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Educação Financeira
Créditos
Centro Universitário Senac São Paulo – Educação Superior a Distância
Diretor Regional Kamila Harumi Sakurai Simões 
Luiz Francisco de Assis Salgado Karen Helena Bueno Lanfranchi 
Katya Martinez Almeida 
Superintendente Universitário Lilian Brito Santos 
e de Desenvolvimento Luciana Marcheze Miguel 
Luiz Carlos Dourado Mariana Valeria Gulin Melcon 
Mayra Bezerra de Sousa Volpato 
Reitor Mônica Maria Penalber de Menezes 
Sidney Zaganin Latorre Mônica Rodrigues dos Santos 
Nathalia Barros de Souza Santos 
Diretor de Graduação Renata Jessica Galdino 
Eduardo Mazzaferro Ehlers Sueli Brianezi Carvalho 
Thiago Martins NavarroGerentes de Desenvolvimento 
Luciana Bon Duarte Coordenador Multimídia e Audiovisual 
Roland Anton Zottele Adriano Tanganeli
Coordenadora de Desenvolvimento Equipe de Design Visual 
Tecnologias Aplicadas à Educação Adriana Matsuda 
Regina Helena Ribeiro Camila Lazaresko Madrid 
Danilo Dos Santos Netto Coordenador de Operação Estenio Azevedo Educação a Distância Hugo Naoto Alcir Vilela Junior Inácio de Assis Bento Nehme 
Karina de Morais Vaz Bonna Professor Autor
Lucas Monachesi Rodrigues Carlos Alberto de Souza Cabello 
Marcela Corrente 
Marcio Rodrigo dos Reis Revisor Técnico 
Renan Ferreira Alves Regina Galhardi de Camargo 
Renata Mendes Ribeiro 
Técnico de Desenvolvimento Thalita de Cassia Mendasoli Gavetti 
Priscila dos Santos Thamires Lopes de Castro 
Vandré Luiz dos Santos 
Coordenadoras Pedagógicas Victor Giriotas Marçon 
Ariádiny Carolina Brasileiro Silva William Mordoch
Izabella Saadi Cerutti Leal Reis 
Nivia Pereira Maseri de Moraes Equipe de Design Multimídia 
Alexandre Lemes da Silva
Equipe de Design Educacional Cláudia Antônia Guimarães Rett 
Adriana Mitiko do Nascimento Takeuti Cristiane Marinho de Souza 
Alexsandra Cristiane Santos da Silva Eliane Katsumi Gushiken 
Angélica Lúcia Kanô Elina Naomi Sakurabu 
Cristina Yurie Takahashi Emília Correa Abreu 
Diogo Maxwell Santos Felizardo Fernando Eduardo Castro da Silva 
Elisangela Almeida de Souza Michel Iuiti Navarro Moreno
Flaviana Neri Mayra Aniya 
Francisco Shoiti Tanaka Renan Carlos Nunes De Souza 
João Francisco Correia de Souza Rodrigo Benites Gonçalves da Silva 
Juliana Quitério Lopez Salvaia Wagner Ferri 
Temas
Introdução
1	Educação	financeira
Considerações	Finais
Referências
Professor
Carlos Alberto de Souza Cabello
Educação Financeira
Aula 01
Introdução à educação financeira: definições e objetivos
Objetivos Específicos
•	 Entender	 a	 visão	 geral	 da	 importância	 dos	 conhecimentos	 de	 educação	
financeira	em	transações	comerciais.
Educação Financeira
Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 3
Introdução
Bem-vindo	à	disciplina	de	educação	financeira.
Esta	disciplina	é	muito	importante	e	interessante,	e	o	objetivo	é	que	todos	compreendam	
o	que	é	educação	financeira	de	fato	e	os	impactos	de	sua	ausência	na	nossa	vida.
1 Educação financeira
De	acordo	com	a	Organização	para	a	Cooperação	e	Desenvolvimento	Econômico	(OCDE)	
a	educação	financeira	pode	ser	definida	como:
O	processo	pelo	qual	os	 consumidores	e	 investidores	melhoram	sua	 compreensão	
sobre	 produtos,	 conceitos	 e	 riscos	 financeiros,	 e	 obtêm	 informação	 e	 instrução,	
desenvolvem	 habilidades	 e	 confiança,	 de	 modo	 a	 ficarem	 mais	 cientes	 sobre	 os	
riscos	e	oportunidades	financeiras,	para	fazerem	escolhas	mais	conscientes	e,	assim,	
adotarem	ações	para	melhorar	seu	bem	estar.	(BCB,	2009,	p.	1)
A	educação	financeira	possibilita	às	pessoas,	antes	de	tudo,	o	exercício	pleno	de	cidadania.	
Saber	administrar	seu	próprio	dinheiro	torna	o	cidadão	digno	de	obter	bens	não	apenas	para	
o	momento,	mas	também	para	o	futuro.	A	educação	financeira	pode	capacitar	os	cidadãos	a	
tomarem	decisões	com	relação	a	suas	rendas,	poupanças,	investimentos,	riscos	financeiros	
com	o	objetivo	de	facilitar	a	vida	e	melhorar	o	bem-estar.
É	importante	salientar	a	necessidade	da	educação	financeira	independente	do	grau	de	
escolaridade,	nível	social	e	até	mesmo	sorte	ou	inteligência.	Um	dos	aspectos	que	deve	ser	
enfatizado	é	a	educação	financeira	recebida	e	a	capacidade	de	assumir	um	comportamento	
decidido,	disciplinado,	para	que	as	pessoas	sejam	estimuladas	a	correr	atrás	de	seus	objetivos	
e	sonhos.	
Antes	de	mais	nada,	a	educação	financeira	exige	ações	disciplinares	contínuas,	alterando	
o	comportamento	em	todos	os	componentes	envolvidos,	seja	na	empresa	ou	na	família.	
Dados	de	uma	pesquisa	feita	pelo	Serviço	de	Proteção	ao	Crédito	(SPC)	mostram	que:
85%	 dos	 brasileiros	 compram	 sem	 planejamento	 e	 que	 57%	 dos	 entrevistados	
também	admitem	que	compram	por	impulso	em	momentos	de	ansiedade,	tristeza	
e	angústia.	A	maioria	acha	que	sabe	cuidar	do	próprio	dinheiro,	mas	admite	que	se	
perdesse	o	emprego	não	conseguiria	manter	o	padrão	de	vida	por	mais	de	um	ano.	
(SPC-Brasil,	02/2013)
Analisando	a	citação,	percebe-se	que	uma	parcela	significativa	da	população	brasileira	
(85%)	desconhece	o	planejamento	financeiro,	o	que	nos	 induz	a	afirmar	a	 importância	de	
Educação Financeira
Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 4
ressaltar	a	necessidade	da	educação	financeira	em	todos	os	níveis,	independentemente	de	
níveis	sociais,	escolaridade	e	outros.
Os	 domínios	 da	 educação	 financeira	 devem	 despertar	 nas	 pessoas	 alguns	 fatos	
conhecidos,	porém	não	praticados:
•	 deve-se	preparar	um	orçamento	e	procurar	cumpri-lo;
•	 provocar	uma	inequação	em	sua	vida	financeira	atentando	que	o	lado	recebimentos	
deve	ser	maior	ou	igual	ao	lado	Pagamentos	ou	gastos/despesas;
•	 propiciar	condições	de	gerar	novas	fontes	de	receitas,	pois	em	alguns	casos	reduzir	
gastos	é	extremamente	difícil;
•	 deve-se		criar	condições	de	controlar	os	gastos1.	
1.1 Referências e atitudes segundo a OCDE 
A	Organização	 para	 Cooperação	 do	Desenvolvimento	 Econômico	 (OCDE)	 disponibiliza	
algumas	recomendações,	das	quais	elencamos	uma	a	seguir	que	foca	a	educação	financeira	
com	a	realidade	brasileira,	articulando	com	o	momento	atual	da	economia	do	país.	
I.	 A	educação	financeira	deve	ser	promovida	de	uma	 forma	 justa	e	sem	vieses,	
ou	 seja,	 o	 desenvolvimento	 das	 competências	 financeiras	 dos	 indivíduos	 precisa	
ser	 embasado	 em	 informações	 e	 instruções	 apropriadas,	 livres	 de	 interesses	
particulares.	(OCDE,	2004)
A	 interpretação	desse	princípio,	associada	à	educação,	 indica	a	necessidade	de	 inserir	
na	 educação	 básica,	 tanto	 no	 ensino	 privado	 como	no	 ensino	 público	 partindo	do	 ensino	
fundamental	até	o	ensino	superior,	conhecimentos	financeiros	articulados	à	faixa	etária	dos	
alunos	e	contexto	socioeconômico.	
Entre	 as	 sugestões	 encontramos:	 a	 exploração	 dos	 conteúdos	 associados	 aos	
diferentes	temas,	à	identificação	da	articulação	de	diferentes	formas	do	pensamento	
matemático,	a	 contextualização	do	conhecimento	matemático	e	a	possibilidade	de	
considerar	as	razões	históricas	que	deram	origem	e	importância	a	esses	conhecimentos,	
porém	se	observa	a	necessidade	de	escolhas	organizadas	e	coerentes	para	evitar	um	
trabalho	 centrado	 apenas	 na	 quantidade	 de	 informações.	 Segundo	 os	 PCN+2	 ,	 os	
temas	escolhidos	devem	apresentar	relevância	científica	e	cultural,	ou	seja,	quando	
se	consideram	a	origem	e	a	importância	histórica	devemos	levar	em	conta	o	potencial	
explicativo	do	material	escolhido	de	modo	que	os	estudantes	possam	compreender	
1	Desembolso	à	vista	ou	a	prazo	para	a	obtenção	de	bens	ou	serviços,	independentemente	da	destinação	que	esses	bens	ou	serviços	possam	
ter	na	empresa.
2	PCN	–	Parâmetros	Curriculares	Nacionais	do	Ensino	Médio.
Educação Financeira
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os	princípios	estéticos	e	éticos	associados	aos	 fatos	mundiais	que	deram	origem	e	
relevância	ao	fato	matemático	estudado.	Essa	forma	de	tratamento	da	história	pode	
auxiliar	os	professores	no	desenvolvimento	das	tecnologias	associadas	às	técnicas	por	
eles	utilizadas	para	o	desenvolvimento	das	tarefas	possíveisde	serem	trabalhadas	no	
Ensino	Médio,	tanto	quando	se	reputam	as	aplicações	na	própria	Matemática	como	
nas	outras	ciências.	(CABELLO,	2010,	p.	12)
A	 necessidade	 de	 associar	 conceitos	 aprendidos	 de	 uma	 série	 a	 outra	 pode	 ser	
complementada	com	recursos	pelos	quais	os	alunos	consigam	entender	aplicações	em	seu	
mundo	prático,	contidas	no	seu	contexto	socioeconômico,	iniciando	uma	conscientização	da	
importância	da	educação	financeira.	Dessa	forma,	há	possibilidade	de	haver	um	aprendizado	
sem	viés	de	instituição	financeira,	ou	seja,	longe	de	interesses	particulares.
II.	 Os	programas	de	educação	financeira	devem	focar	as	prioridades	de	cada	país,	
isto	 é,	 estar	 adequados	 à	 realidade	 nacional,	 podendo	 incluir,	 em	 seu	 conteúdo,	
aspectos	 básicos	 de	 um	 planejamento	 financeiro,	 como	 as	 decisões	 de	 poupança,	
de	endividamento,	de	contratação	de	seguros,	bem	como	conceitos	elementares	de	
matemática	e	de	economia.	Os	indivíduos	que	estão	para	se	aposentar	devem	estar	
cientes	da	necessidade	de	avaliar	a	situação	de	seus	planos	de	pensão,	necessitando	
agir	apropriadamente	para	defender	seus	interesses.	(OCDE,	2004)
Nesse	princípio	referenciado	pela	OCDE	são	destacadas	algumas	prioridades,	ou	seja,	a	
realidade	nacional	que	contempla	explicitamente	a	importância	do	planejamento	financeiro	
destacando	a	cultura	da	poupança,	do	endividamento	e	contratação	de	seguros,	assuntos	a	
serem	detalhados	nos	próximos	módulos.	
III.	 As	 Instituições	 Financeiras	 devem	 ser	 incentivadas	 a	 certificar	 que	 os	 clientes	
leiam	e	compreendam	todas	as	informações	disponibilizadas,	em	específico,	quando	
for	relacionado	aos	compromissos	de	longo	prazo,	ou	aos	serviços	financeiros	cujas	
consequências	financeiras	são	de	grande	magnitude.	(OCDE,	2004)
Nesse	princípio	da	OCDE	percebemos	 a	origem	de	outra	necessidade	no	 contexto	
de	 nossa	 sociedade,	 a	 capacidade	 de	 interpretação	 dos	 contratos	 assumidos	 com	 as	
instituições	financeiras,	pois	outras	pessoas	conseguem	interpretar	adequadamente	os	
itens	desses	contratos.	
A	educação	financeira	visa	oferecer	às	pessoas	condições	de	desmistificar	a	linguagem	
e	os	termos	financeiros,	de	 forma	a	oferecer	uma	visão	clara	do	compromisso	assinado	e,	
principalmente,	suas	consequências	a	longo	prazo.
Ao	 assumir	 um	 compromisso	 com	 as	 instituições	 financeiras,	 grande	 quantidade	 de	
pessoas	não	percebe	que	estará	refém	da	instituição,	independentemente	do	bem	durar	ou	
não,	até	o	término	do	compromisso	financeiro,	impossibilitando-as	de	fazer	uso	do	capital	em	
outras	ocasiões.
Educação Financeira
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Atente	 para	 um	 exemplo:	 um	 automóvel	 financiado	 a	 longo	 prazo,	 sem	 entrada	 em	
dinheiro,	irá	provocar	um	aumento	significativo	no	montante	de	preços	desse	bem.	
A	OCDE	demonstra	também	a	necessidade	do	domínio	de	conceitos	de	matemática	e	de	
economia.	Nesse	item	é	essencial	destacarmos	alguns	dados	recentes	sobre	o	conhecimento	
matemático	dessa	área	do	saber.
O	 programa	 é	 desenvolvido	 e	 coordenado	 pela	 Organização	 para	 Cooperação	 e	
Desenvolvimento	 Econômico	 (OCDE).	 Em	 cada	 país	 participante	 há	 uma	 coordenação	
nacional.	No	 Brasil,	 o	 Pisa3	 	 é	 coordenado	 pelo	 Instituto	Nacional	 de	 Estudos	 e	 Pesquisas	
Educacionais	Anísio	Teixeira.	(Dados	INEP-2013)
O	objetivo	do	Pisa	é	produzir	indicadores	que	contribuam	para	a	discussão	da	qualidade	
da	educação	nos	países	participantes,	de	modo	a	subsidiar	políticas	de	melhoria	do	ensino	
básico.	A	avaliação	procura	verificar	até	que	ponto	as	escolas	de	cada	país	participante	estão	
preparando	seus	jovens	para	exercer	o	papel	de	cidadãos	na	sociedade	contemporânea.
As	 avaliações	 do	 Pisa	 acontecem	 a	 cada	 três	 anos	 e	 abrangem	 três	 áreas	 do	
conhecimento	–	leitura,	matemática	e	ciências	–,	havendo,	a	cada	edição	do	programa,	
maior	 ênfase	 em	 cada	 uma	 dessas	 áreas.	 Em	 2000,	 o	 foco	 foi	 em	 leitura;	 em	 2003,	
matemática;	e	em	2006,	ciências.	O	Pisa	2009	iniciou	um	novo	ciclo	do	programa,	com	o	
foco	novamente	recaindo	sobre	o	domínio	de	leitura;	em	2012,	é	novamente	matemática;	
e	em	2015,	ciências	(Dados	INEP-2013).
As	 pesquisas	 evidenciam	 a	 urgente	 necessidade	 de	 investir	 na	 educação	 básica	 de	
forma	a	reverter	o	quadro	apresentado.	Os	profissionais	da	educação	têm	plena	consciência	
dessa	necessidade.	A	própria	mídia	possibilita	perceber	o	quanto	as	instituições	financeiras	
manipulam	parte	dos	consumidores	em	suas	compras	no	varejo	e	até	mesmo	no	atacado,	
acredito	 que	 esse	 quadro	 poderá	 sofrer	 redução	 quando	 os	 conceitos	 e	 aplicações	 da	
educação	financeira	estiverem	explicitados	nos	currículos	escolares	de	forma	efetiva	fazendo	
com	que,	desde	cedo,	as	pessoas	apropriem	saberes	legítimos	para	a	conquista	de	uma	vida	
com	acesso	a	bens	e	serviços.	
A	ausência	de	determinados	conhecimentos	para	manipular	taxas,	prazos	entre	outros	é	
mostrada	pela	mídia,	na	qual	uma	parcela	da	população	infelizmente	é	enganada.
Compreender	 e	 emitir	 juízos	 próprios	 sobre	 informações	 relativas	 à	 ciência	 e	
tecnologia,	de	 forma	analítica	e	crítica,	posicionando-se	com	argumentação	clara	e	
consistente	sempre	que	necessário,	identificar	corretamente	o	âmbito	da	questão	e	
buscar	fontes	onde	possa	obter	novas	 informações	e	conhecimentos.	Por	exemplo,	
ser	capaz	de	analisar	e	julgar	cálculos	efetuados	sobre	dados	econômicos	ou	sociais,	
propagandas	de	vendas	a	prazo,	[...].	(BRASIL,	2002,	p.	115)
3	Pisa	–	Programme	for	International	Student	Assessment	(Programa	Internacional	de	Avaliação	de	Estudantes).
Educação Financeira
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Analisando	 trabalhos	 de	 pesquisadores	 da	 educação	 matemática,	 que	 apontam	
algumas	práticas	em	toda	a	escolaridade,	é	possível	perceber	que	há	necessidade	de	inserir	
algumas	 novas	 práticas	 e	 disseminar	 atividades	 comuns	 a	 todas	 as	 pessoas	 em	nível	 de	
transações	comerciais	nas	quais	a	 lacuna	da	educação	financeira	provoca	dependência	e	
exclusão	a	uma	vida	digna.	
A	inserção	de	conhecimentos	da	área	financeira	já	na	formação	básica	escolar	poderá,	
mesmo	que	seja	a	médio	ou	longo	prazo,	possibilitar	aos	egressos,	seja	do	Ensino	Médio	
ou	 do	 Ensino	 Superior,	 condições	 para	 tomada	 de	 decisão	 sobre	 onde	 comprar,	 como	
comprar	e	investir.
Dentre	 as	 aplicações	 da	Matemática,	 tem-se	 o	 interessante	 tópico	 de	Matemática	
Financeira	como	um	assunto	a	ser	tratado	quando	do	estudo	da	função	exponencial	
juros	 e	 correção	 monetária	 fazem	 uso	 desse	 modelo.	 [...]	 O	 trabalho	 de	 resolver	
equações	exponenciais	é	pertinente	quando	associado	a	algum	problema	de	aplicação	
em	outras	áreas	de	conhecimento,	como	Química,	Biologia,	Matemática	Financeira,	
etc.	(BRASIL,	2006,	p.	75)
Outro	aspecto	nesse	princípio	refere-se	a	planos	de	pensão	e	ações	para	aposentadoria,	
cujos	conceitos	e	princípios	serão	destacados	em	módulos	posteriores,	ao	tratarmos	das	fases	
da	vida	das	pessoas	diante	da	educação	financeira.	O	planejamento	financeiro	contribuirá	
em	atitudes	diante	das	fases	da	vida	dos	indivíduos,	de	forma	a	possibilitar	uma	verdadeira	
condição	financeira	para	os	melhores	anos.	 Sabemos	que	um	dos	maiores	dilemas	para	a	
educação	financeira	 corresponde	 à	 necessidade	de	 sensibilização	da	 pessoa.	 É	 necessário	
que	o	indivíduo	internalize	e	desenvolva	novos	comportamentos	de	consumidor	consciente,	
não	deixando	de	comprar	ou	até	mesmo	financiar	algum	“bem”	ou	“serviço”,	mas,	sim,	de	
realizar	tais	ações	de	forma	sustentável.
Realizar	 tais	 ações	 de	 forma	 sustentável	 significa	 identificar	 que	determinados	 gastos	
excessivos	 irão	 comprometer	 uma	 escassez	 futura.	 A	 capacidade	 de	 adiar	 a	 aquisição	 de	
um	bem	ou	 serviço	 estará	 articulada	na	maioria	 das	 vezes	 à	 capacidade	de	 substituir	 por	
outro.	É	comprovado	por	pesquisas	que	 inúmeros	consumidores,	após	realizar	a	aquisição	
de	um	determinado	“bem	ou	serviço”,ao	chegar	em	casa	refletem	a	não	necessidade	dele.	
A	ansiedade,	o	 impulso	pelas	compras,	aliada	à	 facilidade	de	crédito,	explica	as	 razões	do	
endividamento	de	alguns	consumidores.	
A	importância	da	educação	financeira	está	justamente	em	alertar	as	pessoas	sobre	como	
comprar,	quando	comprar	e,	principalmente,	analisar	a	necessidade	de	comprar	associada	à	
forma	de	comprar.
Aspectos	sociais	também	são	amenizados	em	decorrência	de	uma	equilibrada	situação	
financeira.	O	equilíbrio	financeiro	propicia	resultados	positivos	em	nossas	relações.	Atente	
para	a	citação	a	seguir.
Educação Financeira
Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 8
Ser	rico	não	é	garantia	para	a	felicidade.	Existem	muitas	pessoas	pobres,	mas	felizes.	
Porém,	 as	 dificuldades	 financeiras	 são	 fontes	 frequentes	 de	 desentendimentos	 e	
discórdias	entre	os	casais.	Não	há	garantias	de	que	um	casal	rico	seja	feliz,	mas	um	
casal	com	situação	confortável	pode	evitar	muitos	dissabores	que	ocorrem	no	dia-a-
dia	ou	realizar	sonhos.	(HOJI,	2007,	p.	35)
•		Para	saber	mais	sobre	o	assunto,	leia	o	livro	A aventura do dinheiro – Uma 
crônica da história milenar do dinheiro,	de	Oscar	Pilagallo,	publicado	pela	
Publifolha.
•		Indicação	de	filme:	Os Delírios de Consumo de Becky Bloom	(Islã	Fischer;	
Hugh	Dancy;	Krsten	Ritter).	 Filme	 interessante	que	descreve	a	 temática	do	
consumo	de	uma	compradora	compulsiva,	com	uma	considerável	quantidade	
de	cartões	de	crédito	estourados,	evidencia	que	suas	necessidades	são	muito	
ilimitadas	diante	de	seu	salário	limitado.	Vale	a	pena!
Considerações finais
O	objetivo	desta	aula	foi	mostrar	a	importância	e	abrangência	da	educação	financeira,	
que	afeta	todas	as	pessoas	independentemente	de	idade	ou	até	mesmo	classe	social.	
Destacamos	também	a	posição	de	nosso	país	diante	da	necessidade	da	disseminar	esse	
conhecimento	 entre	 as	 pessoas.	 Inserimos	 também	 algumas	 contribuições	 da	 educação	
matemática	no	contexto	da	formação	de	nossos	estudantes,	que	também	são	vítimas,	já	que	
não	sabem	manipular	conceitos	básicos	que	compõem	a	educação	financeira.
Referências
BCB.	 Banco	 Central	 do	 Brasil.	 Boletim Responsabilidade Social e Ambiental do Sistema 
Financeiro. Disponível	 em:	 <http://www.bcb.gov.br/pre/boletimrsa/BOLRSA200902.pdf>.	
Acesso	em:	set.	2013.
BRASIL.	 Secretaria	 de	 Educação	 Média	 e	 Tecnológica.	 Parâmetros Curriculares Nacionais: 
Ensino Médio.	Ministério	da	Educação,	Secretaria	de	Educação	Média	e	Tecnológica.	Brasília:	
MEC,	SEMTEC,	2002,	p.	360.
CABELLO,	C.	A.	de	S.	Relações Institucionais para o Ensino da Noção de Juros na Transição 
Ensino Médio e Ensino Superior.	2010.	Dissertação	(Mestrado).	UNIBAN,	São	Paulo.
Educação Financeira
Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 9
HOJI,	 M.	 Finanças da Família:	 o	 caminho	 para	 a	 independência	 financeira.	 São	 Paulo:	
Profitbooks,	2007.
INEP,	Instituto	Nacional	de	Estudos	e	Pesquisas	Educacionais	Anísio	Teixeira.	Pisa.	Disponível	
em:	 http://portal.inep.gov.br/pisa-programa-internacional-de-avaliação-de-alunos.	 Acesso	
em:	set.	2013.
OCDE.	 Assessoria	 de	Comunicação	 Social.	OECD´s	 Financial	 Education	Project..	OCDE,	 2004.	
Disponivel	em:	<http://www.oecd.org/>.	Acesso	em:	jul.	2013.
PILAGALLO,	Oscar.	A aventura do dinheiro	–	Uma	crônica	da	história	milenar	do	dinheiro.	São	
Paulo:	Publifolha,	2001.
SDPC	 BRASIL	 Serviço	 de	 Proteção	 ao	 Crédito.	 Pesquisas – Compras por impulso estão 
relacionadas à baixa autoestima e à insatisfação com a aparência.	Disponível	em:	<http://
www.spcbrasil.org.br/imprensa/pesquisa/109.	Acesso	em:	set.	2013.
Educação Financeira
Aula 02
Orçamento Familiar: Tipos de Despesas
Objetivos Específicos
•	 Entender	a	importância	da	criação	de	um	orçamento	familiar,	compreendendo	
seus	processos	para	articular	despesas	fixas,	variáveis	e	eventuais.
Temas
Introdução
1	Orçamento	familiar:	importância,	componentes	e	tipos	de	despesas	
Considerações	Finais
Referências
Professor
Carlos Alberto de Souza Cabello
Educação Financeira
Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 3
Introdução
Nesta	aula	iremos	abordar	o	orçamento	familiar	e	os	obstáculos	que	surgem	no	controle	
das	despesas	de	uma	família.	Logo	você	irá	entender	como	as	suas	atitudes	e	comportamentos	
podem	equilibrar	o	dinheiro	ao	final	de	todo	mês.	
Tenho	certeza	de	que	alguns	dos	fatos	mencionados	no	decorrer	da	aula	já	aconteceram	
ou	 até	 mesmo	 estão	 acontecendo	 no	 momento,	 mas	 desejo	 que	 novas	 atitudes	 e	
comportamentos	 ao	 preparar	 o	 orçamento	 do	 próximo	 mês	 sejam	 tomados.	 Menciono	
algumas	dicas,	já	conhecidas,	mas	pouco	aplicadas.	Pense	nelas.
1 Orçamento familiar: importância, componentes e tipos de 
despesas 
Identificar	a	importância	de	um	orçamento	familiar	é	tão	vital	para	o	sucesso	das	pessoas	
quanto	um	plano	econômico	traçado	pelo	governo.	Similar	à	necessidade	de	articular	todos	os	
setores	da	sociedade	para	obter	êxito	para	o	triunfo	de	um	orçamento	familiar,	é	fundamental	
o	comprometimento	de	todos	independentemente	do	sexo	ou	idade.	
Estabelecer	metas	para	o	orçamento	familiar	exige	que	todos	os	componentes	da	família	
estejam	envolvidos.	É	necessário	mostrar	a	todos	que	controlar	o	orçamento	não	se	traduz	
em	 deixar	 de	 consumir,	mas	 evitar	 desperdícios	 de	 dinheiro.	 Na	 conquista	 de	 patrimônio	
e	na	manutenção	mensal	 das	despesas	o	 endividamento	 surge	 como	um	grande	monstro	
defronte	aos	membros	da	família,	e	nesse	momento	a	habilidade	de	controlar	pode	significar	
a	felicidade	financeira	de	todos;	do	contrário,	longos	sacrifícios.
Dica 1 - Vilões que contribuem para o endividamento
•	 Fazer	uso	do	limite	do	cheque	especial	como	parte	do	salário.
•	 Acreditar	que	pagar	o	mínimo	do	cartão	de	crédito	é	a	melhor	saída	naquele	
mês	e	que	não	irá	repetir	tal	ação	no	próximo	mês.
•	 Desprezar	pequenas	despesas.
•	 Comprar	por	impulso	ou	angústia.
•	 Optar	por	pagamentos	a	prazo.
Saber	 administrar	 o	 dinheiro	 é	 uma	 arte	 e	 pode	 ser	 aprendida,	 basta	 disciplina	 e	
autodeterminação.	 Há	 inúmeras	 razões	 que	 tentam	 justificar	 o	 descontrole	 nas	 finanças	
pessoais.	Muitas	pessoas	não	possuem	o	hábito	de	fazer	planejamento	por	entender	que	sua	
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receita	é	muito	baixa	e	que	de	nada	adiantará.	É	importante	destacar	que	diminuir	despesas	
não	 é	muito	 fácil	 e	 que	 existem	despesas	 em	uma	 casa	 que	 aparentemente	 é	 impossível	
reduzir,	dentre	elas:	alimentação,	educação,	lazer.	Mas	não	planejar	é	semelhante	a	estar	em	
uma	rodovia	sem	saber	para	que	lado	ir.	
Dica 2 - Preparação de um orçamento
•	 Estabelecer	prioridades	sempre	tendo	a	renda	familiar	como	referencia.
•	 Relacionar	 todos	 os	 gastos;	 (cafezinho,	 lanches,	 estacionamentos,	 jornais.	
revistas;	xerox;	 lavagem	do	carro,	etc..),	afinal	todos	saem	do	mesmo	lugar,	
seu	bolso	ou	sua	conta	bancaria.
•	 Toda	a	família	deve	estar	comprometida	e	não	apenas	envolvida.
•	 Classificar	 as	 despesas	 por	 ordem	 de	 prioridade,	 tais	 como:	 alimentação,	
plano	médico,	moradia,	educação	etc.
•	 Procurar	 inserir	no	orçamento,	mesmo	que	pequena	quantia,	uma	 reserva	
para	imprevistos.
Um	 orçamento	 familiar	 deve	 articular	 as	 necessidades	 com	 a	 renda	 disponível.	
Independentemente	do	valor	da	receita,	preparar	um	orçamento	irá	direcionar	principalmente	
as	despesas.	
Ao	que	parece	aumentar	a	receita	seria,	na	maioria	das	vezes,	a	solução,	mas	nem	sempre	
esse	aumento	irá	resolver	o	problema	por	muito	tempo,	se	não	forem	alterados	atitudes	e	
comportamentos	de	compras.	
É	comum	a	mídia	divulgar	inúmeras	pessoas	que	tiveram	a	vida	transformada	por	terem	
ganhado	muito	 dinheiro	 e,	 que	 tristemente,	 acabam	 em	 uma	miséria	 pior	 do	 que	 antes.	
Há	 inúmeras	 notícias	 de	 jogadores	 de	 futebol	 que	 saíram	 de	 situação	 pouco	 privilegiada	
financeiramente,	mas	ao	conquistarem	 fama	e	dinheiro	caíram	em	desgraças,	e	acabaram	
ficando	pior	do	que	no	inicioda	vida.
1.1 Tipos de Despesas
Despesas1	 	 decorrem	 do	 consumo	 de	 bens	 e	 da	 utilização	 de	 serviços.	 Por	 exemplo:	
a	 energia	 elétrica	 consumida,	 os	 materiais	 de	 limpeza	 (sabões,	 desinfetantes,	 vassouras,	
detergentes),	o	café	entre	outros	(RIBEIRO,	2010,	p.	49).	Dentre	os	tipos	de	despesas,	temos:	
despesas	fixas,	despesas	variáveis	e	despesas	eventuais.
1	Despesa:	compreende	os	gastos	decorrentes	do	consumo	de	bens	e	da	utilização	de	serviços	das	áreas	administrativas,	comercial	e	financeira,	
que	direta	ou	indiretamente	visam	à	obtenção	de	receitas.
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1.1.1 Despesas Fixas
Despesas	fixas	são	as	despesas	realizadas	pela	empresa,	independentemente	do	volume	
produzido,	tais	como	aluguel,	salários	e	encargos,	água,	luz,	telefone,	manutenção	(MARTINS,	
2003,	p.	22).	
Isso	significa	que,	independente	do	número	de	pessoas	que	mora	em	uma	residência,	o	
valor	do	aluguel	será	o	mesmo	pactuado	no	contrato	da	locação.	Existem	despesas	que	não	
tem	como	reduzir.	Em	função	disso,	uma	das	estratégias	diante	de	despesas	dessa	categoria	é	
a	substituição,	tais	como	substituir	telefone	fixo	por	telefone	celular.	No	caso	do	aluguel,	uma	
das	estratégias	seria	locar	o	imóvel	em	outra	localidade	mais	na	periferia.	Enfim,	a	redução	
desse	tipo	de	despesa	exige	alterar	padrões	de	conforto,	alterar	comportamentos.
Procuramos	enfatizar	que	um	dos	principais	quesitos	para	o	sucesso	da	saúde	financeira	
está	 em	alterar	 comportamentos,	 substituir	 produtos	 ou	 serviços,	 adiar	 por	 algum	 tempo	
facilidades	de	locomoção	de	transportes	etc.
Tabela 1 - Despesas fixas
Aluguel/Prestação Educação – Escola/Faculdade
 Convênio Médico Impostos (IPTU/IPVA/IR)
 Seguros (Carro, Residencial, Pessoal)/ Empregada
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Com	 relação	 ao	 aluguel	 é	 importante	 analisar	 também	 as	 distâncias	 que	 todos	 os	
componentes	da	família	enfrentam	para	 ir	ao	trabalho,	escola	ou	faculdade,	pois	o	que	se	
acredita	 ganhar	 com	um	valor	mais	baixo	do	 aluguel	pode	 ser	disseminado	no	 gasto	 com	
transportes	decorrentes	da	distância,	sem	contar	com	o	tempo	e	o	estresse.	
Porém,	pode	ser	um	sacrifício	gerar	uma	poupança	e	sair	do	aluguel	no	futuro.	Logo	nessa	
despesa	uma	visão	de	futuro	e	comprometimento	de	todos	pode	resultar	em	benefício	geral.
Um	 fator	 pouco	 abordado	 e	 de	 suma	 importância	 é	 a	 capacidade	 de	 substituição.	
Existem	produtos	que	se	tornaram	ícones	e	que	até	mesmo	a	dona	de	casa	nem	procura	por	
outro,	tanto	é	a	confiança	naquela	marca.	Tentar	substituir	por	outro	produto	pode	significar	
arriscar,	porém	pode	ser	uma	saída	mais	viável	não	somente	na	questão	preço.	
Lembre-se	que	o	marketing	tem	a	função	básica	de	provocar	necessidade	no	consumidor.	
Outro	 fato	 importante	gerador	de	despesa	é	 ir	 ao	 supermercado	e	 levar	as	 crianças,	pelo	
menos	até	certa	idade,	pois	dificilmente	iremos	negar	alguma	“besteirinha”,	mesmo	sabendo	
do	 valor	 calórico	 que	 apresenta	 aquele	 desejo	 de	 nosso	 filho	 ou	 filha.	 Outra	 dica	 é	 ir	 ao	
supermercado	 após	 o	 almoço,	 pois	 o	 “estômago”	 age	mais	 rápido	 que	 seu	 controle.	 Um	
cuidado	 que	 também	 é	 interessante	 é	 com	 as	 quantidades	 de	 determinados	 produtos,	
principalmente	 frutas,	 verduras	 e	 legumes,	 que	 podem	 estragar	 já	 que	 nas	 famílias	 nem	
sempre	todos	aceitam	com	facilidades	determinados	legumes	ou	verduras.
Outra	despesa	que	pode	gerar	conflitos	na	família	é	a	conta	do	telefone,	mesmo	sabendo	
que	parte	da	população	brasileira	está	migrando	para	o	uso	de	celulares	ao	invés	do	telefone	
fixo,	é	importante	alguns	detalhes:	lembrar	que	o	telefone	é	para	conversas	breves,	palestra	é	
ao	vivo;	o	horário	das	chamadas	também	pode	contribuir	para	a	diminuição	dessas	despesas,	
pois	em	determinados	horários	há	diferenciação	de	preços.	
1.1.2 Despesas variáveis
As	despesas	variáveis	estão	articuladas	ao	volume,	a	quantidade	do	referido	bem	ou	serviço.
Despesas	 decorrem	do	 consumo	de	 Bens	 e	 da	 utilização	 de	 serviço.	 Por	 exemplo:	
a	 energia	 elétrica	 consumida,	 os	 materiais	 de	 limpeza	 consumidos	 (sabões,	
desinfetantes,	vassouras,	detergentes),	o	café	consumido,	os	materiais	de	expediente	
consumidos	(canetas,	papéis,	impressos	etc.),	a	utilização	de	serviços	telefônicos	etc.	
(RIBEIRO,	1999,	p.	55)
Entre	as	despesas	variáveis	em	uma	residência	a	conta	de	água	é	um	bom	exemplo	e	
está	articulada	ao	número	de	pessoas	e	ao	tempo	de	consumo:	é	comum	fazer	a	barba	com	
a	torneira	 ligada,	não	controlar	o	consumo	de	água	até	mesmo	na	descarga	sanitária,	sem	
contar	possíveis	vazamentos.	
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Uma	vez	por	ano	faça	ou	mande	fazer	uma	verificação	nos	encanamentos	de	sua	casa	ou	
apartamento,	e	repita	para	a	parte	elétrica.	
Pode	 se	 inferir	 que	 transportes	 e	 lazer	 é	o	tipo	de	despesa	mais	 fácil	 de	 controlar	 e,	
infelizmente,	essa	redução	ocorre	com	as	classes	sociais	menos	privilegiadas	e	assim	mesmo	
por	força	das	circunstâncias.	Nessa	situação	trabalhar	ou	estudar	mais	próximo	de	casa	pode	
contribuir	em	muito	na	redução	das	despesas	em	transportes,	que,	diga-se	de	passagem,	não	
é	nada	barato.	
Alta	 com	 despesas	 com	 Transportes	 aumentam	 em	 todo	 o	 país.	 Para	 a	
parcela	das	famílias	que	corresponde	aos	10%	mais	pobres	do	País,	os	gastos	
com	 transporte	 público	 correspondem	 a	 13,5%	 da	 renda	 domiciliar.	 Para	 as	
famílias	 brasileiras	 de	 todos	 os	 níveis	 de	 renda,	 o	mesmo	 item	 impacta,	 em	
média,	 3,4%	 em	 sua	 renda.	 Os	 dados	 são	 de	 uma	 pesquisa	 divulgada	 nesta	
quinta-feira	(4)	pelo	IPEA	(Instituto	de	Pesquisa	Econômica	Aplicada).	De	acordo	
com	o	estudo,	em	2003,	as	famílias	mais	pobres	tinham	um	comprometimento	
maior	na	renda	com	os	transportes	públicos.	Cerca	de	15%	de	sua	renda	era	
destinada	ao	transportes.	Já	em	2009,	houve	uma	pequena	redução,	passando	
para	13,5%.	(IPEA,	agosto,	2013)
1.1.3 Despesas eventuais 
Dentre	 as	 despesas	 eventuais	 estão	 aquelas	 que	 ocorrem	 ocasionalmente	 em	
determinadas	 épocas	 do	 ano,	 como	 pagamentos	 de	 impostos	 (tributos),	 compra	 de	
mercadorias,	 pagamento	 de	 13º	 salário,	 substituição	 ou	 manutenção	 de	 equipamentos.	
Apesar	de	não	ser	mensal,	você	já	sabe	com	alguma	antecedência	que	a	despesa	vai	aparecer	
(MAHER,	2001,	p.	85).	
Destacamos	que,	mesmo	sabendo	que	esse	tipo	de	despesa	não	é	constante,	devemos	
prever	tais	valores.	
Fazendo	uma	análise	geral	das	despesas	percebemos	que	há	despesas	que	não	dependem	
unicamente	 de	 nós,	 como	 as	 de	 condomínio,	 que,	 para	 serem	 reduzidas,	 é	 necessária	 a	
conscientização	de	inúmeras	pessoas	residentes	no	condomínio.	
As	 despesas	 realmente	 necessárias	 são	 aquelas	 que	 não	 podem	 ser	 reduzidas	 ou	
completamente	 eliminadas	 imediatamente,	 tais	 como	 aluguel,	 despesas	 de	 condomínio,	
condução,	alimentação,	escola	dos	filhos	etc.	(HOJI,	2007,	p.	2).	
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1.2 Analisando os desperdícios
Existe	alguns	hábitos	que	devem	ser	alterados,	entre	eles	gastar	e	depois	ver	como	irá	
pagar,	pois	como	consequência	dessa	atitude	há	o	endividamento.	
Dentre	as	despesas	fixas,	uma	análise	acurada	permite	identificar	desperdícios	cometidos	
pelos	 componentes	 da	 família	 e	 podemos	 perceber	 que,	 dependendo	 da	 faixa	 etária,	 a	
probabilidade	do	desperdício	é	maior.	
O	consumo	de	telefone,	água,	gás	está	associado	ao	número	de	pessoas	da	residência	e	
ao	tempo	de	uso.	Essas	despesas	podem	ser	controladas	desde	que	haja	o	comprometimento	
de	todos	os	moradores	da	residência.	Atente	para	a	citação	a	seguir.
Com	o	eminente	déficit	na	geração	de	energia	elétrica,	o	governo	federal	admitiu	a	
existência	da	crise	de	abastecimento	de	energia	elétrica	em	março	de	2001,	sendo	que	
em	maio	do	mesmo	ano,	o	Ministério	das	Minas	e	Energia	(MME)	chegou	aadmitir	
que	 seria	 necessário	 haver	 interrupções	 temporárias	 e	 regionais	 no	 fornecimento	
de	 energia	 elétrica.	 A	 ANEEL	 em	 conjunto	 com	 a	 secretaria	 nacional	 de	 energia	
apresentou	um	projeto	que	previa	multa	de	ultrapassagem	de	meta	de	economia,	
com	o	valor	de	15	vezes	superior	ao	da	tarifa,	ficando	três	vezes	maior	em	caso	de	
reincidência.	(JABUR,	2001,	p.	34)
Para	justificar	que	é	possível	economizar,	principalmente	para	os	mais	jovens,	o	Brasil,	
em	 2001	 e	 2002,	 reduziu	 o	 consumo	 de	 energia	 elétrica	 e	 foi	 instituído	 bônus	 para	 os	
consumidores	que	conseguiam	ficar	abaixo	da	meta	estabelecida.	Isso	significa	que	é	possível	
reduzir	despesas	como	a	energia	elétrica,	reduzindo	o	tempo	de	banhos,	acumulando	roupas	
para	passar	 em	uma	única	ocasião,	 trocando	 lâmpadas	por	mais	 econômicas,	 procurando	
eletrodomésticos	com	consumo	menor.	Atualmente	o	horário	de	verão	já	faz	parte	de	nossos	
hábitos.	
Além	da	 redução	do	 consumo	da	 eletricidade,	 outros	 benefícios	 são	proporcionados,	
como	 a	 redução	 de	 acidentes	 no	 horário	 de	 pico	 do	 trânsito,	 pois	 nesse	 horário	 há	mais	
iluminação	solar,	além	de	reduzir	também	assaltos	e	crimes.
1.3 Como pagar as despesas
O	pagamento	à	vista	sempre	foi	o	mais	indicado	e	sempre	será	a	melhor	opção.	Pagar	
à	vista	é	uma	excelente	forma	de	fugir	do	endividamento,	além	de	possibilitar	descontos	e	
principalmente	não	forçar	a	dependência	financeira.
•	 Atentar	 que	 mesmo	 no	 parcelamento	 de	 um	 valor,	 em	 que	 é	 informado	 “sem	
acréscimo”,	na	maioria	das	vezes	estão	embutidos	juros	no	preço	total	do	bem	ou	do	
serviço.
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•	 Exigir,	mesmo	sendo	pagamento	à	vista,	 informações	sobre	as	parcelas,	a	entrada,	
taxas	de	juros,	impostos	e	outros,	antes	de	efetuar	a	compra.
•	 Lembrar	que	atrasos	no	pagamento	das	prestações	 irão	 implicar	multa	de	até	2%	
adicionados	aos	encargos.
Outro	cuidado	que	devemos	ter	ao	pagar	é	com	o	uso	do	cheque	especial.	Evite	entrar	
no	limite	do	cheque	especial,	pois	na	maioria	das	vezes	as	taxas	de	juros	cobrados	são	muito	
altas.	Muitas	pessoas	consideram	na	prática	o	cheque	especial	como	um	complemento	do	
salário.
Considerações Finais
	 Nesta	 aula	 aprendemos	 que	 um	 orçamento	 familiar	 contribui	 muito	 para	 articular	
receitas	 e	 despesas	 nas	 famílias.	 Sintetizamos	 também	 os	 principais	 tipos	 de	 despesas	
ilustrando	atitudes	cometidas	até	mesmo	despercebidas	ou	por	não	possuir	informações.	
Demonstramos	 que	 não	 faz	muito	 tempo	 fomos	 induzidos	 a	 racionar	 o	 consumo	 de	
energia	 elétrica	 e	 que	 com	 conscientização	 das	 pessoas	 tal	 atitude	 deve	 ser	 espontânea,	
sendo	que	os	benefícios	ultrapassaram	o	âmbito	monetário.	
Enfim,	espero	ter	esboçado	alguns	fatos	para,	antes	de	qualquer	atitude,	repensarmos	
que	somos	capazes	de	conquistar	um	equilíbrio	financeiro.
Referências
BARDELIN,	C.	E.	A.	Os efeitos do racionamento de energia elétrica ocorrido no Brasil em 2001 
e 2002 com ênfase no Consumo de Energia Elétrica.	 2004.	Dissertação	 (Mestrado),	 Escola	
Politécnica	Universidade	de	São	Paulo.
HOJI,	 M. Finanças da Família:	 o	 caminho	 para	 a	 independência	 financeira.	 São	 Paulo:	
Profitbooks,	2007.
IPEA.	Instituto	de	Pesquisa	Econômicas.	Disponível	em:	<	http://www.pea.gov.br/portal/index.
php?Optioon=com_content>.	Acesso	em:	25	ago.	2013.
JABUR,	M.	A.	Racionamento:	do	susto	à	consciência.	São	Paulo:	Terra	das	Artes,	2001.
MAHER.	M.	Contabilidade de Custos.	Criando	valor	para	a	Administração.	São	Paulo:	Atlas,	2001.
MARTINS,	J.P.	A	Educação Financeira ao alcance de todos.	São	Paulo:	Fundamento	Educacional,	
2004.
RIBEIRO,	M.	O.	Contabilidade Básica Fácil.	22.	ed.	São	Paulo:	Saraiva,	1999.
RIBEIRO,	M.	O.	Contabilidade Básica Fácil.	27.	ed.	São	Paulo:	Saraiva,	2010.	
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Aula 03
A necessidade de saber usar o crédito
Objetivos Específicos
•	 Compreender	os	conceitos	de	crédito	e	as	possibilidades	para	o	uso	adequado.
Temas
Introdução
1	Por	que	precisamos	de	crédito?
2	A	demanda	por	crédito
3	Conhecendo	o	cartão	de	crédito	e	sua	importância	aos	consumidores	
Considerações	finais
Referências
Professor
Carlos Alberto de Souza Cabello
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Introdução
Este	momento	da	nossa	disciplina	é	para	dedicarmos	atenção	às	 formas	de	 trabalhar	
com	o	crédito,	ou	seja,	as	vantagens	de	saber	usar	e	quando	perdemos	o	controle	como	agir.	
Veremos	 também	 como	 está	 o	 crédito	 do	 brasileiro	 atualmente	 e	 suas	 consequências	 na	
economia	do	país.
Ao	 término	desta	aula,	espero	que	compreenda	como	obter	crédito	e	principalmente	
como	mantê-lo.	
1 Por que precisamos de crédito?
Para	 compreender	 as	 razões	 pelas	 quais	 necessitamos	 de	 crédito	 devemos	 entender	
o	 seu	 significado,	 tanto	 financeira	 como	 juridicamente.	 Financeiramente,	 definir	 crédito	
está	articulado	à	ação	para	troca	de	bens	e	serviços,	os	quais	temos	no	momento	em	que	
necessitamos,	 e	que	em	contrapartida	assumimos	o	 compromisso	de	 restituí-los	 após	um	
período	compactuado	podendo	ocorrer	em	uma	única	vez	ou	em	parcelas.
Crédito	diz	 respeito	à	 troca	de	bens	presentes	por	bens	 futuros.	De	um	 lado,	uma	
empresa	 que	 concede	 crédito	 troca	 produtos	 por	 uma	 promessa	 de	 pagamento	
futuro.	Já	uma	empresa	que	obtém	crédito	recebe	produtos	e	assume	o	compromisso	
de	efetuar	o	pagamento	futuro.	(ASSAF,	1999,	p.	99)
Há	uma	relação	temporal	pela	aquisição	de	um	bem	ou	serviço	que	necessita	de	uma	
garantia	de	retorno	e	de	segurança.	A	necessidade	do	crédito	acontece	todas	as	vezes	que	
necessitamos	comprar	e	não	temos	liquidez,	ou	seja,	dinheiro	vivo.	Nesses	momentos	o	crédito	
aparece	e	 soluciona	o	problema.	A	 compra	é	 realizada	naquele	momento	e	o	pagamento	
acontece	depois.	Para	isso	é	necessário,	antes	de	mais	nada,	uma	relação	de	confiança,	um	
acordo.	Podemos	concluir	que	para	que	essa	estratégia	seja	possível	é	necessário	que	cada	
um	cumpra	a	sua	parte.
Na	relação	entre	quem	recebe	o	crédito	
(consumidor)	e	quem	cede	o	crédito	
(instituição)	deve	existir	um	comprometimento	
pois	a	instituição	deve	saber	a	capacidade	
de	pagamento	do	consumidor	de	forma	que	
consiga	honrar	sua	dívida	sem	alterar	sua	vida	
financeira.	Em	contrapartida	o	consumidor	
deve	utilizar	o	crédito	com	responsabilidade,	
não	assumindo	compromisso	que	não	
consiga	saldar,	trata-se	do	tão	falado	crédito	
consciente.
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Para	saber	mais	sobre	o	assunto	leia:	ASSAF	NETO,	A	Mercado Financeiro.	
São	Paulo:	Atlas,	2011.	p.	68.
A	 economia	 é	 uma	 das	 ciências	mais	 estudadas	 em	 todo	 o	mundo,	 ela	 demonstra	 e	
dissemina	que	as	necessidades	das	pessoas	são	ilimitadas	e	os	recursos	são	limitados.	Diante	
desse	fato,	conseguir	ampliar	a	possibilidade	de	saciar	nossas	ilimitadas	necessidades	torna	
nosso	ideal	constante.	Nesse	contexto,	a	confiança	entre	as	pessoas,	entre	pessoas	e	empresas	
e	de	empresas	para	empresas	possibilita	minimizar	a	diferença	entre	necessidades	e	recursos,	
ou	 seja,	 conseguir	 usufruir	 de	 bens	 e	 serviços	 para	 suprir	 necessidades	 e	 postergando	
a	 limitação	de	nossos	 recursos.	 “Juridicamente,	 o	 crédito	 se	 traduz	 como	o	direito	 a	uma	
prestação	futura,	fundado,	essencialmente,	na	confiança	e	no	prazo.	Dilação	temporal	e	boa	
fé	são	seus	referenciais”	(FAZZIO,	2010,	p.	317).
Em	determinados	momentos,	o	crédito	em	nossa	sociedade	passa	a	atuar	como	agente	
de	riqueza.	A	necessidade	de	crédito	para	uma	família	que	por	diversas	razões	não	consegue	
acumular	capital	transformou-se	na	“saída	para	a	aquisição	dos	bens	e	serviços	necessários”.	
Esse	assunto	será	abordado	em	outras	aulas.
Um	 dos	 fatores	 que	 motivam	 os	 consumidores	 a	 necessitarem	 de	 crédito	 são	 as	
possibilidades	 oferecidas	 pelo	 desenvolvimento	 da	 TIC,	 Tecnologia	 da	 Informação	 e	
Comunicação,	 pois	 sem	 limitesde	distâncias	 ou	horários	 o	 que	não	 falta	 é	 onde	 comprar	
produtos	ou	serviços.	As	administradoras	de	crédito,	cientes	desse	fato,	articulam	parcerias	
com	 todos	 os	 tipos	 de	 comércio,	 tanto	 varejistas	 como	 atacadistas,	 incentivando	 os	
consumidores,	independentemente	de	classe	social,	sexo	ou	até	mesmo	idade,	a	comprar.	
Estamos	 nos	 tornando	 ávidos	 consumistas,	 fato	 que	 aquece	 a	 economia	 e	 amplia	 a	
demanda.	 Em	consequência	 estimula-se	 a	produção	e	 torna-se	notável	 o	 crescimento	em	
determinados	setores,	aquecendo	o	mercado	de	crédito.
Para	 saber	 mais	 sobre	 tecnologias	 que	 nos	 influenciam	 diariamente	 a	
tornarmos	consumidores	de	novos	produtos	e	serviços	leia	o	Capítulo	2	do	livro	
Sistema de Informações Gerenciais,	de	Kenneth	C.	Laudon	e	Jane	P.	Laudon	(São	
Paulo:	Pearson	Prentice	Hall,	2009).
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Uma	nova	estratégia	na	concessão	de	crédito,	possibilitando	redução	de	riscos	e	menores	
taxas	de	juros,	foi	articular	a	liberação	do	crédito	à	fonte	de	recebimento	do	beneficiário.
Crédito	 consignado	 representa	 custo	 menor	 para	 o	 tomador.	 Ele	
possibilitou	maior	acesso	da	população	menos	favorecida	ao	crédito,	articulando	
ao	 recebimento	 de	 pensões	 e	 aposentadorias	 pagas	 pelo	 INSS.	 Para	 as	
instituições	 financeiras	 essa	 estratégia	 de	 crédito	 possibilita	 a	 certeza	 do	
recebimento	e,	por	consequência,	menores	riscos	e	oferecimento	de	menores	
taxas	e	burocracia	na	concessão	do	dinheiro.	É	bom	destacar	que	o	próprio	INSS	
está	atento	a	essas	transações,	disponíveis	na	instrução	normativa	número	28	
que	concentra	todas	as	normas	referentes	aos	empréstimos	consignados	para	
aposentados	e	pensionistas.
Mesmo	sendo	oferecido	crédito	facilitado,	não	significa	que	não	incidirá	taxas,	apenas	as	
taxas	serão	menores	em	função	do	prazo	ser	menor.	O	crédito	facilita	o	acesso	aos	produtos	
ou	serviços,	mas	encarece	no	custo	final	desses	produtos	ou	serviços,	 fazendo	com	que	o	
emprestador	 durante	 determinado	 período	 terá	 em	 sua	 renda	 uma	 redução	 que	 poderá	
interferir	 no	 orçamento	 familiar.	 Diante	 desses	 fatos,	 pesquisar	 menores	 taxas	 de	 juros	
proporcionará	uma	maior	tranquilidade	durante	o	pagamento	do	compromisso,	pois	o	valor	
das	parcelas	será	menor.	
2 A demanda por crédito
A	necessidade	de	crédito	pode	ser	desencadeada	por	diversos	motivos:
•	valor	do	produto	ou	serviço	alto;
•	acreditar	que	é	a	melhor	forma	de	pagamento;
•	por	não	possuir	o	dinheiro	no	momento;
•	em	caso	de	necessidades	inesperadas;
•	aproveitar	uma	oferta	ou	oportunidade	
inesperada.	
As	razões	que	levam	as	pessoas	a	optar	entre		crédito,	financiamento	ou	parcelamento	são	
as	mais	diversas	possíveis.	Os	meios	de	comunicação	têm	mostrado	que	consumidores	com	
boa	formação	escolar	acabam	por	tropeçar	com	o	cartão	de	crédito.	É	claro	que	o	consumidor	
estar	em	uma	situação	desfavorável	financeiramente	é	resultado	de	um	descontrole	anterior	
por	falta	de	educação	financeira	ou	até	mesmo	por	situações	não	esperadas,	como	doença	
na	família.	Assim,	os	itens	a	seguir	podem	contribuir	para	entender	a	razão	do	momento	que	
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o	fez	se	endividar	e	principalmente	a	não	repetir:
•	 não	saber	dosar	o	crédito	concedido	por	instituições	financeiras;
•	 possuir	diversos	cartões	de	crédito,	principalmente	de	lojas	onde	algumas	ofertas	nos	
impulsionam	a	adentrar	ao	cartão	de	fidelidade	e	perder	o	controle	sobre	os	mesmos.
Um	dos	critério	essenciais	para	conceder	o	crédito	é	possuir	um	bom	histórico	frente	
ao	mercado,	 tanto	 no	 atacado	 como	 no	 varejo,	 e	 uma	 renda	 propicia	 o	 acesso	 ao	 cartão	
de	 crédito.	O	 equilíbrio	 do	 uso	 desse	 “dinheiro	 de	 plástico”	 está	 em	possuir	 um	 controle	
detalhado	 de	 tudo	 que	 comprou	 e	 deve	 atentar	 para	 a	 forma	 de	 comprar	 e	 pagar,	 se	 no	
rotativo	ou	em	parcelas.
No	crédito	rotativo,	você	pode	pagar	uma	parte	da	fatura	e	deixar	o	saldo	
restante	para	o	mês	seguinte.	Atenção:	ao	utilizar	o	crédito	rotativo,	você	pagará	
juros	e	encargos	financeiros	sobre	o	saldo	devedor	que	não	foi	pago.
Dica 1. Para um bom relacionamento com seu cartão de crédito:
•	 Pagar	o	mínimo	da	fatura:	evite,	a	não	ser	em	casos	de	emergência,	tente	identificar
alternativas	com	juros	mais	baixos.
•	 Parcelamento:	cuidado	para	não	comprometer	o	orçamento	dos	próximos	meses.
•	 Planejar	o	uso	do	cartão:	não	torne	seu	cartão	complemento	de	seu	salário.
•	 Controlar	os	gastos:	sempre	guarde	os	comprovantes	de	suas	compras,	tal	atitude
evita	sustos	ao	abrir	a	fatura	do	mês.
•	 Ao	pagar	a	fatura,	procure	pagar	o	total,	evite	juros	na	próxima	fatura.	
•	 Ao	utilizar	seu	cartão	de	crédito,	o	valor	total	da	compra	não	deve	ultrapassar	o
limite	de	crédito	oferecido	pela	administradora.
	
	
	
Outro	fator	que	contribui	para	o	crescimento	do	uso	do	cartão	de	crédito	é	o	aumento	
da	renda	dos	brasileiros	que	facilita	a	ampliação	da	possibilidade	de	comprar.
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3 Conhecendo o cartão de crédito e sua importância aos 
consumidores 
O	crescimento	pelo	 uso	do	 cartão	de	 crédito	 está	 articulado	 ao	 aumento	da	 renda	 e	
de	 avanços	 tecnológicos	 em	nossa	 sociedade.	 Com	o	 objetivo	de	 impor	 algumas	 regras	 o	
CMN,	Conselho	Monetário	Nacional,	através	da	Resolução	3.919	de	25/11/2010,	estabeleceu	
alguns	itens	que	impulsionaram	o	crescimento	desse	mercado.	Os	benefícios	oferecidos	pelos	
cartões	atingem	quase	todas	as	classes	sociais,	sendo	assim	é	interessante	destacar	algumas	
interpretações	decorrentes	dessa	resolução	do	CMN.	
Para	 apoiar	 os	 consumidores,	 o	 BCB,	 Banco	 Central	 do	 Brasil,	 através	 da	 resolução	
número	 3.919,	 tornou	 público	 o	 que,	 na	 posição	 de	 órgão	 normativo,	 o	 CMN	 (Conselho	
Monetário	Nacional)	estabeleceu	através	de	algumas	regras	para	ajustar	melhor	as	relações	
entre	 as	 instituições	 e	 os	 consumidores,	 disciplinando	 o	 crédito	 em	 suas	 modalidades	 e	
formas	creditícias.	
Todas	 as	 regras	 contidas	 na	 resolução	 citada	 são	 muito	 importantes	 na	 relação	
administradora-consumidor,	mas	existem	algumas	que	iremos	enfatizar.	Segundo	a	CMN,	o	
valor	mínimo	exigido	para	pagamento	da	 fatura	não	pode	 ser	 inferior	 a	 20%.	O	que	mais	
pretendemos	destacar	é	que	no	momento	em	que	assinamos	o	contrato	com	a	administradora	
devemos	 nos	 ater	 a	 esses	 itens,	 lembrando	 que,	 como	 nas	 demais	 operações	 de	 crédito,	
estará	sujeito	a	cobrança	de	juros.	Ao	assinar	o	contrato	observe:	limite	de	crédito	tanto	para	
compras	nacionais	como	internacionais;	limite	para	saques	e	empréstimos	pessoais;	relação	
das	compras	efetuadas,	inclusive	as	parceladas;	valor	total	das	compras;	taxa	de	juros;	tarifas;	
encargos	financeiros	cobrados;	CET	Custo	Efetivo	Cobrado.	
Dentre	as	tarifas	que	podem	ser	cobradas	estão:
•	 Anuidade:	 é	 interessante	 sempre	 atentar	 para	 o	 contrato	 e	 verificar	 os	 valores	 a	
serem	cobrados	como	anuidade.
•	 A	emissão	de	segunda	via	do	cartão.	
•	 	Serviços	como	uso	do	cartão	para	pagamento	de	contas	ou	retirada	em	espécie	de	
saques,	o	consumidor	deve	articular	com	o	contrato.
Em	 um	mundo	 competitivo	 as	 administradoras	 de	 cartões	 de	 crédito	 também	 estão	
antenadas	 nas	 necessidades	 e	 nos	 benefícios	 oferecidos	 aos	 consumidores,	 vale	 a	 pena	
pesquisar	 e	 até	 negociar	 tais	 condições,	mesmo	 sabendo	que	haverá	 cobrança,	 permitida	
pelo	Banco	Central	do	Brasil	através	da	CMN.	
Enfatizamos	 que	 as	 administradoras	 de	 cartões	 por	 não	 serem	 empresas	 financeiras	
em	 sua	 gênese	 enquadram-se	 na	 condição	 de	 prestadoras	 de	 serviços,	 logo	 fazendo	 a	
intermediação	entre	os	estabelecimentos	afiliados	e	os	portadores	de	cartão	de	crédito.	É	
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interessante	destacar	que,	diante	das	dificuldades	legais	de	proteçãodo	consumidor	frente	à	
cobrança	das	taxas	de	juros	e	no	parcelamento	das	vendas	a	longo	prazo,	as	administradoras	
estão	se	tornando	instituições	financeiras	e	por	consequência	ficando	fora	da	lei	da	usura1	
.	Assim,	podem	praticar	as	 taxas	de	 juros	que	considerarem	viáveis.	Dessa	 forma,	cabe	ao	
consumidor	ficar	atento	a	taxas	e	outras	despesas	cobradas	quando	usam	o	cartão.	Os	órgãos	
do	governo	através	de	normas	fazem	a	parte	deles,	o	que	significa	que	o	consumidor	deve,	
antes	de	usar	os	cartões,	se	conscientizar	das	consequências	do	mau	uso.	O	consumidor	é	
dono	de	seu	próprio	futuro,	possuir	cartão	de	crédito	requer	habilidades	para	saber	usá-lo.	
Atente	à	citação	abaixo.
O	futuro	está	ligado	ao	presente	por	meio	da	linha	do	tempo.	A	escolha	que	fazermos	
no	presente	determina	o	futuro.	Se	você	tomar	sol	ao	meio-dia	sem	utilizar	o	protetor	
solar	 (escolha	no	presente),	no	final	do	dia	seu	corpo	estará	 igual	a	um	“pimentão	
vermelho”	(resultado	no	futuro).	(HOJI,	2007,	p.	32)
Destacamos	também	que	o	cartão	de	crédito	não	oferece	apenas	benefícios,	mas	também	
complicações	profundas,	pois	alguns	consumidores	descuidam	de	seus	controles	com	a	fatura	
do	cartão	e	acabam	pagando	apenas	o	mínimo.	Os	encargos	financeiros	 incidentes	nessas	
operações	de	crédito	acarretarão	a	cobrança	de	juros	pactuada	entre	os	clientes	e	a	emissora	
do	cartão.	O	Banco	Central	é	responsável	por	regular	e	fiscalizar	as	operações	de	cartão	de	
crédito	estabelecendo	as	regras	tanto	das	administradoras	para	com	os	clientes	e	vice-versa.	
Outro	 ponto	 importante	 sobre	 cartão	de	 crédito	 é	 a	 tentativa	de	 fraudes.	 Segundo	 a	
Serasa2	,	o	indicador	registrou	1,22	milhão	de	tentativas	de	golpes	no	período	entre	janeiro	e	
julho	de	2013,	número	recorde	que	representa	uma	tentativa	a	cada	15	segundos,	em	média.	
Criminosos	usam	dados	falsos	ou	informações	de	vítimas	para	aplicar	golpes	na	emissão	de	
cartões	 de	 crédito,	 compra	 de	 automóveis,	 abertura	 de	 conta-corrente,	 financiamento	 de	
eletrônicos,	compra	de	celulares,	etc.	Interpretação	e	procedimentos	de	algumas	tentativas	
de	golpe	apontadas	pelo	indicador	da	Serasa	Experian:
•	 Emissão	de	cartões	de	crédito:	o	golpista	solicita	um	cartão	de	crédito	usando	uma	
identificação	falsa	ou	roubada,	deixando	a	“conta”	parta	a	vítima	e	o	prejuízo	para	o	
emissor	do	cartão.	Esses	casos	são	muito	frequentes,	devemos	estar	atentos	quando	
perdemos	documentos	ou	mesmo	quando	somos	 furtados	ou	roubados,	devemos	
imediatamente	dirigir-se	a	um	Distrito	policial	e	abrir	um	BO,	Boletim	de	Ocorrência.
•	 Financiamento	 de	 eletrônicos	 (Varejo):	 o	 golpista	 compra	 um	bem	eletrônico	 (TV,	
aparelho	de	som,	celular,	etc.)	usando	uma	identificação	falsa	ou	roubada,	deixando	
a	conta	para	a	vítima.	Mesmo	procedimento	anterior.
1	Lei	da	Usura	estabelece	que	é	proibido	incidir	juros	dos	juros;	essa	proibição	não	compreende	a	acumulação	de	juros	vencidos	aos	saldos	
líquidos	em	conta-corrente	de	ano	a	ano.
2	 Serasa	 significa	Centralização	de	 Serviços	dos	Bancos,	 e	não	é	uma	 sigla.	A	 Serasa	é	uma	empresa	privada	brasileira	que	 faz	 análises	e	
pesquisas	de	informações	econômico-financeiras	das	pessoas,	para	apoiar	decisões	de	crédito,	como	empréstimos.
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Para	saber	mais	sobre	a	evolução	do	mercado	de	cartões	de	crédito,	acesse	
na	midiateca	e	leia	a	cartilha	disponibilizada	pelo	Banco	Central	do	Brasil	chamada	
Cartilha Cartão de Crédito.	
Apesar	 de	 a	 Abecs3	 	 apresentar	 que	 o	 número	 de	 transações	 com	 cartão	 de	 débito	
poderá	superar	as	operações	com	cartão	de	crédito,	é	interessante	analisar	o	gráfico	a	seguir,	
lembrando	que	um	dos	fatores	que	contribui	para	o	aumento	do	uso	do	cartão	de	crédito	são	
as	compras	com	na	internet.	
		Outro	aspecto	a	destacar	com	referência	ao	gráfico	é	que	a	elevação	da	taxa	Selic4	,	que	
até	1º	de	julho	de	1996	era	a	base	do	custo	do	dinheiro,	passou	a	ser	determinada	pela	lei	da	
oferta	e	demanda	e	provoca	mudanças	tanto	no	varejo	como	no	atacado.	Isso	significa	que	
uma	alteração	nessa	taxa	provoca	alterações	no	comportamento	dos	consumidores	diante	do	
aumento	dos	juros	frente	ao	crédito	e	reduz	o	volume	de	compras.
Gráfico 1 - Posição do cartão de crédito
Fonte: Associação Brasileira de Cartões e Crédito e Serviços
3	Associação	Brasileira	de	Cartões	de	Crédito	e	Serviços.
4	É	a	taxa	de	referência	do	mercado	e	regula	as	operações	diárias	com	títulos	públicos	federais	no	sistema	especial	de	liquidação	e	custódia	do	
banco	central.
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Para	saber	mais	sobre	o	assunto	leia	o	capítulo	11	do	livro	Macroeconomia 
em Contexto,	de	Peter	E.	Kennedy	(São	Paulo:	Saraiva,	2011).	Nesse	capítulo	da	
obra	 são	 articulados	 os	 impactos	 de	 variações	 das	 taxas	 e	 as	 consequências	
diretas	no	crédito	oferecido	ao	consumidor.	
Considerações finais
Nesta	aula	vimos	que	valorizar	o	crédito	junto	ao	mercado	pode	ser	uma	das	alternativas	
de	amenizar	momentos	desfavoráveis	financeiramente.	Foi	explicitado	o	quanto	a	Tecnologia	
da	 Informação	 e	 Comunicação	 tem	 contribuído	 diretamente	 para	 o	 crescimento	 desse	
segmento	de	crédito.	
Posicionamos	também	algumas	dicas	para	manipular	o	cartão	em	transações	comerciais.	
Sintetizamos	alguns	órgãos	governamentais	(BACEN,	CMN,	SERASA,	ABCES)	nas	relações	entre	
comerciantes,	 instituições	 financeiras	 e	 consumidores.	 Algumas	 reflexões	 sobre	 possíveis	
fraudes	em	cartões	e	a	posição	atual	nas	finanças	dos	consumidores.	
Nas	próximas	aulas,	refletiremos	sobre	os	serviços	bancários	e	as	estratégias	para	usar	
esses	serviços.
Referências
ABECS.	Associação Brasileira de Cartões de Crédito e Serviços.	Disponível	em:	<http://www.
abecs.org.br/site2012>.	Acesso	em:	14	set.	2013.
ASSAF	NETO,	A.;	TIBURCIO	SILVA,	C.	A.	Administração de capital de giro.	2.	ed.	São	Paulo:	Atlas,	
1999.
___________________.	Mercado Financeiro.	10.	ed.	São	Paulo:	Atlas,	2011.
BACEN.	Banco Central do Brasil.	Disponível	em:	<http://www.bcb.gov.br/pt-br/paginas/default.
aspx>	.	Acesso	em:	14	set.	2013.
CMN.	Conselho Monetário Nacional.	Disponível	em:	<http://www.bcb.gov.br/?CMN>.	Acesso	
em:	14.	set.	2013.	
HOJI,	M.	Finanças da Família: o	caminho	para	a	independência	financeira.	São	Paulo:	Profitbooks,	
2007.	
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FAZZIO,	Jr.	W.	Manual de direito comercial.	11.	ed.	São	Paulo:	Atlas.2010.	
KENNEDY,	 P.	 Macroeconomia em contexto: uma abordagem rela e aplicada do mundo 
econômico.	São	Paulo:	Saraiva.	2011.
LAUDON,	C.	K.;LAUDON,	 J.	P.	Sistema de Informações Gerenciais. 5	ed.	 São	Paulo:	Pearson	
Prentice	Hall,	2009.
SERASA.	 Serasa	 Experian.	 Centralização de Serviços dos Bancos.	 Disponível	 em:	 <www.
serasaexperian.com.br	>.	Acesso	em:	14	set.	2013.
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Aula 04
As funções do Banco Central e o impacto de suas decisões na 
economia como um todo.
Objetivos Específicos
•	 Conhecer	as	funções	do	Banco	Central	e	os	impactos	de	suas	decisões	como	
um	todo.
Temas
Introdução
1	Banco	Central	do	Brasil	e	suas	funções
2	As	competências	do	Banco	Central	do	Brasil
3	 Os	impactos	das	ações	do	Banco	Central	nas	transações	cotidianas	das	pessoas	
e	empresas
Considerações	finais
Referências
Professor
Carlos Alberto de Souza Cabello
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Introdução
Este	momento	da	nossa	disciplina	dedicamos	 a	 estudar	o	 papel	 do	Banco	Central	 do	
Brasil	e	o	impacto	de	suas	decisões	na	economia	como	um	todo.
Ao	término	desta	aula	você	compreenderá	como	as	ações	do	Banco	Central	repercutem	
na	vida	dos	consumidores	em	transações	comerciais	e	por	consequência	no	setor	produtivo.	
Com	certeza	você	ficará	surpreso	ao	identificar	que	alterações	financeiras	macroeconômicas	
interferem	profundamente	na	vida	das	pessoas.
1 Banco Central do Brasil e suas funções
Pretendemos	apresentar	a	instituiçãoBanco	Central	do	Brasil	e	suas	funções	para	que	
seja	possível	articular	suas	responsabilidades	diante	dos	impactos	na	economia	brasileira.	
Banco	 Central	 é	 a	 entidade	 criada	 para	 atuar	 como	 órgão	 executivo	 central	 do	
sistema	 financeiro,	 cabendo-lhe	 a	 responsabilidade	 de	 cumprir	 e	 fazer	 cumprir	 as	
disposições	que	 regulam	o	 funcionamento	do	sistema	e	as	normas	expedidas	pelo	
CMM.	(FORTUNA,	2011,	p.	20)
Não	é	nosso	objetivo	descrever	 todas	as	 funções	do	BC,	doravante	neste	 texto	Banco	
Central	do	Brasil,	e	sim	articular	algumas	dessas	atribuições	vinculadas	à	economia	brasileira,	
especificamente	a	economia	 familiar.	 Todas	as	 incumbências	desse	órgão	 são	 importantes	
para	apoiar	a	política	econômica	de	nosso	país.	Nem	todas	as	repercussões	na	economia	são	
imediatas,	algumas	podem	provocar	impactos	imediatos	enquanto	outras	medidas	demoram	
alguns	anos	para	serem	sentidas.	
Uma	das	 funções	do	BC,	 através	do	Copom1	 ,	 é	 estabelecer	e	manipular	 a	 taxa	 Selic2
entre	outras	 atribuições	destacando	que	entre	 suas	 ações	um	dos	objetivos	 é	 controlar	 a	
inflação3	.	Ao	aumentar	a	taxa	Selic	o	governo	promove	efeitos	sobre	a	oferta	e	demanda	e	
por	consequência	no	setor	produtivo.	
Alexandre	 Tombini,	 presidente	 do	 BC	 e	 sua	 equipe	 de	 economistas	 do	 Comitê	 de	
Política	Monetária	(Copom),	decidiram,	por	unanimidade,	apertar	um	pouco	o	nó	do	
laço	que	 tenta	conter	a	 inflação.	Na	quarta	 feira	 (04/09/2013)	o	Copom	elevou	os	
juros	em	0,25	pontos	percentuais,	levando	a	taxa	Selic	para	o	patamar	de	12,25%	ao	
ano.	(BCB,	2013)
1	Copom	–	Comitê	de	Política	Monetária.
2	Selic	–	é	a	taxa	de	referência	do	mercado	que	regula	as	operações	diárias	com	títulos	públicos	federais	que	reajusta	diariamente	os	preços	
unitários.
3	Inflação	–	aumento	generalizado	de	preços	de	produtos	e	serviços.
		
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Entendemos	que	a	política	econômica	do	atual	governo	dinamiza-se	no	tripé,	controle	
da	inflação,	pagamento	da	dívida	externa	e	inclusão	social.	Nas	intervenções	desse	órgão	
os	 resultados	 são	 de	médio	 e	 longo	 prazos,	 mas	 afetam	 a	 economia	 como	 um	 todo,	 e	
estar	 atento	 a	 esse	 tipo	 de	 notícia	 significa	 agir	 com	 cautela	 em	 transações	 comerciais	
articuladas	ao	prazo.	
Medidas	 desse	 tipo,	 aumento	 da	 taxa	 básica	 de	 juros,	 Selic,	 podem	 ser	 notadas	 em	
operações	de	créditos	de	 lojas	ou	 rotativo.	Podemos	 tentar	prever	as	consequências,	pois	
com	inflações	altas	agora,	poucas	opções	restaram	ao	governo	para	estimular	a	demanda	nos	
meses	seguintes	esperados	pelos	lojistas	e	produtores.
Figura 1 - Casal almoçando em um restaurante
Uma	das	explicações	visíveis	ao	consumidor	
de	forma	imediata	está	na	taxa	do	IPCA4		
que	avançou	de	0,03%	em	julho	para	0,24%	
em	agosto,	sendo	que	os	alimentos	em	
restaurantes	fora	de	casa	tiveram	alta	de	
preços	de	0,76%	e	o	preço	do	leite	subiu	3,75%	
em	agosto,	segundo	o	IBGE.	Essas	são	apenas	
algumas	informações	oficiais	que	justificam	a	
intervenção	do	BC	na	taxa	Selic	(BCB,	2013).
Percebemos	 que	medidas	 do	 BC	 interferem	 na	 vida	 dos	 consumidores,	 e	 em	 alguns	
setores	seus	reflexos	são	imediatos.	Muitas	vezes	uma	parcela	da	população	critica	algumas	
ações	do	governo	sem	compreender	as	razões	para	essa	ação.
Outra	medida	realizada	pelo	BC,	através	do	ministro	da	Fazenda	foi	a	redução	do	IPI5
incidente	 nos	 automóveis	 e	 caminhões	 em	2012,	 o	 que	 visava	 evitar	 a	 queda	das	 vendas	
de	 veículos	 e	 por	 consequência	 anular	 a	 possibilidade	 do	 aumento	 do	 desemprego.	 O	
desemprego	é	um	dos	fatores	mais	agressivos	na	aceleração	da	inflação.
2 As competências do Banco Central do Brasil
O	BC	 através	 do	 CMN	 tem	 a	 responsabilidade	 de	 zelar	 pela	 liquidez	 e	 pela	 solvência	
das	 instituições	 financeiras.	 Nesse	 tópico	 devemos	 atentar	 que,	 quando	 uma	 instituição	
financeira	entra	em	falência	ou	pede	concordata6 ,		diversas	consequências	são	repassadas	
à	sociedade,	como	o	desemprego	das	pessoas	que	ali	trabalhavam.	Depois,	há	redução	do	
poder	de	compra	até	que	essas	pessoas	consigam	recolocação	no	mercado	de	trabalho.	As	
ações	do	BC	refletem	em	toda	a	sociedade	e	a	recuperação	nem	sempre	é	a	curto	e	médio	
4	IPCA	–	Índice	de	Preços	ao	Consumidor	Amplo.
5	IPI	–	Impostos	sobre	Produtos	Industrializados.
6	Concordata	–	Direito	entre	o	falido	e	os	seus	credores.	
		
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prazo.	Segundo	fonte	do	próprio	BC,	em	2005	o	Banco	Santos	teve	sua	falência	decretada	
repercutindo	aos	devedores,	credores	e	à	sociedade	como	um	todo.
As	competências	do	Banco	Central	do	Brasil	são:
•	 emitir	papel-moeda	metálica	nas	condições	e	limites	autorizados	pelo	CMN;
•	 exercer	o	controle	de	crédito	sob	todas	as	suas	formas;
•	 exercer	fiscalização	das	instituições	financeiras,	punindo-as	quando	necessário;
•	 determinar	via	Copom	a	taxa	de	juros	de	referência	para	as	operações	de	um	dia	–	a	
taxa	Selic;
•	 emitir	títulos	de	responsabilidade	própria,	de	acordo	com	as	condições	estabelecidas	
pela	CMN;
•	 autorizar	 o	 funcionamento,	 estabelecendo	 a	 dinâmica	 operacional,	 de	 todas	 as	
instituições	financeiras.
Entendemos	 que	 o	 BC	 interfere	 nas	 instituições	 financeiras	 e	 no	 sistema	 financeiro	
alterando	relações	de	crédito	e,	por	consequência,	no	setor	produtivo.	Podemos	refletir	que	
ele	influencia	a	economia,	mesmo	que	indiretamente.
3 Os impactos das ações do Banco Central nas transações 
cotidianas das pessoas e empresas
Figura 2 - Banco
Em	suas	ações	diárias	articuladas	com	os	
critérios	da	política	econômica,	o	BC	depende	
de	flutuações	não	apenas	do	mercado	interno.	
Muitos	acontecimentos	internacionais	
repercutem	em	nossa	política	cambial,	
monetária	e	fiscal.
	 O	 Banco	 Central	 executa	 a	 política	 cambial	 definida	 pelo	 Conselho	 Monetário	
Nacional.	Parta	tanto,	regulamenta	o	mercado	de	câmbio7 		e	autoriza	as	instituições	
que	nele	operam.	Também	compete	ao	Banco	Central	fiscalizar	o	referido	mercado,	
podendo	 punir	 dirigentes	 e	 instituições	 mediante	 multas,	 suspensões	 e	 outras	
sanções	previstas	em	lei.	Além	disso,	o	Banco	Central	pode	atuar	diretamente	no	
mercado,	comprando	e	vendendo	moeda	estrangeira	de	forma	ocasional	e	limitada,	
com	 o	 objetivo	 de	 conter	 movimentos	 desordenados	 da	 taxa	 de	 câmbio.	 (BCB,	
Mercado	de	Câmbio,	2013).
7	Câmbio	–	é	a	operação	de	troca	de	moeda	de	um	país	pela	moeda	de	outro	país.	
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Essa	ação	do	BC	manipula	as	variações	cambiais,	o	que	provoca	altas	e	baixas	de	preços	
em	determinados	produtos	ou	serviços,	especificamente	aqueles	que	dependem	de	matéria-
prima	proveniente	de	outros	países.	Além	dessa	interferência,	é	necessário	lembrar	o	papel	
do	mercado	focado	nas	relações	de	oferta	e	demanda.	Atente	para	a	citação	a	seguir,	na	qual	
é	detalhado	que	todos	os	tipos	de	produtos	ou	serviços	também	estão	presos	à	lei	da	oferta	
e	demanda.	“O	preço	de	um	bem	ou	serviço	é	determinado	de	acordo	com	a	lei	da	oferta	e	
procura,	e	o	valor	a	ele	atribuído	depende	do	que	os	comprados	estão	dispostos	a	pagar	pela	
utilidade	que	lhes	proporcionam”.	(HOJI,	2007,	p.	57)
Determinados	 setores	 que	 dependem	 diretamente	 de	 matéria-prima	 e	 tecnologia	
externa	sofrem	imediatamente,	e	graças	à	interferência	do	BC	conseguem	sobreviver.	
Para	saber	mais	sobre	o	assunto	leia	o	livro:	KENNEDY,	P. Macroeconomia 
em Contexto:	uma	abordagem	real	e	aplicada	do	mundo	econômico.	São	Paulo:	
Saraiva,	2011.	p.	330-33.	Ele	destaca	as	influências	do	governo	na	taxa	de	câmbio	
explicando	suas	variações	e	as	consequências	nos	preços	dos	produtos	e	serviços.
Figura 3 – Microcomputador
	O	setor	de	informática	e	de	novas	tecnologias	
é	o	setor	que	mais	sente	a	influência	das	
medidas	do	BC	junto	à	política	de	câmbio.	De	
uns	tempos	até	hoje	esse	setor	apresentou	
diversas	inovações	e	desenvolvimentode	
tecnologia	própria	reduzindo	a	dependência	de	
outras	nações	e	assim	das	variações	cambiais.	
Isso	reflete	na	economia,	especificamente	na	
aquisição	de	computadores	e	na	geração	de	
empregos	no	comércio.
Figura 4 - Carro importado
Outro	setor	que	também	reflete	a	política	
cambial	refere-se	ao	setor	comercial	de	carros	
importados.	Cada	vez	que	ocorre	uma	alta	na	
moeda	americana,	há	reflexos	no	mercado	
de	automóveis	importados	e	em	serviços	
prestados,	repercutindo	diretamente	sobre	os	
subprodutos	e	mão	de	obra	para	esse	setor.	A	
presença	do	BC	em	ações	de	compra	e	venda	
da	moeda	americana	estabiliza	esse	mercado.
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Outro	setor	que	 também	está	articulado	às	ações	do	BC	é	o	estímulo	ao	depósito	de	
poupança,	considerando	que	as	capacitações	dos	depósitos	estão	atreladas	às	operações	do	
SFH8 		e	com	efeito	cascata	sobre	produtores	de	material	para	construção	civil	e	mão	de	obra	
diretamente.
Nos	últimos	doze	meses,	junho	de	2012	a	maio	de	2013,	a	soma	dos	financiamentos	para	
a	aquisição	e	para	a	construção	de	imóveis	habitacionais	no	âmbito	do	SFH,	chegou	se	a	cifra	
de	R$	70,28	bilhões	para	um	total	de	407.821	unidades.	Para	o	período	de	junho	de	2011	a	
maio	de	2012,	tivemos	R$	61,54	bilhões	para	406.326	unidades	financiadas.	Em	percentuais,	
os	novos	números	representam	acréscimo	de	14,21%	no	volume	de	recursos	e	acréscimos	de	
0,37%	na	quantidade	de	imóveis	financiados.	(BCB,	2013)
Destacamos	 na	 citação	 do	 BC	 que	 está	 havendo	 um	 desenvolvimento	 nesse	 setor	 e	
enfatizamos	que	a	participação	do	BC	na	regulação	de	taxas	contribui	para	esse	cenário,	que	
sabemos	ainda	não	é	o	ideal.
Enfatizamos	também	que	não	apenas	os	bancos	e	órgãos	públicos	estão	na	empreitada	
de	financiamentos	de	moradia.	Esse	nicho	também	foi	passado	aos	bancos	privados,	mas	é	
monitorado	 pelo	 Banco	 Central	 do	 Brasil	 em	 suas	 operações	 de	 crédito	 imobiliário,	 não	
apenas.
Para	saber	mais	sobre	o	Assunto	leia	o	Capitulo	3	do	livro:	FORGHIER,	L.	C.	
SFH Sistema Financeiro	 de	Habitação.	 São	 Paulo:	Quartier	 Latin,	 2012.	Nesse	
capítulo	 são	 abordadas	 as	 características	 básicas	 do	 SFH,	 apresentando	 as	
principais	diretrizes	dirigidas	aos	mutuários.
Considerações finais
Como	vimos	nesta	aula	existem	diversas	ações	do	Banco	Central	do	Brasil	que	influenciam	
a	vida	financeira	das	pessoas	e	empresas.	Tratamos	das	competências	do	Banco	Central	diante	
do	mercado	financeiro	posicionando	suas	responsabilidades	e	atuações.	
Destacamos	 também	os	 reflexos	 da	 atuação	 do	 BC	 no	 controle	 da	 Política	 Cambial	 e	
suas	 consequências	 para	 as	 indústrias	 eletroeletrônicas,	 informática	 e	 automobilísticas.	
Finalizamos	 com	 a	 participação	 através	 de	 normas	 sobre	 o	 SFH,	 Sistema	 Financeiro	 de	
8		SFH	–	Sistema	Financeiro	de	Habitação.	 	
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Habitação,	que	proporciona	reflexos	no	mercado	de	trabalho	e	imobiliário.
Na	 próxima	 aula	 abordaremos	 os	 serviços	 bancários	 e	 suas	 ações	 perante	 a	 vida	 de	
pessoas	físicas	e	jurídicas.	
Referências
ABCS.	Associação Brasileira de Cartões de Crédito e Serviços.	Disponível	em:	<www.abecs.org.
br/>.	Acesso	em:	set.	2013.
BCB.	Banco	Central	do	Brasil.	Sistema Financeiro de Habitação.	Disponível	em:	<http://www.
bcb.gov.br/sfh>.	Acesso	em:	set.	2013.
CMM.	Conselho Monetário Nacional.	 Disponível	 em:	 <www.bcb.gov.br/?CMN‎>	 Acesso	 em:	
set.	2013.
FORTUNA,	E.	Mercado Financeiro Produtos e Serviços.	18.	ed.	São	Paulo:	Qualtymark,	2011.
HOJI,	 M.	 Finanças da Família:	 O	 caminho	 para	 a	 independência	 financeira.	 São	 Paulo:	
Profitbooks,	2007.
KENNEDY,	 P.	 Macroeconomia em Contexto:	 Uma	 abordagem	 real	 e	 aplicada	 do	 mundo	
econômico.	São	Paulo:	Saraiva,	2011.
SERASA.	 Centralização de Serviços dos Bancos.	 Disponível	 em:	 <http://	 http://www.
serasaexperian.com.br/>	-	Serasa	Experian>	Acesso	em:	set.	2013.
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Aula 05
Serviços bancários: Quando e como usar?
Objetivos Específicos
•	 Entender	o	uso	dos	produtos	e	serviços	bancários.
Temas
Introdução
1	Produtos	e	serviços	oferecidos	pelos	bancos
2	A	investida	dos	bancos	nos	setores	de	varejo	apoiados	nas	TICs	e	benefícios	e	
malefícios	oferecidos	aos	clientes
3	Critérios	básicos	da	educação	financeira	e	harmonia	com	os	bancos	frente	ao	
orçamento	familiar	e	conquista	da	moradia
Considerações	finais
Referências
Professor
Carlos Alberto de Souza Cabello
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Introdução
Na	sociedade	capitalista	em	que	vivemos	a	necessidade	de	produtos	e	serviços	bancários	
tornou-se	marcante	em	todos	os	níveis	sociais.	O	banco	conquistou	destaque	nas	diversas	
esferas	 públicas	 e	 privadas	 tendo	 nesse	 contexto	 uma	 influência	 sem	 precedentes	 tanto	
para	pessoas	físicas	como	pessoas	jurídicas.	Todos	são	envolvidos	pelas	atividades	bancárias.	
Para	as	pessoas	físicas	do	pagamento	de	uma	conta	de	luz	ao	recebimento	do	contracheque,	
financiamento	de	imóveis,	empréstimos	e	outros.	Para	as	pessoas	jurídicas	desde	a	abertura	
da	 empresa	 passando	 a	 ser	 parceiras	 nos	 relacionamentos	 com	 clientes	 e	 fornecedores	
tendo	uma	participação	relevante	no	aspecto	financeiro	e	econômico	de	microempresas	a	
multinacionais,	do	operariado	ao	empresário.	
Ao	 final	 desta	 aula	 esperamos	 que	 você	 aproprie	 conhecimentos	 sobre	 os	 diversos	
produtos	e	serviços	bancários	e	principalmente	conquiste	competências	e	habilidades	para	
manipular	os	benefícios	oferecidos	pelas	instituições	financeiras.
1 Produtos e serviços oferecidos pelos bancos
Iniciaremos	 esta	 aula	 apresentando	 os	 bancos	 e	 justificando	 as	 necessidades	 dos	
serviços	bancários	lembrando	que	eles	estão	presentes	em	diversas	atividades	em	nosso	dia	
a	dia.	Possuir	conta-corrente	em	um	banco	passa	a	ser	uma	das	prerrogativas	para	essa	nova	
sociedade	consumista.	
Os	 bancos	 são	 instituições	 especializadas	 em	 manipular	 o	 dinheiro,	 para	 tal	 obtêm	
autorização	do	governo	e,	dessa	forma,	integram	a	sociedade	e	atuam	na	vida	das	pessoas	
direta	ou	indiretamente.	
 Quadro 1 - Instituições financeiras bancária
Instituições financeiras bancárias Instituições financeiras não bancárias
Bancos	Comerciais
Bancos	Múltiplos
Caixas	Econômicas
Banco	de	Investimentos
Banco	de	Desenvolvimento
Sociedades	de	Crédito	e	Financiamentos	e	
Investimento
Sociedade	de	Arrendamento	Mercantil
Cooperativas	de	Crédito
Sociedade	de	Crédito	Imobiliário	e	Associações	
de	Poupança	e	Empréstimos
Fonte: Adaptação de Subsistema de Intermediação – Estrutura do Sistema Financeiro Nacional.
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Para	 saber	 mais	 sobre	 o	 assunto	 leia	 o	 Capítulo	 3,	 do	 livro	 Mercado 
Financeiro,	 de	 Alexandre	 Assaf	Neto	 (Atlas,	 2011).	 Nesse	 capítulo	 é	 oferecida	
uma	visão	completa	do	Sistema	Financeiro	Nacional	(SFN),	posicionando	o	papel	
de	cada	tipo	de	banco	e	instituições	de	crédito	articulando	com	suas	funções	na	
sociedade.
Dentre	os	serviços	e	produtos	oferecidos	pelos	bancos,	a	maior	demanda	está	articulada	
aos	bancos	comerciais.	As	atividades	oferecidas	pelos	bancos	comerciais	fogem	um	pouco	às	
necessidades	da	população.	Atente	à	citação	abaixo:
De	acordo	com	o	MMI1	,	seu	objetivo	precípuo	é	proporcionar	o	suprimento	oportuno	
e	 adequado	 dos	 recursos	 necessários	 para	 financiar,	 a	 curtos	 e	 médios	 prazos,	 o	
comércio,	 a	 indústria,	 as	 empresas	 prestadoras	 de	 serviços	 e	 as	 pessoas	 físicas.	
(FORTUNA,	2011,	p.	28)
É	interessante	posicionar	que	os	bancos	manipulam	com	grande	habilidade	informações	
originárias	 de	 depósitos,	 saques,	 empréstimos	 e	 investimentos,	 que	 caracterizam	 seus	
serviços.	Destacando	que	um	banco	comercial	são	instituições	que	possuem	depósitos	à	vista	
e	são	capazes	de	manipular	e	multiplicar	moeda.
Sintetizando,	 podemos	 elencar	 a	 importância	 dosbancos	 comerciais,	 lembrando	 que	
eles	são	as	principais	instituições	do	sistema	financeiro	diante	das	seguintes	razões:
Quadro 2 - Principais funções dos bancos comerciais
•	 Estão	envolvidos	no	processo	de	criação	de	moedas	e	de	controle	monetário.
•	 Principais	 intermediários	 financeiros,	 tanto	 na	 captação	 quanto	 na	 aplicação	 de	
recursos.
•	 Encabeçam	um	conglomerado	financeiro	que	envolve	um	conjunto	de	instituições	
auxiliares.
Fonte: Leite (2000, p. 35).
1	MNI	–	Manual	de	Normas	e	Instruções,	do	Banco	Central	do	Brasil.
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Devemos	destacar	que	os	bancos	brasileiros	com	grandes	investimentos	em	tecnologia	estão	
em	uma	posição	de	destaque	mundial	propiciando	uma	grande	variedade	de	produtos	e	serviços.	
Além	disso,	possibilitam	também	às	 famílias	e	empresas	segurança	e	praticidade	para	
manipulação	de	valores	em	qualquer	momento	e	horário.
Quadro 3 - Serviços oferecidos pelos bancos comerciais
•	 Descontar	títulos.
•	 Realizar	operações	de	abertura	de	crédito	simples	ou	em	conta-corrente	(contas	
garantidas).
•	 Realizar	operações	especiais,	inclusive	de	crédito	rural,	de	câmbio	e	comércio	
internacional.
•	 Captar	depósitos	à	vista	e	a	prazo	fixo;	obter	recurso	junto	às	instituições	oficiais	
para	repasse	aos	clientes.
•	 Obter	recursos	externos	para	repasse.	
•	 Efetuar	 a	 prestação	 de	 serviços,	 inclusive	 mediante	 convênio	 com	 outras	
instituições.
Fonte: Fortuna (2011, p. 28).
Em	nosso	cotidiano	 imediato,	que	está	articulado	ao	nosso	nível	de	 renda,	os	bancos	
são	instituições	que	recebem	os	depósitos	e	utilizam	esse	dinheiro	para	emprestar	a	outras	
pessoas,	o	que	estimula	o	desenvolvimento	da	economia.
2 A investida dos bancos nos setores de varejo apoiados nas 
TICs e benefícios e malefícios oferecidos aos clientes
Produtos	e	serviços	oferecidos	pelos	bancos,	segundo	a	Febraban	(2013):
•	 melhoria	do	atendimento	das	agências	via	call	center;
•	 telefones	para	deficientes	auditivos;
•	 ampliação	dos	serviços	aos	clientes	internautas;
•	 melhoria	das	comunicações	com	clientes	(CRM);
•	 segurança	em	transações	eletrônicas;	
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•	 oferecimento	 de	 cartilhas	 para	 uso	 consciente	 do	 crédito,	 além	 dos	 tradicionais	
cartões	de	débito/crédito	.	
Em	grande	parte	de	nossas	transações	comerciais	existe	a	interferência	de	um	banco.	
O	desenvolvimento	de	novas	soluções	tecnológicas	comerciais	ancoradas	no	computador	
revolucionou	o	mercado	de	varejo.	A	automação	comercial	e	a	adoção	de	TICs,	Tecnologia	
da	Informação	e	Comunicação,	proporcionaram	retornos	imediatos.	Os	clientes	ampliaram	
a	 capacidade	 de	 consumidores	 a	 diversos	 novos	 produtos	 e	 serviços	 e	 tais	 estratégias	
aquecem	a	economia	do	país.	Por	 trás	de	 todo	esse	processo	existe	a	presença	de	uma	
instituição	financeira.
Dentre	os	benefícios	oferecidos	aos	clientes/consumidores	podemos	elencar	diversos,	
que	concederam	o	acesso	imediato	a	bens	e	serviços	dantes	nunca	imaginados:
•	 Carros,	 viagens	 aéreas,	 telefones	 celulares,	 inovações	 tecnológicas	 tais	 como	
televisores	LCD,	tablets	e	uma	infinidade	de	novos	produtos.
Apesar	 dos	 benefícios	 oferecidos	 aos	 clientes/consumidores	 serem	 ampliados	 a	 cada	
mês,	é	importante	destacar	o	custo	dessas	facilidades.	Esse	custo	está	associado	por	parte	dos	
clientes/consumidores	à	fidelidade	irrestrita	gerada	pelos	cartões	de	lojas	que	propulsionam	
a	compras	nem	sempre	necessárias.
Para	os	bancos	e	as	redes	de	 lojas	os	benefícios	são	enormes,	tais	como	oferecer	aos	
clientes/consumidores	das	lojas	até	mesmo	empréstimos	e	venda	casada2	.	Aos	bancos	e	redes	
de	lojas	os	malefícios	estão	articulados	à	inadimplência	que,	através	das	taxas	cobradas,	são	
amenizadas	de	forma	a	não	deter	o	crescimento	financeiro.	Um	malefício	compartilhado	tanto	
por	lojas/bancos	e	consumidores	é	a	eterna	dependência	tecnológica	das	telecomunicações.	
Para	os	consumidores,	há	praticidade	e	facilidades	para	a	aquisição	de	produtos	e	serviços.	
A	fusão	ou	a	parceria	entre	lojas	e	bancos	estenderam-se	a	diversos	setores,	do	comércio	de	
roupas	à	construção	civil,	sem	comentar	os	bancos	das	indústrias	automobilísticas.	As	adoções	
de	cartões	articulados	aos	bancos	geraram	um	novo	de	tipo	de	serviço	que,	ancorados	nas	
tecnologias,	propiciaram	aos	bancos	a	presença	em	quase	todos	os	tipos	de	transações	fora	
do	espaço	físico	das	agências,	estimulando	os	clientes	a	irem	às	compras.	
2	Vendas	Casadas		-	induzir	o	cliente	a	compra	um	bem	ou	serviço	diante	da	compra	de	outro.
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3 Critérios básicos da educação financeira e harmonia com 
os bancos frente ao orçamento familiar e conquista da 
moradia
Conforme	vimos	no	tópico	anterior,	a	abrangência	dos	serviços	e	produtos	bancários	se	
dá	nos	mais	diversos	setores	da	economia.	Sendo	assim,	nós	clientes/consumidores	devemos	
desenvolver	controles	para	gerar	uma	parceria	com	os	bancos.	A	educação	financeira	vista	
em	nossa	 primeira	 aula	 do	 curso	 aponta	 os	 bancos	 como	um	dos	 integrantes	 do	 Sistema	
Financeiro	Nacional	(SFN),	que	exige	uma	boa	dose	de	cuidado.	
A	 necessidade	 de	 saber	 dosar	 o	 uso	 dos	 serviços	 e	 produtos	 oferecidos	 por	 essas	
instituições	é	um	dos	grandes	segredos	para	a	vida	financeira.	Entre	eles	o	crédito	é	um	dos	
sintomas	positivos	disseminados	pela	educação	financeira.	O	uso	consciente	do	dinheiro	e	do	
crédito	são	fatores	determinantes	nas	diversas	fases	da	vida.
A	situação	financeira	atual	(boa	ou	má)	de	uma	família	é	consequência	de	planejamento	
(ou	 falta	 dele)	 e	 decisões	 tomadas	 ao	 longo	 da	 vida.	 Algumas	 famílias	 acham	que	
tiveram	muito	 “azar”	 e	 acabaram	 endividadas,	 em	 vez	 de	 acumular	 riqueza.	 Será	
que	a	culpa	foi	exclusiva	do	azar?	Não	teria	sido	falta	de	planejamento	e	disciplina	
financeira?	(HOJI,	2004,	p.	30).
Dentre	 as	 opções	 de	 serviços	 e	 produtos	 bancários,	 o	 crédito	 imobiliário	 é	 um	 dos	
produtos	mais	viáveis	aos	bancos,	pois	a	taxa	de	inadimplência	é	baixa	e	possibilita	a	redução	
do	déficit	habitacional.	Esse	produto	oferecido	pelos	bancos	é	aquecido	em	função	do	nível	
de	emprego	e	da	renda	da	população	e	contribui	sensivelmente	na	composição	do	Produto	
Interno	Bruto	(PIB).	
Diante	da	importância	desse	produto,	as	exigências	para	o	cliente	obter	junto	aos	bancos	
são	enormes	e	estão	articuladas	à	vida	financeira	do	cliente.	É	uma	das	formas	mais	viáveis	
para	a	conquista	da	moradia,	porém	exige	alguns	cuidados.	É	um	investimento	de	médio	e	
longo	prazo,	portanto	exige	um	planejamento	financeiro	eficiente.
A	carteira	de	crédito	imobiliário	dos	bancos	vai	superar	a	de	crédito	pessoal	até	outubro,	
estima	 Felipe	 Pontual,	 diretor	 executivo	 da	 Associação	 Brasileira	 das	 Entidades	 de	
Crédito	Imobiliário	e	Poupança.	Segundo	Pontual,	a	demanda	por	crédito	imobiliário	
está	aquecida	devido	às	boas	condições	de	emprego	e	renda	da	população,	além	do	
apetite	 dos	 bancos	 por	 esse	 tipo	de	 carteira,	 cuja	 inadimplência	 é	 inferior	 a	 2%	e	
apresenta	fidelização	dos	clientes.	“Os	bancos	estão	otimistas,	e	os	mutuários	estão	
demandando	financiamento.”	Pontual	citou	que,	em	2006,	470	mil	unidades	foram	
financiadas,	enquanto	em	2013,	devem	ultrapassar	1	milhão.	(BONATELLI,	2013)
Analisando	a	citação	acima	podemos	concluir	que	dentre	os	produtos	oferecidos	pelos	
bancos	o	crédito	 imobiliário	articula	positivamente	a	economia	de	um	país	focando	o	 lado	
social	e	motivacional	das	pessoas	na	conquista	da	moradia.
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Considerações finais
Como	vimos	neste	tema,	existem	diversos	serviços	e	produtos	oferecidos	pelos	bancos.	
Atentamos	a	que	esses	serviços/produtos	ultrapassam	as	contribuições	em	nível	pessoal.	
Destacamos	também	os	tipos	de	bancos	e	enfatizamos	as	funções	dos	bancos	comerciais	
não	apenas	para	clientes,mas	suas	estratégias	 junto	ao	mercado	varejista	em	atividades	
fora	 da	 agência.	Demonstramos	 como	 essas	 redes	 de	 lojas	 articulam	a	 parceria	 cliente/
bancos/tecnologia.	
Finalmente	 apresentamos	 algumas	 características	 do	 crédito	 imobiliário	 e	 suas	
contribuições	tanto	para	clientes	como	para	a	sociedade	e	para	a	economia	do	país.	
Referências
ABECIP.	Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança.	Disponível	
em:	<http://www.abecip.org.br/>	Acesso	em:	15	set.	2013.
BONATELLI,	C.	Abecip:	crédito	imobiliário	supera	o	pessoal	até	outubro.	Economia & Negócios.	
ESTADÃO.	12	set.	2013.	Disponível	em:	<http://economia.estadao.com.br/noticias/economia-
geral,abecip-credito-imobiliario-supera-o-pessoal-ate-outubro,164598,0.htm>	Acesso	em:	set.	
2013.
ASSAF	NETO,	A.	Mercado Financeiro.	10	ed.	São	Paulo:	Atlas,	2011.
BACEN.	Banco Central do Brasil.	Disponível	em:	<	http://www.bcb.gov.br/pt-br/paginas/default.	
aspx>	Acesso	em	14	set.	2013.
FEBRABAN.	Federação Brasileira dos Bancos.	Disponível	em:	<	http://www.febraban.org.br/>	Acesso	em:	
15	set.	2013.
FORTUNA,	E.	Mercado Financeiro Produtos e Serviços.	Rio	de	Janeiro:	Qualitymark,	2011.
HOJI,	 M.	 Finanças da Família:	 O	 caminho	 para	 a	 independência	 financeira.	 São	 Paulo:	
Profitbooks,	2007.
LEITE,	J.A.	Macroeconomia.	Teoria.	Modelos	e	instrumentos	de	política	econômica.	2.	ed.	São	
Paulo:	Atlas,	2000.
Educação Financeira
Aula 06
Adequar hábitos na conquista de objetivos a curto e longo 
prazo
Objetivos Específicos
•	 Identificar	aspectos	comportamentais	que	geram	obstáculos	no	processo	de	
educação	financeira.
Temas
	Introdução
1	 Identificar	a	necessidade	do	produto	ou	serviço
2	Fatores	que	impulsionam	a	adiar	ou	não	a	aquisição	de	um	produto	ou	serviço	
oferecido	à	família
Considerações	finais
Referências
Professor
Carlos Alberto de Souza Cabello
Educação Financeira
Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 2
 Introdução
As	inovações	tecnológicas	atuais	têm	propiciado	condições	de	obter	informações	sobre	
produtos	e	serviços	do	mundo	 inteiro.	 Induz	a	sociedade	do	consumo	com	a	massificação	
de	hábitos,	 costumes	e	a	geração	de	novas	atitudes.	Podemos	concluir	que	a	união	entre	
a	sociedade	da	informação	e	a	comunicação	atrelada	à	facilidade	de	crédito	impulsiona	ao	
consumo	exagerado.	
A	dependência	da	tecnologia	em	nossas	atividades	já	está	bem	difundida	e	aceita	pela	
sociedade	vista	somente	como	benefícios	oferecidos.	Para	as	pessoas	fica	o	desafio	de	adiar	a	
aquisição	de	um	bem	ou	serviço	diante	das	inúmeras	estratégias	do	marketing	em	criar	novas	
necessidades.	Um	dos	fatores	necessários	em	um	momento	tão	delicado	está	em	analisar	as	
reais	aplicações	do	bem	ou	serviço	que	se	acaba	de	adquirir	e	principalmente	se	estamos	em	
condições	de	adquirir	aquele	bem	ou	serviço	naquele	momento.
Ao	final	desta	aula	esperamos	que	você	saiba	identificar	a	necessidade	da	compra	de	um	
produto	ou	serviço,	atrelada	à	capacidade	de	assumir	o	compromisso	financeiro,	ter	condições	
para	realizar	uma	escolha	eficiente,	como	adiar	a	compra	de	hoje	e	por	consequência	não	
comprometer	 seu	 orçamento	 ou	 adquirir	 hoje	 comprometendo	 o	 orçamento	 amanhã.	
Identificar	a	real	necessidade	pode	auxiliar	a	tomar	a	decisão	correta.
1 Identificar a necessidade do produto ou serviço
Para	 identificar	 as	 necessidades	 de	 um	 produto	 ou	 serviço,	 iniciaremos	 analisando	 o	
local	onde	esses	bens	ou	serviços	são	oferecidos,	principalmente	nas	grandes	cidades.	
Partindo	do	princípio	de	que	nossas	ações	e	desejos	estão	articulados	ao	ambiente	em	
que	vivemos,	identificar	o	meio	pode	esclarecer	algumas	das	atitudes	e	dos	desejos	diante	da	
aquisição	de	um	bem	ou	serviço.	Outro	fato	que	deve	ser	articulado	é	o	padrão	de	vida	que	
criamos	e	que	com	o	passar	do	tempo	lutamos	com	“unhas	e	dentes”	para	mantê-lo.	Entre	
os	diversos	fatores	que	nos	faz	ir	às	compras,	nem	todos	sempre	justificam	a	necessidade	de	
adquirir	um	bem	ou	serviço.	
Nas	grandes	cidades,	em	função	da	falta	de	opções	de	lazer	com	os	filhos,	como	ir	a	um	
parque,	ou	até	mesmo	ir	namorar,	novas	opções	de	compras,	como	os	shoppings,	surgiram.	
Esses	espaços	desenvolveram	diversas	opções,	além	de	centros	de	compras,	desde	parques	
de	diversões,	cinemas,	restaurantes,	enfim	tornaram-se	um	centro	de	atividades	comerciais	
focando	as	diversas	áreas	de	entretenimento	a	manutenção	de	autos.	Nas	grandes	cidades	
e	até	mesmo	no	interior,	os	shoppings	ganharam	uma	amplitude	sem	limites,	com	cinemas,	
lanchonetes,	 livrarias	 entre	 outros.	De	uns	 anos	para	 cá,	 os	 grandes	 shoppings	 já	 contam	
também	com	hipermercados.	Em	cidades	não	 litorâneas	ficamos	quase	sem	alternativas	e	
vamos	ao	shopping	com	a	ideia	inicial	de	“dar	umas	voltas”.	Atente	para	o	desempenho	da	
indústria	de	shopping	center	no	Brasil	em	2012:
Educação Financeira
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Além	 do	 bom	 desempenho	 nas	 vendas,	 setor	 bateu,	 em	 2012,	 o	 recorde	 de	
inaugurações	 dos	 últimos	 13	 anos.	 Com	 mais	 27	 novos	 empreendimentos	 em	
operação	 e	média	 de	 398	milhões	 de	 visitantes	mensais,	 o	mercado	 de	 shopping	
centers	brasileiro	registrou,	em	2012,	alta	de	10,65%	nas	vendas	em	relação	ao	ano	
anterior,	atingindo	total	de	R$	119,5	bilhões.	A	expectativa	do	setor	para	2013	é	de	
12%	no	aumento	das	vendas.	O	excelente	desempenho	de	2012	pode	ser	explicado	
pelo	baixo	índice	de	desemprego,	pelo	aumento	da	massa	salarial	e	pelo	crédito,	que	
continua	em	níveis	apreciáveis.	(ABRASCE,	on-line)
Articularemos	 a	 necessidade	 de	 compra	 de	 produto	 ou	 serviço	 à	 decisão	 familiar	 à	
identificação	de	em	que	momento	e	de	que	forma	o	consumidor	fica	na	indecisão	de	realizar	
compras	em	curto	prazo	ou	em	longo	prazo.
Segundo	Solomon	(2008),	a	tomada	de	decisão	familiar	se	divide	em	dois	tipos:	a	decisão	
de	compra	consensual,	em	que	todos	concordam	com	a	compra,	não	havendo	conflitos,	mas	
sim	um	problema	que	será	solucionado	por	todos	os	indivíduos	envolvidos.	E	a	decisão	de	
compra	por	acomodação,	em	que	existe	conflito	entre	os	membros	da	unidade	familiar,	pois	
todos	possuem	gostos	e	preferências	diferentes,	e	acabam	chegando	a	um	consenso.	
Analisando	o	parágrafo	anterior,	podemos	 fazer	algumas	 inferências,	por	exemplo,	de	
que,	diante	de	um	enxame	de	ofertas	e	facilidades	de	crédito,	a	compra	consensual	pode	não	
ser	tão	simples.
Em	uma	família	acontecem	conflitos	de	gerações	principalmente	quando	as	crianças	e	os	
adolescentes,	não	somente,	são	providos	de	tempo	e	acesso	à	informação,	assim	a	escolha	
do	bem	ou	do	serviço	estará	articulada	ao	valor	disponibilizado	para	 tal.	A	decisão	nessas	
condições	estará	articulada	à	possibilidade	de	não	levar	o	produto	e	adiar	a	compra,	o	que	
nem	sempre	satisfaz	a	todos	da	família.	
Nesses	 contextos	 uma	explicação	para	 conscientizar	 os	membros	 da	 família	 pode	 ser	
uma	das	 tarefas	mais	delicadas	do	chefe	da	 família.	Muitos	“pais”	acabam	 ingressando	na	
ciranda	do	endividamento	por	não	ser	capazes	de	dizer	algumas	palavras	que	mais	deveriam	
ser	usadas	diante	de	situações	como	essas:	“Não	é	possível	agora,	aguarde”.
Vivemos	em	outro	contexto	social	em	que	dizer	não	a	um	filho	pode	significar	comprar	
problemas	imediatos,	mas	acreditamos	que	tudo	estará	vinculado	a	uma	boa	conversa,	pois	
contra	 fatos	 não	 há	 argumentos.	 Existem	 situações	 em	 que	 é	 totalmente	 inviável	 adiar	 a	
aquisição,	 nenhuma	 criança	 ficaria	 feliz	 de	 adiar	 o	 “dia	 das	 crianças”	 aguardado	 desde	 a	
páscoa.	Nem	mesmo	um	adolescente	gostaria	de	adiar	a	compra	de	um	livro	para	o	outro	
dia,	pelo	menos	os	que	desejam	estudar.	
Porém,	 a	 decisão	 estará	 presa	 ao	 orçamento	 familiar	 não	 necessariamente	 somente	
aquele	mês.	Um	dos	dilemas	ao	comprar	em	 longo	prazo	é	comprometer	uma	parcela	do	
orçamento	ao	pagamento	daquele	compromisso.	Sem	contar	fatos	importantes	como	o	caso	
de	que	uma	 compra	em	 longo	prazo	gerará	 juros	e	 encargos,	 ou	 seja,	 paradeterminados	
produtos	compramos	um	e	pagamos	até	três.	
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Quando	não	há	alternativa	e	não	temos	condições	de	adiar	aquela	compra,	a	alternativa	
que	nos	resta	é:
•	 pesquisar	preços;
•	 analisar	a	possibilidade	de	substituir	por	produtos	similares	com	preços	menores;
•	 tentar	negociar	prazo	frente	à	taxa	de	juros	cobrada;
•	 articular	o	prazo	e	a	taxa	de	juros	com	um	pequeno	valor	de	entrada.
Outro	fator	importante	que	afeta	o	comportamento	do	consumidor	na	necessidade	do	
produto	ou	serviço	poderá	estar	associado	a	fatores	sociais	do	meio	em	que	ele	vive,	seja	no	
trabalho,	na	faculdade	ou	na	família.	
A	aquisição	de	bens	tipo	automóveis	demonstra	o	quanto	algumas	pessoas	acabam	por	
articular	dívidas	de	longo	prazo.
Figura 1 - Carro
Além	de	atender	uma	necessidade,	a	aquisição	
do	automóvel	sacia	uma	necessidade	de	
autoestima,	mesmo	que	para	essa	conquista	
seja	necessário	assumir	compromissos	muito	
longos.
Muitas	vezes,	a	necessidade	analisada	estará	presa	ao	senso	de	estética,	na	preocupação	
sobre	que	os	outros	irão	pensar.	É	óbvio	que	a	faixa	etária,	o	meio	e	as	condições	interferem	
na	criação	da	necessidade	e,	por	consequência,	na	aquisição	do	produto	ou	serviço.
	Muitas	decisões	estão	presas	à	vaidade,	independentemente	do	sexo.	Existem	pessoas	
que	 despertam	 capacidade	 de	 acumular	 capital	 para	 realizarem	 operações	 que	 visam	 à	
autoestima	e	chegam	até	mesmo	a	se	comprometerem	com	empréstimos	para	realizar	uma	
cirurgia	estética.
O	comportamento	do	consumidor	diante	de	seu	entorno	pode	criar	a	necessidade	e,	por	
consequência,	até	mesmo	o	endividamento,	resultado	da	falta	de	um	orçamento	adequado	
à	realidade.
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[...]	os	grupos	de	referência	de	uma	pessoa	são	aqueles	que	exercem	alguma	influência	
direta	(face	a	face)	ou	 indireta	sobre	atitudes	ou	comportamento	dessa	pessoa.	Os	
grupos	 que	 exercem	 influência	 direta	 sobre	 uma	 pessoa	 são	 chamados	 grupos	 de	
afinidade.	Alguns	grupos	de	afinidade	são	primários,	como	a	família,	amigos,	vizinhos	
e	 colegas	 de	 trabalho,	 com	 os	 quais	 a	 pessoa	 interage	 continua	 e	 informalmente.	
As	 pessoas	 também	 pertencem	 a	 grupos	 secundários,	 como	 grupos	 religiosos	 e	
profissionais	e	associações	de	classe,	que	normalmente	são	formais	e	exigem	menor	
interação	continua.	(KOTLER;	KELLER,	2006,	p.	185)
Para	saber	mais	sobre	o	assunto	leia	o	Capítulo	3	do	livro	Administração de 
Marketing:	 conceitos	 planejamento	 e	 aplicações	 à	 realidade	 brasileira,	 de	
Alexandre	 Luzzi	 lãs	 Casas	 (2008).	 É	 oferecida	 uma	 visão	 sobre	 a	 influência	 do	
Marketing	na	decisão	do	consumidor	frente	ao	contexto	brasileiro.
2 Fatores que impulsionam a adiar ou não a aquisição de um 
produto ou serviço oferecido à família
Dentre	os	fatores	que	impulsionam	a	não	adiar	a	aquisição	de	um	produto	ou	serviço	estão:	
Uma	cirurgia	para	os	integrantes	da	família	
pode	provocar	alterações,	dependendo	do	
motivo	da	cirurgia.	
Figura 3 – Estudante
Tal	razão	pode	também	ser	destacada	com	
os	estudos	dos	filhos	ou	até	mesmo	com	a	
subsistência	da	própria	família.
Figura 2 – Equipe de cirurgia
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Figura 4 – Fechadura em formato 
de casa
A	conquista	da	casa	própria	é	um	dos	bons	
exemplos	para	justificar	o	sacrifício	de	adiar	
a	compra	de	produtos	ou	serviços.	Existem	
famílias	que	comprometem	grande	parcela	da	
renda	com	financiamento	desse	importante	
patrimônio.
É	interessante	destacar	que,	dependendo	da	estrutura	familiar	de	origem	de	um	chefe	
de	família	e	de	sua	formação,	fica	quase	impossível	não	articular	suas	conquistas	e	obrigações	
para	obtê-los	com	a	condição	de	pagamento	a	prazo.
Alguns	produtos	ou	serviços	são	possíveis	de	adiar	quando	não	temos	uma	poupança,	
produtos	ou	serviços	que	fazem	parte	de	nossa	evolução	humana.	
Não	é	possível	adiar	os	estudos	dos	filhos,	é	possível,	sim,	adequar-se	com	a	redução	
de	outras	despesas,	lembrando	que	os	estudos	dos	filhos	ou	a	própria	educação	continuada	
fazem	parte	do	investimento	profissional	dos	próprios	filhos.	Nesse	contexto	sobre	despesas	
e	investimentos	relacionados	à	educação	dos	filhos	existem	diversas	visões,	mas	acreditamos	
que	está	ligada	à	cultura	familiar.	Sendo	assim	atente	para	esta	citação:
Conceitualmente,	para	ser	considerado	investimento,	um	gasto	deve	gerar	retorno.	
Caso	o	pai	e	a	mãe	tenham	certeza	que	serão	sustentados	no	futuro	pelo	filho	(ou	
filhos),	o	dinheiro	gasto	com	o	filho	(ou	filhos)	poderia	ser	considerado	um	investimento,	
pois	geraria	retorno	no	futuro.	Mas	de	forma	geral,	é	mais	seguro	considerar	gastos	
com	os	filhos	como	despesas,	ou	seja,	um	gasto	que	não	produz	retorno,	e	planejar	a	
aposentadoria	sem	contar	com	a	ajuda	financeira	dos	filhos.	(HOJI,	2007	p.	82)
Outro	caso	extremo	é	uma	cirurgia	para	recuperação	de	um	ente	da	família.	Dificilmente	
temos	um	seguro	saúde,	daí	a	importância	de	uma	poupança,	assunto	que	abordaremos	em	
aulas	futuras.	É	interessante	destacar	que	adiar	uma	lipoaspiração	para	acumular	recursos	é	
diferente	de	uma	cirurgia	que	compromete	a	vida	de	um	ente	da	família.
Muitas	vezes,	dependendo	do	nível	de	renda	e	do	contexto	social,	a	compra	de	alimentos	
está	articulada	a	pagamentos	a	prazo	utilizando	para	tal	o	cartão	de	crédito.	Trata-se	de	uma	
situação	muito	delicada,	mas	sem	condições	de	ser	adiada,	principalmente	quando	existem	
crianças	na	família.
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Para	saber	mais	sobre	o	assunto,	leia	o	artigo	disponibilizado	no	portal	da	
Associação	Brasileira	das	Entidades	de	Crédito	Imobiliário	e	Poupança	(ABECIP).	
Esse	artigo	oferece	uma	visão	sobre	a	influência	na	economia	e	para	as	famílias	o	
acesso	 à	 moradia	 através	 do	 crédito	 imobiliário.	 O	 link	 está	 disponível	 na	
midiateca.
Outra	 aquisição	 quase	 impossível	 de	 ser	 realizada	 em	 curto	 prazo	 é	 a	 aquisição	 da	
moradia.	Determinados	produtos/bens	são	vitais	para	a	condição	humana	das	pessoas	que	
interferem	na	forma	de	conforto	para	a	família.	Nessa	situação	para	a	maioria	das	pessoas,	
principalmente	 assalariados,	 a	 conquista	 desse	 produto/bem	 é	 quase	 impossível	 de	 ser	 a	
curto	prazo.
Considerações finais
Nesta	 aula	 abordamos	 o	 surgimento	 de	 necessidades	 articuladas	 ao	 contexto	 social,	
econômico	e	familiar,	em	que	enfatizamos	os	fatores	sociais	não	apenas	nas	famílias,	mas	no	
entorno	das	pessoas	nas	empresas,	faculdades	etc.	
Destacamos	a	importância	da	conscientização	de	todos	os	envolvidos	no	momento	dessa	
decisão.	Elencamos	o	papel	do	ambiente	e	também	a	influência	da	mídia	e	das	tecnologias,	
entre	elas	a	Internet.
Demonstramos	também	que	adiar	a	aquisição	de	um	produto	ou	serviço	está	articulado	
também	 à	 importância	 dele.	 Mostramos	 que,	 diante	 de	 determinadas	 decisões,	 fatores	
intrínsecos	podem	induzir	as	pessoas	a	envolverem-se	em	dívidas	de	longo	prazo.
Referências
ABRASCE.	Shopping	Centers	faturam	R$	119,5	bilhões	em	2012.	Notícias	Gerais.	Disponível	em:	
<http://www.portaldoshopping.com.br/noticias/noticias-gerais/shopping-centers-faturam-r-
1195-bilhoes-em-2012>	.	Acesso	em:	15	set.	2013.
HOJI,	 M. Finanças da Família: O	 caminho	 para	 a	 independência	 financeira.	 São	 Paulo:	
Profitbooks,	2007.
KOTLER,	P.;	KELLER,	K.	L.	Administração de Marketing.	12.	ed.	São	Paulo:	Pearson	Prentice	
Hall,	2006.
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LAS	CASA,	A.	L.	Administração de Marketing: conceitos,	planejamento	e	aplicações	à	realidade	
brasileira.	São	Paulo:	Atlas,	2008.
SOLOMOM,	M.	R.	O comportamento do Consumidor:	comprando,	possuindo	e	sendo.	9.	ed.	
Porto	Alegre:	Bookman,	2011.
Educação Financeira
Aula 07
Definições essenciais de contabilidade e finanças
Objetivos Específicos
•	 Entender	conceitos	básicos	de	finanças	e	contabilidade	e	suasaplicações	nas	
empresas.
Temas
Introdução
1	Conceitos	essenciais	da	contabilidade	para	as	empresas
	2	Finanças	e	a	empresa
Considerações	finais
Referências
Professor
Carlos Alberto de Souza Cabello
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Introdução
Nesta	aula	iremos	estudar	alguns	conceitos	da	contabilidade	e	de	finanças.	O	objetivo	
de	 elencar	 tais	 conceitos	 é	 propiciar	 a	 você	 condições	 de	 compreender	 os	 processos	
desenvolvidos	pelas	empresas	na	conquista	da	otimização.	
Ao	término	desta	aula,	desejamos	que	você	se	aproprie	de	condições	para	compreender	
a	importância	dos	conteúdos	nos	relatórios	oferecidos	pela	contabilidade	aos	dirigentes	das	
empresas	para	que	eles	possam	tomar	decisões	eficientes	gerando	maximização	do	capital	
investido.	
1 Conceitos essenciais da contabilidade para as empresas
Para	iniciar	nosso	estudo	é	importante	definir	contabilidade.	Sabemos	que	é	uma	ciência	
que	 caracteriza	 a	 linguagem	 dos	 negócios	 e	 que	 propicia	 informações	 e	 diretrizes	 para	 a	
tomada	de	decisões.	
A	 contabilidade	 surgiu	 basicamente	 da	 necessidade	 de	 donos	 do	 patrimônio	 que	
desejavam	mensurar,	acompanhar	a	variação	e	controlar	suas	riquezas.	Daí	poder-se	
afirmar	que	a	Contabilidade	surgiu	em	função	de	um	usuário	específico,	o	homem	
proprietário	 de	 patrimônio,	 que,	 de	 posse	 das	 informações	 contábeis,	 passa	 a	
conhecer	 melhor	 sua	 “saúde”	 econômico-financeira,	 tendo	 dados	 para	 propiciar	
tomadas	de	decisões	mais	adequadas.	(MARION,	2005,	p.	26)
A	seguir,	conceituamos	os	principais	relatórios	oferecidos	pela	contabilidade	que	oferecem	
aos	 tomadores	 de	 decisão	 a	 situação	 financeira	 da	 empresa	 em	 determinado	 período	 ou	
exercício	social.	Com	base	nesses	relatórios	são	tomadas	decisões	que	possibilitam	investir,	
manter	a	empresa	ou	até	mesmo	fechar	as	portas.
> (BP) Balanço Patrimonial:	 Segundo	 Iudícibus	 (2011)	 balanço	 patrimonial	 é	 a	
demonstração	contábil	que	tem	por	finalidade	apresentar	a	situação	patrimonial	da	
empresa	 em	 dado	momento,	 representando,	 portanto,	 uma	 posição	 estática.	 Por	
esse	motivo	é	tecnicamente	chamado	de	“Balanço	Patrimonial”.
> (DRE) Demonstração do Resultado do Exercício.	 Segundo	 Padoveze	 (2011)	 a	
demonstração	de	resultados	é	feita	a	partir	da	conta	de	lucros	e	perdas1.		A	finalidade	
da	demonstração	de	resultados	é	uma	melhor	evidenciação	do	ganho,	tendo	em	vista	
sempre	o	aspecto	do	usuário	externo.
1	 Conta	 de	 lucros	 ou	 prejuízos:	 refere-se	 a	 uma	 demonstração	 financeira	 preparada	 pelos	 dirigentes	 das	 empresas	 para	 expor	 possíveis	
alterações	ocorridas	no	saldo	durante	o	exercício	social,	ou	seja,	no	período	de	um	ano.
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> (DMPL) Demonstrações das Mutações do Patrimônio Líquido.	 Segundo	 Ribeiro	
(2010)	é	um	relatório	contábil	que	visa	evidenciar	as	variações	ocorridas	em	todas	as	
contas	que	compõem	o	Patrimônio	Líquido	em	determinado	período.
Percebemos	que	todos	os	 relatórios	definidos	 têm	por	objetivo	principal	oferecer	aos	
usuários	das	demonstrações	contábeis	uma	posição	contábil	e	financeira	das	empresas.
Como	objetivo	de	compreender	os	conceitos	essenciais,	vamos	verificar	como	eles	são	
definidos:
Entende-se	por	receita	a	entrada	de	elementos	para	o	ativo	sob	forma	de	dinheiro	
ou	direitos	a	 receber,	 correspondentes,	normalmente,	à	venda	de	mercadorias,	de	
produtos	ou	à	prestação	de	serviços.	Uma	receita	também	pode	derivar	de	juros	sobre	
depósito	bancário	ou	títulos	e	de	outros	ganhos	eventuais.	(Iudícibus,	2010,	p.	149)
Nessa	 abordagem	 destacamos	 a	 importância	 dada	 ao	 acréscimo	 do	 ativo,	 e	 demais	
operações	que	irão	gerar	a	receita.
Podemos	caracterizar	receita	como:
1.	 Articulada	à	venda	de	bens	e	serviços.	Exemplo:	vendas	de	produtos.
2.	 Adaptado	ao	mercado.	Exemplo:	aluguel	de	imóveis	ou	automóveis.
3.	 Com	foco	temporal.	Exemplos:	investimento	que	tenha	prazo	determinado.	
4.	 Decorrente	de	juros	recebidos	de	um	depósito.	Exemplo:	retorno	de	poupança.	
Outro	 conceito	 essencial	 para	 a	 contabilidade	 é	 o	 de	 despesas,	 é	 o	 bem	 ou	 serviço	
consumidos	direta	ou	 indiretamente	para	obtenção	de	 receitas	que	pode	estar	 articulado	
não	apenas	ao	presente	podendo	ser	originária	do	passado	ou	até	mesmo	do	futuro.	Atente	
para	a	abordagem:	
Despesa,	em	sentido	restrito,	representa	a	utilização	ou	o	consumo	de	bens	e	serviços	
no	 processo	 de	 produzir	 receitas.	 Note	 que	 a	 despesa	 pode	 referir-se	 a	 gastos	
efetuados	 no	 passado,	 no	 presente	 ou	 que	 serão	 realizados	 no	 futuro.	 (Iudícibus,	
2010,	p.	153)
A	 confecção	 de	 produtos	 necessita	 de	 matéria-prima	 que	 caracteriza	 uma	 despesa	
gerada	desse	produto	ou	serviço.
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Quadro 1 - Matéria-prima
Imagem 1 - Rolos de linha
Matéria-prima	–	elemento	que	irá	sofrer	processo	de	
transformação.	No	exemplo	ao	lado	rolos	de	linhas	para	
confecção.
Imagem 2 – Pé de alface
Os	alimentos	já	colhidos	são	considerados	produtos	
semiacabados,	pois	ainda	sofrerão	alguma	transformação	até	
ser	servidos.	No	exemplo	ao	lado	pé	de	alface	na	plantação.
Imagem 3 – Prato de salmão
O	prato	pronto	representa	um	produto	acabado,	ou	seja,	
pronto	para	ser	servido.	No	exemplo	ao	lado	prato	de	salmão	
com	legumes.
Imagem 4 – Faxineiro
Material	de	limpeza,	produto	acabado,	que	representa	matéria-
prima	essencial	para	executar	um	serviço	de	limpeza.	No	
exemplo	ao	lado	faxineiro	com	produtos	de	limpeza.
Fonte: elaborado pelo autor.
Os	serviços	dos	mais	variados	tipos	geram	despesas	e,	 consequentemente,	propiciam	
receitas.	A	 contabilidade	é	 a	 ciência	que	 articula	 esses	 conceitos	 e	oferece	 relatórios	que	
demarcam	 tais	 fatos	 respeitando	 diversas	 regras	 e	 princípios	 gerando	 informações	 aos	
tomadores	de	decisão.
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Para	 saber	 mais	 sobre	 o	 assunto	 leia	 o	 capítulo	 9	 do	 livro	 Teoria da 
Contabilidade,		(IUDÍCIBUS,	2010,	p.	149-163).	O	renomado	professor	Iudícibus	
destaca	 de	 forma	 didática	 as	 relações	 entre	 receitas,	 despesas	 no	 contexto	
empresarial.
Outro	 conceito	merecedor	 de	 destaque	 em	 âmbito	 contábil	 é	 o	 balanço	 patrimonial,	
lembrando	que	não	é	uma	atitude	espontânea,	pois	o	balanço	patrimonial	é	uma	exigência	
para	todos	que	exercem	atividade	empresarial.
Todos	 os	 que	 exercem	 a	 atividade	 empresarial	 estão	 obrigados,	 anualmente,	 à	
formação	de	balanço	patrimonial	e	balanço	de	resultado	econômico.	Pelo	artigo	do	CC	
2,	o	balanço	patrimonial	deve	ser	o	retrato	fiel	da	situação	real	da	empresa,	indicando	
com	clareza,	distintamente,	seu	ativo	e	passivo.	(FAZZIO	Jr.,	2010,	p.	53)
Sendo	assim,	concluímos	que	o	balanço	patrimonial	deve	ser	um	espelho	das	posições	
econômicas	 e	 patrimoniais	 de	 uma	 empresa	 em	 determinada	 data,	 ou	 seja,	 na	 data	 do	
encerramento	do	exercício	social.
O	balanço	patrimonial	mostra	a	situação	de	uma	empresa	e	sua	representação	ocorre	em	
termos	monetários,	propiciando	condições	aos	tomadores	de	decisão	de	entender	o	quanto	
de	recursos	foi	investido	na	empresa.
É	constituído	por	duas	colunas:	na	coluna	do	lado	esquerdo	é	conhecido	como	ativo	e	
a	 coluna	da	direita	 como	passivo	mais	patrimônio	 líquido.	O	ativo	é	 composto	pelos	bens	
e	direitos	da	empresa	e	em	contrapartida	no	 lado	direito	do	balanço	patrimonial	 temos	o	
passivo,	que	representa	as	obrigações	contraídas	com	terceiros	e	que	demonstram	também	
capitais	comprometidos.
2	CC:	Código	Comercial
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Tabela 1 - Balanço Patrimonial
Ativo Circulante Passivo Circulante
Ativo Não Circulante Passivo Não Circulante
Realizável a Longo Prazo Patrimônio Líquido
Investimento Capital Social
Imobilizado
Reservas de Capital
Ajustes de Avaliação Patrimonial
Reservas de Lucros
Ações emTesouraria
Prejuízos Acumulados
Intangível
Total do Ativo Total do Passivo
Fonte: elaborado pelo autor.
PATRIMÔNIO LÍQUIDO = ATIVO – PASSIVO
É	importante	destacarmos	inovações	na	legislação	societária	e	no	ambiente	internacional	
de	negócios	e	por	ações.	Tal	alteração	deixa	claro	que	a	contabilidade	ao	contrário	do	que	
alguns	estudantes	pensam	não	é	estática.	Isso	mostra	que	o	Brasil,	através	da	CVM,	Comissão	
de	 Valores	 Mobiliários,	 referencia	 por	 meio	 dessa	 lei,	 11.638,	 alguns	 dos	 artigos	 da	 lei	
6404/19763		atualizados	ao	mundo	dos	negócios	internacionais.
 2 Finanças e a empresa
Trabalhar	com	o	dinheiro	não	é	uma	tarefa	 fácil	principalmente	quando	esse	dinheiro	
não	é	o	nosso.	Tanto	para	uma	família	como	para	uma	empresa	o	cuidado	com	as	despesas,	
receitas	 e	 investimentos	 podem	 significar	 o	 crescimento	 ou	 a	 falência.	 Nesse	 contexto	 é	
interessante	destacar	as	atividades	de	uma	empresa,	pois	sem	atividades	não	existirá	receita,	
elas	são	divididas	em:
Atividades operacionais Atividades de investimentos Atividades de financiamento
3	Lei	das	Sociedades	Anônimas	de	1976
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As	 atividades operacionais	 estão	 articuladas	 com	 os	 objetivos	 da	 empresa,	 logo	
relacionadas	 à	 compra	 e	 venda	 de	 mercadorias,	 compras	 de	 matérias-primas	 e,	 por	
consequência,	transformação	em	produtos	finalizados	para	serem	comercializados,	prestação	
de	serviços,	distribuição,	armazenagem,	atividades	articuladas	a	áreas	de	produção	e	vendas.	
As	atividades de investimentos	estão	articuladas	à	capacidade	de	tomada	de	decisão	
em	aplicação	de	recursos	que	podem	ser	temporais	ou	permanentes	e	que	dão	suporte	às	
atividades	operacionais.
Lembrando	 que	 nesse	 tipo	 de	 atividade,	 as	 decisões	 tomadas	 estarão	 vinculadas	 aos	
relatórios	oferecidos	pela	contabilidade,	daí	a	importância	de	serem	atualizados	e	confiáveis,	
papel	desempenhado	pela	contabilidade.
As	 atividades de financiamento	 correspondem	 à	 tomada	 de	 decisão	 focando	 na	
obtenção	 de	 recursos	 necessários	 ao	 financiamento	 das	 atividades	 operacionais	 e	 de	
investimentos.	 Essas	 atividades	 podem	 ser	 representadas	 pela	 captação	 de	 empréstimos,	
emissão	de	debêntures4		de	longo	prazo,	integralização	de	capital	da	empresa	por	parte	dos	
sócios	ou	acionistas.
Atente	para	a	seguinte	citação:
O	objetivo	econômico	e	financeiro	de	uma	empresa	é	a	maximização	de	seu	valor	de	
mercado,	por	meio	de	geração	continua	de	lucro	e	caixa	no	longo	prazo,	executando	as	
atividades	inerentes	ao	seu	objetivo	social.	O	aumento	do	valor	da	empresa	aumenta	
a	riqueza	de	seu	proprietário.	(HOJI,	2004,	p.	21)
Percebemos	 que	 o	 principal	 objetivo	 de	 uma	 empresa	 é	 obter	 o	 máximo	 de	 lucros	
possíveis	com	o	menor	custo	possível,	ou	seja,	maximização.	Logo,	podemos	refletir	que	o	
principal	objetivo	de	uma	empresa	é	a	geração	de	lucros,	que	provoca	a	geração	de	caixa.	
Considerações finais
Nesta	 aula	 abordamos	 conceitos	 importantíssimos	 para	 compreender	 a	 função	 da	
contabilidade	 para	 uma	 empresa	 e	 destacamos	 algumas	 das	 contas	 e	 o	 relatório	 balanço	
patrimonial.	
Apresentamos	também	a	articulação	entre	as	finanças	e	empresa	dando	destaque	aos	
tipos	de	atividades	realizadas	que	impactam	na	receita	da	empresa.
4		Debêntures:	são	valores	mobiliários	representativos	de	dívida	de	médios	e	longos	prazos	que	asseguram	a	seus	detentores	(debenturistas)	
direito	de	crédito	contra	companhia	emissora.
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Referências
HOJI,	M.	Finanças da Família:	o	caminho	para	a	independência	financeira.	São	Paulo:	Profitbooks,	
2007.
FAZZIO	Jr,	W.	Manual de direito comercial.	11.	ed.	São	Paulo:	Atlas,	2010.
IUDÍCIBUS,	S.	de. Contabilidade Introdutória.	11.	ed.	São	Paulo:	Atlas,	2011.
______________.	Teoria da Contabilidade.	10.	ed.	São	Paulo:	Atlas,	2010.
______________;	MARTINS,	E.;	GELBCKE	E.	R.	Manual de contabilidade das sociedades por 
ações aplicáveis às demais sociedades.	2.	ed.	São	Paulo:	Atlas,	2009.
MARION,	J.	C.	Contabilidade Empresarial.	11.	ed.	São	Paulo:	Atlas,	2005.
PADOVEZE,	C.	L.	Manual de contabilidade:	contabilidade	introdutória	e	intermediária.	7.	ed.	
São	Paulo:	Atlas,	2011.
PORTAL,	 Contábil.	 Disponível	 em:	 <	 http://www.contabeis.com.br/forum/topicos/21247/lei-
11638/>.	Acesso	em:	22	set.	2013.
RIBEIRO,	O.	M.	Contabilidade Básica Fácil.	27.	ed.	São	Paulo:	Saraiva,	2010.
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Aula 08
A necessidade de planejar para controlar melhor
Objetivos Específicos
•	 Analisar	um	planejamento	financeiro	e	entender	a	relação	ganhos	X	gastos.
Temas
Introdução
1	Elaboração	do	planejamento	financeiro
2	Aspectos	comportamentais	a	serem	refletidos
3	Oportunidades	para	economizar
Considerações	finais
Referências
Professor
Carlos Alberto de Souza Cabello
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Introdução
Neste	tópico	da	disciplina	trataremos	do	planejamento	para	controlar	gastos	e	ganhos.	
Fazer	um	planejamento	parece	ser	uma	simples	tarefa,	mas	quando	começamos	a	identificar	
gastos	 e	 ganhos	 em	 relação	 ao	 tempo	 percebemos	 que	 não	 é	 tão	 fácil	 o	 quanto	 parece.	
Estimar	 gastos	baseados	nos	do	mês	 anterior	 é	o	 começo.	 Sabe-se	que	diversos	 aspectos	
devem	ser	 levados	em	consideração.	Desde	os	gastos	rotineiros	até	os	 inesperados	devem	
ser	contemplados.	
Ao	término	desta	aula,	desejamos	que	você	saiba	preparar	um	planejamento	financeiro	
desenvolvendo	novas	atitudes	em	relação	à	forma	de	gastar.
1 Elaboração do planejamento financeiro
O	ponto	de	partida	para	fazer	um	planejamento	financeiro	é	o	conhecimento	dos	objetivos	
e	 prioridades	 da	 renda	 e	 dos	 gastos	 da	 família.	 É	 importante	 que	 todos	 os	 componentes	
da	 família	 estejam	 conscientes	 dos	 objetivos.	 É	 interessante	 lembrar	 que	 preparar	 um	
planejamento	financeiro	não	é	 sinônimo	de	 cortes.	 É	 vital	 que	 você	e	 sua	 família	 tenham	
metas	claras	que	desejam	atingir	e	principalmente	as	atitudes	que	deverão	ter	em	conjunto	
para	a	conquista	dos	objetivos.	
Alguns	dos	cuidados	essenciais	ao	preparar	o	planejamento:
•	 os	objetivos	devem	ser	claros	a	todos	os	componentes	da	família;
•	 os	objetivos	devem	ser	possíveis	de	serem	atingidos;
•	 os	objetivos	devem	ser	flexíveis;
•	 os	objetivos	não	devem	ferir	os	conceitos	pessoais	dos	componentes	da	família,	ou	
seja,	devem	ser	sejam	éticos.
Todos	os	integrantes	da	família	devem	entender	bem	os	objetivos	e	principalmente	estar	
conscientes	da	importância	de	sua	participação.	Em	uma	família	com	crianças	pequenas	deve	
haver	por	parte	dos	pais	uma	orientação	adequada	a	idade	dessas	crianças.
Demonstrar	 as	 razões	 pelas	 quais	 devem	 alterar	 atitudes	 em	 relação	 a	 controles,	 no	
banho,	no	computador,	na	televisão,	enfim,	conquistar	as	crianças,	não	adianta	ser	autoritário,	
pelo	menos	no	 início.	Quando	na	 família	houver	 adolescente,	 o	procedimento	 requer	um	
pouco	mais	de	talento.	
	Esclarecer	o	quanto	é	importante	determinada	atitude	para	a	conquista	de	determinados	
objetivos	e	enfatizar	o	quanto	será	benéfico	a	todos,	inclusive	eles.	
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Quadro 1 - Atitudes e controles para o planejamento financeiro
Imagem 1 – Chuveiro 
Enfatizar	a	importância	de	reduzir	o	tempo	no	banho,	
posicionar	a	seleção	–	inverno	ou	verão	de	acordo	com	a	
estação,	reduzir	o	tempo	de	permanência	no	banho.
Imagem 2 – Criança e a TV
Controlar	o	tempo	que	as	crianças	ficam	defronte	À	TV	em	
função	de	jogos.	Apesar	de	estimular	o	processo	cognitivo	
não	será	percebido	o	tempo	de	consumo	de	energia	
elétrica.
Imagem 3 – Telefone
Controlar	o	tempo	tanto	das	crianças	como	dos	adultos	
no	telefone.
Imagem 4 – Lâmpadas 
Controlar	o	número	de	lâmpadas	acesas,	muitas	pessoas	
se	esquecem	de	apagar	as	luzes	ao	saírem	dos	ambientes	
em	que	estavam	com	lâmpadas	acesas.
Atentandopara	 que	 a	 redução	 de	 energia	 elétrica	 com	 algumas	 atitudes	 reflete	 em	
nossa	economia	pessoal	e	também	para	o	país.	Sabemos	que	otimizar	o	consumo	é	uma	das	
atitudes	que	deveriam	se	tornar	hábito	a	todos	os	brasileiros.
Além	do	desenvolvimento	econômico,	outra	variável	que	determina	o	consumo	de	
energia	é	o	crescimento	da	população	indicador	obtido	tanto	pela	comparação	entre	
as	taxas	de	natalidade	e	mortalidade	quanto	pela	medição	de	fluxos	migratórios.	No	
Brasil,	entre	2000	e	2005,	essa	taxa	teve	uma	tendência	de	queda	relativa,	registrando	
variação	 média	 anual	 de	 1,46%,	 segundo	 relata	 o	 estudo	 Análise	 Retrospectiva	
constante	do	Plano	Nacional	de	Energia	2030,	produzido	pela	Empresa	de	Pesquisa	
Energética.	(ANEEL,	2013)
O	 dado	 oferecido	 pela	 Agência	 Nacional	 de	 Energia	 Elétrica	 possibilita	 informações	
referentes	ao	consumo	de	energia	elétrica	no	Brasil,	e	devemos	refletir	sobre	eles,	sendo	que	
nosso	controle	contribui	não	apenas	em	nossa	economia,	mas	sim	para	o	país.
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Seja	cauteloso	ao	estabelecer	os	objetivos	e	tome	muito	cuidado	em	impor	uma	atitude	
impossível	 de	 ser	 alcançada.	Outro	 cuidado	ao	estabelecer	objetivos:	muitas	 atitudes	não	
dependem	unicamente	da	pessoa.	Certas	situações	exigem	o	envolvimento	de	outras	pessoas	
em	ambientes	distintos,	nos	quais	o	tempo	e	o	contexto	podem	alterar	todo	o	processo.	
Imagine	o	tempo	perdido	no	congestionamento	e	o	combustível	gasto	além	do	estimado.	
Ao	traçar	objetivos,	seja	flexível,	procure	adequar-se	à	realidade	do	ambiente	e	do	contexto	
social.
Procure	 não	 ferir	 determinadas	 ideologias	 dos	 próprios	 componentes	 da	 família,	 não	
podemos,	ao	estabelecer	os	objetivos,	invadir	princípios	éticos	dos	membros	desse	grupo.	
Para	saber	mais	sobre	o	assunto	leia	o	Capítulo	7	do	livro	O Comportamento 
do Consumidor,	de	Michael	Solomon	(2008).	O	autor	aborda	as	diversas	atitudes	
diante	do	contexto	social	frente	à	imposição	de	regras	para	alcançar	os	objetivos,	
tanto	familiares	quanto	corporativos.	
1.1 O orçamento familiar
Após	estabelecer	os	objetivos	é	o	momento	de	organizar	o	orçamento	familiar	e	discutir	
com	todos	os	componentes	da	família	os	tipos	de	despesas	e	as	atitudes	de	cada	integrante	
para	criar	o	equilíbrio	financeiro.	
O	 orçamento	 familiar	 independe	 se	 será	 criado	 usando	 um	 caderno	 ou	 em	 planilhas	
sofisticadas,	 o	 essencial	 é	 apontar	 tudo,	 sem	 se	 esquecer	 de	 nada,	 desde	 as	 pequenas	
despesas.	As	ações	mais	 importantes	estão	no	calendário,	estar	atento	aos	pagamentos	e	
não	esquecer	que	pagar	atrasado	significa	pagar	com	juros	e/ou	encargos.
Com	relação	às	receitas,	é	 importante	considerar	o	salário	de	todos	os	 integrantes	da	
família,	 computando,	 também,	 os	 extras,	 como	 abono	 de	 férias,	 bonificações,	 prêmios	 e	
outras	rendas.
Na	organização	do	orçamento	familiar	seja	disciplinado,	estabeleça	um	período	de	um	
mês	e	 anote	 tudo,	 todos	os	 seus	 gastos,	 e	não	 se	esqueça	de	nada	–	 cafezinho,	 gorjetas,	
estacionamentos,	cópias	na	faculdade.
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Para	saber	mais	sobre	o	assunto	leia	o	Capítulo	2	do	livro	Sobrou Dinheiro	
–	 lições	de	economia	doméstica,	de	 Luiz	Carlos	 Ewald	 (2003).	O	autor	 aborda	
formas	e	cuidados	para	equilibrar	despesas	e	receitas	em	âmbito	familiar.
Lembre-se	de	que	existem	gastos	que	acontecem	em	apenas	alguns	meses	do	ano,	como	
IPVA,	licenciamento	do	carro	e	matrícula	dos	filhos	na	escola.	É	importante	destacar	que	ao	
preparar	um	orçamento	devemos	ser	flexíveis,	pois	sempre	ocorrem	imprevistos	tanto	com	
gastos	como	com	ganhos.
	 	 A	próxima	etapa	é	 fazer	uma	análise	dos	 gastos.	 Identificar	 se	determinados	 gastos	
são	 realmente	 necessários.	 Existem	 despesas	 em	 nossa	 casa	 que	 podem	 ser	 eliminadas	
parcialmente	pelo	menos.	Atente	à	citação:
As	 despesas	 realmente	 necessárias	 são	 aquelas	 que	 não	 podem	 ser	 reduzidas	
ou	 completamente	 eliminadas	 imediatamente,	 tais	 como	 aluguel,	 despesa	 de	
condomínio,	condução,	alimentação,	escola	dos	filhos	etc.	(HOJI,	2007,	p.	42)
Além	dessas	atitudes	contribui	muito	a	possível	eliminação	ou	substituição	de	despesas,	
tais	como	uma	redução	do	seguro	do	automóvel	e	reduzir	o	tempo	ao	telefone.	Caso	a	família	
possua	dívidas	em	bancos,	procure	negociar	com	taxas	menores,	substituir	dívidas	do	cheque	
especial	por	empréstimos	pessoais,	na	maioria	das	vezes	a	taxa	de	juros	é	menor.
2 Aspectos comportamentais a serem refletidos
Entre	os	obstáculos	mais	difíceis	de	serem	enfrentados	ao	estabelecer	um	planejamento	
financeiro	 familiar	 é	 mudar	 ou	 alterar	 comportamentos.	 Alguns	 comportamentos	 são	
intrínsecos	às	pessoas	e	fazem	parte	de	seus	hábitos,	então,	haverá	resistência	–	é	como	sair	
de	sua	área	de	conforto.
Algumas	 mudanças	 de	 comportamentos	 que	 podem	 contribuir	 para	 o	 sucesso	 do	
planejamento	financeiro:
•	 alterar	o	estilo	de	vida,	preocupar-se	com	você,	não	com	que	os	outros	pensam;
•	 evitar	 fazer	 compras	 em	 prestações,	 acumule	 dinheiro	 para	 comprar	 à	 vista,	 sem	
contar	que	poderá	conseguir	um	desconto	comprando	à	vista;
•	 é	mais	interessante	quitar	dívidas	do	que	manter	poupança;
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•	 adiar	vontades	de	consumo;
•	 pesquisar	preços	de	produtos,	marcas	e	fornecedores;
•	 criar	o	hábito	de	planejar	e	controlar	compras;
•	 guardar	todos	os	recibos	de	pagamentos;
•	 ficar	 atento	 aos	 extratos	 bancários	 e	 exigir	 explicações	 caso	 apareça	 algum	 item	
estranho;
•	 fazer	uma	lista	de	compras,	caso	tenha	necessidade	de	ir	às	compras;
•	 aproveitar	promoções	e	liquidações.
Para	saber	mais	sobre	o	assunto	 leia	o	 livro	Manual de Educação para o 
Consumo Sustentável	(MEC/IDEC,	2005,	p.	14-	17).
3 Oportunidades para economizar
Se	 observarmos	 uma	 conversa	 informal	 entre	 amigos	 veremos	 que	 o	 tema	 falta	
de	 dinheiro	 será	 abordado.	 Muitas	 pessoas	 repetem	 isso	 diversas	 vezes,	 porém	 não	 se	
preocupam	em	reduzir	as	despesas.	No	equilíbrio	das	finanças	só	existem	duas	alternativas:	
ou	aumentamos	as	receitas	ou	reduzimos	os	gastos.	Ampliar	as	receitas	pode	até	acontecer,	
mas	não	imediatamente.	
Reduzir	os	gastos	talvez	não	seja	tão	ruim	assim.	A	economia	pode	ocorrer	com	pequenas	
atitudes,	entre	elas:
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Quadro 2 - Atitudes para reduzir gastos
Imagem 1 - Bicicleta
Utilizar	a	bicicleta	como	meio	de	transporte.
Imagem 2 - Transporte coletivo
Utilizar	o	transporte	público	coletivo.
A	mudança	 de	 alguns	 hábitos,	 além	de	 ser	 saudável,	 pode	 contribuir	 para	 a	 redução	
do	orçamento	familiar	no	final	do	mês.	Para	pequenas	distâncias,	 trocar	o	automóvel	pela	
bicicleta	é,	por	exemplo,	muito	comum	em	países	europeus.	Ou	é	possível	deixar	o	automóvel	
na	garagem	e	ir	de	ônibus.
Muitas	das	opções	apresentadas	já	fazem	parte	de	seu	cotidiano;	uma	alternativa	também	
é	 a	 substituição	 de	 produtos	 e	 serviços.	 Em	 função	 da	 alta	 competitividade,	 as	 empresas	
estão	 constantemente	 investindo	 em	 engenharia	 de	 produtos	 e	 oferecendo	 sempre	 uma	
nova	grade	de	opções.	Não	devemos	ficar	presos	a	marcas,	é	bom	darmos	uma	chance	a	
outros	produtos	e	serviços.	Nas	férias	devemos	procurar	outros	lugares	com	outras	agências.
	Caso	nossas	férias	não	coincidam	com	as	férias	escolares,	os	preços	são	mais	atrativos	
fora	de	temporada.	São	maneiras	simples	e,	com	a	conscientização	de	toda	a	família,	o	retorno	
pode	ser	espetacular.
Considerações finais
Nesta	aula	vimos	que	existem	diversas	razões	para	preparar	um	planejamento	financeiro	
familiar.	Mostramos	a	importância	de	conscientizar	toda	a	família	esclarecendo	a	cada	um	dos	
integrantes	a	sua	parte.	Comentamos,	também,	sobre	alguns	comportamentos	que	podem	
ser	alterados	e	que	certamente	geram	resultados	eficientes	para	a	saúdefinanceira.	
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Finalizamos	expondo	algumas	dicas	nas	quais	pequenas	atitudes	podem	contribuir	para	
o	 sucesso	 do	 planejamento,	 desde	 economias	 simples	 até	 a	 substituição	 de	 produtos	 ou	
serviços.	
Referências
ANEEL	Agência	Nacional	de	Energia	Elétrica.	Energia no Brasil e no mundo.	Disponível	em:	
<http://www.aneel.gov.br>.	Acesso	em:	set.	2013.
EWALD,	L.	C.	Sobrou Dinheiro	–	lições	de	economia	doméstica.	São	Paulo:	Bertrand.	2003.
HOJI,	M.	Finanças da Família:	o	caminho	para	a	independência	financeira.	São	Paulo:	Profitbooks,	
2007.
SOLOMON,	M.	R.	O Comportamento do Consumidor:	Comprando,	possuindo	e	sendo.	7.	ed.	
São	Paulo:	Artmed	Editora,	2008.
Educação Financeira
Aula 09
Relações entre Dinheiro e Crédito, Investimentos e Proteção 
do Patrimônio
Objetivos Específicos
•	 Entender	a	 importância	do	dinheiro,	do	crédito	e	do	 investimento	e	como	
proteger	o	patrimônio.
Temas
Introdução
1	Dinheiro	e	o	crédito
2	Investimentos
3	As	razões	para	conquistar	e/ou	manter	nosso	patrimônio
Considerações	finais
Referências
Professor
Carlos Alberto de Souza Cabello
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Introdução
Nesta	 aula	 abordaremos	 os	 processos	 para	 manipular	 adequadamente	 o	 dinheiro,	 o	
crédito,	investimentos	e	as	razões	para	conquistar	e	manter	o	patrimônio.
1 Dinheiro e o crédito
Logo	no	início	de	nossa	vida,	por	volta	dos	seis	anos	de	idade	começamos	a	ter	contato	
com	o	dinheiro,	esse	meio	usado	na	 troca	de	bens.	Com	essa	 idade	não	 temos	dimensão	
do	que	significa	dinheiro,	 imaginamos	que	serve	para	comprar	 tudo	o	que	desejamos.	Em	
algumas	famílias	há	ensinamentos	de	que	não	se	deve	gastar	tudo	o	que	possui	e	em	outras	
famílias	jamais	se	ouve	falar	sobre	essa	ação.	Após	algum	tempo	somos	obrigados	a	encontrar	
o	ponto	de	equilíbrio	entre	recebimentos	e	gastos.
Muitas	pessoas	jamais	se	preocupam	com	tal	ação	e	acabam	criando	um	padrão	de	vida	
bem	distinto	do	que	é	realmente	o	seu.	É	interessante	destacar	que	o	dinheiro	é	uma	solução	
para	as	pessoas	que	sabem	onde,	quando	e	de	que	forma	usar	esse	meio	de	troca.	
Há	pessoas	que	acreditam	que	o	dinheiro	pode	comprar	tudo.	Sabemos	que	não	é	bem	
verdade.	Acreditamos	que	o	dinheiro	pode	amenizar	situações	de	sofrimentos,	pode	oferecer	
conforto	às	pessoas	que	o	possuem.
Graças	à	mídia	temos	notícias	sobre	ações	de	algumas	pessoas	que	nos	impressionam.	
Quantas	 vezes	 há	 notícias	 de	 pessoas	 desprovidas	 dos	 mais	 básicos	 recursos	 e	 que,	
acidentalmente,	encontram	carteiras,	bolsas	e,	para	a	surpresa	de	muitos,	devolvem	aos	seus	
donos.
	Enfim,	vivemos	em	uma	sociedade	onde	um	dos	meios	mais	significativos	é	o	dinheiro.	
Ele	 traz	 conforto,	poder,	 confiança,	desconfiança,	medo,	oportunidades	entre	outros,	mas	
como	lidar	com	esse	meio	entre	quem	deseja	um	bem	ou	serviço	ou	que	vende	esse	bem	ou	
esse	serviço?	Aliado	ao	dinheiro,	o	seu	irmão	inseparável,	o	consumo.
	O	dinheiro	e	o	consumo	passaram	a	ser	o	centro	da	vida	das	pessoas	e	por	consequência	
subordinando	a	vida	ao	trabalho	na	conquista	do	dinheiro.	“A	palavra	dinheiro	vem	do	latim	
dinarius,	nome	dado	a	uma	antiga	moeda	romana.	Essa	palavra	 foi	usada	para	denominar	
uma	moeda	de	prata	e	cobre	que	circulava	em	Castilha,	na	Espanha:	depois	foi	utilizada	para	
todas	as	moedas	e	todo	tipo	de	dinheiro”	(Cartilha	do	Banco	Central,	2013,	p.	24).
É	interessante	destacar	que	o	Banco	Central	tem	influência	no	acesso	ou	na	dificuldade	
do	crédito,	dentre	 suas	ações	determinadas	medidas	aquecem	a	economia	estimulando	a	
demanda	ou	interfere	para	controle	da	inflação.	Quando	a	economia	manifesta	uma	pequena	
instabilidade	o	Banco	Central	do	Brasil	entra	em	ação	e	 faz	uso	de	uma	de	suas	principais	
funções,	manipular	as	taxas	de	juros.	A	necessidade	do	crédito	está	relacionada	não	apenas	
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com	 suprir	 realizações	 e	 desejos,	 mas	 também	 para	 proporcionar	 o	 desenvolvimento	
econômico.	 O	 crédito	 ganhou	 a	 posição	 de	 vilão	 em	 determinadas	 situações.	 Apesar	 de	
mecanismos	de	controle	desenvolvidos	pelas	instituições	financeiras	a	inadimplência	aparece	
e	desequilibra	as	boas	relações	entre	consumidores	e	instituições	financeiras.	
O	 crédito	 move	 a	 economia	 e	 permite	 o	 acesso	 das	 pessoas	 a	 produtos	 e	 serviços,	
favorecendo	as	empresas	a	ampliarem	a	produção.
Grande	 parcela	 das	 empresas	 depende	 de	 créditos,	 empréstimos	 para	 bancar	 seus	
investimentos.	Logo	um	dos	fatores	essenciais	ao	crédito	é	a	confiança.	O	sistema	capitalista	
dá	concessão	ao	crédito	para	gerar	oportunidades	de	investimentos.
Quem	possibilita	dinheiro	a	outro,	ou	empréstimo,	acaba	por	abrir	mão	de	usar	esse	
capital	em	outras	atividades	e,	por	consequência,	deseja	algo	em	troca.	O	mundo	atual	vive	
esse	dilema,	pois	alguns	países	geram	infraestrutura	com	base	em	empréstimos	de	outros	
países	 que	 acreditam	 que	 receberão	 o	 dinheiro	 emprestado	 acrescido	 de	 um	 prêmio,	 os	
juros.	O	sistema	monetário	atual	vive	e	funciona	à	base	dos	juros.	
O	crédito	consiste	no	ato	de	confiar,	acreditar,	a	confiança	faz	parte	do	nosso	cotidiano,	
convivemos	em	sociedade	porque	acreditamos	que	os	outros	agirão	de	acordo	com	
regras	 ou	padrões	 socialmente	 estabelecidos,	 ou	 seja,	 quando	atravessamos	 a	 rua	
temos	a	confiança	que	o	motorista	respeitará	o	sinal.	(MAIA,	2007,	p.	11)
Quadro 1 - Modalidades de crédito
•	 Aquisição	de	outros	bens
•	 Aquisição	de	veículos
•	 Cheque	especial
•	 Crédito	pessoal	consignado	INSS
•	 Crédito	pessoal	consignado	privado
•	 Crédito	pessoal	consignado	público
•	 Crédito	pessoal	não	consignado
•	 Desconto	de	cheques
•	 Financiamento	imobiliário	com	taxas	reguladas
Fonte: Adaptado de Banco Central do Brasil (2013).
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Do	ponto	de	vista	de	alguns	consumidores	o	 importante	é	ter	crédito	para	ter	acesso	
a	 bens	 e	 serviço	 independente	 de	 taxa	 de	 juros.	 Esse	 pensamento	 está	 mudando,	 os	
consumidores	 estão	 começando	 a	 perceber	 a	 importância	 não	 apenas	 de	 conseguirem	 o	
crédito,	mas	manter	o	crédito	ao	longo	do	tempo.
Muitas	interpretações	são	dadas	ao	crédito,	mas	o	mais	importante	em	nossa	concepção	
é	 fazer	uso	do	crédito	de	forma	consciente	atentando	principalmente	para	a	taxa	de	 juros	
envolvida	na	transação	comercial.
Atente	para	a	interpretação	de	crédito	abaixo:
Em	 um	 banco,	 que	 tem	 a	 intermediação	 financeira	 como	 a	 principal	 atividade,	 o	
crédito	consiste	em	colocar	à	disposição	do	cliente	(tomador	de	recursos)	certo	valor	
sob	a	forma	de	empréstimo	ou	financiamento,	mediante	a	promessa	de	pagamento	
numa	data	futura.	(SILVA,	1998,	p.	63)
A	concessão	de	crédito	é	uma	das	ações	desenvolvidas	pelos	bancos	e	que	estabelece:
•	 as	pessoas	ou	empresas	que	receberão	crédito;
•	 os	limites	desse	crédito;
•	 elementos	e	fatores	que	determinaram	o	crédito;
•	 como	deve	ocorrer	a	negociação	entre	tomadores	e	emprestadores	do	dinheiro.
O	crédito	para	pessoas	físicas	é	distinto	do	crédito	para	pessoas	jurídicas.
Para	as	pessoas	físicas	o	crédito	está	relacionado	ao	consumidor	final	e	permite	que	ele	
goze	de	bens	e	serviços	mesmos	sem	possuir	uma	reserva	financeira.	
Quadro1 – Bens e serviços
Automóvel
Adquirir o automóvel sonhado
 Eletrodomésticos
Eletrodomésticos necessários.
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Viagem
Uma viagem.
Caixa de presente
Um presente
Dessa	forma,	as	pessoas	físicas	poderão	desfrutar	de	bens	ou	serviços	aos	quais	talvez	de	
outra	forma	não	tivessem	acesso	ou	aguardariam	muito	tempo	para	adquiri-los.
Refletindo,	podemos	concluir	que	o	crédito,	quando	bem	estruturado	pelo	consumidor,	
tendo	consciência	do	que	pode	pagar,	gera	um	excelente	papel	social	na	economia.
Agora,	 o	 crédito	 para	 pessoa	 jurídica	 tem	 outro	 âmbito.É	 na	 verdade	 um	 crédito	
comercial	que	pode	focar	em:	
•	 crédito	 para	 cobertura	 de	 liquidez,	 ou	 seja,	 operações	 vinculadas	 a	 curto	 prazo,	
necessário	para	situações	não	esperadas	ou	até	para	possuir	uma	reserva	constante;
•	 crédito	para	operações	 comerciais,	normalmente	 caracterizado	por	 curto	e	médio	
prazo;
•	 crédito	para	investir,	voltado	a	financiamento	de	ativos	fixos,	caracterizado	a	médio	
e	longo	prazo.
Não	é	nossa	pretensão	englobar	todos	os	possíveis	tipos	de	crédito,	mas	sim	destacar	a	
importância	de	seu	uso	consciente,	de	forma	a	manter	o	crédito	por	longo	tempo,	tanto	para	
pessoas	físicas	como	para	pessoas	jurídicas.
Para	 saber	mais	 sobre	 o	 assunto	 leia	 o	 livro	Administração Financeira e 
Orçamentária,	 de	Masakazu	Hoji	 (2008).	O	 autor	 aborda	 a	 relação	 de	 crédito	
enfatizando	os	critérios	de	concessão.
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2 Investimentos
Para	 abordarmos	 investimentos,	 devemos	 dar	 atenção	 especial	 ao	 risco.	O	 risco	 está	
relacionado	ao	retorno	do	 investimento	e	a	outros	fatores	entre	a	capacidade	e	tempo	de	
recuperar	o	prejuízo	caso	ocorra.	No	tópico	anterior	detalhamos	crédito	tanto	para	pessoas	
físicas	 como	 para	 pessoas	 jurídicas.	 Para	 as	 pessoas	 jurídicas	 o	 crédito	 também	pode	 ser	
utilizado	 para	 investimento	 e	 também	 pode	 representar	 um	 risco.	 Trata-se	 de	 um	 risco	
especial,	o	risco	de	mercado	em	que	uma	variação	no	quadro	econômico	tanto	no	país	como	
no	exterior	pode	influenciar	no	mercado	de	investimentos.	Atente	para	a	citação:
Também	conhecido	como	risco	sistemático.	É	qualquer	risco	que	afeta	grande	numero	
de	 ativos,	 em	maior	 ou	menor	 grau.	 Por	 exemplo,	 a	 incerteza	 sobre	 as	 condições	
econômicas	gerais,	representadas	por	produto	nacional,	taxas	de	juros	e	de	inflação	
afeta	praticamente	todas	as	empresas,	com	alguma	intensidade.	(HOJI,	2004,	p.	23)
É	necessário	posicionar-se	em	relação	a	investimentos	de	forma	a	saber	quando	investir,	
onde	investir	e,	acima	de	tudo,	avaliar	os	riscos	de	todo	investimento.	A	análise	de	riscos	é	um	
dos	fatores	que	mais	pode	atrair	ou	afastar	investidores.	Investir	na	bolsa	de	valores	dinamiza	a	
economia	e	nosso	país	e	está	começando	a	alinhar-se	nesse	aspecto.	Recentemente,	tivemos	
adequação	da	lei	6404/761		adaptando-se	com	a	lei	11.638/072		e	às	normas	internacionais	
de	contabilidade	cuja	uma	das	intenções	foi	a	atrair	investimentos	ao	país.	
Para	o	pequeno	investidor	existe	a	necessidade	de	contratar	uma	corretora	para	que	possa	
ter	acesso	aos	sistemas	de	negociação	e	poder	comprar	e	vender	ações.	A	corretora	irá	traçar	
o	perfil	do	investidor	indicando	que	ações	são	viáveis	articulando	ao	capital	disponibilizado	
para	esse	tipo	de	negócio.	Porém,	é	 importante	destacar	que	em	toda	aquisição	de	ações	
sempre	haverá	o	 risco.	Dependendo	do	perfil	 do	 investidor	outras	opções	 são	oferecidas.	
Ente	os	tipos	de	investimentos	temos:
•	 tesouro	direto;	CRI;	ações;
•	 debêntures;	fundo	de	índices;
•	 fundo	de	investimentos.
Cada	 investidor	 deve	 escolher	 criteriosamente	 os	 investimentos	 que	 se	 encaixam	
em	seu	perfil	de	risco.	O	nível	de	tolerância	ao	risco	depende	de	cada	um.	Porém,	
se	for	um	jovem	com	idade	em	torno	de	30	anos,	pode	correr	mais	riscos	que	um	
senhor	de	50	anos,	que	está	próximo	de	se	aposentar,	pois	caso	realize	prejuízo	em	
um	investimento	mais	arriscado,	terá	mais	tempo	para	compensar	o	prejuízo	com	os	
rendimentos	mis	altos	obtidos	em	outros	rendimentos.	(HOJI,	2007,	p.	105)
1	Lei	6404/76	–	Dispõe	sobre	as	sociedades	por	ações.
2	Lei	11.638/07	–	Nova	lei	das	sociedades	anônimas.
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Na	citação	fica	explícita	a	necessidade	de	o	 investidor	adaptar	as	opções	do	mercado	
financeiro	de	acordo	com	suas	disponibilidades	e	perfil,	inclusive	etário.
	
Para	saber	mais	sobre	o	assunto,	o	site	da	BM&F	BOVESPA	(<http://www.
bmfbovespa.com.br>)	disponibiliza	informações	sobre	o	mercado	de	ações,	assim	
como	tipos	de	investimentos	oferecidos,	são	disponibilizados	também	cursos	on-
line	articulados	ao	mercado	financeiro.
3 As razões para conquistar e/ou manter nosso patrimônio
O	enfoque	dado	nesse	 contexto	 a	patrimônio	está	 ligado	à	 conquista	de	 imóvel	 após	
determinado	tempo	de	atividades.	Corresponde	à	preocupação	de	conquistar	uma	residência	
própria	quando	atingir	determinada	faixa	etária.	
Posiciona-se	a	necessidade	de	possuir	um	“canto”	próprio	para	não	ser	dependente	de	
outros,	como	filhos,	irmãos,	etc.
Um	ponto	importante	a	ser	destacado	é	manter	o	patrimônio,	não	apenas	a	manutenção,	
mas	também	não	envolver-se	em	dívidas	como	fiador,	comprometendo	o	patrimônio.
Investir	no	patrimônio	com	reformas,	no	caso	de	casa	ou	apartamento,	é	
uma	atitude	de	valorização	dos	imóveis.	
Criar	possibilidades	para	adquirir	outra	residência,	na	praia	ou	interior,	contribuirá	para	
ampliar	o	patrimônio	pessoal	ou	da	família.
Considerações finais
Vimos	o	significado	do	dinheiro	para	algumas	pessoas	e	seu	papel	como	meio	de	troca.	
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Enfatizamos	o	papel	do	crédito	tanto	para	pessoas	físicas	como	para	pessoas	jurídicas	e	suas	
aplicações	 respectivamente.	 Abordamos	 o	 contexto	 essencial	 para	 tornar-se	 investidor	 e	
salientamos	sobre	os	riscos.	Entre	eles	os	tipos	de	investimentos	oferecidos:
• Renda Fixa do Tesouro Direto	–	são	títulos	públicos	federais	emitidos	pelo	Tesouro	
Nacional.
• CRI – Certificados de recebíveis imobiliários	–	são	títulos	a	longo	prazo,	lastreados	
em	créditos	imobiliários.
• Debênture	–	títulos	de	crédito	de	médio	e	longo	prazo	emitidos	por	uma	empresa.
• Ações	 –	 correspondem	 a	 pequenos	 papéis	 que	 representam	 parte	 do	 capital	 da	
empresa.
• Fundo de Índice	 –	 são	 fundos	 formados	 por	 ações	 de	 diversas	 empresas,	 que	
acompanham	o	movimento	dos	principais	índices	da	Bolsa.
• Fundo de Investimento Imobiliário	 –	 fundos	que	 investem	em	empreendimentos	
imobiliários.	O	retorno	do	capital	investido	se	dá	por	meio	da	distribuição	de	resultados	
do	Fundo	(BM&FBOVESPA,	2013).
Referências
BM&FBOVESPA.	Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros.	Disponível	em:	<	www.bmfbovespa.
com.br>.	Acesso	em:	set.	2013.
BMFBOVESPA.	Tipos de investimentos.	 Disponível	 em:	 <http://www.bmfbovespa.com.br/pt-
br/intros/intro-tipos-de-investimentos.aspx?idioma=pt-br>.	Acesso	em:	set.	2013.
BANCO	CENTRAL	DO	BRASIL.	O que é dinheiro?	Cadernos	BC.	Serie	Educativa.	Disponível	em:	
<https://www.bcb.gov.br/Pre/educacao/cadernos/dinheiro.pdf	>.	Acesso	em:	out.	2013.
HOJI,	M.	Finanças da Família:	o	caminho	para	a	independência	financeira.	São	Paulo:	Profitbooks,	
2007.
________. Administração Financeira e Orçamentária.	São	Paulo:	Atlas,	2008.
MAIA,	A.	do	S.	R.	S.	Inadimplência e recuperação de créditos.	Dissertação	de	Mestrado.	UFRG,	
Escola	de	Administração,	Programa	de	Pós-Graduação,	Londrina,	PR,	2007.
SILVA,	J.	P.	da.	Gestão e análise de risco de crédito.	São	Paulo:	Atlas,	1998.
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Aula 10
O Papel do Mercado Financeiro
Objetivos Específicos
•	 Compreender	o	mercado	financeiro	e	SFN.
Temas
Introdução
1	Mercado	financeiro
2	Mercado	monetário	e	de	crédito
3	Sistema	Financeiro	Nacional
Considerações	finais
Referências
Professor
Carlos Alberto de Souza Cabello
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Introdução
Nesta	 aula	 focaremos	 o	 mercado	 financeiro	 e	 sua	 influência	 na	 economia	 do	 país.	
Explicitaremos	suas	subdivisões;	mercado	monetário	e	mercado	de	crédito.	
Abordaremos	 as	 relações	 do	mercado	monetário	 com	 taxa	 de	 juros,	 prazo	 e	 tempo.	
Quanto	ao	mercado	de	crédito,	 veremos	as	prioridades	e	necessidades	de	caixa	a	curto	e	
médio	prazo	envolvendo	os	agentes	econômicos.
1 Mercado financeiro
Para	compreender	as	funções	do	mercado	financeiro	devemos	inicialmente	articular:
Quadro 1 – Funções do mercadofinanceiro
•	 conciliar	poupança	e	empréstimos;
•	 implementar	política	monetária;
•	 viabilizar	o	crédito;
•	 criar	alternativas	de	investimentos.
Fonte: elaborado pelo autor.
As	associações	de	poupança	e	empréstimo	são	constituídas	sob	a	forma	de	sociedade	
civil,	 sendo	 de	 propriedade	 comum	 de	 seus	 associados.	 Suas	 operações	 ativas	
são,	basicamente,	direcionadas	ao	mercado	 imobiliário	e	ao	Sistema	Financeiro	da	
Habitação	(SFH).	As	operações	passivas	são	constituídas	de	emissão	de	letras	e	cédulas	
hipotecárias,	 depósitos	 de	 cadernetas	 de	 poupança,	 depósitos	 interfinanceiros	 e	
empréstimos	externos.	Os	depositantes	dessas	entidades	são	considerados	acionistas	
da	associação	e,	por	isso,	não	recebem	rendimentos,	mas	dividendos.	Os	recursos	dos	
depositantes	são,	assim,	classificados	no	patrimônio	líquido	da	associação	e	não	no	
passivo	exigível.	(Resolução	CMN	52,	de	1967)
Conforme	a	citação	anterior	da	resolução	CMN	52,	podemos	afirmar	que	as	operações	
ativas	em	grande	parte	estão	relacionadas	ao	mercado	imobiliário,	enquanto	as	operações	
passivas	são	focadas	na	emissão	de	letras,	cédulas	hipotecárias	e	depósito	em	caderneta	de	
poupança.
Podemos	deduzir	que	existe	uma	tendência	para	que	o	mercado	se	equilibre	podendo	
atrair	o	aplicador	por	maiores	ganhos,	em	compensação	prejudica	o	tomador,	a	pessoa	que	
solicita	o	empréstimo,	pelos	altos	custos	do	dinheiro.
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Ocorrerá	uma	substituição	da	demanda	por	dinheiro	provocando	a	geração	de	excedente	
de	recursos	que,	em	contrapartida,	provoca	a	redução	da	taxa	de	juros	no	mercado.
Para	ocorrer	o	equilíbrio	do	mercado	é	observada	a	relação	entre	o	volume	do	dinheiro	
necessário	 para	 empréstimos	 pelos	 agentes	 deficitários	 e	 os	 capitais	 disponíveis	 para	
aplicação.	
Figura 1 - Equilíbrio do mercado
 Fonte: elaborado pelo autor.
	Para	saber	mais	sobre	o	assunto	leia	o	capítulo	9	do	livro	Mercado Financeiro 
e de Capitais,	de	Armando	Mellagi	Filho	e	Sério	Ishikawa	(2011,	p.	221).No	tópico	
Análise	de	Crédito	 são	destacadas	as	estratégias	para	monitorar	a	 variação	da	
taxa	de	juros	praticada	no	mercado	à	vista,	com	a	finalidade	de	que	essas	variações	
não	prejudiquem	o	capital	dos	acionistas.
Percebemos	 que	 a	 moeda	 dessas	 operações	 está	 vinculada	 a	 taxa	 de	 juros,	 que	 irá	
depender:
•	 da	mensuração	dos	riscos	da	operação	financeira;
•	 da	taxa	de	inflação;
•	 da	oferta	de	oportunidades	de	investimentos.
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Nesse	 mercado	 existem	 algumas	 possibilidades	 que	 devem	 ser	 elencadas,	 como	
a	 inexistência	 de	 que	 um	 participante	 altere	 os	 preços	 de	 qualquer	 negociação.	 Outra	
característica	 está	 em	 toda	 e	 qualquer	 informação	 sobre	 o	 investimento	 ser	 obtida	
instantaneamente	através	dos	recursos	da	Tecnologia	da	 Informação	e	Comunicação	 (TIC).	
A	composição	desse	mercado	é	de	investidores	racionais	atrás	de	retornos	possíveis	com	o	
mínimo	possível	de	risco	e	que	seu	acesso	é	livre	inexistindo	racionamento	de	capital.
2 Mercado monetário e de crédito
O	mercado	monetário	tem	ênfase	no	controle	de	liquidez	da	economia,	em	que	os	papéis	
são	negociados	referenciados	pela	 taxa	de	 juros.	As	principais	 transações	ocorrem	com	os	
títulos	públicos	federais,	que	são	os	principais	títulos	da	dívida	pública	no	Brasil.
Tabela 1 - Títulos
TITULOS DO TESOURO NACIONAL TITULOS DO BANCO CENTRAL
BTN	-	Bônus	do	Tesouro	Nacional BBC	-	Bônus	do	banco	Central
LTN	-	Letras	do	Tesouro	Nacional LBC	-	Letras	do	Banco	Central
LTF	-	Letras	Financeiras	do	Tesouro
NBC	-	Notas	do	Banco	Central
NTN	-	Notas	do	Tesouro	Nacional
CTN	–	Certificado	do	Tesouro	Nacional
CFT	–	Certificado	Financeiro	do	Tesouro
Fonte: Assaf (2011, p. 61).
O	mercado	monetário	realiza	o	controle	de	liquidez	da	economia	através	das	transações	
comerciais	de	compra	e	venda	de	títulos	públicos.	A	interferência	da	autoridade	monetária,	
comprando	ou	vendendo	títulos,	tem	por	objetivo	controlar	meios	de	pagamentos	retirando	
dinheiro	de	circulação,	tendo	como	ferramenta	a	rentabilidade	da	taxa	básica,	Selic1	,	taxas	
definidas	no	momento	da	compra	ou	acrescentando	variações	do	IGP-M.
Ocorre	também	a	presença	dos	bancos	comerciais	no	mercado	monetário	que	acontece	
via	o	volume	de	depósitos	mantidos	junto	às	autoridades	monetárias.	
Os	bancos	comerciais	conseguem	financiar	sua	participação	nesse	mercado	através	da	
captação	de	depósitos	à	vista	e	 também	disponibilizam	aos	clientes	títulos	de	 sua	própria	
emissão.
A	 intenção	 essencial	 desses	 bancos	 é	 financiar	 aplicações	 de	 ativos	 via	 concessão	 de	
créditos,	geração	de	carteiras	de	títulos	e	valores	mobiliários.
1	SELIC	–	Sistema	Especial	de	Liquidação	e	Custódia	–	aplicado	a	operações	com	títulos	públicos	sob	a	responsabilidade	do	Banco	Central	e	
Associação	Nacional	de	Distribuição	do	Mercado	Aberto.	
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Para	 pessoas	 físicas,	 ao	 optar	 por	 investimentos,	 o	 ideal	 é	 recorrer	 a	 corretoras	 que	
definiram	seu	perfil	possibilitando	um	menor	grau	de	risco.
Ao	 optar	 pelos	 investimentos	 que	 irão	 compor	 sua	 carteira,	 você	 deve	 considerar	
três	principais	 fatores:	sua	meta,	o	horizonte	de	 investimento	e	seu	perfil	de	risco.	
É	sempre	válido	analisá-lo	pela	ótica	da	relação	risco	e	retorno,	Isto	é,	comparar	os	
produtos	financeiros	com	o	 intuito	de	descobrir	qual	oferece	melhor	essa	 relação-	
maior	retorno	e	menor	risco.	(MARTINS,	2010,	p.	35)
No	contexto	do	mercado	monetário	existem	outras	atuações,	uma	delas	é	o	mercado	de	
dívida	externa	que	está	articulada	às	oscilações	de	economias	 internacionais.	Esses	papéis	
são	emitidos	por	economias	dos	países	e	têm	como	credores	organismos	internacionais,	tais	
como	o	FMI2	.
	 Ao	 pleitear	 determinados	 direitos	 quando	 um	 cidadão	 ou	 uma	 empresa	 obtêm	
sucesso	em	um	processo	contra	o	Estado,	ou	seja,	quando	ganha	o	processo	contra	
o	Estado,	o	que	lhe	proporciona	direito	a	uma	indenização,	logo	o	Estado	pode	quitar	
a	dívida	 sem	prejudicar	o	Orçamento	da	União	ou	dos	estados	ou	dos	municípios.	
(MINISTÉRIO	DO	PLANEJAMENTO,	2013,	on-line)
Outra	intermediação	do	mercado	financeiro	na	economia	ocorre	através	do	mercado	de	
crédito.	Esse	mercado	tem	por	objetivo	primordial	atender	as	necessidades	de	caixa	em	curto	
ou	médio	prazo	dos	agentes	econômicos	envolvidos	na	economia.
Os	agentes	econômicos	em	uma	economia	são	as	famílias,	as	empresas	e	
o	próprio	governo	que	irão	responder	a	questões	essenciais	para	a	economia	
–	ou	seja,	Quanto produzir? Como? Para quem produzir?	–	que	constitui	na	
verdade	o	mercado.
As	 operações	 nesse	 mercado	 são	 realizadas	 pelos	 bancos	 comerciais	 e	 bancos	
múltiplos,	que	atuam	através	de	concessão	de	crédito	a	pessoas	físicas	via	empréstimos	ou	
financiamentos.	
Existem	 três	 tipos	 de	 bancos;	 banco	 comercial;	 banco	 de	 investimento	 e	 banco	
múltiplo.	Banco	comercial	é	o	banco	privado	ou	público,	nacional	ou	estrangeiro	de	
uso	cotidiano	das	pessoas	e	das	empresas.	Banco	de	investimento	é	uma	instituição	
financeira	privada,	especializada	em	operações	de	participação	societária	de	caráter	
temporário,	de	financiamento	de	longo	prazo	da	atividade	produtiva.	E	banco	múltiplo	
são	as	instituições	financeiras	que	reúnem	as	funções	de	banco	comercial	e	banco	de	
investimentos.	(FEBRABAN,	2013,	on-line)
2	FMI	(Fundo	Monetário	Internacional)
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A	transação	desse	mercado	também	se	envolve	em	crédito	de	bens	de	consumo	duráveis	
tornando-se,	nessas	condições,	opções	de	crédito	a	longo	prazo.
Nesse	mercado	as	instituições	financeiras	atuam	tanto	como	credor	de	empréstimos	de	
recursos	como	devedor	de	recursos	captados.	
Para	 saber	mais	 sobre	o	 assunto	 leia	 o	 capítulo	5	do	 livro	Operações de 
Crédito no Mercado financeiro	(2000,	p.	87)	de	Edna	Mendes	Ortolani.A	autora	
orienta	as	necessidades	de	crédito	de	empresas	e	detalha	articulando	as	partes	
envolvidas,	credor	e	devedor,	ensinando	os	diversos	processos	de	negociação	em	
que	ocorre	parceria	entre	ambos.
As	 instituições	financeiras	captam	recursos	de	poupadores	e	assume	responsabilidade	
de	devolver	esses	recursos	acrescidos	de	juros,	nesse	caso	a	instituição	é	devedora.
Outra	situação	dessas	 instituições	ocorre	quando	realizam	operações	de	empréstimos	
ou	financiamentos	a	 tomadores	ficando	na	posição	de	credores	na	expectativa	de	receber	
esses	recursos	acrescidos	de	juros.
	 É	 óbvio	 que	 as	 taxas	 envolvidas	 nessas	 transações	 são	 distintas,	 ou	 seja,	 quando	 a	
instituição	é	devedora	a	taxa	paga	é	inferior	do	que	quando	é	credora.
Algumas	modalidades	de	crédito	oferecidas	pelas	instituições	bancárias:	
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Quadro 2 – Modalidades de crédito
Desconto bancário de títulos:	envolve	duplicatas	e	notas	promissórias	que	
servem	como	garantia	na	concessão	de	um	empréstimo.
Contas garantidas:	 consiste	 na	 abertura	 de	 uma	 conta-corrente	 com	 um	
limite	 de	 crédito	 garantido	 pela	 instituição	 bancária,	 é	 o	 conhecido	 cheque	
especial.
Créditos rotativos:	consiste	em	linhas	de	crédito	abertas	pelos	bancos	para	
financiamento	de	curto	prazo.
Operação Hot Money: consiste	em	disponibilizar	recursos	a	curto	prazo	para	
empresas.
Empréstimos para capital de giro e pagamento de tributos:	 recurso	
disponibilizado	 pelos	 bancos	 a	 empresas	 tendo	 como	 garantia	 contratos	 para	
pagamentos	de	tributos.
Fonte: elaborado pelo autor.
Mencionamos	os	tipos	de	créditos	mais	comuns	oferecidos	pelas	instituições	bancárias.	
Nesse	contexto	essas	instituições	propiciam	recursos	para	girar	a	economia,	pois	com	recursos	
tanto	a	curto	como	a	médio	prazo	haverá	investimento	no	setor	produtivo	e	comercial.
3 Sistema Financeiro Nacional
O	Sistema	Financeiro	Nacional	(SFN)	é	composto	por:
•	 Conselho	Monetário	Nacional	(CMN);
•	 Conselho	Nacional	de	Seguros	Privados	(CNSP);
•	 Conselho	Nacional	de	Previdência	Complementar	(CNPC).
Segundo	 o	 Banco	 Central	 o	 CMN	 é	 responsável	 para	 adaptar	 o	 volume	 dos	meios	 de	
pagamento	às	reais	necessidades	da	economia,	regular	o	valor	interno	e	externo	da	moeda.
O	Comitê	de	Política	Monetária	(COPOM)	pode	ampliar	ou	reduzir	a	taxa	de	juros	básicos,	
Selic,	 com	o	objetivo	de	 regular	 a	 demanda	e	oferta	de	produtos	 e	 serviços	para	manter	o	
patamar	da	inflação	estipulado	nas	diretrizes	de	política	econômica	do	governo.	Ele	também	
atua	 na	 regulação	 de	 moeda	 estrangeira	 regulando	 o	 mercado	 primário,	 no	 qual	 ocorrem	
operações	entre	 instituições	financeiras	e	seus	clientes,	e	controla	o	mercado	 interbancário,	
que	regula	as	operações	entre	instituições	financeiras	e	entre	elas	e	o	Banco	Central.	
A	 intervenção	 do	 COPOM	 no	 controle	 da	moeda	 estrangeira	 é	 saudável,	 pois	 diversas	
matérias-primas	são	de	origem	internacional,	o	que	poderia	desencadear	uma	inflação	inercial.
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O	CNSP	é	responsável	por	estabelecer	as	regras	de	contratos	de	seguros	em	previdência	
privada	em	termos	de	critérios	e	composição	das	sociedades	seguradoras.
O	CNPC	é	responsável	por	estabelecer	as	regras	que	regem	e	fiscaliza	entidades	fechadas	
de	previdência	privada	complementar,	fundos	de	pensão.
Para	saber	mais	sobre	o	assunto	leia	o	livro	Sistema Financeiro Nacional:	
parcerias,	alianças	e	inovações	(2007,	p.	52),	de	Carlos	Aníbal	Nogueira,	Rosiléia	
Milagres	e	Hérica	Righi.
A	 equipe	 da	 Fundação	 Dom	 Cabral	 detalha	 a	 importância	 e	 o	 papel	 da	
cooperação	entre	bancos	e	outras	 Instituições,	descrevendo	 instituições	 como	
CNPC	e	CNSP.
Considerações finais
Nesta	aula	abordamos	a	atuação	do	mercado	financeiro	e	suas	influências	na	economia	
do	país.	Compartilhamos	saberes	sobre	mercado	monetário	e	mercado	de	crédito.
Destacamos	 as	 características	 do	mercado	monetário	 e	 sua	 atuação	 para	 as	 pessoas	
físicas	e	jurídicas	articulando	com	as	instituições	bancárias.
Abordamos	também	o	mercado	de	crédito,	suas	influências	na	economia	e	relações	com	
os	bancos	e	serviços	oferecidos.	E	estudamos	o	papel	e	composição	do	Sistema	Financeiro	
Nacional.	
Esperamos	que	você	tenha	compreendido	o	papel	do	sistema	financeiro,	suas	subdivisões	
e	o	quanto	interfere	na	economia	e	na	vida	financeira	não	apenas	das	pessoas,	mas	também	
das	empresas.
Referências
ASSAF	NETO,	A.	Mercado Financeiro.	10	ed.	São	Paulo:	Atlas,	2011.
BACEN.	Banco Central do Brasil.	Disponível	em:	<http://www.bcb.gov.br/pt-br/paginas/default.
aspx>.	Acesso	em:	14	set.	2013.
FEBRABAN.	Federação brasileira dos Bancos.	Disponível	 em:	<http://www.febraban.org.br>.	
Acesso	em:	4	out.	2013.
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MARTINS,	L.	Aprenda a Investir:	saiba	onde	e	como	aplicar	seu	dinheiro.	São	Paulo:	Atlas,	2010.
MINISTÉRIO	PLANEJAMENTO.	Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.	Disponível	
em:	<http://www.orcamentofederal.gov.br/institucional>.	Acesso	em:	6	out.	2013.
ORTOLANI,	E.	M.	Operações de Crédito no Mercado Financeiro.	1.	ed.	São	Paulo:	Atlas,	2000.
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Aula 11
Investimentos versus Riscos
Objetivos Específicos
•	 Identificar	e	analisar	investimentos	e	afinar	condições	de	escolhas.
Temas
Introdução
1	Por	que	investir	e	como	ser	investidor	mesmo	com	pouco	dinheiro
2	Opções	de	investimentos	com	poucos	recursos
3	Como	gerenciar	os	riscos
Considerações	finais
Referências
Professor
Carlos Alberto de Souza Cabello
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Introdução
Iniciamos	 esta	 aula	 enfatizando	 que	 o	 Sistema	 Financeiro	 Nacional	 elabora	 normas	
e	 fiscaliza	 as	 instituições	 envolvidas	 no	mercado	 de	 capitais.	 Essas	 instituições	 atuam	nas	
operações	de	 investimentos	e	riscos.	Mostraremos	algumas	modalidades	de	 investimentos	
assim	como	a	relação	de	riscos	e	retorno.
Ao	 término	 desta	 aula	 desejamos	 que	 você	 reconheça	 as	 principais	 modalidades	 de	
investimentos	e	quais	os	cuidados	necessários	para	ser	um	investidor.
1 Por que investir e como ser investidor mesmo com pouco 
dinheiro
As	razões	para	investir	se	restringem	a	obter	lucro,	e	essa	é	a	razão	do	investimento.	Isso	
não	significa	que	para	ser	investidor	é	preciso	ter	muito	dinheiro,	existem	aplicações	as	quais	
não	há	necessidade	de	muito	capital.	O	objetivo	desta	aula	é	demonstrar	que	para	investir	é	
vital	diferenciar	os	investimentos	quanto	à	natureza.	Os	investimentos	são	classificados	em	
investimento	financeiro	e	investimento	operacional.
Outro	fato	é	o	prazo.	Existem	investimentos	tais	como	ações	que	podem	ser	de	curto,	
médio	e	longo	prazo,	o	que	está	relacionado	à	estratégia	do	investidor.	Um	aspecto	essencial	
em	âmbito	financeiro	é	o	retorno	do	investimento,	afinal	de	contas	investidor	deseja	lucros.	E	
a	relação	é	configurada	em	quanto	maior	o	risco	maior	o	retorno	do	investimento.	
Há	 investimentos	 financeiros	 em	 que	 a	 aplicação	 do	 dinheiro	 ocorre	 em	 ativos	 com	
natureza	financeira:
•	 Certificado	de	Depósito	Bancário	(CDB);
•	 fundo	de	investimento	em	renda	fixa;
•	 letras	do	tesouro	nacional(LTN);
•	 caderneta	de	poupança.
São	ativos	categorizados	como	de	liquidez	imediata,	o	que	significa	que	podem	se	tornar	
dinheiro	em	pouco	tempo.	Os	investimentos	com	natureza	financeira	são	categorizados	como	
de	renda	fixa	e	de	renda	variável.
É	 essencial	 destacar	 que	 renda	 fixa	 se	 articula	 a	 todo	 tipo	 de	 investimento	 que	 sua	
remuneração	 é	 combinada	 antes,	 é	 como	 se	 fosse	 um	empréstimo,	 a	 pessoa	 que	 investe	
em	renda	fixa	está	adquirindo	um	título	de	dívida	e	empresta	dinheiro	ao	emissor	que,	em	
contrapartida,	lhe	pagará	juros	até	determinada	data	combinada.	
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Renda	 variável	 é	 aquela	 aplicaçãoem	 que	 o	 investidor	 não	 sabe	 o	 quanto	 irá	 ter	 de	
retorno	no	momento	em	que	faz	a	aplicação	e	que	poderá	variar	de	acordo	com	expectativas	
do	mercado.	Dentre	aplicação	de	renda	variável	podemos	citar	ações	e	commodities	(ouro,	
moeda).
1.1 Os investimentos de renda fixa
Um	 CDB	 corresponde	 a	 um	 título	 emitido	 por	 uma	 instituição	 financeira	 com	 prazo	
determinado	e	taxa	prefixada	ou	pós-fixada.	Uma	característica	essencial	desse	tipo	de	título	
é	que	podem	ser	comercializados	por	terceiros.
Outro	 investimento	 considerado	 investimento	 financeiro	 corresponde	 a	 Fundos de 
Renda Fixa que	são	administrados	por	instituições	especializadas	mediante	a	cobrança	de	taxa	
administrativa,	essa	taxa	pode	variar	de	0,5%	ao	ano	a	3%	ao	ano	variando	de	instituição	para	
instituição.	Nesse	tipo	de	título	o	investidor	passa	a	ser	proprietário	de	cota	do	patrimônio	
líquido	do	fundo,	que	é	uma	pessoa	jurídica	diferente	do	banco.	
Nesse	tipo	de	investimento	temos	também	títulos	de	dívida	pública	e	debêntures.	
As	 debêntures,	 também	 chamadas	 obrigações	 ao	 portador,	 são	 títulos	 de	 crédito	
causais,	que	representam	frações	do	valor	de	contrato	de	mútuo,	com	privilégio	geral	
sobre	bens	sociais	ou	garantia	real	sobre	determinados	bens,	obtidos	pelas	sociedades	
anônimas	no	mercado	de	capitais.	(REQUIÃO,	2009,	p.	85)
Atente	que	as	debêntures	são	títulos	de	crédito	com	garantia	real	sobre	determinados	
bens.
Um	investimento	popular	com	menor	grau	de	risco	é	a caderneta de poupança na	qual	
todos	os	bancos	remuneram	a	mesma	taxa	de	rendimento	articulado	a	TR	(Taxa	de	Referência),	
adicionando	0,5%	mensalmente.	A	posição	da	caderneta	de	poupança	atual:
A	poupança	foi	uma	opção	de	investimento	muito	utilizado	no	passado,	mas,	com	a	
popularização	dos	fundos	DI1	,	ela	perdeu	seu	espaço.	Motivos	para	isso	são	a	baixa	
rentabilidade	alcançada	(muito	próxima	da	inflação)	e	a	perda	de	rentabilidade	para	
saques	 fora	 do	 vencimento,	 perda	 não	 ocasionada	 nos	 fundos	 DI	 e	 renda	 fixa,	 os	
quais	possuem	rentabilidade	muito	superior,	dependendo	da	taxa	de	administração	
cobrada.	(MARTINS,	2010,	p.	95)
Com	 base	 nessa	 citação	 se	 percebe	 que	 ultimamente	 outras	 opções	 estão	 sendo	
oferecidas	mesmo	para	o	pequeno	investidor.	Porém	é	interessante	destacar	que	para	pessoa	
física	 a	 poupança	 é	 isenta	 do	 IR,	 imposto	 de	 renda,	 o	mesmo	 não	 acontece	 para	 pessoa	
jurídica.
1	Fundos	DI	–	fundos	semelhantes	aos	fundos	de	renda	fixa	que	se	propõem	a	remunerar	os	cotistas	de	acordo	com	a	variação	da	taxa	de	
Certificado	de	Depósito	Interbancário	(CDI),	títulos	negociados	entre	instituições	financeiras	que	acompanham	a	variação	da	taxa	Selic.
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1.2 Os investimentos de renda variável
Dentre	os	investimentos	de	renda	variável	podemos	mencionar:
•	 ações;
•	 ouro;
•	 fundos	de	renda	variável.
As	ações	 são	negociadas	nas	bolsas	de	valores	e	 significam	títulos	 representativos	do	
capital	 das	 companhias	 de	 capital	 aberto,	 ou	 seja,	 sociedades	 anônimas.	 Nesse	 caso	 as	
ações	variam	em	função	do	tempo	e	dependem	também	de	fatores	relacionados	à	situação	
econômica	do	país,	cenários	econômicos	dentre	outros.
O	ouro	está	articulado	à	cotação	internacional,	e	as	negociações	podem	ser	realizadas	
através	de	certificados	que	são	emitidos	por	entidades	credenciadas	pelo	Banco	Central.
Fundos	de	renda	variável	juridicamente	são	similares	aos	fundos	de	renda	fixa,	mas	os	
resgates	podem	ser	realizados	a	qualquer	momento.
Esses	 tipos	 de	 investimentos	 podem	 proporcionar	 rendimentos	 vantajosos,	 porém	
podem	sofrer	perdas	significativas,	oferecem	bons	retornos,	mas	são	investimentos	de	riscos	
elevados.
Dos	 investimentos	exibidos	se	percebe	que	podem	ser	direcionados	tanto	a	empresas	
como	a	famílias,	dependerá	do	grau	de	risco	versus	o	retorno.
As	razões	que	nos	levam	a	investir	são	diversas:	quem	não	deseja	comprar	uma	casa?	
Oferecer	boa	 formação	educacional	aos	filhos	ou	a	 si	próprio?	Criar	uma	estrutura	para	a	
aposentadoria,	entre	outros?
Quando	 pensamos	 em	 investimentos	 significa	 que	 desejamos	 ter	 retorno.	 Mas	 para	
conseguir	o	 retorno	é	essencial	que	 tenhamos	consciência	que	 iremos	adiar	um	consumo	
presente	para	no	futuro	ter	mais	dinheiro	para	consumir.	
Dentre	 os	 diversos	 fatores	 envolvidos	 em	 um	 investimento,	 a	 relação	 entre	 retorno	
e	 risco	 é	 fundamental.	 Essa	 relação	 é	 diretamente	 proporcional,	 ou	 seja,	 quanto	maior	 o	
retorno	desejado	maior	o	risco.	Devemos	identificar	onde	investir,	como	investir	e	até	quando	
investir.	Atente	para	esta	citação.
Ao	optar	pelos	 investimentos	que	 irão	compor	 tal	 carteira,	 você	deverá	considerar	
três	principais	 fatores:	 sua	meta,	o	horizonte	de	 investimentos	e	o	perfil	de	 riscos.	
É	 sempre	 válido	 analisá-los	 pela	 ótica	 da	 relação	 risco	 e	 retorno,	 isto	 é,	 comparar	
produtos	 os	 produtos	 financeiros	 com	 o	 intuito	 de	 descobrir	 qual	 oferece	melhor	
relação-	maior	retorno	e	menor	risco.	(MARTINS,	2010,	p.	91)
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Fica	evidente	que	a	relação	risco-retorno	deve	ser	ponderada.	Outro	fator	a	que	devemos	
nos	atentar	é	aplicar	em	investimentos	que	nos	dê	maior	liquidez,	pois	emergência	é	um	fato	
inerente	a	qualquer	pessoa,	mesmo	sendo	investidor.
Antes	 de	 qualquer	 investimento	 é	 necessário	 traçar	 nossos	 objetivos.	 Identifique	 os	
objetivos	de	curto	prazo	e	de	longo	prazo.	
•	 Objetivos de curto prazo	são	aqueles	que	você	gostaria	de	alcançar	em	até	um	ano,	
estão	direcionados	a	um	intervalo	pequeno	de	tempo,	tais	como:	férias,	possíveis	emergências.	
•	 Os objetivos de longo prazo	são	aqueles	mais	elaborados,	que	exigem	mais	paciência	
como	uma	complementação	para	aposentadoria,	o	pagamento	da	faculdade	de	seus	filhos	ou	
a	aquisição	da	casa	própria.
Para	ser	um	investidor	de	poucos	recursos	o	 ideal	é	antes	de	tomar	qualquer	decisão	
entender	 seu	 perfil,	 ou	 seja,	 quais	 opções	 estão	 relacionadas	 ao	 montante	 de	 recursos	
disponíveis.	É	aconselhável	para	o	investidor	com	poucos	recursos	um	investimento	conhecido,	
pois,	quanto	menos	conhece	sobre	o	investimento,	maior	será	o	risco.
2 Opções de investimentos com poucos recursos
Cada	investimento	estará	associado	ao	contexto	econômico,	à	aquisição	de	um	imóvel	
em	tempos	de	elevada	 inflação	pode	ser	um	 investimento	muito	atraente.	O	 investimento	
em	imóveis	poderá	estar	associado	ao	grau	de	utilização,	ao	interesse	de	retorno	em	termos	
de	valorização	ou	até	mesmo	para	criar	um	rendimento	constante	em	forma	de	aluguel.	Para	
um	investidor	que	não	esteja	 inserido	nessas	condições,	 investir	em	imóveis	não	será	uma	
boa	opção.
Outra	opção	é	a	caderneta	de	poupança.	Durante	alguns	anos	ela	foi	uma	boa	opção	para	
pequenos	investidores.	É	um	investimento	de	baixo	risco	e	por	consequência	baixo	retorno,	
porém	o	investidor	pagará	IR	sobre	os	juros	auferidos	na	aplicação.	Sempre	foi	incentivado	
pelo	governo,	pois	os	 recursos	da	caderneta	de	poupança,	quando	não	são	sacados	pelos	
poupadores,	 são	utilizados	pelo	Sistema	Financeiro	de	Habitação	 (SFH).	 Lembrando	que	o	
investimento	correto	é	aquele	que	aproxima	você	de	seus	objetivos.
Um	dos	atrativos	da	caderneta	de	poupança	é	a	não	exigência	de	um	valor	mínimo	para	
aplicar.	Outra	característica	interessante	é	que	os	rendimentos	são	calculados	mensalmente	
e	 creditados	 na	 data	 de	 aplicação,	 a	 data	 de	 aniversário	 da	 caderneta.	 Outra	 dúvida	 que	
paira	sobre	a	cabeça	do	pequeno	investidor	é	quanto	deve	guardar	por	mês.	O	importante	é	
guardar	sempre	de	forma	disciplinada	lembrando	sempre	a	taxa	de	retorno.	Caso	seu	desejo	
seja	um	retorno	acima	de	40%,	você	deverá	aplicar	em	outros	 investimentos,	não	adianta	
ficar	em	investimentos	conservadores,	como	a	caderneta	de	poupança.
O	 retorno	ou	 rentabilidade	do	 investimento	caracteriza	o	 lucro	ou	a	perda	obtida	emEducação Financeira
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determinada	aplicação.	Para	identificar	se	está	ganhando	ou	perdendo,	compare	sempre	o	
valor	inicial	do	investimento	com	o	valor	na	data	final	dessa	aplicação.
Outro	 fator	 interessante	 é	 diversificar	 sempre	 as	 aplicações	 lembrando	 que	 essa	
diversificação	está	presa	aos	seus	objetivos	e	aceite	do	risco.	
Você	deve	ficar	atento	a	alguns	detalhes,	caso	as	taxas	de	juros	na	economia	caiam,	as	
ações	tenderão	a	subir,	pois	ficam	mais	atraentes	do	que	as	aplicações	em	renda	fixa.
Para	saber	mais	sobre	o	assunto	leia	o	capítulo	7	do	livro	Investimentos à 
prova de crise,	de	Marcos	Silvestre	(2013,	p.	127).	O	autor	aborda	como	é	possível	
realizar	seus	investimentos	sem	abrir	mão	de	uma	elevada	segurança	e	solidez,	
mesmo	 com	 a	 crise	 e	 ganhar	 até	 seis	 vezes	 mais	 do	 que	 com	 aplicações	
convencionais.
Existem	 diversas	 opções	 para	 investimento,	 tais	 como	 mercado	 cambial,	 renda	 fixa,	
títulos	públicos	negociados	pela	Internet,	ações	e	outras.	Porém,	é	essencial	saber	que	essas	
outras	opções	podem	retornar	um	rendimento	maior,	mas,	entretanto,	o	 risco	será	maior.	
Nesses	casos	há	a	necessidade	da	intermediação	de	uma	corretora	que	identificará	seu	perfil	
elaborando	o	investimento	adequado	ao	seu	volume	de	recursos	articulando	com	o	prazo	e	
o	risco.
3 Como gerenciar os riscos
Tanto	para	investidores	experientes	como	para	novatos,	gerenciar	o	risco	de	uma	aplicação	
é	a	chave	do	sucesso	ou	do	fracasso.	O	risco	para	o	mercado	financeiro	deve	ser	entendido	
como	a	probabilidade	de	perda	em	razão	de	exposição	ao	mercado.	É	interessante	destacar	
que	probabilidade	é	um	dos	ramos	da	estatística	que	estuda	a	mensuração	da	incerteza	de	
um	experimento.	Isso	deixa	evidente	que	as	mensurações	dos	riscos	são	probabilísticas.
Sabendo	que	o	risco	não	pode	ser	eliminado	o	interessante	é	identificar	seus	aspectos	
mais	frágeis	e	estudar	como	minimizá-lo.
Dentre	 os	 riscos	 financeiros	 que	 são	 enfrentados	 por	 bancos	 e	 investidores	 temos	 a	
variação	da	taxa	de	juros,	o	risco	do	crédito,	do	mercado,	do	câmbio	que	está	associado	à	
economia	internacional.
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Desde	que	não	seja	possível	ou,	muitas	vezes,	desejável	eliminar	totalmente	o	risco,	
é	 importante	que	a	 instituição	financeira	planeje	 	 	uma	boa	administração	de	seus	
riscos,	 avaliando	 o	 potencial	 de	 perda	 possível	 associada	 a	 um	 evento	 (alteração	
de	preços	ou	de	taxas	de	mercado,	por	exemplo)	e	sua	respectiva	probabilidade	de	
ocorrência.	(ASSAF,	2011,	p.	134)
Fica	 evidente	 que	 os	 riscos	 estão	 associados	 a	 alterações	 nem	 sempre	 controladas	 e	
muitas	vezes	não	há	como	interferir	em	determinados	eventos.
Para	saber	mais	sobre	o	assunto	leia	o	capítulo	6	do	livro	Gestão Estratégica 
do Risco. Uma referência para a tomada de riscos empresariais	(2009,	p.	111-
140),	de	Aswath	Damodaran.	
O	autor	aborda	como	o	valor	é	ajustado	ao	risco	associando	as	perdas	aos	
riscos	e	estes	como	oportunidades.
Um	fator	essencial	na	avaliação	do	risco	é	o	prazo	que	temos	para	resgatar	o	dinheiro,	
destacando	que	as	aplicações	que	apresentam	maior	risco	propiciam	maior	retorno.	Dentre	
as	 aplicações	mais	 arriscadas	 estão:	 renda	 fixa	 pré-fixada,	 que	 ao	 contrário	 do	 que	muita	
gente	pensa	provocará	perdas	financeiras	quando	o	 investidor	sacar	antes	do	vencimento,	
enfatizando	 que	 todos	 os	 riscos	 estão	 associados	 às	 variáveis	 do	 ambiente	 nacional	 e	
internacional.	
Um	detalhe	importante	é	que	todos	da	sua	família	devem	saber	que	você	está	fazendo	
aplicações.	Dentre	os	diversos	tipos	de	riscos	alguns	impactam	com	maiores	consequências	
para	o	investidor.	Para	um	investidor	de	aplicação	convencional	uma	variação	na	taxa	de	juros	
pode	significar	um	desastre.	Essa	catástrofe	não	se	limita	apenas	ao	pequeno	investidor.	Para	
uma	instituição	financeira,	ocorre	quando	há	desarmonia	da	taxa	de	juros	entre	aplicações	e	
captações.
É	 importante	 enfatizar	 que	 uma	 aplicação	 em	 título	 pré-fixado	 é	 aquela	 em	 que	 o	
investidor	 conhece	 previamente	 a	 taxa	 de	 retorno,	 ou	 fica	 sabendo	no	momento	 em	que	
realiza	a	aplicação.	Para	esses	títulos	não	há	indexador.
Para	aplicações	pós-fixadas	ocorre	o	inverso,	ou	seja,	o	investidor	só	conhecerá	o	retorno	
da	aplicação	na	data	de	vencimento	e	a	rentabilidade	varia	de	acordo	com	o	indexador.
Um	indexador	econômico	é	um	índice	de	reajuste,	que	é	usado	também	para	corrigir	a	
desvalorização	da	moeda.
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Atente:
Admita,	por	exemplo,	uma	instituição	financeira	que	tenha	aplicado	$	100	milhões	na	
concessão	de	créditos	com	prazo	de	dois	anos.	Para	financiar	estes	ativos,	o	banco	
captou	o	mesmo	montante	de	$	100	milhões	com	prazo	de	resgate	de	um	ano.	(ASSAF,	
2011,	p.	134)
Tal	fato	deixa	clara	uma	desarmonia	entre	ativos	e	passivos	do	banco	ficando	evidente	o	
risco	de	variação	das	taxas	de	juros.
Há	também	riscos	de	crédito,	quando	ocorre	possibilidade	de	uma	instituição	financeira	
não	receber	os	valores	prometidos	pelos	títulos	mantidos	em	sua	carteira.	Sem	contar	o	grau	
de	credibilidade	gerado	além	das	despesas	administrativas	do	pessoal	envolvido	no	processo	e	
a	remuneração	dos	acionistas.	Tais	fatos	podem	ocorrer	decorrentes	de	aspectos	regulatórios	
da	própria	política	econômica	do	governo.
Outro	tipo	de	risco	é	o	risco	de	câmbio,	que	as	instituições	que	operam	no	exterior	estão	
sujeitas.	Esse	tipo	de	risco	está	articulado	à	tendência	de	valorização	ou	desvalorização	da	
moeda	do	país	onde	 fatores	 internos	e	externos	 influenciam	esse	risco	é	conhecido	como	
risco	de	variação	cambial.
Os	 riscos	 de	 variação	 cambial	 também	 repercutem	 na	 vida	 das	 pessoas	 não	 apenas	
para	as	empresas.	Para	pessoas	físicas	na	compra	de	medicamentos	importados,	viagens	a	
trabalho,	fatura	do	cartão	de	crédito,	aquisição	de	livros	importados,	principalmente	na	área	
da	saúde.
Para	 pessoas	 jurídicas	 pode	 influenciar	 nos	 gastos	 com	 matérias-primas,	 o	 setor	 de	
dispositivos	de	aparelhos	de	telecomunicação	entre	outros.	
Considerações finais
Nesta	 aula	 demonstramos	 cuidados	 para	 investir	 e	 a	 importância	 do	 investimento,	
salientando	os	principais	tipos	relacionados	ao	perfil	do	 investidor.	Outro	 fator	 importante	
apresentado	 é	 que,	 para	 investir,	 os	mesmos	 cuidados	 tomados	 por	 investidores	 internos	
também	ocorrem	como	investidores	externos.
Mostramos	 alguns	 fatos	 que	 podem	 ocorrer	 ou	 que	 ocorreram	 que	 podem	 afastar	
investidores,	lembrando	que	os	investimentos	não	apenas	propiciam	retorno	aos	investidores,	
mas	possibilitam	recursos	para	geração	de	empregos	e	contribuem	para	o	crescimento	do	
país.
Falamos	também	sobre	o	risco,	esse	fator	é	analisado	em	diversos	aspectos	tanto	para	
investidores	com	poucos	recursos	como	para	investidores	internacionais.	Variação	de	taxas	
de	juros,	acontecimentos	sociais	e	políticos	dentre	outros	incentivam	ou	não	investimentos.	
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É	essencial	destacar	que	quanto	maior	o	investimento	maior	o	risco.	Focamos	também	alguns	
critérios	pertinentes	aos	investimentos	e	aos	riscos	de	investimentos.	
Referências
ASSAF	NETO,	A.	Mercado Financeiro.	10.	ed.	São	Paulo:	Atlas,	2011.
DAMODARAN,	A.	Gestão Estratégica do risco:	uma	referência	para	a	tomada	de	riscos.	Porto	
Alegre:	Bookman,	2009.
HOJI,	M.	Administração Financeira na prática:	 guia	 para	 educação	 financeira	 corporativa	 e	
gestão	financeira	pessoal.	3.	ed.	São	Paulo:	Atlas,	2011.
MARTINS,	L.	Aprenda a Investir:	saiba	onde	e	como	aplicar	seu	dinheiro.	2.	ed.	São	Paulo:	Atlas,	
2010.
MELLAGI	FILHO,	A.;	ISHIKAWA,	S.	Mercado Financeiro e de capitais.	São	Paulo:	Atlas,	2011.
REQUIÃO,	R.	Direito Comercial.	2	vol.	São	Paulo:	Saraiva	2009.
	
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Aula 12
Empréstimos, a Dura Realidade: Como Evitarou Amenizar
Objetivos Específicos
•	 Entender	a	relação	existente	em	empréstimos.
Temas
Introdução
1	Modalidades	de	empréstimos	oferecidos	pelos	bancos
2	Oscilação	nas	taxas	de	juros	nas	operações	de	crédito
3	Efeitos	da	taxa	básica	para	o	consumidor	final
Considerações	finais
	Referências
Professor
Carlos Alberto de Souza Cabello
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Introdução
Nesta	aula	trabalharemos	as	principais	linhas	de	crédito	para	empréstimos	destinados	a	
pessoas	físicas	e	pessoas	jurídicas,	buscando	identificar	características	de	cada	modalidade	e	
refletir	sobre	o	uso	dessas	linhas	de	créditos	oferecidas	pelas	instituições	financeiras.	
O	objetivo	é	oferecer	condições	para	entender	os	diversos	processos	envolvidos	no	preço	
do	crédito	e	suas	diversas	modalidades	oferecidas	tanto	a	pessoas	físicas	como	para	pessoas	
jurídicas.
1 Modalidades de empréstimos oferecidos pelos bancos
É	inegável	que	estamos	vivendo	em	uma	sociedade	de	consumo	e	que	esse	aumento	de	
consumo	é	resultado	das	relações	bancárias	e	de	acesso	a	informações.
A	plena	satisfação	das	necessidades	dos	seres	humanos	diante	da	escassez	dos	recursos	
sempre	 foi	 uma	 das	 bandeiras	 da	 ciência	 econômica,	 e	 a	 excessiva	 facilidade	 ao	 crédito	
amenizou	esse	problema	para	algumas	parcelas	da	sociedade.	
Os	fatos	aqui	apontados	pretendem	esclarecer	que	para	o	acesso	a	determinados	bens	ou	
serviços	são	oferecidos	empréstimos	às	pessoas	físicas	e	até	às	jurídicas.	Algumas	distorções	
entre	empréstimos	para	pessoas	físicas	e	pessoas	jurídicas	são	até	aceitáveis	em	função	de	
riscos	e	condições	de	retorno.	
As	 empresas,	 pessoas	 jurídicas,	 conseguem	 captar	 recursos	 no	 mercado	 de	 capitais	
através	 de	 emissão	 de	 ações	 aumentando	 seu	 capital	 social,	 emitindo	 debêntures	 entre	
outras	opções,	mesmo	sabendo	que	essas	opções	são	limitadas	as	sociedades	anônimas.
Para	as	pessoas	jurídicas	as	modalidades	de	empréstimos	oferecidas	são:
• Desconto de duplicatas:	 relação	existente	entre	a	emissora	da	duplicata	que	cede	
ao	banco	o	direito	de	receber	e	em	contrapartida	recebe	parte	do	valor	dela.	Nesse	
processo	 o	 banco	 faz	 o	 ressarcimento	 da	 duplicata	 já	 realizando	 o	 desconto	 dos	
juros.	A	garantia	para	o	banco	está	articulada	à	própria	conta-corrente	da	empresa,	é	
semelhante	a	um	empréstimo	tendo	a	duplicata	como	garantia.
• Conta garantida:	é	uma	conta	aberta	pelo	banco	destinada	à	empresa	tomadora	em	
que	ela	recebe	um	limite	que	na	necessidade	é	usado	como	empréstimos.
• Empréstimos para capital de giro:	 empréstimos	 oferecidos	 pelos	 bancos	 a	
seus	 clientes,	 pessoa	 jurídica,	 através	 de	 contrato	 em	 que	 figuram	 condições	 do	
empréstimo.
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• ACC e ACE:	adiantamento	sobre	Contrato	de	Câmbio	e	Adiantamento	sobre	Contrato	
de	 Exportação,	 em	 que	 são	 oferecidos	 empréstimos	 pelos	 bancos	 a	 taxas	 mais	
atrativas,	segue	o	mesmo	critério	de	regras	das	duplicatas	descontadas.
• Factoring:	similar	ao	desconto	de	duplicatas,	porém	sem	supervisão	do	banco	central.	
A	empresa	tomadora	cede	direitos	a	crédito	sobre	duplicatas	tendo	em	contrapartida	
o	recebimento	do	valor	líquido	já	descontado	dos	encargos	financeiros.
Percebe-se	que	são	oferecidos	diversos	tipos	e	modalidades	de	empréstimos	a	pessoas	
jurídicas.	 Atente	 que	 as	 modalidades	 oferecidas	 são	 sempre	 calçadas	 em	 garantias	 que	
minimizam	os	riscos,	o	que	justifica	a	taxa	de	juros	ser	inferior	para	pessoas	jurídicas.
Para	pessoas	físicas	as	modalidades	de	empréstimos	oferecidas	são:
• Empréstimo pessoal-banco:	corresponde	ao	realizado	entre	o	banco	e	seus	clientes	
que	oferece	uma	taxa	de	juros	um	pouco	menor	já	que	existe	um	grau	de	risco	menor,	
atentando	que	as	taxas	de	juros	desse	tipo	de	empréstimo	são	inferiores	às	do	cheque	
especial.
• CDC Crédito Direto ao Consumidor:	é	um	tipo	de	crédito	oferecido	pelos	bancos	ou	
financeiras	para	aquisição	de	bens	ou	serviços	(eletrodomésticos,	automóveis,	etc.).
• Empréstimo pessoal-financeiras:	 é	 uma	modalidade	 de	 fácil	 acesso	 podendo	 ser	
amortizada	em	grande	número	de	prestações,	porém	as	taxas	de	juros	são	mais	altas,	
decorrente	do	alto	nível	de	risco	de	inadimplência.
• Cheque Especial:	 fácil	 de	 obter	 com	 os	 bancos	 onde	 é	 oferecido,	 mas	 tem	 a	
desvantagem	de	ser	um	dos	empréstimos	mais	caros	possíveis,	ou	seja,	com	alta	taxa	
de	juros.
• Cartão de Crédito:	percebe-se	que	é	uma	das	taxas	de	juros	mais	altas	cobradas.	Para	
o	consumidor	o	segredo	essencial	é	quando	fizer	uso	do	cartão	de	crédito	liquidar	a	
fatura	integralmente.	Uma	das	alternativas	é	o	empréstimo	pessoal	junto	ao	banco	
onde	é	cliente.
• Empréstimo consignado:	é	um	dos	empréstimos	com	menor	taxa	de	juros	cobrada,	
já	que	a	consignação	da	financeira	com	a	empresa	oferece	um	risco	menor.	Porém	
em	empréstimos	consignados	o	valor	da	prestação	já	vem	descontado	no	salário.	Mas	
é	 interessante	destacar	que	 recentemente	houve	 interferência	do	governo	 federal	
sobre	o	expressivo	número	desse	tipo	de	empréstimos.
• Financiamento direto do comércio:	 é	 um	 tipo	 de	 empréstimo	 oferecido	 pelas	
grandes	redes	de	lojas	e	redes	de	supermercado	fazendo	uso	de	cartão	de	crédito,	
cheques	pré-datados	ou	até	carnê	de	pagamento.	As	grandes	lojas	desvendaram	mais	
um	grande	“nicho”	de	consumidores	atrelados	à	fidelidade	para	com	esse	comércio;	
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as	taxas	não	são	baixas	e	o	consumidor	deve	estar	atento,	mesmo	tendo	facilidades	
de	acesso.
A	 procura	 por	 empréstimos	 deve	 estar	 associada	 à	 capacidade	 de	 assumir	 um	 novo	
compromisso	e	lembrar	que	durante	aquele	período	estará	preso	à	reserva	daquele	capital.	
Um	dos	maiores	problemas	que	desencadeiam	em	inadimplência	ocorre	quando	as	pessoas	
acumulam	dívidas	originárias	de	empréstimos	caracterizando	o	total	descontrole	financeiro.
Ao	 estar	 vinculado	 a	 um	 empréstimo,	 é	 importante	 quitá-lo	 para	 assumir	 outro	
compromisso.	Quando	existe	possibilidade	de	 saldar	 antes	do	prazo,	o	banco	 recalcula	os	
juros	estipulados	no	empréstimo	e	o	tomador	poderá	ter	um	desconto.
Atente	para	o	quadro:
Tabela 1 - Taxas cobradas
LINHA DE 
CRÉDITO
AGOSTO/2013 SETEMBRO/2013
VARIAÇÃO
VARIAÇÃO 
PONTOS 
PERCENTUAIS
TAXA 
MÊS
TAXA 
ANO
TAXA 
MÊS
TAXA 
ANO
Juros comércio 4,11% 62,15% 4,14% 62,71% 0,73% 0,03
Cartão de 
crédito 9,37% 192,94% 9,37% 192,94% 0% 0
Cheque 
Especial 7,81% 146,55% 7,83% 147,10% 0,26% 0,02
CDC Bancos – 
financiamento 
de automóveis
1,61% 21,13% 1,64% 21,56% 1,86% 0,03
Empréstimo 
Pessoal-Banco 3,10% 44,25% 3,12% 44,58% 0,65% 0,02
Empréstimo 
Pessoal-
financeiras
7,03% 125,98% 7,07% 126,99% 0,67% 0,04
Fonte: Anefac (on-line)
Observando	o	quadro,	percebe-se	que	dentre	as	opções	oferecidas	articulando	com	as	
taxas	 de	 juros	para	pessoa	física	o	menos	 abusivo	é	o	 empréstimo	pessoal	 em	banco.	Ao	
analisar	as	taxas	devemos	atentar	para	o	grau	de	risco.	A	necessidade	do	empréstimo	está	
associada	à	desarmonia	entre	receitas	e	despesas.	Atente	para	esta	citação:
Se	a	receita	é	menor	do	que	as	despesas,	apresenta	uma	situação	em	que	há	falta	
de	dinheiro,	 isto	é	déficit	de	caixa.	Para	cobrir	o	déficit de caixa,	 a	pessoa	precisa	
a	 recorrer	ao	empréstimo	ou	vender	ou	resgatar	parte	dos	 investimentos	 (caso	os	
possua).	(HOJI,	2007,	p.	32)
Outra	perspectiva	através	da	análise	muitas	vezes	dependerá	da	taxa	de	juros	cobrada,	
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pode	ser	viável	deixar	de	resgatar	determinado	investimento	e	obter	empréstimos.
Para	saber	mais	sobre	o	assunto	leia	o	capítulo	4	do	livro	Análise de crédito:	
empresas,	 pessoas	 físicas,	 agronegócio	 e	 pecuária,	 de	 José	Odálio	 dos	 Santos	
(2010).	O	autor	analisa	a	relação	de	taxas	de	juros	e	riscos	de	crédito.
2 Oscilação nas taxas de juros nas operações de crédito
	A	oscilação	da	taxa	de	jurosnas	operações	de	crédito	está	articulada	à	elevação	da	taxa	
Selic	que,	em	2013,	já	aconteceu	três	vezes.	A	possível	explicação	dessas	elevações	está	em	
pressões	inflacionárias,	já	que	o	índice	inflacionário	está	acima	das	metas	do	Banco	Central.	
Sendo	assim,	em	termos	de	empréstimos	para	pessoas	físicas	é	recomendável	procurar	
taxas	mais	baixas	e	evitar	cartão	de	crédito	e	cheque	especial.
Um	 fato	 importante	é	que	a	elevação	da	 taxa	de	 juros	é	um	 instrumento	usado	pelo	
governo	para	frear	o	consumo	já	que,	ao	elevar	a	taxa	básica	de	juros	(Selic),	empréstimos	
tanto	em	instituições	financeiras	como	também	em	parcelamentos	em	lojas	ficam	mais	caros,	
e	com	menos	demanda	a	inflação	apresentará	tendência	a	reduzir.
Podemos	concluir	que,	quanto	mais	elevada	a	taxa	de	juros,	menor	é	a	demanda.	Espera-
se	que	com	menos	pessoas	consumindo	bens	e	serviços	os	preços	caiam	e	por	consequência	
a	inflação	reduza.	
Porém,	é	 importante	destacar	que	determinados	mecanismos	na	economia	propiciam	
alguns	efeitos,	entre	eles	o	aumento	da	taxa	de	juros	que	influencia	de	forma	agressiva	na	
viabilidade	de	investimentos,	o	que	surtirá	efeito	na	redução	da	produção	e,	por	consequência,	
em	decisões	de	empréstimos	para	as	famílias.
Para	reforçar	nossas	afirmações	sobre	a	necessidade	de	analisar	taxas	de	juros	antes	de	
assinar	contratos	de	empréstimos	pessoais,	atente	para:
Outra	 linha	 que	 ficou	 ainda	 mais	 salgada	 foi	 o	 cheque	 especial,	 que	 tem,	
tradicionalmente,	 a	 segunda	 taxa	 de	 juros	 mais	 alta	 entre	 as	 cinco	 principais	
modalidades	de	crédito	mais	utilizadas	pelo	brasileiro,	atrás	 somente	do	cartão	de	
crédito.	Em	abril,	mês	em	que	o	BC	deu	início	ao	processo	de	alta	da	Selic,	à	época	em	
7,25%	ao	ano,	os	juros	praticados	nessa	linha	eram,	em	média,	de	143,55%	ao	ano.	
Cinco	meses	depois,	quando	a	taxa	básica	já	havia	subido	para	9%	ao	ano,	os	bancos	
passaram	a	cobrar,	em	média,	147,10%	ao	ano	de	quem	entrasse	no	cheque	especial,	
uma	diferença	de	3,55	pontos.	(ANEFAC,	on-line)
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O	 artigo	 “A	 taxa	 de	 juros	 é	 a	 principal	 causa	 dos	 desequilíbrios	
macroeconômicos	 do	 Brasil	 (e	 ainda	 o	 Copom	 pode	 ser	 substituído	 por	 um	
computador)?”	 menciona	 alguns	 absurdos	 em	 referência	 a	 taxas	 de	 juros	 na	
concessão	de	empréstimos	articulando	a	possibilidade	de	inadimplência.	O	 link 
para	acessar	o	artigo	está	disponível	na	midiateca.
3 Efeitos da taxa básica para o consumidor final
	O	princípio	básico	é	que	um	banco	deseja	lucrar	o	máximo	possível	e	de	preferência	com	
o	menor	risco	possível,	logo	a	redução	da	taxa	básica	Selic1		passa	ser	interessante	aos	bancos,	
emprestar	dinheiro	ao	consumidor.	Lembrem-se,	nessa	situação,	os	bancos	irão	manipular	a	
taxa	de	juros	para	atrair	consumidores	ávidos	por	empréstimos.	Nessas	condições,	o	crédito	
fica	mais	barato.	
Uma	alternativa	para	os	bancos	quando	a	taxa	básica	está	baixa	é	aplicar	recursos	em	
títulos	públicos.	Recentemente,	a	ação	dos	bancos	é	focar	em	segmentos,	produtos	menos	
dependentes	 dos	 juros,	 compensando	 queda	 da	 margem	 financeira.	 Com	 a	 taxa	 Selic		
menor,	os	bancos	investem	em	outros	produtos,	como	seguros,	e	propiciam	aceleração	do	
crescimento	do	crédito	ao	consumidor.
A	 sociedade	 com	 mais	 crédito,	 com	 mais	 dinheiro,	 irá	 circular	 na	 economia	 e,	 por	
consequência,	irá	crescer	a	demanda	por	produtos	e	serviços.
	Caso	a	indústria	não	esteja	preparada	para	suprir	essa	demanda,	tenderá	a	aumentar	os	
preços	gerando	inflação,	e	se	a	indústria	estiver	preparada	para	atender	essa	demanda	por	
produtos	e	serviços,	 infelizmente	alguns	empresários	 irão	aproveitar	a	situação	para	lucrar	
mais	e	aumentarão	os	preços.	
Em	contrapartida,	quando	a	taxa	Selic	está	baixa,	ela	pode	desestimular	esses	investidores	
e	podem	ir	às	compras,	o	que	provocará	aumento	da	inflação.
Sendo	assim,	a	taxa	Selic	quando	aumenta	provoca	a	contenção	do	aumento	generalizado	
de	preços,	a	inflação.	Então,	nós	pensamos,	há	alguma	vantagem	para	os	consumidores?	
Sim,	com	esse	mecanismo	os	bancos	oferecem	mais	crédito	fazendo	com	que	as	pequenas	
empresas	cresçam	e,	por	consequência,	gerem	novos	empregos.
1	Taxa	Selic:	é	a	taxa	básica	de	juros	da	economia	brasileira,	reflete	o	custo	do	dinheiro	para	empréstimos	bancários	com	base	na	remuneração	
de	títulos	públicos.	A	taxa	Selic	regula	diariamente	as	operações	com	títulos	públicos,	que	são	papéis	lançados	pelo	governo	no	mercado	aberto	
(open	market)	para	captação	de	recursos	privados	para	o	setor	público,	podendo	ser	do	Tesouro	Nacional	ou	do	Banco	Central.
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Para	saber	mais	sobre	o	assunto	leia	o	capítulo	2	do	livro	Crédito no Varejo 
para Pessoas Físicas e Jurídicas	de	Sérgio	Kazuo	Tsuru	e	Sérgio	Alexandre	Centa.	
Ibpex	 (2007).	 Numa	 sociedade	 capitalista,	 fica	 evidente	 a	 importância	 das	
atividades	de	crédito	nos	diferentes	segmentos	sociais.	Nesse	contexto,	crédito	
pode	significar,	de	um	lado,	idoneidade	e	boa	reputação	pessoal	e,	de	outro,	a	
realização	de	vendas	em	diferentes	modalidades	ou	ainda	a	possibilidade	de	obter	
de	bancos	ou	outras	instituições	de	crédito	recursos	financeiros	que	viabilizem	a	
sobrevivência	empresarial.	
Esta	obra	pretende	constituir-se	em	um	material	de	apoio	para	as	empresas	
dos	 mais	 diversos	 ramos,	 explorando	 os	 principais	 conteúdos	 envolvidos	 nas	
operações	de	crédito.
Uma	 das	 dicas	 mais	 importantes	 é	 lembrar	 que	 as	 empresas	 estão	 abertas	 para	
renegociação	 de	 dívidas.	O	 cuidado	 para	 o	 consumidor	 é	 analisar	 todas	 as	 despesas	 e	 as	
dívidas	já	assumidas	ou	previstas	antes	de	assinar	qualquer	acordo.	Diante	do	que	foi	exposto,	
é	viável	tentar	uma	negociação	logo,	já	que	para	o	controle	da	inflação	podem	ocorrer	novas	
intervenções	do	Banco	Central	em	relação	à	taxa	básica.	
Considerações finais
Como	vimos,	são	oferecidas	diversas	modalidades	de	empréstimos	tanto	para	as	pessoas	
jurídicas	quanto	para	as	pessoas	físicas.	Apresentamos	também	uma	tabela	recente	com	as	
taxas	 de	 juros	 nos	 produtos	 de	 empréstimos,	 indicando	 tanto	mensal	 como	 anualmente,	
destacando	as	mais	interessantes,	tanto	para	as	pessoas	físicas	como	para	as	pessoas	jurídicas.	
Fizemos	também	uma	análise	da	influência	da	taxa	básica	na	economia	como	um	todo	e	
os	reflexos	nos	empréstimos.	Nesse	sentido,	buscamos	apoiar	o	entendimento	das	ações	do	
banco	central	para	com	empréstimos	e	suas	consequências	diretas	em	produção	e	comércio.
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Referências
ANEFAC.	Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade. 
Disponível	em:	<http://www.anefac.com.br>	.	Acesso	em:	out.	2013.
HOJI,	M.	Finanças da Família:	o	caminho	para	a	independência	financeira.	São	Paulo:	Profitbooks,	
2007.
ODALIO,	J.	dos	S. Análise de Crédito:	Empresas,	Pessoas	Físicas,	Agronegócio	e	Pecuária.	4.	ed.	
São	Paulo:	Atlas,	2010.
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Aula 13
Impactos no Patrimônio: Desarmonia entre Déficit e Superávit
Objetivos Específicos
•	 Identificar	diferenças	entre déficit	e	superávit	que	impactam	no	patrimônio.
Temas
Introdução
1	O	patrimônio	familiar
2	A	contabilização	do	patrimônio	líquido	da	família
Considerações	finais
Referências
Professor
Carlos Alberto de Souza Cabello
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Introdução
Nesta	aula,	abordaremos	duas	visões	de	patrimônio:	patrimônio	da	família	em	termos	
de	bens	conquistados	ao	longo	do	tempo	e	que	pode	estar	associado	à	cultura	familiar.	Para	
algumas	 famílias,	 o	 patrimônio	 está	 articulado	 à	 base	 educacional,	 a	 propiciar	 aos	 filhos	
uma	renda	através	de	aluguel	de	um	apartamento	ou	de	uma	casa.	Para	outras	famílias,	o	
investimento	na	educação	dos	filhos	representa	a	garantia	futura	de	um	bom	padrão	de	vida.	
Destacaremos	também	o	patrimônio	no	contexto	contábil,ou	seja,	o	patrimônio	líquido	
em	termos	de	entradas	e	saídas,	em	que	o	comparamos	com	os	demonstrativos	empresariais,	
destacando	alguns	fatores	importantes	ligados	ao	orçamento	familiar.
1 O patrimônio familiar
Diante	de	um	cenário	econômico	e	social	dinâmico,	em	que	as	transformações	ocorrem	
rapidamente,	 torna-se	 vital	 criar	 e	 alterar	 estratégias.	 É	 importante	 destacar	 que	 essas	
mudanças	ou	a	implementação	das	estratégias	não	se	restringem	apenas	às	empresas,	mas	
ocorrem	também	com	as	famílias.	É	necessário	lembrar	que	na	sociedade	a	base	primordial	
é	a	família	e,	assim	como	as	demais	entidades,	também	possui	um	patrimônio	e	deve	saber	
manipular	seus	componentes	para	constituir,	alterar,	implementar	e	manter	esse	patrimônio.
Quando	 falamos	 de	 patrimônio	 no	 ambiente	 empresarial,	 recorremos	 aos	 princípios	
contábeis,	 que	 são	 descritos	 como	 o	 conjunto	 de	 bens	 e	 direitos	 menos	 as	 obrigações	
pertencentes	à	empresa.	No	ambiente	familiar,	a	presença	desses	elementos	também	existe.	
É	evidente	que	para	uma	família	conquistar	e	manter	um	determinado	padrão	de	vida,	há	a	
necessidade	de	bens	e	também	de	articular	os	direitos	e	obrigações.	
A	família	não	é	exceção	quanto	à	necessidade	de	implementar	controles	dos	ganhos	e	
dos	gastos.	Esses	últimos	quase	sempre	representam	o	vilão	para	manter	a	continuidade	do	
patrimônio	familiar.
Para	as	famílias,	não	há	necessidade	de	separar	gastos,	despesas	e	custos,	demonstrando	
que	 não	 há	 preocupação	 em	 conhecer	 o	 que	 integra	 ou	 não	 o	 processo	 produtivo	 como	
ocorre	nas	indústrias.	Podemos	pensar	a	família	como	uma	entidade	social,	enfatizando	que	
não	existe	produção	de	bens	e	serviços,	mas	sim	a	origem	de	sua	manutenção	e	formação,	
o	capital	humano,	assumindo	a	posição	primordial	de	ativo.	Comparando-o	às	empresas,	a	
família	 também	possui	 patrimônio	 e	 tem	 necessidade	 de	 acompanhar	 a	 oscilação	 de	 sua	
riqueza.
Na	 família,	 as	 condições	essenciais	 e	 características	de	 seus	 integrantes,	 como	 idade,	
sexo,	 grau	 de	 instrução	 e	 qualificação,	 estrutura	 semelhante	 à	 de	 uma	 empresa,	 definem	
tacitamente	os	papéis	de	atuação	de	cada	um.
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No	contexto	social,	para	as	famílias,	os	bens	são	vitais	à	sobrevivência,	semelhantemente	
ao	 ambiente	 das	 empresas.	 Para	 as	 famílias,	 tais	 bens	 são	 os	 bens	 móveis,	 imóveis	 de	
consumo,	entre	outros.	Em	contrapartida,	há	as	obrigações	representadas	por	compromissos	
de	 pagamentos	 de	 serviços	 públicos	 e	 privados	 (impostos,	 instrução	 etc.),	 empréstimos	 a	
pagar,	juros	a	pagar	etc.
	Atente	para	a	citação	a	seguir:
O	 patrimônio	 origina	 de	 fontes	 que	 criam	 o	 mesmo,	 representando	 sua	
contrassubstância,	 ou	 seja,	 os	 financiamentos,	 suportes	 próprios,	 dotações	 e	
resultados	que	dão	condições	para	que	se	possa	existir	riqueza.	Tais	fontes	são	as	que	
dão	oportunidade	também	de	formar	a	substância,	ou	seja,	as	causas	da	existência	do	
que	poderíamos	dizer	também	“corpo	da	riqueza”	(SÁ,	2002,	p.	62).
Fica	 evidente	que	o	patrimônio	 gira	 em	 torno	de	 fontes	 e	 esse	 fato	ocorre	 tanto	 em	
contexto	 familiar	 como	 em	 empresarial.	 A	 criação	 de	 um	 patrimônio	 para	 pessoas	 físicas	
normalmente	não	acontece	de	uma	hora	para	outra,	a	menos	que	alguns	 fatores	não	 tão	
comuns	ocorram,	como	receber	uma	herança	e	ganhar	na	loteria.
												Imagem 1 – Ganhar na loteria Imagem 2 – Herança familiar	
Na	 maioria	 das	 vezes,	 um	 patrimônio	 exige	 dedicação	 de	 alguns	 anos	 e	 harmonia	
entre	déficit1	 	e	superávit2	 ,	ou	seja,	há	necessidade	de	acúmulo	de	capitais	a	 longo	prazo,	
principalmente	 para	 a	 conquista	 de	 patrimônio	 para	 toda	 a	 família,	 como	 uma	 casa,	 um	
apartamento	 etc.	 A	 criação	 e	 a	 manutenção	 de	 patrimônio	 para	 as	 famílias	 envolvem	
diversos	 fatores	 importantes	 a	 serem	 considerados.	 Tais	 como	 as	 empresas	 que	 possuem	
demonstrativos	 que	 são	 analisados	 constantemente,	 as	 famílias	 também	 devem	 possuir	
formas	 de	 vigiar	 como	 anda	 seu	 patrimônio	 ou	 até	mesmo	 estratégias	 para	 conquistar	 e	
ampliar	o	patrimônio.	
Poderíamos	 elencar	 diversos	 bens	 que	 compõem	 o	 patrimônio	 de	 uma	 família.	 Para	
1	Déficit:	significa	um	saldo	negativo.	
2	Superávit:	o	excedente	resultante	da	execução	orçamentária	que	aferiu	mais	ganho	do	que	gastos.	
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algumas	famílias,	o	patrimônio	pode	estar	associado	até	mesmo	ao	fator	cultural.	Para	outras,	
o	maior	patrimônio	a	deixar	aos	filhos	é	a	formação	educacional,	ou	seja,	a	educação,	arcando	
com	colégio	particular,	faculdade	e	cursos	de	idiomas.
Figura 1
 Patrimônio: apartamento
Figura 2 
Patrimônio: casa
Imagem 3 
Patrimônio: formação 
educacional
Tais	concepções	estão	relacionadas	à	formação	do	chefe	da	família	e	de	sua	condição	
socioeconômica.	Outras	famílias	são	adeptas	a	deixar	uma	casa	ou	um	apartamento	para	os	
filhos,	o	que	é	uma	forma	de	criar	um	alicerce	para	estes	iniciarem	sua	vida.
Há	 diversas	 concepções	 certas	 ou	 erradas	 na	 forma	 de	 criar	 patrimônio.	 Mas	
independentemente	da	concepção,	a	criação	de	um	fluxo	de	caixa	para	 servir	de	controle	
contribuirá	para	qualquer	ideologia	familiar	quanto	ao	patrimônio.
É	interessante	destacar	que	para	ter	um	patrimônio,	o	equilíbrio	financeiro	é	fundamental.	
Com	 ele,	 é	 possível	 galgar	 conquistas	 mais	 sólidas	 que	 proporcionarão	 tranquilidade	 nas	
próximas	fases	da	vida.
Se	não	há	esse	equilíbrio,	a	probabilidade	de	conquistar	um	bem	durável	pode	se	tornar	
mais	 difícil.	 Esse	 fato	 é	 muito	 importante	 para	 as	 sociedades	 e	 as	 políticas	 habitacionais	
devem	partir	de	equilíbrios	financeiros	tanto	do	país	como	das	famílias.
2 A contabilização do patrimônio líquido da família
Alguns	fatores	podem	servir	para	um	embasamento	mais	claro.	A	criação	de	um	fluxo	de	
caixa	para	uma	pessoa	física	pode	contribuir	em	muito	para	seu	controle	financeiro,	com	o	
objetivo	de	conquistar	um	patrimônio	ou	manter	o	patrimônio	já	conquistado.
O	fluxo	de	caixa	de	uma	pessoa	é	o	detalhamento	mensal	das	suas	rendas	e	das	suas	
despesas,	 ou	 seja,	 a	 entrada	e	 a	 saída	de	dinheiro.	 É	 aconselhável	 que	a	projeção	
do	fluxo	de	caixa	seja	preparada	para	o	ano	inteiro.	A	diferença	entre	as	rendas	e	as	
despesas	vai	identificar	para	onde	está	indo	o	seu	dinheiro.	Se	a	diferença	for	positiva,	
o	saldo	estará	indo	para	o	seu	bolso	(...).	Se	a	diferença	for	negativa,	significa	que	você	
gastou	mais	do	que	ganhou	(SEGUNDO	FILHO,	2003,	p.	58).
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Quando	percebemos	que	a	citação	anterior	está	ocorrendo	conosco,	chegou	o	momento	
de	 rever	nosso	fluxo	de	caixa	e	mudar	alguns	comportamentos	para	conquistarmos	nosso	
patrimônio	ou,	ainda,	mantermos	o	já	conquistado.
Veja	a	seguir	um	modelo	de	fluxo	de	caixa.	Trata-se	apenas	de	um	exemplo,	podendo	ser	
adaptado	a	situação	e	contexto	de	cada	pessoa.
Tabela 1. Fluxo de caixa
MÊS ANALISADO OUTUBRO
SALÁRIO R$
OUTRAS RECEITAS R$
Gastos com valores 
fixos
DESCRIÇÃO VALOR DATA
FORMA	DE
PAGAMENTO
Aluguel R$	0,00 99/99/99 DEB/CH/VISTA
Mensalidade	
escolar R$	0,00 99/99/99
DEB/CH/
VISTA
Academia R$	0,00 99/99/99 DEB/CH/VISTA
TV	por	
assinatura R$	0,00 99/99/99
DEB/CH/
VISTA
Internet R$	0,00 99/99/99 DEB/CH/VISTA
Empregada(o) R$	0,00 99/99/99 DEB/CH/VISTA
Prestação	
carro
do	 R$	0,00 99/99/99 DEB/CH/VISTA
Prestação	
seguro
do	 R$	0,00 99/99/99 DEB/CH/VISTA
Plano	de	saúde R$	0,00 99/99/99 DEB/CH/VISTA
Outros R$	0,00 99/99/99 DEB/CH/VISTA
Gastos variéveis 
com valores 
variáveis
Supermercado R$	0,00 99/99/99 DEB/CH/VISTA
Gasolina R$	0,00 99/99/99 DEB/CH/VISTA
Luz R$	0,00 99/99/99 DEB/CH/VISTA
Telefone R$	0,00 99/99/99 DEB/CH/VISTA
Celular R$	0,00 99/99/99 DEB/CH/VISTA
Outros R$	0,00 99/99/99 DEB/CH/VISTAEducação Financeira
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Gastos esporádicos
Roupas R$	0,00 99/99/99 DEB/CH/VISTA
Lazer R$	0,00 99/99/99 DEB/CH/VISTA
Viagens R$	0,00 99/99/99 DEB/CH/VISTA
Outros R$	0,00 99/99/99 DEB/CH/VISTA
POUPANÇA Poupança R$	0,00 99/99/99 DEB/CH/VISTA
Investimentos R$	0,00 99/99/99 DEB/CH/VISTA
TOTAL	
MÊS
DO	 R$
Fonte: autor.
Esses	aspectos	contribuem	para	a	preparação	do	planejamento	financeiro	de	cada	pessoa	
e	 esclarecem	que	 para	 conquistar	 um	patrimônio,	 é	 necessário	 gerar	 um	 equilíbrio	 entre 
déficit	e	superávit.	Os	demonstrativos	financeiros	 tanto	no	ambiente	corporativo	como	no	
ambiente	familiar	possibilitarão	a	tomada	de	decisão	para	alcançar	metas	preestabelecidas.	
Temos	 ciência	 de	 que	 a	 contabilidade	 é	 um	 instrumento	 de	 grande	 valor	 para	 uma	
organização	e,	propiciando	alguns	de	seus	conceitos	e	princípios,	será	mais	fácil	 identificar	
como	está	o	patrimônio	da	 família.	Uma	das	maiores	dificuldades	em	 termos	de	 controle	
familiar	atualmente	é	o	orçamento	doméstico	das	entradas	e	saídas	de	recursos.
Equilibrar	o	orçamento	é	fazer	com	que	as	despesas	tornem-se	menores	que	as	receitas.	
É	importante	analisar	se	os	gastos	variáveis	(alimentação,	conta	de	luz,	gás,	telefone)	podem	
ser	reduzidos.	Atualmente,	as	pessoas	que	visitam	semanalmente	os	supermercados	sabem	
o	quão	difícil	é	reduzir	os	gastos	com	alimentação.
A	visão	oferecida	pelo	fluxo	de	caixa	familiar	permite	 identificar	possíveis	alterações	a	
serem	desenvolvidas	para	o	mês	seguinte.
Imagem 4 
Gastos com alimentação
 Imagem 5
 Energia elétrica
Imagem 6 
Telefone
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Os	mesmos	conceitos	de	situação	patrimonial	de	empresa	são	aplicáveis	às	famílias.	
Uma	família	poderia	ter	a	situação	patrimonial	positiva,	nula	ou	negativa.	Para	apurar	
a	 situação	patrimonial	da	 família,	 separam-se	os	bens	e	direitos	no	 lado	esquerdo	
(ativo)	e	as	dívidas	no	lado	direito	(passivo).	A	diferença	entre	o	ativo	e	o	passivo	é	o	
patrimônio	líquido	que	fica	no	lado	direito,	juntamente	com	o	passivo	(HOJI,	2007,	p.	
55).
As	 relações	entre déficit	 e	superávit	 comercial	para	um	país	estão	articuladas	às	 suas	
exportações	e	importações,	ou	seja,	quando	um	país	tem	um	superávit	comercial,	significa	
que	exportou	mais	que	importou.	
Contextualizando	 com	 o	 ambiente	 familiar,	 o	 superávit	 ocorre	 quando	 as	 entradas	
(salários,	entre	outros)	são	maiores	que	a	saída	e,	dessa	forma,	poderá	haver	conquista	de	
patrimônio	ou	manutenção	deste.
Considerações finais
	Nesta	aula,	abordamos	alguns	fatos	essenciais	à	vida	das	pessoas,	como	a	criação	de	um	
patrimônio	ou	de	algum	bem	que,	com	o	passar	do	tempo,	ainda	tenha	uso.	Para	abordar	tal	
tópico,	tivemos	que	inserir	o	contexto	cultural	que	modela	o	pensamento	de	algumas	pessoas,	
dentre	as	quais	muitas	não	se	preocupam	com	o	futuro	em	termos	de	moradia	e	padrão	de	
vida.	Explicitamos	que,	para	algumas	famílias,	a	preocupação	é	deixar	um	patrimônio	para	
seus	filhos,	como	um	apartamento,	uma	casa,	enquanto,	para	outras	famílias,	é	deixar	uma	
base	educacional	para	que	os	filhos	tenham	um	bom	padrão	de	vida.
Não	nos	limitamos	apenas	a	demonstrar	o	patrimônio	no	âmbito	dos	bens,	mas	também	
descrevemos	o	patrimônio	líquido,	articulando	a	contabilização	com	seus	princípios	e	regras,	
comparando-o	com	o	ambiente	corporativo.
Esperamos	ter	contribuído	no	entendimento	das	duas	visões	de	patrimônio.	
Referências
HOJI,	M.	Finanças da família:	o	caminho	para	a	independência	financeira.	São	Paulo:	Profitbooks,	
2007.
SÁ,	A.	L. Teoria geral do conhecimento contábil.	Belo	Horizonte:	Ipat,	2002.
SEGUNDO	FILHO,	J. Finanças pessoais:	invista	no	seu	futuro.	Rio	de	Janeiro:	Qualitymark,	2003.
Objetivos Específicos
Temas
•	 Compreender	a	cultura	da	poupança.
Carlos Alberto de Souza Cabello
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Aula 14
Professor
Poupança: Adiar o Consumo Hoje para um Futuro Melhor 
Amanhã
Introdução
1	Caderneta	de	poupança	e	as	mudanças	recentes	na	remuneração
2			Tipos	de	caderneta	de	poupança
3	Fluxo	de	caixa	familiar:	receitas,	despesas	e	poupança
Considerações	finais
Referências
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Introdução
Nesta	aula,	abordaremos	o	assunto	caderneta	de	poupança.		Iniciaremos	demonstrando	
algumas	alterações	realizadas	recentemente	pelo	Banco	Central	decorrentes	de	oscilações	na	
taxa	básica	e	na	taxa	Selic	e	os	reflexos	na	forma	de	calcular	os	rendimentos	dessa	tradicional	
aplicação	destinada	desde	muito	tempo	às	classes	menos	providas	de	recursos.	
Citaremos	também	o	Fundo	Garantidor	de	Crédito	(FGC),	entidade	privada	autorizada	pelo	
governo	a	dar	garantia	aos	poupadores.	Faremos	uma	viagem	à	origem	desse	investimento,	
esclarecendo	os	objetivos	do	governo	em	relação	a	ele.	
Abordaremos	também	os	tipos	de	caderneta	de	poupança	nem	sempre	muito	divulgados	
pela	mídia,	mostrando	suas	particularidades	e	o	destino	dos	recursos	captados.	Concluíremos	
com	algumas	evidências	do	fluxo	de	caixa	familiar	em	relação	à	poupança,	até	mesmo	culturais.	
1 Caderneta de poupança e as mudanças recentes na 
remuneração
A	caderneta	de	poupança	é	o	investimento	com	mais	tradição	do	mercado.	Seu	princípio	
é	que	a	remuneração	ocorra	a	cada	30	dias,	conhecida	como	data	de	aniversário,	rendendo,	
em	média,	6%	ao	ano.	A	aplicação	na	caderneta	de	poupança	é	considerada	uma	aplicação	
pós-fixada,	 pois	 o	 rendimento	 só	 é	 conhecido	 no	 vencimento	 dela.	 Isso	 significa	 que	 ao	
depositar	na	poupança	dia	10	deste	mês,	somente	saberei	quanto	irei	receber	de	juros	no	dia	
10	do	próximo	mês.	
O	 depósito	 de	 poupança	 tem	 sua	 origem	 no	 decreto	 2.723,	 de	 janeiro	 de	 1861,	
quando	o	Imperador	Dom	Pedro	II	autorizou	a	criação	da	Caixa	Econômica,	atual	Caixa	
Econômica	Federal,	com	o	objetivo	de	receber	a	juros	de	6%	as	pequenas	economias	
das	 classes	 mais	 humildes	 ou	 abastadas,	 assegurado	 pelo	 Governo	 Imperial	 (SÁ	
NETTO,	1861,	p.	11).
Analisando	a	citação	anterior,	concluímos	que	a	poupança	sofreu	inúmeras	mudanças,	
porém	a	 remuneração	básica	 (6%	ao	ano)	 foi	mantida	até	que,	em	1964,	por	meio	da	Lei	
4.380,	foi	estabelecida	uma	nova	forma	de	remuneração.	
A	 partir	 de	 então,	 a	 poupança	 passou	 a	 ser	 remunerada	 da	 seguinte	 forma:	 taxa de 
remuneração básica, na época a correção monetária, mais 0,5% ao mês,	e	essa	forma	de	
cálculo	foi	mantida	até	3	de	maior	de	2013.
Mas	a	partir	de	4	de	maio	de	2013,	o	governo	federal	 foi	obrigado	a	mexer	na	 forma	
de	remuneração	da	poupança	para	que	esse	investimento,	que	em	sua	essência	sempre	foi	
direcionado	às	classes	mais	baixas,	não	fosse	uma	opção	para	os	investidores	de	outros	títulos	
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e	ações.
De	 acordo	 com	 a	 legislação	 atual,	 a	 remuneração	 dos	 depósitos	 de	 poupança	 é	
composta	de	duas	parcelas:	I	_	a	remuneração	básica,	dada	pela	Taxa	Referencial	_	
TR,	e	 II	_	a	remuneração	adicional,	correspondente	a:	a)	0,5%	ao	mês,	enquanto	a	
meta	da	taxa	Selic	ao	ano	for	superior	a	8,5%;	ou		b)	70%	da	meta	da	taxa	Selic	ao	ano,	
mensalizada,	vigente	na	data	de	início	do	período	de	rendimento,	enquanto	a	meta	da	
taxa	Selic	ao	ano	for	igual	ou	inferior	a	8,5%%	(BCB,	on-line).
A	mudança	da	forma	de	remuneração	da	poupança,	que	começou	a	valer	desde	4	de	
maio	de	2013,	significa	que	os	depósitos	realizados	agora	irão	render	70%	da	taxa	básica	de	
juros	Selic	mais	a	TR1	.	A	fórmula	desse	novo	cálculo	será	70%	da	taxa	Selic	mais	TR	quando	a	
taxa	básica	de	juros	for	igual	ou	inferior	a	8,50%	_	que	será	aplicada	para	os	depósitos	feitos	a	
partir	de	4	de	maio.	Porém,	quando	a	taxa	Selic	for	superior	a	8,5%,	valerá	a	regra	antiga,	ou	
seja,	quando	a	taxa	for	superior	a	8,5%	ou	o	depósito	foi	realizado	antes	de	4	de	maio,	valerá	
a	regra	antiga	com	rendimento	segundo	a	TR	mais	0,5%	ao	mês.
	 A	 interpretação	 dessa	 mudança	 é	 simples:	 a	 reduçãoda	 taxa	 de	 juros	 passa	 a	 ser	
favorável	aos	consumidores,	pois	a	taxa	Selic2		é	uma	referência	para	todas	as	outras	taxas	de	
juros.	Dessa	forma,	à	medida	que	os	empresários	necessitarem	de	recursos	para	ampliar	seus	
negócios	ou	até	mesmo	para	investir,	pagarão	menos	juros	pelo	dinheiro	e,	por	consequência,	
seus	produtos	ou	serviços	serão	vendidos	mais	baratos,	portanto	controlarão	a	inflação.	Outra	
característica	importante	da	poupança	é	que	esta	é	isenta	de	imposto	de	renda	e	não	oferece	
comissão.	Logo,	os	bancos	administram	esse	capital	de	graça.
Caderneta	de	poupança	é	o	tipo	de	 investimento	popular	em	que	todos	os	bancos	
pagam	a	mesma	taxa	de	rendimento	TR	(Taxa	Referencial)	+	0,5%,	mensalmente.	O	
inconveniente	é	que	se	for	sacado	antes	de	completar	um	mês,	o	rendimento	do	mês	
incompleto	é	perdido	(HOJI,	2007,	p.	88).
Para	saber	mais	sobre	o	assunto	remuneração	dos	depósitos	de	poupança,	
acesse	o	site	do	Banco	Central	do	Brasil	e	pesquise	sobre	poupança.	No	site	é	
exibida	 na	 íntegra	 a	 medida	 provisória	 contendo	 mudanças	 no	 critério	 de	
remuneração	da	poupança,	articulado	à	taxa	Selic.
1	TR:	taxa	referencial	do	Sistema	de	Lote	de	Juros,	utilizada	no	cálculo	do	rendimento	de	vários	investimentos.	
2	Taxa	Selic:	índice	pelo	qual	as	taxas	de	juros	cobradas	pelo	mercado	se	balizam	no	Brasil.	É	a	taxa	básica	utilizada	como	referência	pela	política	
monetária.	A	meta	para	a	taxa	Selic	é	estabelecida	pelo	Comitê	de	Política	Monetária	(Copom).	
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A	aplicação	na	caderneta	de	poupança	requer	principalmente	a	consciência	do	adiamento	
de	uma	compra	hoje	para	comprar	melhor	no	futuro.	Para	assegurar	não	apenas	a	caderneta	
de	poupança,	 foi	 criado	o	 Fundo	Garantidor	de	Crédito	 (FGC).	O	Banco	Central,	 por	meio	
da	resolução	2.197,	de	31	de	agosto	de	1999,	autorizou	a	criação	de	uma	entidade	privada,	
porém	sem	fins	lucrativos	para	administrar	e	criar	mecanismos	para	proteger	os	titulares	de	
crédito	contra	instituições	financeiras.	Desde	sua	criação	até	o	momento,	sua	função	básica	
é	proteger	os	investidores.
O	 FGC	 tem	 como	 associados	 os	 bancos	 múltiplos,	 bancos	 comerciais,	 bancos	 de	
investimentos,	banco	de	desenvolvimento,	a	Caixa	Econômica	Federal,	sociedades	de	crédito	
e	financiamento,	sociedades	de	crédito	imobiliário	e	associações	de	poupança	e	empréstimos.	
Entre	 suas	 funções,	está	a	de	proteger	depositantes	e	 investidores	em	âmbito	do	 sistema	
financeiro,	contribuindo	para	a	manutenção	da	estabilidade	do	Sistema	Financeiro	Nacional	
(SFN)	e	prevenir	possíveis	crises	no	sistema	bancário.
São	 garantidos:	 depósitos	 à	 vista	 ou	 sacáveis	 mediante	 aviso	 prévio;	 depósitos	
de	 poupança;	 depósitos	 a	 prazo,	 com	 ou	 sem	 emissão	 de	 certificado	 (CDB/RDB);	
depósitos	mantidos	em	contas	não	movimentáveis	por	cheques,	destinadas	ao	registro	
e	controle	do	fluxo	de	recursos	referentes	à	prestação	de	serviços	de	pagamento	de	
salários,	vencimentos,	aposentadorias,	pensões	e	similares;	 letras	de	câmbio;	 letras	
imobiliárias;	 letras	 hipotecárias;	 letras	 de	 crédito	 imobiliário;	 letras	 de	 crédito	 do	
agronegócio;	operações	compromissadas	que	têm	como	objeto	títulos	emitidos	após	
08.03.2012	por	empresa	ligada	(BCB,	on-line).
Fica	 evidente	 a	 preocupação	 do	 governo	 em	 dar	 garantias	 aos	 poupadores	 e	 tal	
preocupação	estende-se	a	diversos	tipos	de	créditos	garantidos	pelo	FCG.
	Para	saber	mais	sobre	o	assunto,	acesse	o	site	do	Banco	Central	do	Brasil	e	
pesquise	 sobre	 funções	 do	 FCG	 e	 sua	 composição.	 No	 site,	 você	 encontra	 as	
funções	do	FCG,	instituições	associadas,	valor	máximo	de	garantia,	entre	outras	
informações.
No	contexto	de	negócios,	na	prática,	diante	da	concorrência,	os	bancos	criam	alternativas	
para	obter	aumento	de	liquidez	e,	para	tal,	oferecem:
•	 articulação	de	depósito	e	saque	diretos	da	conta	corrente;
•	 programação	 de	 investimento	 com	 prazo	 até	 um	 ano,	 em	 que	 o	 cliente	 fornece	
apenas	datas	de	aplicação	e	de	resgate;
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•	 aplicação	e	transferência	por	telefone;
•	 possibilidade	de	abertura	de	diversas	contas.
2 Tipos de caderneta de poupança
Segundo	Fortuna	(2011),	existem	diversos	tipos	de	caderneta	de	poupança:
•	 Caderneta	de	poupança	tradicional	(imobiliária);
•	 Caderneta	de	poupança	de	rendimentos	crescentes;
•	 Caderneta	de	poupança	com	finalidade	específica;
•	 Caderneta	de	poupança	rural	–	caderneta	verde.
Sendo	assim,	iremos	detalhar	cada	um	dos	tipos	citados	pelo	autor.
1. Caderneta de poupança tradicional:	refere-se	à	tratada	no	início	desta	aula.	Iniciamos	
contextualizando	as	alterações	ocorridas	quanto	à	remuneração	diante	de	flutuação	
da	taxa	Selic.	A	caderneta	de	poupança	tradicional	é	um	produto	da	Sociedade	de	
Crédito	Imobiliário	(SCI),	e	os	recursos	captados	em	depósito	de	poupança	devem	ser	
distribuídos	em:
a.	 	no	mínimo,	65%	em	operações	de	financiamento	imobiliário;
b.	 	o	restante	em	operações	de	financiamento	imobiliário	contratado	à	taxa	de	
mercado;
c.	 	20%	em	encaixe	obrigatório	no	Banco	Central.
2. Caderneta de poupança de rendimentos crescentes:	 apresenta	 algumas	
características	 próprias	 e	 permite	 aos	 depositantes,	 tanto	 pessoas	 físicas	 como	
pessoas	jurídicas,	receber	correção	monetária	mais	juros,	com	taxas	crescentes,	daí	a	
denominação,	acordados	com	a	instituição	financeira	detentora	da	conta	poupança.	
Há	uma	outra	particularidade:	pode	ser	 feito	um	único	depósito	em	cada	conta	e	
também	 uma	 única	 retirada.	 Esse	 tipo	 de	 caderneta	 beneficiava-se	 do	 adicional	
compensatório	da	CPMF3		sobre	o	valor	sacado,	na	condição	que	esse	valor	tivesse	se	
mantido	em	depósito	por	período	igual	ou	superior	a	três	meses.
3. Caderneta de poupança com finalidade específica:	 refere-se	 à	 poupança	 de	
pessoas	físicas	ou	jurídicas,	articulando	as	seguintes	modalidades:	garantia	locatícia	e	
revendedores	lotéricos.	A	modalidade	garantia	locatícia	é	uma	forma	de	evitar	calotes	
de	obrigações	de	locatárias,	enquadrada	em	aluguel	de	imóveis.	
3	Contribuição	Provisória	sobre	a	Movimentação	ou	Transmissão	de	Valores	e	de	Créditos	e	Direitos	de	Natureza	Financeira	(CPMF)	foi	um	
tributo	brasileiro.	Sua	esfera	de	aplicação	foi	federal	e	vigorou	de	1997	a	2007.	Sua	última	alíquota	foi	de	0,38%.
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4. Caderneta de poupança rural - caderneta verde:	 é	 uma	 caderneta	 semelhante	
à	 tradicional,	 tendo	 apenas	 uma	 distinção:	 seus	 recursos	 por	 ela	 captados	 são	
destinados	a	financiamento	de	operações	 rurais.	Outra	particularidade	é	que	esse	
tipo	 de	 caderneta	 de	 poupança	 é	 exclusivo	 do	 Banco	 da	 Amazônia,	 do	 Banco	 do	
Nordeste,	 do	Banco	do	Brasil	 e	 dos	bancos	 cooperados.	 Esses	68%	das	 captações	
dessa	 caderneta	de	poupança	 são	direcionados	 a	 aplicações	do	 crédito	 rural	 e	 os	
32%	restantes,	à	aquisição	de	cédula	de	produto	rural	(CPR)	e	à	comercialização	e/ou	
industrialização	de	produtos	agropecuários.
Diante	dos	tipos	de	poupança	descritos	anteriormente,	pode-se	concluir	que	a	caderneta	
de	poupança	é	um	investimento	que	propicia	um	elenco	de	contribuições	sociais,	além	de	ser	
uma	aplicação	com	a	garantia	do	governo	federal.
Para	saber	mais	sobre	o	assunto,	 leia	o	capitulo	6,	Mercado	bancário,	do	
livro	Mercado	financeiro,	de	Eduardo	Fortuna,	da	Editora	Qualitymark	(2011).	O	
autor	 descreve	 os	 diversos	 tipos	 de	 poupança,	 demonstrando	 as	 leis	 de	
regulamentação	delas	e	o	destino	dos	recursos	captados.
3 Fluxo de caixa familiar: receitas, despesas e poupança
Segundo	 Zdanowicz	 (2004),	 o	 conjunto	 de	 ingressos	 e	 desembolso	 de	 numerário	 ao	
longo	de	um	período	é	denominado	fluxo	de	caixa.	
A	importância	do	fluxo	de	caixa	familiar	possibilita	um	controle	entre	receitas	e	despesas,	
permitindo	até	a	acumulação	de	recursos	para	uma	poupança.
A	poupança	deveser	interpretada	como	a	diferença	entre	o	dinheiro	recebido	(receitas)	
e	o	dinheiro	que	foi	gasto	(despesas),	devendo	ser	feita	com	visão	de	médio	e	longo	prazos.	
Algumas	informações	importantes:
•	 A	poupança	não	é	feita	em	uma	única	vez	nem	em	um	único	mês.
•	 A	poupança	pode	ser	criada	a	partir	do	aumento	das	receitas.
•	 Por	meio	do	controle	dos	gastos.
•	 Da	redução	das	despesas.
•	 Visa	a	combater	os	desperdícios.
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A	 criação	 da	 poupança	 proporciona	 tranquilidade	 a	 situações	 inesperadas,	 mas	 o	
princípio	básico	para	sua	criação	deve	estar	articulado	à	conquista	de	um	objetivo,	ou	seja,	à	
aquisição	de	um	bem	ou	até	mesmo	uma	viagem.	
A	preparação	de	um	fluxo	de	caixa	familiar	deve	contemplar	o	componente	poupança,	
pois	esse	demonstrativo	permite	visualizar	as	entradas	e	saídas	de	dinheiro	em	curto	e	médio	
prazos.
Um	fluxo	de	caixa	familiar	deve	conter	no	mínimo	os	três	componentes	básico:	renda, 
consumo e poupança.	 Existem	 pessoas	 ou	 famílias	 que	 somente	 adotam	 os	 dois	
primeiros	componentes,	deixando	a	poupança	de	 lado.	O	que	acontece	com	essas	
pessoas?	Elas	simplesmente	reduzem	suas	esperanças	e	a	probabilidade	de	um	dia	
melhorarem	de	 vida,	 pois	 sempre	 dependerão	 exclusivamente	 de	 seu	 salário	 para	
viver,	e	este	sempre	será	o	limite	do	seu	consumo.	Quem	adota	os	três	componentes	
de	um	fluxo	de	caixa	familiar,	ou	seja,	incluindo	poupança,	tem	uma	reserva	de	recursos	
que,	se	bem	administrada,	poderá	ainda	lhe	ser	uma	fonte	extra	de	renda,	além	de	
não	depender	do	dinheiro	dos	bancos	e	incorrer	em	juros	caso	surja	alguma	despesa	
emergencial.	A	poupança	é	ao	mesmo	tempo	uma	reserva	contra	adversidades	da	vida	
e	uma	potencial	fonte	geradora	de	renda,	possibilitando	o	planejamento	financeiro	de	
longo	prazo	(GAVA,	2004,	p.	9).
Sem	dúvida,	a	capacidade	da	poupança	é	uma	das	mais	respeitadas	virtudes	das	pessoas	
e	deve	ser	um	hábito	a	ser	ensinado	às	crianças	de	forma	a	se	inserir	na	cultura	de	um	povo.
Considerações finais
Nesta	 aula,	 apresentamos	 particularidades	 da	 caderneta	 de	 poupança	 e	 algumas	
influências	provocadas	pela	taxa	Selic	sobre	o	cálculo	dos	rendimentos	desse	investimento.	
Detalhamos	 economicamente	 as	 razões	 das	 mudanças	 no	 processo	 de	 remunerar	 esse	
investimento,	articulando-o	a	suas	influências	na	economia	como	um	todo.	
Mostramos	a	preocupação	do	Governo	Federal	em	assegurar	a	caderneta	de	poupança,	
mesmo	 que	 agora,	 com	 a	 redução	 em	 seus	 rendimentos,	 ainda	 seja	 uma	 aplicação	 com	
garantia.	 A	 caderneta	 de	 poupança	 é	 um	 investimento	 popular,	 que	 também	 apresenta	
particularidades	no	social.	Finalizamos	a	aula	abordando	o	fluxo	de	caixa	familiar	diante	da	
necessária	cultura	da	poupança.
Referências
BANCO	 CENTRAL	 DO	 BRASIL. FAQ – Fundo Garantidor de Créditos (FGC).	 Disponível	 em:	
<http://www.bcb.gov.br/?FAQFGC>.	Acesso	em:	out.	2013.
BANCO	 CENTRAL	 DO	 BRASIL.	 Remuneração dos depósitos da poupança.	 Disponível	 em:	
<http://www4.bcb.gov.br/pec/poupanca/poupanca.asp>.	Acesso	em:	out.	2013.
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SÁ	NETTO,	R.	de	.	Memória	da	Administração	Pública.	Col. Leis do Império do Brasil.	Secretaria	
de	Estado	dos	Negócios	do	Império	(1823	-1891):	Rio	de	Janeiro,	1861,	p.	11.	V.	1.
FORTUNA,	E.	Mercado financeiro:	produtos	e	 serviços.	18.	ed.	Rio	de	 Janeiro:	Qualitymark,	
2011.
GAVA,	 F.	 W.	As finanças pessoais:	 entendendo	 os	 problemas	 financeiros	 e	 balanceando	 o	
orçamento	doméstico.	2004.	54f.	Monografia	-	Faculdade	de	Ciências	Econômicas.	Porto	Alegre:	
Universidade	Federal	do	Rio	Grande	do	Sul,	2004.
HOJI,	M. Finanças da família:	o	caminho	para	a	independência	financeira.	São	Paulo:	Profitbooks,	
2007.
ZDANOWICZ,	J.	E.	Fluxo de caixa:	uma	decisão	de	planejamento	e	controle	financeiro.	10.	ed.	
Porto	Alegre:	Sagra	Luzzatto,	2004.
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Aula 15
Procedimentos e atitudes para lidar com as finanças na 
trajetória da vida – Fase 20 aos 30 anos e a Fase dos 30 aos 45 
anos
Objetivos Específicos
•	 Identificar	na	fase	dos	20	aos	30	anos	e	na	fase	dos	30	aos	45	anos	ações	
financeiras	para	garantir	tranquilidade	no	futuro.
Temas
Introdução
1	Planejamento	para	soluções	no	futuro	
2	Como	organizar	as	finanças	em	cada	fase	da	vida?		
Considerações	finais
Referência
Professor
Carlos Alberto de Souza Cabello
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Introdução
Nesta	 aula,	 falaremos	 sobre	 uma	 interessante	 situação	 pela	 qual	 todas	 as	 pessoas,	
independentemente	 de	 sexo,	 nacionalidade	 e	 preferências,	 passam:	 como	 gerenciar	 os	
procedimentos	e	atitudes	para	lidar	com	as	finanças	durante	a	vida.	
Abordaremos	uma	visão	mais	contemporânea	dos	planejamentos	financeiros	pessoal	e	
da	família.	Descreveremos	quais	aspectos	da	educação	financeira	contribuem	e	influenciam	
duas	fases	da	vida:	entre	20	e	30	anos	e	dos	30	aos	45	anos	de	idade.
Abordaremos	algumas	dicas	essenciais	em	cada	fase,	de	 forma	a	 fazê-lo	refletir	sobre	
essas	ações.		
1 Planejamento para soluções no futuro 
Inicialmente,	vamos	atentar	para	alguns	aspectos	em	termos	de	planejamento	financeiro.
O	 planejamento	 financeiro	 ultrapassa	 a	 ação	 de	 controlar	 despesas,	 pois	 envolve	
estabelecimento	 de	 metas,	 poupança	 e	 administração	 de	 tempo.	 O	 ideal	 é	 fazer	 um	
planejamento	a	curto	prazo.	
Vianna	(2001)	afirma	que	entendemos	estratégia	em	suas	diversas	dimensões,	incluindo	
mentalidade,	pensamento,	visão,	gestão,	planejamento,	administração,	desenvolvimento	e	
até	 controle.	 Antes	 da	 visão	 conceitual,	 tentar	 dar	 um	 sentido	 pragmático	 a	 esse	 tema	 é	
importante.	Por	exemplo,	toda	vez	que	uma	empresa	obtém	resultados	bem-sucedidos	em	
tempo	razoável,	tende	a	repetir	o	procedimento,	ou	seja,	o	controle	ou	o	investimento.	
Assim,	 podemos	 afirmar	 que	 suas	 escolhas	 estratégicas	 foram	 acertadas	 e	 que	 seus	
principais	indicadores	atingiram	os	objetivos	estabelecidos.
Conceitualmente,	estratégia	provém	de	um	termo	militar	grego,	strategos (de	stratos,	
exército,	 e	 ago,	 dirigir),	 sendo	 a	 forma	 de	 planejar	 e	 dirigir	 operações	militares	 em	 uma	
guerra.	Passou	a	ser	uma	ferramenta	básica	no	mundo	empresarial.	Contudo,	como	articular	
estratégia	em	nosso	dia	a	dia?	Estamos	em	uma	guerra?	Quem	é	o	nosso	 inimigo?	Será	o	
tempo?	Pois	é,	o	tempo	que	nos	alegra	e	nos	entristece	nesse	contexto	é	o	nosso	inimigo.	
A	dimensão	tempo	é	um	fator	importante	que	deve	ser	repensado	ao	tomar	decisões	do	
tipo:	investir	em	estudos	ou	viajar,	adquirir	uma	casa	ou	um	carro.	Todas	essas	ações	estão	
associadas	a	determinadas	fases	da	vida.
Em	relação	ao	contexto	estratégico,	significa	que	devemos	elaborar	um	planejamento	
financeiro	articulando	as	fases	de	nossa	vida.	
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Esse	 planejamento	 integra	 questões	 financeiras,	 sociais,	 psicológicas	 e	 seu	 êxito	 se	
associa	a	nosso	conhecimento	do	entorno	em	que	vivemos	e	ao	controle	de	nossas	ações.	O	
ideal	é	fazer	um	planejamento	a	curto	prazo	ou	a	longo	prazo?	Veja:
Não	existe	um	planejamento	de	longo	prazo	que	dê	certo,	sem	controlá-lo	no	curto	
prazo,	pois	o	longo	prazo	é	a	soma	de	vários	“curtos	prazos”.	Para	que	os	objetivos	
sejam	alcançados,	 não	é	 suficiente	 fazer	o	planejamento;	 é	 necessário	 controlar	 o	
plano	 elaborado.	 O	 controle	 pressupõe	 o	monitoramento	 constante	 de	 um	 plano	
a	 curto	 prazo	 expresso	 em	 valores	 monetários.	 Da	 mesma	 forma	 que	 o	 futuro	 é	
o	 resultado	de	ações	praticadas	hoje,	o	 total	é	a	 soma	das	partes.	Então	devemos	
monitorar	constantemente	as	partes	que	formarão	o	total	no	futuro	(HOJI,	2007,	p.	
161).
Fica	evidente	que	o	planejamento	deve	estar	associado	à	fase	da	vida	da	pessoa,	pois	
os	 desejos	 e	 necessidades	 são	 distintos,	 assim	 como	 os	 recursos.	 Entre	 as	 fases	 da	 vida,outro	 fator	 que	 deve	 ser	 destacado	 é	 a	 disponibilidade	 de	 recursos	 associados	 a	 nossas	
receitas.	 Basta	 criar	 a	 estratégia	 certa	em	nosso	planejamento	financeiro	e	 acompanhá-la	
constantemente,	para	nosso	futuro	ser	bem-sucedido.	
2 Como organizar as finanças em cada fase da vida? 
Administrar	 as	 finanças	 adequando	 gastos	 à	 receita	mensal	 é	 um	 desafio	 enfrentado	
pela	 maioria	 das	 pessoas	 em	 todas	 as	 fases	 da	 vida.	 Para	 responder	 a	 essa	 pergunta,	 é	
necessário	mudar	 comportamentos	errôneos.	Alguns	especialistas	em	finanças	 confirmam	
que	o	orçamento	pode	ser	adequado	a	cada	fase	de	nossa	vida.	
Para	os	 jovens	que	ainda	não	constituíram	 família,	as	maiores	preocupações	 são	com	
gastos	 com	 roupas,	 viagens	 e	 formação	 escolar	 quando	o	 pai	 ou	 alguém	não	pode	 suprir	
essas	necessidades.	
Independentemente	 da	 idade,	 ao	 conquistarmos	 um	 rendimento,	 nós	 nos	 tornamos	
responsáveis	pelos	nossos	gastos	e	por	administrar	esse	dinheiro.	A	partir	desse	momento,	
o	princípio	básico	da	economia	fica	evidente,	ou	seja,	nossas	necessidades	são	ilimitadas	e	
nossos	recursos,	limitados.
	Nessa	fase,	você	tem	o	tempo	a	seu	favor,	devendo	apenas	ser	disciplinado.
Vamos	dividir	 as	 fases	da	 vida	 cronologicamente	entre	os	 20	e	30	e	os	 30	e	45	 anos	
(Figura	1).
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Figura 1 – Fase dos 20 aos 30 anos
 Formação escolar Compras de roupas Viagens
Nesse	período,	a	maioria	dos	jovens	ainda	moram	com	os	pais	e,	por	isso,	não	possuem	
compromissos	financeiros.	É	nessa	fase	que	se	devem	equilibrar	gastos	de	forma	a	começar	
a	pensar	em	um	investimento	a	longo	prazo:	a	aposentadoria.	
Começando	 a	 poupar	 nessa	 faixa	 etária,	 o	 investimento	 não	 significará	 uma	 grande	
parcela	 do	 orçamento,	 ou	 seja,	 um	 valor	 significativo	 do	 salário	 ou	 da	mesada.	 Com	 um	
pequeno	investimento	mensal,	será	possível	conquistar	um	montante	para	a	aposentadoria.
Nessa	 fase	 da	 vida,	 o	 que	 não	 queremos	 são	 regras,	 mas,	 pensando	 no	 futuro,	 é	
interessante	seguir	os	seguintes	princípios:
•	 Procure	administrar	melhor	 seu	dinheiro	e	gaste	menos	do	que	ganha.	Você	deve	
poupar	 sempre.	 Para	 um	 poupador,	 a	 probabilidade	 de	 tomar	 decisões	 erradas	
ou	 equivocadas	 é	 muito	 pequena,	 mas	 pessoas	 que	 não	 possuem	 essa	 cultura	
enfrentarão	obstáculos	para	sua	futura	aposentadoria.
•	 Apesar	de	sempre	haver	oportunidades	para	você	gastar,	como	viagens,	festas	etc.,	
é	necessário	 reservar	um	percentual	para	uma	poupança.	Vinte	por	 cento	de	 seu	
salário	 é	 um	 bom	 começo.	 Caso	 não	 consiga	 poupar	mensalmente	 essa	 quantia,	
procure	guardar	parte	de	seu	décimo	terceiro	salário.
•	 Pense	diversas	vezes	antes	de	escolher	um	carro.	Cuidado	com	as	regras	e	taxas	do	
financiamento	para	não	comprometer	seu	orçamento	por	um	longo	tempo.	Analise	
também	o	tipo	de	veículo	que	comprará,	pois,	dependendo	do	modelo	e	da	marca,	
haverá	outros	gastos	posteriores,	como	seguro,	manutenção	etc.
•	 Uma	estratégia	sábia	é	procurar	adquirir	um	imóvel	antes	de	casar,	pois	será	mais	
fácil	negociar	o	número	de	parcelas,	mesmo	que	o	valor	das	prestações	comprometa	
uma	parte	razoável		de	seu	salário.
É	evidente	que	a	disciplina	é	um	fator	determinante	nessa	 fase	da	vida.	Procure	criar	
horizonte	para	si	próprio.	Adiar	uma	viagem	ou	postergar	a	troca	do	carro	para	adquirir	uma	
casa	pode	significar	muito	quando	chegar	o	momento	de	casar.
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É	nessa	fase	também	que	devemos	começar	a	nos	preocupar	com	nossa	aposentadoria.	
Devemos	reservar	uma	determinada	quantia	mensalmente	para	investir	em	uma	previdência	
complementar,	pois	ninguém	sabe	como	será	o	futuro.
A	 tese	 é	 simples:	 deposite	 uma	 parte	 dos	 seus	 rendimentos	 em	 um	 fundo	 de	
previdência	 complementar	 enquanto	 você	 estiver	 trabalhando.	 Se	 a	 vida	 lhe	 for	
generosa,	você	nunca	ficar	doente	e	mantiver	a	energia	na	velhice,	muito	bem.	Mas	
se	a	doença,	o	cansaço	ou	o	simples	desejo	de	reduzir	o	ritmo	de	trabalho	for	um	fato	
da	sua	vida,	o	seu	plano	de	previdência	lhe	proverá	uma	renda	importante	para	ajudar	
no	seu	padrão	de	vida	(MARTINS,	2004,	p.	83).
Para	saber	mais	sobre	esse	assunto,	leia	os	capítulos	4	e	5	de	A árvore do 
dinheiro:	guia	para	cultivar	a	sua	independência	financeira,	de	Jurandir	Macedo	
Júnior.	 O	 autor	 aponta	 algumas	 ações	 importantes	 para	 um	 planejamento	
financeiro	a	longo	prazo,	articulando-o	com	as	fases	da	vida.
Entre	os	30	e	45	anos	de	idade,	as	pessoas	já	estão	inseridas	no	mercado	de	trabalho	e,	
consequentemente,	sua	renda	está	distribuída	entre	diversos	compromissos.	
No	que	 tange	a	 investimentos,	as	pessoas	nessa	 faixa	etária	devem	possuir	um	plano	
de	 previdência	 privada	 e	 também	 diversificar	 suas	 aplicações	 em	 outros	 investimentos.	 É	
interessante	destacar	que	é	fundamental	ter	cautela	em	qualquer	tipo	de	investimento.	
É	essencial	evitar	riscos	não	apenas	na	saúde,	mas	também	em	aplicações.	É	fundamental	
minimizar	 as	 possibilidades	 de	 endividamento	 que	 possam	 comprometer	 parte	 da	 renda	
mensal,	mesmo	que	os	empréstimos	sejam	atraentes	(Figura	2).
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Figura 2 – Fase dos 30 aos 45 anos
 O mercado de trabalho Escola para os filhos
Plano médico Alimentação
Nessa	fase	da	vida,	as	pessoas,	mesmo	com	experiência,	devem	pensar	no	futuro	e	seguir	
alguns	princípios:
•	 Priorizar	a	carreira	profissional	pode	fazer	muita	diferença.	Administrar	as	receitas	para	
manter	as	responsabilidades	e,	simultaneamente,	investir	em	educação	continuada	
não	é	uma	tarefa	fácil,	mas	possível.	
•	 Procurar	obter	o	máximo	de	informações	sobre	tributos.	Há	algumas	possibilidades	
de	abater	certos	valores	do	imposto	de	renda,	o	que	pode	contribuirá	para	investir	na	
educação	continuada.
•	 Ficar	atento	ao	diversificar	os	investimentos.	Nessa	fase	da	vida,	ainda	dá	para	arriscar,	
mas	sempre	se	deve	ponderar	o	nível	de	risco.	Investimentos	como	ações	são	muito	
arriscados.	Não	é	prudente	investir	em	apenas	um	tipo	de	aplicação.	
Investir	em	ações	é	altamente	arriscado,	logo	você	deverá	investir	apenas	uma	parcela	
de	seus	rendimentos	que	não	será	utilizada	no	curto	prazo	e	que,	caso	você	venha	a	
ter	perdas	acentuadas,	não	irá	deixá-lo	sem	nenhuma	reserva	(alocar	no	máximo	30%	
de	todos	os	seus	recursos)	(MARTINS,	2010,	p.	102).
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Outro	fator	importante	é	manter-se	longe	de	financiamentos,	tentando	sempre	comprar	
bens	à	vista.	Analise	bem	suas	compras,	pesquise	preços,	taxas	de	juros,	enfim	evite	endividar-
se.	
Para	saber	mais	sobre	o	assunto,	leia	o	Guia econômico de planejamento da 
aposentadoria,	de	Mara	Luquet,	páginas	80	a	86.	
De	forma	muito	didática,	a	autora	analisa	comportamentos	financeiros	em	
cada	 fase	 da	 vida	das	 pessoas,	 demonstrando	os	 obstáculos	 enfrentados	 para	
planejar	a	longo	prazo.
Considerações finais
Evidenciamos	alguns	aspectos	essenciais	em	duas	importantes	fases	de	nossa	vida:	dos	
20	aos	30	anos	e	dos	30	aos	45	anos	de	idade.	Destacamos	que	as	estratégias	não	se	destinam	
apenas	a	empresas,	devendo	ser	aplicadas	também	às	pessoas.
Dos	20	aos	30	anos,	quase	todas	as	pessoas	já	estão	no	mercado	de	trabalho.	Nessa	fase,	
dependendo	da	estrutura	socioeconômica,	uma	boa	parcela	dessas	pessoas	está	concentrada	
na	formação	universitária.
Por	diversas	razões,	há	aqueles	que	não	estão	estudando,	mas	trabalhando.	Diante	da	
competitividade	no	mercado	de	trabalho,	grande	parcela	das	pessoas	nessa	fase	da	vida	está	
também	atrás	de	oportunidades,	como	empreendimentos	em	negócios	próprios.	
Uma	significativa	parcela	depessoas	nessa	fase	da	vida	já	está	no	mercado	de	trabalho,	
porém	 continua	 no	 seio	 familiar,	 o	 que	 propicia	 condições	 para	 começar	 a	 poupar,	 já	
pensando	no	futuro,	pois	suas	responsabilidades	ainda	não	comprometem	totalmente	seus	
rendimentos.	
Na	fase	dos	30	aos	45	anos	de	idade,	a	situação	já	é	outra.	As	pessoas	já	estão	no	mercado	
de	trabalho	formal	ou	informal,	tendo	grandes	responsabilidades,	e	qualquer	investimento	
futuro	irá	exigir	disciplina	e	cautela.
Em	ambas	as	fases	abordadas,	procuramos	enfatizar	que	os	investimentos	destinados	ao	
futuro	são	essenciais.
É	 importante	 enfatizar	 que	 a	medida	 dos	 esforços	 e	 a	 forma	 como	 nos	 dedicamos	 a	
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determinadas	metas	 têm	 que	 estar	 de	 acordo	 com	 nossas	 próprias	 estratégias	 e	 um	 dos	
fatores	muitas	 vezes	 esquecido	 é	 a	 própria	 saúde.	 Durante	 a	 conquista	 de	 nossas	metas,	
devemos	 sempre	 avaliar	 nossa	 saúde.	 Não	 adianta	 nada	 acumular	 um	 patrimônio	 com	
muito	esforço	ao	longo	do	tempo	se	no	momento	de	aproveitá-lo	nossa	saúde	se	encontra	
comprometida.	Medir	as	estratégias	pode	ser	a	chave	do	sucesso.
Referência
HOJI,	M.	Finanças da família:	o	caminho	para	a	independência	financeira.	São	Paulo:	Profitbooks,	
2007.
LUQUET,	M.	Guia econômico de planejamento da aposentadoria.	São	Paulo:	Globo,	2001.
MACEDO	JÚNIOR,	J.	S.	A árvore do dinheiro:	guia	para	cultivar	a	sua	independência	financeira.	
Rio	de	Janeiro:	Elsevier,	2007.
MARTINS,	L. Aprenda a investir:	saiba	onde	e	como	aplicar	seu	dinheiro.	São	Paulo:	Atlas,	2010.
MARTINS,	J.	P.	Educação financeira ao alcance de todos:	adquirindo	conhecimentos	financeiros	
em	linguagem	simples.	1.	ed.	São	Paulo:	Fundamento	Educacional,	2004.
VIANNA,	M.	A.	F.	Erros	que	as	empresas	não	podem	cometer.	Conjuntura Econômica,	Rio	de	
Janeiro,	v.	56,	n.	6,	jun.	2001.
Educação Financeira
Aula 16
Procedimentos e Atitudes para Lidar com as Finanças após os 
55 anos
Objetivos Específicos
•	 Identificar	na	fase	após	os	55	anos	ações	financeiras	para	garantir	tranquilidade	
no	futuro.
Temas
Introdução
1	A	vida	financeira	a	partir	dos	55	anos
2	 Contexto	 brasileiro:	 permanecer	 na	 ativa	 a	 partir	 dos	 55	 anos	 equilíbrio	
financeiro	
3	A	exploração	dos	idosos	mesmo	após	aposentados
Considerações	finais
Referências
Professor
Carlos Alberto de Souza Cabello
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Introdução
Nessa	 aula	 falaremos	 sobre	 um	 tema	 muito	 abordado	 pela	 imprensa	 e	 pela	 mídia	
televisiva,	a	vida	financeira	após	os	55	anos.	Cada	 fase	de	nossa	vida	financeira	apresenta	
distintos	desafios	e	requisitos.	
Se	uma	pessoa	resolver	medir	e	comparar	sua	evolução	financeira	desde	que	começou	
a	trabalhar	ficará	surpresa.	Identificará	que	deixou	de	tomar	diversas	atitudes	que	acabaram	
afetando	sua	vida	financeira.		
Outro	 fato	 que	 irá	 perceber	 é	 o	 quanto	 poderia	 ter	 poupado	 e	 não	 poupou.	 Diante	
desses	 fatos	 é	 necessário	 rever	 algumas	 ações	 e	 implementar	 outras.	Nessa	 fase	 da	 vida,	
especificamente	 em	nosso	 país,	 percebemos	 que	 grande	 parte	 da	 população	 dessa	 idade	
em	diante	está	à	míngua,	a	aposentadoria	que	recebe	nem	sempre	é	suficiente	para	manter	
plano	médico	e	remédios.	
Desencadeamos	 nosso	 estudo	 no	 enfoque	 do	 empréstimo	 consignado	 com	 inúmeros	
detalhes,	 inclusive	 informações	 do	 INSS,	 deixando	 evidente	 a	 reflexão	 sobre	 o	 não	
planejamento	financeiro	impactando	nessa	fase	da	vida.	
1 A vida financeira a partir dos 55 anos
A	vida	financeira	a	partir	dos	55	anos	representa	uma	fase	onde	a	maioria	das	pessoas	
possui	experiência	e	já	conquistou	um	patrimônio.	
Nesse	contexto	há	também	aquelas	que	por	diversos	fatores,	nível	social,	de	escolaridade,	
migração	e	outros	não	desenvolveram	uma	poupança	ou	algum	patrimônio	para	 suprir	as	
necessidades	dessa	fase.	É	interessante	destacar	que	as	pessoas	nessa	fase,	além	de	possuírem	
experiências	irão	enfrentar	também	alguns	dissabores	principalmente	com	a	saúde.
Podemos	perceber	o	número	de	pessoas	nessa	fase	de	idade	que	continuam	a	trabalhar,	
em	muitos	casos,	com	a	mesma	intensidade	que	autuavam	antes	mesmo	de	se	aposentar.	
A	principal	razão	para	tal	ação,	manter-se	trabalhando,	é	justificada	pelo	valor	recebido	da	
aposentadoria	que,	muitas	vezes,	não	sacia	nem	mesmo	necessidades	básicas	do	cidadão.	Tal	
questão	é	sem	dúvida	um	problema	conjuntural	e	estrutural	da	sociedade	brasileira,	que	foge	
à	nossa	atenção	no	momento.	Aqui	nossa	intenção	é	explicitar	a	vida	financeira	das	pessoas	
nessa	fase	da	vida.
Porém,	a	realidade	nem	sempre	é	a	mesma	para	todos,	existem	ainda	aquelas	pessoas	
que,	mesmo	nessa	fase,	por	diversos	motivos	não	conquistaram	patrimônio	e	também	não	
possuem	uma	reserva	financeira.	
Um	dos	trunfos	é	a	experiência	e	a	cautela,	em	contrapartida	uma	corrida	contra	o	tempo	
para	agilizar	e	administrar	entradas	e	saídas	visando	uma	reserva	adiante.
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2 Contexto brasileiro: permanecer na ativa a partir dos 55 
anos equilíbrio financeiro 
A	realidade	brasileira	para	as	pessoas	que	chegam	à	fase	dos	55	anos	em	diante	e	que	
reservaram	uma	parcela	do	orçamento	 investindo	em	 fundo	de	 investimentos	passa	a	 ser	
uma	das	fases	mais	bonitas	da	vida,	onde	os	mesmos	terão	experiência,	cautela	e	respaldo	
financeiro,	sendo	o	tempo	um	aliado.	Atente	para	o	trecho	abaixo:
O	 futuro	 está	 ligado	 ao	 presente	 por	 meio	 da	 linha	 do	 tempo.	 As	 escolhas	 que	
fazemos	no	presente	determinam	o	futuro.	Se	você	tomar	sol	do	meio-dia	sem	utilizar	
o	protetor	solar	 (escolha	no	presente),	no	final	do	dia	seu	corpo	estará	 igual	a	um	
“pimentão	 vermelho”	 (resultado	 futuro).	 Se	 você	 andar	 sem	 guarda-chuva	 sob	 a	
chuva	(escolha	no	presente),	minutos	após	estará	com	as	roupas	ensopadas	e	sujeito	
a	contrair	um	resfriado	(resultado	futuro).	(HOJI,	2007,	p.	31).
A	situação	exposta	acima	pelo	autor	teria	uma	solução	possível	em	curto	prazo,	no	caso	
do	segundo	exemplo	a	solução	seria	simples:	trocar	as	roupas,	tomar	um	antigripal	e	tudo	
estaria	 resolvido.	Mas	a	analogia	para	as	pessoas	que	não	se	preparam	para	a	vida	 futura	
não	reserva	soluções	tão	práticas	assim.	Por	uma	questão	até	mesmo	de	sobrevivência,	as	
pessoas	acabam	aceitando	somar	diversas	atividades	para	complementar	aposentadoria	ou	
até	mesmo	para	aguardar	a	aposentadoria.
Diante	 disso	 a	 complementação	 financeira	 é	 obtida	 em	 empregos	 mesmo	 após	
a	 aposentadoria,	 como	 em	 bancas	 de	 jornal,	 portarias	 em	 prédios	 residenciais,	 entre	
outras	atividades.	
Em	maio	de	2006,	as	pessoas	com	50	anos	ou	mais	de	idade	(3.613	mil)	representavam	
18,1%	das	pessoas	ocupadas	no	agregado	das	seis	regiões	metropolitanas	investigadas	
pela	Pesquisa	Mensal	de	Emprego.	Este	grupo	etário	foi	o	único	a	apresentar	aumento	
de	sua	participação	na	população	ocupada	no	período	de	maio	de	2002	a	maio	de	
2006,	crescendo	2,7	pontos	percentuais.	(IBGE).
Mesmo	com	um	retrato	não	muito	atualizado	é	possível	perceber	a	necessidade	que	faz	
com	que	as	pessoas	mantenham-se	trabalhando	mesmo	após	55	anos	de	idade,	muitas	vezes	
já	aposentados.	É	evidente	que	nessa	fase,	exatamente	como	em	outras,	as	pessoas	possuem	
gastos	 constantes	 e	 na	 fase	dos	 55	 em	diante	 ainda	 são	 sobrecarregadas	 com	o	 custo	de	
prevenir	a	saúde	com	preços	altíssimos	de	planos	de	saúde.
Em	 outro	 contexto,	 para	 as	 pessoas	 que	 durante	 as	 fases	 anteriores	 conseguiram	
equilibrar	o	orçamento	e	investir	seja	em	fundos	de	investimentos,	previdência	privada	ou	até	
mesmo	criando	um	patrimônio,	através	de	imóveis	para	alugar	ou	outro	tipo	de	patrimônio,	
o	retorno	é	agradável	e	prazeroso.
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Quadros 1 − Resultados de investimentos em fases anteriores aos 55 anos de idade
 CelebraçãoExercícios Viagem
A	realidade	não	é	a	mesma	para	as	pessoas	que,	durante	as	fases	anteriores	por	outros	
motivos	não	conseguiram	equilibrar	o	orçamento,	e	investir	seja	em	fundos	de	investimentos,	
previdência	privada	ou	até	mesmo	criando	um	patrimônio.	
Para	 uma	 grande	 parcela	 da	 população	 brasileira	 nessa	 fase	 da	 vida,	 a	 experiência	 e	
cautela	não	serão	suficientes	para	complementar	o	orçamento,	além	de	que	nessa	fase	outros	
gastos	irão	aparecer,	tais	como	gastos	com	remédios,	sem	contar	o	caríssimo	plano	de	saúde.	
Essa	fase	para	essas	pessoas	passa	a	ser	até	mais	difícil	do	que	as	anteriores,	pois	apesar	de	
experiência	a	resistência	as	forças	já	não	são	as	mesmas.
Em	diversas	atividades	a	situação	é	semelhante,	essas	pessoas	continuam	com	a	mesma	
carga	de	trabalho.	
Quadro 2 – Pessoas aposentadas na ativa, independente da área de atuação
Sapateiro Pintor Florista
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3 A exploração dos idosos mesmo após aposentados
No	 contexto	 socioeconômico	 diversas	manobras	 até	mesmo	 legais	 são	 utilizadas	 por	
financeiras	 especialistas	 em	empréstimos	 consignados	para	os	 	 aposentados,	 além	muitas	
vezes	da	exploração	ser	em	casa.
Um	dos	tipos	de	empréstimos	cobiçados	pelas	financeiras	em	relação	aos	aposentados	
é	o	empréstimo	consignado.	Para	as	financeiras	o	risco	é	mínimo	ou	até	mesmo	 inexistente	
proporcionando	grandes	demandas	em	função	da	baixa	taxa	de	juros.	O	que	significa	na	prática	
mais	um	tipo	de	exploração	às	pessoas	dessa	 faixa	etária.	Apesar	de	algumas	medidas	para	
proteger	os	aposentados	sabe-se	que	financeiras	e	outros	acabam	por	explorar	essas	pessoas.
As	financeiras	oferecem	diversas	facilidades	para	empréstimos,	o	que	faz	com	que	muitos	
aposentados,	por	falta	de	informação,	adiram	a	esses	empréstimos.
As	 operações	 de	 crédito	 consignado	 realizadas	 por	 aposentados	 e	 pensionistas	 do	
Instituto	Nacional	do	Seguro	Social	(INSS)	totalizaram	R$	3,576	bilhões	em	agosto	de	
2013.	Em	valores	nominais	–	isto	é,	sem	considerar	a	inflação	–	o	resultado	foi	37,69%	
superior	ao	mesmo	período	de	2012,	quando	foram	liberados	R$	2,597	bilhões.	Em	
relação	a	julho	de	2013,	quando	foram	registrados	R$	3,245	bilhões,	houve	aumento	
de	10,02%.	(MINISTÉRIO	DA	PREVIDÊNCIA	SOCIAL,	2013).
Em	 uma	 sociedade	 do	 consumo	 o	 que	 determina	 as	 regras	 de	 comportamento	 das	
pessoas,	 inclusive	 nessa	 fase,	 quando	não	 se	 tem	dinheiro	 e	 deseja-se	 algum	produto	 ou	
serviço	tendo	uma	garantia	de	rendimento,	é	correr	atrás	do	crédito.	
O	crédito	passou	a	ser	uma	constante	no	primeiro	ciclo	de	vida	das	famílias,	quando	
estas	procedem	a	aquisição	de	equipamento	indispensável	à	sua	autonomia	familiar	e	
econômica	(casa,	automóvel,	eletrodoméstico,	mobiliário,	computador).	A	aquisição	
de	bens	através	do	recurso	crédito	é	o	resultado	de	uma	expansão	densificada	das	
necessidades	 e	 das	 práticas	 de	 consumo.	 O	 crédito	 é	 hoje	 fortemente	 associado	
a	esses	novos	padrões	de	 consumo	acompanhando	de	perto	as	 suas	 tendências	e	
oscilações.		(FRADE;	MAGALHÃES,	2006	apud	MARQUES;	CAVALLAZZI,	2006,	p.	24).
Sendo	assim,	nessa	perspectiva	de	crédito,	as	pessoas,	independentemente	da	fase	da	
vida,	deparam-se	 com	as	necessidades	de	 compras	e	quanto	mais	 fácil	 em	obter,	maior	a	
tendência	ao	endividamento.	Para	as	pessoas	na	fase	acima	dos	55	anos,	os	já	aposentados,	
outra	modalidade	de	crédito	−	o	empréstimo	consignado	−	passou	a	ser	modalidade	bastante	
incentivada	no	governo	Lula.	Esse	tipo	de	crédito	é	oferecido	às	pessoas	na	ativa,	ou	seja,	
trabalhadores	 ou	 aposentados	 e	 pensionistas	 do	 INSS,	 devido	 à	 segurança	 do	 pagamento	
oferecido	com	baixas	taxas	de	juros.	
Com	base	no	roteiro	técnico	de	empréstimos	consignado	do	INSS	de	2005,	são	oferecidos	
três	tipos	de	empréstimo	consignado	aos	aposentados	e/ou	pensionistas.	A	primeira	opção	
oferecida	 é	 feita	 diretamente	 no	 benefício	 previdenciário,	 onde	 o	 próprio	 INSS	 repassa	 o	
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valor	consignado	à	instituição	financeira	envolvida	na	transação.	Fica	evidente	que	a	taxa	de	
juros	cobrada,	tendo	o	INSS	como	aval,	é	inferior	e	destinada	a	outra	pessoa	que	não	nessas	
condições	de	mínimos	riscos.
A	segunda	forma	disponibilizada	refere-se	à	retenção	com	base	na	Lei	10.953	de	2004,	
que	em	seu	artigo	6	diz:	
Art.	 6o	Os	 titulares	 de	 benefícios	 de	 aposentadoria	 e	 pensão	 do	 Regime	Geral	 de	
Previdência	 Social	 poderão	 autorizar	 o	 Instituto	 Nacional	 do	 Seguro	 Social	 –	 INSS	
a	 proceder	 aos	 descontos	 referidos	 no	 art.	 1o	 	 desta	 Lei,	 bem	 como	 autorizar,	 de	
forma	 irrevogável	 e	 irretratável,	 que	 a	 instituição	 financeira	 na	 qual	 recebam	 seus	
benefícios	 retenha	 para	 fins	 de	 amortização,	 valores	 referentes	 ao	 pagamento	
mensal	 de	 empréstimos,	 financiamentos	 e	 operações	 de	 arrendamento	 mercantil	
por	ela	 concedido,	quando	previstos	em	contrato,	nas	 condições	estabelecidas	em	
regulamento,	observadas	as	normas	editadas	pelo	INSS.	(CASA	CIVIL,	2004).
Fica	evidente	que,	nessa	segunda	forma	de	empréstimo	consignado,	o	 INSS	repassa	o	
valor	integral	do	benefício	e	a	instituição	retém	o	valor	do	desconto.	Evidencia	também	nessa	
segunda	opção	que	a	existência	do	risco	para	a	financeira	é	inexistente,	já	que	o	INSS	repassa	
todo	o	benefício	para	a	financeira.	
A	 terceira	 opção	 oferecida	 para	 esse	 tipo	 de	 transação,	 que	 inclusive	 é	 previsto	 em	
Instrução	Normativa	do	 INSS,	 número	1171	 ,	 é	 realizada	 através	 de	um	 cartão	de	 crédito,	
nessa	opção	a	instituição	envia	arquivo	magnético	à	Dataprev2	que	realiza	uma	Reserva	da	
Margem	Consignável	(RMC),	no	valor	de	até	um	terço	da	margem	de	30%	permitida	por	lei.	
E,	dessa	forma,	mensalmente	a	financeira	envia	à	Dataprev	o	arquivo	com	informação	sobre	
valor	a	ser	consignado	nas	operações	feitas	com	o	cartão	de	crédito.	A	exigência	legal	é	que	
as	Instituições	Financeiras	devem	ser	conveniadas	com	o	INSS	(artigo	1º,	inciso	III,	IN	INSS/
DC	nº	110)3.	
Sendo	assim,	percebemos	que	a	exploração	dos	aposentados	de	uma	 forma	até	 legal	
é	 institucionalizada,	 ou	 seja,	 diante	do	 contexto	 em	que	o	mesmo	acaba	por	 enfrentar,	 o	
endividamento	 para	 as	 pessoas	 na	 fase	 dos	 55	 anos	 em	diante,	 já	 aposentados,	 reflete	 a	
necessidade	urgente	da	realização	de	um	planejamento	financeiro	nas	fases	anteriores.
Em	alguns	casos	a	mídia	tem	relatado	que	algumas	pessoas	nessas	condições	acabam	
por	não	conseguir	nem	o	mínimo	de	condições	de	sobrevivência,	vítimas	de	financeiras	e	falta	
de	informação.
1	Instrução	Normativa	do	INSS	nº	117:	Consiste	em	ato	administrativo	expresso	por	ordem	escrita	expedida	pelo	chefe	de	serviço	ou	ministro	
de	Estado	a	seus	subordinados,	dispondo	normas	disciplinares	que	deverão	ser	adotadas	no	funcionamento	de	serviço	público	reformulado	ou	
recém-formado.	Altera	a	redação	e	acrescem	dispositivos	à	Instrução	Normativa	nº	110	INSS/DC,	de	14	de	outubro	de	2004,	que	estabelece	
procedimentos	quanto	à	consignação	de	descontos	para	pagamentos	de	empréstimos	pelo	beneficiário	da	renda	dos	benefícios.
2		A	Empresa	de	Tecnologia	e	Informações	da	Previdência	Social	(Dataprev)	é	uma	empresa	pública	brasileira.	É	responsável	pela	gestão	da	Base	
de	Dados	Sociais	Brasileira
3	Artigo	1º,	 inciso	 III,	 IN	 INSS/DC	nº	110.	Estabelece	procedimentos	quanto	à	consignação	de	descontos	para	pagamento	de	empréstimos	
contraídos	pelo	beneficiário	da	renda	mensal	dos	benefícios.
Educação Financeira
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A	 crise	 social	 econômica	 afeta	 a	 todos,	 independentemente	 de	 fase	 de	 idade,	 mas	
para	um	 jovem	mesmo	com	pouca	experiência	e	maturidade	algumas	alternativas	podem	
ser	 oferecidas	 em	 função	 de	 seu	 próprio	 estado	 de	 saúde.Serviços	 paralelos	 “bicos”	 são	
alternativos	 que	 complementam	 a	 renda	 familiar	 e	 conseguem	 suprir	 uma	 determinada	
época.	Para	pessoas	com	idade	acima	de	55	anos	sobram	poucas	alternativas	as	quais	são	
aceitas	para	suprir	necessidades	vitais.
Alguns	 benefícios	 são	 oferecidos	 ou	 vigiados	 pelo	 governo	 endereçados	 às	 pessoas	
nessa	fase	da	vida,	consideradas	como	“idosos”.	Entre	esses	benefícios	podemos	mencionar	
atendimento	preferencial	nos	postos	de	saúde	tendo	a	gratuidade	de	remédios,	normalmente	
de	uso	continuado.
Para	saber	mais	sobre	o	Assunto	leia	o	capitulo	4,	página	74	da	Dissertação	
de	Mestrado	intitulada:	“A	utilização	do	crédito	consignado	pelos	aposentados	da	
Terceira	Idade:	um	estudo	Exploratório”,	de	Rosa	Maria	de	Freitas,	do	Programa	
de	 Mestrado	 Profissional	 em	 Administração	 das	 Faculdades	 Integradas	 Pedro	
Leopoldo,	em	Pedro	Leopoldo,	Minas	Gerais,	2010.
Na	 pesquisa	 é	 apresentado	 comportamento	 do	 consumidor	 nessa	 fase	
apontando	as	razões	para	recorrer	ao	empréstimo	consignado	e	as	consequências	
diante	das	financeiras	ancoradas	no	INSS.
Considerações finais
Durante	essa	aula	destacamos	implicitamente	fatos	e	consequências	do	não	planejamento	
financeiro	em	fases	da	vida	precedentes	à	fase	explícita,	dos	55	anos	em	diante.
Destacamos	 que,	 mesmo	 com	 experiência	 e	 cautela,	 a	 permanência	 da	 maioria	 das	
pessoas	 referenciadas	não	 se	 trata	de	opção.	Mencionamos	os	prazeres	para	aqueles	que	
investirão,	seja	em	poupança	ou	em	fundos	de	ações	e	com	pesar	explicitamos	os	desafios	
enfrentados	pelas	pessoas	que,	por	diversas	razões	e	 falta	de	 informações,	não	pouparam	
ou	criaram	estratégias	para	garantir	um	padrão	de	vida	adequado	nessa	fase	da	vida	e,	em	
consequência,	ficam	sem	alternativas	a	não	ser	manterem-se	trabalhando.
Mostramos	também	os	bastidores	do	preço	do	crédito	para	os	aposentados,	inclusive	
passeando	pelos	camarins	do	INSS.	Fica	evidente	a	necessidade	de	reflexão	para	aqueles	
que	não	aderiram	a	 ideia	de	uma	poupança	ou	um	respaldo	para	a	 fase	dos	55	anos	de	
idade	em	diante.
Educação Financeira
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Procuramos	destacar	alguns	dilemas	enfrentados	pelas	pessoas	ao	atingirem	essa	idade,	
fatos	positivos	articulados	à	experiência	e	maturidade,	mas	também	alguns	obstáculos,	na	
maioria	das	vezes	intrínsecos,	tais	como	condição	física.
Esperamos	ter	contribuído	e	até	mesmo	alertado	para	um	problema	que,	para	muitos,	é	
só	uma	questão	de	tempo.
Referências
CASA	 CIVIL.	 Empréstimo Consignado.	 2004.	 Disponível	 em:	 <	 http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/_ato2004-2006/2004/lei/l10.953.htm>.	Acesso	em:	nov.	2013.
HOJI,	M.	Finanças da Família:	o	caminho	para	a	independência	financeira.	São	Paulo:	Profitbooks,	
2007.
FRADE,	C.;	MAGALHÃES,	S.	Sobre	endividamento:	a	outra	face	do	crédito.	In:	MARQUES,	C.	L.;	
CAVALLAZZI,	R.	L.	(Coord.)	Direito do consumidor endividado:		superendividamento	e	crédito.	
São	Paulo:	Revista	dos	Tribunais,	2006.
FREITAS,	R.	M.	A utilização do crédito consignado pelos aposentados da 2010 da terceira 
idade: um	estudo	exploratório.	2010.	Dissertação	(Mestrado)	Fipel,	Minas	Gerais.
MINISTÉRIO	DA	 PREVIDÊNCIA	 SOCIAL.	Consignado: operações somam R$ 3,58 bilhões em 
agosto.	 Disponível	 em:	 <	 http://www.previdencia.gov.br/noticias/consignado-operacoes-
somam-r-358-bilhoes-em-agosto/	>.	Acesso	em:	nov.	2013.
IBGE.	O	trabalho	a	partir	dos	50	anos	de	idade.	Indicadores IBGE.	Disponível	em:	<	http://www.
ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/trabalhoerendimento/pme_nova/trabalho_50anos.
pdf.	Acesso	em:	nov.	2013.
	EDU_FIN_01_PDF_2013
	Capa
	Créditos
	Folha de rosto
	Introdução
	1 Educação financeira
	Considerações Finais
	Referências
	EDU_FIN_02_PDF_2013
	Folha de rosto
	Introdução
	1 Orçamento familiar: importância, componentes e tipos de despesas 
	Considerações Finais
	Referências
	EDU_FIN_03_PDF_2013
	Folha de rosto
	Introdução
	1 Por que precisamos de crédito?
	2 A demanda por crédito
	3 Conhecendo o cartão de crédito e sua importância aos consumidores 
	Considerações finais
	Referências
	EDU_FIN_04_PDF_2013
	Folha de rosto
	Introdução
	1 Banco Central do Brasil e suas funções
	2 As competências do Banco Central do Brasil
	3	Os impactos das ações do Banco Central nas transações cotidianas das pessoas e empresas
	Considerações finais
	Referências
	EDU_FIN_05_PDF_2013
	Folha de rosto
	Introdução
	1 Produtos e serviços oferecidos pelos bancos
	2 A investida dos bancos nos setores de varejo apoiados nas TICs e benefícios e malefícios oferecidos aos clientes
	3 Critérios básicos da educação financeira e harmonia com os bancos frente ao orçamento familiar e conquista da moradia
	Considerações finais
	Referências
	EDU_FIN_06_PDF_2013
	Folha de rosto
	 Introdução
	1	Identificar a necessidade do produto ou serviço
	2 Fatores que impulsionam a adiar ou não a aquisição de um produto ou serviço oferecido à família
	Considerações finais
	Referências
	EDU_FIN_07_PDF_2013
	Folha de rosto
	Introdução
	1 Conceitos essenciais da contabilidade para as empresas
	 2 Finanças e a empresa
	Considerações finais
	Referências
	EDU_FIN_08_PDF_2013
	Folha de rosto
	Introdução
	1 Elaboração do planejamento financeiro
	2 Aspectos comportamentais a serem refletidos
	3 Oportunidades para economizar
	Considerações finais
	Referências
	EDU_FIN_09_PDF_2013
	Folha de rosto
	Introdução
	1 Dinheiro e o crédito
	2 Investimentos
	3 As razões para conquistar e/ou manter nosso patrimônio
	Considerações finais
	Referências
	EDU_FIN_10_PDF_2013
	Folha de rosto
	Introdução
	1 Mercado financeiro
	2 Mercado monetário e de crédito
	3 Sistema Financeiro Nacional
	Considerações finais
	Referências
	EDU_FIN_11_PDF_2013
	Folha de rosto
	Introdução
	1 Por que investir e como ser investidor mesmo com pouco dinheiro
	2 Opções de investimentos com poucos recursos
	3 Como gerenciar os riscos
	Considerações finais
	Referências
	EDU_FIN_12_PDF_2013
	Folha de rosto
	Introdução
	1 Modalidades de empréstimos oferecidos pelos bancos
	2 Oscilação nas taxas de juros nas operações de crédito
	3 Efeitos da taxa básica para o consumidor final
	Considerações finais
	 Referências
	EDU_FIN_13_PDF_2013
	Folha de rosto
	Introdução
	1 O patrimônio familiar
	2 A contabilização do patrimônio líquido da família
	Considerações finais
	Referências
	EDU_FIN_14_PDF_2013
	Folha de rosto
	Introdução
	1 Caderneta de poupança e as mudanças recentes na remuneração
	2 Tipos de caderneta de poupança
	3 Fluxo de caixa familiar: receitas, despesas e poupança
	Considerações finais
	Referências
	EDU_FIN_15_PDF_2013
	Folha de rosto
	Introdução
	1 Planejamento para soluções no futuro 
	2 Como organizar as finanças em cada fase da vida? 
	Considerações finais
	Referência
	EDU_FIN_16_PDF_2013
	Folha de rosto
	Introdução
	1 A vida financeira a partir dos 55 anos
	2 Contexto brasileiro: permanecer na ativa a partir dos 55 anos equilíbrio financeiro 
	3 A exploração dos idosos mesmo após aposentados
	Considerações finais
	Referências

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