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EMEF “MARIA DA GLÓRIA NUNES NEMER” 
NOME: 
DISCIPLINA: LÍNGUA PORTUGUESA TURMA: 
PROFESSOR: GRAZIELA CARDOZO SANTANA 
SEMANA: 01/03 a 05/03 DATA: 
 
 
 
 
As variedades linguísticas diferenciam-se da norma-padrão por convenções sociais, 
momento histórico, contexto ou região em que um falante se insere. 
 
As variações (variantes ou variedades) linguísticas são as ramificações naturais de uma 
língua, as quais se diferenciam da norma-padrão em razão de fatores como convenções 
sociais, momento histórico, contexto ou região em que um falante ou grupo social insere-se. 
Trata-se, pois, de objeto de estudo da Sociolinguística, ramo que estuda como a divisão da 
sociedade em grupos – com diferentes culturas e costumes – dá origem a diferentes formas de 
expressão da língua, as quais, embora se baseiem nas normas impostas pela gramática 
prescritiva, adquirem regras e características próprias. As variações linguísticas diferenciam-se 
em quatros grupos: sociais, regionais, históricas e estilísticas. 
 
Tipos de variações linguísticas 
 
1. Variedades regionais, geográficas 
 
São as variedades linguísticas que sofrem forte influência do espaço geográfico ocupado 
pelo falante. Em um país com dimensões continentais como o Brasil, elas são extremamente ricas 
(tanto em número quanto em peculiaridades linguísticas). 
 
Essas variantes são percebidas por dois fatores: 
 
 Sotaque: fenômeno fonético (fonológico) em que pessoas de uma determinada região 
pronunciam certas palavras ou fonemas de forma particular. São exemplos a forma como 
os goianos pronunciam o R ou os cariocas pronunciam o S. 
 Regionalismo: fenômeno ligado ao léxico (vocabulário) que consiste na existência de 
palavras ou expressões típicas de determinada região. 
 
Em Goiás, por exemplo, normalmente se diz “mandioca”; no Sul, “aipim”; no Nordeste, 
“macaxeira”. 
 
2. Variedades sociais 
 
São as variedades linguísticas que não dependem da região em que o falante vive, mas sim 
dos grupos sociais em que ele se insere, ou seja, das pessoas com quem ele convive. São as 
https://www.preparaenem.com/portugues/diferencas-entre-linguagem-culta-e-linguagem-coloquial.htm
https://www.preparaenem.com/portugues/fonologia.htm
variedades típicas de grandes centros urbanos, já que as pessoas se dividem em grupos em razão 
de interesses comuns, como profissão, classe social, nível de escolaridade, esporte, tribos 
urbanas, idade, gênero, sexualidade, religião etc. 
 
Para gerarem sentimento de pertencimento e de identidade, os grupos desenvolvem 
características próprias, que vão desde a vestimenta até a linguagem. Os surfistas, por 
exemplo, falam diferentemente de skatistas; médicos comunicam-se diferentemente de 
advogados; crianças, adolescentes e adultos possuem vocabulário bastante diferente entre si. Os 
grupos mais escolarizados tendem a ser mais formais, enquanto os grupos de menor formação 
normalmente são mais informais, ou seja, há diferentes registros de linguagem. 
 
Há dois fatores que contribuem para a identificação das variedades sociais: 
 
 Gírias: palavras ou expressões informais, efêmeras e normalmente ligadas ao público 
jovem. 
 Jargão (termo técnico): palavras ou expressões típicas de determinados ambientes 
profissionais. 
 
Veja a crônica abaixo de Luis Fernando Verissimo, do livro “As mentiras que os homens 
contam”, acerca do uso das variedades profissionais: 
 
O Jargão 
Nenhuma figura é tão fascinante quanto o Falso Entendido. É o cara que não sabe nada de 
nada mas sabe o jargão. E passa por autoridade no assunto. Um refinamento ainda maior da 
espécie é o tipo que não sabe nem o jargão. Mas inventa. 
– Ó Matias, você entende de mercado de capitais… 
– Nem tanto, nem tanto… 
(Uma das características do Falso Entendido é a falsa modéstia.) 
– Você, no momento, aconselharia que tipo de aplicação? 
– Bom. Depende do yield pretendido, do throwback e do ciclo refratário. Na faixa de 
papéis top market – ou o que nós chamamos de topi-maque -, o throwback racai sobre o repasse 
e não sobre o release, entende? 
– Francamente, não. 
Aí o Falso Entendido sorri com tristeza e abre os braços como quem diz “É difícil conversar 
com leigos…”. 
Uma variação do Falso Entendido é o sujeito que sempre parece saber mais do que ele 
pode dizer. A conversa é sobre política, os boatos cruzam os ares, mas ele mantém um discreto 
silêncio. Até que alguém pede a sua opinião e ele pensa muito antes de se decidir a responder: 
– Há muito mais coisa por trás disso do que vocês pensam… 
Ou então, e esta é mortal: 
– Não é tão simples assim… 
Faz-se aquele silêncio que precede as grandes revelações, mas o falso informado não diz 
nada. Fica subentendido que ele está protegendo as suas fontes em Brasília. 
E há o falso que interpreta. Para ele tudo o que acontece deve ser posto na perspectiva de 
vastas transformações históricas que só ele está sacando. 
– O avanço do socialismo na Europa ocorre em proporções diretas ao declínio no uso da 
gordura animal nos países do Mercado Comum. Só não vê quem não quer. 
E se alguém quer mais detalhes sobre a sua insólita teoria ele vê a pergunta como 
manifestação de uma hostilidade bastante significativa a interpretações não ortodoxas, e passa a 
interpretar os motivos de quem o questiona, invocando a Igreja medieval, os grandes hereges da 
história, e vocês sabiam que toda a Reforma se explica a partir da prisão de ventre de Lutero? 
Mas o jargão é uma tentação. Eu, por exemplo, sou fascinado pela linguagem náutica, 
embora minha experiência no mar se resuma a algumas passagens em transatlânticos onde a 
única linguagem técnica que você precise saber é “Que horas servem o bufê?”. Nunca pisei num 
https://www.preparaenem.com/portugues/registros-ou-niveis-lingua-por-dentro-lingua-portuguesa.htm
https://www.preparaenem.com/portugues/girias.htm
veleiro e se pissasse seria para dar vexame na primeira onda. Eu enjoo em escada rolante. Mas, 
na minha imaginação, sou um marinheiro de todos os calados. Senhor de ventos e de velas e, 
principalmente, dos especialíssimos nomes de equipagem. 
Me imagino no leme do meu grande veleiro, dando ordens à tripulação: 
– Recolher a traquineta! 
– Largar a vela bimbão, não podemos perder esse Vizeu. 
O Vizeu é um vento que nasce na costa ocidental da África, faz a volta nas Malvinas e nos 
ataca a boribordo, cheirando a especiarias, carcaças de baleia e, estranhamente, a uma 
professora que eu tive no primário. 
– Quebrar o lume da alcatra e baixar a falcatrua! 
– Cuidado com a sanfona de Abelardo! 
A sanfona é um perigoso fenômeno que ocorre na vela parruda em certas condições 
atmosféricas e que, se não contido a tempo, pode decapitar o piloto. Até hoje não encontraram a 
cabeça do comodoro Abelardo. 
– Cruzar a spínola! Domar a espátula! Montar a sirigaita! Tudo a macambúzio e dois quartos 
de trela senão afundamos, e o capitão é o primeiro a pular. 
– Cortar o cabo de Eustáquio! 
 
3. Variedades históricas 
 
São as variedades linguísticas comumente usadas no passado, mas que caíram em 
desuso. São percebidas por meio dos arcaísmos – palavras ou expressões que caíram em 
desuso no decorrer do tempo. Essas variedades são normalmente encontradas em textos 
literários, músicas ou documentos antigos. 
 
Veja o exemplo a seguir: 
Antigamente 
 
Antigamente, os pirralhos dobravam a língua diante dos pais e se um se esquecia de arear 
os dentes antes de cair nos braços de Morfeu, era capaz de entrar no couro. Não devia também 
se esquecer de lavar os pés, sem tugir nem mugir. Nada de bater na cacunda do padrinho, nem 
de debicar os mais velhos, pois levava tunda. Ainda cedinho, aguava as plantas, ia ao corte e logo 
voltava aos penates. Não ficava mangando na rua, nem escapulia do mestre, mesmo que não 
entendesse patavina da instrução moral e cívica. O verdadeiro smart calçava botina de 
botões para comparecer todo liró ao copo d’água, se bem que no convescote apenas 
lambiscasse, para evitar flatos. Os bilontras é queeram um precipício, jogando com pau de dois 
bicos, pelo que carecia muita cautela e caldo de galinha. O melhor era pôr as barbas de molho 
diante de um treteiro de topete, depois de fintar e engambelar os coiós, e antes que se pusesse 
tudo em pratos limpos, ele abria o arco. 
ANDRADE, C. D. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1983 (fragmento). 
 
4. Variedades estilísticas 
 
São as variedades linguísticas que surgem da adequação que o falante faz de seu nível de 
linguagem ao estilo exigido pelo texto ou pela situação comunicativa. A crônica, por exemplo, é 
um texto cujo estilo exige uso de linguagem coloquial; a dissertação, por sua vez, exige do redator 
um estilo de escrita mais formal. Portanto, caberá ao falante ou redator dominar as diferentes 
variantes a fim de adequá-las à situação comunicativa (mais ou menos formal) e ao estilo exigido 
pelo texto. 
 
Por que existem as variedades linguísticas se há uma norma-padrão? 
 
A resposta é bem simples. A língua apresenta variações, visto que a própria sociedade 
divide-se em grupos: há os mais ricos e mais pobres; os que moram nesta ou naquela região; 
jovens e idosos; os cristão e os budistas; os surfistas e os skatistas; os sambistas e os roqueiros; 
os médicos e os advogados e assim por diante. 
É natural que cada esfera da sociedade adapte as regras da gramática normativa ou o vocabulário 
de acordo com suas necessidades comunicativas. Por fim, é válido destacar que todos os 
idiomas possuem variações e que todas elas possuem validade: não há variedade bonita 
ou feia; certa ou errada, elegante ou deselegante. Elas são apenas diferentes e contribuem 
para a riqueza cultural de qualquer país. 
 
Exercícios sobre variações linguísticas 
 
Veja a questão abaixo retirada do Enem de 2010: 
 
(Enem) Quando vou a São Paulo, ando na rua ou vou ao mercado, apuro o ouvido; não espero só 
o sotaque geral dos nordestinos, onipresentes, mas para conferir a pronúncia de cada um; os 
paulistas pensam que todo nordestino fala igual; contudo as variações são mais numerosas que 
as notas de uma escala musical. Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí têm 
no falar de seus nativos muito mais variantes do que se imagina. E a gente se goza uns dos outros, 
imita o vizinho, e todo mundo ri, porque parece impossível que um praiano de beira-mar não 
chegue sequer perto de um sertanejo de Quixeramobim. O pessoal do Cariri, então, até se orgulha 
do falar deles. Têm uns tês doces, quase um the; já nós, ásperos sertanejos, fazemos um duro au 
ou eu de todos os terminais em al ou el - carnavau, Raqueu... Já os paraibanos trocam o l pelo r. 
José Américo só me chamava, afetuosamente, de Raquer. 
Queiroz. R. O Estado de São Paulo. 09 maio de 1998 (fragmento adaptado). 
Raquel de Queiroz comenta, em seu texto, um tipo de variação linguística que se percebe no falar 
de pessoas de diferentes regiões. 
As características regionais exploradas no texto manifestam-se 
A - na fonologia. 
B - no uso do léxico. 
C - no grau de formalidade. 
D - na organização sintética. 
E - na estruturação morfológica. 
 
Observe que o texto motivador da questão mostra as diferenças regionais quanto à fonologia ou 
fonética, por isso a resposta é letra A. 
 
Resumo 
 
Variedades 
linguísticas 
Ramificações naturais de uma língua que se diferenciam da norma-
padrão por convenções sociais, momento histórico, contexto 
ou região em que um falante se insere. 
 Regional, 
geográfica 
Definida pelo espaço (região) do falante. Percebida pelo sotaque e 
regionalismo. 
 Social 
Definida pelo grupo social em que o falante se insere. Percebida 
pela gíria e pelo jargão. 
 Histórica Definida pelo momento histórico. Percebida pelo arcaísmo. 
 Estilística 
Definida pela adequação que o falante faz de seu nível de 
linguagem à situação comunicativa e ao estilo do gênero textual. 
 
 
Por ser um país de dimensões continentais, o Brasil possui ampla diversidade linguística. 
Por: Jairo Beraldo

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