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RESUMO SINTETIZADO DE FILOSOFIA

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regras de obrigação que impõem condutas ou abstenções; 
Normas secundárias → surgem para corrigir defeitos das normas primárias. 
1) de modificação (disciplinam mecanismos para modificação, revogação ou introdução 
de uma norma primária) 
2) julgamento (que outorgam a determinadas pessoas poder de julgar violações das 
normas primárias) 
3) reconhecimento → legitima o sistema as normas primárias → aceitação social da 
norma, logo, questão fática, não normativa! 
Textura aberta do direito ocorre por dois motivos: 
1) imprecisão linguística na descrição de uma norma prejudicando o método da 
subsunção e silogismo; 
2) impossibilidade de prever todas as condutas possíveis; Para o primeiro caso, Hart 
utiliza como exemplo uma norma que proíbe o ingresso de veículos automotores em 
determinado local, mas, conforme novas tecnologias se desenvolvem, exsurge a 
questão acerca de se novos inventos de locomoção se enquadram na categoria de 
veículos automotores. 
Muito embora exista tal indeterminação, ainda há grande margem de segurança na 
maioria dos casos → normas apresentam noção de sentido. 
Essa noção de sentido é um núcleo de sentido fixo, o que segundo Hart, afasta a ideia de 
que os juízes dizem. 
Assim, a discricionariedade estaria em um plano intermediário entre arbitrariedade e 
aplicação literal da lei. 
NORBERTO BOBBIO 
Norberto Bobbio, em sua obra Teoria do Ordenamento Jurídico destaca que um 
ordenamento precisa, para sua devida manutenção, de três elementos: 1) unidade (uma 
norma fundamental que funda e sustenta o sistema normativo), 2) coerência 
(ordenamento sistemático – ideia de relação entre as normas) e 3) completude 
(possibilidade de que todo caso seja resolvido pelo ordenamento). 
Lacunas podem ser: 
1) Lacuna própria = espaço vazio no sistema; 
2) Lacunas impróprias = originam-se da comparação do sistema real x ideal (ideia de 
justiça). 
1.a) Podem ser resolvidas por: Heterointegração - busca-se alternativa em 
ordenamento diverso - direito natural, internacionais, costume, doutrina, etc.). 
1.b) Podem ser resolvidas por: Autointegração – busca-se alternativa dentro do 
ordenamento (analogia, princípios gerais do direito, interpretação extensiva) 
2) Só completáveis pelo legislador. 
Antinomias = duas normas válidas e vigentes incompatíveis entre si. 
1) Aparentes / solúveis – critérios de solução: 
a) critério cronológico – havendo duas normas incompatíveis, prevalece a norma 
posterior. 
b) critério hierárquico – havendo duas normas incompatíveis, prevalece a 
hierarquicamente superior. 
c) critério da especialidade - havendo duas normas incompatíveis, uma geral e outra 
especial (ou excepcional), prevalece a segunda. 
2) reais / insolúveis = incompatibilidade “impossível” de resolver. 
REALE 
Teoria tridimensional do direito. Reale “une” os principais aspectos de três correntes 
jurídicas: 
Normativistas - leis deveriam ser compreendidas pelo seu valor intrínseco, afastando 
aspectos alheios na hora da interpretação. 
Sociologismo - leis como um produto de seu tempo e espaço (eficácia e necessidade de 
uma lei, por exemplo). 
Moralistas se – verificar se a lei é justa ou não e se é socialmente aceita. 
Para Reale, todas estão corretas. 
Cria, assim, a teoria tridimensional do direito, na qual os elementos (norma, valor e 
fato) se implicam e se exigem de forma recíproca, resultando na interação dinâmica e 
dialética dos três elementos. 
Dialética de complementaridade – norma, fato e o valor se correlacionam de tal modo 
que cada um deles se mantém irredutível ao outro e distinto, mas se exigindo 
mutuamente, o que resulta na origem da estrutura normativa como momento de 
realização do direito. 
DIALÉTICA DE COMPLEMETARIEDADE (UM INTERAGE SOBRE OUTRO); 
CONTEXTO PÓS II GUERRA MUNDIAL 
Após o grande conflito instaurou-se um período de “ressaca”, ante as descobertas das 
atrocidades praticadas pelos regimes autoritários. Esse sentimento também se aplica ao 
universo jurídico, vez que alguns pensadores perceberam como o direito positivo era 
conivente com tais barbáries, vez que sua aplicação não estava preocupada com a 
questão moral, mas tão somente com o formato da criação da lei. Assim, surgem muitos 
críticos do positivismo, trazendo novamente à moral para a análise jurídica, sobretudo 
através dos princípios. 
GUSTAV RADBRUCH 
O autor tece críticas à obediência cega das leis positivas – direito passava a ser 
equivalente a força – quer dizer, algo que não se questiona, se obedece sem questionar 
e não deixa espaço para o seu não cumprimento. Assim, o jurista propõe uma espécie de 
“retorno” aos modelos anteriores ao positivismo, a saber, o jusnaturalismo, ressaltando 
a existência de princípios maiores que a lei (supralegais) e que, portanto, transcenderiam 
o direito positivo. 
HANNAH ARENDT 
A filósofa traz em sua obra profundas reflexões filosóficas sobre as questões que 
surgiam após a Segunda Guerra. Tendo em visto que sua obra é vasta, vale aqui 
ressaltar dois aspectos: 
1) A questão dos apátridas em contextos de totalitarismo: tanto a Primeira como a 
Segunda Guerra resultaram, entre outros aspectos, em fluxos muito grandes de pessoas 
de uma região para outra. Essas pessoas, fugindo dos conflitos ou de perseguição de 
cunho ideológica encontravam-se em países estranhos, na qualidade de apátridas, não 
sendo titulares, portanto, de direitos (direitos humanos em especial). A autora destaca, 
portanto, a importância do direito a se ter direitos, o que muitas vezes implica pertencer 
a uma determinada comunidade que o aceite e garanta seus direitos. 
2) A banalidade do mal: nessa obra a filósofa analisa o julgamento de um dos 
burocratas alemães responsáveis pelo extermínio de milhões de judeus. Em sua análise, 
conclui que o oficial não era uma pessoa má no sentido clássico da palavra, mas sim um 
burocrata que seguia ordens e buscava ascender em sua carreira. O tipo de pessoa que 
jamais praticaria uma ação má diretamente, tampouco apresentava qualquer sinal de 
doença mental. O oficial era alguém que cumpria ordens sem questioná-las, quer dizer, 
ignorava o aspecto moral das mesmas, sem qualquer análise critica acerca da mesma 
promover o “bem” ou o “mal” alheio. Aponta, assim, que o mal não é algo presente na 
natureza, mas sim algo político e verificável em um contexto histórico, sendo produzido 
por homens e reproduzido em ambientes institucionais. Para tanto, fundamental 
existirem pessoas como o burocrata alemão acima analisados, incapazes de pensamento 
crítico e que apenas cumprem ordens. 
DWORKIN 
Dworkin se enquadra no grupo de autores que passam a trabalhar com os princípios 
(elemento que mais é cobrado acerca desse pensador na prova). Contudo, é importante 
destacar alguns outros conceitos, valendo lembrar que o mesmo, por ser americano, 
escreve em um contexto de Common Law, ou seja, o sistema jurídico a que ele se refere 
é o dos precedentes. 
1) Direito como integridade: legitimar uma decisão judicial que considere todos os 
aspectos fáticos, normativos e morais relevantes para a solução do caso. Com isso, cria 
as condições para impedir a discricionariedade do intérprete, pois a magnitude da tarefa 
não deixa margem a escolhas arbitrárias. → IDEIA DE UMA ÚNICA E MELHOR 
DECISÃO POSSÍVEL NA SOLUÇÃO DE HARD CASES (CASOS DIFÍCEIS). 
2) Romance em cadeia: Dworkin faz uma metáfora envolvendo o direito e a literatura 
ao falar da interpretação. Assim, descreve a interpretação jurídica como uma história 
que é iniciada por um juiz e que vai se desenvolvendo conforme, futuramente, outros 
magistrados utilizarão do mesmo caso para realizar sua interpretação. Nesse sentido, e 
dentro da ideia do direito como integridade, cada juiz devera escrever o seu capítulo da 
melhor forma possível. Assim, propõe uma interpretação construtiva, a qual deve 
observar princípios de moralidade política e impedem decisionismos, pois o mesmo 
deve