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CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI Rodovia BR 470 - Km 71 - no 1.040 – Bairro Benedito – Caixa Postal 191 – 89130-000 – Indaial/SC Fone (47) 3281-9000 – Fax (47) 3281-9090 – Site: www.uniasselvi.com.br FORMAÇÃO E PROFISSIONALIZAÇÃO DOCENTE: Reflexões sobre a formação docente no contexto pandêmico atual desafios da prática. Autor (Amanda Vivian Maia Da Silva, Rosangela Corsino da Silva) Prof. Orientador Mary Jane Santos Da Silva Soares Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Curso Licenciatura em Pedagogia (PED 2184) – Projeto de Ensino 11/06/2021 RESUMO O presente trabalho tem como objetivo uma reflexão acerca da formação e profissionalização do docente em tempos de pandemia e, com isso os desafios que esses se depararam e a qualificação profissional para atuar nesse cenário em tempos de isolamento social referente a nova forma de ensinar para não comprometer o aprendizagem de seus educandos . E por fim analisar criticamente esse novo formato de ensino e assim refletir qual a situação dos professores nesse momento pandêmico. Para isso usou-se da pesquisa bibliográfica para conhecimento do tema e composição do referencial teórico, ancorado nos pensamentos de Aguiar, Alves, Catarina, Dias, Freire, Libâneo, Marcelo, Ministério da Saúde, Nóvoa, Palú, Tafner, Península, Saviani e Tardif. Essa pesquisa tornou-se importante a partir do momento em que necessidade de entendermos e refletir sobre a atualidade na qual esses professores estão vivenciando na nova modalidade de ensino. Palavras-chave: Formação do docente. Pandemia. Desafios. 1 INTRODUÇÃO A formação docente exige qualificação acadêmica e profissional tendo em vista, o presente Projeto de Ensino em Educação tem como área de concentração: Formação e Profissionalização Docente, no qual a Delimitação do Tema é: Reflexões sobre a Formação Docente no Contexto Pandêmico Atual: Desafios da Pratica. A pandemia da COVID 19 descortinou desafios enormes em todas as áreas, antes não vividos por esta geração. Mas, o fato com que estamos nos deparando, em plena a pandemia de um Corona vírus, cujo nome, chama-se COVID 19, apresenta uma nova realidade aos educandos e educadores. Nessa situação, o professor se deparou com um novo paradigma que surgiu na educação, em que ele precisará colher informações e promover saberes pedagógico centrado na formação do aluno. As relações sociais costumeiras de cunho presenciais tiveram que ser adaptadas face aos desdobramentos pela disseminação do vírus, sobretudo, quando nos referimos à educação, atividade essa oficialmente realizada através de aulas presenciais. Como forma resolutiva, a estratégia mais oportuna para que tais atividades não fossem cessadas e, portanto, não houvesse nenhum tipo de prejuízo aos estudantes, professores ativos e professores em formação foi a adequação do ensino com a utilização de tecnologias computacionais e de telecomunicação para a EAD/ensino remoto. O desafio do professor nos faz refletir sobre o processo ensino aprendizagem em tempos de isolamento social. Para Marcelo (2009), a profissão docente é uma profissão do conhecimento, cujo compromisso está em “[...] transformar esse conhecimento em aprendizagens relevantes para os alunos” (MARCELO, 2009, p.8). A área da educação foi uma das mais afetadas nesse contexto, e para os professores, o peso disso parece ter sido ainda maior: as expectativas depositadas sobre eles foram enormes, pois esperava-se que eles resolvessem todas as questões educacionais, ajudando alunos a continuar aprendendo como antes, mas em um contexto totalmente diferente – e sem terem tido, na maioria dos casos, a oportunidade de receber formação adequada prévia para iniciar as aulas remotamente. Antes da pandemia, os professores, em sua vasta maioria, não receberam formação para ministrar aulas no modo de ensino remoto ou a distância. Não foram instruídos previamente acerca de como deveriam adaptar atividades em grupos, monitorar a participação dos alunos, avaliar seu progresso e aprendizado, ou oferecer apoio emocional aos mesmos. A formação que tem sido oferecida desde então é uma reação à necessidade de adaptação, mas indispensável para que as aulas continuem acontecendo a distância. Qual é a situação dos professores durante a pandemia? Se entendermos, portanto, que oferecer metodologias ativas aos alunos é a abordagem a se seguir, o mesmo deve ser feito nas iniciativas de formação de professores. Tem que estar atentos aos próximos rumos da educação pós-pandemia e pensar na volta às aulas presenciais. Não tem a certeza completa de quando isso acontecerá de vez, mas sabemos que o ensino híbrido já vem demonstrando sua importância e deverá se tornar uma realidade. Diante da pandemia do COVID 19 em que o mundo se encontra é imperativo repensarmos a formação docente e neste sentido o trabalho pretende analisar as construções históricas pedagógicas que o docente atravessa na sua formação inicial em direção para a prática docente. Para tanto, a presente pesquisa tem como objetivo investigar e compreender os antigos e novos desafios nas dimensões acadêmicas, já que é fundamental alertarmos sobre a necessidade de discutir os estudos que fundamentam a educação e o trabalho docente. A partir disso, buscou-se estruturar este estudo com base em alguns fundamentos: primeiro, abordar o contexto histórico da formação docente e segundo, analisar brevemente informações relacionadas ao tema que discutem a relação entre formação docente durante a pandemia. Nelas observamos elementos que elucidam a necessidade de adaptação a uma nova rotina e realidade de ensino. Para Nóvoa (1995), pensar a profissão docente incorpora três dimensões indissociáveis: a pessoal, a profissional e a organizacional, o que fica ainda mais evidente no período da pandemia. Lidar com reflexões como essa, faz-nos tomar por base essas considerações, procurando contribuir para um pensamento reflexivo da formação e prática docente por meio de um levantamento bibliográfico que evidencia a pesquisa como ferramenta potencializadora de novos conhecimentos. O processo metodológico dessa pesquisa é de natureza qualitativa, caracterizando-se como um estudo exploratório, com base em fontes bibliográficas. Dessa forma, para embasar nosso estudo foram realizadas leituras de livros, artigos, revistas científicas e textos correlacionados ao tema, além de realizar fichamentos das principais ideias dos autores, a fim de proporcionar aos leitores um panorama rico de reflexões para estudos posteriores. Desse modo, entendemos que é fundamental adentrarmos nesse universo de leituras, interpretações e anotações. E foi por meio desse processo de estudo que observamos as ideias centrais dos autores como Saviani, Nóvoa, Gatti, dentre outros, que fomentam as áreas da educação, direcionando um olhar para a reflexão e desenvolvimento no campo dos saberes relacionados à formação docente. 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Desde março de 2020 estamos vivendo o que alguns gostam de chamar de “novo normal” todos os setores da sociedade estão em enfrentamento em graus diferentes o distanciamento social e isso não tem sido diferente com a educação no mundo inteiro. Esse “novo normal” levou professores formados para trabalhar em sala de aula com seus alunos ao trabalho remoto. Diante disso, não só os professores, mas também seus alunos, precisaram se reinventar e repensar o processo de ensino e aprendizagem. Esse novo formato obrigou professores e alunos a adaptar-se às novas condições impostas, sem o devido planejamento e tão pouco a disponibilidade de formação docente para tal (PALÚ; SCHUTZ; MAYER, 2020). Este novo formato trouxe inúmeros desafios aos docentes. Segundo o Instituto Península, 83% dos professores brasileiros não se sentem preparados para o ensino remoto e 88% revelam ter dado a primeiraaula virtual após a pandemia. Observamos que mesmo os professores que já utilizavam as tecnologias digitais como apoio ao ensino presencial encontraram dificuldade para se adaptar ao ensino remoto, visto que muitos não têm infraestrutura adequada em suas casas, tampouco formação específica para atuar na docência online. A utilização das tecnologias digitais em rede na educação evidencia que os ambientes virtuais modificam o domínio sobre o fazer docente praticado na modalidade presencial, pois são outros espaços e tempos pedagógicos que se apresentam. Apesar disto, não perdemos de vista o primeiro e fundamental princípio de que a formação de professores é antes uma práxis que uma teoria sobre uma prática. O ensino remoto tornou-se um desafio para esses profissionais que precisaram aprender na prática a usar as TIC para desenvolver as suas aulas. O ensino remoto provocou um aumento do nível de ansiedade dos professores, além de sobrecarga de trabalho (PENÍNSULA, 2020). Estas consequências demonstram a necessidade do apoio técnico e psicológico aos professores. Neste momento pretendemos compreender de forma sucinta o sentido, o percurso, as dificuldades e os desafios na carreira docente de um professor na era da Corona vírus. Fazendo uma breve digressão histórica da formação docente, observamos a necessidade de pensar ações destinadas a formar e preparar professores para desenvolverem com qualidade sua profissão. Dentre elas, Saviani (2009, p. 143) afirma A necessidade da formação docente já fora preconizada por Comenius, no século XVII, e o primeiro estabelecimento de ensino destinado à formação de professores teria sido instituído por São João Batista de La Salle em 1684, em Reims, com o nome de Seminário dos Mestres (Duarte, 1986, p. 65-66). Mas a questão da formação de professores exigiu uma resposta institucional apenas no século XIX, quando, após a Revolução Francesa, foi colocado o problema da instrução popular. É daí que deriva o processo de criação de Escolas Normais como instituições encarregadas de preparar professores. Dessa forma, outro aspecto que se torna importante citarmos são as principais dificuldades dos professores geradas pelas responsabilidades da docência, uma vez que elas geram desafios e trazem dilemas a carreira docente. Segundo Aguiar et al (2005, p. 43), Principais dificuldades: falta de experiência; infra estruturada escola; dicotomia teoria e prática; desvalorização da profissão dentro da própria escola; falta de reconhecimento a disciplina [...] como componente curricular; modelo de aula ultrapassado; falta espaço para troca de ideais no interior da escola [...]. O docente vivencia muitas vezes essas dificuldades dos ofícios na carreira de professor. Agora imaginemos esses desafios conjugados com a pandemia em que estamos vivenciando, isso gera outro desafio, a atuação no campo profissional. A pandemia acentuou a diferença entre aqueles que tinham mais dificuldades de aprender; exigiu um novo educador, que precisou se reinventar, teve que se adaptar à novas tecnologias, novas metodologias, transformando-se. Professores são comparados a camaleões, pensando em sua grande capacidade de adaptação e de seguir em frente, e é o que tem acontecido face às atuais adversidades. Tem-se visto professores investindo horas e horas (e muitas vezes seu próprio dinheiro) em cursos e formações para saber como ministrar aulas online, adaptando seus cômodos em salas de aula, comprando equipamentos para melhorar a qualidade da experiência de aprendizado, e buscando informações em suas redes de apoio – a comunidade que tem se fortalecido como resultado da crise. Os cômodos das casas foram transformados em salas de aulas em um piscar de olhos. Adaptações de espaço e de cenários, juntamente com descobertas de quais plataformas usar, ou como adaptar conteúdo e materiais para aulas online, também foram forçadas a acontecer na mesma velocidade. Tem se acompanhado pesquisas com professores e seus testemunhos, desde o início do ensino remoto, e nota-se que o início dessa modalidade de ensino trouxe desafios, dificuldades, angústia e insegurança. Nesse período, eles foram obrigados a refazer todas as aulas, passar novos exercícios, escrever apostilas, gravar em vídeo os conteúdos das disciplinas, criar canais próprios em redes sociais, mudar avaliações, fazer busca ativa de alunos e se aproximar das famílias dos estudantes. Contudo, a boa notícia é que o sentimento tem agora mudado para mais confiança em diversos aspectos da profissão. A profissão de professor envolve muita relação interpessoal e acolhimento. Talvez aqui esteja a maior perda. A falta do olho no olho e das interações entre professores e alunos assim como entre alunos e os colegas. Um dos principais desafios é adequar aulas, materiais e atividades para outro modelo que não o presencial. Muitas tecnologias estão sendo disponibilizadas neste momento de crise. É uma avalanche de informações, o que torna muito difícil encontrar a melhor solução para atender a essa necessidade não planejada de ensinar além dos muros da escola. De acordo com Freire (2003, p. 47) “[...] ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para sua própria produção ou a sua construção”. Este novo cenário que vivenciamos nos fez repensar a maneira com que o professor se relaciona com o estudante e os métodos utilizados para ensinar e avaliar. Não há nada mais necessário no nosso novo modelo de ensinar do que trazer este estudante para a possibilidade de criar a ajudar a construir o conhecimento. Temos que levar em consideração que está solicitude por mudanças no ensino tradicional não é nova, não é algo que surge em detrimento da pandemia, mas vem sendo discutida no meio pedagógico há anos. Libâneo (2014, p. 4) considerou que: O novo professor precisaria, no mínimo, de uma cultura geral mais ampliada, capacidade aprender a aprender, competência para saber agir na sala de aula, habilidades comunicativas, domínio da linguagem informacional, saber usar meios de comunicação e articular as aulas com as mídias e multimídias. A pandemia trouxe de forma extremamente repentina uma mudança no modo com que as aulas e o aprendizado são repassados aos alunos. Professores que antes estavam diante de seu corpo discente, detendo o conhecimento, precisaram se adaptar e dividir este conhecimento com seus alunos, de modo remoto. Alves (1994, p.100), trouxe um pensamento que se encaixa muito bem no nosso “novo normal” “se os professores entrassem nos mundos que existem na distração dos seus alunos, eles ensinariam melhor. Tornar-se-iam companheiros de sonho e invenção.” As distrações sofridas pelos alunos em tempos de pandemia são inúmeras e devem ser levadas em conta quando o professor reinventa o processo de ensino-aprendizagem. Este novo contexto vivido durante a pandemia levará a um repensar no modo de ensinar. Os desafios para além da sala de aula são inúmeros. Para Moran; Masetto e Behrens (2000, p. 32) “É importante que cada docente encontre sua maneira de sentir-se bem, comunicar-se bem, ajudar os alunos a aprender melhor. É importante diversificar as formas de dar aula, de realizar atividades, de avaliar”. Mas o desafio não é só se reinventar o processo de ensino-aprendizagem, Santos (2014) diz que: “Não basta ter acesso ao computador conectado à internet. É preciso, além de ter acesso aos meios digitais e sua infraestrutura, vivenciar acultura digital com autoria criadora e cidadã. Saber buscar e tratar a Informação em rede, transformar informação em conhecimento, comunicar-se em rede, produzir textos em várias linguagens e suportes são saberes fundamentais para a integração e autoria na cibercultura.” (SANTOS, 2014, p. 83) Muitos dos relatos dos professores na atual conjuntura dizem respeito à falta de um tempo maior e fundamental para aprenderem a utilizar softwares de forma mais robusta; o aprendizado tem sido feito de forma conjunta com os alunos durante o próprio processo e decorrer das aulas, o que facilita o gasto de tempo inútilpor falta de conhecimento e manejo tecnológico. Além disso, para os professores, esse período tem sido ainda mais desafiador, uma vez que esses necessitam adaptar suas atividades pedagógicas, bem como sua didática, de forma que os conteúdos possam ser administrados, ajustados, comportados ao ensino remoto. Ou seja, o tempo, uma vez mais, parece ser ainda mais precioso para que os professores consigam lidar com essa nova forma de ensino. Embora as atividades remotas tenham sido adotadas como forma alternativa de dar continuidade às atividades educacionais, alguns pontos negativos atravessam essa seara. As discussões acerca de atividades excessivas têm crescido de forma exponencial e preocupante quando falamos de professores que lecionam suas disciplinas através de encontros virtuais com seus alunos. O exorbitante número de atividades, provas e trabalhos que os professores precisam corrigir a fim de avaliar a produção de cada aluno, além do planejamento necessário para que as aulas ocorram de forma fluida e o mais produtivas possível, sobrecarrega a atividade docente, causa um profundo estresse e compromete a qualidade do ensino. Isto para não falar do tempo dedicado às atividades domésticas, vez que esses professores estão atuando dentro de suas casas e dividindo tempo entre profissão e rotina doméstica. E, mais uma vez, isto para não falar das questões que envolvem falta de saúde de si e familiares no contexto. Alguns professores relatam que têm trabalhado cerca de 12 horass por dia na tentativa de conseguirem concluir suas atividades diárias. Nesse quesito, as escolas públicas e particulares têm apresentado os mesmos problemas. Dias e Pinto (2020) afirmam, Muitas escolas, públicas e privadas, estão exagerando nas expectativas do que professores e familiares conseguem fazer. Há diferenças substanciais entre as famílias, atualmente, em confinamento. Algumas podem ajudar seus filhos a aprender mais do que outras. Fatores como a quantidade de tempo disponível para se dedicar aos estudos dos filhos, auxiliando-os com as aulas online – muitos pais estão em home office cumprindo horário laboral integral e outros tantos precisam trabalhar externamente para garantir a renda mensal –; as habilidades não cognitivas dos genitores; a possibilidade de acessar o material online; a quantidade de conhecimento inato dos pais – afinal, é difícil ajudar o filho se tiver de aprender algo estranho ao que se conheceu e aprendeu – , são questões a serem levados em conta quanto ao papel dos pais na Educação dos filhos em tempos de pandemia. Toda essa situação gerará um aumento da desigualdade na Educação e no progresso do estudante (apud CIFUENTES-FAURA, 2020). As considerações do autor reforçam que há uma cobrança exacerbada por uma parte da população para que a educação seja feita da forma mais restrita e arcaica possível, criando, portanto, um sentimento de desconforto e sobrecarga naqueles que estão tentando manter o funcionamento da educação no Brasil, tentando quase inutilmente salvaguardar a falta de políticas públicas mais enérgicas não tomadas no início da pandemia para a contenção de problemas maiores. É importante mencionar que não se trata somente de possuir ou não aparatos tecnológicos ou saber como manuseá-los, mas também de que, por estarmos enfrentando um desastre biológico, as pessoas tendem a apresentar limitações não só de cunho físico, mas também de cunho psicológico, emocional. De acordo com Faro (FARO et al., 2020), é impossível pensarmos no contexto atual de pandemia e minimizarmos as repercussões psicológicas que esse vírus causa sobre cada indivíduo. Esse fator se configura como um dos maiores obstáculos enfrentados pela população e, consequentemente, pela saúde pública, atualmente, uma vez que somente a compreensão dos efeitos físicos e biológicos da COVID 19 é levada em consideração, deixando de lado a importante atenção às questões da saúde mental (Ho et al., 2020). Faro et al. (2020) ainda menciona que “um evento como esse ocasiona perturbações psicológicas e sociais que afetam a capacidade de enfrentamento de toda a sociedade, em variados níveis de intensidade e propagação” (apud Ministério da Saúde do Brasil [MS], 2020 a). A necessidade de apoio ao professor com relação à formação vai muito além da parte técnica, especialmente durante o momento atual. De acordo com a ANAMT – Associação Nacional de Medicina do Trabalho – a profissão do professor é uma das que apresenta os mais altos índices de síndrome de Burnout, juntamente com profissionais das áreas da saúde e de segurança pública, por exemplo. “Oferecer apoio à saúde mental do professor, portanto, é tão importante quanto ajudá-lo a aprimorar sua didática.”( Catarina Pontes). 3 METODOLOGIA Os procedimentos metodológicos estão embasados no levantamento de informações através de pesquisas bibliográficas em publicações online como artigos, revistas, jornais, legislação e a busca de dados em instituições renomadas que estudam e tratam sobre o tema. Porém, é importante se atentar para garantir que as formações de fato aconteçam. Uma necessidade disso ficou evidente com o fechamento das escolas pela pandemia de corona vírus, trazendo a necessidade de reinventar a forma de ministrar aulas, exigindo dos professores, além do uso de ferramentas digitais, a aplicação de novas metodologias e a urgência de repensar o processo ensino aprendizagem, colocando em evidência quem estava mais e menos preparado 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO A educação brasileira vive, durante a pandemia, um contexto marcado por desigualdades, alunos sem acesso a aulas e atividades paralisadas por diversas escolas públicas pelo país. A falta deste direito básico previsto pela Constituição Federal compromete a vida e a aprendizagem de muitos jovens brasileiros A pandemia por COVID 19 impôs o isolamento social, provocando alterações de ordem estrutural e organizacional em todas as áreas profissionais, inclusive na profissão docente. Nessa, o ensino remoto emergencial (ERE) mediado pelas tecnologias de informação e comunicação (TICs) foi a única opção nesse cenário de crise que impuseram mudanças na maneira de ensinar e aprender. É emergencial porquê do dia para noite, o planejamento pedagógico, pensado, debatido e estudado para o ano letivo de 2020 teve que ser alterado, e substituído de forma abrupta. Grande parte dos alunos brasileiros de escola pública não tem acesso à internet, o que prejudicou ainda mais seu aprendizado. Segundo dados da UNICEF , cerca de 4,8 milhões de crianças e adolescentes, de 9 a 17 anos não têm acesso à internet em casa. Isso, corresponde a cerca de 17% de todos os brasileiros nessa faixa etária. Fonte: Autoras.2021 Fonte: Autoras.2021 Fonte: Autoras.2021 Essa não, não é a exceção. É a realidade da maioria de nossa população. O que falta? Internet com banda razoável que não fique picotando toda a ligação. Mais da metade dos estados brasileiros têm domicílios com menos de 60% de acesso à banda larga. Computador ou tablet decentes ou aparelhos em número suficiente. Menos de 40% dos estudantes de educação básica da rede pública têm computador ou tablet em casa. E nem sempre o equipamento está disponível para eles. Um lugar em casa com silêncio, ou seja, um cômodo silencioso com uma mesa e uma cadeira minimamente em condições para estudar. Dividir as tarefas de casa - o apoio de todos no cuidado com as crianças e adolescentes é fundamental, mas os homens falham demais. E as mães não têm tempo para isso. Em média, as mulheres dedicam 18,1 horas por semana a cuidados de pessoas e/ou afazeres domésticos, sendo que entre as mulheres negras, essa média sobe para 18,6 horas semanais. Falta de formação dos pais, que não tiveram seu direito à educação assegurado. Com isso, fica difícil ajudar a resolver as dúvidas da criança. São 38 milhões de pessoas adultas em analfabetismo funcional no Brasil. Água tratada. É falta de coleta de esgoto. São 35 milhões de pessoas sem água tratada e 100 milhões de pessoas sem coleta de esgoto. Issodificulta demais a educação em casa. Falta comida. O Programa Nacional de Alimentação Escolar, sozinho, atinge 40 milhões de pessoas. Falta de professora com tempo para individualizar a educação. Ela tem em média 50 alunos e, em uma jornada de 8 horas de trabalho, ela teria 2,5 minutos para cada, considerando as 2 horas que sobram depois de preparar e dar aula. Problemas de adaptação: Se já era difícil antes, imagine agora. Não houve tempo hábil para criar um planejamento para essa nova forma de ensino em que nos vimos obrigada a criar, por isso tanto alunos, quanto pais e professores têm sofrido muito durante esse período de adaptação. Portanto, é preciso ter paciência e entender tanto o lado dos alunos, quanto o lado das escolas, que também foram pegas de surpresa com uma pandemia mundial. Estresse e ansiedade por conta do confinamento: Segundo o periódico científico The New England Journal of Medicine, o número de pacientes com depressão e ansiedade deve aumentar globalmente após a quarentena devido à pandemia de Covid-19. Além da adaptação com um novo método de ensino, há ainda o estresse gerado pelo confinamento e o distanciamento social durante a quarentena. Todos nós temos lidado diariamente com a ansiedade e o medo por conta desse momento de incerteza, o que também se configura como um enorme desafio para o ensino. Não houve nenhum tipo de planejamento para o ensino à distância que está sendo feito atualmente, justamente porque ninguém iria imaginar que passaríamos por algo assim, logo adaptar-se a essa nova realidade não tem sido nada fácil. Por isso, professores e gestores escolares tiveram que se virar nos 30 para adaptar o currículo escolar presencial para o ensino online de uma hora para outra. Dessa forma, muitas escolas passaram a utilizar ferramentas digitais como Zoom, Skype e Google Meet, sendo que muitos professores jamais tiveram contanto prévio com elas. Ademais, os professores também precisaram aprender inclusive a gravar e editar vídeos e no meio disso tudo compreender a melhor maneira de transmitir seu conteúdo e manter a atenção de seus alunos. Perrenoud(2000) por sua vez chama a atenção das competências profissionais para ensinar enfatizando que, elas surgem com a crise na educação em que se decide na incerteza e agem na urgência. Esclarece que as competências profissionais estão sempre mudando a partir da complexidade do ato de ensinar, por isso, as competências representam mais um horizonte do que um conhecimento consolidado. Portanto, descreve um futuro possível e, desejável da profissão. O trabalho aprofundado sobre as competências consiste em primeiramente, relacionar cada uma delas a cum conjunto delimitado de problemas e tarefas; em seguida, em arrolar os recursos cognitivos (saberes, técnicas, savoir-faire, atitudes, competências mais específicas) mobilizados pela competência em questão. (PERRENOUD, 2000, p 17 ) Nesse sentido, as competências necessárias a prática docente no ensino remoto emergencial será construída a partir da ação docente em que cada elemento de um referencial de competência pode remeter a práticas antes seletivas e conservadoras ou a práticas democráticas e renovadoras. Dessa forma, indo além das abstrações, saber-se-á de que pedagogia e de que escola se fala. A partir dessas considerações, os conhecimentos teóricos e metodológicos que mobilizam as competências serão designados. A noção de competência defendida por Perrenoud (2000) designará uma capacidade mobilizadora de diversos recursos cognitivos para enfrentar um tipo de situação inusitada, no caso em questão, a situação do ensino remoto emergencial imposto pela pandemia do COVID 19. Para Perrenoud (2000, p 18 ), “Essa mobilização só pertinente em situação, sendo cada situação singular, mesmo que se possa tratá-la em analogia com outras, já encontradas”. E conclui: “as competências profissionais constroem-se, em formação mas também, ao sabor da navegação diária de um professor, de uma situação de trabalho à outra. (PERRENOUD, 2000, p 19 ). Cordeiro (2020) afirma que reaprender a ensinar e reaprender a aprender são desafios em meio ao isolamento social na educação do país. De fato, a pandemia fez com que profissionais aprendessem a ministrarem suas aulas de forma diferente das que eram realizadas presencialmente. Os educadores tiveram que se reinventar para conseguir dar aula à distância através do ensino remoto e os alunos a vivenciarem novas formas de aprender, sem o contato presencial e caloroso da figura do professor. Estamos vivenciando uma reinvenção da educação, em que escola e família necessitam estar afinadas e alinhadas no processo formativo, educação e emocional de todos os envolvidos. São novas realidades, que requerem novas posturas e atitudes. Em meio a tantos desafios, com certeza, já foi possível observar grandes avanços e lições. 5 CONCLUSÃO Ao termino desse trabalho, foi possível refletirmos e compreendermos de que forma o docente precisou se qualificar para esse novos tempos vividos e quais recursos o mesmo precisou se adaptar para manter o aprendizagem de forma contínua, observamos que o docente também precisa de um atenção a sua saúde mental devido aos novos desafios enfrentados, o ensino remoto tornou-se um desafio para esses profissionais que precisaram aprender na prática a usar as TIC para desenvolver as suas aulas. É necessário entendermos que nesse tempo de pandemia cada professor buscou novas formas de instigar o conhecimento de seus alunos, pois, muitos deles passaram a usar as tecnologias. De acordo com Freire (2003, p. 47) “[...] ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para sua própria produção ou a sua construção”. Este novo cenário que vivenciamos nos fez repensar a maneira com que o professor se relaciona com o estudante e os métodos utilizados para ensinar e avaliar, pois sabemos que nesse processo de aprendizagem a família e escola também precisam andar de mãos dadas. Por fim, conforme o pensamento de Freire, ensinar é criar possibilidades para novas formas de aprender, e como futuros pedagogos entendemos que nesse século o que estamos vivenciando é um momento de muitos desafios e constante aprendizado. REFERÊNCIAS AGUIAR, Camila Silva de et al. Principais dificuldades dos Professores de educação física nos primeiros anos de docência: Elementos para (re) orientação das disciplinas de didática e prática de ensino do curso de licenciatura em Educação Física da UFU.Motri vivência, Minas Gerais, v. 17, n. 25, p. 38-55, dez. 2005. ALVES, R. A alegria de ensinar. 3ª edição. 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