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Halogenação Prof. Lucas Silva Abreu João Pessoa - 2019 Faculdade Uninassau Farmácia Disciplina de Planejamento e Síntese Molecular Halogenação de Alcanos Os alcanos reagem com moléculas de halogênios produzindo halogenetos de alquila através de uma reação de substituição chamada de halogenação radicalar. Uma reação geral mostrando a formação de um mono-haloalcano por halogenação radicalar é mostrada a seguir. Ela é chamada de halogenação radicalar porque, como veremos, o mecanismo envolve espécies com elétrons desemparelhados chamadas de radicais. Essa reação não é uma reação de substituição nucleofílica. Um átomo de halogênio substitui um ou mais átomos de hidrogênio do alcano, e o halogeneto de hidrogênio correspondente é formado como subproduto. Apenas flúor, cloro e bromo reagem dessa forma com alcanos. O iodo é essencialmente não reativo devido a um balanço de energia de reação desfavorável. Halogenação de Alcanos Um fator complicador das halogenações de alcanos é que múltiplas substituições quase sempre ocorrem, a menos que utilizemos um excesso de alcano. O exemplo visto a seguir ilustra esse fenômeno. Se misturarmos uma razão equimolar de metano e cloro (ambas as substâncias são gases à temperatura ambiente) e, então, aquecermos ou a irradiarmos com luz de comprimento de onda apropriado, uma reação começa a acontecer vigorosamente e, no final, produz a seguinte mistura de produtos: Halogenação de Alcanos A cloração da maior parte dos alcanos superiores dá uma mistura de produtos isoméricos monoclorados, bem como de compostos altamente halogenados. O cloro é relativamente não seletivo; ele não discrimina muito entre os diferentes tipos de átomos de hidrogênio (primários, secundários e terciários) em um alcano. Um exemplo é a cloração do isobutano promovida por luz. Halogenação do metano A reação de metano com cloro (em fase gasosa) fornece um bom exemplo para o estudo do mecanismo da halogenação radicalar. Várias observações experimentais ajudam no entendimento do mecanismo dessa reação: 1. A reação é promovida por calor ou luz. Na temperatura ambiente, metano e cloro não reagem em uma velocidade perceptível enquanto a mistura for mantida fora da luz. Metano e cloro reagem, no entanto, à temperatura ambiente se a mistura reacional é irradiada com luz UV em um comprimento de onda absorvido pelo Cl2, e eles reagem no escuro se a mistura gasosa é aquecida a temperaturas maiores que 100 °C. 2. A reação promovida por luz é altamente eficiente. Uma quantidade relativamente pequena de fótons de luz permite a formação de quantidades relativamente grandes de produtos clorados. Halogenação do metano Um mecanismo que é consistente com essas observações tem várias etapas, mostradas a seguir. A primeira etapa envolve a dissociação de uma molécula de cloro, por calor ou luz, em dois átomos de cloro. A segunda etapa envolve a abstração de hidrogênio por um átomo de cloro. Na terceira o radical metila altamente reativo reage com uma molécula de cloro para abstração de um átomo de cloro. Isso resulta na formação de uma molécula de clorometano (um dos produtos finais da reação) e um átomo de cloro. Halogenação do metano Halogenação do metano Halogenação do metano Halogenação do metano Halogenação de Alcanos Halogenação de Alcanos A cloração da maioria dos alcanos cujas moléculas contêm mais de dois átomos de carbono produz uma mistura de produtos monoclorados isoméricos (bem como compostos mais altamente clorados). Seguem-se vários exemplos. As porcentagens fornecidas são baseadas na quantidade total dos produtos monoclorados formados em cada reação. Halogenação de Alcanos O bromo mostra uma capacidade muito maior em discriminar dentre os diferentes tipos de átomos de hidrogênio. O bromo é menos reativo frente aos alcanos do que o cloro, mas o bromo é mais seletivo para o sítio de ataque. A bromação é seletiva para substituição onde o intermediário radicalar mais estável pode ser formado. A reação do 2-metilpropano com o bromo, por exemplo, fornece quase exclusivamente a substituição do átomo de hidrogênio terciário: Halogenação de Alcanos Um resultado muito diferente é obtido quando o 2-metilpropano reage com o cloro: Livros recomendados