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A duplicação do centrossomo ocorre no início do ciclo celular Cada célula animal apresenta centrossomo (centro organizador de microtúbulos) que apresenta, em seu núcleo, um par de centríolos. Durante o processo de mitose, esse centrossomo, precisa ser duplicado, de maneira semelhante que acontece com o DNA, para que, durante o processo de segregação, cada célula filha ganhe um centrossomo proveniente da célula-mãe. O processo de duplicação do centrossomo ocorre na fase S, que é a fase de síntese do material genético, e é desencadeado pela ciclina G1/S e também pela ciclina S. Essas ciclinas vão induzir a duplicação desse centrossomo a partir dos centríolos. Durante o processo de duplicação, cada centríolo se separa e funciona como molde para formação do outro centríolo, que, na imagem ao lado, é representado em amarelo. Os centrossomos são separados para os polos da célula em divisão, para que eles então formem o fuso mitótico onde os cromossomos irão se aderir para a separação das cromátides-irmãs durante a anáfase. Esse processo de duplicação do centrossomo é muito semelhante ao que acontece ao DNA, é um processo semiconservativo onde um centrossomo forma de molde para o outro, além disso, essa duplicação só pode acontecer uma vez, seria muito danoso para célula se ocorresse a replicação do centrossomo, poderia haver separações de cromátides-irmãs de maneira errônea e gerar células altamente danificada geneticamente, que poderia levar a formação de um câncer. Dessa forma, é importante que esse centrossomo se duplique uma única vez e seja segregado de maneira correta para as células-filhas, além de serem as estruturas responsáveis pela formação do fuso mitótico. O rompimento do envelope nuclear é deflagrado pela M-Cdk O envelope nuclear é formado por complexos do poro nuclear (que permite o constante tráfego e troca de moléculas entre citosol e núcleo) e pela lâmina nuclear (formada por filamentos intermediários), aí tem a lâmina A e lâmina B. Durante o processo de mitose é necessário que haja a ruptura do envelope nuclear para que os cromossomos sejam liberados no citosol e possam se afixar ao fuso mitótico. Esse processo de desconstrução do envelope nuclear se dá pelo complexo M-Cdk, que fosforila a lâmina nuclear, fosforila as diferentes nucleoporinas (proteínas que compõem o complexo do poro nuclear). Isso culmina na desorganização do envelope nuclear, liberando os cromossomos duplicados no citosol, o que permite a sua fixação ao fuso mitótico. Durante o processo de formação das células-filhas, o núcleo precisa ser novamente organizado. E para que este núcleo seja organizado, as proteínas, previamente fosforiladas pelo complexo M-Cdk, precisam ser desfosforiladas por proteínas fosfatases. A ausência desses grupos fosfatos induz, espontaneamente, uma reorganização da lâmina nuclear, uma reorganização das proteínas do complexo do poro nuclear, o que gera novamente a formação do núcleo e, consequentemente, o desenovelamento e dispersão do material genético no cerne do núcleo. Os cinetócoros conectam as cromátides irmãs no fuso Após a destruição do núcleo e liberação dos cromossomos replicados no citosol, estes se ligam ao fuso mitótico através de uma região estrangulada do cromossomo chamada de região centromérica. Nesta região centromérica, se organiza uma estrutura proteica gigante organizada em múltiplas camadas chamada de cinetocoro. Ao cinetocoro pode-se associar de 10 a 40 microtúbulos, que ficam ligado então em cada cromátide irmã dentro da estrutura do cromossomo replicado. Este cinetocoro ele é formado por repetições de um complexo proteico chamado de Ndc80, esse complexo se liga lateralmente ao microtúbulo permitindo que unidades (heterodímeros de tubulina) possam se ligar ou desligar da extremidade mais, o que pode levar ao encurtamento ou crescimento deste microtúbulo. Esta imagem é uma fotomicrografia eletrônica de transmissão mostrando a cromátide em anáfase, a região do cinetocoro contendo o complexo proteico ndc80 e, a este cinetocoro, é possível observar uma série de microtúbulos conectados a ele e, neste caso especificamente, tem um movimento em direção a periferia da célula, já que a célula está em anáfase e por consequências cromátides estão sendo separadas nesse processo. As ligações corretas das cromátides irmãs ao fuso se dá por tentativa e erro A correta ligação dos cromossomos ao fuso mitótico se baseia em táticas de tentativa e erro que leva em consideração a tensão exercida sobre as cromátides-irmãs pelo fuso. Em A, B e C tem ligações instáveis, é possível perceber que os cromossomos replicados não estão ligados corretamente o fuso. Em D tem uma correta ligação, onde cada cinetocoro se encontra conectado ao um fuso, a um centrossomo, a um centríolo. Neste caso especificamente, tem uma tensão apropriada sendo formada e é essa tensão que sinaliza para célula que o cromossomo está apropriadamente ligado ao fuso. Esse mecanismo de sinalização se baseia em fosforilação. Quando a ligação é errada, tem uma baixa tensão sendo exercida sobre as cromátides-irmãs, isso leva a atividade das cinase aurora B que fosforila uma série de proteínas presentes no segmento externo do cinetocoro. Quando a tensão é alta, numa ligação estável, a cinase aurora B perde contato com o substrato que é fosforilado por ela, esse substrato é o complexo ndc80. No momento que a tensão é muito alta eu separo o complexo da aurora B e ela fica incapaz de fosforilar o complexo ndc80. Isso permite que a força de ligação ao microtúbulos seja aumentado e que novos microtúbulos sejam conectados ao cinetocoro, e isso indica então que a ligação é uma ligação estável. O complexo APC/C é a chave para transição entre metáfase e anáfase A transição de metáfase para anáfase é determinada pela ativação do complexo promotor da anáfase, que é ativado, inicialmente, pela fosforilação desencadeada pelo complexo M-Cdk. Quando o complexo é fosforilado, gera um sítio de ligação para uma proteína co- ativadora chamada de cdc20. Que quando ligada ao complexo promotor da anáfase, está efetivamente ativo para efetuar sua ação sobre seus diferentes substratos. Um substrato que é modificado pelo complexo promotor da anáfase é a proteína securina. A securina se liga a uma outra proteína, outra enzima, chamada de separase, dessa forma a securina inibe a atividade da separase. O complexo promotor da anáfase, por ser uma ubiquitina ligase, irá ubiquitinar a securina e essa ubiquitinação marca a securina para a degradação em proteassomos, liberando a separase. A separase tem como alvo as coesinas, que mantém as cromátides-irmãs unidas. A quebra das coesinas induz a separação das cromátides-irmãs, durante a anáfase, pelo encurtamento dos microtúbulos de cada centrossomo, que leva as cromátides-irmãs para cada polo da célula em duplicação. O ponto de verificação do fuso garante que todos os cromossomos estejam fixados ao fuso O ciclo celular apresenta vários pontos de verificação que avaliam se os eventos antecedentes foram de fato realizados apropriadamente, e na fase M também existe esse ponto de verificação para avaliar se todos os cromossomos estão ligados ao fuso de maneira apropriada. Esse ponto de verificação avalia a tensão (que está sendo realizada sobre os cromossomos) e, proteínas sinalizam para célula caso algum cromossomo não esteja ligado ao fuso, uma dessas proteínas é a mad2. Um cromossomo não ligado induz a produção de mad2, que é um sinal negativo (um freio) para impedir que a anáfase ocorra. Nessa imagem tem os cromossomos replicados (marcados em azul) e os componentes do fuso mitótico (marcados em verde). É possível perceber um cromossomo que não está ligado ao fuso, induzindo a produção da proteína mad2, que funciona como um freio no processo de separação das cromátides-irmãs. Quando este cromossomosestiver apropriadamente ligado ao fuso, o sinal mad2 é inibido, é destruído, e aí tem um sinal que permite a progressão do ciclo celular, a progressão da metáfase para anáfase. Os cromossomos são segregados na anáfase A e B A anáfase é subdividida em anáfase A e anáfase B, eventos que acontecem simultaneamente e se sobrepõe. A anáfase A consiste na separação das cromátides-irmãs pelo encurtamento dos microtúbulos associados ao cinetocoro. Esses microtúbulos encurtam porque existe uma despolarização da extremidade + assim como uma despolarização da extremidade -, que, ao retirar heterodímeros de tubulina, leva ao encurtamento e separação das cromátides-irmãs. Por outro lado, a anáfase B é caracterizada pela separação dos centrossomos que foram previamente duplicados, essa separação para as extremidades do polo se dá pela atividade de proteínas motoras: cinesinas, que se deslocam em direção à extremidade + do microtúbulo; assim como as dineínas que caminham, geram força, em direção à extremidade - e trabalham na periferia da célula, contribuindo para essa separação dos centrossomos em cada polo. A etapa final do ciclo celular é a citocinese O último grande evento da fase M, e da mitose, é citocinese, que é o processo de separação das células-filhas. A citocinese se inicia durante a anáfase e ocorre o surgimento de uma reentrância longo de todo o comprimento da célula, que é chamada de sulco de clivagem. Fotomicrografia de microscopia eletrônica de varredura que mostra o sulco de clivagem no ovo de rã. Esse sulco de clivagem é determinado por uma estrutura composta por diferentes proteínas chamada de anel contrátil. Esse anel contrátil é composto por filamentos de actina, filamentos de miosina e outras proteínas estruturais e reguladores, que gradativamente vai levando a um estrangulamento do citosol e da membrana para levar a essa separação das células-filhas. Existem vesículas no citosol da célula em divisão, que vão sendo adicionadas a essa região estrangulada, para dar novas membranas para a célula. É um processo que depende de ATP, já que é usado filamentos de miosina e filamentos de actina para induzir essa contração. Actina e miosina II do anel contrátil dão força para a citocinese Esta imagem complementa a anterior, mostrando marcação para filamentos de actina em diferentes contextos, com diferentes anticorpos. Um anticorpo vermelho e um anticorpo verde. É possível observar, nessa imagem de microscopia de fluorescência, a estrutura do anel contrátil formado por actina, apesar de não estar marcado, tem a miosina (proteína motora) que vai levar a contração, o deslizamento dos filamentos de actina que culmina com o estrangulamento e separação das células-filhas. Ativação da RhoA desencadeia a formação e contração do anel contrátil O processo de formação do anel contrátil ao redor de toda a célula, se dá pela ativação da proteína G monomérica RhoA. Quando a RhoA é ativada e tem a GEF (o fator de troca de nucleotídeos de guanina) potencializando essa troca. A RhoA ativa vai ter 2 efeitos: primeiro vai ativar a formina, que induz a polimerização do filamento de actina, importante para a formação do anel contrátil; por outro lado, a RhoA vai ativar uma cinase chamada de rock (são as cinases ativadas por Rho), que vai ter efeitos distintos, vai induzir a fosforilação da cadeia leve da miosina, ativando a miosina, e ao mesmo tempo inibe a miosina fosfatase, que estaria desfosforilando a cadeia leve da miosina. Esses eventos em conjunto levam a ativação da miosina, e ativação da miosina, no caso a miosina II, vai induzir a formação e contração do anel de actina e miosina. A mitose pode ocorrer sem citocinese Apesar da citocinese ser um evento importante dentro da fase M e o final da mitose, existem casos em que não há uma citocinese sendo determinante da separação da divisão celular. Isso acontece por exemplo. durante o processo de fertilização da Drosophila melanogaster. Então tem aqui um ovo fertilizado, foi fecundado, e existem na verdade 13 divisões celulares que ocorrem sem citocinese, o que gera uma célula com milhares de núcleos chamada de sincício. Após essas treze divisões celulares iniciais, os núcleos gerados durante esse processo se encaminham para a periferia da célula e, na periferia da célula, a membrana começa a sofrer um processo de invaginação que vai segregando/separando cada núcleo que foi previamente gerado, gerando então células diferentes. No caso da imagem acima, tem uma separação nuclear posterior por invaginação membranar Isso também é visto em algumas células de mamíferos como, por exemplo, nos megacariócitos, alguns hepatócitos também se dividem sem citocinese, e células musculares cardíacas. Essa imagem mostra uma célula de drosófila com vários núcleos, vários cromossomos duplicados se dividindo em fuso mitótico sem uma divisão aparente dessa célula. A fase G1 é um estado estável de inatividade das Cdks A célula que sai da citocinese cai em G1, e quando ela cai em G1 é necessário que todos as proteínas responsáveis pelos eventos da mitose sejam desligadas. A célula precisa entrar num período estável para que ela possa crescer, adquirir volume, para que, sobre condições novas favoráveis, ela entre novamente no ciclo celular. Durante a fase M, a M-ciclina Cdk ativa uma série de proteínas. e ao mesmo tempo inibe outras. Ela inibe as CKI (proteínas inibidoras de Cdk) como a P21, por exemplo. E inibe um outro complexo promotor da anáfase que é ativado pela Cdh1. No momento que o complexo M- ciclina Cdk é ativado, ativa o complexo Cdc20 e inibe estas outras. A ativação do complexo promotor da anáfase leva a própria ubiquitinação da M-ciclina e a sua destruição em proteassomos. Por consequência, o nível de complexo M-ciclina-Cdk ativo diminui e as proteínas que antes ela inibia serão ativadas, e as que eram ativadas serão desligadas. O que acontece, tem a ativação do complexo promotor da anáfase ativado por cdh1 e a ativação das proteínas exibidoras de Cdk. O complexo promotor da anáfase ativado por Cdh1, vai continuar ubiquitinando ciclinas, M-ciclina por exemplo. E a proteína inibidora de CKI vai inibir o complexo M-ciclina-Cdk. Neste momento tem um nível extremamente reduzido de ciclinas e uma estabilidade na atividade das Cdk, as cdk estão inibidas. Esse gráfico mostra a dinâmica da M-ciclina em relação ao complexo promotor da anáfase ativado por cdc20 e ativado por cdh1. Então, no início, tem níveis altos de M-ciclina, que são importantes para ativar o complexo promotor da anáfase ativado por cdc20. No momento que o complexo promotor da anáfase ativado por cdc20 é ativado, ele começa a ubiquitinar a M-ciclina e a M-ciclina vai ser destruída, por isso os níveis vão caindo. Mas ao destruir a M-ciclina, o complexo promotor da anáfase ativado por cdc20 também diminui a sua atividade, porque ele foi ativado pela Mcdk. Porém, como o complexo M-ciclina-cdk exerce um efeito inibitório, quando ativo, no complexo promotor da anáfase ativado por cdh1, no momento que não tem mais M- ciclina começa a aumentar a atividade do complexo promotor da anáfase ligado a cdh1 E esta atividade, deste complexo, agora responsável por destruir toda M-ciclina e qualquer ciclina que possa ser ativada após esse processo, a G1-ciclina por exemplo. Tem uma destruição completa das ciclinas, que leva a uma inativação de todas as cdk’s e a célula entra em G1, fica em G1. E para que a célula saia de G1, o ambiente precisa ser favorável, para que então haja a produção de G1-S-ciclina, a célula chegue no ponto de restrição, chegue no início, para deflagrar todo o processo novamente.