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PSICONEUROIMUNOLOGIA-1

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1 
 
SUMÁRIO 
1 EMOÇÕES E SISTEMA IMUNOLÓGICO ............................................................ 2 
1.1 Estudo do Impacto dos Acontecimentos de Vida sobre a Saúde ................... 4 
1.2 O Impacto dos Acontecimentos de Vida sobre a Saúde em função de Fatores 
Psicológicos............... ........................................................................................................ 5 
2 ESTUDO DO EFEITO DO STRESS ..................................................................... 7 
2.1 Estudo do efeito do stress em contexto naturalista ....................................... 7 
2.2 Estudo do efeito do Stress em contexto laboratorial ...................................... 9 
3 ESTUDO DO EFEITO DO HUMOR SOBRE O FUNCIONAMENTO DO SISTEMA 
IMUNOLÓGICO ................................................................................................................... 10 
4 ESTUDO DO EFEITO DAS CARACTERÍSTICAS DA PERSONALIDADE SOBRE 
O FUNCIONAMENTO DO SISTEMA IMUNOLÓGICO ........................................................ 12 
5 ESTUDO DO EFEITO DO SUPORTE SOCIAL SOBRE O SISTEMA 
IMUNOLÓGICO ................................................................................................................... 13 
6 IMPACTO DOS ACONTECIMENTOS DE VIDA EM FUNÇÃO DOS 
SIGNIFICADOS E DO TIPO DE PROCESSAMENTO ......................................................... 16 
6.1 Acontecimentos de vida, construção de significados e saúde ..................... 16 
6.2 Acontecimentos de vida, expressão emocional e saúde ............................. 18 
7 SOBRE A PSICONEUROIMUNOLOGIA ............................................................ 21 
8 PSICONEUROIMUNOLOGIA E O CÂNCER ..................................................... 32 
8.1 Correlação entre o sistema nervoso central e o sistema imunológico ......... 34 
8.2 Estresse, Depressão e Câncer .................................................................... 34 
8.3 Correlação entre Sistema Nervoso Central (SNC), Sistema Imunológico e o 
Câncer.................. ........................................................................................................... 35 
8.4 Estudos metodológicos em pacientes depressivos, ou sob condições 
estressantes – possível correlação com o desenvolvimento de neoplasias ..................... 36 
9 A ESCRITA EXPRESSIVA ................................................................................. 38 
10 TEXTO COMPLEMENTAR ................................................................................ 41 
11 BIBLIOGRAFIA .................................................................................................. 52 
 
 
 
2 
 
1 EMOÇÕES E SISTEMA IMUNOLÓGICO 
 
Fonte:4.bp.blogspot.com 
A concepção do sistema imunológico como sistema autônomo de 
funcionamento exclusivamente químico deu lugar, especialmente a partir dos anos 
oitenta, a uma concepção integrada em que se reconhece que o sistema imunológico 
está integrado com outros sistemas sendo sensível à regulação do sistema nervoso 
(Ader, 1983; Rabin, Cohen, Ganguli, Lysle & Cunnick, 1989; Cohen & Herbert, 1996). 
Reconhece-se assim o papel que as diferentes áreas do funcionamento humano, 
nomeadamente cognitivo e emocional, pode ter sobre a sua eficiência. Deste modo 
nasceu uma disciplina designada por Psiconeuroimunologia dedicada a estudar as 
relações entre os estressores 1 psicossociais, as emoções e os sistemas 
neuroimunológicos que organizam a resposta adaptativa ao stress. A hipótese base 
 
1 Fatores, fonte, situação e circunstância indutora ou desencadeadora de stress 
 
 
3 
 
deste modelo é que os estressores psicossociais diminuem a eficiência do sistema 
imunológico o que leva ao aumento de sintomas médicos. 
Uma das razões para o forte interesse que a psiconeuroimunologia desperta 
entre os profissionais de vários domínios advém do seu contributo para compreender 
porque razão os acontecimentos de vida ou as emoções afetam a saúde. O estudo da 
função imunológica na relação com a experiência revelou-se assim um campo 
promissor, onde têm ocorrido grandes avanços e onde se adivinham continuamente 
novas descobertas. 
A concepção do sistema imunológico como sistema fisiológico autónomo de 
funcionamento exclusivamente químico com a tarefa de reconhecer o que é e não é 
do próprio organismo deu lugar, especialmente a partir dos anos oitenta, a uma visão 
integrada em que se reconhece que o sistema imunológico interage com outros 
sistemas sendo sensível à regulação dos sistemas nervoso e endócrino (Ader, 1983; 
Rabin, Cohen, Ganguli, Lysle & Cunnick, 1989). 
A disciplina designada por Psiconeuroimunologia é o campo científico que 
investiga as ligações entre o cérebro, o comportamento e o sistema imunológico, bem 
como as implicações que estas ligações têm para a saúde física e a doença (Kemeny 
& Gruenewald, 1999). A hipótese base deste modelo é que os estressores 
psicossociais diminuem a eficiência do sistema imunológico o que leva ao aumento 
de sintomas médicos (risco de uma doença). 
Assim, face a uma ameaça biológica com uma determinada potência, a 
imunocompetência, ou seja, a capacidade de o sistema imunológico proteger o corpo 
num determinado momento estará relacionada com os fatores psicossociais que 
afetam o sistema imunológico. Entre estes fatores contam-se os estados emocionais; 
o tipo e a intensidade de stress que a pessoa está a enfrentar, as características de 
personalidade e a qualidade das relações sociais. 
A relação entre stress e doença começou por ser estabelecida por Selye (1976) 
sugerindo que os estressores crônicos contribuíam para um estado de exaustão do 
organismo pondo em causa o seu equilíbrio. Assim, as respostas que envolvem as 
ligações entre cérebro, hormônios e sistema imunológico, passariam, ao fim de um 
determinado tempo, a ter dificuldades em lidar com o stress e as manifestações de 
doença ocorreriam num grau que poderia conduzir até à morte. 
 
 
4 
 
Um segundo momento na conceitualização dos desafios colocados pelos 
acontecimentos de vida sobre a saúde física e emocional começou a ter em conta as 
características psicológicas e as estratégias de confronto utilizadas pelos sujeitos para 
lidar com essas situações. Este desenvolvimento assume que o impacto de uma 
situação no sujeito depende da avaliação que o sujeito faz dela, bem como das 
estratégias que mobiliza de modo a fazer-lhe face. 
Assim, enquanto alguns investigadores procuram averiguar o impacto de 
acontecimentos de vida na saúde e/ou no sistema imunológico; outros tentam 
diferenciar o efeito dos acontecimentos de vida em função das emoções envolvidas, 
do estilo cognitivo, ou das características de personalidade da pessoa. 
Uma terceira abordagem sugere que o processamento dos acontecimentos de 
vida, especialmente das situações traumáticas, os significados que os sujeitos 
constroem, ou as estratégias de coping que vão sendo utilizadas, passam por uma 
série de fases sobre as quais poderá haver uma intervenção de modo a diminuir os 
efeitos nefastos sobre o sistema imunológico. A psicoterapia ou outras estratégias 
poderão ser concebidas como formas de intervir nesta sequência, contribuindo para 
acelerar o processo de lidar com o trauma e prevenindo os potenciais efeitos nefastos 
sobre a saúde de uma determinada experiência. 
Neste caso, é assumido que existe um processo fluído ao longo do qual os 
sujeitos vão elaborando os acontecimentos de vida mais difíceis, havendo tarefas que 
facilitam esse trabalho. Nos pontos que a seguir se apresentam serão descritos os 
estudos realizados no âmbito destas três perspectivas. 
1.1 Estudo do Impacto dos Acontecimentos de Vida sobre a Saúde 
Os primeiros estudos sobre a ligação entre acontecimentos (positivos ou 
negativos) e o sistema imunológico utilizaram medidas muito indiretas, sem 
especificaros mecanismos que poderiam explicar os efeitos de determinados 
acontecimentos de vida sobre a saúde ou o tempo de vida. Um exemplo deste tipo de 
estudos foi realizado por Langer e Rodin (1976), que procuraram averiguar o efeito do 
envolvimento em atividades com uma componente emocional e motivacional sobre a 
saúde de um grupo de idosos. Para isso estes autores pediram a idosos 
institucionalizados em lares para tomarem conta de uma planta, tendo verificado 
 
 
5 
 
meses depois que, quando comparados com um grupo de controle, estes idosos 
tinham menos problemas de saúde e menor número de mortes. Assim, esta atividade 
simples pareceu ser suficiente para dar sentido à vida destes idosos 
institucionalizados cuja possibilidade de estabelecer relações significativas é, em 
geral, bastante diminuta, e este acontecimento teve um impacto positivo sobre a 
saúde. 
Outros estudos realizados ao longo dos anos sessenta, setenta e início de 
oitenta estabeleceram uma ligação entre alguns tipos de acontecimentos e saúde. Em 
alguns estudos clássicos foi verificado que o ajustamento a acontecimentos de vida 
associado a stress prolongado, como casamento, divórcio, problemas no emprego, 
morte, catástrofes naturais ou provocadas por erros humanos conduz a uma 
diminuição da saúde dos protagonistas ou vítimas destes problemas (e.g. Holmes & 
Rahe, 1967; Kanner, Coyne, Schaefer & Lazarus, 1981; Dohrenwend, 1982). Apesar 
da importância destes estudos correlacionais, eles são omissos sobre os mecanismos 
que poderão estar envolvidos nestes resultados. 
1.2 O Impacto dos Acontecimentos de Vida sobre a Saúde em função de 
Fatores Psicológicos 
Depois do estabelecimento da relação global entre acontecimentos e 
problemas de saúde, muitos estudos têm procurado analisar o impacto dos 
acontecimentos de vida sobre a saúde em função dos fatores psicológicos. 
Este modelo assume que a mudança imunológica é mediada por fatores como 
a ativação do SNC, a resposta hormonal e a mudança comportamental, em função 
das características e estados psicológicos. As ligações entre o SNC e o sistema 
imunológico foram identificadas (Felten, Felten, Carlson, Olschowka, & Livnat, 1985; 
Felten & Olschowka, 1987), nomeadamente pela observação de que linfócitos como 
as NK têm receptores para os neurotransmissores. Vários autores encontraram 
igualmente ligações entre o sistema imunológico e o endócrino através do efeito de 
diferentes mediadores hormonais como catecolaminas (epinefrina e norepinefrina), 
cortisol, prolactina, ACTH, TSH, hormona do crescimento ou opiáceos endógenos, 
hormônios que estão relacionados com a resposta ao stress (cf. Schneiderman & 
Baum, 1992; Cohen, 1994; Wang, Delahanty, Dougall, & Baum, 1998). Além disso 
existe enervação simpática e parassimpática dos órgãos linfoides (Felten & 
 
 
6 
 
Olschowka, 1987). Por seu lado alguns comportamentos que são associados a 
características psicológicas ou são respostas ao stress podem influenciar o sistema 
imunológico: práticas de saúde más como fumar, dieta inapropriada e sono perturbado 
diminuem a resposta imunológica. 
 
 
Relação entre acontecimento de vida, características e estados psicológicos e mudança imunológica 
(Adaptado a partir de Cohen & Herbert, 1996). Fonte: http://repositorium.sdum.uminho.pt 
Podemos dividir as investigações que analisaram a relação entre os fatores 
psicológicos e a saúde e/ou a eficiência imunológica em quatro grupos: os que 
estudaram o efeito das situações de stress (quer em condições naturalistas, quer em 
laboratório); os que estudaram o efeito do afeto, nomeadamente o humor triste e a 
depressão; os que estudaram o efeito das características de personalidade; e, 
finalmente, os que estudaram a importância das relações interpessoais. 
http://repositorium.sdum.uminho.pt/
 
 
7 
 
2 ESTUDO DO EFEITO DO STRESS 
 
Fonte: jornalosemeador.com.br 
2.1 Estudo do efeito do stress em contexto naturalista 
Janice Kiecolt-Glaser é uma das investigadoras que mais tem procurado 
averiguar o efeito de variáveis psicossociais sobre o funcionamento do sistema 
imunológico. Os seus primeiros estudos, em meados dos anos oitenta, procuraram 
observar, em contextos naturalistas, o efeito do stress durante a época dos exames 
escolares sobre o funcionamento imunológico de estudantes universitários. Os 
resultados sugerem que em épocas de maior stress, em comparação com épocas 
após férias, existe uma diminuição da atividade dos linfócitos NK; na proliferação de 
linfócitos; e na toxidade dos linfócitos. 
Paralelamente foi verificado que durante estas fases de stress há um aumento 
na circulação de anticorpos anti herpes vírus; bem como uma cura mais lenta de 
feridas após biópsias. 
Outra situação que tem mostrado estar relacionada com um aumento do stress 
a prestação de cuidados a doentes crônicos, nomeadamente doentes com Alzheimer. 
O estudo da resposta imunológica de familiares cuidadores destes doentes tem 
mostrado uma resposta diminuída do sistema imunológico, incluindo diminuição do 
 
 
8 
 
número de linfócitos totais e células T, menor reação dos linfócitos NK e maior número 
de anticorpos aos vírus herpes. 
Para além do efeito do stress relacionado com as épocas de exames e com o 
cuidado de doentes, foram igualmente avaliados os efeitos de uma variedade de 
acontecimentos que incluem situações tão diversas como desastres naturais, 
desemprego, guerra, acidente nuclear ou conflitos conjugais. Por exemplo McKinnon, 
Weiss, Reynolds, Bowles e Baum (1989) verificaram que os residentes à volta de uma 
Central Nuclear em que houve uma ameaça de acidente tiveram mais doenças nos 
meses seguintes. As análises sobre a função imunológica permitiram verificar uma 
diminuição das células B, Células T CD3, CD4 e NK e menor produção de anticorpos 
em reação à vacina de hepatite B. Por seu lado Kiecolt-Glaser, Malarkey, Chee, 
Newton, Cacioppo (1993) verificaram que em casais com comportamentos mais 
negativos e hostis, e que estão passando por momentos de mal-estar na relação, têm 
maiores diminuições nas NK e menor resposta de proliferação dos linfócitos. 
Uma outra forma de avaliar o efeito do stress sobre o sistema imunológico é 
pedir para os sujeitos registarem o nível de stress percebido, relacionando esse relato 
com medidas do sistema imunológico ou medidas de infecção. Por exemplo, Jabaaij, 
Grosheid, Heijink, Duivenvoorden, Ballieux, Vingerhoets (1993) utilizaram a medida 
da produção de anticorpo em reação à vacina de hepatite B para analisar a relação 
entre stress percebido e resposta imunológica. Os seus resultados indicam que 
quanto mais stress percebido, menor produção de anticorpo, um indicador de 
capacidade imunológica diminuída. 
De modo a avaliar a relação entre experiências de stress e vulnerabilidade à 
doença, especificamente ao vírus da gripe, Cohen, Tyrrell e Smith (1991, 1993) 
realizaram um estudo extremamente rigoroso em termos metodológicos com mais de 
400 sujeitos em que foi avaliada a relação entre o relato de stress e a resposta à 
inoculação de vários tipos de vírus de gripe. Neste estudo verificou-se uma relação 
significativa entre o nível de stress sentido e a contração da doença, mostrando bem 
que a resistência à doença estava diminuída nos sujeitos que sentiram mais stress. 
Em suma, os resultados dos diferentes estudos sobre o efeito do stress em 
contexto naturalista sugerem que, face a situações de stress, o sistema imunológico 
exibe sinais de diminuição de competência. Para além disso, os estudos em que foi 
realizado um desafio ao sistema imunológico (com inoculação de vírus) revelaram de 
 
 
9 
 
forma consistente que os processos infecciosos eram mais prováveis nos sujeitos com 
maior experiência de stress (para uma revisão dos estudos sobre o risco de infecção 
respiratória superior e stress cf. Marsland, Bachen, Cohen, & Manuck, 2001). 
2.2 Estudo do efeitodo Stress em contexto laboratorial 
De modo a avaliar, em contexto laboratorial, a resposta imunológica a situações 
de stress, os investigadores pedem aos sujeitos para se envolverem em tarefas 
potencialmente estressantes, avaliando depois a resposta imunológica. O contexto 
laboratorial é extremamente relevante em psiconeuroimunologia uma vez que cria 
situações estandardizadas em que são controlados fatores potencialmente 
mediadores (diferenças individuais em outras respostas fisiológicas; efeito do suporte 
social, etc.,). Entre as tarefas utilizadas, contam-se exercícios de aritmética, tarefa de 
stroop, exposição pública ou exposição a ruídos intensos e incontroláveis. Os 
resultados dos estudos têm revelado que a participação nestas situações altera o 
número e a função de um grande número de células do sistema imunológico, 
diminuindo a imunocompetência (e.g. Wang, Delahanty, Dougall & Baum, 1998; 
Naliboff, Benton, Solomon, Morley, & Fahey, 1991; Sieber, Rodin, Larson, Ortega, & 
Cummings, 1992; Gerritsen, Heijnen, Wiegant, Bermond, & Fridja 1996). 
Marsland, Bachen, Cohen e Manuck (2001) ao reverem a investigação sobre o 
efeito do stress estudado em contexto laboratorial, chamam a atenção para o fato de 
algumas das mudanças ocorrerem apenas 5 minutos após o início do estressor; e 
ainda para a existência de aparentes inconsistências entre os resultados de alguns 
estudos que utilizam a medidas dos linfócitos NK, uma vez que em alguns estudos o 
seu número aumenta e em outros diminui. Estes resultados devem-se a uma 
característica de resposta bifásica na produção destas células, cujo número começa 
por aumentar, e só depois diminui para valores abaixo da baseline. Um terceiro 
aspecto relevado por Marsland, Bachen, Cohen e Manuck. (2001) ao fazerem a 
revisão dos estudos realizados em laboratório, é o fato de haver uma covariação entre 
a magnitude da ativação do Sistema Nervoso Simpático e a variação na resposta 
imunológica. Os sujeitos com reação mais marcada a nível das respostas simpática e 
imunitária tornam-se assim naqueles que são mais vulneráveis aos desafios do dia a 
dia. 
 
 
10 
 
3 ESTUDO DO EFEITO DO HUMOR SOBRE O FUNCIONAMENTO DO SISTEMA 
IMUNOLÓGICO 
 
Fonte:segredosdomundo.r7.com 
A associação entre a depressão clínica e a imunossupressão foi estabelecida 
há muito tempo. Herbert e Cohen (1993), numa meta-análise de 40 estudos sobre a 
relação entre depressão clínica e sistema imunológico, verificaram que os resultados 
são consistentes e permitem concluir que os deprimidos exibem uma menor resposta 
de proliferação dos linfócitos; menor atividade dos linfócitos NK; e um menor número 
de células NA, B, T, T auxiliadoras e T Supressoras / Citotóxicas. Estas relações são 
mais elevadas nos idosos e sujeitos hospitalizados; e os estudos têm verificado que 
quando as pessoas recuperam da depressão a atividade dos linfócitos NK aumenta 
de novo. Atendendo a que na depressão muitos comportamentos dos sujeitos ficam 
alterados, muitos estudos procuraram controlar comportamentos potencialmente 
prejudiciais para o sistema imunológico. Quando foram controlados os hábitos de 
exercício, dietas, fumo, medicamentos, etc., os resultados foram os mesmos. 
 
 
11 
 
Quando, em vez do efeito da depressão, foi avaliado o efeito do humor 
deprimido sobre o sistema imunológico em amostras não clínicas, os resultados são 
muito semelhantes ao que acontece na depressão: as meta-análises revelaram os 
mesmos efeitos que a depressão clínica, nomeadamente menor atividade dos 
linfócitos NK e menor proliferação de linfócitos; mas o efeito é menos significativo (cf. 
Herbert & Cohen, 1993). 
A relação entre funcionamento imunológico e estados associados ao processo 
de luto foi igualmente estudado, no contexto do estudo do efeito de estados 
emocionais negativos sobre o sistema imunológico. Os estudos realizados com 
pessoas em processo de luto permitiram concluir que o seu sistema imunológico está 
afetado: foi verificado que as mulheres que tinham ficado viúvas recentemente tinham 
uma diminuição na função das células T; ou uma atividade proliferativa inferior de NK 
do que as esposas de homens saudáveis. 
Estudos realizados por Kemeny, Weiner, Duran, Taylor, Visscher e Fahey 
(1995); Irwin, Daniels, Smith, Bloom e Weiner (1987b) e Linn, Linn e Jensen, (1984) 
encontraram resultados semelhantes, sendo a imunossupressão maior quanto maior 
for o grau de humor negativo. As perdas por separação ou divórcio resultam 
igualmente em imunossupressão. 
Quando, em vez de olhar para efeito do humor negativo, se procura saber o 
efeito do humor positivo sobre o sistema imunológico, verifica-se que existem poucos 
estudos sobre o efeito do humor positivo no sistema imunológico. Num estudo 
realizado sobre a relação entre acontecimentos do dia a dia e a quantidade de 
imunoglobulina A (IgA) em resposta a um antígeno, foi verificado que esta era maior 
quando o humor do sujeito era positivo e menor quando o humor do sujeito era 
negativo. Curiosamente Futterman, Kemeny, Shapiro e Fahey (1994) verificaram que 
a indução de humor positivo e negativo tinha efeito diferenciado na resposta 
imunológica: após indução de humor positivo aumentava a proliferação de linfócitos e 
o contrário acontecia face à indução de humor negativo. 
Em suma, da revisão dos diferentes estudos que procuraram avaliar o efeito da 
depressão ou humor triste sobre o sistema imunológico, pode-se concluir que o afeto 
negativo está relacionado com uma diminuição da sua competência. 
 
 
12 
 
4 ESTUDO DO EFEITO DAS CARACTERÍSTICAS DA PERSONALIDADE 
SOBRE O FUNCIONAMENTO DO SISTEMA IMUNOLÓGICO 
 
Fonte:bancodasaude.com 
Desde há muito tempo que se tem associado características da personalidade 
com a saúde, mas não são muitos os estudos realizados diretamente sobre o efeito 
de características da personalidade sobre o funcionamento do sistema imunológico. 
A tendência para o desânimo e o estilo pessimista foi relacionado com um pior 
funcionamento do sistema imunológico (e.g. Kamen-Siegel, Robin, Seligman, Dwyer 
& 1991), mas a característica de personalidade mais estudada tem sido a 
repressão/negação. 
As estratégias inibitórias, repressivas ou de negação, têm sido associadas ao 
aumento de sintomas físicos, com mais visitas médicas, a mais irregularidades do 
sistema nervoso autónomo e a mais perturbações do sistema imunológico. O efeito 
da repressão das emoções negativas tem vindo a ser salientado nos modelos 
psicossomáticos. Schwartz (1990), por exemplo, relacionou a repressão de emoções 
negativas com a suscetibilidade à doença e vários autores sugeriram que a supressão 
de emoções negativas potencia o risco de cancro (Gross, 1989; Kune, Kune, Watson 
& Rahe, 1991; Shaffer, Graves, Swank & Pearson, 1987). Por exemplo Garssen e 
Goodkin (1999), verificaram que repressão de emoções negativas e o baixo suporte 
social (dois fatores que podem ocorrer associados) eram, para além da tendência para 
o desânimo, fatores de risco para o cancro. 
 
 
13 
 
Os sujeitos introvertidos são mais suscetíveis de contrair infecções respiratórias 
superiores após uma exposição viral (Broadbent, Broadbent, Phillpots, Wallace & 
1984; Totman, Kiff, Reedy & Craig, 1980) e têm mais infecções periodontais (Manhold, 
1953; cit. por Cohen, 1994) 
Medidas diretas sobre o sistema imunológico revelaram que um nível elevado 
de repressão estava relacionado com a supressão da resposta imunológica 
nomeadamente observável num nível mais elevado do anticorpo do vírus do herpes 
(Esterling, Antoni, Kumar, & Schneiderman, 1990; Esterling, Antoni, Fletcher, 
Margulies, & Schneiderman, 1994). 
Cole e Kemeny (1997) verificaram que os homens soropositivos para HIV que 
utilizavam os estilos de coping mais repressivos, evitantes ou de negação, eram 
aqueles que tinham uma progressão mais rápida da doença. 
Em suma, algumas característicasda personalidade, especialmente 
relacionados com a utilização de estratégias repressivas para lidar com os problemas 
e emoções parecem estar relacionadas com mais problemas imunológicos. Este 
resultado é consistente com o efeito do suporte social sobre o sistema imunológico, 
bem como a importância de elaborar as experiências negativas de modo a proteger 
este sistema. 
5 ESTUDO DO EFEITO DO SUPORTE SOCIAL SOBRE O SISTEMA 
IMUNOLÓGICO 
 
Fonte:asemcantabria.org 
 
 
14 
 
O estudo da relação entre suporte social e saúde tem uma longa história, e 
alguns estudos prospectivos mostraram mesmo que a longevidade está relacionada 
com a pertença a grupos sociais fortes, sendo a percepção de suporte social um fator 
protetor face a estressores (cf. Cohen & Herbert, 1996). 
Os sujeitos com mais suporte são mais saudáveis, têm menos probabilidade 
de ficar emocionalmente perturbados e de ficar fisicamente doentes (Cohen & Willis, 
1985). 
Este dado permite afirmar que o efeito do isolamento social em termos de saúde 
é comparável ao efeito de outros fatores de risco como fumar, pressão sanguínea, 
lipídios no sangue, obesidade e atividade física (House, Landis & Umberson, 1988). 
Um dos estudos prospectivos que foi realizado no final dos anos setenta avaliou 
a relação entre algumas características dos sujeitos, e o efeito de vírus da gripe sobre 
a sua saúde, especificamente o desenvolvimento de alguns tipos de infecções 
(Totman, Kiff, Reedy, Craig, 1980). 
Para isso os autores inocularam sujeitos com um vírus de gripe e avaliaram os 
sintomas de infecção respiratória nos 6 meses seguintes, tendo verificado que as 
perdas a nível da atividade social nos três meses anteriores constituíam o melhor 
preditor do risco de infecção. 
Um outro estudo que avaliou a gravidade e a frequência de episódios de gripe 
em função da rede social encontrou um resultado que parece contradizer os modelos 
biológicos: são os sujeitos com mais e melhores contatos sociais (situações que 
normalmente são associadas a risco aumentado) que têm os episódios de gripe mais 
leves e menos frequentes (Cohen, Doyle, Skoner, Bruce, & Gwaltney, 1997). 
Resultados que vão no mesmo sentido foram obtidos com outras populações. 
KiecoltGlaser, Glaser, Williger, Stout, Messick, Sheppard, Ricker, Romisher, Briner, 
Bonnel, e Donnerberg, (1985) e Kiecolt-Glaser, Garner, Speicher, Penn e Glaser, 
(1984) verificaram que os estudantes com mais auto relato de solidão têm uma menor 
atividade de NK e um nível mais elevado de anticorpo antivírus herpes; efeito 
semelhante ao encontrado em doentes psiquiátricos internados, em que foi verificado 
que aqueles que relatavam mais solidão demonstravam uma menor atividade dos 
linfócitos NK (Kiecolt-Glaser, et al. 1984). 
Katcher, Brightman, Luborsky e Ship (1973); Friedman, Katcher e Brightman, 
(1977); Manne e Sandler, (1984) e McLarnon e Kaloupek, (1988) verificaram 
 
 
15 
 
igualmente que as pessoas com menos competências sociais e/ou pouco suporte 
social têm mais episódios de herpes genital e oral; enquanto Kiecolt et al. (1987) 
verificaram que as mulheres separadas e divorciadas têm nível mais elevado de 
anticorpo antivírus herpes, menor percentagem de linfócitos NK e menor proliferação 
dos linfócitos. Em outro estudo Kiecolt-Glaser, Kennedy, Malkoff, Fisher, Speicher, & 
Glaser (1988) encontraram que os homens separados e divorciados têm um nível 
mais elevado de anticorpo antivírus herpes, e mais infecções. 
Outros estudos que deram resultados que vão no mesmo sentido foram 
realizados por Baron, Cutrona, Hicklin, Russel, & Lubaroff (1990) que observaram que 
os cônjuges de doentes com cancro com mais apoio social têm uma melhor atividade 
dos linfócitos NK e melhor resposta de proliferação dos linfócitos; Genest (1989) que 
pôde constatar uma relação entre suporte social e a diminuição da probabilidade de 
artrite em situações de stress; Thomas, Goodwin, e Goodwin (1985) ao constatar que 
idosos que relatam ter relações íntimas têm melhor resposta de proliferação dos 
linfócitos ou ainda Glaser, Kiecolt-Glaser, Bonneau, Malarkey e Hughes, (1992) que 
verificaram que os estudantes universitários com maior suporte social produziam mais 
anticorpo em resposta à vacina da hepatite B. 
Em suma, como concluem McGuire e Kiecolt-Glaser (2000), as relações 
interpessoais positivas estão relacionadas com menores níveis de hormônios de 
stress (e.g. cortisol, catecolaminas), melhor resposta do sistema imunológico, e 
diminuição do risco de contrair vários tipos de infecção. 
O que vamos analisar a seguir pode contribuir para explicar a efeito robusto do 
suporte social sobre a saúde e o sistema imunológico, bem como explicar porque é 
que alguns estilos de personalidade em que predomina a negação ou repressão 
emocional estão associados a mais problemas de saúde. 
 
 
16 
 
6 IMPACTO DOS ACONTECIMENTOS DE VIDA EM FUNÇÃO DOS 
SIGNIFICADOS E DO TIPO DE PROCESSAMENTO 
 
Fonte:amenteemaravilhosa.com.br 
A ideia base de desenvolver uma investigação sobre o efeito do tipo de 
processamento das experiências de vida sobre o equilíbrio físico é a de que há formas 
de processamento das situações (especialmente quando traumáticas) que são mais 
eficazes do que outras; e que este processamento passa por uma série de fases. 
Enquanto os estudos realizados no âmbito da primeira linha procuram averiguar de 
que modo a construção de significados sobre uma experiência afeta a saúde, na 
segunda linha encontramos os estudos sobre o efeito da expressão emocional. 
6.1 Acontecimentos de vida, construção de significados e saúde 
Alguns autores têm sugerido que os acontecimentos traumáticos confrontam o 
sujeito com informação que é inconsistente com o modo como normalmente organiza 
a informação e exigem da parte deste um trabalho para integrar a nova informação. 
Por exemplo Horowitz (1986), Janoff-Bulman (1989) e Silver, Boon e Stones (1983) 
 
 
17 
 
defenderam que as experiências traumáticas são uma ameaça aos esquemas com 
que a pessoa organiza o mundo e a si próprio, pondo em causa as suas crenças 
básicas sobre a existência de um mundo previsível e a sua dignidade e eficácia como 
participante da sociedade. Para lidar com essa ameaça é necessário reformular estas 
ideias e redefinir a si próprio e ao seu mundo. Isto implica um trabalho ativo de pensar 
quer sobre o acontecimento, quer sobre os pensamentos e sobre as emoções a ele 
associado (cf. Harber & Pennebaker, 1992). 
Bower, Kemeny, Taylor e Fahey (1998) sugerem que pensar/elaborar sobre um 
acontecimento estressante pode aumentar o sentido de mestria e a probabilidade de 
a pessoa sentir que tem controle sobre a sua vida, aumentando a autoestima. Para 
estes autores encontrar um significado positivo para as experiências difíceis é um dos 
resultados potenciais deste processamento. Exemplos desta construção de 
significados são, segundo Taylor (1983) e Yalom (1980); uma redefinição das 
prioridades para a vida; aumento da sensação de viver no presente; uma redefinição 
das relações interpessoais especialmente pelo aumento de intimidade com os outros 
significativos; e uma maior apreciação pela fragilidade e preciosidade da vida. 
A ideia de que esta construção de significado aumenta a adaptação psicológica 
tem sido defendida por vários autores (e.g. Mendola, Tennen, Affleck, McCann, & 
Fitzgerald, 1990); tendo Afflect, Tennen, Croog e Levine (1987) encontrado um efeito 
sobre a saúde: os sujeitos que reorganizaram a vida e perceberam benefícios do fato 
de terem sido vítimas de um ataque cardíaco (mudando os seus valores e filosofia de 
vida) revelaram menos probabilidade de ter um novo ataque e diminuíram a 
morbilidade num follow-up de 8 anos. 
Um estudo realizado por Bower, Kemeny, Taylor e Fahey, (1998) verificou que 
o processamento cognitivo e a procura de significado após a morte de um amigo estão 
relacionado comum menor declínio das células CD4 T e maior sobrevida entre um 
grupo de sujeitos contaminados com HIV. Exemplos de indicadores de processamento 
cognitivo são frases como: “Eu tenho pensado muito nele como uma pessoa, um 
amigo. Mais importante ainda, tenho pensado nele como uma vida”. Exemplos de 
descoberta de significado encontram-se nas afirmações seguintes “Eu agora aprecio 
muito mais os amigos que tenho e tornei-me um amigo mais íntimo” ou “de certa forma 
a sua morte levou-me a acreditar mais firmemente na qualidade da vida e levou-me a 
procurar vivê-la de um modo mais satisfatório”. 
 
 
18 
 
Em suma, alguns estudos sugerem que face a experiências que desafiam as 
concepções com que o sujeito antes organizava o mundo, a capacidade de dar um 
significado positivo à experiência parece estar relacionada com efeitos positivos a 
nível da saúde e do sistema imunológico. 
6.2 Acontecimentos de vida, expressão emocional e saúde 
Ainda que o trabalho individual de pensar e elaborar os significados dos 
acontecimentos traumáticos seja uma dimensão importante ou mesmo suficiente para 
alguns sujeitos, é na interação com os outros e na elaboração dessas experiências 
através da linguagem que as respostas fisiológicas e emoções podem ser melhor 
articuladas e integradas. Ou seja, a forma mais natural de dar sentido e integrar os 
acontecimentos de vida é através da utilização da linguagem e da partilha com outros. 
Falar permite a comparação social, integrar pontos de vista alternativos e, 
especialmente, contribuir para a organização das imagens e das respostas fisiológicas 
e emocionais sob uma forma narrativa de modo a dar continuidade e assim assimilar 
as dimensões cognitivas com as emocionais num todo articulado. Deste modo as 
respostas fisiológicas e emocionais relacionados com uma experiência, muitas vezes 
repetidamente ativadas de forma caótica sob a forma de intrusão ou ativação 
emocional ficam sob o controlo do sujeito autor, e não apenas vítima, da experiência. 
O estudo da relação entre expressão emocional e saúde física foi desenvolvido 
de uma forma sistemática desde o início dos anos oitenta por Pennebaker. Numa 
síntese agora publicada (Smyth & Pennebaker, 2001) são sistematizados os 
resultados da investigação produzidos nos últimos vinte anos e que dão resposta à 
questão que constitui o título do próprio trabalho: “What are the health effects of 
disclosure?”. É sobre esses efeitos, bem como dos efeitos da inibição das 
experiências de vida, que trataremos de seguida. 
Sendo falar a forma mais natural de lidar com uma experiência traumática, há, 
no entanto, situações em que por razões relacionadas com o tipo de experiência vivida 
ou o contexto interpessoal, o sujeito não encontra condições para falar. Alguns 
traumas dificultam a partilha por causarem embaraço, humilhação, vergonha ou 
mesmo culpa ao próprio sujeito. Entre este tipo de experiências contam-se, por 
exemplo, ser vítima de incesto, fazer um aborto voluntário, ou cometer um ato ilícito. 
 
 
19 
 
Pode ainda acontecer que devido ao sofrimento associado à experiência, ela é inibida 
uma vez que o sujeito não se sente capaz de lidar com as suas próprias emoções. 
Outras vezes é o contexto interpessoal que não facilita porque a pessoa antecipa 
crítica ou punição por parte dos outros, ou há dificuldade em encontrar pessoas 
disponíveis para ouvir. Esta situação pode ocorrer pelo sofrimento que a situação 
produz no ouvinte, mas também pode verificar-se em situações de desastres naturais 
em que toda a comunidade é afetada e cada um está a tentar lidar com o seu próprio 
sofrimento, estando, por isso, pouco disponível para os outros. Nestes casos existe 
uma inibição que pode ser prolongada, durando meses ou mesmo anos. 
Como refere Pennebaker (1992), embora a inibição seja adaptativa e saudável 
uma vez que para viver socialmente aprende-se a inibir impulsos, emoções e 
comportamentos, este processo é desadaptativo quando a pessoa precisa falar sobre 
um acontecimento e não tem condições para o fazer. Neste caso a inibição exige 
esforço, provoca ansiedade e ameaça à saúde, tornando-se um processo altivo, que 
pode ser mais ou menos consciente e esforçado de modo a pôr de parte pensamentos, 
comportamentos ou emoções. Sabe-se que não falar aumenta a interferência 
cognitiva, sendo os processos intrusivos mais frequentes nos acontecimentos não 
adequadamente assimilados em que se mantém ativadas as respostas fisiológicas e 
emoções a ela associadas. Por exemplo, as pessoas que não podem falar pensam 
mais vezes, sonham mais e mantém o trauma mais tempo altivo. A investigação 
demostrou mesmo que se se pedir a alguém para inibir um pensamento ele torna-se 
mais frequente e a concentração diminui (Gilbert, Krull & Pelham, 1987). 
A relação entre inibição e perturbação física foi já estabelecida. A inibição exige 
trabalho fisiológico e está associada ao aumento da atividade do sistema nervoso 
autónomo como o aumento da condutividade da pele, ativação do sistema nervoso 
central nas regiões do septo e hipocampo, e ativação nas áreas corticais (cf. revisão 
realizada por Pennebaker,1988). Quando a inibição ocorre por períodos de tempo 
muito longos, conduz a mais episódios de doença e dificuldades imunológicas. Por 
exemplo, Pennebaker (1989) e Pennebaker e Susman, (1988) verificaram que os 
sujeitos que tiveram um trauma na infância sobre o qual não puderam falar têm mais 
probabilidade de ficar doentes do que aqueles que passaram pelas mesmas 
experiências mas puderam partilhá-las. Este resultado está de acordo com o que 
 
 
20 
 
antes vimos acerca dos sujeitos com estilo de personalidade mais inibidos e/ou com 
menor rede de relações interpessoais, que têm mais problemas de saúde. 
Para testar o efeito da expressão sobre a saúde e mais exatamente sobre o 
sistema imunológico, Pennebaker, Kiecolt-Glaser & Glaser (1988) pediram a sujeitos 
para escrever quatro dias seguidos sobre situações traumáticas da sua vida, enquanto 
outros escreviam sobre situações triviais. Os sujeitos que escreveram sobre situações 
traumáticas não só diminuíram os valores de ativação do sistema nervoso autónomo 
e o número de consultas médicas, como a avaliação da sua função imunológica 
revelou uma melhoria da eficácia dos linfócitos T. 
Num estudo realizado por Petrie, Booth, Pennebaker, Davidson e Thomas 
(1995) em que existiram igualmente dois grupos com a tarefa de escreveram ou sobre 
situações traumáticas ou sobre assuntos triviais, verificou-se que escrever sobre 
situações emocionalmente dolorosas estava associado a uma resposta mais eficaz 
do sistema imunológico, medido por um maior número de anticorpos face à vacina da 
hepatite B. Mais recentemente Petrie e Pennebaker (1998) verificaram que os sujeitos 
que escreveram durante 3 dias seguidos acerca das suas emoções revelaram um 
aumento significativo de linfócitos CD4, enquanto os que só puderam relatar os fatos 
sem revelar pensamentos ou emoções diminuíram os níveis de linfócitos CD3. 
Em suma, este conjunto de estudos parece indicar que o processamento das 
situações traumáticas passa por uma série de fases, havendo tarefas, como escrever 
ou falar sobre os acontecimentos e as emoções a eles associados, que parecem 
contribuir para amortecer o efeito potencialmente nefasto associado a essas 
experiências. 
Mas não podemos deixar de lembrar que sendo a relação entre partilha e saúde 
extremamente importante, ela em alguns casos é independente do suporte social. 
Como Pennebaker (Pennebaker & Susman, 1988; Pennebaker, 1992) afirma, ter uma 
experiência traumática e não poder partilhá-la quando se tem amigos ainda é mais 
exigente do ponto de vista da inibição e, por isso, potencialmente mais perturbador. 
 
 
21 
 
7 SOBRE A PSICONEUROIMUNOLOGIA 
 
Fonte:inspiresaude.pt 
As relações mais íntimas entre o cérebro e sistema imunológico começaram a 
sermelhor esclarecidas na década de 70, quando o psicólogo Robert Ader e o 
imunologista Nicholas Conhem, realizaram um importante experimento, envolvendo a 
administração a ratos de uma droga imunossupressora, junto com água adoçada com 
sacarina. O sistema imunológico dos ratos ficou condicionado ao sabor da sacarina; 
por fim, a administração da água adoçada, isoladamente, levou à supressão do 
sistema imunológico, a doenças e à morte. Dessa forma, houve provas irrefutáveis de 
que o cérebro poderia influenciar diretamente na imunidade. 
Naquela época Ader juntou os dados psicológicos, neurológicos e imunológicos 
que obteve de seus pacientes e os descreveu paralelamente, fornecendo assim, uma 
visão geral dos problemas ocorridos nos diversos sistemas. Essa forma de 
apresentação dos dados sugeriu o estudo da correlação entre essas variáveis e 
despertou o interesse de vários outros colegas da Rochester University, os quais 
adotaram, então, o mesmo modelo para analisar outros sintomas e casos. Nascia, 
assim a Psiconeuroimunologia. 
 
 
22 
 
A partir daí numerosos pesquisadores descobriram diversas conexões 
fisiológicas entre o cérebro e o sistema imunológico. Eles mostraram que as células 
do sistema imunológico podem reagir às substâncias químicas e que as células 
nervosas reagem a mensageiros químicos secretados pelo sistema imunológico, 
estabelecendo uma comunicação plausível entre os dois sistemas. 
Essas descobertas fisiológicas, juntamente com vários estudos clínicos de 
doenças que vão do resfriado comum a AIDS, deram origem à área da 
psiconeuroimunologia. 
A Psiconeuroimunologia propõe-se, portanto, a religação da mente com o 
corpo, na medida em que estuda a relação existente entre eles, sobre a perspectiva 
do Paradigma da Integração. 
A Psiconeuroimunologia brasileira não busca a criação de um modelo, de uma 
técnica, mas o desenvolvimento de um novo paradigma. Ela é, nesse sentido, uma 
espécie de movimento inverso, que, no esforço por concepções mais abrangentes, 
estende-se da análise e da síntese do princípio e do método científico para espaços, 
que poderíamos chamar de “zonas de sombras das teorias”. Ela tenta construir assim, 
“... um movimento pendular entre o geral e o particular...” (Esdras,2000), porém com 
a preocupação permanente de não deixar de perceber que a vastidão do macrocosmo 
é formada pelo mesmo átomo que encontramos nas profundezas do microcosmo. 
Ainda, segundo o Prof. Dr. Esdras, esse modelo encontra-se em constante 
revisão e a admissão de novas áreas do conhecimento tem sido processada 
frequentemente. O conceito que se procura desenvolver provoca, necessariamente, 
um sentido de interdisciplinaridade, na medida em que procura não estabelecer a 
direção para a compreensão do fenômeno. Nele os fenômenos não são, portanto 
puramente psicossomáticos ou somatopsíquicos, nem também 
psiconeuroimunológicos, mas podem ser vistos como neuropsicoimunes ou 
imunoneuropsíquicos. Não importa a ordem dos fatores. A visão interdisciplinar 
confere a cada dimensão a mesma relevância e o mesmo valor de importância na 
determinação do processo. Esse princípio constitui-se como a essência de um 
“Paradigma Inter ciências”. 
 
O quadro a seguir demonstra uma síntese das áreas de estudo que é 
importante integrar: 
 
 
23 
 
ÁREAS DA PSICONEUROIMUNOLOGIA 
 
CIÊNCIAS NATURAIS • Física 
• Química 
• Matemática 
CIÊNCIAS BIOLÓGICAS • Biologia 
• Imunologia 
• Neurofisiologia 
• Neuroimunologia 
• Virologia 
• Cronobiologia 
CIÊNCIAS MÉDICAS • Oncologia 
• Sorologia 
• Infectologia 
• Alergias 
• Síndromes Autoimunes 
• Medicina Oriental 
CIÊNCIAS PSICOLÓGICAS • Os Grandes Sistemas Psicológicos 
• Stress 
• Coping 
• Epistemologia Clínica 
CIÊNCIAS FILOSÓFICAS • História da Filosofia 
• História da Ciência 
• Epistemologia Genética 
• Filosofia Oriental 
CIÊNCIAS ESPIRITUAIS • Histórias das Religiões 
• Religião e Ciência 
• Espiritualidade e Saúde 
CIÊNCIAS PÓS-MODERNAS • Cibernética 
• Inteligência Artificial 
• Ciclos Neurais 
• Medicina Ultra e Ortomolecular 
• Psiconeuroimunologia Aplicada 
 
A Psiconeuroimunologia, a área da ciência que relaciona o Psiquismo, 
Neurologia e Imunologia, ou seja, é o campo de estudo que compreende a interação 
do psiquismo no sistema nervoso e sua influência sobre a imunidade e, por 
consequência, da saúde do ser humano de uma forma geral. 
 
 
24 
 
Para compreender como se dá essa interação basta que você se recorde da 
última vez que ficou doente. Procure lembrar-se dos fatos que antecederam a sua 
doença. Frequentemente, as doenças são precedidas de situações que geraram 
desgaste emocional, preocupações ou conflitos. 
Então, como aponta Quilici (2001) quando achamos que tudo irá se acomodar 
vem à doença. Pode ser uma gripe, uma alergia, uma gastrite, uma herpes, uma 
pneumonia, entre tantas outras. Isso ocorre porque, frente uma tensão, o indivíduo 
fica abalado emocionalmente em menor ou em maior grau, então o organismo sofre 
um desgaste que interfere na imunidade a ponto de fazer cessar parcialmente ou 
totalmente uma de suas principais funções que é a proteção de nosso corpo. 
Mesmo tendo consciência disso, dificilmente vemos um médico perguntando 
ao seu paciente sobre as circunstâncias que antecederam o surgimento de uma 
enfermidade. Por que a maioria dos médicos agem assim? Descuido? Falta de 
interesse? Não, com certeza não se trata disso. O problema é que, a nossa cultura, 
bem como o Ocidente como um todo permaneceu estacionada entre os paradigmas 
cartesianos e biomédicos, cindindo corpo e mente. 
Vale lembrar que nem mesmo os gregos antigos consideravam esta visão 
dualista de que o corpo e a mente fossem coisas separadas. Todavia, foi esta a ideia 
que se conservou para nós e o que dominou toda cultura ocidental e, ainda hoje, 
permanece para o prejuízo de milhares de pessoas e dos campos que envolvem a 
área da Saúde. Por outro lado, muitas pessoas se “beneficiam" desse caráter dualista, 
pois assim não precisam pensar muito. Porém correm o perigo de esgotarem o corpo, 
até não conseguirem rever mais um quadro. 
Unir corpo e mente é, infelizmente, uma condição que não interessa a muitas 
pessoas, ainda que atinja a todos, sem exceção. Primeiramente, essa integração não 
interessa aos laboratórios farmacêuticos, em segundo lugar para os empresários e, 
por último, a população de um modo geral. Não precisamos discutir as razões dos 
laboratórios farmacêuticos por serem óbvias pelos lucros que estas podem obter. Já 
o empresário partilha do ponto de vista do fabricante de remédios na medida em que 
um medicamento diminui demasiadamente, o tempo de recuperação do seu 
funcionário doente e permite que este volte ao trabalho mais rápido. 
A maioria das pessoas, por sua vez, não suporta desconfortos de qualquer 
espécie por muito tempo e assim, diante de um sofrimento ou um mal-estar, dirigem-
 
 
25 
 
se até a farmácia mais próxima, compram um remédio e pronto, lá estão novamente 
retomando suas atividades e sua rotina, sem se conscientizarem que da sua 
participação na doença que foi manifestada em seu organismo. 
Entretanto, esta falta de conscientização tem seu preço, visto que inúmeras 
pesquisas veem demonstrando que os medicamentos atualmente são os grandes 
responsáveis por ocasionarem danos no organismo, alguns até com efeitos colaterais 
bem pesados e permanentes. Os empresários, ao se depararem com o desgaste, o 
estresse e, em alguns momentos, com as faltas dos funcionários, não conseguindo 
contar muito com a eficiência do empregado, começam a perceber que, dependendo 
do grau do estresse e das características de personalidade do indivíduo, não há um 
medicamento específico que dê jeito. Por meio dessas constatações, as pessoas 
começam a fazer um movimento em direção a tratamentos considerados alternativos. 
Contudo, logo surgem artigos na mídia, falando sobre o perigodesses tipos de 
tratamento. É claro que devemos tomar cuidado com pessoas que usam de má fé na 
área da cura e da saúde, contudo também devemos lembrar que a grande maioria 
desses tratamentos alternativos, principalmente os que fazem o uso das ervas, estas 
também são fonte primária de muitos remédios e a humanidade conseguiu sobreviver 
até agora, sem a presença dos laboratórios. Basta relembramos sobre o paradigma 
primitivo. Além disso, nos ditos tratamentos alternativos também se encontram 
terapias que partem do pressuposto biopsicossocial e até, mesmo o espiritual 
(levando em conta crenças e valores de cada indivíduo), olhando-o de maneira 
holística, como um todo, que se adoeceu é porque os demais aspectos (psicológico, 
social e espiritual) também adoeceram. 
A grande questão hoje, é que a medicina preventiva, deu lugar à medicina 
curativa e nesta, as enfermidades são vistas de forma bélica, ou seja, precisam ser 
combatidas a todo custo, perdendo-se assim, a visão de que se há uma desarmonia, 
isto se deu porque o corpo e a mente foram influenciados por eventos, principalmente 
aqueles que envolvem aspectos emocionais. Os profissionais das áreas da saúde 
ainda brigam muito por espaço e com isto o cenário permanece quase que estagnado. 
Contudo, pouco a pouco termos como: qualidade de vida, realização pessoal, 
responsabilidade social, entre outros vão se inserindo no cotidiano das pessoas 
(infelizmente após muita negligência com o impacto dos aspectos psicológicos e 
sociais). 
 
 
26 
 
Como propõe Quilici (2001), é natural que o ser humano, através dos tempos, 
fossem observando fatos e desenvolvendo remédios que lhe ajudassem a manter a 
saúde e a saúde da humanidade. E, ainda hoje, estes medicamentos funcionam. Muita 
gente se trata com eles e passa bem. No entanto, os modos de vida mudaram 
radicalmente e com essa mudança, surgiram diferentes níveis de desgaste emocional. 
E isso veio com tal velocidade que, as pessoas não tiveram capacidade suficiente 
para se adaptarem, muito menos os medicamentos. 
Muitas mudanças no cérebro humano levaram milhares de anos para ocorrer, 
porém somos obrigados a nos adaptar em menos de uma década. Desse modo, 
muitas vezes não são os remédios naturais que deixaram de fazer efeito, é a 
constância quase que diária de nossos desgastes que nos deixam em eterno estado 
de alerta, levando antes do surgimento das doenças, a manifestação da síndrome de 
adaptação. Então, talvez valha à pena conhecer uma ciência que vem procurando se 
colocar e que pode nos ensinar muitas coisas sobre as emoções e as doenças: a 
Psiconeuroimunologia, conhecida também por PNI. 
A PNI significa a interação entre esses três sistemas, que podem causa danos 
ao nosso organismo. É importante ressaltar que não se trata de uma ciência nova. 
Afinal, através dos tempos e das culturas, médicos e sábios, procuraram unificar o 
bem-estar físico buscando suas origens no psiquismo. Foi um médico da Transilvânia, 
Papai Pariz, que praticamente reiterou Aristóteles e antecipou o surgimento da 
Psiconeuroimunologia (PNI), quando declarou no ano de 1680 que “Quando as partes 
do corpo e seus humores não estão em harmonia, então a mente se desequilibra e a 
melancolia aparece, mas por outro lado, uma mente calma e feliz faz com que todo 
corpo fique saudável”. Os mecanismos subjacentes a essa ligação serão 
compreendidos a seguir. 
Caso assumamos uma racionalidade adaptativa para o processo evolucionário, 
faz sentido crer que o sistema nervoso e o sistema imune podem ser compreendidos 
como um sistema único e integrado de adaptação defensiva. Ambos têm um comum: 
 a) senso de identidade, ou seja, sabem o que é o ser e o não ser; 
 b) interferem no relacionamento do indivíduo com o ambiente e ignoram os 
elementos externos, independente de serem eles, amigáveis ou perigosos; 
 c) permitem ao organismo sobreviver em um ambiente hostil pelos mecanismos 
físicos de adaptação e também das defesas psíquicas, sendo que para fazer isso, 
 
 
27 
 
esses dois sistemas, possuem memória e aprendem por meio da experiência; 
 d) monitoram o mundo interno e avaliam o que é ego-sintônico ou distônico, ou 
seja, identificam aquilo que não é do self (si mesmo) e é maligno e instituem defesas 
contra os componentes malignos do mundo interno; 
 e) cérebro/psiquismo e sistema imune cometem “enganos” que podem favorecer 
o surgimento de doenças e até mesmo levar à morte. Neste sentido, fatos ou 
organismos inócuos podem ser percebidos como perigosos e provocar desde fobias 
a alergias. O verdadeiro self pode não ser aceito e então, a depressão se instala, 
conduzindo em muitos casos para tristes desfechos, como o suicídio. O mesmo 
acontece com as reações autoimunes que, algumas vezes podem sobrevir de forma 
fatal. 
Sabe-se que as pessoas, de um modo geral, tornam-se mais propensas a 
apresentarem quadros depressivos e autoimunes com o avanço da idade. Memórias 
recentes (não as de longo prazo) tendem a falhar mais frequentemente com a idade 
e a senilidade imune é caracterizada pela pobreza das respostas primárias ao nível 
dos novos antígenos e uma resposta secundária relativamente forte para antígenos 
antigos. 
Quilici (2001) descreve casos de doenças de pele em pacientes onde a 
deficiência com a autoestima era a regra. Relata que um paciente em especial, tinha 
sérios e variados problemas de pele e muitos, eram autoimunes. O autor notou que, 
esse paciente tinha um nível de autoestima tão baixo que toda vez em que se 
pronunciava, reproduzia somente coisas que ele tinha ouvido. Em alguns momentos 
ele parecia ter dupla personalidade porque surgia com formas completamente 
diferentes de ser. Com um nível tão alto de rejeição a si mesmo, o paciente em 
questão desenvolvia alergias extremamente agressivas. Outros pacientes com 
alergias de pele, principalmente, aqueles com dermatites resgataram sua autoestima 
e começaram a apresentar remissão definitiva dos sintomas. 
Outros dois cientistas da Psiconeuroimunologia, Roger Booth e Kevin 
Ashbridge, afirmam: “Há necessidade de reavaliar e talvez redefinir os conceitos, 
símbolos e a linguagem da imunologia e da psicologia, de forma que permitam 
estabelecer uma relação entre os processos imunológicos e psicológicos. Esses 
processos devem ser expressos em termos de uma perspectiva teleológica coerente. 
Para que as relações entre o psiquismo e a imunidade, façam sentido, seria 
 
 
28 
 
necessário que nos livrássemos de alguns de nossos preconceitos no que diz respeito 
à natureza de sistema imune e de nosso psiquismo”. 
Segundo Quilici (2001), a Psicossomática, que data do final da década de 1930 
e começo da década de 1940, foi antecipada por clínicos antigos que, já previam, 
através de suas ideias a Psiconeuroimunologia; enquanto que, a área da Imunologia 
pré-contemporânea, não o fez. O campo da imunologia estabeleceu na época que o 
sistema imune era autônomo e autorregulável, respondendo somente aos desafios 
antigênicos, ou seja, só reage se um invasor entra no organismo e provoca uma ação. 
O autor cita que em um encontro de um grupo de estudos de 
Psiconeuroimunologia, David Felten, lembrou-se de uma famosa crítica, que foi 
batizada como: “Folha Rosa”. Nesse documento, afirmava-se com humor: “A 
inervação dos órgãos imunes obviamente, não devem ter nada a ver com as respostas 
imunes, uma vez que essas reações podem ocorrer em tubos de ensaio, que, por usa 
vez, não tem nervos”. Todavia, no início da década de 1940, Franz Alexander 
observou que a patologia psicossomática era o resultante fisiológico de emoções 
conscientes ou mesmo, daquelas que estariam reprimidas. Os alemães, Thorwald 
Dethlefsen e Rudiger Dahlke, que escreveram “A Doença Como Caminho” (1983) e 
“A Doença Como Símbolo” (1996) têm vários trabalhos na área de psicossomática, 
nos quais se referem as doenças comoum fenômeno que possui sentido e que o 
entendimento deste proporciona uma conscientização sobre os conflitos ainda não 
solucionados pelo indivíduo. Abaixo vamos discutir a questão da ligação entre 
doenças e emoções. 
Na década de 1940, Selye começa a conceitualizar o stress como uma 
influência perturbadora e não especifica, fazendo um paralelo com o conceito de 
homeostase (equilíbrio interno) de Cannon. Dessa maneira, um evento estressante, 
mobiliza um comportamento adaptativo do organismo, implicando em inúmeras e 
rápidas alterações fisiológicas. Sua resolução depende de moderadores externos tal 
como suporte social e amoroso ou, de moderadores internos tais como habilidade de 
vigilância, e nos mostram, que podem auxiliar para o crescimento psicossocial, ou 
para uma mudança extremamente prejudicial da saúde, que muitas vezes pode 
conduzir à morte em caso de exaustão extrema. 
Selye apontou o eixo hipotálamo-hipofisário, adrenal cortical como os 
determinantes dos efeitos do stress sobre a saúde do organismo. Na década de 1960, 
 
 
29 
 
o psiquiatra George Angel estabeleceu seu modelo biopsíquico social para todas as 
doenças. Dependendo da eficácia dos mecanismos psíquicos, que compreendem 
uma variedade de reações, reflexões e atitudes, a homeostase psíquica (ou equilíbrio) 
pode se restabelecer, mas, caso isso não se suceda, o stress, pode funcionar como 
um alarme para uma fase mais perigosa. 
Os mecanismos psíquicos de vigilância tendem a ser relativamente estáveis e 
característicos de cada indivíduo, mas podem variar de muitas maneiras. Desde 
modos mais maduros e eficientes de resolver os problemas até mecanismos mais 
primitivos de negação, repressão e fuga psíquica, ou ainda de desprendimento e 
retraimento. 
A Psicossomática tem se preocupado com estes tipos especiais de padrões de 
vigilância e a indicação de que determinadas características, podem estar associadas 
com algumas doenças em particular. Como apontam algumas pesquisas que vimos 
anteriormente, indivíduos que apresentam um padrão mais competitivo e hostil têm 
sido associados, por causa de muitas evidências, com as doenças coronarianas e é 
rotulado como padrão tipo A. As pesquisas mostraram que tais indivíduos estão mais 
propensos a terem doenças cardíacas. Flavio Rotman em “A prevenção do Infarto 
para nervosos” (1985) faz importantes referência a estudos com esses tipos de 
pessoas. 
Em uma série de estudos controlados, de pessoas com doenças autoimunes 
como artrite reumatoide, Rudolf Moos e seus parceiros, concluíram que os artríticos, 
em comparação com seus irmãos não artríticos, mostravam características como 
submissão, dificuldade de expressão da raiva, sensibilidade para a raiva alheia, 
conservadorismo e auto sacrifício, além de serem pessoas mais ansiosas e 
deprimidas. Na ótica de Quilici (2001), pacientes com outras doenças autoimunes tal 
como Lupus Erimatoso Sistêmico e Tireoidites parecem ter padrões similares. 
Porém há alguma causa e, qual o efeito da personalidade e stress x doença? 
Quilici (2001) aponta que em um dos melhores trabalhos sobre psicossomática, feitos 
na atualidade, cientistas compararam dois grupos de pacientes e seu status de saúde. 
Um dos grupos eram de pessoas com artrite reumatoide (grupo 1), e o outro grupo de 
pessoas sem artrite reumatoide (grupo 2). Do grupo 1, todos tinham “disponibilidade 
genética”. Cerca de 20% eram portadores da doença e os outros 80% apresentam 
 
 
30 
 
ausência de anticorpos característicos de Artrite Reumatoide, um anti IgG ou 
anticorpos contra os anticorpos envolvidos no surgimento da doença. 
Observou-se que, no primeiro grupo, as pessoas com auto anticorpos, estavam 
em condições emocionais perfeitas, sem ansiedade, depressão ou alienação, 
relatando estarem satisfeitos com o trabalho e com as relações pessoais. Para o autor, 
isso pode ser um indício de que o bem-estar psicológico provavelmente funciona como 
uma proteção diante da determinação genética, a qual os predispunha a uma doença 
imune. Sabe-se que pessoas com artrite reumatoide, e que são assintomáticas, têm 
grandes chances de desenvolverem a artrite na medida em que, um padrão fixo de 
doenças autoimunes, relativamente frequentes se seguem a um evento de vida 
extremamente estressante, tal como a morte de alguém que significava muito do ponto 
de vista emocional. 
Quilici (2001) menciona outro estudo realizado com crianças que eram filhos 
de pais psicóticos, nele as crianças que foram adotadas por casais equilibrados e que 
lhes propiciaram um ambiente saudável, não demonstraram indícios da doença até a 
idade adulta, mas nos casos em que as crianças foram adotadas por famílias com 
situações complicadas do ponto de vista emocional, todos acabaram por apresentar, 
um quadro psicótico. Para o autor, os ambientes podem favorecer ou não a 
manifestação de uma doença. Dessa forma, a seguinte questão é levantada: 
ambientes saudáveis e amorosos podem funcionar como uma proteção contra a 
determinação genética? 
Quidici (2001) cita que David Felten e a seu colega Jeffrey Fessel, ambos 
pesquisadores de PNI, ficaram impressionados com um trabalho realizado em numa 
clínica de doenças reumatoides. Lá foi observado o fato de que, a condição, A. A. A. 
(anticorpos antinucleares associados), podem produzir sérias doenças psiquiátricas, 
com frequência, semelhantes à esquizofrenia, algumas vezes como um sintoma 
inicial. Em função dessa associação imunopsiquiátrica, alguns cientistas, começaram 
a procurar por níveis anormais de imunoglubulinas e a presença de vários anticorpos 
naqueles pacientes que sofriam de esquizofrenia e os encontraram em alguns deles. 
Rudy Moos e David Felten publicaram em 1964 um trabalho que foi 
denominado: “Teoria Especulativa de Integração: Emoções, Imunidade e Doenças”, 
que tratava da regulação neuroendócrina da Imunidade e os efeitos experienciais 
sobre o sistema imunológico. 
 
 
31 
 
Nota-se que muitos dos experimentos foram iniciados em animais com a 
finalidade de conhecer as reações da imunidade. Os cientistas tinham por objetivo 
observar a interação entre Sistema Nervoso Central e Imunidade, bem como os 
efeitos do estresse sobre a resistência imunológica e sua mediação nas doenças. 
Muitos experimentos antigos foram retomados e iniciados no Laboratório de 
Psiconeuroimunologia, em Stanford, que era filiado ao Hospital VA de Palo Alto. A 
primeira grande pesquisa foi efetuada com fundos privados da fundação, porque 
houve uma impossibilidade inicial de obter verba com o NIH (Departamento de Saúde 
dos Estados Unidos) e com o próprio VA, porque, segundo eles, tal pesquisa estava 
muito distante do que seria considerado, uma disciplina médica e comportamental. Na 
verdade, a Psiconeuroimunologia é sentida como uma quebra dessas disciplinas. 
Entretanto, o que colocou a Psiconeuroimunologia no campo científico, mesmo 
com tanto ceticismo à sua volta, foi realmente, um relatório de 1975, de Bob Ader e 
Nick Cohen. Neste são relatados experimentos sobre paladar e aversão que 
condicionavam a imunossupressão. Se a sacarina sozinha produz imunossupressão, 
o cérebro, obviamente, está envolvido. 
Estudos realizados em seres humanos demonstram que estresse e imunidade 
baixa têm estreita ligação. Trabalhos mostram continuadamente a comprovação 
dessas hipóteses, observadas em situações naturais tais como, luto, brigas conjugais, 
exames, e naqueles que cuidam de pacientes com doença de Alzheimer e até mesmo 
com estressores experimentais como é o caso da aritmética mental. Há inúmeras 
referências desse tipo de experiências no livro já citado de Fábio Rotman. 
 
 
32 
 
8 PSICONEUROIMUNOLOGIA E O CÂNCER 
 
Fonte:s.olj.me/storage/attachments 
De acordo com os estudos de Silvia A. Santos A Psiconeuroimunologia é um 
campo cientifico que pesquisa a relação entre cérebro, comportamento humano e 
sistema imunológico, bem como asconexões para com a saúde física e a doença. No 
entanto, em diversos quadros patológicos este equilíbrio é rompido e neste contexto, 
alguns autores propõem que mulheres deprimidas apresentavam uma maior 
incidência de câncer, apontando um possível impacto causado por variações no 
sistema nervoso central e no sistema imunológico. A autora analisou o impacto dos 
fatores de stress e depressão com relação ao sistema imunológico e como a mente 
pode interferir no estado mental, bem como físico das pessoas. Ainda, o objetivo do 
estudo foi de auxiliar a sociedade e aos profissionais da saúde na maior compreensão 
das consequências do stress e da depressão no sistema imunológico, bem como a 
maior propensão ao câncer em indivíduos que apresentam estas patologias. De 
acordo com Holden, Pakula e Mooney (1998) os resultados, baseados na análise de 
 
 
33 
 
cerca de 360.000 casos através de pesquisas em Banco de Dados, mostraram que 
em pessoas viúvas com mais de 65 anos e aposentados, a mortalidade aumentou em 
48% em homens viúvos e 22% em mulheres viúvas, num curto período de três meses 
de luto, tendo possivelmente como consequência o carcinoma de mama e doenças 
cardiovasculares. Outros estudos indicam também que o stress e a depressão 
causam respectivamente um aumento de interleucina 1 beta (IL-1β ) e necrose 
tumoral alfa (TNF-α ), desregulando o sistema imunológico levando a casos de 
câncer. 
Baseados nos resultados obtidos dos diferentes artigos, concluímos que 
estressores psicossociais afetam diretamente o sistema imunológico, diminuindo sua 
eficiência e levando ao aparecimento de doenças e do câncer. Isso vem a estimular 
entre os profissionais da saúde e de várias áreas o fato de se estender essa relação. 
A função imunológica com relação as experiências da vida mostram sempre novas 
descobertas. 
A medicina Psicossomática revelou o papel importante da mente na 
manutenção da saúde física. A combinação entre emoções e as doenças vem sendo 
explicada durante décadas devido aos progressos em biologia molecular e celular, 
genética, neurociências e estudos na imagem cerebral. Estes avanços divulgaram as 
inúmeras ligações entre os sistemas neuroendócrino, neurológico e o sistema 
imunológico. 
Corpo e mente fazem parte de um indivíduo, sendo a saúde, o resultado desse 
equilíbrio que impreterivelmente reage com o meio ambiente. Tais observações 
também foram propostas por Hipócrates e Galeno (por volta de 380 a.C.). Na década 
de 70 com a publicação da Journal of Behavior Medicine, houve a criação das áreas 
denominadas Medicina Comportamental e Psicologia Comportamental, havendo uma 
iniciação nas pesquisas das Ciências Sociais e Biomédicas, sendo indicado a sua 
aplicação nos tratamentos médicos. Ainda os autores apontam que a ligação entre 
stress, depressão e consequentemente o enfraquecimento do sistema imunológico 
podem favorecer a formação e desenvolvimento de tumores. 
 
 
34 
 
8.1 Correlação entre o sistema nervoso central e o sistema imunológico 
O sistema imunológico exerce um papel importante no sistema nervoso central 
(SNC) com relação a conservação e a morte neuronal. As citosinas podem atuar no 
SNC como fatores de crescimento neuronal e como neurotoxinas exercendo um papel 
em várias doenças. As citosinas pró-inflamatórias como a interleucina 1 (IL-1), 
interleucina-6 (IL-6), interferons (IFNs) e fator de necrose tumoral alfa (TNFα), 
liberados durante uma infecção, conduzem um conjunto de mudanças no 
comportamento e mal-estar ligados às enfermidades. 
8.2 Estresse, Depressão e Câncer 
Alguns estudos apontam o aparecimento de ligações bidirecionais entre o SNC, 
o eixo hipotálamo-pituitária-adrenal (HPA) e o sistema imunológico. O sistema 
imunológico modula os sistemas alostáticos através das citosinas que exercem 
resultados estimulatórios sobre sistema nervoso autônomo e o eixo HPA, e outras 
exercem resultados inibitórios. Assim, é sabido que a IL-1 predispõe a liberação de 
corticotrofina (CRF) no hipotálamo e significativo para a evolução da resistência dos 
receptores de glicorticoides ao cortisol no decorrer do estresse crônico. Em se 
tratando de mecanismos fisiológicos envolvidos na depressão, o ácido γ-aminobutírico 
(GABA), o principal neurotransmissor inibitório, aparece como o principal mediador do 
SNC. De fato, estudos concordam em dizer que na depressão, ocorre diminuição do 
sistema GABAérgico, resultando na alteração da resposta dos receptores das 
catecolaminas (adrenalina e noradrenalina). 
Sobre o câncer, o oncologista britânico Willis desenvolveu uma definição mais 
adequada sobre neoplasma, “o neoplasma é uma massa anormal de tecido, o 
crescimento é excessivo e não coordenado com aquele dos tecidos normais, e 
persiste da mesma maneira excessiva após a interrupção do estimulo que originou as 
alterações“. No que diz respeito ao tumor benigno, ele permanece localizado, não se 
disseminando para outros tecidos e geralmente é removido por cirurgia. Já o tumor 
maligno (cânceres), invadem e aderem outras estruturas adjacentes e se espalham 
para outros tecidos (metástases), levando à morte. As células anormais, eoplásicas 
ou não, surgem durante a vida, no entanto estas são combatidas pelo sistema 
imunológico. 
 
 
35 
 
O termo imunoedição tumoral, no câncer atualmente vem sendo utilizado para 
explicar os efeitos do sistema imunológico para prevenir a formação de tumores. Os 
antígenos tumorais que iniciam uma resposta imunológica foram encontrados em 
muitos tumores induzidos em experiências no laboratório e em alguns cânceres 
humanos. 
Desta forma, foram classificados em duas categorias por padrões de 
expressão: antígenos tumor-específico, presentes em células tumorais e não em 
qualquer célula normal e antígenos associados ao tumor, presentes nas células 
tumorais e algumas células normais. No entanto essa classificação foi imperfeita, 
porque muitos antígenos que se acreditava serem tumor-específicos revelaram ser 
identificados em algumas células normais. Porém, um importante avanço nesse 
campo foi o desenvolvimento de técnicas para identificar os antígenos tumorais, que 
foram reconhecidos por linfócitos T citotóxicos (CTL), pois o CTL é o principal 
mecanismo imunológico de defesa contra os tumores. Eles identificam os peptídeos 
decorrentes das proteínas citoplasmáticas que são ligadas às moléculas do complexo 
de histocompatibilidade principal de classe I (MHC I). 
No entanto, por processos externos que afetam o sistema imunológico 
relacionados principalmente aos mecanismos de escapes tumorais, o sistema 
imunológico reconhece as células anormais como integrantes da sua estrutura. Com 
isso não haveria reações imunológicas e as células tumorais não são efetivamente 
eliminadas. Esse mecanismo neoplásico ocorre na comunicação entre o SNC e o 
sistema imunológico. 
8.3 Correlação entre Sistema Nervoso Central (SNC), Sistema Imunológico e o 
Câncer 
Em termos de fisiologia, a emoção não é abstrata, a emoção é concreta e isto 
se expressa nas modificações fisiológicas do corpo humano. O corpo consegue 
identificar uma situação de stress intenso, depressão ou de perigo e recebendo essa 
informação desencadeia-se todo um processo neuroimunologico. 
Assim, a associação entre neurotransmissores, neuropeptídios e neuro-
hormonais e a função imunológica pode ser bidirecional, ou seja, o sistema 
imunológico pode, através de citosinas criar um feedback negativo, sobre o sistema 
nervoso central e vice-versa. Alguns agentes estressantes podem alterar a 
 
 
36 
 
imunocompetência do ser humano e levar a uma imunodeficiência do mesmo, 
podendo exercer uma ação como se fosse um “gatilho” para o desenvolvimento do 
câncer. 
Taxas de prevalência de depressão clínica em pacientes com câncer são: 50% 
nos cânceres de pâncreas, 40% orofaringe, 10% - 32% de mama, 13% - 25% cólon 
do útero, 23% ginecológica, 17% Linfomas e 11% gástrico.De fato, num estudo 
realizado na Suécia entre os anos de 1968 a 1978, entre pessoas viúvas com idade 
acima de 65 anos e pessoas aposentadas (por volta de 360.000 casos), descobriu-se 
que a mortalidade aumentou em 48% em viúvos e 22% em viúvas, em um prazo de 
três meses de luto. As mortes tiveram como consequência o carcinoma de mama e 
doenças cardiovasculares. Da mesma forma em outro estudo relatado, o aumento da 
incidência de mortes em pessoas depressivas e sob forte estresse tinham como causa 
carcinomas de mama, gástricos, colo retal e pulmão. 
8.4 Estudos metodológicos em pacientes depressivos, ou sob condições 
estressantes – possível correlação com o desenvolvimento de neoplasias 
Estudos em pacientes portadores de neoplasias malignas, indicam que não foi 
encontrado nenhum caso em que o fator emocional não estivesse associado à origem 
da doença. Ressalta-se a necessidade de se saber lidar com os fatores estressantes 
ao longo da vida das pessoas, com intuito de impedir o desencadeamento de doenças 
a partir de um sistema imune comprometido. 
Dos estudos realizados no Instituto Nacional de Câncer, observou-se que de 
um total de 250 pacientes com câncer, 76,8% apresentaram um estado depressivo 
prévio à eclosão da doença. A metodologia é encarada de modo diferente para cada 
indivíduo, podendo variar no mesmo indivíduo, em inúmeros momentos, como é 
constatado e avaliado. 
Em 2002, o National Cancer Institute (NCI), em colaboração com outros 
institutos e com os Centros dos Institutos Nacionais de Saúde, convocaram uma 
reunião de peritos científicos para debater sobre o comportamento humano, a respeito 
do sistema nervoso, endócrino e a relação do sistema imunológico na saúde e na 
doença. Desenvolveu-se uma linha de pesquisa biobehavioral (bio-comportamental) 
no controle do câncer. Estudos foram extraídos dos mecanismos neuroimunes de 
 
 
37 
 
experiências subjetivas (por exemplo, estresse, solidão e dor), processos biológicos 
(por exemplo, ritmicidade circadiana, sono, cicatrização de feridas, doença 
comportamental e apoptose) e resultados das doenças (por exemplo, vírus da 
imunodeficiência humana, depressão e transtorno de stress pós-traumático). 
 As investigações clínicas introdutórias concentraram-se tão somente em 
módulos psicossociais sobre a resposta imunológica humoral e celular e, em certa 
extensão, na reparação do DNA. Assim, como resultado deste estudo mulheres com 
um aumento do risco genético para o câncer apresentaram deficiências e 
anormalidades imunológicas peculiares na sua resposta endócrina ao stress. Estudos 
clínicos documentados combinaram a depressão, o apoio social e as atividades das 
células NK em pacientes com câncer de mama. Outros grupos de pesquisa 
observados apresentaram desconforto, estresse e deficiências agregadas ao 
isolamento social na função imunológica. 
Ao final, avaliou-se que estressores psicossociais afetam diretamente o sistema 
imunológico, diminuindo sua eficiência e levando ao aparecimento de doenças e do 
câncer. Isso vem a estimular entre os profissionais da saúde e de várias áreas o fato 
de se entender essa relação. A função imunológica com relação as experiências da 
vida mostram sempre novas descobertas. Estudos apontaram modificações 
contextuais importantes para estudos da Psiconeuroimunologia e o Câncer, uma 
transição literalmente alinhada aos avanços na biologia da célula cancerosa e a 
valorização resultante para tecidos-alvo e do contexto em que os tumores prosperam. 
 
 
38 
 
9 A ESCRITA EXPRESSIVA 
 
Fonte:ichef.bbci.co.uk 
Em 1986, o professor de Psicologia James Pennebaker descobriu algo 
extraordinário, que inspirou uma geração de pesquisadores a fazer centenas de 
experimentos. Ele pediu a estudantes que passassem 15 minutos escrevendo sobre 
o maior trauma de suas vidas ou, caso não tivessem passado por um, sobre o 
momento mais difícil que viveram. 
Eles tinham que se soltar e incluir seus pensamentos mais profundos, mesmo 
que nunca os tivessem compartilhado antes. Eles realizaram essa mesma tarefa por 
quatro dias consecutivos. Não foi fácil. Pennebaker disse que, em média, um a cada 
20 alunos acabou chorando, mas, quando questionados se queriam continuar o 
experimento, sempre disseram que sim. Enquanto isso, um grupo de controle passou 
o mesmo número de sessões escrevendo descrições de coisas neutras, como uma 
árvore ou seus quartos. 
O pesquisador então passou seis meses monitorando a frequência com que os 
estudantes iam ao médico. No dia em que viu os resultados, ele saiu do laboratório, 
encontrou um amigo que o esperava no carro e lhe disse que havia descoberto algo 
grande. Os estudantes que escreveram sobre seus sentimentos secretos foram 
muitas vezes menos ao médico nos meses seguintes. 
 
 
39 
 
Desde então, a área da psiconeuroimunologia tem explorado a ligação entre o 
que agora é conhecido como "escrita expressiva" e o funcionamento do sistema 
imune. 
Os estudos seguintes examinaram o efeito dessa escrita em tudo, de asma e 
artrite até câncer de mama e enxaqueca. Por exemplo, em um estudo pequeno, 
conduzido no Kansas (EUA), foi descoberto que mulheres com câncer de mama 
tinham menos sintomas incômodos e iam a menos consultas médicas relacionadas 
ao câncer nos meses seguintes ao experimento. 
O objetivo do estudo não era observar o diagnóstico de câncer a longo prazo e 
os autores não sugerem que o câncer poderia ser afetado. Mas a curto prazo, outros 
aspectos da saúde da mulher pareciam melhores que aqueles nos grupos de controle 
que escreveram sobre outra coisa além de seus sentimentos em relação ao câncer. 
No entanto, isso nem sempre funciona. Uma meta-análise de Joanne Fratarolli, da 
Universidade da Califórnia em Riverside, apontou que há um efeito em geral, mas que 
este é pequeno. Para uma intervenção livre e positiva, é um benefício que vale a pena. 
Alguns estudos tiveram resultados decepcionantes, mas há uma área em que os 
resultados são mais consistentes: a da cura de ferimentos. 
Nesses estudos, voluntários corajosos fazem a escrita expressiva e alguns dias 
depois recebem um anestésico local e, então, uma biópsia no braço. O ferimento 
geralmente mede 4 milímetros e cura em algumas semanas. Essa cura é monitorada 
repetidamente e é mais rápida se os voluntários escrevem sobre seus pensamentos 
mais secretos. 
O ato de colocar palavras no papel faz o que, afinal? Inicialmente se assumia 
que isso estava ligado à catarse, ao fato de que as pessoas se sentiam melhor porque 
colocavam seus sentimentos para fora. Mas então Pennebaker começou a olhar com 
atenção para a linguagem usada pelas pessoas na escrita. 
Ele descobriu que os tipos de palavras usadas mudam no transcorrer das 
quatro sessões. Aqueles cujos ferimentos curavam mais rápido começaram a usar 
mais a palavra "eu", mas nas últimas sessões usavam "ele" ou "ela" com maior 
frequência, sugerindo que eles estavam olhando para o acontecido com outras 
perspectivas. Eles também usaram palavras como "porque", implicando que estavam 
dando sentido aos acontecimentos e os colocando em uma narrativa. Pennebaker 
 
 
40 
 
acredita que o simples ato de rotular seus sentimentos e colocá-los em uma história 
pode afetar o sistema imune de alguma forma. 
Mas há uma descoberta curiosa sugerindo que pode haver outra coisa 
acontecendo. Imaginar um acontecimento traumático e escrever uma história a 
respeito dele pode fazer a ferida curar mais rápido, então talvez a diferença esteja 
menos relacionada com a resolução de questões passadas e mais com encontrar uma 
maneira de regular suas próprias emoções. 
Após o primeiro dia de escrita, a maioria das pessoas disse que remoer o 
passado as fez se sentir pior. Será que o stress fez as pessoas liberarem hormônios 
de stress como o cortisol, que também é benéfico a curto prazo e pode fortalecer o 
sistema imune? Ou será que é a melhora do humor depois

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