio Manuel da Costa Um dos pilares do Arcadismo no Brasil, Claudio Manuel da Costa apresenta, em muitos de seus poemas, características que o diferenciam dos demais árcades. O poema aqui transcrito exemplifica, no tratamento temático, essa distinção, A ao colocar em destaque a valorização dos elementos vinculados à natureza. B ao aproximar-se da estética barroca, com a expressão do conflito existencial. C ao exprimir a preponderância da produção poética nos valores religiosos. D ao identificar o estado de espírito do eu lírico com as virtudes do campo. E ao enunciar claro contraste entre as vantagens do campo e as agruras da cidade. QUESTÃO 26 Muitas investigações de responsabilidade da Unesco preconizam a educação para todos, assentada em princípios de direito e não de caridade, igualdade de oportunidades e não de discriminação, promoção de sucesso de todos e de cada um. A educação inclusiva pressupõe escola aberta para todos, ambiente em que todos aprendem juntos, quaisquer que sejam as suas dificuldades. Primeiramente, a escola tem que cumprir essa prerrogativa como uma sociedade democrática na qual a justiça, o respeito pelo outro e a equidade sejam princípios para uma escola inclusiva. A partir do todo, as partes, ou seja, os professores, poderão ter uma autonomia de inserir no contexto escolar a diversidade humana. Isso inclui desde os mais desfavorecidos até os que apresentam deficiências graves. [...] Nesse contexto, todas as disciplinas e, em especial, a Educação Física passam do processo de exclusão para um de inclusão. Em especial a Educação Física porque ela nasceu de uma visão homogeneizada na busca do rendimento e da competição. Quem não atingia a performance esperada ou não se enquadrava no perfil físico almejado pelos educadores eram excluídos da prática. [...] Mas hoje, dentro do contexto escolar, já estamos acompanhando a educação inclusiva na qual os alunos participam, tendo ou não necessidades especiais, da mesma atividade. Assim, a busca pelo ensino inclusivo na Educação Física é feita aceitando a heterogeneidade da classe e trabalhando sobre ela. [...] E a Educação Física é uma das melhores disciplinas no ambiente escolar, pois por meio de atividades e jogos lúdicos promove a interação de todos os alunos e cria oportunidades para os deficientes mostrarem que também são capazes de evoluir em conjunto. Disponível em: https://blogeducacaofisica.com.br/inclusao-na-educacao-fisica/. Acesso em: 15 jan. 2020 (adaptado). O texto anterior, ao tratar das atividades de Educação Física como componentes do processo educativo, enseja inferência de que A os alunos, nas aulas de Educação Física, devem adaptar-se a normas preestabelecidas pela tradição. B o fundamento das aulas de Educação Física deve ser a busca de um maior rendimento do esporte. C os alunos com necessidades especiais devem participar das aulas sem distinção quanto aos demais colegas. D ao professor cabe consideraras heterogeneidades acaso existentes como razão suficiente para programar atividades por grupo específicos. E devem continuar a nortear os fundamentos da Educação Física os princípios voltados para a competição e a busca dos melhores. LC – 1o dia | Caderno 1 - Cinza - Página 16 QUESTÃO 27 Mal dormira! Erguera-se de manhã muito cedo para lhe jurar que estava louco, e que punha a sua vida aos pés dela. Compusera aquela prosa na véspera, no Grêmio, às três horas, depois de alguns robbers de whist, um bife, dois copos de cerveja e uma leitura preguiçosa da Ilustração. E terminava, exclamando: — “Que outros desejem a fortuna, a glória, as honras, eu desejo-te a ti! Só a ti, minha pomba, porque tu és o único laço que me prende à vida, e se amanhã perdesse o teu amor, juro-te que punha um termo, com uma boa bala, a esta existência inútil!” – Pedira mais cerveja, e levara a carta para a fechar em casa, num envelope com o seu monograma, “porque sempre fazia mais efeito”. E Luísa tinha suspirado, tinha beijado o papel devo- tamente! Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades, e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido; sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo conduzia a um êxtase, e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações! Ergueu-se de um salto, passou rapidamente um roupão, veio levantar os transparentes da janela. Que linda manhã! Era um daqueles dias do fim de agosto em que o estio faz uma pausa; há prematuramente, no calor e na luz, uma certa tranquilidade outonal; o sol cai largo, resplandecente, mas pousa de leve; o ar não tem o embaciado canicular, e o azul muito alto reluz com uma nitidez lavada; respira-se mais livremente; e já se não vê na gente que passa o abatimento mole da calma enfraquecedora. QUEIRÓS, Eça de. O primo Basílio. 15. ed. São Paulo: Ática, 1994. No fragmento acima, de livro do escritor português Eça de Queirós, o narrador descreve as sensações da personagem Luísa ao receber uma carta de Jorge, de quem se tornaria amante. Antes, detalha aspectos da construção da mensagem por parte de Jorge. Considerando-se que Eça de Queirós é um dos maiores escritores do Realismo em Portugal, pode-se inferir, no texto, A a reverência que Eça presta aos valores do ideário romântico, retratados nos hiperbólicos sentimentos externados por Luísa. B uma crítica sutil aos valores tradicionais românticos, expressa nos elementos contextuais que cercaram o personagem Jorge quando da feitura da carta. C a apresentação de um perfil feminino que antecipa o estereótipo realista, marcado por objetividade e negação de idealizações. D um perfil tipicamente romântico do personagem Jorge, com a integração, ao seu discurso, de elementos como o bife, a cerveja e o monograma. E os elementos da natureza apresentados em dissonância com o estado de espírito de Luísa, como convém ao Realismo. QUESTÃO 28 Seu metaléxico economiopia desenvolvimentir utopiada consumidoidos patriotários suicidadãos PAES, José Paulo. Poesia completa. São Paulo: Companhia das Letras, 2008. Os vocábulos “inventados” por José Paulo Paes no poema acima, escrito em 1973, constituem, em processos de aglutinação, um mosaico de palavras cuja sequência, com ironia, conduz o leitor a um desfecho trágico. É possível inferir que, entre os objetivos pretendidos pelo autor com esses neologismos, quando da elaboração do poema, estava presente, criticamente, o reconhecimento A da justa exaltação do progresso social, motivado por atores econômicos. B da necessidade permanente de se cultivarem sonhos e aspirações. C da pujança do léxico português como organismo vivo e criativo. D da possibilidade de manipulação das pessoas pelos agentes políticos. E da evolução dos modernos sistemas de informação e comunicação. QUESTÃO 29 [...] Dançar-se noites e noites!... Levado por tais considerações ia esquecendo os meus próprios interesses. Pus-me a ler o jornal, os anúncios de “precisa-se”. Dentre eles, um pareceu-me aceitável. Tratava-se de um rapaz, de conduta afiançada para acompanhar um cesto de pão. Era nas Laranjeiras. Estava resolvido a aceitar; trabalharia um ano ou mais; guardaria dinheiro suficiente que me desse tempo para pleitear mais tarde um lugar melhor. Não havia nada que me impedisse: eu era desconhecido, sem família, sem origens. Que mal havia? Mais tarde, se chegasse a alguma coisa, não me envergonharia, por certo?! Fui, contente até. Falei ao gordo proprietário do estabelecimento. Não me recordo mais das suas feições, mas tenho na memória as suas grandes mãos com um enorme “solitário” e o seu alentado corpo de arrobas. — Foi o senhor que anunciou um rapaz para. Foi; é o senhor? respondeu-me logo sem me dar tempo de acabar. — Sou, pois não. O gordo proprietário esteve um instante a considerar, agitou os pequenos olhos perdidos no grande rosto, examinou-me convenientemente e disse por fim, voltando-me as costas com mau humor: Não me serve. — Por quê? atrevi-me eu. — Porque não me LC – 1o dia | Caderno 1 - Cinza - Página 17 serve. E veio vagarosamente até uma das portas da rua, enquanto eu saía literalmente esmagado. Naquela recusa do padeiro em me admitir, eu descobria uma espécie de sítio posto à minha vida. Sendo obrigado a trabalhar, o trabalho era-me recusado em nome de sentimentos injustificáveis. [...] Era uma desigualdade absurda, estúpida, contra a qual se iam quebrar o meu pensamento angustiado e os meus sentimentos liberais que não podiam acusar particularmente o padeiro. Que diabo! eu oferecia-me, ele não queria! que havia nisso demais? Era uma simples manifestação de um sentimento geral e era contra esse sentimento, aos poucos descoberto por mim, que eu me revoltava. Vim descendo a rua, e perdendo-me aos poucos no meu próprio raciocínio. Preliminarmente descobria-lhe absurdos, voltava ao interior, misturava os dois, embrulhava-me. No Largo do Machado, contemplei durante momentos aquela igreja de frontão grego e colunas dóricas e tive a sensação de estar em país estrangeiro. [...] BARRETO, L. Recordações do escrivão Isaías Caminha. São Paulo: Ática, 3. ed., 1994. O narrador-personagem, Isaías, que compõe o título, é um afrodescendente à procura de emprego no Rio de Janeiro. A “sensação de estar em país estrangeiro” a que ele se refere decorre de um sentimento experimentado – e muito presente na obra de Lima Barreto como um todo –, ligado A a uma percepção de que os elementos arquitetônicos e urbanísticos então verificados eram diferentes dos de sua terra de origem. B ao reconhecimento da existência de preconceitos e discriminações que percebia estender-se de uma forma geral à sociedade. C às dificuldades enfrentadas no mercado de trabalho, fruto de razões econômicas que o país enfrentava na oportunidade. D ao seu temperamento liberal que, quando reconhecido pelos de ideologia conservadora, constituía um entrave ao êxito social. E à vergonha que sentia de sua origem humilde e à vontade de alcançar, pelo trabalho, a aceitação das invejadas elites sociais. QUESTÃO 30 Afirmar que ao jovem pobre só resta o caminho do crime ou da cultura é o mesmo que corroborar a ideia de que todo negro só tem talento para o futebol ou para o samba. É curioso notar como as representações culturais assumem papéis diversificados dependendo da classe em que atua. Nos setores mais abastados, o envolvimento com a arte é visto como uma possibilidade para o desenvolvimento humano e para o estímulo de talentos até então desconhecidos. Já nas classes mais pobres, a arte é vista como salvacionista, como a única forma de se refutar o caminho do crime. Não há no funk e no hip-hop o desejo de serem representantes de uma nação homogênea,mas justamente o contrário: a intenção é mostrar a existência de diversos brasis, que convivem sim com as experiências da violência urbana, cada um a seu modo. A necessidade é chamar a atenção para os fatos específicos que não correspondem à amplitude do seu estado, muito menos do seu país, mas o que ocorre no seu bairro, ali na esquina de sua rua. Se o samba anuncia a união entre as comunidades, o funk e o hip-hop reforçam que hoje essa união se não é inexistente, está comprometida por uma série de fissuras. Disponível em: www.cult.ufba.br/enecul2006/gustavo_souza.pd. Acesso em: 15 jan. 2020. No texto acima, que versa sobre a arte e a sua presença na sociedade, o funk ou o hip-hop são considerados A equivalentes ao samba, quanto aos seus propósitos de busca de uma identidade nacional. B símbolos exemplificativos da violência que assola as comunidades menos favorecidas no espaço brasileiro. C possibilidades sempre presentes da descoberta, pelos organismos culturais, de talentosos valores artísticos. D afirmações da mais autêntica brasilidade, por representarem a verdadeira realidade urbana brasileira. E manifestações reveladoras de uma realidade social marcada por distintas situações de violência. QUESTÃO 31 Enfim, Senhor, despojados os templos e derrubados os altares, acabar-se-á no Brasil a cristandade católica; acabar- -se-á o culto divino, nascerá erva nas igrejas, como nos campos; não haverá quem entre nelas. Passará um dia de Natal, e não haverá memória de vosso nascimento; passará a Quaresma e a Semana Santa, e não se celebrarão os mistérios de vossa Paixão. Chorarão as pedras das ruas como diz Jeremias que choravam as de Jerusalém destruída: chorarão as ruas de Sião, porque não há quem venha à solenidade. Ver-se-ão ermas e solitárias, e que as não pisa a devoção dos fiéis, como costumava em semelhantes dias. Disponível em: http://bocc.ubi.pt/pag/vieira-antonio-contra-armas-holanda.html. Acesso em: 15 jan. 2020. O texto anterior é um fragmento do “Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as da Holanda”, relacionando-se à invasão holandesa no Brasil, em 1640. Nele, o orador dirige-se a Deus, prenunciando a derrocada da religião católica em terras brasileiras, caso o Brasil fosse entregue aos holandeses. Dentre os elementos que conferem coesão ao texto, é possível reconhecer A no vocábulo que dá início ao fragmento, o valor significativo de concessão, equivalente a “portanto”. B o emprego dos particípios “despojados” e “derrubados”, com a ideia de consequência em relação ao contido nas orações com o verbo “acabar”. C o valor meramente aditivo conferido à conjunção “e”, na oração “e não haverá memória de vosso nascimento”. D a oração “Chorarão as pedras das ruas” atribuindo ações de seres animados a seres inanimados, em figura denominada hipérbole. E em “como diz Jeremias que choravam as de Jerusalém destruída”, o valor anafórico do pronome “as”, recuperando o nome “pedras”. LC – 1o dia | Caderno 1 - Cinza - Página 18 QUESTÃO 32 Texto I Cota zero Stop. A vida parou ou foi o automóvel? ANDRADE, Carlos Drummond de. Obra completa. 2. ed. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1967. Texto II Sinal de apito Um silvo breve: atenção, siga. Dois silvos breves: pare. Um silvo breve à noite: acende a lanterna. Um silvo longo: diminua a marcha. Um silvo longo e breve: motorista a postos. (A este sinal todos os motoristas tomam lugar nos [seus veículos para movimentá-los imediatamente.) ANDRADE, Carlos Drummond de. Obra completa. 2. ed. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1967. Os dois poemas acima integram o livro Alguma poesia, de Carlos Drummond de Andrade, publicado em 1930. Ambos se aproximam quanto à temática, voltada para a presença crescente do automóvel nas cidades, símbolo do capitalismo industrial que então se impunha. De certa forma, os dois textos se vinculam, podendo o segundo ser visto como uma explicitação do significado atribuível ao primeiro. Nesse sentido, A ambos os poemas reafirmam a visão futurista de Marinetti, segundo a qual “um automóvel rugidor, que correr sobre a metralha, é mais bonito que a Vitória de Samotrácia”. B o poema que constitui o texto I instaura uma dúvida, mas resolve-a apontando para a vida como algo que se opõe ao automóvel, que, parado, remete aos significados de limitação, perda. C no texto II, constrói-se, no quinto verso, com a construção “um silvo longo e breve”, um paradoxo, tangenciando crítica social voltada para a submissão do homem a comandos sem sentido. D no texto II, os versos se constroem como em uma linha de montagem do processo de produção do fordismo, fundamentado na padronização, em clara reverência de Drummond aos progressos do capitalismo. E no texto I, o automóvel, máquina ícone da modernidade trazida pela industrialização, é colocado no mesmo plano do homem, em um desejável processo de comunhão com vistas ao progresso. QUESTÃO 33 Dança e espectadores formam uma unidade; ambos são ao mesmo tempo objeto e sujeito de um processo interacional no qual a consciência de cada um dos atores sociais envolve necessariamente o outro. Na percepção, a consciência se coloca como uma intencionalidade doadora de sentido. Para que exista a dança, é preciso haver movimento e imobilidade. Não obstante, é preciso também tradição e transmissão, o que implica identidade e memória, como assinala Mauss. A complementaridade de movimento e não movimento é que sustenta a dança, que possibilita alguma comunicação não verbal e faz distinguir movimento cotidiano dos movimentos chamados de dança, fruto do desenvolvimento de técnicas corporais extracotidianas. O gesto/movimento na dança não cumpre uma função, não assume uma tarefa útil, instrumental. Assume um papel estético, simbólico e intencional, certamente. Seu compromisso não é, então, com a utilidade, e, sim, com a arte, com a poiesis, ou seja, com o fazer inspirado, diferenciado e que tanto pode entreter quanto levar a uma reflexão ou estranhamento. O entretenimento ou a reflexão vai depender da percepção que o público tiver da dança cênica. E essa percepção doa sentido, atribui sentido e significados polissêmicos. O movimento, embora transitório, será alvo de distintas percepções. E tanto movimento quanto percepções são consequências de experiências anteriores portadas por quem se mexe ou permanece parado e por quem assiste à movimentação dançada. OLIVEIRA, Denise da Costa; SIQUEIRA, Euler David de. O corpo que dança: percepção, consciência e comunicação. Disponível em: https://www.e-publicacoes. uerj.br/index.php/logos/article/view/14675/11143. Acesso em: 14 maio 2020. No texto acima, a dança é apresentada pelos autores como A manifestação individual, na qual cada movimento traduz-se como uma atitude típica do dançarino. B fundamentada unicamente na tensão entre movimento e imobilidade, que se complementam. C arte que se opõe à percepção dos espectadores quanto à atribuição de sentidos. D linguagem artística que cumpre função preponde- rantemente lúdica em relação aos espectadores. E atividade artística cuja realização pode provocar ações reflexivas ou de entretenimento dos espectadores LC – 1o dia | Caderno 1 - Cinza - Página 19 QUESTÃO 34 Walt Disney criou o personagem Joe Carioca – que aqui virou José Carioca, vulgo Zé – em 1943, para o filme Alô, amigos, que, além de mostrar o personagem circulando pelo Rio de Janeiro, tinha em sua trilha sonora preciosidades como “Aquarela do Brasil” e “Tico-Tico no fubá”. Toda essa bajulação dos estúdios Disney tinha um propósito: conquistar a simpatia do governo brasileiro para que ele apoiasse os Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial. Mas aconteceu mais do que isso: o personagem sobreviveu à guerra e ganhou revista própria. Quem é Zé Carioca? Um sujeito folgado, malandro, golpista, alérgico a trabalho, que passa cheques sem fundo, foge de cobradorese paquera todas as mulheres. Será que era essa a visão que a Disney tinha de nós, habitantes de um longínquo país latino-americano? Consta que na versão original criada pelos gringos, Zé Carioca não era tão gaiato assim. Mas aconteceu mais do que isso, foram os próprios desenhistas e redatores brasileiros, quando começaram a editá-lo aqui. E acertaram na mosca, porque o personagem passou a ser um dos mais populares do grande elenco que compunha os gibis. Fosse um Zé Certinho, encalharia nas bancas. Caricatura à parte, quem é, afinal, essa entidade, o carioca? Quem são os Zés, Betos e Suélens Cariocas, que circulam pelas ruas e morros, que trabalham e sambam no pé, que contam piadas e fogem de balas perdidas? Carioca virou um adjetivo. Ela é carioca, portanto, bonita, sensual, alegre, festiva, musa. E ele? É carioca também, mas a condescendência é menor. Há quem diga que eles, os rapazes, são bons de futebol, mas ruins de escritório. Bons de chope, mas ruins de segunda-feira. E assim o resto do país vai mitificando esses boas-vidas, sem deixar de invejá- -los, é claro. [...] Adriana Calcanhoto, que é gaúcha, chegou bem perto da essência dessa turma, e fechou a questão na música que compôs para homenagear os habitantes do Rio. Diz a letra: “Cariocas não gostam de sinal fechado.” Se entendermos por fechado tudo o que é rígido, tudo o que impede a passagem, então a frase é perfeita. Abram alas para os cariocas do nosso imaginário e para os cariocas que ultrapassam nossa imaginação, para os Zés dos quadrinhos e para todos os outros que não são enquadráveis, cultivemos esses seres mitológicos que podem até ser irreais, mas que tornam o nosso país bem mais adorável. MEDEIROS, Martha. O Globo, Rev. de Domingo, 20 jan. 2008. Mais de uma década separa, do momento atual, a data desses fragmentos de uma crônica de Martha Medeiros. Muita coisa aconteceu de lá para cá, mas a esperança é que as palavras da cronista, favoráveis ao povo carioca, jamais percam o seu sentido. Ao traçar certo perfil do carioca, Martha vale-se da citação de um verso de Adriana Calcanhoto para admitir que ele se aproxima bem da essência do povo do Rio, para o qual caberia, nesse caso, o adjetivo A instável. B descontraído. C acolhedor. D desorientado. E insubmisso. QUESTÃO 35 Texto I Vivia longe dos homens, só se dava bem com animais. Os seus pés duros quebravam espinhos e não sentiam a quentura da terra. Montado, confundia-se com o cavalo, grudava-se a ele. E falava uma linguagem cantada, monossilábica e gutural, que o companheiro entendia. A pé, não se aguentava bem. Pendia para um lado, para o outro lado, cambaio, torto e feio. Às vezes utilizava nas relações com as pessoas a mesma língua com que se dirigia aos brutos – exclamações, onomatopeias. Na verdade falava pouco. Admirava as palavras compridas e difíceis da gente da cidade, tentava reproduzir algumas, em vão, mas sabia que elas eram inúteis e talvez perigosas. RAMOS, Graciliano. Vidas secas. 63. ed. São Paulo: Record, 1992. Texto II Uma angústia apertou-lhe o pequeno coração. Precisava vigiar cabras: àquela hora cheiros de suçuarana deviam andar pelas ribanceiras, rondar as moitas afastadas. Felizmente os meninos dormiam na esteira, por baixo do caritó onde sinhá Vitória guardava o cachimbo. [...] Baleia respirava depressa, a boca aberta, os queixos desgovernados, a língua pendente e insensível. Não sabia o que tinha sucedido. O estrondo, a pancada que recebera no quarto e a viagem difícil no barreiro ao fim do pátio desvaneciam-se no seu espírito. [...] Baleia encostava a cabecinha fatigada na pedra. A pedra estava fria, certamente sinhá Vitória tinha deixado o fogo apagar-se muito cedo. Baleia queria dormir. Acordaria feliz, num mundo cheio de preás. E lamberia as mãos de Fabiano, um Fabiano enorme. As crianças se espojariam com ela, rolariam com ela num pátio enorme, num chiqueiro enorme. O mundo ficaria todo cheio de preás, gordos, enormes. RAMOS, Graciliano. Vidas secas. 63. ed. São Paulo: Record, 1992. Os dois textos acima, transcritos do livro Vidas secas, exemplificam bem um aspecto marcante da obra, relativo à caracterização dos personagens, a saber A um processo de animalização do homem e de humanização do animal, remetendo, pela degradação do primeiro, a uma aproximação com o segundo. B uma visão humanizada da cachorra, antecipando postura da atualidade que confere aos animais de estimação status especial. C a visão naturalista de Graciliano Ramos, influenciado pela teoria darwinista, única razão capaz de justificar o perfil de Fabiano. D a ausência de uma visão social do problema dos retirantes sertanejos, pela atribuição a eles de defeitos insanáveis. E a elevação do grau de dignidade dos personagens do livro em geral, simbolizados na figura sensível da cachorra Baleia. LC – 1o dia | Caderno 1 - Cinza - Página 20 QUESTÃO 36 Só o que eu quis, todo o tempo, o que eu pelejei para achar, era uma só coisa – a inteira – cujo significado vislumbrado dela eu vejo que sempre tive. A que era: que existe uma receita, a norma dum caminho certo, estreito, de cada uma pessoa viver – e essa pauta cada um tem – mas a gente mesmo, no comum não sabe encontrar; como é que, sozinho, por si, alguém ia poder encontrar e saber? Mas, esse norteado tem. Tem que ter. Se não, a vida de todos ficava sempre o confuso dessa doideira que é. E que: para cada dia, e cada hora, só uma ação possível da gente é que consegue ser a certa. Aquilo está no encoberto; mas fora dessa consequência, tudo o que eu fizer, o que o senhor fizer, o que o beltrano fizer, o que todo-o-mundo fizer, ou deixar de fazer, fica sendo o falso, e é o errado. Ah, porque aquela outra é a lei, escondida e vivível mas não achável, do verdadeiro viver: que para cada pessoa, sua continuação, já foi projetada como o que se põe, em teatro, para cada representador – sua parte, que antes já foi inventada, num papel… Grande sertão veredas, Guimarães Rosa. No texto acima, o personagem-narrador, na instigante linguagem que Guimarães Rosa imprime a suas narrativas, reflete sobre o que seria “o verdadeiro viver” de cada pessoa. Nesse sentido, A revela, sem apresentar qualquer justificativa para amparar o seu raciocínio, a convicção de que cada pessoa tem um caminho específico a percorrer na existência. B afirma jamais ter se preocupado, antes, em questionar qual seria “o caminho certo” que lhe estaria reservado na vida, já que ela, a seu ver, tende a ser sempre “o confuso dessa doideira”. C articula, como elemento expressivo favorável à tese de que todos têm um caminho predeterminado a seguir, uma gradação que envolve ele mesmo, o interlocutor, outros indivíduos e as pessoas em geral. D indica a extrema facilidade que cada pessoa tem de identificar “a norma dum caminho certo, estreito”, que lhe permita viver segundo uma lei, a um tempo “escondida e vivível”. E nega validade, ao formular comparação entre a vida e um roteiro de uma peça teatral, à afirmação de alguns sobre a existência de algo já projetado para a vida de cada pessoa. QUESTÃO 37 Sem necessidade A verdadeira democracia se apoia em direitos iguais a todos. Mas há distância entre democracia e demagogia. (Aristóteles apontava a segunda como a degeneração da primeira.) O que temos em muitos países são discursos e políticas demagógicas em relação às minorias (que às vezes são numericamente maiorias), criando leis cosméticas e mudando só os nomes das coisas, em vez de combater a desigualdade, com educação, serviços públicos de qualidade e redistribuição de renda. Exemplo de lei demagógica: no Brasil, chamar um negro de “negro” (embora seja essa a sua cor) é crime inafiançável (racismo), mas matar um negro – ou qualquer pessoa – é afiançável (homicídio). Ou seja, o que a lei diz nas entrelinhas é o seguinte: se você não gosta de negros,mate-os, mas não os chame de negros. Embora a linguagem PC seja invenção americana que a mídia brasileira veicula acriticamente, os EUA não detêm monopólio da hipocrisia: expressões eufêmicas já existem no português há bastante tempo. Chamar o negro de “moreno” ou “de cor”, embora pareça atitude de respeito, esconde um racismo: se evitamos usar “negro”, é porque consideramos ser negro um defeito. Apesar da aparente boa intenção, a linguagem PC só contribui para acentuar o preconceito. [...] Trata-se de usar a linguagem com respeito, não com falsa piedade. Nesse sentido, o conceito de “politicamente correto” deveria ser substituído pelo de “linguisticamente adequado”. BIZZOCCHI, Aldo. É correto ser politicamente correto? Revista Língua Portuguesa, 2008. O fragmento acima permite a inferência de que, segundo a visão do autor, A a linguagem politicamente correta pretende, acerta- damente, alterar formas de pensar e restabelecer, assim, preceitos caros à democracia. B muitas correções feitas sob a alegação do politicamente correto acabam constituindo um entrave à disseminação de necessários padrões de julgamento. C uma simples mudança vocabular pode, muitas vezes, determinar expressivas alterações comportamentais, com resultados positivos para a sociedade. D a substituição do “politicamente correto” pelo “linguis- ticamente adequado”, embora desejável, não alteraria a crescente presença do preconceito na sociedade. E as leis brasileiras que tangenciam o conceito do politicamente correto tendem a equacionar sérios problemas sociais envolvendo discriminação. QUESTÃO 38 Leia o seguinte anúncio do jornal O Estado de São Paulo, publicado na revista Veja nos idos de 1992. — Pois é... — Então... — É fogo. — Ô. — Nem fale. — É. — Ô se é. É melhor você começar a ler o Estadão. ESTADÃO É muito mais jornal. Veja, 28 out. 1992. LC – 1o dia | Caderno 1 - Cinza - Página 21 Com uma boa dose de humor, esse antigo anúncio exigia do leitor a perspicácia para identificar informações implícitas, já que A o seu efeito humorístico resulta do que é dito, mas não sugerido, a partir do diálogo travado. B são utilizados, no caso, elementos da função fática para denunciar a falta de informação que a leitura do jornal supriria. C formula-se uma crítica ao nível de informação do próprio leitor do jornal, revelado em pesquisa. D os interlocutores, no diálogo apresentado, revelam-se pessoas atualizadas com os fatos noticiados no dia a dia. E a intenção maior da peça publicitária é a de criticar explicitamente o tipo de informação que outros jornais oferecem aos leitores. QUESTÃO 39 Morte e vida severina — E quem foi que o emboscou, irmãos das almas, quem contra ele soltou essa ave-bala? — Ali é difícil dizer, irmão das almas, sempre há uma bala voando desocupada. — E o que havia ele feito irmãos das almas, e o que havia ele feito contra a tal pássara? — Ter um hectare de terra, irmão das almas, de pedra e areia lavada que cultivava. — Mas que roças que ele tinha, irmãos das almas que podia ele plantar na pedra avara? — Nos magros lábios de areia, irmão das almas, os intervalos das pedras, plantava palha. — E era grande sua lavoura, irmãos das almas, lavoura de muitas covas, tão cobiçada? — Tinha somente dez quadras, irmão das almas, todas nos ombros da serra, nenhuma várzea. — Mas então por que o mataram, irmãos das almas, mas então por que o mataram com espingarda? — Queria mais espalhar-se, irmão das almas, queria voar mais livre essa ave-bala. — E agora o que passará, irmãos das almas, o que é que acontecerá contra a espingarda? — Mais campo tem para soltar, irmão das almas, tem mais onde fazer voar as filhas-bala. João Cabral de Melo Neto O texto anterior reproduz um diálogo que trata da morte de um lavrador em uma emboscada, suas causas e possíveis consequências. O exame dos elementos formais que compõem os versos e da linguagem e respectivos recursos de que se vale o autor para conferir expressividade à narrativa revela A despreocupação formal, com o desapego típico dos autores modernistas quanto à regularidade métrica e à estrofação regular. B um diálogo em que o personagem “irmão das almas” se mostra tão desconhecedor da realidade quanto aquele que o interroga. LC – 1o dia | Caderno 1 - Cinza - Página 22 C o emprego da figura de linguagem denominada metáfora, exemplificado no uso das palavras “ave-bala”, “pássara” e “espingarda”. D o grande valor das terras em disputa, indicado em expressões como “pedra avara” e “magros lábios de areia”, entre outras. E a constatação, na última estrofe, de que o fato narrado não será objeto de punição e até tende a se repetir QUESTÃO 40 Texto I Amor Do lat. amore. I. s. m., viva afeição que nos impele para o objeto dos nossos desejos; inclinação da alma e do coração; objeto da nossa afeição; paixão; afeto; inclinação exclusiva. Definição de dicionário. Disponível em: www.recantodasletras.com.br/cronicas/742602. Acesso em: 15 jan. 2020. Texto II O amor não é um fenômeno equestre. Não começa no dorso de um cavalo, preferivelmente branco, que vai passando pela floresta da nossa juventude, e no qual tomamos uma carona em rumo direto para a felicidade. COLASANTI, Marina. Mulher daqui pra frente. Rio de Janeiro: Nórdica, 1982 (adaptado). Texto III Eterno em amor tem o mesmo sentido que permanente no cabelo. FERNANDES, Millôr. Millôr definitivo. A Bíblia do caos. São Paulo: LPm, 2019. Texto V É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã. Porque se você parar para pensar, Na verdade não há. Pais e filhos, Renato Russo. Texto VI O amor é finalmente um embaraço de pernas, uma união de barrigas, um breve tremor de artérias uma confusão de bocas, uma batalha de veias, um reboliço de ancas, quem diz outra coisa é besta. Gregório de Matos Considerando os cinco fragmentos anteriores e a menção ao amor que os aproxima, é possível reconhecer A a presença preponderante da função emotiva, no texto I. B a ratificação de um conceito romântico, no texto II. C a afirmação da perpetuidade do sentimento, no texto III. D a vinculação do amor à fugacidade do tempo, no texto IV. E a visão idealizada e espiritualizada do amor, no texto V. QUESTÃO 41 Diversidade cultural A sociedade brasileira reflete, por sua própria formação histórica, o pluralismo. Somos nacionalmente, hoje, uma síntese intercultural, não apenas um mosaico de culturas. Nossa singularidade consiste em aceitar – um pouco mais que os outros – a diversidade e transformá-la em algo mais universal. Esse é o verdadeiro perfil brasileiro. [...] Sabemos, portanto, por experiência própria, que o diálogo entre culturas supera – no final – o relativismo cultural crasso e enriquece valores universais. Passado o Período Colonial, ficamos mais permeáveis à troca de ideias e ao influxo de conteúdos culturais que vêm do exterior, fora da esfera luso-africana. Também aplaudimos, por razões políticas óbvias, o livre fluxo de ideias: é um passaporte para a democracia e o reconhecemos como uma garantia do respeito aos direitos humanos. O mundo, infelizmente, não apresenta historicamente um jogo simples, equilibrado ou mesmo limpo na matéria: as desproporções em termos da escala ou da resistência das culturas, assim como da difusão das mensagens e dos produtos culturais são, com efeito, muito grandes. [...] A globalização, nesse aspecto, apresenta uma preocupante tendência à homogeneização cultural, quando não à hegemonia pura e simples em certos setores culturais. Disponível em: www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/ administracao/diversidade-cultural/44483. Acesso em: 15 jan. 2020. Segundo o texto acima, o pluralismo refletido pela sociedade brasileira A conduz à consequência de que os brasileiros são os únicos no planetaa aceitar a diversidade. B resulta na aceitação, pelos brasileiros, da diversidade, à qual se conferem contornos universais. C está em consonância com o sentimento planetário trazido, em grande parte, pelo processo de globalização. D é uma afirmação categórica da dominância do relativismo cultural na realidade do país. E aproxima-se da globalização planetária, dadas as suas características bem peculiares. QUESTÃO 42 Rubião fitava a enseada, – eram oito horas da manhã. Quem o visse, com os polegares metidos no cordão do chambre, à janela de uma grande casa de Botafogo, cuidaria que ele admirava aquele pedaço de água quieta; mas, em verdade, vos digo que pensava em outra cousa. Cotejava o passado com o presente. Que era, há um ano? Professor. LC – 1o dia | Caderno 1 - Cinza - Página 23 Que é agora? Capitalista. Olha para si, para as chinelas [...], para a casa, para o jardim, para a enseada, para os morros e para o céu; e tudo, desde as chinelas até o céu, tudo entra na mesma sensação de propriedade. “Vejam como Deus escreve certo por linhas tortas”, pensa ele. Se mana Piedade tem casado com Quincas Borba, apenas me daria uma esperança colateral. Não casou; ambos morreram, e aqui está tudo comigo; de modo que o que parecia uma desgraça [...]. Machado de Assis Nesse fragmento de Memórias póstumas de Brás Cubas, A é possível inferir que o personagem Rubião conferia à condição de professor a mesma importância dada à de capitalista. B a progressão construída, que tem como limites extremos as chinelas e o céu, pretende expressar a oposição passado × presente. C as perguntas e respostas que ocorrem no decurso do texto exemplificam o chamado discurso indireto livre. D as reticências que o encerram, considerado o texto como um todo, impedem o leitor de imaginar qualquer conclusão da frase interrompida. E o personagem-narrador, ainda que reconhecendo os êxitos por ele experimentados, atribui à figura de Deus ações incorretas. QUESTÃO 43 Brasileiro, homem do amanhã Há em nosso povo duas constantes que nos induzem a sustentar que o Brasil é o único país brasileiro de todo o mundo. Brasileiro até demais. Colunas da brasilidade, as duas colunas são a capacidade de dar um jeito; a capacidade de adiar. [...] Adiamos tudo: o bem e o mal, o bom e o mau, que não se confundem, mas tantas vezes se desemparelham. Adiamos o trabalho, o encontro, o almoço, o telefonema, o dentista, o dentista nos adia, a conversa séria, o pagamento do imposto de renda, as férias, a reforma agrária, o seguro de vida, o exame médico, a visita de pêsames, o conserto do automóvel, o concerto de Beethoven, o túnel para Niterói, a festa de aniversário da criança, as relações com a China, tudo. Até o amor. Só a morte e a promissória são mais ou menos pontuais entre nós. Mesmo assim, há remédio para a promissória: o adiamento bi ou trimestral da reforma, uma instituição sacrossanta no Brasil. Quanto à morte não devem ser esquecidos dois poemas típicos do Romantismo: na “Canção do Exílio”, Gonçalves Dias roga a Deus não permitir que morra sem que volte para lá, isto é, para cá. Já Álvares de Azevedo tem aquele famoso poema cujo refrão é sintomaticamente brasileiro: “Se eu morresse amanhã!”. Como se vê, nem os românticos aceitavam morrer hoje, postulando a Deus prazos mais confortáveis. Sim, adiamos por força dum incoercível destino nacional, do mesmo modo que, por obra do fado, o francês poupa dinheiro, o inglês confia no Times, o português adora bacalhau, o alemão trabalha com um furor disciplinado, o espanhol se excita com a morte, o japonês esconde o pensamento, o americano escolhe sempre a gravata mais colorida. O brasileiro adia, logo existe. CAMPOS, Paulo Mendes. Colunista do morro. Editora do autor, 1965. Com relação aos elementos que estruturam o fragmento acima, extraído de uma crônica de Paulo Mendes Campos, pode-se identificar A a expressão “colunas da brasilidade”, no primeiro parágrafo, para expressar, metaforicamente, as duas sustentações que levam o brasileiro ao ato de adiar. B o uso da enumeração, no segundo parágrafo, para relacionar exemplos de adiamento do homem comum brasileiro, todos voltados para a sua rotina diária. C a “morte” e a “promissória” são elementos colocados lado a lado como exemplos daquilo que, em hipótese alguma, admite adiamentos. D a menção aos poemas de Gonçalves Dias e Álvares de Azevedo como exemplos dados, com ironia e humor, do adiamento brasileiro. E a frase final, parodiando conhecida expressão do filósofo Descartes, acaba por contrariar a tese que o cronista defende. QUESTÃO 44 Disponível em: www.thedrum.com/stuff/2014/08/27/ banksy-mobile-lovers-400000-auction-saves-bristol-youth-centre. Acesso em: 15 jan. 2020. A obra acima, de autoria do inglês Banksy, é encontrada em uma das ruas de Bristol, na Inglaterra. Com ela, Bansky pretendeu, fundamentalmente, A celebrar o sentimento do amor nos dias de hoje. B criticar o uso exagerado do celular na vida moderna. C acentuar valores espirituais diante dos materiais. D mostrar os aspectos positivos da tecnologia. E valorizar o espaço urbano com mensagem positiva. LC – 1o dia | Caderno 1 - Cinza - Página 24 QUESTÃO 45 Foi um movimento artístico e literário de origem francesa, caracterizado pela expressão do pensamento de maneira espontânea e automática, regrada apenas pelos impulsos do subconsciente, desprezando a lógica e renegando os padrões estabelecidos de ordem moral e social. [...] Tinha como objetivo ultrapassar os limites à imaginação que tinham sido criados pelo pensamento burguês e sua tradição lógica e pelas ideias artísticas que estavam em vigor desde o Renascimento. Disponível em: http://mecapalavras.blogspot.com/2015/09/artes_23.html. Acesso em: 15 jan. 2020 (adaptado). Dentre as imagens a seguir, aquela que exemplifica a vanguarda artística acima definida é A O aficcionado, Pablo Picasso. B Mata Mua (em tempos antigos), Gauguin. C Terapeuta, René Magritte. D Lírios e ponte japonesa, Monet. E One cent life, Roy Lichtenstein. LC – 1o dia | Caderno 1 - Cinza - Página 25 INSTRUÇÕES PARA A REDAÇÃO • O rascunho da redação deve ser feito no espaço apropriado. • A redação que apresentar cópia dos textos da Proposta de Redação ou do Caderno de Questões terá o número de linhas copiadas desconsiderado para efeito de correção. Receberá nota zero, em qualquer das situações expressas a seguir, a redação que: • tiver até 7 (sete) linhas escritas; • fugir ao tema ou que não atender ao tipo dissertativo-argumentativo; • apresentar proposta de intervenção que desrespeite os direitos humanos; • apresentar parte do texto deliberadamente desconectada do tema proposto. Texto I Depois de ser eliminado das Américas em 2016 segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o sarampo voltou a ser uma preocupação brasileira com a ocorrência de dois surtos em 2018 nos estados de Roraima e Amazonas, além de casos confirmados até o momento em São Paulo, Rio Grande do Sul, Rondônia e Rio de Janeiro. Como a única forma de prevenção é a vacina, a baixa cobertura vacinal é apontada como principal causa para a doença ter retornado ao país: a meta de vacinação contra o sarampo é de 95%, mas em 2017 a cobertura foi de 84,9% na primeira dose e de 71,5% na segunda, de acordo com o próprio Ministério da Saúde. Disponível em: https://portal.fiocruz.br/noticia/sarampo-de-volta-ao-mapa. Texto II Disponível em: www.google.com/search?q=vacinas+no+brasil+2019&rlz=1C1GCEU_pt-BRBR821BR825& source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=2ahUKEwjdsJeuwbjnAhXQGbkGHUPlC_4Q_AUoAnoECA0QBA&biw=1280&bih=610#imgrc=rt-jRgIxwIzOJM. LC – 1o dia | Caderno 1 - Cinza - Página 26 Texto III Apesar de já existirem pessoas que desconfiavam da eficiência e segurança da vacina, a comunidade médica acredita que o movimentoantivacina teve um estopim. Em 1998, o médico britânico Andrew Wakefield publicou um estudo em uma respeitada revista científica, a Lancet. Nele, Wakefield relacionava a vacina tríplice viral, que previne contra a caxumba, o sarampo e a rubéola, ao autismo. Das 12 crianças com autismo analisadas no artigo, 8 teriam manifestado a doença duas semanas depois da aplicação da vacina. A teoria era de que o sistema imunológico havia sofrido uma sobrecarga com a imunização. Um tempo após a publicação, o estudo começou a ser questionado. O médico estava envolvido com advogados que queriam lucrar a partir de processos contra fabricantes de vacinas. Além disso, ele utilizou dados falsos e alterou informações sobre os pacientes. Após a confirmação do caso, a Lancet se retratou e retirou o estudo de seus arquivos. Disponível em: https://guiadoestudante.abril.com.br/atualidades/entenda-o-que-e-o-movimento-antivacina/. PROPOSTA DE REDAÇÃO A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “Movimento antivacina e suas consequências” apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista. CH – 1o dia | Caderno 1 - Cinza - Página 27 CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS Questões de 46 a 90 QUESTÃO 46 Em 1946, o sambista Ataulfo Alves compôs o samba “Isto é o que nós queremos”, logo após a queda de Getúlio Vargas. Queremos nossa liberdade Liberdade para pensar e falar queremos escola para nossas crianças E queremos mais casas para o nosso povo... Queremos Leite, carne e pão E mais casas para o povo... Queremos Viver sem opressão Queremos progresso para nosso país. ALVES, Ataulfo. Isto é o que nós queremos, 1946. Ao correlacionar a letra do samba com o contexto político e social da época, infere-se que A o apelo ao progresso limita-se à implantação de um moderno sistema político corporativista no Brasil. B o artista apropriou-se do nome do movimento queremista e o associou à pauta social dos trabalhadores da época. C o compositor expressa seu apoio ao governo varguista, cumprindo as determinações do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP). D o samba de protesto foi um gênero bastante difundido durante o Estado Novo e teve por intuito criticar o regime varguista. E os problemas apontados pelo samba são um apelo estético, distante das dificuldades enfrentadas pela população. QUESTÃO 47 O sistema tradicional agrícola quilombola do Vale do Ribeira foi um dos cinco sistemas agrícolas que receberam o prêmio por valorizar boas práticas de salvaguarda e conservação da agrobiodiversidade. As 200 variedades agrícolas e medicinais catalogadas e todo o manejo das roças de 19 comunidades da região do Vale do Ribeira, em São Paulo, foram reconhecidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em cerimônia, na tarde desta segunda (18 de junho), na sede da instituição em Brasília. “Um prêmio como este ajuda a criar valor pro nosso conhecimento. Os jovens da comunidade começam a perceber e valorizar as roças. Como a gente vai sobreviver sem o nosso feijão, arroz, milho e a mandioca, que nós temos o costume de fazer de um jeito, do nosso jeito? É o nosso sistema”, disse Judith Dias, do Quilombo São Pedro. Disponível em: www.socioambiental.org/pt-br/blog/blog-do-vale-do-ribeira/quilombolas-do- vale-do-ribeira-sao-premiados-pela-embrapa. Acesso em: 15 jan. 2020. As comunidades remanescentes quilombolas na região do Vale do Ribeira têm como um dos seus elementos constitutivos A a atividade agrícola com manejo do solo e preservação do meio ambiente. B a compra de grandes porções de terras pelos ex- -escravos africanos libertos. C a formação a partir de afro-brasileiros fugidos do regime de trabalho servil. D o manejo degradante do solo dado pela prática de queimadas para limpar os roçados. E o recrutamento de negros ex-escravos para o trabalho nas lavouras de monocultura. QUESTÃO 48 Leia a reportagem de jornal. O curso “Habilidades emocionais e o impacto no desenvolvimento na engenharia: Felicidade” é aberto para alunos de todas as áreas e funcionários, e teve sua aula inaugural ministrada nesta segunda-feira, em Campinas. Segundo os idealizadores, o objetivo da disciplina é trabalhar os conceitos socioemocionais dos alunos, abordando autoconhecimento e relações humanas. A grade curricular da disciplina inclui tópicos como neurociência, a constituição do sujeito, a importância do vínculo social, a diferença entre sentimentos e emoções e missão, propósito e amor. G1. Acesso em: 17 mar. 2020. Muito se fala sobre a busca felicidade nos dias de hoje, e inúmeras fórmulas para tal são apresentadas. Na Antiguidade, ao analisar o conceito de felicidade, Aristóteles apontou que ela A é impossível para o homem. B é a finalidade das ações humanas. C é um sinônimo da liberdade existencial do ser-aí humano. D é imediata para todos os homens ao nascer. E tem sua origem apenas em bens materiais. CH – 1o dia | Caderno 1 - Cinza - Página 28 QUESTÃO 49 Disponível em: https://velhogeneral2018.files.wordpress.com/2019/07/mapa-1.jpg. Acesso em: 15 jan. 2020. Ao longo de toda a história registrada, o estreito demarcado conectou as civilizações árabe e persa com o subcontinente indiano, a Ásia e o Pacífico. Hoje, ele separa o Irã de Omã e dos Emirados Árabes Unidos, que têm fortes conexões de defesa com os EUA e a Arábia Saudita. O determinado estreito está entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã. É a única passagem marítima do Golfo Pérsico para o mar aberto e um dos gargalos mais importantes do mundo no escoamento de petróleo e de gás natural. Os últimos incidentes e o aumento das tensões entre EUA e Irã, no Oriente Médio, colocaram em evidência uma das artérias marítimas mais importantes do planeta. Essa artéria marítima é o A Estreito de Suez. B Estreito Bósforo C Estreito de Bering D Estreito de Ormuz. E Estreito de Gibraltar. CH – 1o dia | Caderno 1 - Cinza - Página 29 QUESTÃO 50 No Djibuti – um país minúsculo, mas estrategicamente localizado – sinais da presença da China estão por toda parte. Entidades chinesas financiaram e construíram o maior porto da África e uma ferrovia para a Etiópia. Foi lá também o local que os chineses escolheram para estabelecer sua primeira base naval militar fora do país. Agora, os investimentos chineses estão chegando ao fundo do mar, com a construção de um cabo de internet que transmitirá dados através de uma região que se estende do Quênia ao Iêmen. O cabo se conectará a um hub que hospeda servidores da internet, administrados principalmente por empresas de telecomunicações estatais da China. Disponível em: www.gazetadopovo.com.br/mundo/crescente-influencia-da-china-na-africa-djibouti/. Acesso em: 105 jan. 2020. Com essas incursões na África, a China A mantém seu sustentável crescimento econômico, destacando-se também investimentos em países conhecidos como Leões Africanos. B expande o modelo econômico de socialismo de mercado para economias que historicamente permaneceram na periferia capitalista. C vê a África como um continente com muitas oportunidades, visto que há dezenas de países socialistas, no qual ela pode estabelecer ativas alianças. D se distancia dos seus interesses econômicos no continente americano, em países como a Nicarágua, abrindo espaço para a retomada econômica dos Estados Unidos. E obteve acesso a recursos minerais vitais e a um vasto mercado à procura de produtos baratos localizado no centro do mapa-múndi, além de contar com o apoio de vários “países amigos” em organizações globais, como nas Nações Unidas (ONU).CH – 1o dia | Caderno 1 - Cinza - Página 30 QUESTÃO 51 Houston Rockets perde parceiros na China após tuíte sobre Hong Kong Gerente geral da equipe da NBA pediu luta por liberdade, e duas marcas romperam. Em seu Twitter pessoal, Morey postou uma imagem com os dizeres “Fight for freedom. Stand with Hong Kong” (“Lute pela liberdade. Fique com Hong Kong”, em tradução livre). A publicação foi uma espécie de apoio aos protestos que estão em andamento em Hong Kong, território que possui uma luta histórica com a China em busca de independência [...]. Para completar, a situação não ficou ruim para a franquia da NBA apenas com relação aos parceiros. A emissora estatal chinesa CCTV simplesmente removeu os jogos da equipe da programação. Já a Tencent, parceira de direitos de mídia digital da NBA, suspendeu tudo que se relaciona com o Rockets, tirando o time de seus pacotes e ainda oferecendo compensações financeiras pela mudança. Disponível em: https://www.maquinadoesporte.com.br/artigo/houston-rockets-perde- apoios-na-china-pos-tuite-sobre-hong-kong_38395.html. Acesso em: 15 jan. 2020. Em um mundo cada vez mais globalizado, muitos times têm conseguido grande repercussão externa e em mercados até pouco tempo atrás pouco considerados. A China é o segundo mercado da Liga Americana de Basquete fora dos EUA, e a repercussão da postagem em defesa de Hong Kong deixou claro que A os EUA ainda mantêm a dinâmica presente na Guerra Fria em suas relações externas. B a crescente xenofobia nos EUA tem retirado inúmeros patrocínios de suas empresas internacionais. C com a globalização dos mercados, inúmeras questões políticas locais podem alterar relações econômicas globais. D com a globalização, foram extintas todas as diferenças econômicas globais. E a China não representa um mercado importante no contexto global. QUESTÃO 52 Até o século XI, quase todo mundo comia com as mãos. Os mais educados eram aqueles que usavam apenas três dedos para levar o alimento à boca. Naquele século, Domenico Salvo, membro da corte de Veneza, casou-se com a princesa Teodora, de Bizâncio. Ela trouxe no enxoval um objeto pontudo, com dois dentes, que usava para espetar os alimentos. […] O primeiro a sugerir que cada homem deveria ter um talher para ser usado exclusivamente à mesa foi o cardeal francês Richelieu (1585-1642), um fervoroso defensor das boas maneiras, por volta de 1630. Ao contrário da faca, a colher já surgiu com o objetivo de ser usada à mesa. Há registros arqueológicos de artefatos parecidos com mais de 20 000 anos, feitos de madeira, pedra e marfim. Mas, no início, a colher era de uso coletivo e parecia uma concha. História dos talheres. Disponível em: www.portalsaofrancisco.com.br/culinaria/historia- dos-talheres. Acesso em: 15 jan. 2020. De acordo com o excerto, o comportamento à mesa e o uso de talheres em diferentes épocas da história ocidental representa uma transição, pois A na Idade Média as comunidades acumulavam o que tinham, visto que no feudalismo predominava a igualdade social. B na Idade Média não existia tecnologia e se usavam as mãos devido à inexistência de utensílios apropriados. C na Idade Média predominavam as práticas sociais coletivas e, na Idade Moderna, o individualismo. D na Idade Moderna as pessoas eram menos sofisticadas do que na Idade Média, já que tinham acesso a produtos manufaturados. E na Idade Moderna não se observam transformações em relação aos hábitos alimentares em comparação com a Idade Média. QUESTÃO 53 Tabacaria Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo. Janelas do meu quarto, Do meu quarto de um dos milhões do mundo que [ninguém sabe quem é (E se soubessem quem é, o que saberiam?), Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente [por gente, Para uma rua inacessível a todos os pensamentos, Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente [certa, Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos [seres, Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos [brancos nos homens, Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada [de nada. [...] Come chocolates, pequena; Come chocolates! Olha que não há mais metafísica no mundo senão [chocolates. Olha que as religiões todas não ensinam mais que a [confeitaria. CH – 1o dia | Caderno 1 - Cinza - Página 31 Come, pequena suja, come! Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade [com que comes! Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha [de estanho, Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida. [...] PESSOA, Fernando. Poesias de Álvaro de Campos. Lisboa: Ática, 1993[1944]). p. 252. Disponível em: http://arquivopessoa.net/textos/163. O trecho do poema “Tabacaria”, de Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa), apresenta um personagem que tem em si uma compreensão da ausência de um sentido último para ser realizado, mas que, ao mesmo tempo, se vê diante da pluralidade de possibilidades abertas por essa ausência de sentido. Essa compreensão parece corresponder à leitura clássica da corrente existencialista, que apresenta como ponto fundamental A a precedência do mercado sobre o estado. B a precedência da existência sobre a essência. C a precedência do gesto democrático sobre o totalitário. D a defesa da existência de ideias inatas. E o imperativo categórico kantiano. QUESTÃO 54 Quanto ao movimento operário, [Washington Luís] afirmava tratar-se de um problema que interessava mais à ordem pública do que à ordem social, conceito que repetiria mais tarde durante sua campanha para a Presidência da República. Essa assertiva deu margem à acusação de que considerava a questão social um caso de polícia. MAYER, Jorge Miguel. Washington Luís. Disponível em: https://cpdoc.fgv.br/sites/default/ files/verbetes/primeira-republica/LU%C3%8DS,%20Washington.pdf. Acesso em: 15 jan. 2020. A correlação da frase do ex-presidente Washington Luís a um “sintoma” característico da República Oligárquica pode ser exemplificada A pelo apoio às manifestações de trabalhadores. B pela aprovação do toque de recolher. C pela outorga da legislação trabalhista. D pela repressão contínua às greves e protestos. E pela restrição da entrada de imigrantes. QUESTÃO 55 A globalização neoliberal é uma das transformações históricas de ordem econômica internacional que se expressam sucessivamente no regime colonial – o padrão ouro, o acordo de Bretton Woods e a supressão atual das fronteiras comerciais. Em todos esses esquemas distintos existem, evidentemente, relações de dominação entre os países centrais e a periferia, mas também há acordos indispensáveis para a convivência pacífica e a ordem das transações econômicas entre nações. O neoliberalismo dificilmente poderia deixar de impor tais requisitos. A diferença é que o faz não somente no campo das relações internacionais, mas também sobre a direção e o conteúdo das políticas e instituições internas. Por isso, integram-se em normas e regras que auspiciam determinadas políticas e eliminam os conteúdos em outros modelos, inspirados em planejamentos ideológicos racionalizadores. O estabelecimento dessas normas e suas consequências justificam alterações profundas na vida dos países, particularmente na divisão do trabalho entre o Estado e o mercado ou entre os poderes dos governos nacionais e os da globalização. Consequentemente, o neoliberalismo e a globalização postulam critérios que devem satisfazer os governos – singularmente os do Terceiro Mundo –, quase sempre com escassa ou nula anuência dos cidadãos afetados [...]. Disponível em: www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid =S0101-315720110002000040. Acesso em: 15 jan. 2020. No Brasil, a era neoliberal ganhou força com A a criação do Plano Cruzado no GovernoSarney, que tinha como principal objetivo a redução e o controle da inflação. B a eleição de Fernando Henrique Cardoso, que justificava o crescimento desse modelo para manter o desenvolvimento e a estabilidade monetária. C a decadência do Milagre Econômico e o enfraquecimento do Estado ao longo da Década Perdida, abrindo espaço para o avanço do capital estrangeiro. D a chegada de Fernando Collor de Mello à Presidência, que aumentou o intervencionismo estatal em setores estratégicos, dificultando a entrada de capital externo. E a criação do Programa de Aceleração do Crescimento, no Governo Lula, que facilitou intensos projetos de privatizações no setor de construção civil. QUESTÃO 56 Gradiente fisionômico da vegetação Disponível em: www.icmbio.gov.br/educacaoambiental/images/stories/biblioteca/ permacultura/Manual_recuperacao. Acesso em: 15 jan. 2020. Alguns fatores naturais explicam a existência dos diferentes tipos fisionômicos do determinado bioma acima. Por exemplo, quanto maior a disponibilidade de nutrientes e de água, maiores e mais abundantes tendem a ser as árvores. Pelas características do gradiente fisionômico, o bioma representado acima é o A do Cerrado. B da Caatinga. CH – 1o dia | Caderno 1 - Cinza - Página 32 C das Pradarias. D das Araucárias. E dos Mares de Morros. QUESTÃO 57 Ipea aponta que os mais ricos têm 9,5 vezes mais chances de se deslocar a pé ao trabalho que os mais pobres em SP SP tem a maior desigualdade de acesso a pé ao trabalho entre as 20 cidades mais populosas do país. Em Maceió, que tem a menor desigualdade, mais ricos têm quase o dobro de chance. Deslocar-se a pé de casa ao trabalho pode ser considerado um luxo no Brasil. É o que sugere um estudo divulgado nesta quinta-feira (16) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que revela, por exemplo, que em São Paulo os mais ricos têm 9,5 vezes mais chance de encontrar oportunidades de trabalho que podem ser acessadas a pé em até 30 minutos .“Uma coisa que a gente encontrou como padrão geral para todo o país é que, via de regra, pessoas de mais alta renda e pessoas brancas têm maior acesso a oportunidades que pessoas negras e de baixa renda”, enfatizou o pesquisador do Ipea, Rafael Pereira. SILVEIRA, Daniel. G1. Acesso em: 16 jan. 2020. A reportagem expõe como muitos brasileiros vivem uma rotina cansativa nos transportes públicos em função da distância entre sua residência e os locais em que há oportunidades de trabalho. Fatores como esses evidenciam que o modo como as cidades são construídas e organizadas fundamenta A a superação da desigualdade social. B a perpetuação da desigualdade social. C a superação da globalização. D a equalização do consumo em todos os territórios. E a inclusão do lazer em todas as comunidades. QUESTÃO 58 Na caminhada, que durou 25 dias em direção ao litoral, Gandhi e seus seguidores paravam de cidade em cidade para descansar. Em cada lugar, conseguiam mais simpatizantes. Naquela época, os indianos eram obrigados a comprar produtos industrializados da Inglaterra, sendo proibidos inclusive de extrair o sal no próprio país. O apóstolo da não violência queria acabar com o monopólio que o Império Britânico havia imposto sobre o sal, símbolo do colonialismo para os indianos. A Marcha do Sal contagiou não só a Índia, mas comoveu a opinião pública de todo o mundo. O homem magro, de pequenos óculos redondos, pregador da resistência pacífica, conseguiu mobilizar uma grande ação de desobediência civil que levou, 17 anos mais tarde, à independência da Índia do colonialismo britânico, que havia se iniciado no século XVIII. 1930: Gandhi inicia a Marcha do Sal. Disponível em: www.dw.com/pt-br/1930-gandhi- inicia-a-marcha-do-sal/a-471245. Acesso em: 15 jan. 2020. De acordo com as informações do texto, a Marcha do Sal liderada por Gandhi demonstrava A uma adesão à política neocolonialista industrial da Inglaterra. B uma cooperação entre a economia inglesa e o governo de Gandhi. C uma política educativa para limitar o uso do sal marinho pelos indianos. D uma recusa à exploração neocolonial da Índia pela Inglaterra. E um apoio à cobrança de tributos aos produtos agrícolas hindus. QUESTÃO 59 Queres gozar dos prazeres que proporciona uma vida doméstica cheia de tranquilidade e de harmonia? Escolhe mulher que te seja proporcionada, de modo que não tenhas o trabalho de elevá-la até à tua altura, nem o de baixar-te à altura dela. Pitágoras Mulheres e homens têm a mesma natureza em relação à tutela do Estado, salvo na medida em que um é mais fraco e o outro é mais forte. Platão As frases anteriores são atribuídas a dois célebres filósofos gregos do mundo antigo, o que permite inferir que na Grécia Antiga havia A cooperação entre homens e mulheres no sistema democrático ateniense. B culto da feminilidade por sua capacidade de gerar filhos aos homens gregos. C discriminação das mulheres e restrição de sua partici- pação na política. D igualdade política das mulheres, desde que fossem proprietárias de terras. E maior participação política dos estrangeiros do que das mulheres gregas. QUESTÃO 60 Não há trabalho formal O desemprego já atinge 13,4 milhões de brasileiros. Destes, 4,8 milhões estão em situação de desalento, quando se desiste de procurar trabalho. A economista Marilane Teixeira, pesquisadora de relações trabalho e gênero do CESIT/IE-Unicamp explica que sem a possibilidade de ter um emprego formal, os trabalhadores encontram formas de sobreviver pela sua própria demanda e vão para lugares públicos de maior circulação para oferecer seus produtos e serviços. LC – 1o dia | Caderno 1 - Cinza - Página 33 Disponível em: www.brasildefato.com.br/2019/05/03/de-ambulante-a-motorista-de- aplicativo-brasil-tem-39-milhoes-no-trabalho-informal/. Acesso em: 15 jan. 2020. O mercado de trabalho formal urbano, como se sabe, não tem sido capaz de absorver os contingentes de desempregados. Diante da falta de empregos formais, muitos são obrigados a trabalhar informalmente, sem a figura do patrão. As mudanças da dinâmica no mercado de trabalho brasileiro revelam que A a crise econômica, aliada à reestruturação de vários ramos da economia, tem contribuído para a expansão das atividades informais. B a oscilação da população trabalhadora entre o emprego formal e o informal marca uma tendência ao crescimento da formalidade empregatícia. C os salários no Brasil continuam elevados porque o trabalhador, principalmente o menos qualificado, que é o mais abundante, tem pouco valor econômico. D a população brasileira é, hoje, predominantemente urbana, e a força de trabalho informal concentra-se principalmente nos setores terciário e quaternário da economia. E o processo de envelhecimento rápido da estrutura demográfica, motivada pela elevação da expectativa de vida da população, é o principal responsável pela informalidade do emprego. QUESTÃO 61 Com escuridão atípica, dia vira noite em São Paulo nesta segunda SÃO PAULO – Três da noite? O relógio ainda marcava 15 horas nesta segunda-feira, 19, em São Paulo, quando o céu escureceu, o que causou a impressão de que a tarde tivesse virado noite na cidade. Disponível em: https://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/ geral.com-escuridao-atipica-diavira-noite-em-sao-paulo- nesta-segunda,70002974047. Acesso em: 15 jan. 2020. São Paulo começou a tarde daquela segunda-feira (19 de agosto de 2019) com o céu encoberto por nuvens e o “dia virou noite”. O fenômeno está relacionado A à chegada de uma frente fria e também de partículas oriundas da fumaça produzida em incêndios florestais. B à frente fria, mas também à quantidade de poluentes emitidos pelos automóveis desde o fim do rodízio de placas. C ao excesso de poluentes liberados na maior metrópole brasileira somado à fumaça de queimadas na Região Amazônica. D à elevada temperatura, que contribuiu para chuvas convectivas, potencializandoa escuridão pela presença do efeito smog. E à presença da massa tropical atlântica (mTa), que convergiu com os poluentes provindos das queimadas na Floresta Amazônica. QUESTÃO 62 É isto o que faz toda pessoa que propõe um negócio a outra. Dê-me aquilo que eu quero, e você terá isto aqui, que você quer – esse é o significado de qualquer oferta desse tipo; e é dessa forma que obtemos uns dos outros a maioria dos serviços de que necessitamos. Não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que esperamos nosso jantar, mas da consideração que eles têm pelo seu próprio interesse. Dirigimo-nos não à sua humanidade, mas à sua autoestima, e nunca lhes falamos das nossas próprias necessidades, mas das vantagens que advirão para eles. A riqueza das nações, Adam Smith. A compreensão acerca do sistema econômico presente nas obras de A. Smith, segundo o texto, revela A que o capitalismo é um sistema falido que precisa ser superado. B que deveríamos retornar à plena liberdade presente no sistema feudal. C que o capitalismo consegue converter o egoísmo do homem em uma mobilização para o bem comum. D a necessidade de obras públicas que gerem novos empregos, dando base ao modelo social ideal. E a ideia de que o sistema capitalista só funciona em estruturas imperiais. QUESTÃO 63 Uma vez que a cidade é por natureza uma pluralidade, e se sua unificação for excessivamente compelida, de cidade ela se torna família, e de família, indivíduo: com efeito, podemos afirmar que a família é mais una que a cidade, e o indivíduo mais uno que a família. Por conseguinte, mesmo supondo que alguém tem condições de realizar essa unificação, deve-se resguardar de fazê-lo, pois isso conduziria a cidade à ruína. A cidade é composta não apenas de uma pluralidade de indivíduos, mas ainda de elementos especificamente distintos.. Aristóteles Um dos pensadores essenciais da política, Aristóteles dedicou uma obra a pensar como a sociedade se constituiu e quais seriam suas funções fundamentais. O trecho acima destaca CH – 1o dia | Caderno 1 - Cinza - Página 34 A o processo teleológico na constituição do homem como zoon politikon. B o processo fisiológico de construção da política civil grega. C o processo fenomenológico na constituição do homem como zoon politikon. D o processo epistemológico do ser-aí moderno. E o processo ontológico de construção da hermenêutica ocidental. QUESTÃO 64 Mas esses elementos, apesar de cristalizados e permanentes, não se encontram formulados em lugar nenhum. Não há códigos de lei, escritos ou expressos explicitamente; toda a tradição tribal e sua estrutura social inteira estão incorporadas ao mais elusivo dos materiais: o próprio ser humano. MALINOWSKI, Bronislaw. Argonautas do Pacífico Ocidental. São Paulo: Editora Abril, 1984. O trecho revela uma importante descoberta feita por Malinowski acerca do desenvolvimento de uma antropologia mais ampla e complexa, que é A a importância do antropólogo estar apartado da sociedade estudada. B a importância do método cartesiano. C a necessária imersão do antropólogo nas estruturas sociais que busca compreender. D a impossibilidade de desenvolver uma antropologia ativa. E o impacto da globalização nos processos antropológicos. QUESTÃO 65 A revolução urbana foi um feito de incalculável importância para o bem-estar humano. Por um lado, a cidade é um centro de povoamento eficaz porque reduz a “fricção do espaço”, ou seja, permite às pessoas viver perto do mercado e de seu lugar de trabalho. Também estimula a especialização e, devido ao tamanho de seu mercado, faz com que a produção em massa seja rentável. Por outro lado, o modo de vida urbano acarretou uma série de dificuldades desconhecidas no campo: problemas para prover água à população, de instalações sanitárias e de limpeza de ruas; […] de construção de prédios altos sem estabilidade. POUNDS, N. J. G. La vida cotidiana: historia de la cultura material. Barcelona: Ed. Crítica, 1992. p. 338.. De acordo com o texto, o renascimento urbano e comercial ocorrido na sociedade feudal europeia A trouxe a estagnação econômica e o afastamento dos núcleos populacionais das cidades. B gerou novos desafios produtivos, com a redução do trabalho remunerado e da vida urbana. C retardou a desagregação do sistema feudal e das relações sociais de suserania e vassalagem. D favoreceu a expansão da atividade mercantil e a reocupação de antigas cidades abandonadas. E racionalizou os processos produtivos sem interferir na organização dos espaços físicos do campo. QUESTÃO 66 Conclui-se que a economia mineira representava baixa nos níveis de renda distribuídos de uma maneira menos desigual do que no caso do açúcar. Mas se a sociedade mineira foi das mais abertas da Colônia, essa abertura teria se dado por baixo, pela falta – quase ausência – do grande capital e pelo seu baixo poder de concentração. Daí o número de pequenos empreendedores, daí o mercado maior constituído pelo avultado número de homens livres – homens esses, entretanto, de baixo poder aquisitivo e pequena dimensão econômica. Em suma, levando-se adiante essas considerações, a constituição democrática da sociedade mineira poderia se reduzir numa expressão: um número de pessoas dividia a pobreza. SOUSA, Laura de Mello e. Desclassificados do ouro: a pobreza mineira no séc. XVIII. Rio de Janeiro: Graal, 2004. p. 44-51. Ao se analisar a economia e a sociedade mineradora, muitos historiadores afirmam que essa foi uma sociedade que experimentou uma conjuntura de maior mobilidade social, porém marcada por um “falso fausto” (falsa riqueza). Essa contradição se explica devido A à distribuição equitativa das lavras e datas de ouro e diamante, o que garantia oportunidades a todos. B ao acesso ao mercado consumidor pelos mais pobres, já que o ouro era uma riqueza pronta. C ao sistema escravista, que permitia uma ascensão social a partir da compra da alforria. D à socialização da pobreza em decorrência dos altos custos, ainda que houvesse casos de enriquecimento. E à possibilidade de ascensão social em virtude do trabalho livre e disciplinado de ex-escravos. CH – 1o dia | Caderno 1 - Cinza - Página 35 QUESTÃO 67 Áreas mais atingidas por incêndios florestais na Austrália Estados de New South Wales e Victoria são os que tiveram mais focos na 1a semana de janeiro. A Austrália vive um dos piores incêndios florestais dos últimos anos, desde setembro de 2019. As queimadas já atingiram mais de 6,3 milhões de hectares de terras pelo país, uma área do tamanho da Áustria. Foram destruídos milhares de prédios e cidades ficaram sem eletricidade e sinal de telefonia móvel, acrescentando-se perdas humanas e quase meio milhão de vida silvestre. Quase que paralelo, diversos focos de incêndios devastaram parte da Amazônia Legal desde agosto de 2019, contribuindo para um grande impacto socioambiental. NSW Rural Fire Service. Disponível em: google.org. Acesso em: 7 jan. 2020. Em relação aos incêndios citados anteriormente, infere-se que A na Amazônia, os incêndios se espalham principalmente pela floresta tropical úmida de forma natural, como ocorre todos os anos. B incêndios naturais ou de causa proporcionada favorecem o desenvolvimento das florestas, sejam elas em regiões tropicais secas ou úmidas. C os incêndios registrados tanto na Austrália quanto na Floresta Amazônica brasileira são de simetrias naturais, relacionados à elevadas temperaturas regionais. D assim como a Floresta Amazônica, a Austrália vive uma crise ambiental relacionada ao desmatamento das florestas de eucalipto, contribuindo para os incêndios. E na Austrália, os incêndios se espalham principalmente pela floresta tropical seca, mas no último verão estavam muito mais intensos, extensos e duradouros por causa de eventos naturais, diferentemente dos que ocorreram na Floresta Amazônica. QUESTÃO 68 A área hachuradaaponta o desequilíbrio negativo entre o crescimento demográfico e a produção de alimentos. Essa área pode ser nomeada de A consumo marxista. B catástrofe malthusiana. C pegada neomalthusiana D desequilíbrio reformista. E produção ecomalthusiana. QUESTÃO 69 Michel de Montaigne foi um dos mais importantes filósofos do Renascimento. [...] Em “Dos Canibais”, o 31o ensaio do Livro I, ele critica os critérios europeus para rotular os indígenas como “bárbaros” […]. Montaigne afirma que “há mais barbárie em comer um homem vivo do que em comê-lo morto”, querendo dizer com isso que os europeus não possuem autoridade para criticar o canibalismo. Afinal, o que enceta maior crueldade: excruciar por dias a fio uma pobre alma, ou alimentar-se de um corpo que não sente mais dor, pois encontra-se morto? Mas o mais importante para o filósofo francês é que o canibalismo possui um significado, não se trata de mera excentricidade gastronômica. Ao comer a carne do guerreiro derrotado, segundo os indígenas, absorvia-se sua vitalidade, tornando-se mais fortes, mais vigorosos. Não é uma iguaria a ser servida aleatoriamente, existe um sentido por trás de sua ação, que demonstra que seus costumes possuem uma racionalidade. Essa racionalidade, ainda que distinta da dos europeus, não permite dizer que os “selvagens” sejam inferiores. Disponível em: http://obviousmag.org/pari_passu/2017/montaigne-dos-canibais.html. Acesso em: 21 nov. 2019. De acordo com o texto, Michel de Montaigne A apresenta a noção de relativismo cultural, que defende a superioridade cultural de determinados grupos. B afirma que os grupos indígenas são mais bárbaros do que os europeus, pois não conhecem o cristianismo. C defende que a diferença de costumes não constitui um critério válido para julgar as diferentes sociedades. CH – 1o dia | Caderno 1 - Cinza - Página 36 D propõe a ideia de barbárie como um padrão social que interpõe a ausência de uma cultura civilizada. E idolatra a inocência dos indígenas e a razão dos europeus, questões que explicam seus costumes similares. QUESTÃO 70 Privacidade hackeada mostra que termos e condições da democracia viraram um jogo “Teremos eleições seguras novamente?”, indaga a jornalista britânica e finalista do Prêmio Pulitzer, Carole Cadwalladr. Ao lado do professor David Carroll e da ex- -funcionária da Cambridge Analytica, Brittany Kaiser, estrelam documentário que, um ano depois do tsunami, expõe as entranhas de um esquema no qual você é peça imprescindível. Disponível na Netflix, Privacidade hackeada joga luz sob o poder do tráfico de dados de gerar dinheiro e decidir os rumos políticos do mundo. Com a Cambridge Analytica no centro da discussão, a peça mostra como a manipulação pelas redes sociais coloca a democracia em risco. Disponível em: hypeness.com.br/2019/08/privacidade-hackeada-mostra-que-termos-e- condicoes-da-democracia-viraram-um-jogo/. Acesso em: 15 jan. 2020. . O documentário apresentado aborda como uma empresa, usando como base os dados coletados nas redes sociais, contribuiu para inúmeros resultados eleitorais nos últimos anos. A manipulação do discurso, mediante alguma técnica para convencer o eleitor não é algo novo; na Atenas clássica, muitos pensadores desenvolveram técnicas de fala e estruturação dos discursos em busca de convencer aqueles que votavam nas leis da cidade. Esses pensadores A eram denominados fenomenólogos e usavam a hermenêutica como técnica. B eram denominados socráticos e usavam a dialética como técnica. C eram denominados sofistas e usavam a retórica como técnica. D eram denominados justinianos e usavam a fé como técnica. E eram denominados narcisistas e usavam a beleza como técnica. QUESTÃO 71 Weber demonstrou muito bem que a objetividade científica não impunha, necessariamente, nenhuma limitação ética ao cientista. Contudo, como sucedeu com outros cientistas sociais eminentes da época, ocupou-se com um modelo de explicação sociológica que não permite representar os fenômenos sociais em termos de relações de sequência vistas no plano histórico, largamente irrelevante para discussão de questões práticas concernentes a processos macrossociais. Seria absurdo manter aquela atitude em nossos dias. De um lado, porque sabemos que ela nada tem a ver com o espírito científico propriamente dito. Ela representa um dos efeitos intelectuais da acomodação do cientista à concepção liberal do mundo. De outro, porque os cientistas sociais podem lidar com as “questões práticas” de forma objetiva, desligando-se do substrato ideológico imanente à eclosão delas nas correntes e movimentos sociais. Em outras palavras, as tendências de desenvolvimento social constituem dados de fato. Acontece que esses dados de fato se impõem à análise como algo de interesse prático fundamental, seja para o conhecimento das exigências da situação, seja para a criação e a utilização de técnicas sociais apropriadas. A sociologia numa era de revolução social, Florestan Fernandes. A análise de Florestan Fernandes aponta para a transição representada pelo pensamento de Weber na sociologia clássica. Buscando construir análise mais ampla dos processos sociais e das escolhas individuais, Weber acabou se opondo ao modelo proposto por Durkheim, que busca, com seu modelo de fato social, A construir uma ciência social nos moldes da filosofia. B construir uma ciência social nos moldes da ética. C construir modelos sociais de caráter semelhante aos das ciências naturais. D construir um modelo de análise social focado nas emoções. E estruturar uma análise poética da realidade social. QUESTÃO 72 Não é absurdo supor que os habitantes da Alexandria antiga possam ter tido sentimentos semelhantes diante da monumentalidade de sua biblioteca. Um local meio sagrado, meio misterioso, em que poucos tinham o privilégio de entrar. É curiosa a história dessa biblioteca que, em grande medida, deve a sua fundação a um dos maiores conquistadores da Antiguidade. Quando conquistou o norte do Egito em sua luta contra os persas, Alexandre, o Grande, oriundo da Macedônia, fundou a cidade cujo nome o homenageia. Nove anos depois, um de seus generais, Ptolomeu I, fundou a dinastia ptolomaica. Ele e seu filho, Ptolomeu II, são considerados os fundadores da famosa biblioteca. […] Há controvérsias em saber com precisão quem verdadeiramente fundou a biblioteca, se Ptolomeu I ou seu filho, Ptolomeu II. Os historiadores, no entanto, convergem no sentido de afirmar que Ptolomeu I foi um grande patrono das letras, devendo-se esse interesse, talvez, à influência de Aristóteles; porém, o mais provável é que a sólida formação cultural era generalizada entre os indivíduos da elite grega. Os historiadores [também] divergem em relação à quantidade de volumes que a biblioteca chegou a conter em seu acervo. Os números variam entre 400 mil e um milhão de papiros. […] Considerando-se que um rolo de papiro ocupava um espaço considerável em relação ao tamanho atual dos livros, pode-se imaginar o tamanho do edifício da Biblioteca de Alexandria destinado a abrigar o seu acervo. […] Ao longo dos seus mais de sete séculos de existência, a biblioteca sobreviveu a inúmeras invasões, sítios e saques a Alexandria, apesar de ter sofrido nesses episódios todo tipo de violações e depredações. Disponível em: www.sesc.com.br/portal/site/palavra/ensaio/ensaios_interna/a+biblioteca+ de+alexandria+e+outras+bibliotecas. Acesso em: 25 nov. 2019. CH – 1o dia | Caderno 1 - Cinza - Página 37 A biblioteca de Alexandria teve um papel fundamental em diversos aspectos, visto que A popularizou a figura de Alexandre Magno e perpetuou as histórias de suas realizações. B operou como um importante centro de investigação científica, do qual surgiram as universidades. C perpetuou o conhecimento e o legado cultural grego antigo e permitiu sua transmissão a outros povos. D tornou a cidade de Alexandria o epicentroeconômico e cultural mais importante do mundo antigo dos gregos. E congregou os principais registros arqueológicos e avançou na produção de um conhecimento museológico. QUESTÃO 73 Quem não for capaz de definir com palavras a ideia de bem, separando-a de todas as outras, e, como se estivesse numa batalha, exaurindo todas as refutações, esforçando-se por dar provas, não através do que parece, mas do que é, avançar através de todas estas objeções com um raciocínio infalível, não dirás que uma pessoa nestas condições conhece o bem em si, nem qualquer outro bem, mas, se acaso toma contato com alguma imagem é pela opinião, e não pela ciência que agarra nela, e que a sua vida atual a passa a sonhar e a dormir, pois, antes de despertar dela aqui, primeiro descerá ao Hades para lá cair num sono completo? A República, Platão. O trecho indica a clássica leitura de Platão acerca do conhecimento do bem em sua obra A República, na qual ele compreende que o governo deve ser feito por A todo cidadão nascido na cidade onde o governo se formar. B filósofos especialistas no conceito de bem e de justiça. C mulheres, menos suscetíveis à retórica sofista. D estrangeiros, sem qualquer interesse nos assuntos internos. E mestres da retórica, que governam pelo discurso. QUESTÃO 74 Área ocupada pela silvicultura, por grupos de espécies florestais (mil ha) IBGE. Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Agropecuária, Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura, 2018. A chegada do eucalipto no Brasil ocorreu em 1825 e, nessa época, as árvores foram utilizadas como planta ornamental no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Em 1868, foram realizados os primeiros plantios da espécie para gerar lenha e formar barreiras contra o vento no Rio Grande do Sul. Entretanto, foi só em 1909 que a produção de eucaliptos ganhou impulsão em território brasileiro, por intermédio do engenheiro agrônomo Edmundo Navarro de Andrade, que se interessou pelo estudo e pelo cultivo da espécie. Posteriormente, diversos empresários do ramo da silvicultura e alguns órgãos públicos iniciaram seus projetos florestais com o eucalipto. Atualmente, Minas Gerais é o estado com maior área de eucaliptos no Brasil, possuindo 2% de sua extensão ocupada pela espécie. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases /2 5437-pevs-2018-producao-da-silvicultura-e-da-extracao-vegetal-chega-a-r-20-6-bilhoes-e-cresce-8-0-em-relacao-a-2017. Acesso em: 15 jan. 2020. . Uma das grandes vantagens do eucalipto e de sua rápida difusão é o fato de A ser uma espécie vegetal de lento crescimento e adaptada para as situações morfoclimáticas brasileiras. B ser uma policultura, atraindo grandes investimentos em pesquisas pela Embrapa, e ter disponibilidade de solos para o aumento da área plantada. CH – 1o dia | Caderno 1 - Cinza - Página 38 C ter sido amplamente absorvido pelos pequenos e médios produtores, pois essa árvore pode ser plantada em qualquer lugar, adaptando-se aos mais diversos tipos de clima e de solo. D a planta ser capaz de se adaptar a reduzidos tipos de climas, desde locais quentes e secos, como os deserto australianos, a climas muito úmidos e frios, como na Escócia. E possuir alto índice de rentabilidade, já que o seu cultivo permite a extração da celulose, a produção de carvão vegetal e também a produção de chapas de madeira, amplamente utilizadas pela indústria civil. QUESTÃO 75 Os gráficos abaixo demonstram duas situações climáticas distintas no continente africano. precipitação temperatura 350 300 250 200 150 100 50 0(mm) precipitação temperatura 350 300 250 200 150 100 50 0(mm) Entebe - UGANDA Ain Salah - ARGÉLIA 40 30 20 10 0ºC -10 -20 40 30 20 10 0ºC -10 -20 MAGNOLI, Demétrio; ARAÚJO, Regina. Projeto de ensino de Geografia, natureza, tecnologias, sociedades. São Paulo: Moderna, 2000. Os climogramas anteriores se referem, respectivamente, aos climas A tropical de altitude e desértico. B equatorial e tropical semiárido. C tropical semiúmido e desértico. D subtropical e tropical semiárido. E mediterrâneo e tropical semiárido QUESTÃO 76 Disponível em: https://jovemnerd.com.br/nerdbunker/primeira-imagem-do-filme-animado- de-superman-entre-a-foice-e-o-martelo-e-revelada/. Acesso em: 15 jan. 2020. Animação Superman: entre a foice e o martelo ganha trailer cheio de ação Longa é inspirado em aclamada HQ de Mark Millar. A animação Superman: entre a foice e o martelo, adaptação da graphic novel lançada em 2003 por Mark Millar (Velho Logan, Kick-Ass) na DC, ganhou um trailer cheio de ação que mostra o mundo alternativo em que a nave do kryptoniano aterrissa na União Soviética [...]. Disponível em: www.omelete.com.br/filmes/superman-entre-a-foice- e-o-martelo-animacao-trailer. Acesso em: 15 jan. 2020.. Inspirada no quadrinho homônimo, a animação Superman: entre a foice e o martelo apresenta o personagem clássico dos quadrinhos americanos em uma situação bastante diversa. Nessa história, a nave do personagem cai na URSS no auge do domínio de Stalin. O principal herói americano aparecendo em solo soviético chama a atenção devido ao fato de A essas duas nações terem sido aliadas durante muitos anos. B o longo conflito indireto existir entre as nações no período denominado Guerra Fria. C haver uma disputa entre os dois países em busca de se tornar a maior nação capitalista de sua época. D ambos terem sido colonizados por espanhóis. E haver uma disputa entre os dois países em busca de se tornar a maior nação socialista de sua época. CH – 1o dia | Caderno 1 - Cinza - Página 39 QUESTÃO 77 Disponível em: https://wiki.redejuntos.org.br/busca/religioes-do-brasil-coexistencia-de-evangelicos-catolicos-umbandistas-candomblecistas-judeus. Acesso em: 30 nov. 2019. Ao se analisarem os gráficos, pode-se inferir um fator histórico e uma transformação dentro da sociedade contemporânea brasileira, como a A inaptidão do cristianismo em assimilar aspectos de outras religiões, como atesta o avanço das religiões umbandistas. B assimilação de noções de liberdade religiosa na esfera pública, devido ao crescimento das religiões espíritas. C permissão para o funcionamento de igrejas não cristãs, como os identificados como evangélicos de missão. D relação de integração entre Estado e Igreja, como atesta o predomínio do cristianismo de origem católica. E grande ascensão das religiões de origem africana, a exemplo das religiões umbandistas e candomblecistas. QUESTÃO 78 Antes de passar à análise das duas reflexões sobre o conceito de neutralidade, é preciso perguntar-se o que significa “neutro” na linguagem cotidiana e que aspectos do campo semântico dessa palavra foram assimilados pelo discurso da história. Não é supérfluo lembrar que a palavra “neutro” provém do latim “ne-uter”, que significa “nenhum dos dois”, de modo que o conceito de neutralidade nos remete à propriedade de um elemento ao qual não se atribui nenhum dos valores de uma contraposição. […] Percebe-se que, analisada a partir da perspectiva de sua formação histórica, a neutralidade não se nutre dessa falta de atribuição de um dos valores de uma contraposição, mas, antes, parece estar sempre ligada a um sistema de oposições em que logo se revela um imperativo ético, que justamente exige a opção por determinado campo de valores. […] Dessa maneira, o conceito de neutralidade, tal como elaborado concretamente no discurso da história, costuma remeter, de fato, à existência real ou potencial, manifesta ou latente, passada, presente ou futura, de um conflito. O conceito de neutralidade no discurso da história: entre os “Geschichtliche Gundbegriffe” e “Le Neutre”. In: Revista de História e Historiografia, no 2, mar. 2009. Tendo em vista que a neutralidade é impraticável na atividade descrita no texto, é tarefa do historiador envolvido A contemporizar com as ideias dominantes. B efetivar os interesses políticos e sociais.C proteger os direitos das comunidades minoritárias. D evidenciar as escolhas realizadas na produção do conhecimento. E contemplar os financiadores de pesquisas científicas. QUESTÃO 79 Ao difundir-se a alfabetização e o texto escrito, por intermédio da imprensa, mudam as relações com ele: a função de mediador desaparece e as condições de comunicação, de coletivas, passam a ser individuais. [...] As duas vítimas desses processos são o velho e o padre. O primeiro perde a utilidade de sua memória; o segundo, o segredo de seu prestígio e o núcleo de seu poder como elo entre o escrito e o oral. FRAGO, A. V. Do analfabetismo à alfabetização: análise de uma mutação antropológica e historiográfica. In: ____. Alfabetização na sociedade e na história: vozes, palavras e textos. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993. p. 34-35. A análise apresentada pelo autor destaca uma importante transição ocorrida durante o período da Reforma Protestante, a saber A a adoção do pensamento aristotélico. B o abandono do heliocentrismo. C a adoção das obras apócrifas. D a tradução da Bíblia para outras línguas além do latim. E a busca por tomar os meios de produção. CH – 1o dia | Caderno 1 - Cinza - Página 40 QUESTÃO 80 Influência da impermeabilização no escoamento superficial da água LIVINGSTON; MCCARRON, 1989 (adaptado). A urbanização altera a cobertura vegetal, provocando vários efeitos no ciclo hidrológico natural. Dessa forma, pode-se notar que A o crescimento da impermeabilização dos solos contribui para a redução do escoamento superficial. B o aumento da impermeabilização contribui diretamente para a elevação do processo de evapotranspiração. C o aumento da impermeabilização dos solos afeta o escoamento subsuperficial, contribuindo para infiltrações profundas. D em ambientes naturais, a infiltração profunda é menor, o que acaba influenciando diretamente no escoamento superficial pluvial. E a impermeabilização gera uma menor infiltração da água pluvial no solo, caracterizando um excedente hídrico que escoa superficialmente. QUESTÃO 81 Observe as áreas hachuradas no mapa abaixo. Disponível em: https://lh3.googleusercontent.m/C2Cg0WCT8MSY5nm9j0bW4r8MOtYmvs 4TbwKzGa2aU6e3u1z39maBFVVCsf1yCDSrF_kqMQ=s136. Acesso em: 15 jan. 2020. Em 1967, na Guerra dos Seis Dias, Israel conquistou, de seus vizinhos árabes, as áreas hachuradas 1, 2, 3 e 4. Essas áreas são, respectivamente, A Golfo Pérsico, Estreito de Ormuz, Faixa de Gaza e Canal de Suez. B Colina de Golan, Cisjordânia, Faixa de Gaza e Península do Sinai. C Colina de Golan, Faixa de Gaza, Golfo Pérsico e Península do Sinai. D Setor oriental de Jerusalém, Cisjordânia, Faixa de Gaza e Canal de Suez. E Península do Sinai, Setor oriental de Jerusalém, Cisjordânia e Faixa de Gaza. CH – 1o dia | Caderno 1 - Cinza - Página 41 QUESTÃO 82 Foi o estudo de antropologia sob a orientação do professor Boas que primeiro me revelou o negro e o mulato no seu justo valor – separados dos traços de raça, dos efeitos do ambiente ou da experiência cultural. Aprendi a considerar fundamental a diferença entre raça e cultura; a discriminar entre os efeitos de relações puramente genéticas e os de influências sociais, de herança cultural e de meio. Neste critério de diferenciação fundamental entre raça e cultura assenta todo o plano deste ensaio. Freyre, Gilberto. Casa-grande & senzala. 12. ed. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1963. p. 5. Inspirado pela antropologia americana de sua época, Freyre desenvolveu sua obra a partir da separação dos conceitos de raça e cultura, o que contribuiu para A a manutenção de uma sociologia evolucionista. B uma crítica à postura de seus contemporâneos, que construíram suas teorias com base em preconceitos raciais. C o início de uma sociologia mais focada nas questões econômicas. D o fim da escravidão. E as discussões sobre a revolução inacabada que se deu com a manutenção dos portugueses no poder. QUESTÃO 83 RUGENDAS, Johann Moritz. Habitação de negros, 1822-1825. Acervo da Biblioteca Nacional. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Habita%C3% A7%C3%A3o_de_Negros._Rugendas.jpg. Acesso em: 15 jan. 2020. Os estudos recentes sobre as relações de escravidão no Brasil têm ampliado sua análise para compreender a figura do negro escravizado como agente em contínua negociação. Na imagem isso é evidenciado por meio A da sociabilidade entre os negros a partir da formação de núcleos das famílias escravas, como sugerido pela casa ao fundo. B da resistência da população escrava ao criar núcleos completamente afastados das cidades, como se evidencia na imagem. C do trabalho manual realizado para seus semelhantes, como mostrado na imagem pela figura de um negro produzindo uma esteira de dormir. D da predominância de figuras femininas, o que demonstra o caráter desigual das sociedade escravocrata, que exploraria mais os homens. E da existência de uma lavoura de subsistência, o que permitia à população negra comercializar esse excedente produtivo. QUESTÃO 84 Não se tem certeza sobre a motivação do Francisco Solano López em envolver-se na questão uruguaia; não temos documento escrito ou testemunho que permita dar uma resposta taxativa. No entanto, há uma concordância de que interessava a López a manutenção dos blancos no poder em Montevidéu, de modo a utilizar esse porto para o comércio externo paraguaio, para dar continuidade à inserção do Paraguai no comércio internacional iniciada no governo de Carlos Antonio López. Os blancos procuraram, é verdade, convencer López de que a Argentina e o Brasil pretendiam pôr fim à independência do Uruguai, dividindo entre si o território uruguaio e, depois, se voltariam contra o Paraguai. Teria ele acreditado nisso? Possivelmente não, mas com certeza se deu conta de que a derrota dos blancos uruguaios fragilizaria o Paraguai diante da Argentina e do Império, que passariam a atuar coordenadamente no Prata em lugar de rivalizarem-se, e isso quando ambos tinham litígio de fronteiras com o país guarani. Nova história da Guerra do Paraguai. Disponível em: www.cafehistoria.com.br/nova- historia-da-guerra-do-paraguai/. Acesso em: 4 dez. 2019. A Guerra da Tríplice Aliança, também conhecida como Guerra do Paraguai, A enfraqueceu a figura das Forças Armadas brasileiras como ator político. B desestimulou a formação de um regime republicano constitucional. C impossibilitou a libertação dos escravos negros e de seus dependentes. D confirmou a conquista da hegemonia brasileira sobre a Bacia Platina. E solucionou a crise financeira, em razão das indenizações recebidas. CH – 1o dia | Caderno 1 - Cinza - Página 42 QUESTÃO 85 Verão 2019/2020 não deve ter influência de El Niño e La Niña no país Segundo análise do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as condições da temperatura da superfície do mar no Oceano Pacífico Equatorial estão dentro das suas características normais, sem significativos desvios em relação à média, indicando que a área do fenômeno El Niño está em sua fase neutra, portanto, sem atuação de El Niño ou La Niña. Os modelos de previsão indicam probabilidade elevada de que a condição de neutralidade se mantenha ao longo de todo o verão. Devido às suas características climáticas, o verão é especialmente importante para atividades econômicas como a agropecuária, a geração de energia, por meio das hidrelétricas, e para a reposição hídrica e a manutenção dos reservatórios de abastecimento de água em níveis satisfatórios. Disponível em: www.noticiasagricolas.com.br/noticias/clima/248929-inmet-verao- 20192020-nao-deve-ter-influencia-de-el-nino-e-la-nina-no-pais.html# .XhX4echKjIU. Acesso em: 15 jan. 2020. Uma das consequências para o Brasil da ocorrência deste fenômeno, El Niño, são A o aumento das chuvas nas Regiões Nordeste e Norte, além da intensificação das secas no Sudeste e no Sul. B as enchentes no Brasil meridional e a seca naregião do clima semiárido nordestino e no extremo norte do país. C a redução das enchentes nas Regiões Sudeste e Sul e o prolongamento das estiagens no semiárido nordestino. D o prolongamento do período chuvoso no Brasil setentrional e meridional e o favorecimento, com isso, da produtividade na agropecuária. E a atenuação da estação seca na Região Amazônica e na Centro-Oeste e o aumento, por essa razão, do risco de incêndios causados pelo uso das queimadas na agropecuária. QUESTÃO 86 Saída de dólares do país soma US$ 44,7 bilhões em 2019, a maior em 38 anos A moeda norte-americana bateu sucessivos recordes de alta no ano passado, mas registrou, no acumulado de 2019, um crescimento de 3,5%. Em um ano marcado por sucessivos recordes na cotação do dólar, a retirada de dólares da economia brasileira superou o ingresso de divisas em US$ 44,768 bilhões. Os números de 2019 foram divulgados nesta quarta-feira (8) pelo Banco Central. Essa é a maior fuga de divisas do país desde o início da série histórica da instituição, em 1982, ou seja, em 38 anos. Até então, a maior saída havia sido registrada em 1999, quando US$ 16,18 bilhões deixaram a economia brasileira. Veja o histórico abaixo. Entrada e saída de dólares no Brasil (em US$ bilhões) Disponível em: https://g1.globo.com/economia/noticia/2020/01/08/saida-de-dolares-do-pais-soma-us-447-bilhoes-em-2019-a-maior-em-38-anos.ghtml. Acesso em: 15 jan. 2020. CH – 1o dia | Caderno 1 - Cinza - Página 43 Em 14 de junho de 1999, Armínio Fraga, então presidente do Banco Central, apresentou as linhas gerais do que viria a ser a estrutura da política econômica brasileira a partir de então. Naquele ano, o Governo Fernando Henrique Cardoso abandonou a política de bandas cambiais, instituindo a livre flutuação cambial (com intervenções para corrigir “distorções” de mercado), acompanhada por objetivos para contas públicas e pelo regime de metas para inflação. Essa estrutura da política econômica brasileira criada no Governo FHC e mantida em outros governos é conhecida como A Padrão Dólar-Real. B Tripé Macroeconômico. C Encilhamento Econômico. D Política de Banda Cambial Regional. E Política Econômica de Integração Nacional. QUESTÃO 87 Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Quis ipsum suspendisse ultrices gravida. contra-alísios alísios ventos secos para os trópicos ventos úmidos para o Equador capta a umidade alísios ventos secos para os trópicos ventos úmidos para o Equador capta a umidade 30 latitude T. Cap. 0 latitude Equador 30 latitude T. Can. causam chuvas contra-alísios A zona tropical caracteriza-se pela grande quantidade de energia solar, apresentando uma dinâmica atmosférica específica. Nesse contexto, A ventos alísios são fluxos de ar que se deslocam de um ponto a outro da Terra por conta das homogeneidades de pressão atmosférica. B os ventos alísios levam chuva aos locais distantes ao Equador; os ventos contra-alísios impedem a chuva nas áreas próximas aos trópicos. C o encontro dos ventos alísios na região equatorial forma o que se conhece como Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), um fenômeno que provoca chuvas na Amazônia e colabora para a formação dos chamados “rios voadores”. D os alísios são um tipo de vento constante e úmido que tem ocorrência nas zonas subtropicais em altas altitudes. Ele sopra nos trópicos na região do Equador de leste para oeste e, por serem úmidos, provocam grande incidência de chuvas. E os ventos contra-alísios colaboram para formar os maiores desertos do mundo, pois são ventos úmidos que chegam constantemente aos trópicos, fazendo com que as áreas próximas aos trópicos fiquem a maior parte do tempo sem receber ventos úmidos. CH – 1o dia | Caderno 1 - Cinza - Página 44 QUESTÃO 88 Fazendo apelo ao princípio do realismo ontológico (segundo o qual tudo o que está contido na definição de uma coisa não pertence a essa coisa essencialmente, mas acidentalmente por outra), Tomás de Aquino conclui que a definição da essência das criaturas não implica sua existência e, portanto, elas não existem por si mesmas, e sim devido a uma outra realidade (abalio). A distinção real entre essência e existência torna-se, assim, o fundamento metafísico da contingência das criaturas humanas e permite introduzir no peripatetismo a ideia de criação. AQUINO, Tomás de. Seleção de textos, p. 8.. Ao buscar aproximar o ideal da criação com as análises de essência e acidente, o pensador escolástico São Tomás de Aquino demonstra sua inspiração A na obra cartesiana. B na obra aristotélica C na obra platônica. D no pensamento dos epicuristas. E no pensamento sofista. QUESTÃO 89 Guernica, Pablo Picasso. Com 349 cm de altura por 776,5 cm de comprimento, Guernica, uma das principais obras de Pablo Picasso, pintada a óleo em 1937, é uma declaração de guerra contra a guerra e um manifesto contra a violência, pois retrata o contexto A da Primeira Guerra Mundial e do contingente elevado de mortos durante o conflito, devido às novas tecnologias bélicas. B do antissemitismo que se alastrou pela Europa pouco antes e durante a Segunda Guerra Mundial nas décadas de 1930 e 1940. C das guerras coloniais que envolveram vários países europeus, inclusive a Espanha e a Alemanha nazista no século XX. D do Período Entreguerras, que testemunhou a Guerra Civil Espanhola e a ascensão do nazifascismo na Europa. E da Paz Armada durante a corrida imperialista e neocolonialista, que dominaram e ocuparam grande parte do território da África ocidental. QUESTÃO 90 Título da Premier League pode aumentar em até 1,1% economia de Manchester e Liverpool A economia das cidades ganharia bônus advindos do comércio de materiais ligados ao futebol, além de torcedores e turistas visitando a cidade para assistir aos jogos. Ser campeão inglês não é apenas um bom negócio dentro de campo, mas também uma oportunidade econômica para todas as cidades inglesas que não se chamam Londres. Um estudo realizado pelo Think Thank Centre for Economics and Business Research (CEBR) mostrou que uma eventual vitória de Liverpool ou Manchester City – atuais primeiro e segundo colocados do campeonato – pode significar um aumento de até 1,1% no PIB dessas cidades. Disponível em: www.istoedinheiro.com.br/titulo-do-campeonato-ingles-pode-aumentar- em-ate-11-economia-de-manchester-e-liverpool/. Acesso em: 15 jan. 2020. O campeonato inglês é, sem dúvida, umas das maiores e mais tradicionais ligas de futebol do mundo. A Premier League percebeu, nos últimos anos, os efeitos da globalização e a necessidade de A estruturar marcas exclusivamente locais. B mudar sua administração para a América do Sul. C internacionalizar as marcas para aumentar seu potencial de lucro. D abandonar o futebol e fazer novos investimentos, como saúde e trânsito. E proibir trabalhadores de outras nacionalidades. CH – 1o dia | Caderno 1 - Cinza - Página 45 RASCUNHO Transcreva a sua Redação para a Folha de Redação. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30