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Educação Financeira Créditos Centro Universitário Senac São Paulo – Educação Superior a Distância Diretor Regional Kamila Harumi Sakurai Simões Luiz Francisco de Assis Salgado Karen Helena Bueno Lanfranchi Katya Martinez Almeida Superintendente Universitário Lilian Brito Santos e de Desenvolvimento Luciana Marcheze Miguel Luiz Carlos Dourado Mariana Valeria Gulin Melcon Mayra Bezerra de Sousa Volpato Reitor Mônica Maria Penalber de Menezes Sidney Zaganin Latorre Mônica Rodrigues dos Santos Nathalia Barros de Souza Santos Diretor de Graduação Renata Jessica Galdino Eduardo Mazzaferro Ehlers Sueli Brianezi Carvalho Thiago Martins NavarroGerentes de Desenvolvimento Luciana Bon Duarte Coordenador Multimídia e Audiovisual Roland Anton Zottele Adriano Tanganeli Coordenadora de Desenvolvimento Equipe de Design Visual Tecnologias Aplicadas à Educação Adriana Matsuda Regina Helena Ribeiro Camila Lazaresko Madrid Danilo Dos Santos Netto Coordenador de Operação Estenio Azevedo Educação a Distância Hugo Naoto Alcir Vilela Junior Inácio de Assis Bento Nehme Karina de Morais Vaz Bonna Professor Autor Lucas Monachesi Rodrigues Carlos Alberto de Souza Cabello Marcela Corrente Marcio Rodrigo dos Reis Revisor Técnico Renan Ferreira Alves Regina Galhardi de Camargo Renata Mendes Ribeiro Técnico de Desenvolvimento Thalita de Cassia Mendasoli Gavetti Priscila dos Santos Thamires Lopes de Castro Vandré Luiz dos Santos Coordenadoras Pedagógicas Victor Giriotas Marçon Ariádiny Carolina Brasileiro Silva William Mordoch Izabella Saadi Cerutti Leal Reis Nivia Pereira Maseri de Moraes Equipe de Design Multimídia Alexandre Lemes da Silva Equipe de Design Educacional Cláudia Antônia Guimarães Rett Adriana Mitiko do Nascimento Takeuti Cristiane Marinho de Souza Alexsandra Cristiane Santos da Silva Eliane Katsumi Gushiken Angélica Lúcia Kanô Elina Naomi Sakurabu Cristina Yurie Takahashi Emília Correa Abreu Diogo Maxwell Santos Felizardo Fernando Eduardo Castro da Silva Elisangela Almeida de Souza Michel Iuiti Navarro Moreno Flaviana Neri Mayra Aniya Francisco Shoiti Tanaka Renan Carlos Nunes De Souza João Francisco Correia de Souza Rodrigo Benites Gonçalves da Silva Juliana Quitério Lopez Salvaia Wagner Ferri Temas Introdução 1 Educação financeira Considerações Finais Referências Professor Carlos Alberto de Souza Cabello Educação Financeira Aula 01 Introdução à educação financeira: definições e objetivos Objetivos Específicos • Entender a visão geral da importância dos conhecimentos de educação financeira em transações comerciais. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 3 Introdução Bem-vindo à disciplina de educação financeira. Esta disciplina é muito importante e interessante, e o objetivo é que todos compreendam o que é educação financeira de fato e os impactos de sua ausência na nossa vida. 1 Educação financeira De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) a educação financeira pode ser definida como: O processo pelo qual os consumidores e investidores melhoram sua compreensão sobre produtos, conceitos e riscos financeiros, e obtêm informação e instrução, desenvolvem habilidades e confiança, de modo a ficarem mais cientes sobre os riscos e oportunidades financeiras, para fazerem escolhas mais conscientes e, assim, adotarem ações para melhorar seu bem estar. (BCB, 2009, p. 1) A educação financeira possibilita às pessoas, antes de tudo, o exercício pleno de cidadania. Saber administrar seu próprio dinheiro torna o cidadão digno de obter bens não apenas para o momento, mas também para o futuro. A educação financeira pode capacitar os cidadãos a tomarem decisões com relação a suas rendas, poupanças, investimentos, riscos financeiros com o objetivo de facilitar a vida e melhorar o bem-estar. É importante salientar a necessidade da educação financeira independente do grau de escolaridade, nível social e até mesmo sorte ou inteligência. Um dos aspectos que deve ser enfatizado é a educação financeira recebida e a capacidade de assumir um comportamento decidido, disciplinado, para que as pessoas sejam estimuladas a correr atrás de seus objetivos e sonhos. Antes de mais nada, a educação financeira exige ações disciplinares contínuas, alterando o comportamento em todos os componentes envolvidos, seja na empresa ou na família. Dados de uma pesquisa feita pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) mostram que: 85% dos brasileiros compram sem planejamento e que 57% dos entrevistados também admitem que compram por impulso em momentos de ansiedade, tristeza e angústia. A maioria acha que sabe cuidar do próprio dinheiro, mas admite que se perdesse o emprego não conseguiria manter o padrão de vida por mais de um ano. (SPC-Brasil, 02/2013) Analisando a citação, percebe-se que uma parcela significativa da população brasileira (85%) desconhece o planejamento financeiro, o que nos induz a afirmar a importância de Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 4 ressaltar a necessidade da educação financeira em todos os níveis, independentemente de níveis sociais, escolaridade e outros. Os domínios da educação financeira devem despertar nas pessoas alguns fatos conhecidos, porém não praticados: • deve-se preparar um orçamento e procurar cumpri-lo; • provocar uma inequação em sua vida financeira atentando que o lado recebimentos deve ser maior ou igual ao lado Pagamentos ou gastos/despesas; • propiciar condições de gerar novas fontes de receitas, pois em alguns casos reduzir gastos é extremamente difícil; • deve-se criar condições de controlar os gastos1. 1.1 Referências e atitudes segundo a OCDE A Organização para Cooperação do Desenvolvimento Econômico (OCDE) disponibiliza algumas recomendações, das quais elencamos uma a seguir que foca a educação financeira com a realidade brasileira, articulando com o momento atual da economia do país. I. A educação financeira deve ser promovida de uma forma justa e sem vieses, ou seja, o desenvolvimento das competências financeiras dos indivíduos precisa ser embasado em informações e instruções apropriadas, livres de interesses particulares. (OCDE, 2004) A interpretação desse princípio, associada à educação, indica a necessidade de inserir na educação básica, tanto no ensino privado como no ensino público partindo do ensino fundamental até o ensino superior, conhecimentos financeiros articulados à faixa etária dos alunos e contexto socioeconômico. Entre as sugestões encontramos: a exploração dos conteúdos associados aos diferentes temas, à identificação da articulação de diferentes formas do pensamento matemático, a contextualização do conhecimento matemático e a possibilidade de considerar as razões históricas que deram origem e importância a esses conhecimentos, porém se observa a necessidade de escolhas organizadas e coerentes para evitar um trabalho centrado apenas na quantidade de informações. Segundo os PCN+2 , os temas escolhidos devem apresentar relevância científica e cultural, ou seja, quando se consideram a origem e a importância histórica devemos levar em conta o potencial explicativo do material escolhido de modo que os estudantes possam compreender 1 Desembolso à vista ou a prazo para a obtenção de bens ou serviços, independentemente da destinação que esses bens ou serviços possam ter na empresa. 2 PCN – Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 5 os princípios estéticos e éticos associados aos fatos mundiais que deram origem e relevância ao fato matemático estudado. Essa forma de tratamento da história pode auxiliar os professores no desenvolvimento das tecnologias associadas às técnicas por eles utilizadas para o desenvolvimento das tarefas possíveisde serem trabalhadas no Ensino Médio, tanto quando se reputam as aplicações na própria Matemática como nas outras ciências. (CABELLO, 2010, p. 12) A necessidade de associar conceitos aprendidos de uma série a outra pode ser complementada com recursos pelos quais os alunos consigam entender aplicações em seu mundo prático, contidas no seu contexto socioeconômico, iniciando uma conscientização da importância da educação financeira. Dessa forma, há possibilidade de haver um aprendizado sem viés de instituição financeira, ou seja, longe de interesses particulares. II. Os programas de educação financeira devem focar as prioridades de cada país, isto é, estar adequados à realidade nacional, podendo incluir, em seu conteúdo, aspectos básicos de um planejamento financeiro, como as decisões de poupança, de endividamento, de contratação de seguros, bem como conceitos elementares de matemática e de economia. Os indivíduos que estão para se aposentar devem estar cientes da necessidade de avaliar a situação de seus planos de pensão, necessitando agir apropriadamente para defender seus interesses. (OCDE, 2004) Nesse princípio referenciado pela OCDE são destacadas algumas prioridades, ou seja, a realidade nacional que contempla explicitamente a importância do planejamento financeiro destacando a cultura da poupança, do endividamento e contratação de seguros, assuntos a serem detalhados nos próximos módulos. III. As Instituições Financeiras devem ser incentivadas a certificar que os clientes leiam e compreendam todas as informações disponibilizadas, em específico, quando for relacionado aos compromissos de longo prazo, ou aos serviços financeiros cujas consequências financeiras são de grande magnitude. (OCDE, 2004) Nesse princípio da OCDE percebemos a origem de outra necessidade no contexto de nossa sociedade, a capacidade de interpretação dos contratos assumidos com as instituições financeiras, pois outras pessoas conseguem interpretar adequadamente os itens desses contratos. A educação financeira visa oferecer às pessoas condições de desmistificar a linguagem e os termos financeiros, de forma a oferecer uma visão clara do compromisso assinado e, principalmente, suas consequências a longo prazo. Ao assumir um compromisso com as instituições financeiras, grande quantidade de pessoas não percebe que estará refém da instituição, independentemente do bem durar ou não, até o término do compromisso financeiro, impossibilitando-as de fazer uso do capital em outras ocasiões. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 6 Atente para um exemplo: um automóvel financiado a longo prazo, sem entrada em dinheiro, irá provocar um aumento significativo no montante de preços desse bem. A OCDE demonstra também a necessidade do domínio de conceitos de matemática e de economia. Nesse item é essencial destacarmos alguns dados recentes sobre o conhecimento matemático dessa área do saber. O programa é desenvolvido e coordenado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Em cada país participante há uma coordenação nacional. No Brasil, o Pisa3 é coordenado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. (Dados INEP-2013) O objetivo do Pisa é produzir indicadores que contribuam para a discussão da qualidade da educação nos países participantes, de modo a subsidiar políticas de melhoria do ensino básico. A avaliação procura verificar até que ponto as escolas de cada país participante estão preparando seus jovens para exercer o papel de cidadãos na sociedade contemporânea. As avaliações do Pisa acontecem a cada três anos e abrangem três áreas do conhecimento – leitura, matemática e ciências –, havendo, a cada edição do programa, maior ênfase em cada uma dessas áreas. Em 2000, o foco foi em leitura; em 2003, matemática; e em 2006, ciências. O Pisa 2009 iniciou um novo ciclo do programa, com o foco novamente recaindo sobre o domínio de leitura; em 2012, é novamente matemática; e em 2015, ciências (Dados INEP-2013). As pesquisas evidenciam a urgente necessidade de investir na educação básica de forma a reverter o quadro apresentado. Os profissionais da educação têm plena consciência dessa necessidade. A própria mídia possibilita perceber o quanto as instituições financeiras manipulam parte dos consumidores em suas compras no varejo e até mesmo no atacado, acredito que esse quadro poderá sofrer redução quando os conceitos e aplicações da educação financeira estiverem explicitados nos currículos escolares de forma efetiva fazendo com que, desde cedo, as pessoas apropriem saberes legítimos para a conquista de uma vida com acesso a bens e serviços. A ausência de determinados conhecimentos para manipular taxas, prazos entre outros é mostrada pela mídia, na qual uma parcela da população infelizmente é enganada. Compreender e emitir juízos próprios sobre informações relativas à ciência e tecnologia, de forma analítica e crítica, posicionando-se com argumentação clara e consistente sempre que necessário, identificar corretamente o âmbito da questão e buscar fontes onde possa obter novas informações e conhecimentos. Por exemplo, ser capaz de analisar e julgar cálculos efetuados sobre dados econômicos ou sociais, propagandas de vendas a prazo, [...]. (BRASIL, 2002, p. 115) 3 Pisa – Programme for International Student Assessment (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes). Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 7 Analisando trabalhos de pesquisadores da educação matemática, que apontam algumas práticas em toda a escolaridade, é possível perceber que há necessidade de inserir algumas novas práticas e disseminar atividades comuns a todas as pessoas em nível de transações comerciais nas quais a lacuna da educação financeira provoca dependência e exclusão a uma vida digna. A inserção de conhecimentos da área financeira já na formação básica escolar poderá, mesmo que seja a médio ou longo prazo, possibilitar aos egressos, seja do Ensino Médio ou do Ensino Superior, condições para tomada de decisão sobre onde comprar, como comprar e investir. Dentre as aplicações da Matemática, tem-se o interessante tópico de Matemática Financeira como um assunto a ser tratado quando do estudo da função exponencial juros e correção monetária fazem uso desse modelo. [...] O trabalho de resolver equações exponenciais é pertinente quando associado a algum problema de aplicação em outras áreas de conhecimento, como Química, Biologia, Matemática Financeira, etc. (BRASIL, 2006, p. 75) Outro aspecto nesse princípio refere-se a planos de pensão e ações para aposentadoria, cujos conceitos e princípios serão destacados em módulos posteriores, ao tratarmos das fases da vida das pessoas diante da educação financeira. O planejamento financeiro contribuirá em atitudes diante das fases da vida dos indivíduos, de forma a possibilitar uma verdadeira condição financeira para os melhores anos. Sabemos que um dos maiores dilemas para a educação financeira corresponde à necessidade de sensibilização da pessoa. É necessário que o indivíduo internalize e desenvolva novos comportamentos de consumidor consciente, não deixando de comprar ou até mesmo financiar algum “bem” ou “serviço”, mas, sim, de realizar tais ações de forma sustentável. Realizar tais ações de forma sustentável significa identificar que determinados gastos excessivos irão comprometer uma escassez futura. A capacidade de adiar a aquisição de um bem ou serviço estará articulada na maioria das vezes à capacidade de substituir por outro. É comprovado por pesquisas que inúmeros consumidores, após realizar a aquisição de um determinado “bem ou serviço”,ao chegar em casa refletem a não necessidade dele. A ansiedade, o impulso pelas compras, aliada à facilidade de crédito, explica as razões do endividamento de alguns consumidores. A importância da educação financeira está justamente em alertar as pessoas sobre como comprar, quando comprar e, principalmente, analisar a necessidade de comprar associada à forma de comprar. Aspectos sociais também são amenizados em decorrência de uma equilibrada situação financeira. O equilíbrio financeiro propicia resultados positivos em nossas relações. Atente para a citação a seguir. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 8 Ser rico não é garantia para a felicidade. Existem muitas pessoas pobres, mas felizes. Porém, as dificuldades financeiras são fontes frequentes de desentendimentos e discórdias entre os casais. Não há garantias de que um casal rico seja feliz, mas um casal com situação confortável pode evitar muitos dissabores que ocorrem no dia-a- dia ou realizar sonhos. (HOJI, 2007, p. 35) • Para saber mais sobre o assunto, leia o livro A aventura do dinheiro – Uma crônica da história milenar do dinheiro, de Oscar Pilagallo, publicado pela Publifolha. • Indicação de filme: Os Delírios de Consumo de Becky Bloom (Islã Fischer; Hugh Dancy; Krsten Ritter). Filme interessante que descreve a temática do consumo de uma compradora compulsiva, com uma considerável quantidade de cartões de crédito estourados, evidencia que suas necessidades são muito ilimitadas diante de seu salário limitado. Vale a pena! Considerações finais O objetivo desta aula foi mostrar a importância e abrangência da educação financeira, que afeta todas as pessoas independentemente de idade ou até mesmo classe social. Destacamos também a posição de nosso país diante da necessidade da disseminar esse conhecimento entre as pessoas. Inserimos também algumas contribuições da educação matemática no contexto da formação de nossos estudantes, que também são vítimas, já que não sabem manipular conceitos básicos que compõem a educação financeira. Referências BCB. Banco Central do Brasil. Boletim Responsabilidade Social e Ambiental do Sistema Financeiro. Disponível em: <http://www.bcb.gov.br/pre/boletimrsa/BOLRSA200902.pdf>. Acesso em: set. 2013. BRASIL. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais: Ensino Médio. Ministério da Educação, Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Brasília: MEC, SEMTEC, 2002, p. 360. CABELLO, C. A. de S. Relações Institucionais para o Ensino da Noção de Juros na Transição Ensino Médio e Ensino Superior. 2010. Dissertação (Mestrado). UNIBAN, São Paulo. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 9 HOJI, M. Finanças da Família: o caminho para a independência financeira. São Paulo: Profitbooks, 2007. INEP, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Pisa. Disponível em: http://portal.inep.gov.br/pisa-programa-internacional-de-avaliação-de-alunos. Acesso em: set. 2013. OCDE. Assessoria de Comunicação Social. OECD´s Financial Education Project.. OCDE, 2004. Disponivel em: <http://www.oecd.org/>. Acesso em: jul. 2013. PILAGALLO, Oscar. A aventura do dinheiro – Uma crônica da história milenar do dinheiro. São Paulo: Publifolha, 2001. SDPC BRASIL Serviço de Proteção ao Crédito. Pesquisas – Compras por impulso estão relacionadas à baixa autoestima e à insatisfação com a aparência. Disponível em: <http:// www.spcbrasil.org.br/imprensa/pesquisa/109. Acesso em: set. 2013. Educação Financeira Aula 02 Orçamento Familiar: Tipos de Despesas Objetivos Específicos • Entender a importância da criação de um orçamento familiar, compreendendo seus processos para articular despesas fixas, variáveis e eventuais. Temas Introdução 1 Orçamento familiar: importância, componentes e tipos de despesas Considerações Finais Referências Professor Carlos Alberto de Souza Cabello Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 3 Introdução Nesta aula iremos abordar o orçamento familiar e os obstáculos que surgem no controle das despesas de uma família. Logo você irá entender como as suas atitudes e comportamentos podem equilibrar o dinheiro ao final de todo mês. Tenho certeza de que alguns dos fatos mencionados no decorrer da aula já aconteceram ou até mesmo estão acontecendo no momento, mas desejo que novas atitudes e comportamentos ao preparar o orçamento do próximo mês sejam tomados. Menciono algumas dicas, já conhecidas, mas pouco aplicadas. Pense nelas. 1 Orçamento familiar: importância, componentes e tipos de despesas Identificar a importância de um orçamento familiar é tão vital para o sucesso das pessoas quanto um plano econômico traçado pelo governo. Similar à necessidade de articular todos os setores da sociedade para obter êxito para o triunfo de um orçamento familiar, é fundamental o comprometimento de todos independentemente do sexo ou idade. Estabelecer metas para o orçamento familiar exige que todos os componentes da família estejam envolvidos. É necessário mostrar a todos que controlar o orçamento não se traduz em deixar de consumir, mas evitar desperdícios de dinheiro. Na conquista de patrimônio e na manutenção mensal das despesas o endividamento surge como um grande monstro defronte aos membros da família, e nesse momento a habilidade de controlar pode significar a felicidade financeira de todos; do contrário, longos sacrifícios. Dica 1 - Vilões que contribuem para o endividamento • Fazer uso do limite do cheque especial como parte do salário. • Acreditar que pagar o mínimo do cartão de crédito é a melhor saída naquele mês e que não irá repetir tal ação no próximo mês. • Desprezar pequenas despesas. • Comprar por impulso ou angústia. • Optar por pagamentos a prazo. Saber administrar o dinheiro é uma arte e pode ser aprendida, basta disciplina e autodeterminação. Há inúmeras razões que tentam justificar o descontrole nas finanças pessoais. Muitas pessoas não possuem o hábito de fazer planejamento por entender que sua Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 4 receita é muito baixa e que de nada adiantará. É importante destacar que diminuir despesas não é muito fácil e que existem despesas em uma casa que aparentemente é impossível reduzir, dentre elas: alimentação, educação, lazer. Mas não planejar é semelhante a estar em uma rodovia sem saber para que lado ir. Dica 2 - Preparação de um orçamento • Estabelecer prioridades sempre tendo a renda familiar como referencia. • Relacionar todos os gastos; (cafezinho, lanches, estacionamentos, jornais. revistas; xerox; lavagem do carro, etc..), afinal todos saem do mesmo lugar, seu bolso ou sua conta bancaria. • Toda a família deve estar comprometida e não apenas envolvida. • Classificar as despesas por ordem de prioridade, tais como: alimentação, plano médico, moradia, educação etc. • Procurar inserir no orçamento, mesmo que pequena quantia, uma reserva para imprevistos. Um orçamento familiar deve articular as necessidades com a renda disponível. Independentemente do valor da receita, preparar um orçamento irá direcionar principalmente as despesas. Ao que parece aumentar a receita seria, na maioria das vezes, a solução, mas nem sempre esse aumento irá resolver o problema por muito tempo, se não forem alterados atitudes e comportamentos de compras. É comum a mídia divulgar inúmeras pessoas que tiveram a vida transformada por terem ganhado muito dinheiro e, que tristemente, acabam em uma miséria pior do que antes. Há inúmeras notícias de jogadores de futebol que saíram de situação pouco privilegiada financeiramente, mas ao conquistarem fama e dinheiro caíram em desgraças, e acabaram ficando pior do que no inicioda vida. 1.1 Tipos de Despesas Despesas1 decorrem do consumo de bens e da utilização de serviços. Por exemplo: a energia elétrica consumida, os materiais de limpeza (sabões, desinfetantes, vassouras, detergentes), o café entre outros (RIBEIRO, 2010, p. 49). Dentre os tipos de despesas, temos: despesas fixas, despesas variáveis e despesas eventuais. 1 Despesa: compreende os gastos decorrentes do consumo de bens e da utilização de serviços das áreas administrativas, comercial e financeira, que direta ou indiretamente visam à obtenção de receitas. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 5 1.1.1 Despesas Fixas Despesas fixas são as despesas realizadas pela empresa, independentemente do volume produzido, tais como aluguel, salários e encargos, água, luz, telefone, manutenção (MARTINS, 2003, p. 22). Isso significa que, independente do número de pessoas que mora em uma residência, o valor do aluguel será o mesmo pactuado no contrato da locação. Existem despesas que não tem como reduzir. Em função disso, uma das estratégias diante de despesas dessa categoria é a substituição, tais como substituir telefone fixo por telefone celular. No caso do aluguel, uma das estratégias seria locar o imóvel em outra localidade mais na periferia. Enfim, a redução desse tipo de despesa exige alterar padrões de conforto, alterar comportamentos. Procuramos enfatizar que um dos principais quesitos para o sucesso da saúde financeira está em alterar comportamentos, substituir produtos ou serviços, adiar por algum tempo facilidades de locomoção de transportes etc. Tabela 1 - Despesas fixas Aluguel/Prestação Educação – Escola/Faculdade Convênio Médico Impostos (IPTU/IPVA/IR) Seguros (Carro, Residencial, Pessoal)/ Empregada Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 6 Com relação ao aluguel é importante analisar também as distâncias que todos os componentes da família enfrentam para ir ao trabalho, escola ou faculdade, pois o que se acredita ganhar com um valor mais baixo do aluguel pode ser disseminado no gasto com transportes decorrentes da distância, sem contar com o tempo e o estresse. Porém, pode ser um sacrifício gerar uma poupança e sair do aluguel no futuro. Logo nessa despesa uma visão de futuro e comprometimento de todos pode resultar em benefício geral. Um fator pouco abordado e de suma importância é a capacidade de substituição. Existem produtos que se tornaram ícones e que até mesmo a dona de casa nem procura por outro, tanto é a confiança naquela marca. Tentar substituir por outro produto pode significar arriscar, porém pode ser uma saída mais viável não somente na questão preço. Lembre-se que o marketing tem a função básica de provocar necessidade no consumidor. Outro fato importante gerador de despesa é ir ao supermercado e levar as crianças, pelo menos até certa idade, pois dificilmente iremos negar alguma “besteirinha”, mesmo sabendo do valor calórico que apresenta aquele desejo de nosso filho ou filha. Outra dica é ir ao supermercado após o almoço, pois o “estômago” age mais rápido que seu controle. Um cuidado que também é interessante é com as quantidades de determinados produtos, principalmente frutas, verduras e legumes, que podem estragar já que nas famílias nem sempre todos aceitam com facilidades determinados legumes ou verduras. Outra despesa que pode gerar conflitos na família é a conta do telefone, mesmo sabendo que parte da população brasileira está migrando para o uso de celulares ao invés do telefone fixo, é importante alguns detalhes: lembrar que o telefone é para conversas breves, palestra é ao vivo; o horário das chamadas também pode contribuir para a diminuição dessas despesas, pois em determinados horários há diferenciação de preços. 1.1.2 Despesas variáveis As despesas variáveis estão articuladas ao volume, a quantidade do referido bem ou serviço. Despesas decorrem do consumo de Bens e da utilização de serviço. Por exemplo: a energia elétrica consumida, os materiais de limpeza consumidos (sabões, desinfetantes, vassouras, detergentes), o café consumido, os materiais de expediente consumidos (canetas, papéis, impressos etc.), a utilização de serviços telefônicos etc. (RIBEIRO, 1999, p. 55) Entre as despesas variáveis em uma residência a conta de água é um bom exemplo e está articulada ao número de pessoas e ao tempo de consumo: é comum fazer a barba com a torneira ligada, não controlar o consumo de água até mesmo na descarga sanitária, sem contar possíveis vazamentos. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 7 Uma vez por ano faça ou mande fazer uma verificação nos encanamentos de sua casa ou apartamento, e repita para a parte elétrica. Pode se inferir que transportes e lazer é o tipo de despesa mais fácil de controlar e, infelizmente, essa redução ocorre com as classes sociais menos privilegiadas e assim mesmo por força das circunstâncias. Nessa situação trabalhar ou estudar mais próximo de casa pode contribuir em muito na redução das despesas em transportes, que, diga-se de passagem, não é nada barato. Alta com despesas com Transportes aumentam em todo o país. Para a parcela das famílias que corresponde aos 10% mais pobres do País, os gastos com transporte público correspondem a 13,5% da renda domiciliar. Para as famílias brasileiras de todos os níveis de renda, o mesmo item impacta, em média, 3,4% em sua renda. Os dados são de uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira (4) pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). De acordo com o estudo, em 2003, as famílias mais pobres tinham um comprometimento maior na renda com os transportes públicos. Cerca de 15% de sua renda era destinada ao transportes. Já em 2009, houve uma pequena redução, passando para 13,5%. (IPEA, agosto, 2013) 1.1.3 Despesas eventuais Dentre as despesas eventuais estão aquelas que ocorrem ocasionalmente em determinadas épocas do ano, como pagamentos de impostos (tributos), compra de mercadorias, pagamento de 13º salário, substituição ou manutenção de equipamentos. Apesar de não ser mensal, você já sabe com alguma antecedência que a despesa vai aparecer (MAHER, 2001, p. 85). Destacamos que, mesmo sabendo que esse tipo de despesa não é constante, devemos prever tais valores. Fazendo uma análise geral das despesas percebemos que há despesas que não dependem unicamente de nós, como as de condomínio, que, para serem reduzidas, é necessária a conscientização de inúmeras pessoas residentes no condomínio. As despesas realmente necessárias são aquelas que não podem ser reduzidas ou completamente eliminadas imediatamente, tais como aluguel, despesas de condomínio, condução, alimentação, escola dos filhos etc. (HOJI, 2007, p. 2). Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 8 1.2 Analisando os desperdícios Existe alguns hábitos que devem ser alterados, entre eles gastar e depois ver como irá pagar, pois como consequência dessa atitude há o endividamento. Dentre as despesas fixas, uma análise acurada permite identificar desperdícios cometidos pelos componentes da família e podemos perceber que, dependendo da faixa etária, a probabilidade do desperdício é maior. O consumo de telefone, água, gás está associado ao número de pessoas da residência e ao tempo de uso. Essas despesas podem ser controladas desde que haja o comprometimento de todos os moradores da residência. Atente para a citação a seguir. Com o eminente déficit na geração de energia elétrica, o governo federal admitiu a existência da crise de abastecimento de energia elétrica em março de 2001, sendo que em maio do mesmo ano, o Ministério das Minas e Energia (MME) chegou aadmitir que seria necessário haver interrupções temporárias e regionais no fornecimento de energia elétrica. A ANEEL em conjunto com a secretaria nacional de energia apresentou um projeto que previa multa de ultrapassagem de meta de economia, com o valor de 15 vezes superior ao da tarifa, ficando três vezes maior em caso de reincidência. (JABUR, 2001, p. 34) Para justificar que é possível economizar, principalmente para os mais jovens, o Brasil, em 2001 e 2002, reduziu o consumo de energia elétrica e foi instituído bônus para os consumidores que conseguiam ficar abaixo da meta estabelecida. Isso significa que é possível reduzir despesas como a energia elétrica, reduzindo o tempo de banhos, acumulando roupas para passar em uma única ocasião, trocando lâmpadas por mais econômicas, procurando eletrodomésticos com consumo menor. Atualmente o horário de verão já faz parte de nossos hábitos. Além da redução do consumo da eletricidade, outros benefícios são proporcionados, como a redução de acidentes no horário de pico do trânsito, pois nesse horário há mais iluminação solar, além de reduzir também assaltos e crimes. 1.3 Como pagar as despesas O pagamento à vista sempre foi o mais indicado e sempre será a melhor opção. Pagar à vista é uma excelente forma de fugir do endividamento, além de possibilitar descontos e principalmente não forçar a dependência financeira. • Atentar que mesmo no parcelamento de um valor, em que é informado “sem acréscimo”, na maioria das vezes estão embutidos juros no preço total do bem ou do serviço. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 9 • Exigir, mesmo sendo pagamento à vista, informações sobre as parcelas, a entrada, taxas de juros, impostos e outros, antes de efetuar a compra. • Lembrar que atrasos no pagamento das prestações irão implicar multa de até 2% adicionados aos encargos. Outro cuidado que devemos ter ao pagar é com o uso do cheque especial. Evite entrar no limite do cheque especial, pois na maioria das vezes as taxas de juros cobrados são muito altas. Muitas pessoas consideram na prática o cheque especial como um complemento do salário. Considerações Finais Nesta aula aprendemos que um orçamento familiar contribui muito para articular receitas e despesas nas famílias. Sintetizamos também os principais tipos de despesas ilustrando atitudes cometidas até mesmo despercebidas ou por não possuir informações. Demonstramos que não faz muito tempo fomos induzidos a racionar o consumo de energia elétrica e que com conscientização das pessoas tal atitude deve ser espontânea, sendo que os benefícios ultrapassaram o âmbito monetário. Enfim, espero ter esboçado alguns fatos para, antes de qualquer atitude, repensarmos que somos capazes de conquistar um equilíbrio financeiro. Referências BARDELIN, C. E. A. Os efeitos do racionamento de energia elétrica ocorrido no Brasil em 2001 e 2002 com ênfase no Consumo de Energia Elétrica. 2004. Dissertação (Mestrado), Escola Politécnica Universidade de São Paulo. HOJI, M. Finanças da Família: o caminho para a independência financeira. São Paulo: Profitbooks, 2007. IPEA. Instituto de Pesquisa Econômicas. Disponível em: < http://www.pea.gov.br/portal/index. php?Optioon=com_content>. Acesso em: 25 ago. 2013. JABUR, M. A. Racionamento: do susto à consciência. São Paulo: Terra das Artes, 2001. MAHER. M. Contabilidade de Custos. Criando valor para a Administração. São Paulo: Atlas, 2001. MARTINS, J.P. A Educação Financeira ao alcance de todos. São Paulo: Fundamento Educacional, 2004. RIBEIRO, M. O. Contabilidade Básica Fácil. 22. ed. São Paulo: Saraiva, 1999. RIBEIRO, M. O. Contabilidade Básica Fácil. 27. ed. São Paulo: Saraiva, 2010. Educação Financeira Aula 03 A necessidade de saber usar o crédito Objetivos Específicos • Compreender os conceitos de crédito e as possibilidades para o uso adequado. Temas Introdução 1 Por que precisamos de crédito? 2 A demanda por crédito 3 Conhecendo o cartão de crédito e sua importância aos consumidores Considerações finais Referências Professor Carlos Alberto de Souza Cabello Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 3 Introdução Este momento da nossa disciplina é para dedicarmos atenção às formas de trabalhar com o crédito, ou seja, as vantagens de saber usar e quando perdemos o controle como agir. Veremos também como está o crédito do brasileiro atualmente e suas consequências na economia do país. Ao término desta aula, espero que compreenda como obter crédito e principalmente como mantê-lo. 1 Por que precisamos de crédito? Para compreender as razões pelas quais necessitamos de crédito devemos entender o seu significado, tanto financeira como juridicamente. Financeiramente, definir crédito está articulado à ação para troca de bens e serviços, os quais temos no momento em que necessitamos, e que em contrapartida assumimos o compromisso de restituí-los após um período compactuado podendo ocorrer em uma única vez ou em parcelas. Crédito diz respeito à troca de bens presentes por bens futuros. De um lado, uma empresa que concede crédito troca produtos por uma promessa de pagamento futuro. Já uma empresa que obtém crédito recebe produtos e assume o compromisso de efetuar o pagamento futuro. (ASSAF, 1999, p. 99) Há uma relação temporal pela aquisição de um bem ou serviço que necessita de uma garantia de retorno e de segurança. A necessidade do crédito acontece todas as vezes que necessitamos comprar e não temos liquidez, ou seja, dinheiro vivo. Nesses momentos o crédito aparece e soluciona o problema. A compra é realizada naquele momento e o pagamento acontece depois. Para isso é necessário, antes de mais nada, uma relação de confiança, um acordo. Podemos concluir que para que essa estratégia seja possível é necessário que cada um cumpra a sua parte. Na relação entre quem recebe o crédito (consumidor) e quem cede o crédito (instituição) deve existir um comprometimento pois a instituição deve saber a capacidade de pagamento do consumidor de forma que consiga honrar sua dívida sem alterar sua vida financeira. Em contrapartida o consumidor deve utilizar o crédito com responsabilidade, não assumindo compromisso que não consiga saldar, trata-se do tão falado crédito consciente. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 4 Para saber mais sobre o assunto leia: ASSAF NETO, A Mercado Financeiro. São Paulo: Atlas, 2011. p. 68. A economia é uma das ciências mais estudadas em todo o mundo, ela demonstra e dissemina que as necessidades das pessoas são ilimitadas e os recursos são limitados. Diante desse fato, conseguir ampliar a possibilidade de saciar nossas ilimitadas necessidades torna nosso ideal constante. Nesse contexto, a confiança entre as pessoas, entre pessoas e empresas e de empresas para empresas possibilita minimizar a diferença entre necessidades e recursos, ou seja, conseguir usufruir de bens e serviços para suprir necessidades e postergando a limitação de nossos recursos. “Juridicamente, o crédito se traduz como o direito a uma prestação futura, fundado, essencialmente, na confiança e no prazo. Dilação temporal e boa fé são seus referenciais” (FAZZIO, 2010, p. 317). Em determinados momentos, o crédito em nossa sociedade passa a atuar como agente de riqueza. A necessidade de crédito para uma família que por diversas razões não consegue acumular capital transformou-se na “saída para a aquisição dos bens e serviços necessários”. Esse assunto será abordado em outras aulas. Um dos fatores que motivam os consumidores a necessitarem de crédito são as possibilidades oferecidas pelo desenvolvimento da TIC, Tecnologia da Informação e Comunicação, pois sem limitesde distâncias ou horários o que não falta é onde comprar produtos ou serviços. As administradoras de crédito, cientes desse fato, articulam parcerias com todos os tipos de comércio, tanto varejistas como atacadistas, incentivando os consumidores, independentemente de classe social, sexo ou até mesmo idade, a comprar. Estamos nos tornando ávidos consumistas, fato que aquece a economia e amplia a demanda. Em consequência estimula-se a produção e torna-se notável o crescimento em determinados setores, aquecendo o mercado de crédito. Para saber mais sobre tecnologias que nos influenciam diariamente a tornarmos consumidores de novos produtos e serviços leia o Capítulo 2 do livro Sistema de Informações Gerenciais, de Kenneth C. Laudon e Jane P. Laudon (São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009). Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 5 Uma nova estratégia na concessão de crédito, possibilitando redução de riscos e menores taxas de juros, foi articular a liberação do crédito à fonte de recebimento do beneficiário. Crédito consignado representa custo menor para o tomador. Ele possibilitou maior acesso da população menos favorecida ao crédito, articulando ao recebimento de pensões e aposentadorias pagas pelo INSS. Para as instituições financeiras essa estratégia de crédito possibilita a certeza do recebimento e, por consequência, menores riscos e oferecimento de menores taxas e burocracia na concessão do dinheiro. É bom destacar que o próprio INSS está atento a essas transações, disponíveis na instrução normativa número 28 que concentra todas as normas referentes aos empréstimos consignados para aposentados e pensionistas. Mesmo sendo oferecido crédito facilitado, não significa que não incidirá taxas, apenas as taxas serão menores em função do prazo ser menor. O crédito facilita o acesso aos produtos ou serviços, mas encarece no custo final desses produtos ou serviços, fazendo com que o emprestador durante determinado período terá em sua renda uma redução que poderá interferir no orçamento familiar. Diante desses fatos, pesquisar menores taxas de juros proporcionará uma maior tranquilidade durante o pagamento do compromisso, pois o valor das parcelas será menor. 2 A demanda por crédito A necessidade de crédito pode ser desencadeada por diversos motivos: • valor do produto ou serviço alto; • acreditar que é a melhor forma de pagamento; • por não possuir o dinheiro no momento; • em caso de necessidades inesperadas; • aproveitar uma oferta ou oportunidade inesperada. As razões que levam as pessoas a optar entre crédito, financiamento ou parcelamento são as mais diversas possíveis. Os meios de comunicação têm mostrado que consumidores com boa formação escolar acabam por tropeçar com o cartão de crédito. É claro que o consumidor estar em uma situação desfavorável financeiramente é resultado de um descontrole anterior por falta de educação financeira ou até mesmo por situações não esperadas, como doença na família. Assim, os itens a seguir podem contribuir para entender a razão do momento que Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 6 o fez se endividar e principalmente a não repetir: • não saber dosar o crédito concedido por instituições financeiras; • possuir diversos cartões de crédito, principalmente de lojas onde algumas ofertas nos impulsionam a adentrar ao cartão de fidelidade e perder o controle sobre os mesmos. Um dos critério essenciais para conceder o crédito é possuir um bom histórico frente ao mercado, tanto no atacado como no varejo, e uma renda propicia o acesso ao cartão de crédito. O equilíbrio do uso desse “dinheiro de plástico” está em possuir um controle detalhado de tudo que comprou e deve atentar para a forma de comprar e pagar, se no rotativo ou em parcelas. No crédito rotativo, você pode pagar uma parte da fatura e deixar o saldo restante para o mês seguinte. Atenção: ao utilizar o crédito rotativo, você pagará juros e encargos financeiros sobre o saldo devedor que não foi pago. Dica 1. Para um bom relacionamento com seu cartão de crédito: • Pagar o mínimo da fatura: evite, a não ser em casos de emergência, tente identificar alternativas com juros mais baixos. • Parcelamento: cuidado para não comprometer o orçamento dos próximos meses. • Planejar o uso do cartão: não torne seu cartão complemento de seu salário. • Controlar os gastos: sempre guarde os comprovantes de suas compras, tal atitude evita sustos ao abrir a fatura do mês. • Ao pagar a fatura, procure pagar o total, evite juros na próxima fatura. • Ao utilizar seu cartão de crédito, o valor total da compra não deve ultrapassar o limite de crédito oferecido pela administradora. Outro fator que contribui para o crescimento do uso do cartão de crédito é o aumento da renda dos brasileiros que facilita a ampliação da possibilidade de comprar. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 7 3 Conhecendo o cartão de crédito e sua importância aos consumidores O crescimento pelo uso do cartão de crédito está articulado ao aumento da renda e de avanços tecnológicos em nossa sociedade. Com o objetivo de impor algumas regras o CMN, Conselho Monetário Nacional, através da Resolução 3.919 de 25/11/2010, estabeleceu alguns itens que impulsionaram o crescimento desse mercado. Os benefícios oferecidos pelos cartões atingem quase todas as classes sociais, sendo assim é interessante destacar algumas interpretações decorrentes dessa resolução do CMN. Para apoiar os consumidores, o BCB, Banco Central do Brasil, através da resolução número 3.919, tornou público o que, na posição de órgão normativo, o CMN (Conselho Monetário Nacional) estabeleceu através de algumas regras para ajustar melhor as relações entre as instituições e os consumidores, disciplinando o crédito em suas modalidades e formas creditícias. Todas as regras contidas na resolução citada são muito importantes na relação administradora-consumidor, mas existem algumas que iremos enfatizar. Segundo a CMN, o valor mínimo exigido para pagamento da fatura não pode ser inferior a 20%. O que mais pretendemos destacar é que no momento em que assinamos o contrato com a administradora devemos nos ater a esses itens, lembrando que, como nas demais operações de crédito, estará sujeito a cobrança de juros. Ao assinar o contrato observe: limite de crédito tanto para compras nacionais como internacionais; limite para saques e empréstimos pessoais; relação das compras efetuadas, inclusive as parceladas; valor total das compras; taxa de juros; tarifas; encargos financeiros cobrados; CET Custo Efetivo Cobrado. Dentre as tarifas que podem ser cobradas estão: • Anuidade: é interessante sempre atentar para o contrato e verificar os valores a serem cobrados como anuidade. • A emissão de segunda via do cartão. • Serviços como uso do cartão para pagamento de contas ou retirada em espécie de saques, o consumidor deve articular com o contrato. Em um mundo competitivo as administradoras de cartões de crédito também estão antenadas nas necessidades e nos benefícios oferecidos aos consumidores, vale a pena pesquisar e até negociar tais condições, mesmo sabendo que haverá cobrança, permitida pelo Banco Central do Brasil através da CMN. Enfatizamos que as administradoras de cartões por não serem empresas financeiras em sua gênese enquadram-se na condição de prestadoras de serviços, logo fazendo a intermediação entre os estabelecimentos afiliados e os portadores de cartão de crédito. É Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 8 interessante destacar que, diante das dificuldades legais de proteçãodo consumidor frente à cobrança das taxas de juros e no parcelamento das vendas a longo prazo, as administradoras estão se tornando instituições financeiras e por consequência ficando fora da lei da usura1 . Assim, podem praticar as taxas de juros que considerarem viáveis. Dessa forma, cabe ao consumidor ficar atento a taxas e outras despesas cobradas quando usam o cartão. Os órgãos do governo através de normas fazem a parte deles, o que significa que o consumidor deve, antes de usar os cartões, se conscientizar das consequências do mau uso. O consumidor é dono de seu próprio futuro, possuir cartão de crédito requer habilidades para saber usá-lo. Atente à citação abaixo. O futuro está ligado ao presente por meio da linha do tempo. A escolha que fazermos no presente determina o futuro. Se você tomar sol ao meio-dia sem utilizar o protetor solar (escolha no presente), no final do dia seu corpo estará igual a um “pimentão vermelho” (resultado no futuro). (HOJI, 2007, p. 32) Destacamos também que o cartão de crédito não oferece apenas benefícios, mas também complicações profundas, pois alguns consumidores descuidam de seus controles com a fatura do cartão e acabam pagando apenas o mínimo. Os encargos financeiros incidentes nessas operações de crédito acarretarão a cobrança de juros pactuada entre os clientes e a emissora do cartão. O Banco Central é responsável por regular e fiscalizar as operações de cartão de crédito estabelecendo as regras tanto das administradoras para com os clientes e vice-versa. Outro ponto importante sobre cartão de crédito é a tentativa de fraudes. Segundo a Serasa2 , o indicador registrou 1,22 milhão de tentativas de golpes no período entre janeiro e julho de 2013, número recorde que representa uma tentativa a cada 15 segundos, em média. Criminosos usam dados falsos ou informações de vítimas para aplicar golpes na emissão de cartões de crédito, compra de automóveis, abertura de conta-corrente, financiamento de eletrônicos, compra de celulares, etc. Interpretação e procedimentos de algumas tentativas de golpe apontadas pelo indicador da Serasa Experian: • Emissão de cartões de crédito: o golpista solicita um cartão de crédito usando uma identificação falsa ou roubada, deixando a “conta” parta a vítima e o prejuízo para o emissor do cartão. Esses casos são muito frequentes, devemos estar atentos quando perdemos documentos ou mesmo quando somos furtados ou roubados, devemos imediatamente dirigir-se a um Distrito policial e abrir um BO, Boletim de Ocorrência. • Financiamento de eletrônicos (Varejo): o golpista compra um bem eletrônico (TV, aparelho de som, celular, etc.) usando uma identificação falsa ou roubada, deixando a conta para a vítima. Mesmo procedimento anterior. 1 Lei da Usura estabelece que é proibido incidir juros dos juros; essa proibição não compreende a acumulação de juros vencidos aos saldos líquidos em conta-corrente de ano a ano. 2 Serasa significa Centralização de Serviços dos Bancos, e não é uma sigla. A Serasa é uma empresa privada brasileira que faz análises e pesquisas de informações econômico-financeiras das pessoas, para apoiar decisões de crédito, como empréstimos. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 9 Para saber mais sobre a evolução do mercado de cartões de crédito, acesse na midiateca e leia a cartilha disponibilizada pelo Banco Central do Brasil chamada Cartilha Cartão de Crédito. Apesar de a Abecs3 apresentar que o número de transações com cartão de débito poderá superar as operações com cartão de crédito, é interessante analisar o gráfico a seguir, lembrando que um dos fatores que contribui para o aumento do uso do cartão de crédito são as compras com na internet. Outro aspecto a destacar com referência ao gráfico é que a elevação da taxa Selic4 , que até 1º de julho de 1996 era a base do custo do dinheiro, passou a ser determinada pela lei da oferta e demanda e provoca mudanças tanto no varejo como no atacado. Isso significa que uma alteração nessa taxa provoca alterações no comportamento dos consumidores diante do aumento dos juros frente ao crédito e reduz o volume de compras. Gráfico 1 - Posição do cartão de crédito Fonte: Associação Brasileira de Cartões e Crédito e Serviços 3 Associação Brasileira de Cartões de Crédito e Serviços. 4 É a taxa de referência do mercado e regula as operações diárias com títulos públicos federais no sistema especial de liquidação e custódia do banco central. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 10 Para saber mais sobre o assunto leia o capítulo 11 do livro Macroeconomia em Contexto, de Peter E. Kennedy (São Paulo: Saraiva, 2011). Nesse capítulo da obra são articulados os impactos de variações das taxas e as consequências diretas no crédito oferecido ao consumidor. Considerações finais Nesta aula vimos que valorizar o crédito junto ao mercado pode ser uma das alternativas de amenizar momentos desfavoráveis financeiramente. Foi explicitado o quanto a Tecnologia da Informação e Comunicação tem contribuído diretamente para o crescimento desse segmento de crédito. Posicionamos também algumas dicas para manipular o cartão em transações comerciais. Sintetizamos alguns órgãos governamentais (BACEN, CMN, SERASA, ABCES) nas relações entre comerciantes, instituições financeiras e consumidores. Algumas reflexões sobre possíveis fraudes em cartões e a posição atual nas finanças dos consumidores. Nas próximas aulas, refletiremos sobre os serviços bancários e as estratégias para usar esses serviços. Referências ABECS. Associação Brasileira de Cartões de Crédito e Serviços. Disponível em: <http://www. abecs.org.br/site2012>. Acesso em: 14 set. 2013. ASSAF NETO, A.; TIBURCIO SILVA, C. A. Administração de capital de giro. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1999. ___________________. Mercado Financeiro. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2011. BACEN. Banco Central do Brasil. Disponível em: <http://www.bcb.gov.br/pt-br/paginas/default. aspx> . Acesso em: 14 set. 2013. CMN. Conselho Monetário Nacional. Disponível em: <http://www.bcb.gov.br/?CMN>. Acesso em: 14. set. 2013. HOJI, M. Finanças da Família: o caminho para a independência financeira. São Paulo: Profitbooks, 2007. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 11 FAZZIO, Jr. W. Manual de direito comercial. 11. ed. São Paulo: Atlas.2010. KENNEDY, P. Macroeconomia em contexto: uma abordagem rela e aplicada do mundo econômico. São Paulo: Saraiva. 2011. LAUDON, C. K.;LAUDON, J. P. Sistema de Informações Gerenciais. 5 ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009. SERASA. Serasa Experian. Centralização de Serviços dos Bancos. Disponível em: <www. serasaexperian.com.br >. Acesso em: 14 set. 2013. Educação Financeira Aula 04 As funções do Banco Central e o impacto de suas decisões na economia como um todo. Objetivos Específicos • Conhecer as funções do Banco Central e os impactos de suas decisões como um todo. Temas Introdução 1 Banco Central do Brasil e suas funções 2 As competências do Banco Central do Brasil 3 Os impactos das ações do Banco Central nas transações cotidianas das pessoas e empresas Considerações finais Referências Professor Carlos Alberto de Souza Cabello Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 3 Introdução Este momento da nossa disciplina dedicamos a estudar o papel do Banco Central do Brasil e o impacto de suas decisões na economia como um todo. Ao término desta aula você compreenderá como as ações do Banco Central repercutem na vida dos consumidores em transações comerciais e por consequência no setor produtivo. Com certeza você ficará surpreso ao identificar que alterações financeiras macroeconômicas interferem profundamente na vida das pessoas. 1 Banco Central do Brasil e suas funções Pretendemos apresentar a instituiçãoBanco Central do Brasil e suas funções para que seja possível articular suas responsabilidades diante dos impactos na economia brasileira. Banco Central é a entidade criada para atuar como órgão executivo central do sistema financeiro, cabendo-lhe a responsabilidade de cumprir e fazer cumprir as disposições que regulam o funcionamento do sistema e as normas expedidas pelo CMM. (FORTUNA, 2011, p. 20) Não é nosso objetivo descrever todas as funções do BC, doravante neste texto Banco Central do Brasil, e sim articular algumas dessas atribuições vinculadas à economia brasileira, especificamente a economia familiar. Todas as incumbências desse órgão são importantes para apoiar a política econômica de nosso país. Nem todas as repercussões na economia são imediatas, algumas podem provocar impactos imediatos enquanto outras medidas demoram alguns anos para serem sentidas. Uma das funções do BC, através do Copom1 , é estabelecer e manipular a taxa Selic2 entre outras atribuições destacando que entre suas ações um dos objetivos é controlar a inflação3 . Ao aumentar a taxa Selic o governo promove efeitos sobre a oferta e demanda e por consequência no setor produtivo. Alexandre Tombini, presidente do BC e sua equipe de economistas do Comitê de Política Monetária (Copom), decidiram, por unanimidade, apertar um pouco o nó do laço que tenta conter a inflação. Na quarta feira (04/09/2013) o Copom elevou os juros em 0,25 pontos percentuais, levando a taxa Selic para o patamar de 12,25% ao ano. (BCB, 2013) 1 Copom – Comitê de Política Monetária. 2 Selic – é a taxa de referência do mercado que regula as operações diárias com títulos públicos federais que reajusta diariamente os preços unitários. 3 Inflação – aumento generalizado de preços de produtos e serviços. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 4 Entendemos que a política econômica do atual governo dinamiza-se no tripé, controle da inflação, pagamento da dívida externa e inclusão social. Nas intervenções desse órgão os resultados são de médio e longo prazos, mas afetam a economia como um todo, e estar atento a esse tipo de notícia significa agir com cautela em transações comerciais articuladas ao prazo. Medidas desse tipo, aumento da taxa básica de juros, Selic, podem ser notadas em operações de créditos de lojas ou rotativo. Podemos tentar prever as consequências, pois com inflações altas agora, poucas opções restaram ao governo para estimular a demanda nos meses seguintes esperados pelos lojistas e produtores. Figura 1 - Casal almoçando em um restaurante Uma das explicações visíveis ao consumidor de forma imediata está na taxa do IPCA4 que avançou de 0,03% em julho para 0,24% em agosto, sendo que os alimentos em restaurantes fora de casa tiveram alta de preços de 0,76% e o preço do leite subiu 3,75% em agosto, segundo o IBGE. Essas são apenas algumas informações oficiais que justificam a intervenção do BC na taxa Selic (BCB, 2013). Percebemos que medidas do BC interferem na vida dos consumidores, e em alguns setores seus reflexos são imediatos. Muitas vezes uma parcela da população critica algumas ações do governo sem compreender as razões para essa ação. Outra medida realizada pelo BC, através do ministro da Fazenda foi a redução do IPI5 incidente nos automóveis e caminhões em 2012, o que visava evitar a queda das vendas de veículos e por consequência anular a possibilidade do aumento do desemprego. O desemprego é um dos fatores mais agressivos na aceleração da inflação. 2 As competências do Banco Central do Brasil O BC através do CMN tem a responsabilidade de zelar pela liquidez e pela solvência das instituições financeiras. Nesse tópico devemos atentar que, quando uma instituição financeira entra em falência ou pede concordata6 , diversas consequências são repassadas à sociedade, como o desemprego das pessoas que ali trabalhavam. Depois, há redução do poder de compra até que essas pessoas consigam recolocação no mercado de trabalho. As ações do BC refletem em toda a sociedade e a recuperação nem sempre é a curto e médio 4 IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo. 5 IPI – Impostos sobre Produtos Industrializados. 6 Concordata – Direito entre o falido e os seus credores. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 5 prazo. Segundo fonte do próprio BC, em 2005 o Banco Santos teve sua falência decretada repercutindo aos devedores, credores e à sociedade como um todo. As competências do Banco Central do Brasil são: • emitir papel-moeda metálica nas condições e limites autorizados pelo CMN; • exercer o controle de crédito sob todas as suas formas; • exercer fiscalização das instituições financeiras, punindo-as quando necessário; • determinar via Copom a taxa de juros de referência para as operações de um dia – a taxa Selic; • emitir títulos de responsabilidade própria, de acordo com as condições estabelecidas pela CMN; • autorizar o funcionamento, estabelecendo a dinâmica operacional, de todas as instituições financeiras. Entendemos que o BC interfere nas instituições financeiras e no sistema financeiro alterando relações de crédito e, por consequência, no setor produtivo. Podemos refletir que ele influencia a economia, mesmo que indiretamente. 3 Os impactos das ações do Banco Central nas transações cotidianas das pessoas e empresas Figura 2 - Banco Em suas ações diárias articuladas com os critérios da política econômica, o BC depende de flutuações não apenas do mercado interno. Muitos acontecimentos internacionais repercutem em nossa política cambial, monetária e fiscal. O Banco Central executa a política cambial definida pelo Conselho Monetário Nacional. Parta tanto, regulamenta o mercado de câmbio7 e autoriza as instituições que nele operam. Também compete ao Banco Central fiscalizar o referido mercado, podendo punir dirigentes e instituições mediante multas, suspensões e outras sanções previstas em lei. Além disso, o Banco Central pode atuar diretamente no mercado, comprando e vendendo moeda estrangeira de forma ocasional e limitada, com o objetivo de conter movimentos desordenados da taxa de câmbio. (BCB, Mercado de Câmbio, 2013). 7 Câmbio – é a operação de troca de moeda de um país pela moeda de outro país. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 6 Essa ação do BC manipula as variações cambiais, o que provoca altas e baixas de preços em determinados produtos ou serviços, especificamente aqueles que dependem de matéria- prima proveniente de outros países. Além dessa interferência, é necessário lembrar o papel do mercado focado nas relações de oferta e demanda. Atente para a citação a seguir, na qual é detalhado que todos os tipos de produtos ou serviços também estão presos à lei da oferta e demanda. “O preço de um bem ou serviço é determinado de acordo com a lei da oferta e procura, e o valor a ele atribuído depende do que os comprados estão dispostos a pagar pela utilidade que lhes proporcionam”. (HOJI, 2007, p. 57) Determinados setores que dependem diretamente de matéria-prima e tecnologia externa sofrem imediatamente, e graças à interferência do BC conseguem sobreviver. Para saber mais sobre o assunto leia o livro: KENNEDY, P. Macroeconomia em Contexto: uma abordagem real e aplicada do mundo econômico. São Paulo: Saraiva, 2011. p. 330-33. Ele destaca as influências do governo na taxa de câmbio explicando suas variações e as consequências nos preços dos produtos e serviços. Figura 3 – Microcomputador O setor de informática e de novas tecnologias é o setor que mais sente a influência das medidas do BC junto à política de câmbio. De uns tempos até hoje esse setor apresentou diversas inovações e desenvolvimentode tecnologia própria reduzindo a dependência de outras nações e assim das variações cambiais. Isso reflete na economia, especificamente na aquisição de computadores e na geração de empregos no comércio. Figura 4 - Carro importado Outro setor que também reflete a política cambial refere-se ao setor comercial de carros importados. Cada vez que ocorre uma alta na moeda americana, há reflexos no mercado de automóveis importados e em serviços prestados, repercutindo diretamente sobre os subprodutos e mão de obra para esse setor. A presença do BC em ações de compra e venda da moeda americana estabiliza esse mercado. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 7 Outro setor que também está articulado às ações do BC é o estímulo ao depósito de poupança, considerando que as capacitações dos depósitos estão atreladas às operações do SFH8 e com efeito cascata sobre produtores de material para construção civil e mão de obra diretamente. Nos últimos doze meses, junho de 2012 a maio de 2013, a soma dos financiamentos para a aquisição e para a construção de imóveis habitacionais no âmbito do SFH, chegou se a cifra de R$ 70,28 bilhões para um total de 407.821 unidades. Para o período de junho de 2011 a maio de 2012, tivemos R$ 61,54 bilhões para 406.326 unidades financiadas. Em percentuais, os novos números representam acréscimo de 14,21% no volume de recursos e acréscimos de 0,37% na quantidade de imóveis financiados. (BCB, 2013) Destacamos na citação do BC que está havendo um desenvolvimento nesse setor e enfatizamos que a participação do BC na regulação de taxas contribui para esse cenário, que sabemos ainda não é o ideal. Enfatizamos também que não apenas os bancos e órgãos públicos estão na empreitada de financiamentos de moradia. Esse nicho também foi passado aos bancos privados, mas é monitorado pelo Banco Central do Brasil em suas operações de crédito imobiliário, não apenas. Para saber mais sobre o Assunto leia o Capitulo 3 do livro: FORGHIER, L. C. SFH Sistema Financeiro de Habitação. São Paulo: Quartier Latin, 2012. Nesse capítulo são abordadas as características básicas do SFH, apresentando as principais diretrizes dirigidas aos mutuários. Considerações finais Como vimos nesta aula existem diversas ações do Banco Central do Brasil que influenciam a vida financeira das pessoas e empresas. Tratamos das competências do Banco Central diante do mercado financeiro posicionando suas responsabilidades e atuações. Destacamos também os reflexos da atuação do BC no controle da Política Cambial e suas consequências para as indústrias eletroeletrônicas, informática e automobilísticas. Finalizamos com a participação através de normas sobre o SFH, Sistema Financeiro de 8 SFH – Sistema Financeiro de Habitação. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 8 Habitação, que proporciona reflexos no mercado de trabalho e imobiliário. Na próxima aula abordaremos os serviços bancários e suas ações perante a vida de pessoas físicas e jurídicas. Referências ABCS. Associação Brasileira de Cartões de Crédito e Serviços. Disponível em: <www.abecs.org. br/>. Acesso em: set. 2013. BCB. Banco Central do Brasil. Sistema Financeiro de Habitação. Disponível em: <http://www. bcb.gov.br/sfh>. Acesso em: set. 2013. CMM. Conselho Monetário Nacional. Disponível em: <www.bcb.gov.br/?CMN> Acesso em: set. 2013. FORTUNA, E. Mercado Financeiro Produtos e Serviços. 18. ed. São Paulo: Qualtymark, 2011. HOJI, M. Finanças da Família: O caminho para a independência financeira. São Paulo: Profitbooks, 2007. KENNEDY, P. Macroeconomia em Contexto: Uma abordagem real e aplicada do mundo econômico. São Paulo: Saraiva, 2011. SERASA. Centralização de Serviços dos Bancos. Disponível em: <http:// http://www. serasaexperian.com.br/> - Serasa Experian> Acesso em: set. 2013. Educação Financeira Aula 05 Serviços bancários: Quando e como usar? Objetivos Específicos • Entender o uso dos produtos e serviços bancários. Temas Introdução 1 Produtos e serviços oferecidos pelos bancos 2 A investida dos bancos nos setores de varejo apoiados nas TICs e benefícios e malefícios oferecidos aos clientes 3 Critérios básicos da educação financeira e harmonia com os bancos frente ao orçamento familiar e conquista da moradia Considerações finais Referências Professor Carlos Alberto de Souza Cabello Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 2 Introdução Na sociedade capitalista em que vivemos a necessidade de produtos e serviços bancários tornou-se marcante em todos os níveis sociais. O banco conquistou destaque nas diversas esferas públicas e privadas tendo nesse contexto uma influência sem precedentes tanto para pessoas físicas como pessoas jurídicas. Todos são envolvidos pelas atividades bancárias. Para as pessoas físicas do pagamento de uma conta de luz ao recebimento do contracheque, financiamento de imóveis, empréstimos e outros. Para as pessoas jurídicas desde a abertura da empresa passando a ser parceiras nos relacionamentos com clientes e fornecedores tendo uma participação relevante no aspecto financeiro e econômico de microempresas a multinacionais, do operariado ao empresário. Ao final desta aula esperamos que você aproprie conhecimentos sobre os diversos produtos e serviços bancários e principalmente conquiste competências e habilidades para manipular os benefícios oferecidos pelas instituições financeiras. 1 Produtos e serviços oferecidos pelos bancos Iniciaremos esta aula apresentando os bancos e justificando as necessidades dos serviços bancários lembrando que eles estão presentes em diversas atividades em nosso dia a dia. Possuir conta-corrente em um banco passa a ser uma das prerrogativas para essa nova sociedade consumista. Os bancos são instituições especializadas em manipular o dinheiro, para tal obtêm autorização do governo e, dessa forma, integram a sociedade e atuam na vida das pessoas direta ou indiretamente. Quadro 1 - Instituições financeiras bancária Instituições financeiras bancárias Instituições financeiras não bancárias Bancos Comerciais Bancos Múltiplos Caixas Econômicas Banco de Investimentos Banco de Desenvolvimento Sociedades de Crédito e Financiamentos e Investimento Sociedade de Arrendamento Mercantil Cooperativas de Crédito Sociedade de Crédito Imobiliário e Associações de Poupança e Empréstimos Fonte: Adaptação de Subsistema de Intermediação – Estrutura do Sistema Financeiro Nacional. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 3 Para saber mais sobre o assunto leia o Capítulo 3, do livro Mercado Financeiro, de Alexandre Assaf Neto (Atlas, 2011). Nesse capítulo é oferecida uma visão completa do Sistema Financeiro Nacional (SFN), posicionando o papel de cada tipo de banco e instituições de crédito articulando com suas funções na sociedade. Dentre os serviços e produtos oferecidos pelos bancos, a maior demanda está articulada aos bancos comerciais. As atividades oferecidas pelos bancos comerciais fogem um pouco às necessidades da população. Atente à citação abaixo: De acordo com o MMI1 , seu objetivo precípuo é proporcionar o suprimento oportuno e adequado dos recursos necessários para financiar, a curtos e médios prazos, o comércio, a indústria, as empresas prestadoras de serviços e as pessoas físicas. (FORTUNA, 2011, p. 28) É interessante posicionar que os bancos manipulam com grande habilidade informações originárias de depósitos, saques, empréstimos e investimentos, que caracterizam seus serviços. Destacando que um banco comercial são instituições que possuem depósitos à vista e são capazes de manipular e multiplicar moeda. Sintetizando, podemos elencar a importância dosbancos comerciais, lembrando que eles são as principais instituições do sistema financeiro diante das seguintes razões: Quadro 2 - Principais funções dos bancos comerciais • Estão envolvidos no processo de criação de moedas e de controle monetário. • Principais intermediários financeiros, tanto na captação quanto na aplicação de recursos. • Encabeçam um conglomerado financeiro que envolve um conjunto de instituições auxiliares. Fonte: Leite (2000, p. 35). 1 MNI – Manual de Normas e Instruções, do Banco Central do Brasil. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 4 Devemos destacar que os bancos brasileiros com grandes investimentos em tecnologia estão em uma posição de destaque mundial propiciando uma grande variedade de produtos e serviços. Além disso, possibilitam também às famílias e empresas segurança e praticidade para manipulação de valores em qualquer momento e horário. Quadro 3 - Serviços oferecidos pelos bancos comerciais • Descontar títulos. • Realizar operações de abertura de crédito simples ou em conta-corrente (contas garantidas). • Realizar operações especiais, inclusive de crédito rural, de câmbio e comércio internacional. • Captar depósitos à vista e a prazo fixo; obter recurso junto às instituições oficiais para repasse aos clientes. • Obter recursos externos para repasse. • Efetuar a prestação de serviços, inclusive mediante convênio com outras instituições. Fonte: Fortuna (2011, p. 28). Em nosso cotidiano imediato, que está articulado ao nosso nível de renda, os bancos são instituições que recebem os depósitos e utilizam esse dinheiro para emprestar a outras pessoas, o que estimula o desenvolvimento da economia. 2 A investida dos bancos nos setores de varejo apoiados nas TICs e benefícios e malefícios oferecidos aos clientes Produtos e serviços oferecidos pelos bancos, segundo a Febraban (2013): • melhoria do atendimento das agências via call center; • telefones para deficientes auditivos; • ampliação dos serviços aos clientes internautas; • melhoria das comunicações com clientes (CRM); • segurança em transações eletrônicas; Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 5 • oferecimento de cartilhas para uso consciente do crédito, além dos tradicionais cartões de débito/crédito . Em grande parte de nossas transações comerciais existe a interferência de um banco. O desenvolvimento de novas soluções tecnológicas comerciais ancoradas no computador revolucionou o mercado de varejo. A automação comercial e a adoção de TICs, Tecnologia da Informação e Comunicação, proporcionaram retornos imediatos. Os clientes ampliaram a capacidade de consumidores a diversos novos produtos e serviços e tais estratégias aquecem a economia do país. Por trás de todo esse processo existe a presença de uma instituição financeira. Dentre os benefícios oferecidos aos clientes/consumidores podemos elencar diversos, que concederam o acesso imediato a bens e serviços dantes nunca imaginados: • Carros, viagens aéreas, telefones celulares, inovações tecnológicas tais como televisores LCD, tablets e uma infinidade de novos produtos. Apesar dos benefícios oferecidos aos clientes/consumidores serem ampliados a cada mês, é importante destacar o custo dessas facilidades. Esse custo está associado por parte dos clientes/consumidores à fidelidade irrestrita gerada pelos cartões de lojas que propulsionam a compras nem sempre necessárias. Para os bancos e as redes de lojas os benefícios são enormes, tais como oferecer aos clientes/consumidores das lojas até mesmo empréstimos e venda casada2 . Aos bancos e redes de lojas os malefícios estão articulados à inadimplência que, através das taxas cobradas, são amenizadas de forma a não deter o crescimento financeiro. Um malefício compartilhado tanto por lojas/bancos e consumidores é a eterna dependência tecnológica das telecomunicações. Para os consumidores, há praticidade e facilidades para a aquisição de produtos e serviços. A fusão ou a parceria entre lojas e bancos estenderam-se a diversos setores, do comércio de roupas à construção civil, sem comentar os bancos das indústrias automobilísticas. As adoções de cartões articulados aos bancos geraram um novo de tipo de serviço que, ancorados nas tecnologias, propiciaram aos bancos a presença em quase todos os tipos de transações fora do espaço físico das agências, estimulando os clientes a irem às compras. 2 Vendas Casadas - induzir o cliente a compra um bem ou serviço diante da compra de outro. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 6 3 Critérios básicos da educação financeira e harmonia com os bancos frente ao orçamento familiar e conquista da moradia Conforme vimos no tópico anterior, a abrangência dos serviços e produtos bancários se dá nos mais diversos setores da economia. Sendo assim, nós clientes/consumidores devemos desenvolver controles para gerar uma parceria com os bancos. A educação financeira vista em nossa primeira aula do curso aponta os bancos como um dos integrantes do Sistema Financeiro Nacional (SFN), que exige uma boa dose de cuidado. A necessidade de saber dosar o uso dos serviços e produtos oferecidos por essas instituições é um dos grandes segredos para a vida financeira. Entre eles o crédito é um dos sintomas positivos disseminados pela educação financeira. O uso consciente do dinheiro e do crédito são fatores determinantes nas diversas fases da vida. A situação financeira atual (boa ou má) de uma família é consequência de planejamento (ou falta dele) e decisões tomadas ao longo da vida. Algumas famílias acham que tiveram muito “azar” e acabaram endividadas, em vez de acumular riqueza. Será que a culpa foi exclusiva do azar? Não teria sido falta de planejamento e disciplina financeira? (HOJI, 2004, p. 30). Dentre as opções de serviços e produtos bancários, o crédito imobiliário é um dos produtos mais viáveis aos bancos, pois a taxa de inadimplência é baixa e possibilita a redução do déficit habitacional. Esse produto oferecido pelos bancos é aquecido em função do nível de emprego e da renda da população e contribui sensivelmente na composição do Produto Interno Bruto (PIB). Diante da importância desse produto, as exigências para o cliente obter junto aos bancos são enormes e estão articuladas à vida financeira do cliente. É uma das formas mais viáveis para a conquista da moradia, porém exige alguns cuidados. É um investimento de médio e longo prazo, portanto exige um planejamento financeiro eficiente. A carteira de crédito imobiliário dos bancos vai superar a de crédito pessoal até outubro, estima Felipe Pontual, diretor executivo da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança. Segundo Pontual, a demanda por crédito imobiliário está aquecida devido às boas condições de emprego e renda da população, além do apetite dos bancos por esse tipo de carteira, cuja inadimplência é inferior a 2% e apresenta fidelização dos clientes. “Os bancos estão otimistas, e os mutuários estão demandando financiamento.” Pontual citou que, em 2006, 470 mil unidades foram financiadas, enquanto em 2013, devem ultrapassar 1 milhão. (BONATELLI, 2013) Analisando a citação acima podemos concluir que dentre os produtos oferecidos pelos bancos o crédito imobiliário articula positivamente a economia de um país focando o lado social e motivacional das pessoas na conquista da moradia. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 7 Considerações finais Como vimos neste tema, existem diversos serviços e produtos oferecidos pelos bancos. Atentamos a que esses serviços/produtos ultrapassam as contribuições em nível pessoal. Destacamos também os tipos de bancos e enfatizamos as funções dos bancos comerciais não apenas para clientes,mas suas estratégias junto ao mercado varejista em atividades fora da agência. Demonstramos como essas redes de lojas articulam a parceria cliente/ bancos/tecnologia. Finalmente apresentamos algumas características do crédito imobiliário e suas contribuições tanto para clientes como para a sociedade e para a economia do país. Referências ABECIP. Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança. Disponível em: <http://www.abecip.org.br/> Acesso em: 15 set. 2013. BONATELLI, C. Abecip: crédito imobiliário supera o pessoal até outubro. Economia & Negócios. ESTADÃO. 12 set. 2013. Disponível em: <http://economia.estadao.com.br/noticias/economia- geral,abecip-credito-imobiliario-supera-o-pessoal-ate-outubro,164598,0.htm> Acesso em: set. 2013. ASSAF NETO, A. Mercado Financeiro. 10 ed. São Paulo: Atlas, 2011. BACEN. Banco Central do Brasil. Disponível em: < http://www.bcb.gov.br/pt-br/paginas/default. aspx> Acesso em 14 set. 2013. FEBRABAN. Federação Brasileira dos Bancos. Disponível em: < http://www.febraban.org.br/> Acesso em: 15 set. 2013. FORTUNA, E. Mercado Financeiro Produtos e Serviços. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2011. HOJI, M. Finanças da Família: O caminho para a independência financeira. São Paulo: Profitbooks, 2007. LEITE, J.A. Macroeconomia. Teoria. Modelos e instrumentos de política econômica. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2000. Educação Financeira Aula 06 Adequar hábitos na conquista de objetivos a curto e longo prazo Objetivos Específicos • Identificar aspectos comportamentais que geram obstáculos no processo de educação financeira. Temas Introdução 1 Identificar a necessidade do produto ou serviço 2 Fatores que impulsionam a adiar ou não a aquisição de um produto ou serviço oferecido à família Considerações finais Referências Professor Carlos Alberto de Souza Cabello Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 2 Introdução As inovações tecnológicas atuais têm propiciado condições de obter informações sobre produtos e serviços do mundo inteiro. Induz a sociedade do consumo com a massificação de hábitos, costumes e a geração de novas atitudes. Podemos concluir que a união entre a sociedade da informação e a comunicação atrelada à facilidade de crédito impulsiona ao consumo exagerado. A dependência da tecnologia em nossas atividades já está bem difundida e aceita pela sociedade vista somente como benefícios oferecidos. Para as pessoas fica o desafio de adiar a aquisição de um bem ou serviço diante das inúmeras estratégias do marketing em criar novas necessidades. Um dos fatores necessários em um momento tão delicado está em analisar as reais aplicações do bem ou serviço que se acaba de adquirir e principalmente se estamos em condições de adquirir aquele bem ou serviço naquele momento. Ao final desta aula esperamos que você saiba identificar a necessidade da compra de um produto ou serviço, atrelada à capacidade de assumir o compromisso financeiro, ter condições para realizar uma escolha eficiente, como adiar a compra de hoje e por consequência não comprometer seu orçamento ou adquirir hoje comprometendo o orçamento amanhã. Identificar a real necessidade pode auxiliar a tomar a decisão correta. 1 Identificar a necessidade do produto ou serviço Para identificar as necessidades de um produto ou serviço, iniciaremos analisando o local onde esses bens ou serviços são oferecidos, principalmente nas grandes cidades. Partindo do princípio de que nossas ações e desejos estão articulados ao ambiente em que vivemos, identificar o meio pode esclarecer algumas das atitudes e dos desejos diante da aquisição de um bem ou serviço. Outro fato que deve ser articulado é o padrão de vida que criamos e que com o passar do tempo lutamos com “unhas e dentes” para mantê-lo. Entre os diversos fatores que nos faz ir às compras, nem todos sempre justificam a necessidade de adquirir um bem ou serviço. Nas grandes cidades, em função da falta de opções de lazer com os filhos, como ir a um parque, ou até mesmo ir namorar, novas opções de compras, como os shoppings, surgiram. Esses espaços desenvolveram diversas opções, além de centros de compras, desde parques de diversões, cinemas, restaurantes, enfim tornaram-se um centro de atividades comerciais focando as diversas áreas de entretenimento a manutenção de autos. Nas grandes cidades e até mesmo no interior, os shoppings ganharam uma amplitude sem limites, com cinemas, lanchonetes, livrarias entre outros. De uns anos para cá, os grandes shoppings já contam também com hipermercados. Em cidades não litorâneas ficamos quase sem alternativas e vamos ao shopping com a ideia inicial de “dar umas voltas”. Atente para o desempenho da indústria de shopping center no Brasil em 2012: Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 3 Além do bom desempenho nas vendas, setor bateu, em 2012, o recorde de inaugurações dos últimos 13 anos. Com mais 27 novos empreendimentos em operação e média de 398 milhões de visitantes mensais, o mercado de shopping centers brasileiro registrou, em 2012, alta de 10,65% nas vendas em relação ao ano anterior, atingindo total de R$ 119,5 bilhões. A expectativa do setor para 2013 é de 12% no aumento das vendas. O excelente desempenho de 2012 pode ser explicado pelo baixo índice de desemprego, pelo aumento da massa salarial e pelo crédito, que continua em níveis apreciáveis. (ABRASCE, on-line) Articularemos a necessidade de compra de produto ou serviço à decisão familiar à identificação de em que momento e de que forma o consumidor fica na indecisão de realizar compras em curto prazo ou em longo prazo. Segundo Solomon (2008), a tomada de decisão familiar se divide em dois tipos: a decisão de compra consensual, em que todos concordam com a compra, não havendo conflitos, mas sim um problema que será solucionado por todos os indivíduos envolvidos. E a decisão de compra por acomodação, em que existe conflito entre os membros da unidade familiar, pois todos possuem gostos e preferências diferentes, e acabam chegando a um consenso. Analisando o parágrafo anterior, podemos fazer algumas inferências, por exemplo, de que, diante de um enxame de ofertas e facilidades de crédito, a compra consensual pode não ser tão simples. Em uma família acontecem conflitos de gerações principalmente quando as crianças e os adolescentes, não somente, são providos de tempo e acesso à informação, assim a escolha do bem ou do serviço estará articulada ao valor disponibilizado para tal. A decisão nessas condições estará articulada à possibilidade de não levar o produto e adiar a compra, o que nem sempre satisfaz a todos da família. Nesses contextos uma explicação para conscientizar os membros da família pode ser uma das tarefas mais delicadas do chefe da família. Muitos “pais” acabam ingressando na ciranda do endividamento por não ser capazes de dizer algumas palavras que mais deveriam ser usadas diante de situações como essas: “Não é possível agora, aguarde”. Vivemos em outro contexto social em que dizer não a um filho pode significar comprar problemas imediatos, mas acreditamos que tudo estará vinculado a uma boa conversa, pois contra fatos não há argumentos. Existem situações em que é totalmente inviável adiar a aquisição, nenhuma criança ficaria feliz de adiar o “dia das crianças” aguardado desde a páscoa. Nem mesmo um adolescente gostaria de adiar a compra de um livro para o outro dia, pelo menos os que desejam estudar. Porém, a decisão estará presa ao orçamento familiar não necessariamente somente aquele mês. Um dos dilemas ao comprar em longo prazo é comprometer uma parcela do orçamento ao pagamento daquele compromisso. Sem contar fatos importantes como o caso de que uma compra em longo prazo gerará juros e encargos, ou seja, paradeterminados produtos compramos um e pagamos até três. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 4 Quando não há alternativa e não temos condições de adiar aquela compra, a alternativa que nos resta é: • pesquisar preços; • analisar a possibilidade de substituir por produtos similares com preços menores; • tentar negociar prazo frente à taxa de juros cobrada; • articular o prazo e a taxa de juros com um pequeno valor de entrada. Outro fator importante que afeta o comportamento do consumidor na necessidade do produto ou serviço poderá estar associado a fatores sociais do meio em que ele vive, seja no trabalho, na faculdade ou na família. A aquisição de bens tipo automóveis demonstra o quanto algumas pessoas acabam por articular dívidas de longo prazo. Figura 1 - Carro Além de atender uma necessidade, a aquisição do automóvel sacia uma necessidade de autoestima, mesmo que para essa conquista seja necessário assumir compromissos muito longos. Muitas vezes, a necessidade analisada estará presa ao senso de estética, na preocupação sobre que os outros irão pensar. É óbvio que a faixa etária, o meio e as condições interferem na criação da necessidade e, por consequência, na aquisição do produto ou serviço. Muitas decisões estão presas à vaidade, independentemente do sexo. Existem pessoas que despertam capacidade de acumular capital para realizarem operações que visam à autoestima e chegam até mesmo a se comprometerem com empréstimos para realizar uma cirurgia estética. O comportamento do consumidor diante de seu entorno pode criar a necessidade e, por consequência, até mesmo o endividamento, resultado da falta de um orçamento adequado à realidade. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 5 [...] os grupos de referência de uma pessoa são aqueles que exercem alguma influência direta (face a face) ou indireta sobre atitudes ou comportamento dessa pessoa. Os grupos que exercem influência direta sobre uma pessoa são chamados grupos de afinidade. Alguns grupos de afinidade são primários, como a família, amigos, vizinhos e colegas de trabalho, com os quais a pessoa interage continua e informalmente. As pessoas também pertencem a grupos secundários, como grupos religiosos e profissionais e associações de classe, que normalmente são formais e exigem menor interação continua. (KOTLER; KELLER, 2006, p. 185) Para saber mais sobre o assunto leia o Capítulo 3 do livro Administração de Marketing: conceitos planejamento e aplicações à realidade brasileira, de Alexandre Luzzi lãs Casas (2008). É oferecida uma visão sobre a influência do Marketing na decisão do consumidor frente ao contexto brasileiro. 2 Fatores que impulsionam a adiar ou não a aquisição de um produto ou serviço oferecido à família Dentre os fatores que impulsionam a não adiar a aquisição de um produto ou serviço estão: Uma cirurgia para os integrantes da família pode provocar alterações, dependendo do motivo da cirurgia. Figura 3 – Estudante Tal razão pode também ser destacada com os estudos dos filhos ou até mesmo com a subsistência da própria família. Figura 2 – Equipe de cirurgia Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 6 Figura 4 – Fechadura em formato de casa A conquista da casa própria é um dos bons exemplos para justificar o sacrifício de adiar a compra de produtos ou serviços. Existem famílias que comprometem grande parcela da renda com financiamento desse importante patrimônio. É interessante destacar que, dependendo da estrutura familiar de origem de um chefe de família e de sua formação, fica quase impossível não articular suas conquistas e obrigações para obtê-los com a condição de pagamento a prazo. Alguns produtos ou serviços são possíveis de adiar quando não temos uma poupança, produtos ou serviços que fazem parte de nossa evolução humana. Não é possível adiar os estudos dos filhos, é possível, sim, adequar-se com a redução de outras despesas, lembrando que os estudos dos filhos ou a própria educação continuada fazem parte do investimento profissional dos próprios filhos. Nesse contexto sobre despesas e investimentos relacionados à educação dos filhos existem diversas visões, mas acreditamos que está ligada à cultura familiar. Sendo assim atente para esta citação: Conceitualmente, para ser considerado investimento, um gasto deve gerar retorno. Caso o pai e a mãe tenham certeza que serão sustentados no futuro pelo filho (ou filhos), o dinheiro gasto com o filho (ou filhos) poderia ser considerado um investimento, pois geraria retorno no futuro. Mas de forma geral, é mais seguro considerar gastos com os filhos como despesas, ou seja, um gasto que não produz retorno, e planejar a aposentadoria sem contar com a ajuda financeira dos filhos. (HOJI, 2007 p. 82) Outro caso extremo é uma cirurgia para recuperação de um ente da família. Dificilmente temos um seguro saúde, daí a importância de uma poupança, assunto que abordaremos em aulas futuras. É interessante destacar que adiar uma lipoaspiração para acumular recursos é diferente de uma cirurgia que compromete a vida de um ente da família. Muitas vezes, dependendo do nível de renda e do contexto social, a compra de alimentos está articulada a pagamentos a prazo utilizando para tal o cartão de crédito. Trata-se de uma situação muito delicada, mas sem condições de ser adiada, principalmente quando existem crianças na família. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 7 Para saber mais sobre o assunto, leia o artigo disponibilizado no portal da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (ABECIP). Esse artigo oferece uma visão sobre a influência na economia e para as famílias o acesso à moradia através do crédito imobiliário. O link está disponível na midiateca. Outra aquisição quase impossível de ser realizada em curto prazo é a aquisição da moradia. Determinados produtos/bens são vitais para a condição humana das pessoas que interferem na forma de conforto para a família. Nessa situação para a maioria das pessoas, principalmente assalariados, a conquista desse produto/bem é quase impossível de ser a curto prazo. Considerações finais Nesta aula abordamos o surgimento de necessidades articuladas ao contexto social, econômico e familiar, em que enfatizamos os fatores sociais não apenas nas famílias, mas no entorno das pessoas nas empresas, faculdades etc. Destacamos a importância da conscientização de todos os envolvidos no momento dessa decisão. Elencamos o papel do ambiente e também a influência da mídia e das tecnologias, entre elas a Internet. Demonstramos também que adiar a aquisição de um produto ou serviço está articulado também à importância dele. Mostramos que, diante de determinadas decisões, fatores intrínsecos podem induzir as pessoas a envolverem-se em dívidas de longo prazo. Referências ABRASCE. Shopping Centers faturam R$ 119,5 bilhões em 2012. Notícias Gerais. Disponível em: <http://www.portaldoshopping.com.br/noticias/noticias-gerais/shopping-centers-faturam-r- 1195-bilhoes-em-2012> . Acesso em: 15 set. 2013. HOJI, M. Finanças da Família: O caminho para a independência financeira. São Paulo: Profitbooks, 2007. KOTLER, P.; KELLER, K. L. Administração de Marketing. 12. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2006. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 8 LAS CASA, A. L. Administração de Marketing: conceitos, planejamento e aplicações à realidade brasileira. São Paulo: Atlas, 2008. SOLOMOM, M. R. O comportamento do Consumidor: comprando, possuindo e sendo. 9. ed. Porto Alegre: Bookman, 2011. Educação Financeira Aula 07 Definições essenciais de contabilidade e finanças Objetivos Específicos • Entender conceitos básicos de finanças e contabilidade e suasaplicações nas empresas. Temas Introdução 1 Conceitos essenciais da contabilidade para as empresas 2 Finanças e a empresa Considerações finais Referências Professor Carlos Alberto de Souza Cabello Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 2 Introdução Nesta aula iremos estudar alguns conceitos da contabilidade e de finanças. O objetivo de elencar tais conceitos é propiciar a você condições de compreender os processos desenvolvidos pelas empresas na conquista da otimização. Ao término desta aula, desejamos que você se aproprie de condições para compreender a importância dos conteúdos nos relatórios oferecidos pela contabilidade aos dirigentes das empresas para que eles possam tomar decisões eficientes gerando maximização do capital investido. 1 Conceitos essenciais da contabilidade para as empresas Para iniciar nosso estudo é importante definir contabilidade. Sabemos que é uma ciência que caracteriza a linguagem dos negócios e que propicia informações e diretrizes para a tomada de decisões. A contabilidade surgiu basicamente da necessidade de donos do patrimônio que desejavam mensurar, acompanhar a variação e controlar suas riquezas. Daí poder-se afirmar que a Contabilidade surgiu em função de um usuário específico, o homem proprietário de patrimônio, que, de posse das informações contábeis, passa a conhecer melhor sua “saúde” econômico-financeira, tendo dados para propiciar tomadas de decisões mais adequadas. (MARION, 2005, p. 26) A seguir, conceituamos os principais relatórios oferecidos pela contabilidade que oferecem aos tomadores de decisão a situação financeira da empresa em determinado período ou exercício social. Com base nesses relatórios são tomadas decisões que possibilitam investir, manter a empresa ou até mesmo fechar as portas. > (BP) Balanço Patrimonial: Segundo Iudícibus (2011) balanço patrimonial é a demonstração contábil que tem por finalidade apresentar a situação patrimonial da empresa em dado momento, representando, portanto, uma posição estática. Por esse motivo é tecnicamente chamado de “Balanço Patrimonial”. > (DRE) Demonstração do Resultado do Exercício. Segundo Padoveze (2011) a demonstração de resultados é feita a partir da conta de lucros e perdas1. A finalidade da demonstração de resultados é uma melhor evidenciação do ganho, tendo em vista sempre o aspecto do usuário externo. 1 Conta de lucros ou prejuízos: refere-se a uma demonstração financeira preparada pelos dirigentes das empresas para expor possíveis alterações ocorridas no saldo durante o exercício social, ou seja, no período de um ano. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 3 > (DMPL) Demonstrações das Mutações do Patrimônio Líquido. Segundo Ribeiro (2010) é um relatório contábil que visa evidenciar as variações ocorridas em todas as contas que compõem o Patrimônio Líquido em determinado período. Percebemos que todos os relatórios definidos têm por objetivo principal oferecer aos usuários das demonstrações contábeis uma posição contábil e financeira das empresas. Como objetivo de compreender os conceitos essenciais, vamos verificar como eles são definidos: Entende-se por receita a entrada de elementos para o ativo sob forma de dinheiro ou direitos a receber, correspondentes, normalmente, à venda de mercadorias, de produtos ou à prestação de serviços. Uma receita também pode derivar de juros sobre depósito bancário ou títulos e de outros ganhos eventuais. (Iudícibus, 2010, p. 149) Nessa abordagem destacamos a importância dada ao acréscimo do ativo, e demais operações que irão gerar a receita. Podemos caracterizar receita como: 1. Articulada à venda de bens e serviços. Exemplo: vendas de produtos. 2. Adaptado ao mercado. Exemplo: aluguel de imóveis ou automóveis. 3. Com foco temporal. Exemplos: investimento que tenha prazo determinado. 4. Decorrente de juros recebidos de um depósito. Exemplo: retorno de poupança. Outro conceito essencial para a contabilidade é o de despesas, é o bem ou serviço consumidos direta ou indiretamente para obtenção de receitas que pode estar articulado não apenas ao presente podendo ser originária do passado ou até mesmo do futuro. Atente para a abordagem: Despesa, em sentido restrito, representa a utilização ou o consumo de bens e serviços no processo de produzir receitas. Note que a despesa pode referir-se a gastos efetuados no passado, no presente ou que serão realizados no futuro. (Iudícibus, 2010, p. 153) A confecção de produtos necessita de matéria-prima que caracteriza uma despesa gerada desse produto ou serviço. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 4 Quadro 1 - Matéria-prima Imagem 1 - Rolos de linha Matéria-prima – elemento que irá sofrer processo de transformação. No exemplo ao lado rolos de linhas para confecção. Imagem 2 – Pé de alface Os alimentos já colhidos são considerados produtos semiacabados, pois ainda sofrerão alguma transformação até ser servidos. No exemplo ao lado pé de alface na plantação. Imagem 3 – Prato de salmão O prato pronto representa um produto acabado, ou seja, pronto para ser servido. No exemplo ao lado prato de salmão com legumes. Imagem 4 – Faxineiro Material de limpeza, produto acabado, que representa matéria- prima essencial para executar um serviço de limpeza. No exemplo ao lado faxineiro com produtos de limpeza. Fonte: elaborado pelo autor. Os serviços dos mais variados tipos geram despesas e, consequentemente, propiciam receitas. A contabilidade é a ciência que articula esses conceitos e oferece relatórios que demarcam tais fatos respeitando diversas regras e princípios gerando informações aos tomadores de decisão. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 5 Para saber mais sobre o assunto leia o capítulo 9 do livro Teoria da Contabilidade, (IUDÍCIBUS, 2010, p. 149-163). O renomado professor Iudícibus destaca de forma didática as relações entre receitas, despesas no contexto empresarial. Outro conceito merecedor de destaque em âmbito contábil é o balanço patrimonial, lembrando que não é uma atitude espontânea, pois o balanço patrimonial é uma exigência para todos que exercem atividade empresarial. Todos os que exercem a atividade empresarial estão obrigados, anualmente, à formação de balanço patrimonial e balanço de resultado econômico. Pelo artigo do CC 2, o balanço patrimonial deve ser o retrato fiel da situação real da empresa, indicando com clareza, distintamente, seu ativo e passivo. (FAZZIO Jr., 2010, p. 53) Sendo assim, concluímos que o balanço patrimonial deve ser um espelho das posições econômicas e patrimoniais de uma empresa em determinada data, ou seja, na data do encerramento do exercício social. O balanço patrimonial mostra a situação de uma empresa e sua representação ocorre em termos monetários, propiciando condições aos tomadores de decisão de entender o quanto de recursos foi investido na empresa. É constituído por duas colunas: na coluna do lado esquerdo é conhecido como ativo e a coluna da direita como passivo mais patrimônio líquido. O ativo é composto pelos bens e direitos da empresa e em contrapartida no lado direito do balanço patrimonial temos o passivo, que representa as obrigações contraídas com terceiros e que demonstram também capitais comprometidos. 2 CC: Código Comercial Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 6 Tabela 1 - Balanço Patrimonial Ativo Circulante Passivo Circulante Ativo Não Circulante Passivo Não Circulante Realizável a Longo Prazo Patrimônio Líquido Investimento Capital Social Imobilizado Reservas de Capital Ajustes de Avaliação Patrimonial Reservas de Lucros Ações emTesouraria Prejuízos Acumulados Intangível Total do Ativo Total do Passivo Fonte: elaborado pelo autor. PATRIMÔNIO LÍQUIDO = ATIVO – PASSIVO É importante destacarmos inovações na legislação societária e no ambiente internacional de negócios e por ações. Tal alteração deixa claro que a contabilidade ao contrário do que alguns estudantes pensam não é estática. Isso mostra que o Brasil, através da CVM, Comissão de Valores Mobiliários, referencia por meio dessa lei, 11.638, alguns dos artigos da lei 6404/19763 atualizados ao mundo dos negócios internacionais. 2 Finanças e a empresa Trabalhar com o dinheiro não é uma tarefa fácil principalmente quando esse dinheiro não é o nosso. Tanto para uma família como para uma empresa o cuidado com as despesas, receitas e investimentos podem significar o crescimento ou a falência. Nesse contexto é interessante destacar as atividades de uma empresa, pois sem atividades não existirá receita, elas são divididas em: Atividades operacionais Atividades de investimentos Atividades de financiamento 3 Lei das Sociedades Anônimas de 1976 Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 7 As atividades operacionais estão articuladas com os objetivos da empresa, logo relacionadas à compra e venda de mercadorias, compras de matérias-primas e, por consequência, transformação em produtos finalizados para serem comercializados, prestação de serviços, distribuição, armazenagem, atividades articuladas a áreas de produção e vendas. As atividades de investimentos estão articuladas à capacidade de tomada de decisão em aplicação de recursos que podem ser temporais ou permanentes e que dão suporte às atividades operacionais. Lembrando que nesse tipo de atividade, as decisões tomadas estarão vinculadas aos relatórios oferecidos pela contabilidade, daí a importância de serem atualizados e confiáveis, papel desempenhado pela contabilidade. As atividades de financiamento correspondem à tomada de decisão focando na obtenção de recursos necessários ao financiamento das atividades operacionais e de investimentos. Essas atividades podem ser representadas pela captação de empréstimos, emissão de debêntures4 de longo prazo, integralização de capital da empresa por parte dos sócios ou acionistas. Atente para a seguinte citação: O objetivo econômico e financeiro de uma empresa é a maximização de seu valor de mercado, por meio de geração continua de lucro e caixa no longo prazo, executando as atividades inerentes ao seu objetivo social. O aumento do valor da empresa aumenta a riqueza de seu proprietário. (HOJI, 2004, p. 21) Percebemos que o principal objetivo de uma empresa é obter o máximo de lucros possíveis com o menor custo possível, ou seja, maximização. Logo, podemos refletir que o principal objetivo de uma empresa é a geração de lucros, que provoca a geração de caixa. Considerações finais Nesta aula abordamos conceitos importantíssimos para compreender a função da contabilidade para uma empresa e destacamos algumas das contas e o relatório balanço patrimonial. Apresentamos também a articulação entre as finanças e empresa dando destaque aos tipos de atividades realizadas que impactam na receita da empresa. 4 Debêntures: são valores mobiliários representativos de dívida de médios e longos prazos que asseguram a seus detentores (debenturistas) direito de crédito contra companhia emissora. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 8 Referências HOJI, M. Finanças da Família: o caminho para a independência financeira. São Paulo: Profitbooks, 2007. FAZZIO Jr, W. Manual de direito comercial. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2010. IUDÍCIBUS, S. de. Contabilidade Introdutória. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2011. ______________. Teoria da Contabilidade. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2010. ______________; MARTINS, E.; GELBCKE E. R. Manual de contabilidade das sociedades por ações aplicáveis às demais sociedades. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2009. MARION, J. C. Contabilidade Empresarial. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2005. PADOVEZE, C. L. Manual de contabilidade: contabilidade introdutória e intermediária. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2011. PORTAL, Contábil. Disponível em: < http://www.contabeis.com.br/forum/topicos/21247/lei- 11638/>. Acesso em: 22 set. 2013. RIBEIRO, O. M. Contabilidade Básica Fácil. 27. ed. São Paulo: Saraiva, 2010. Educação Financeira Aula 08 A necessidade de planejar para controlar melhor Objetivos Específicos • Analisar um planejamento financeiro e entender a relação ganhos X gastos. Temas Introdução 1 Elaboração do planejamento financeiro 2 Aspectos comportamentais a serem refletidos 3 Oportunidades para economizar Considerações finais Referências Professor Carlos Alberto de Souza Cabello Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 2 Introdução Neste tópico da disciplina trataremos do planejamento para controlar gastos e ganhos. Fazer um planejamento parece ser uma simples tarefa, mas quando começamos a identificar gastos e ganhos em relação ao tempo percebemos que não é tão fácil o quanto parece. Estimar gastos baseados nos do mês anterior é o começo. Sabe-se que diversos aspectos devem ser levados em consideração. Desde os gastos rotineiros até os inesperados devem ser contemplados. Ao término desta aula, desejamos que você saiba preparar um planejamento financeiro desenvolvendo novas atitudes em relação à forma de gastar. 1 Elaboração do planejamento financeiro O ponto de partida para fazer um planejamento financeiro é o conhecimento dos objetivos e prioridades da renda e dos gastos da família. É importante que todos os componentes da família estejam conscientes dos objetivos. É interessante lembrar que preparar um planejamento financeiro não é sinônimo de cortes. É vital que você e sua família tenham metas claras que desejam atingir e principalmente as atitudes que deverão ter em conjunto para a conquista dos objetivos. Alguns dos cuidados essenciais ao preparar o planejamento: • os objetivos devem ser claros a todos os componentes da família; • os objetivos devem ser possíveis de serem atingidos; • os objetivos devem ser flexíveis; • os objetivos não devem ferir os conceitos pessoais dos componentes da família, ou seja, devem ser sejam éticos. Todos os integrantes da família devem entender bem os objetivos e principalmente estar conscientes da importância de sua participação. Em uma família com crianças pequenas deve haver por parte dos pais uma orientação adequada a idade dessas crianças. Demonstrar as razões pelas quais devem alterar atitudes em relação a controles, no banho, no computador, na televisão, enfim, conquistar as crianças, não adianta ser autoritário, pelo menos no início. Quando na família houver adolescente, o procedimento requer um pouco mais de talento. Esclarecer o quanto é importante determinada atitude para a conquista de determinados objetivos e enfatizar o quanto será benéfico a todos, inclusive eles. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 3 Quadro 1 - Atitudes e controles para o planejamento financeiro Imagem 1 – Chuveiro Enfatizar a importância de reduzir o tempo no banho, posicionar a seleção – inverno ou verão de acordo com a estação, reduzir o tempo de permanência no banho. Imagem 2 – Criança e a TV Controlar o tempo que as crianças ficam defronte À TV em função de jogos. Apesar de estimular o processo cognitivo não será percebido o tempo de consumo de energia elétrica. Imagem 3 – Telefone Controlar o tempo tanto das crianças como dos adultos no telefone. Imagem 4 – Lâmpadas Controlar o número de lâmpadas acesas, muitas pessoas se esquecem de apagar as luzes ao saírem dos ambientes em que estavam com lâmpadas acesas. Atentandopara que a redução de energia elétrica com algumas atitudes reflete em nossa economia pessoal e também para o país. Sabemos que otimizar o consumo é uma das atitudes que deveriam se tornar hábito a todos os brasileiros. Além do desenvolvimento econômico, outra variável que determina o consumo de energia é o crescimento da população indicador obtido tanto pela comparação entre as taxas de natalidade e mortalidade quanto pela medição de fluxos migratórios. No Brasil, entre 2000 e 2005, essa taxa teve uma tendência de queda relativa, registrando variação média anual de 1,46%, segundo relata o estudo Análise Retrospectiva constante do Plano Nacional de Energia 2030, produzido pela Empresa de Pesquisa Energética. (ANEEL, 2013) O dado oferecido pela Agência Nacional de Energia Elétrica possibilita informações referentes ao consumo de energia elétrica no Brasil, e devemos refletir sobre eles, sendo que nosso controle contribui não apenas em nossa economia, mas sim para o país. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 4 Seja cauteloso ao estabelecer os objetivos e tome muito cuidado em impor uma atitude impossível de ser alcançada. Outro cuidado ao estabelecer objetivos: muitas atitudes não dependem unicamente da pessoa. Certas situações exigem o envolvimento de outras pessoas em ambientes distintos, nos quais o tempo e o contexto podem alterar todo o processo. Imagine o tempo perdido no congestionamento e o combustível gasto além do estimado. Ao traçar objetivos, seja flexível, procure adequar-se à realidade do ambiente e do contexto social. Procure não ferir determinadas ideologias dos próprios componentes da família, não podemos, ao estabelecer os objetivos, invadir princípios éticos dos membros desse grupo. Para saber mais sobre o assunto leia o Capítulo 7 do livro O Comportamento do Consumidor, de Michael Solomon (2008). O autor aborda as diversas atitudes diante do contexto social frente à imposição de regras para alcançar os objetivos, tanto familiares quanto corporativos. 1.1 O orçamento familiar Após estabelecer os objetivos é o momento de organizar o orçamento familiar e discutir com todos os componentes da família os tipos de despesas e as atitudes de cada integrante para criar o equilíbrio financeiro. O orçamento familiar independe se será criado usando um caderno ou em planilhas sofisticadas, o essencial é apontar tudo, sem se esquecer de nada, desde as pequenas despesas. As ações mais importantes estão no calendário, estar atento aos pagamentos e não esquecer que pagar atrasado significa pagar com juros e/ou encargos. Com relação às receitas, é importante considerar o salário de todos os integrantes da família, computando, também, os extras, como abono de férias, bonificações, prêmios e outras rendas. Na organização do orçamento familiar seja disciplinado, estabeleça um período de um mês e anote tudo, todos os seus gastos, e não se esqueça de nada – cafezinho, gorjetas, estacionamentos, cópias na faculdade. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 5 Para saber mais sobre o assunto leia o Capítulo 2 do livro Sobrou Dinheiro – lições de economia doméstica, de Luiz Carlos Ewald (2003). O autor aborda formas e cuidados para equilibrar despesas e receitas em âmbito familiar. Lembre-se de que existem gastos que acontecem em apenas alguns meses do ano, como IPVA, licenciamento do carro e matrícula dos filhos na escola. É importante destacar que ao preparar um orçamento devemos ser flexíveis, pois sempre ocorrem imprevistos tanto com gastos como com ganhos. A próxima etapa é fazer uma análise dos gastos. Identificar se determinados gastos são realmente necessários. Existem despesas em nossa casa que podem ser eliminadas parcialmente pelo menos. Atente à citação: As despesas realmente necessárias são aquelas que não podem ser reduzidas ou completamente eliminadas imediatamente, tais como aluguel, despesa de condomínio, condução, alimentação, escola dos filhos etc. (HOJI, 2007, p. 42) Além dessas atitudes contribui muito a possível eliminação ou substituição de despesas, tais como uma redução do seguro do automóvel e reduzir o tempo ao telefone. Caso a família possua dívidas em bancos, procure negociar com taxas menores, substituir dívidas do cheque especial por empréstimos pessoais, na maioria das vezes a taxa de juros é menor. 2 Aspectos comportamentais a serem refletidos Entre os obstáculos mais difíceis de serem enfrentados ao estabelecer um planejamento financeiro familiar é mudar ou alterar comportamentos. Alguns comportamentos são intrínsecos às pessoas e fazem parte de seus hábitos, então, haverá resistência – é como sair de sua área de conforto. Algumas mudanças de comportamentos que podem contribuir para o sucesso do planejamento financeiro: • alterar o estilo de vida, preocupar-se com você, não com que os outros pensam; • evitar fazer compras em prestações, acumule dinheiro para comprar à vista, sem contar que poderá conseguir um desconto comprando à vista; • é mais interessante quitar dívidas do que manter poupança; Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 6 • adiar vontades de consumo; • pesquisar preços de produtos, marcas e fornecedores; • criar o hábito de planejar e controlar compras; • guardar todos os recibos de pagamentos; • ficar atento aos extratos bancários e exigir explicações caso apareça algum item estranho; • fazer uma lista de compras, caso tenha necessidade de ir às compras; • aproveitar promoções e liquidações. Para saber mais sobre o assunto leia o livro Manual de Educação para o Consumo Sustentável (MEC/IDEC, 2005, p. 14- 17). 3 Oportunidades para economizar Se observarmos uma conversa informal entre amigos veremos que o tema falta de dinheiro será abordado. Muitas pessoas repetem isso diversas vezes, porém não se preocupam em reduzir as despesas. No equilíbrio das finanças só existem duas alternativas: ou aumentamos as receitas ou reduzimos os gastos. Ampliar as receitas pode até acontecer, mas não imediatamente. Reduzir os gastos talvez não seja tão ruim assim. A economia pode ocorrer com pequenas atitudes, entre elas: Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 7 Quadro 2 - Atitudes para reduzir gastos Imagem 1 - Bicicleta Utilizar a bicicleta como meio de transporte. Imagem 2 - Transporte coletivo Utilizar o transporte público coletivo. A mudança de alguns hábitos, além de ser saudável, pode contribuir para a redução do orçamento familiar no final do mês. Para pequenas distâncias, trocar o automóvel pela bicicleta é, por exemplo, muito comum em países europeus. Ou é possível deixar o automóvel na garagem e ir de ônibus. Muitas das opções apresentadas já fazem parte de seu cotidiano; uma alternativa também é a substituição de produtos e serviços. Em função da alta competitividade, as empresas estão constantemente investindo em engenharia de produtos e oferecendo sempre uma nova grade de opções. Não devemos ficar presos a marcas, é bom darmos uma chance a outros produtos e serviços. Nas férias devemos procurar outros lugares com outras agências. Caso nossas férias não coincidam com as férias escolares, os preços são mais atrativos fora de temporada. São maneiras simples e, com a conscientização de toda a família, o retorno pode ser espetacular. Considerações finais Nesta aula vimos que existem diversas razões para preparar um planejamento financeiro familiar. Mostramos a importância de conscientizar toda a família esclarecendo a cada um dos integrantes a sua parte. Comentamos, também, sobre alguns comportamentos que podem ser alterados e que certamente geram resultados eficientes para a saúdefinanceira. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 8 Finalizamos expondo algumas dicas nas quais pequenas atitudes podem contribuir para o sucesso do planejamento, desde economias simples até a substituição de produtos ou serviços. Referências ANEEL Agência Nacional de Energia Elétrica. Energia no Brasil e no mundo. Disponível em: <http://www.aneel.gov.br>. Acesso em: set. 2013. EWALD, L. C. Sobrou Dinheiro – lições de economia doméstica. São Paulo: Bertrand. 2003. HOJI, M. Finanças da Família: o caminho para a independência financeira. São Paulo: Profitbooks, 2007. SOLOMON, M. R. O Comportamento do Consumidor: Comprando, possuindo e sendo. 7. ed. São Paulo: Artmed Editora, 2008. Educação Financeira Aula 09 Relações entre Dinheiro e Crédito, Investimentos e Proteção do Patrimônio Objetivos Específicos • Entender a importância do dinheiro, do crédito e do investimento e como proteger o patrimônio. Temas Introdução 1 Dinheiro e o crédito 2 Investimentos 3 As razões para conquistar e/ou manter nosso patrimônio Considerações finais Referências Professor Carlos Alberto de Souza Cabello Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 2 Introdução Nesta aula abordaremos os processos para manipular adequadamente o dinheiro, o crédito, investimentos e as razões para conquistar e manter o patrimônio. 1 Dinheiro e o crédito Logo no início de nossa vida, por volta dos seis anos de idade começamos a ter contato com o dinheiro, esse meio usado na troca de bens. Com essa idade não temos dimensão do que significa dinheiro, imaginamos que serve para comprar tudo o que desejamos. Em algumas famílias há ensinamentos de que não se deve gastar tudo o que possui e em outras famílias jamais se ouve falar sobre essa ação. Após algum tempo somos obrigados a encontrar o ponto de equilíbrio entre recebimentos e gastos. Muitas pessoas jamais se preocupam com tal ação e acabam criando um padrão de vida bem distinto do que é realmente o seu. É interessante destacar que o dinheiro é uma solução para as pessoas que sabem onde, quando e de que forma usar esse meio de troca. Há pessoas que acreditam que o dinheiro pode comprar tudo. Sabemos que não é bem verdade. Acreditamos que o dinheiro pode amenizar situações de sofrimentos, pode oferecer conforto às pessoas que o possuem. Graças à mídia temos notícias sobre ações de algumas pessoas que nos impressionam. Quantas vezes há notícias de pessoas desprovidas dos mais básicos recursos e que, acidentalmente, encontram carteiras, bolsas e, para a surpresa de muitos, devolvem aos seus donos. Enfim, vivemos em uma sociedade onde um dos meios mais significativos é o dinheiro. Ele traz conforto, poder, confiança, desconfiança, medo, oportunidades entre outros, mas como lidar com esse meio entre quem deseja um bem ou serviço ou que vende esse bem ou esse serviço? Aliado ao dinheiro, o seu irmão inseparável, o consumo. O dinheiro e o consumo passaram a ser o centro da vida das pessoas e por consequência subordinando a vida ao trabalho na conquista do dinheiro. “A palavra dinheiro vem do latim dinarius, nome dado a uma antiga moeda romana. Essa palavra foi usada para denominar uma moeda de prata e cobre que circulava em Castilha, na Espanha: depois foi utilizada para todas as moedas e todo tipo de dinheiro” (Cartilha do Banco Central, 2013, p. 24). É interessante destacar que o Banco Central tem influência no acesso ou na dificuldade do crédito, dentre suas ações determinadas medidas aquecem a economia estimulando a demanda ou interfere para controle da inflação. Quando a economia manifesta uma pequena instabilidade o Banco Central do Brasil entra em ação e faz uso de uma de suas principais funções, manipular as taxas de juros. A necessidade do crédito está relacionada não apenas Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 3 com suprir realizações e desejos, mas também para proporcionar o desenvolvimento econômico. O crédito ganhou a posição de vilão em determinadas situações. Apesar de mecanismos de controle desenvolvidos pelas instituições financeiras a inadimplência aparece e desequilibra as boas relações entre consumidores e instituições financeiras. O crédito move a economia e permite o acesso das pessoas a produtos e serviços, favorecendo as empresas a ampliarem a produção. Grande parcela das empresas depende de créditos, empréstimos para bancar seus investimentos. Logo um dos fatores essenciais ao crédito é a confiança. O sistema capitalista dá concessão ao crédito para gerar oportunidades de investimentos. Quem possibilita dinheiro a outro, ou empréstimo, acaba por abrir mão de usar esse capital em outras atividades e, por consequência, deseja algo em troca. O mundo atual vive esse dilema, pois alguns países geram infraestrutura com base em empréstimos de outros países que acreditam que receberão o dinheiro emprestado acrescido de um prêmio, os juros. O sistema monetário atual vive e funciona à base dos juros. O crédito consiste no ato de confiar, acreditar, a confiança faz parte do nosso cotidiano, convivemos em sociedade porque acreditamos que os outros agirão de acordo com regras ou padrões socialmente estabelecidos, ou seja, quando atravessamos a rua temos a confiança que o motorista respeitará o sinal. (MAIA, 2007, p. 11) Quadro 1 - Modalidades de crédito • Aquisição de outros bens • Aquisição de veículos • Cheque especial • Crédito pessoal consignado INSS • Crédito pessoal consignado privado • Crédito pessoal consignado público • Crédito pessoal não consignado • Desconto de cheques • Financiamento imobiliário com taxas reguladas Fonte: Adaptado de Banco Central do Brasil (2013). Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 4 Do ponto de vista de alguns consumidores o importante é ter crédito para ter acesso a bens e serviço independente de taxa de juros. Esse pensamento está mudando, os consumidores estão começando a perceber a importância não apenas de conseguirem o crédito, mas manter o crédito ao longo do tempo. Muitas interpretações são dadas ao crédito, mas o mais importante em nossa concepção é fazer uso do crédito de forma consciente atentando principalmente para a taxa de juros envolvida na transação comercial. Atente para a interpretação de crédito abaixo: Em um banco, que tem a intermediação financeira como a principal atividade, o crédito consiste em colocar à disposição do cliente (tomador de recursos) certo valor sob a forma de empréstimo ou financiamento, mediante a promessa de pagamento numa data futura. (SILVA, 1998, p. 63) A concessão de crédito é uma das ações desenvolvidas pelos bancos e que estabelece: • as pessoas ou empresas que receberão crédito; • os limites desse crédito; • elementos e fatores que determinaram o crédito; • como deve ocorrer a negociação entre tomadores e emprestadores do dinheiro. O crédito para pessoas físicas é distinto do crédito para pessoas jurídicas. Para as pessoas físicas o crédito está relacionado ao consumidor final e permite que ele goze de bens e serviços mesmos sem possuir uma reserva financeira. Quadro1 – Bens e serviços Automóvel Adquirir o automóvel sonhado Eletrodomésticos Eletrodomésticos necessários. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 5 Viagem Uma viagem. Caixa de presente Um presente Dessa forma, as pessoas físicas poderão desfrutar de bens ou serviços aos quais talvez de outra forma não tivessem acesso ou aguardariam muito tempo para adquiri-los. Refletindo, podemos concluir que o crédito, quando bem estruturado pelo consumidor, tendo consciência do que pode pagar, gera um excelente papel social na economia. Agora, o crédito para pessoa jurídica tem outro âmbito.É na verdade um crédito comercial que pode focar em: • crédito para cobertura de liquidez, ou seja, operações vinculadas a curto prazo, necessário para situações não esperadas ou até para possuir uma reserva constante; • crédito para operações comerciais, normalmente caracterizado por curto e médio prazo; • crédito para investir, voltado a financiamento de ativos fixos, caracterizado a médio e longo prazo. Não é nossa pretensão englobar todos os possíveis tipos de crédito, mas sim destacar a importância de seu uso consciente, de forma a manter o crédito por longo tempo, tanto para pessoas físicas como para pessoas jurídicas. Para saber mais sobre o assunto leia o livro Administração Financeira e Orçamentária, de Masakazu Hoji (2008). O autor aborda a relação de crédito enfatizando os critérios de concessão. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 6 2 Investimentos Para abordarmos investimentos, devemos dar atenção especial ao risco. O risco está relacionado ao retorno do investimento e a outros fatores entre a capacidade e tempo de recuperar o prejuízo caso ocorra. No tópico anterior detalhamos crédito tanto para pessoas físicas como para pessoas jurídicas. Para as pessoas jurídicas o crédito também pode ser utilizado para investimento e também pode representar um risco. Trata-se de um risco especial, o risco de mercado em que uma variação no quadro econômico tanto no país como no exterior pode influenciar no mercado de investimentos. Atente para a citação: Também conhecido como risco sistemático. É qualquer risco que afeta grande numero de ativos, em maior ou menor grau. Por exemplo, a incerteza sobre as condições econômicas gerais, representadas por produto nacional, taxas de juros e de inflação afeta praticamente todas as empresas, com alguma intensidade. (HOJI, 2004, p. 23) É necessário posicionar-se em relação a investimentos de forma a saber quando investir, onde investir e, acima de tudo, avaliar os riscos de todo investimento. A análise de riscos é um dos fatores que mais pode atrair ou afastar investidores. Investir na bolsa de valores dinamiza a economia e nosso país e está começando a alinhar-se nesse aspecto. Recentemente, tivemos adequação da lei 6404/761 adaptando-se com a lei 11.638/072 e às normas internacionais de contabilidade cuja uma das intenções foi a atrair investimentos ao país. Para o pequeno investidor existe a necessidade de contratar uma corretora para que possa ter acesso aos sistemas de negociação e poder comprar e vender ações. A corretora irá traçar o perfil do investidor indicando que ações são viáveis articulando ao capital disponibilizado para esse tipo de negócio. Porém, é importante destacar que em toda aquisição de ações sempre haverá o risco. Dependendo do perfil do investidor outras opções são oferecidas. Ente os tipos de investimentos temos: • tesouro direto; CRI; ações; • debêntures; fundo de índices; • fundo de investimentos. Cada investidor deve escolher criteriosamente os investimentos que se encaixam em seu perfil de risco. O nível de tolerância ao risco depende de cada um. Porém, se for um jovem com idade em torno de 30 anos, pode correr mais riscos que um senhor de 50 anos, que está próximo de se aposentar, pois caso realize prejuízo em um investimento mais arriscado, terá mais tempo para compensar o prejuízo com os rendimentos mis altos obtidos em outros rendimentos. (HOJI, 2007, p. 105) 1 Lei 6404/76 – Dispõe sobre as sociedades por ações. 2 Lei 11.638/07 – Nova lei das sociedades anônimas. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 7 Na citação fica explícita a necessidade de o investidor adaptar as opções do mercado financeiro de acordo com suas disponibilidades e perfil, inclusive etário. Para saber mais sobre o assunto, o site da BM&F BOVESPA (<http://www. bmfbovespa.com.br>) disponibiliza informações sobre o mercado de ações, assim como tipos de investimentos oferecidos, são disponibilizados também cursos on- line articulados ao mercado financeiro. 3 As razões para conquistar e/ou manter nosso patrimônio O enfoque dado nesse contexto a patrimônio está ligado à conquista de imóvel após determinado tempo de atividades. Corresponde à preocupação de conquistar uma residência própria quando atingir determinada faixa etária. Posiciona-se a necessidade de possuir um “canto” próprio para não ser dependente de outros, como filhos, irmãos, etc. Um ponto importante a ser destacado é manter o patrimônio, não apenas a manutenção, mas também não envolver-se em dívidas como fiador, comprometendo o patrimônio. Investir no patrimônio com reformas, no caso de casa ou apartamento, é uma atitude de valorização dos imóveis. Criar possibilidades para adquirir outra residência, na praia ou interior, contribuirá para ampliar o patrimônio pessoal ou da família. Considerações finais Vimos o significado do dinheiro para algumas pessoas e seu papel como meio de troca. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 8 Enfatizamos o papel do crédito tanto para pessoas físicas como para pessoas jurídicas e suas aplicações respectivamente. Abordamos o contexto essencial para tornar-se investidor e salientamos sobre os riscos. Entre eles os tipos de investimentos oferecidos: • Renda Fixa do Tesouro Direto – são títulos públicos federais emitidos pelo Tesouro Nacional. • CRI – Certificados de recebíveis imobiliários – são títulos a longo prazo, lastreados em créditos imobiliários. • Debênture – títulos de crédito de médio e longo prazo emitidos por uma empresa. • Ações – correspondem a pequenos papéis que representam parte do capital da empresa. • Fundo de Índice – são fundos formados por ações de diversas empresas, que acompanham o movimento dos principais índices da Bolsa. • Fundo de Investimento Imobiliário – fundos que investem em empreendimentos imobiliários. O retorno do capital investido se dá por meio da distribuição de resultados do Fundo (BM&FBOVESPA, 2013). Referências BM&FBOVESPA. Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros. Disponível em: < www.bmfbovespa. com.br>. Acesso em: set. 2013. BMFBOVESPA. Tipos de investimentos. Disponível em: <http://www.bmfbovespa.com.br/pt- br/intros/intro-tipos-de-investimentos.aspx?idioma=pt-br>. Acesso em: set. 2013. BANCO CENTRAL DO BRASIL. O que é dinheiro? Cadernos BC. Serie Educativa. Disponível em: <https://www.bcb.gov.br/Pre/educacao/cadernos/dinheiro.pdf >. Acesso em: out. 2013. HOJI, M. Finanças da Família: o caminho para a independência financeira. São Paulo: Profitbooks, 2007. ________. Administração Financeira e Orçamentária. São Paulo: Atlas, 2008. MAIA, A. do S. R. S. Inadimplência e recuperação de créditos. Dissertação de Mestrado. UFRG, Escola de Administração, Programa de Pós-Graduação, Londrina, PR, 2007. SILVA, J. P. da. Gestão e análise de risco de crédito. São Paulo: Atlas, 1998. Educação Financeira Aula 10 O Papel do Mercado Financeiro Objetivos Específicos • Compreender o mercado financeiro e SFN. Temas Introdução 1 Mercado financeiro 2 Mercado monetário e de crédito 3 Sistema Financeiro Nacional Considerações finais Referências Professor Carlos Alberto de Souza Cabello Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 2 Introdução Nesta aula focaremos o mercado financeiro e sua influência na economia do país. Explicitaremos suas subdivisões; mercado monetário e mercado de crédito. Abordaremos as relações do mercado monetário com taxa de juros, prazo e tempo. Quanto ao mercado de crédito, veremos as prioridades e necessidades de caixa a curto e médio prazo envolvendo os agentes econômicos. 1 Mercado financeiro Para compreender as funções do mercado financeiro devemos inicialmente articular: Quadro 1 – Funções do mercadofinanceiro • conciliar poupança e empréstimos; • implementar política monetária; • viabilizar o crédito; • criar alternativas de investimentos. Fonte: elaborado pelo autor. As associações de poupança e empréstimo são constituídas sob a forma de sociedade civil, sendo de propriedade comum de seus associados. Suas operações ativas são, basicamente, direcionadas ao mercado imobiliário e ao Sistema Financeiro da Habitação (SFH). As operações passivas são constituídas de emissão de letras e cédulas hipotecárias, depósitos de cadernetas de poupança, depósitos interfinanceiros e empréstimos externos. Os depositantes dessas entidades são considerados acionistas da associação e, por isso, não recebem rendimentos, mas dividendos. Os recursos dos depositantes são, assim, classificados no patrimônio líquido da associação e não no passivo exigível. (Resolução CMN 52, de 1967) Conforme a citação anterior da resolução CMN 52, podemos afirmar que as operações ativas em grande parte estão relacionadas ao mercado imobiliário, enquanto as operações passivas são focadas na emissão de letras, cédulas hipotecárias e depósito em caderneta de poupança. Podemos deduzir que existe uma tendência para que o mercado se equilibre podendo atrair o aplicador por maiores ganhos, em compensação prejudica o tomador, a pessoa que solicita o empréstimo, pelos altos custos do dinheiro. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 3 Ocorrerá uma substituição da demanda por dinheiro provocando a geração de excedente de recursos que, em contrapartida, provoca a redução da taxa de juros no mercado. Para ocorrer o equilíbrio do mercado é observada a relação entre o volume do dinheiro necessário para empréstimos pelos agentes deficitários e os capitais disponíveis para aplicação. Figura 1 - Equilíbrio do mercado Fonte: elaborado pelo autor. Para saber mais sobre o assunto leia o capítulo 9 do livro Mercado Financeiro e de Capitais, de Armando Mellagi Filho e Sério Ishikawa (2011, p. 221).No tópico Análise de Crédito são destacadas as estratégias para monitorar a variação da taxa de juros praticada no mercado à vista, com a finalidade de que essas variações não prejudiquem o capital dos acionistas. Percebemos que a moeda dessas operações está vinculada a taxa de juros, que irá depender: • da mensuração dos riscos da operação financeira; • da taxa de inflação; • da oferta de oportunidades de investimentos. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 4 Nesse mercado existem algumas possibilidades que devem ser elencadas, como a inexistência de que um participante altere os preços de qualquer negociação. Outra característica está em toda e qualquer informação sobre o investimento ser obtida instantaneamente através dos recursos da Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). A composição desse mercado é de investidores racionais atrás de retornos possíveis com o mínimo possível de risco e que seu acesso é livre inexistindo racionamento de capital. 2 Mercado monetário e de crédito O mercado monetário tem ênfase no controle de liquidez da economia, em que os papéis são negociados referenciados pela taxa de juros. As principais transações ocorrem com os títulos públicos federais, que são os principais títulos da dívida pública no Brasil. Tabela 1 - Títulos TITULOS DO TESOURO NACIONAL TITULOS DO BANCO CENTRAL BTN - Bônus do Tesouro Nacional BBC - Bônus do banco Central LTN - Letras do Tesouro Nacional LBC - Letras do Banco Central LTF - Letras Financeiras do Tesouro NBC - Notas do Banco Central NTN - Notas do Tesouro Nacional CTN – Certificado do Tesouro Nacional CFT – Certificado Financeiro do Tesouro Fonte: Assaf (2011, p. 61). O mercado monetário realiza o controle de liquidez da economia através das transações comerciais de compra e venda de títulos públicos. A interferência da autoridade monetária, comprando ou vendendo títulos, tem por objetivo controlar meios de pagamentos retirando dinheiro de circulação, tendo como ferramenta a rentabilidade da taxa básica, Selic1 , taxas definidas no momento da compra ou acrescentando variações do IGP-M. Ocorre também a presença dos bancos comerciais no mercado monetário que acontece via o volume de depósitos mantidos junto às autoridades monetárias. Os bancos comerciais conseguem financiar sua participação nesse mercado através da captação de depósitos à vista e também disponibilizam aos clientes títulos de sua própria emissão. A intenção essencial desses bancos é financiar aplicações de ativos via concessão de créditos, geração de carteiras de títulos e valores mobiliários. 1 SELIC – Sistema Especial de Liquidação e Custódia – aplicado a operações com títulos públicos sob a responsabilidade do Banco Central e Associação Nacional de Distribuição do Mercado Aberto. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 5 Para pessoas físicas, ao optar por investimentos, o ideal é recorrer a corretoras que definiram seu perfil possibilitando um menor grau de risco. Ao optar pelos investimentos que irão compor sua carteira, você deve considerar três principais fatores: sua meta, o horizonte de investimento e seu perfil de risco. É sempre válido analisá-lo pela ótica da relação risco e retorno, Isto é, comparar os produtos financeiros com o intuito de descobrir qual oferece melhor essa relação- maior retorno e menor risco. (MARTINS, 2010, p. 35) No contexto do mercado monetário existem outras atuações, uma delas é o mercado de dívida externa que está articulada às oscilações de economias internacionais. Esses papéis são emitidos por economias dos países e têm como credores organismos internacionais, tais como o FMI2 . Ao pleitear determinados direitos quando um cidadão ou uma empresa obtêm sucesso em um processo contra o Estado, ou seja, quando ganha o processo contra o Estado, o que lhe proporciona direito a uma indenização, logo o Estado pode quitar a dívida sem prejudicar o Orçamento da União ou dos estados ou dos municípios. (MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO, 2013, on-line) Outra intermediação do mercado financeiro na economia ocorre através do mercado de crédito. Esse mercado tem por objetivo primordial atender as necessidades de caixa em curto ou médio prazo dos agentes econômicos envolvidos na economia. Os agentes econômicos em uma economia são as famílias, as empresas e o próprio governo que irão responder a questões essenciais para a economia – ou seja, Quanto produzir? Como? Para quem produzir? – que constitui na verdade o mercado. As operações nesse mercado são realizadas pelos bancos comerciais e bancos múltiplos, que atuam através de concessão de crédito a pessoas físicas via empréstimos ou financiamentos. Existem três tipos de bancos; banco comercial; banco de investimento e banco múltiplo. Banco comercial é o banco privado ou público, nacional ou estrangeiro de uso cotidiano das pessoas e das empresas. Banco de investimento é uma instituição financeira privada, especializada em operações de participação societária de caráter temporário, de financiamento de longo prazo da atividade produtiva. E banco múltiplo são as instituições financeiras que reúnem as funções de banco comercial e banco de investimentos. (FEBRABAN, 2013, on-line) 2 FMI (Fundo Monetário Internacional) Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 6 A transação desse mercado também se envolve em crédito de bens de consumo duráveis tornando-se, nessas condições, opções de crédito a longo prazo. Nesse mercado as instituições financeiras atuam tanto como credor de empréstimos de recursos como devedor de recursos captados. Para saber mais sobre o assunto leia o capítulo 5 do livro Operações de Crédito no Mercado financeiro (2000, p. 87) de Edna Mendes Ortolani.A autora orienta as necessidades de crédito de empresas e detalha articulando as partes envolvidas, credor e devedor, ensinando os diversos processos de negociação em que ocorre parceria entre ambos. As instituições financeiras captam recursos de poupadores e assume responsabilidade de devolver esses recursos acrescidos de juros, nesse caso a instituição é devedora. Outra situação dessas instituições ocorre quando realizam operações de empréstimos ou financiamentos a tomadores ficando na posição de credores na expectativa de receber esses recursos acrescidos de juros. É óbvio que as taxas envolvidas nessas transações são distintas, ou seja, quando a instituição é devedora a taxa paga é inferior do que quando é credora. Algumas modalidades de crédito oferecidas pelas instituições bancárias: Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 7 Quadro 2 – Modalidades de crédito Desconto bancário de títulos: envolve duplicatas e notas promissórias que servem como garantia na concessão de um empréstimo. Contas garantidas: consiste na abertura de uma conta-corrente com um limite de crédito garantido pela instituição bancária, é o conhecido cheque especial. Créditos rotativos: consiste em linhas de crédito abertas pelos bancos para financiamento de curto prazo. Operação Hot Money: consiste em disponibilizar recursos a curto prazo para empresas. Empréstimos para capital de giro e pagamento de tributos: recurso disponibilizado pelos bancos a empresas tendo como garantia contratos para pagamentos de tributos. Fonte: elaborado pelo autor. Mencionamos os tipos de créditos mais comuns oferecidos pelas instituições bancárias. Nesse contexto essas instituições propiciam recursos para girar a economia, pois com recursos tanto a curto como a médio prazo haverá investimento no setor produtivo e comercial. 3 Sistema Financeiro Nacional O Sistema Financeiro Nacional (SFN) é composto por: • Conselho Monetário Nacional (CMN); • Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP); • Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC). Segundo o Banco Central o CMN é responsável para adaptar o volume dos meios de pagamento às reais necessidades da economia, regular o valor interno e externo da moeda. O Comitê de Política Monetária (COPOM) pode ampliar ou reduzir a taxa de juros básicos, Selic, com o objetivo de regular a demanda e oferta de produtos e serviços para manter o patamar da inflação estipulado nas diretrizes de política econômica do governo. Ele também atua na regulação de moeda estrangeira regulando o mercado primário, no qual ocorrem operações entre instituições financeiras e seus clientes, e controla o mercado interbancário, que regula as operações entre instituições financeiras e entre elas e o Banco Central. A intervenção do COPOM no controle da moeda estrangeira é saudável, pois diversas matérias-primas são de origem internacional, o que poderia desencadear uma inflação inercial. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 8 O CNSP é responsável por estabelecer as regras de contratos de seguros em previdência privada em termos de critérios e composição das sociedades seguradoras. O CNPC é responsável por estabelecer as regras que regem e fiscaliza entidades fechadas de previdência privada complementar, fundos de pensão. Para saber mais sobre o assunto leia o livro Sistema Financeiro Nacional: parcerias, alianças e inovações (2007, p. 52), de Carlos Aníbal Nogueira, Rosiléia Milagres e Hérica Righi. A equipe da Fundação Dom Cabral detalha a importância e o papel da cooperação entre bancos e outras Instituições, descrevendo instituições como CNPC e CNSP. Considerações finais Nesta aula abordamos a atuação do mercado financeiro e suas influências na economia do país. Compartilhamos saberes sobre mercado monetário e mercado de crédito. Destacamos as características do mercado monetário e sua atuação para as pessoas físicas e jurídicas articulando com as instituições bancárias. Abordamos também o mercado de crédito, suas influências na economia e relações com os bancos e serviços oferecidos. E estudamos o papel e composição do Sistema Financeiro Nacional. Esperamos que você tenha compreendido o papel do sistema financeiro, suas subdivisões e o quanto interfere na economia e na vida financeira não apenas das pessoas, mas também das empresas. Referências ASSAF NETO, A. Mercado Financeiro. 10 ed. São Paulo: Atlas, 2011. BACEN. Banco Central do Brasil. Disponível em: <http://www.bcb.gov.br/pt-br/paginas/default. aspx>. Acesso em: 14 set. 2013. FEBRABAN. Federação brasileira dos Bancos. Disponível em: <http://www.febraban.org.br>. Acesso em: 4 out. 2013. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 9 MARTINS, L. Aprenda a Investir: saiba onde e como aplicar seu dinheiro. São Paulo: Atlas, 2010. MINISTÉRIO PLANEJAMENTO. Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Disponível em: <http://www.orcamentofederal.gov.br/institucional>. Acesso em: 6 out. 2013. ORTOLANI, E. M. Operações de Crédito no Mercado Financeiro. 1. ed. São Paulo: Atlas, 2000. Educação Financeira Aula 11 Investimentos versus Riscos Objetivos Específicos • Identificar e analisar investimentos e afinar condições de escolhas. Temas Introdução 1 Por que investir e como ser investidor mesmo com pouco dinheiro 2 Opções de investimentos com poucos recursos 3 Como gerenciar os riscos Considerações finais Referências Professor Carlos Alberto de Souza Cabello Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 2 Introdução Iniciamos esta aula enfatizando que o Sistema Financeiro Nacional elabora normas e fiscaliza as instituições envolvidas no mercado de capitais. Essas instituições atuam nas operações de investimentos e riscos. Mostraremos algumas modalidades de investimentos assim como a relação de riscos e retorno. Ao término desta aula desejamos que você reconheça as principais modalidades de investimentos e quais os cuidados necessários para ser um investidor. 1 Por que investir e como ser investidor mesmo com pouco dinheiro As razões para investir se restringem a obter lucro, e essa é a razão do investimento. Isso não significa que para ser investidor é preciso ter muito dinheiro, existem aplicações as quais não há necessidade de muito capital. O objetivo desta aula é demonstrar que para investir é vital diferenciar os investimentos quanto à natureza. Os investimentos são classificados em investimento financeiro e investimento operacional. Outro fato é o prazo. Existem investimentos tais como ações que podem ser de curto, médio e longo prazo, o que está relacionado à estratégia do investidor. Um aspecto essencial em âmbito financeiro é o retorno do investimento, afinal de contas investidor deseja lucros. E a relação é configurada em quanto maior o risco maior o retorno do investimento. Há investimentos financeiros em que a aplicação do dinheiro ocorre em ativos com natureza financeira: • Certificado de Depósito Bancário (CDB); • fundo de investimento em renda fixa; • letras do tesouro nacional(LTN); • caderneta de poupança. São ativos categorizados como de liquidez imediata, o que significa que podem se tornar dinheiro em pouco tempo. Os investimentos com natureza financeira são categorizados como de renda fixa e de renda variável. É essencial destacar que renda fixa se articula a todo tipo de investimento que sua remuneração é combinada antes, é como se fosse um empréstimo, a pessoa que investe em renda fixa está adquirindo um título de dívida e empresta dinheiro ao emissor que, em contrapartida, lhe pagará juros até determinada data combinada. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 3 Renda variável é aquela aplicaçãoem que o investidor não sabe o quanto irá ter de retorno no momento em que faz a aplicação e que poderá variar de acordo com expectativas do mercado. Dentre aplicação de renda variável podemos citar ações e commodities (ouro, moeda). 1.1 Os investimentos de renda fixa Um CDB corresponde a um título emitido por uma instituição financeira com prazo determinado e taxa prefixada ou pós-fixada. Uma característica essencial desse tipo de título é que podem ser comercializados por terceiros. Outro investimento considerado investimento financeiro corresponde a Fundos de Renda Fixa que são administrados por instituições especializadas mediante a cobrança de taxa administrativa, essa taxa pode variar de 0,5% ao ano a 3% ao ano variando de instituição para instituição. Nesse tipo de título o investidor passa a ser proprietário de cota do patrimônio líquido do fundo, que é uma pessoa jurídica diferente do banco. Nesse tipo de investimento temos também títulos de dívida pública e debêntures. As debêntures, também chamadas obrigações ao portador, são títulos de crédito causais, que representam frações do valor de contrato de mútuo, com privilégio geral sobre bens sociais ou garantia real sobre determinados bens, obtidos pelas sociedades anônimas no mercado de capitais. (REQUIÃO, 2009, p. 85) Atente que as debêntures são títulos de crédito com garantia real sobre determinados bens. Um investimento popular com menor grau de risco é a caderneta de poupança na qual todos os bancos remuneram a mesma taxa de rendimento articulado a TR (Taxa de Referência), adicionando 0,5% mensalmente. A posição da caderneta de poupança atual: A poupança foi uma opção de investimento muito utilizado no passado, mas, com a popularização dos fundos DI1 , ela perdeu seu espaço. Motivos para isso são a baixa rentabilidade alcançada (muito próxima da inflação) e a perda de rentabilidade para saques fora do vencimento, perda não ocasionada nos fundos DI e renda fixa, os quais possuem rentabilidade muito superior, dependendo da taxa de administração cobrada. (MARTINS, 2010, p. 95) Com base nessa citação se percebe que ultimamente outras opções estão sendo oferecidas mesmo para o pequeno investidor. Porém é interessante destacar que para pessoa física a poupança é isenta do IR, imposto de renda, o mesmo não acontece para pessoa jurídica. 1 Fundos DI – fundos semelhantes aos fundos de renda fixa que se propõem a remunerar os cotistas de acordo com a variação da taxa de Certificado de Depósito Interbancário (CDI), títulos negociados entre instituições financeiras que acompanham a variação da taxa Selic. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 4 1.2 Os investimentos de renda variável Dentre os investimentos de renda variável podemos mencionar: • ações; • ouro; • fundos de renda variável. As ações são negociadas nas bolsas de valores e significam títulos representativos do capital das companhias de capital aberto, ou seja, sociedades anônimas. Nesse caso as ações variam em função do tempo e dependem também de fatores relacionados à situação econômica do país, cenários econômicos dentre outros. O ouro está articulado à cotação internacional, e as negociações podem ser realizadas através de certificados que são emitidos por entidades credenciadas pelo Banco Central. Fundos de renda variável juridicamente são similares aos fundos de renda fixa, mas os resgates podem ser realizados a qualquer momento. Esses tipos de investimentos podem proporcionar rendimentos vantajosos, porém podem sofrer perdas significativas, oferecem bons retornos, mas são investimentos de riscos elevados. Dos investimentos exibidos se percebe que podem ser direcionados tanto a empresas como a famílias, dependerá do grau de risco versus o retorno. As razões que nos levam a investir são diversas: quem não deseja comprar uma casa? Oferecer boa formação educacional aos filhos ou a si próprio? Criar uma estrutura para a aposentadoria, entre outros? Quando pensamos em investimentos significa que desejamos ter retorno. Mas para conseguir o retorno é essencial que tenhamos consciência que iremos adiar um consumo presente para no futuro ter mais dinheiro para consumir. Dentre os diversos fatores envolvidos em um investimento, a relação entre retorno e risco é fundamental. Essa relação é diretamente proporcional, ou seja, quanto maior o retorno desejado maior o risco. Devemos identificar onde investir, como investir e até quando investir. Atente para esta citação. Ao optar pelos investimentos que irão compor tal carteira, você deverá considerar três principais fatores: sua meta, o horizonte de investimentos e o perfil de riscos. É sempre válido analisá-los pela ótica da relação risco e retorno, isto é, comparar produtos os produtos financeiros com o intuito de descobrir qual oferece melhor relação- maior retorno e menor risco. (MARTINS, 2010, p. 91) Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 5 Fica evidente que a relação risco-retorno deve ser ponderada. Outro fator a que devemos nos atentar é aplicar em investimentos que nos dê maior liquidez, pois emergência é um fato inerente a qualquer pessoa, mesmo sendo investidor. Antes de qualquer investimento é necessário traçar nossos objetivos. Identifique os objetivos de curto prazo e de longo prazo. • Objetivos de curto prazo são aqueles que você gostaria de alcançar em até um ano, estão direcionados a um intervalo pequeno de tempo, tais como: férias, possíveis emergências. • Os objetivos de longo prazo são aqueles mais elaborados, que exigem mais paciência como uma complementação para aposentadoria, o pagamento da faculdade de seus filhos ou a aquisição da casa própria. Para ser um investidor de poucos recursos o ideal é antes de tomar qualquer decisão entender seu perfil, ou seja, quais opções estão relacionadas ao montante de recursos disponíveis. É aconselhável para o investidor com poucos recursos um investimento conhecido, pois, quanto menos conhece sobre o investimento, maior será o risco. 2 Opções de investimentos com poucos recursos Cada investimento estará associado ao contexto econômico, à aquisição de um imóvel em tempos de elevada inflação pode ser um investimento muito atraente. O investimento em imóveis poderá estar associado ao grau de utilização, ao interesse de retorno em termos de valorização ou até mesmo para criar um rendimento constante em forma de aluguel. Para um investidor que não esteja inserido nessas condições, investir em imóveis não será uma boa opção. Outra opção é a caderneta de poupança. Durante alguns anos ela foi uma boa opção para pequenos investidores. É um investimento de baixo risco e por consequência baixo retorno, porém o investidor pagará IR sobre os juros auferidos na aplicação. Sempre foi incentivado pelo governo, pois os recursos da caderneta de poupança, quando não são sacados pelos poupadores, são utilizados pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH). Lembrando que o investimento correto é aquele que aproxima você de seus objetivos. Um dos atrativos da caderneta de poupança é a não exigência de um valor mínimo para aplicar. Outra característica interessante é que os rendimentos são calculados mensalmente e creditados na data de aplicação, a data de aniversário da caderneta. Outra dúvida que paira sobre a cabeça do pequeno investidor é quanto deve guardar por mês. O importante é guardar sempre de forma disciplinada lembrando sempre a taxa de retorno. Caso seu desejo seja um retorno acima de 40%, você deverá aplicar em outros investimentos, não adianta ficar em investimentos conservadores, como a caderneta de poupança. O retorno ou rentabilidade do investimento caracteriza o lucro ou a perda obtida emEducação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 6 determinada aplicação. Para identificar se está ganhando ou perdendo, compare sempre o valor inicial do investimento com o valor na data final dessa aplicação. Outro fator interessante é diversificar sempre as aplicações lembrando que essa diversificação está presa aos seus objetivos e aceite do risco. Você deve ficar atento a alguns detalhes, caso as taxas de juros na economia caiam, as ações tenderão a subir, pois ficam mais atraentes do que as aplicações em renda fixa. Para saber mais sobre o assunto leia o capítulo 7 do livro Investimentos à prova de crise, de Marcos Silvestre (2013, p. 127). O autor aborda como é possível realizar seus investimentos sem abrir mão de uma elevada segurança e solidez, mesmo com a crise e ganhar até seis vezes mais do que com aplicações convencionais. Existem diversas opções para investimento, tais como mercado cambial, renda fixa, títulos públicos negociados pela Internet, ações e outras. Porém, é essencial saber que essas outras opções podem retornar um rendimento maior, mas, entretanto, o risco será maior. Nesses casos há a necessidade da intermediação de uma corretora que identificará seu perfil elaborando o investimento adequado ao seu volume de recursos articulando com o prazo e o risco. 3 Como gerenciar os riscos Tanto para investidores experientes como para novatos, gerenciar o risco de uma aplicação é a chave do sucesso ou do fracasso. O risco para o mercado financeiro deve ser entendido como a probabilidade de perda em razão de exposição ao mercado. É interessante destacar que probabilidade é um dos ramos da estatística que estuda a mensuração da incerteza de um experimento. Isso deixa evidente que as mensurações dos riscos são probabilísticas. Sabendo que o risco não pode ser eliminado o interessante é identificar seus aspectos mais frágeis e estudar como minimizá-lo. Dentre os riscos financeiros que são enfrentados por bancos e investidores temos a variação da taxa de juros, o risco do crédito, do mercado, do câmbio que está associado à economia internacional. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 7 Desde que não seja possível ou, muitas vezes, desejável eliminar totalmente o risco, é importante que a instituição financeira planeje uma boa administração de seus riscos, avaliando o potencial de perda possível associada a um evento (alteração de preços ou de taxas de mercado, por exemplo) e sua respectiva probabilidade de ocorrência. (ASSAF, 2011, p. 134) Fica evidente que os riscos estão associados a alterações nem sempre controladas e muitas vezes não há como interferir em determinados eventos. Para saber mais sobre o assunto leia o capítulo 6 do livro Gestão Estratégica do Risco. Uma referência para a tomada de riscos empresariais (2009, p. 111- 140), de Aswath Damodaran. O autor aborda como o valor é ajustado ao risco associando as perdas aos riscos e estes como oportunidades. Um fator essencial na avaliação do risco é o prazo que temos para resgatar o dinheiro, destacando que as aplicações que apresentam maior risco propiciam maior retorno. Dentre as aplicações mais arriscadas estão: renda fixa pré-fixada, que ao contrário do que muita gente pensa provocará perdas financeiras quando o investidor sacar antes do vencimento, enfatizando que todos os riscos estão associados às variáveis do ambiente nacional e internacional. Um detalhe importante é que todos da sua família devem saber que você está fazendo aplicações. Dentre os diversos tipos de riscos alguns impactam com maiores consequências para o investidor. Para um investidor de aplicação convencional uma variação na taxa de juros pode significar um desastre. Essa catástrofe não se limita apenas ao pequeno investidor. Para uma instituição financeira, ocorre quando há desarmonia da taxa de juros entre aplicações e captações. É importante enfatizar que uma aplicação em título pré-fixado é aquela em que o investidor conhece previamente a taxa de retorno, ou fica sabendo no momento em que realiza a aplicação. Para esses títulos não há indexador. Para aplicações pós-fixadas ocorre o inverso, ou seja, o investidor só conhecerá o retorno da aplicação na data de vencimento e a rentabilidade varia de acordo com o indexador. Um indexador econômico é um índice de reajuste, que é usado também para corrigir a desvalorização da moeda. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 8 Atente: Admita, por exemplo, uma instituição financeira que tenha aplicado $ 100 milhões na concessão de créditos com prazo de dois anos. Para financiar estes ativos, o banco captou o mesmo montante de $ 100 milhões com prazo de resgate de um ano. (ASSAF, 2011, p. 134) Tal fato deixa clara uma desarmonia entre ativos e passivos do banco ficando evidente o risco de variação das taxas de juros. Há também riscos de crédito, quando ocorre possibilidade de uma instituição financeira não receber os valores prometidos pelos títulos mantidos em sua carteira. Sem contar o grau de credibilidade gerado além das despesas administrativas do pessoal envolvido no processo e a remuneração dos acionistas. Tais fatos podem ocorrer decorrentes de aspectos regulatórios da própria política econômica do governo. Outro tipo de risco é o risco de câmbio, que as instituições que operam no exterior estão sujeitas. Esse tipo de risco está articulado à tendência de valorização ou desvalorização da moeda do país onde fatores internos e externos influenciam esse risco é conhecido como risco de variação cambial. Os riscos de variação cambial também repercutem na vida das pessoas não apenas para as empresas. Para pessoas físicas na compra de medicamentos importados, viagens a trabalho, fatura do cartão de crédito, aquisição de livros importados, principalmente na área da saúde. Para pessoas jurídicas pode influenciar nos gastos com matérias-primas, o setor de dispositivos de aparelhos de telecomunicação entre outros. Considerações finais Nesta aula demonstramos cuidados para investir e a importância do investimento, salientando os principais tipos relacionados ao perfil do investidor. Outro fator importante apresentado é que, para investir, os mesmos cuidados tomados por investidores internos também ocorrem como investidores externos. Mostramos alguns fatos que podem ocorrer ou que ocorreram que podem afastar investidores, lembrando que os investimentos não apenas propiciam retorno aos investidores, mas possibilitam recursos para geração de empregos e contribuem para o crescimento do país. Falamos também sobre o risco, esse fator é analisado em diversos aspectos tanto para investidores com poucos recursos como para investidores internacionais. Variação de taxas de juros, acontecimentos sociais e políticos dentre outros incentivam ou não investimentos. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 9 É essencial destacar que quanto maior o investimento maior o risco. Focamos também alguns critérios pertinentes aos investimentos e aos riscos de investimentos. Referências ASSAF NETO, A. Mercado Financeiro. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2011. DAMODARAN, A. Gestão Estratégica do risco: uma referência para a tomada de riscos. Porto Alegre: Bookman, 2009. HOJI, M. Administração Financeira na prática: guia para educação financeira corporativa e gestão financeira pessoal. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2011. MARTINS, L. Aprenda a Investir: saiba onde e como aplicar seu dinheiro. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2010. MELLAGI FILHO, A.; ISHIKAWA, S. Mercado Financeiro e de capitais. São Paulo: Atlas, 2011. REQUIÃO, R. Direito Comercial. 2 vol. São Paulo: Saraiva 2009. Educação Financeira Aula 12 Empréstimos, a Dura Realidade: Como Evitarou Amenizar Objetivos Específicos • Entender a relação existente em empréstimos. Temas Introdução 1 Modalidades de empréstimos oferecidos pelos bancos 2 Oscilação nas taxas de juros nas operações de crédito 3 Efeitos da taxa básica para o consumidor final Considerações finais Referências Professor Carlos Alberto de Souza Cabello Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 2 Introdução Nesta aula trabalharemos as principais linhas de crédito para empréstimos destinados a pessoas físicas e pessoas jurídicas, buscando identificar características de cada modalidade e refletir sobre o uso dessas linhas de créditos oferecidas pelas instituições financeiras. O objetivo é oferecer condições para entender os diversos processos envolvidos no preço do crédito e suas diversas modalidades oferecidas tanto a pessoas físicas como para pessoas jurídicas. 1 Modalidades de empréstimos oferecidos pelos bancos É inegável que estamos vivendo em uma sociedade de consumo e que esse aumento de consumo é resultado das relações bancárias e de acesso a informações. A plena satisfação das necessidades dos seres humanos diante da escassez dos recursos sempre foi uma das bandeiras da ciência econômica, e a excessiva facilidade ao crédito amenizou esse problema para algumas parcelas da sociedade. Os fatos aqui apontados pretendem esclarecer que para o acesso a determinados bens ou serviços são oferecidos empréstimos às pessoas físicas e até às jurídicas. Algumas distorções entre empréstimos para pessoas físicas e pessoas jurídicas são até aceitáveis em função de riscos e condições de retorno. As empresas, pessoas jurídicas, conseguem captar recursos no mercado de capitais através de emissão de ações aumentando seu capital social, emitindo debêntures entre outras opções, mesmo sabendo que essas opções são limitadas as sociedades anônimas. Para as pessoas jurídicas as modalidades de empréstimos oferecidas são: • Desconto de duplicatas: relação existente entre a emissora da duplicata que cede ao banco o direito de receber e em contrapartida recebe parte do valor dela. Nesse processo o banco faz o ressarcimento da duplicata já realizando o desconto dos juros. A garantia para o banco está articulada à própria conta-corrente da empresa, é semelhante a um empréstimo tendo a duplicata como garantia. • Conta garantida: é uma conta aberta pelo banco destinada à empresa tomadora em que ela recebe um limite que na necessidade é usado como empréstimos. • Empréstimos para capital de giro: empréstimos oferecidos pelos bancos a seus clientes, pessoa jurídica, através de contrato em que figuram condições do empréstimo. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 3 • ACC e ACE: adiantamento sobre Contrato de Câmbio e Adiantamento sobre Contrato de Exportação, em que são oferecidos empréstimos pelos bancos a taxas mais atrativas, segue o mesmo critério de regras das duplicatas descontadas. • Factoring: similar ao desconto de duplicatas, porém sem supervisão do banco central. A empresa tomadora cede direitos a crédito sobre duplicatas tendo em contrapartida o recebimento do valor líquido já descontado dos encargos financeiros. Percebe-se que são oferecidos diversos tipos e modalidades de empréstimos a pessoas jurídicas. Atente que as modalidades oferecidas são sempre calçadas em garantias que minimizam os riscos, o que justifica a taxa de juros ser inferior para pessoas jurídicas. Para pessoas físicas as modalidades de empréstimos oferecidas são: • Empréstimo pessoal-banco: corresponde ao realizado entre o banco e seus clientes que oferece uma taxa de juros um pouco menor já que existe um grau de risco menor, atentando que as taxas de juros desse tipo de empréstimo são inferiores às do cheque especial. • CDC Crédito Direto ao Consumidor: é um tipo de crédito oferecido pelos bancos ou financeiras para aquisição de bens ou serviços (eletrodomésticos, automóveis, etc.). • Empréstimo pessoal-financeiras: é uma modalidade de fácil acesso podendo ser amortizada em grande número de prestações, porém as taxas de juros são mais altas, decorrente do alto nível de risco de inadimplência. • Cheque Especial: fácil de obter com os bancos onde é oferecido, mas tem a desvantagem de ser um dos empréstimos mais caros possíveis, ou seja, com alta taxa de juros. • Cartão de Crédito: percebe-se que é uma das taxas de juros mais altas cobradas. Para o consumidor o segredo essencial é quando fizer uso do cartão de crédito liquidar a fatura integralmente. Uma das alternativas é o empréstimo pessoal junto ao banco onde é cliente. • Empréstimo consignado: é um dos empréstimos com menor taxa de juros cobrada, já que a consignação da financeira com a empresa oferece um risco menor. Porém em empréstimos consignados o valor da prestação já vem descontado no salário. Mas é interessante destacar que recentemente houve interferência do governo federal sobre o expressivo número desse tipo de empréstimos. • Financiamento direto do comércio: é um tipo de empréstimo oferecido pelas grandes redes de lojas e redes de supermercado fazendo uso de cartão de crédito, cheques pré-datados ou até carnê de pagamento. As grandes lojas desvendaram mais um grande “nicho” de consumidores atrelados à fidelidade para com esse comércio; Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 4 as taxas não são baixas e o consumidor deve estar atento, mesmo tendo facilidades de acesso. A procura por empréstimos deve estar associada à capacidade de assumir um novo compromisso e lembrar que durante aquele período estará preso à reserva daquele capital. Um dos maiores problemas que desencadeiam em inadimplência ocorre quando as pessoas acumulam dívidas originárias de empréstimos caracterizando o total descontrole financeiro. Ao estar vinculado a um empréstimo, é importante quitá-lo para assumir outro compromisso. Quando existe possibilidade de saldar antes do prazo, o banco recalcula os juros estipulados no empréstimo e o tomador poderá ter um desconto. Atente para o quadro: Tabela 1 - Taxas cobradas LINHA DE CRÉDITO AGOSTO/2013 SETEMBRO/2013 VARIAÇÃO VARIAÇÃO PONTOS PERCENTUAIS TAXA MÊS TAXA ANO TAXA MÊS TAXA ANO Juros comércio 4,11% 62,15% 4,14% 62,71% 0,73% 0,03 Cartão de crédito 9,37% 192,94% 9,37% 192,94% 0% 0 Cheque Especial 7,81% 146,55% 7,83% 147,10% 0,26% 0,02 CDC Bancos – financiamento de automóveis 1,61% 21,13% 1,64% 21,56% 1,86% 0,03 Empréstimo Pessoal-Banco 3,10% 44,25% 3,12% 44,58% 0,65% 0,02 Empréstimo Pessoal- financeiras 7,03% 125,98% 7,07% 126,99% 0,67% 0,04 Fonte: Anefac (on-line) Observando o quadro, percebe-se que dentre as opções oferecidas articulando com as taxas de juros para pessoa física o menos abusivo é o empréstimo pessoal em banco. Ao analisar as taxas devemos atentar para o grau de risco. A necessidade do empréstimo está associada à desarmonia entre receitas e despesas. Atente para esta citação: Se a receita é menor do que as despesas, apresenta uma situação em que há falta de dinheiro, isto é déficit de caixa. Para cobrir o déficit de caixa, a pessoa precisa a recorrer ao empréstimo ou vender ou resgatar parte dos investimentos (caso os possua). (HOJI, 2007, p. 32) Outra perspectiva através da análise muitas vezes dependerá da taxa de juros cobrada, Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 5 pode ser viável deixar de resgatar determinado investimento e obter empréstimos. Para saber mais sobre o assunto leia o capítulo 4 do livro Análise de crédito: empresas, pessoas físicas, agronegócio e pecuária, de José Odálio dos Santos (2010). O autor analisa a relação de taxas de juros e riscos de crédito. 2 Oscilação nas taxas de juros nas operações de crédito A oscilação da taxa de jurosnas operações de crédito está articulada à elevação da taxa Selic que, em 2013, já aconteceu três vezes. A possível explicação dessas elevações está em pressões inflacionárias, já que o índice inflacionário está acima das metas do Banco Central. Sendo assim, em termos de empréstimos para pessoas físicas é recomendável procurar taxas mais baixas e evitar cartão de crédito e cheque especial. Um fato importante é que a elevação da taxa de juros é um instrumento usado pelo governo para frear o consumo já que, ao elevar a taxa básica de juros (Selic), empréstimos tanto em instituições financeiras como também em parcelamentos em lojas ficam mais caros, e com menos demanda a inflação apresentará tendência a reduzir. Podemos concluir que, quanto mais elevada a taxa de juros, menor é a demanda. Espera- se que com menos pessoas consumindo bens e serviços os preços caiam e por consequência a inflação reduza. Porém, é importante destacar que determinados mecanismos na economia propiciam alguns efeitos, entre eles o aumento da taxa de juros que influencia de forma agressiva na viabilidade de investimentos, o que surtirá efeito na redução da produção e, por consequência, em decisões de empréstimos para as famílias. Para reforçar nossas afirmações sobre a necessidade de analisar taxas de juros antes de assinar contratos de empréstimos pessoais, atente para: Outra linha que ficou ainda mais salgada foi o cheque especial, que tem, tradicionalmente, a segunda taxa de juros mais alta entre as cinco principais modalidades de crédito mais utilizadas pelo brasileiro, atrás somente do cartão de crédito. Em abril, mês em que o BC deu início ao processo de alta da Selic, à época em 7,25% ao ano, os juros praticados nessa linha eram, em média, de 143,55% ao ano. Cinco meses depois, quando a taxa básica já havia subido para 9% ao ano, os bancos passaram a cobrar, em média, 147,10% ao ano de quem entrasse no cheque especial, uma diferença de 3,55 pontos. (ANEFAC, on-line) Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 6 O artigo “A taxa de juros é a principal causa dos desequilíbrios macroeconômicos do Brasil (e ainda o Copom pode ser substituído por um computador)?” menciona alguns absurdos em referência a taxas de juros na concessão de empréstimos articulando a possibilidade de inadimplência. O link para acessar o artigo está disponível na midiateca. 3 Efeitos da taxa básica para o consumidor final O princípio básico é que um banco deseja lucrar o máximo possível e de preferência com o menor risco possível, logo a redução da taxa básica Selic1 passa ser interessante aos bancos, emprestar dinheiro ao consumidor. Lembrem-se, nessa situação, os bancos irão manipular a taxa de juros para atrair consumidores ávidos por empréstimos. Nessas condições, o crédito fica mais barato. Uma alternativa para os bancos quando a taxa básica está baixa é aplicar recursos em títulos públicos. Recentemente, a ação dos bancos é focar em segmentos, produtos menos dependentes dos juros, compensando queda da margem financeira. Com a taxa Selic menor, os bancos investem em outros produtos, como seguros, e propiciam aceleração do crescimento do crédito ao consumidor. A sociedade com mais crédito, com mais dinheiro, irá circular na economia e, por consequência, irá crescer a demanda por produtos e serviços. Caso a indústria não esteja preparada para suprir essa demanda, tenderá a aumentar os preços gerando inflação, e se a indústria estiver preparada para atender essa demanda por produtos e serviços, infelizmente alguns empresários irão aproveitar a situação para lucrar mais e aumentarão os preços. Em contrapartida, quando a taxa Selic está baixa, ela pode desestimular esses investidores e podem ir às compras, o que provocará aumento da inflação. Sendo assim, a taxa Selic quando aumenta provoca a contenção do aumento generalizado de preços, a inflação. Então, nós pensamos, há alguma vantagem para os consumidores? Sim, com esse mecanismo os bancos oferecem mais crédito fazendo com que as pequenas empresas cresçam e, por consequência, gerem novos empregos. 1 Taxa Selic: é a taxa básica de juros da economia brasileira, reflete o custo do dinheiro para empréstimos bancários com base na remuneração de títulos públicos. A taxa Selic regula diariamente as operações com títulos públicos, que são papéis lançados pelo governo no mercado aberto (open market) para captação de recursos privados para o setor público, podendo ser do Tesouro Nacional ou do Banco Central. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 7 Para saber mais sobre o assunto leia o capítulo 2 do livro Crédito no Varejo para Pessoas Físicas e Jurídicas de Sérgio Kazuo Tsuru e Sérgio Alexandre Centa. Ibpex (2007). Numa sociedade capitalista, fica evidente a importância das atividades de crédito nos diferentes segmentos sociais. Nesse contexto, crédito pode significar, de um lado, idoneidade e boa reputação pessoal e, de outro, a realização de vendas em diferentes modalidades ou ainda a possibilidade de obter de bancos ou outras instituições de crédito recursos financeiros que viabilizem a sobrevivência empresarial. Esta obra pretende constituir-se em um material de apoio para as empresas dos mais diversos ramos, explorando os principais conteúdos envolvidos nas operações de crédito. Uma das dicas mais importantes é lembrar que as empresas estão abertas para renegociação de dívidas. O cuidado para o consumidor é analisar todas as despesas e as dívidas já assumidas ou previstas antes de assinar qualquer acordo. Diante do que foi exposto, é viável tentar uma negociação logo, já que para o controle da inflação podem ocorrer novas intervenções do Banco Central em relação à taxa básica. Considerações finais Como vimos, são oferecidas diversas modalidades de empréstimos tanto para as pessoas jurídicas quanto para as pessoas físicas. Apresentamos também uma tabela recente com as taxas de juros nos produtos de empréstimos, indicando tanto mensal como anualmente, destacando as mais interessantes, tanto para as pessoas físicas como para as pessoas jurídicas. Fizemos também uma análise da influência da taxa básica na economia como um todo e os reflexos nos empréstimos. Nesse sentido, buscamos apoiar o entendimento das ações do banco central para com empréstimos e suas consequências diretas em produção e comércio. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 8 Referências ANEFAC. Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade. Disponível em: <http://www.anefac.com.br> . Acesso em: out. 2013. HOJI, M. Finanças da Família: o caminho para a independência financeira. São Paulo: Profitbooks, 2007. ODALIO, J. dos S. Análise de Crédito: Empresas, Pessoas Físicas, Agronegócio e Pecuária. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2010. Educação Financeira Aula 13 Impactos no Patrimônio: Desarmonia entre Déficit e Superávit Objetivos Específicos • Identificar diferenças entre déficit e superávit que impactam no patrimônio. Temas Introdução 1 O patrimônio familiar 2 A contabilização do patrimônio líquido da família Considerações finais Referências Professor Carlos Alberto de Souza Cabello Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 2 Introdução Nesta aula, abordaremos duas visões de patrimônio: patrimônio da família em termos de bens conquistados ao longo do tempo e que pode estar associado à cultura familiar. Para algumas famílias, o patrimônio está articulado à base educacional, a propiciar aos filhos uma renda através de aluguel de um apartamento ou de uma casa. Para outras famílias, o investimento na educação dos filhos representa a garantia futura de um bom padrão de vida. Destacaremos também o patrimônio no contexto contábil,ou seja, o patrimônio líquido em termos de entradas e saídas, em que o comparamos com os demonstrativos empresariais, destacando alguns fatores importantes ligados ao orçamento familiar. 1 O patrimônio familiar Diante de um cenário econômico e social dinâmico, em que as transformações ocorrem rapidamente, torna-se vital criar e alterar estratégias. É importante destacar que essas mudanças ou a implementação das estratégias não se restringem apenas às empresas, mas ocorrem também com as famílias. É necessário lembrar que na sociedade a base primordial é a família e, assim como as demais entidades, também possui um patrimônio e deve saber manipular seus componentes para constituir, alterar, implementar e manter esse patrimônio. Quando falamos de patrimônio no ambiente empresarial, recorremos aos princípios contábeis, que são descritos como o conjunto de bens e direitos menos as obrigações pertencentes à empresa. No ambiente familiar, a presença desses elementos também existe. É evidente que para uma família conquistar e manter um determinado padrão de vida, há a necessidade de bens e também de articular os direitos e obrigações. A família não é exceção quanto à necessidade de implementar controles dos ganhos e dos gastos. Esses últimos quase sempre representam o vilão para manter a continuidade do patrimônio familiar. Para as famílias, não há necessidade de separar gastos, despesas e custos, demonstrando que não há preocupação em conhecer o que integra ou não o processo produtivo como ocorre nas indústrias. Podemos pensar a família como uma entidade social, enfatizando que não existe produção de bens e serviços, mas sim a origem de sua manutenção e formação, o capital humano, assumindo a posição primordial de ativo. Comparando-o às empresas, a família também possui patrimônio e tem necessidade de acompanhar a oscilação de sua riqueza. Na família, as condições essenciais e características de seus integrantes, como idade, sexo, grau de instrução e qualificação, estrutura semelhante à de uma empresa, definem tacitamente os papéis de atuação de cada um. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 3 No contexto social, para as famílias, os bens são vitais à sobrevivência, semelhantemente ao ambiente das empresas. Para as famílias, tais bens são os bens móveis, imóveis de consumo, entre outros. Em contrapartida, há as obrigações representadas por compromissos de pagamentos de serviços públicos e privados (impostos, instrução etc.), empréstimos a pagar, juros a pagar etc. Atente para a citação a seguir: O patrimônio origina de fontes que criam o mesmo, representando sua contrassubstância, ou seja, os financiamentos, suportes próprios, dotações e resultados que dão condições para que se possa existir riqueza. Tais fontes são as que dão oportunidade também de formar a substância, ou seja, as causas da existência do que poderíamos dizer também “corpo da riqueza” (SÁ, 2002, p. 62). Fica evidente que o patrimônio gira em torno de fontes e esse fato ocorre tanto em contexto familiar como em empresarial. A criação de um patrimônio para pessoas físicas normalmente não acontece de uma hora para outra, a menos que alguns fatores não tão comuns ocorram, como receber uma herança e ganhar na loteria. Imagem 1 – Ganhar na loteria Imagem 2 – Herança familiar Na maioria das vezes, um patrimônio exige dedicação de alguns anos e harmonia entre déficit1 e superávit2 , ou seja, há necessidade de acúmulo de capitais a longo prazo, principalmente para a conquista de patrimônio para toda a família, como uma casa, um apartamento etc. A criação e a manutenção de patrimônio para as famílias envolvem diversos fatores importantes a serem considerados. Tais como as empresas que possuem demonstrativos que são analisados constantemente, as famílias também devem possuir formas de vigiar como anda seu patrimônio ou até mesmo estratégias para conquistar e ampliar o patrimônio. Poderíamos elencar diversos bens que compõem o patrimônio de uma família. Para 1 Déficit: significa um saldo negativo. 2 Superávit: o excedente resultante da execução orçamentária que aferiu mais ganho do que gastos. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 4 algumas famílias, o patrimônio pode estar associado até mesmo ao fator cultural. Para outras, o maior patrimônio a deixar aos filhos é a formação educacional, ou seja, a educação, arcando com colégio particular, faculdade e cursos de idiomas. Figura 1 Patrimônio: apartamento Figura 2 Patrimônio: casa Imagem 3 Patrimônio: formação educacional Tais concepções estão relacionadas à formação do chefe da família e de sua condição socioeconômica. Outras famílias são adeptas a deixar uma casa ou um apartamento para os filhos, o que é uma forma de criar um alicerce para estes iniciarem sua vida. Há diversas concepções certas ou erradas na forma de criar patrimônio. Mas independentemente da concepção, a criação de um fluxo de caixa para servir de controle contribuirá para qualquer ideologia familiar quanto ao patrimônio. É interessante destacar que para ter um patrimônio, o equilíbrio financeiro é fundamental. Com ele, é possível galgar conquistas mais sólidas que proporcionarão tranquilidade nas próximas fases da vida. Se não há esse equilíbrio, a probabilidade de conquistar um bem durável pode se tornar mais difícil. Esse fato é muito importante para as sociedades e as políticas habitacionais devem partir de equilíbrios financeiros tanto do país como das famílias. 2 A contabilização do patrimônio líquido da família Alguns fatores podem servir para um embasamento mais claro. A criação de um fluxo de caixa para uma pessoa física pode contribuir em muito para seu controle financeiro, com o objetivo de conquistar um patrimônio ou manter o patrimônio já conquistado. O fluxo de caixa de uma pessoa é o detalhamento mensal das suas rendas e das suas despesas, ou seja, a entrada e a saída de dinheiro. É aconselhável que a projeção do fluxo de caixa seja preparada para o ano inteiro. A diferença entre as rendas e as despesas vai identificar para onde está indo o seu dinheiro. Se a diferença for positiva, o saldo estará indo para o seu bolso (...). Se a diferença for negativa, significa que você gastou mais do que ganhou (SEGUNDO FILHO, 2003, p. 58). Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 5 Quando percebemos que a citação anterior está ocorrendo conosco, chegou o momento de rever nosso fluxo de caixa e mudar alguns comportamentos para conquistarmos nosso patrimônio ou, ainda, mantermos o já conquistado. Veja a seguir um modelo de fluxo de caixa. Trata-se apenas de um exemplo, podendo ser adaptado a situação e contexto de cada pessoa. Tabela 1. Fluxo de caixa MÊS ANALISADO OUTUBRO SALÁRIO R$ OUTRAS RECEITAS R$ Gastos com valores fixos DESCRIÇÃO VALOR DATA FORMA DE PAGAMENTO Aluguel R$ 0,00 99/99/99 DEB/CH/VISTA Mensalidade escolar R$ 0,00 99/99/99 DEB/CH/ VISTA Academia R$ 0,00 99/99/99 DEB/CH/VISTA TV por assinatura R$ 0,00 99/99/99 DEB/CH/ VISTA Internet R$ 0,00 99/99/99 DEB/CH/VISTA Empregada(o) R$ 0,00 99/99/99 DEB/CH/VISTA Prestação carro do R$ 0,00 99/99/99 DEB/CH/VISTA Prestação seguro do R$ 0,00 99/99/99 DEB/CH/VISTA Plano de saúde R$ 0,00 99/99/99 DEB/CH/VISTA Outros R$ 0,00 99/99/99 DEB/CH/VISTA Gastos variéveis com valores variáveis Supermercado R$ 0,00 99/99/99 DEB/CH/VISTA Gasolina R$ 0,00 99/99/99 DEB/CH/VISTA Luz R$ 0,00 99/99/99 DEB/CH/VISTA Telefone R$ 0,00 99/99/99 DEB/CH/VISTA Celular R$ 0,00 99/99/99 DEB/CH/VISTA Outros R$ 0,00 99/99/99 DEB/CH/VISTAEducação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 6 Gastos esporádicos Roupas R$ 0,00 99/99/99 DEB/CH/VISTA Lazer R$ 0,00 99/99/99 DEB/CH/VISTA Viagens R$ 0,00 99/99/99 DEB/CH/VISTA Outros R$ 0,00 99/99/99 DEB/CH/VISTA POUPANÇA Poupança R$ 0,00 99/99/99 DEB/CH/VISTA Investimentos R$ 0,00 99/99/99 DEB/CH/VISTA TOTAL MÊS DO R$ Fonte: autor. Esses aspectos contribuem para a preparação do planejamento financeiro de cada pessoa e esclarecem que para conquistar um patrimônio, é necessário gerar um equilíbrio entre déficit e superávit. Os demonstrativos financeiros tanto no ambiente corporativo como no ambiente familiar possibilitarão a tomada de decisão para alcançar metas preestabelecidas. Temos ciência de que a contabilidade é um instrumento de grande valor para uma organização e, propiciando alguns de seus conceitos e princípios, será mais fácil identificar como está o patrimônio da família. Uma das maiores dificuldades em termos de controle familiar atualmente é o orçamento doméstico das entradas e saídas de recursos. Equilibrar o orçamento é fazer com que as despesas tornem-se menores que as receitas. É importante analisar se os gastos variáveis (alimentação, conta de luz, gás, telefone) podem ser reduzidos. Atualmente, as pessoas que visitam semanalmente os supermercados sabem o quão difícil é reduzir os gastos com alimentação. A visão oferecida pelo fluxo de caixa familiar permite identificar possíveis alterações a serem desenvolvidas para o mês seguinte. Imagem 4 Gastos com alimentação Imagem 5 Energia elétrica Imagem 6 Telefone Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 7 Os mesmos conceitos de situação patrimonial de empresa são aplicáveis às famílias. Uma família poderia ter a situação patrimonial positiva, nula ou negativa. Para apurar a situação patrimonial da família, separam-se os bens e direitos no lado esquerdo (ativo) e as dívidas no lado direito (passivo). A diferença entre o ativo e o passivo é o patrimônio líquido que fica no lado direito, juntamente com o passivo (HOJI, 2007, p. 55). As relações entre déficit e superávit comercial para um país estão articuladas às suas exportações e importações, ou seja, quando um país tem um superávit comercial, significa que exportou mais que importou. Contextualizando com o ambiente familiar, o superávit ocorre quando as entradas (salários, entre outros) são maiores que a saída e, dessa forma, poderá haver conquista de patrimônio ou manutenção deste. Considerações finais Nesta aula, abordamos alguns fatos essenciais à vida das pessoas, como a criação de um patrimônio ou de algum bem que, com o passar do tempo, ainda tenha uso. Para abordar tal tópico, tivemos que inserir o contexto cultural que modela o pensamento de algumas pessoas, dentre as quais muitas não se preocupam com o futuro em termos de moradia e padrão de vida. Explicitamos que, para algumas famílias, a preocupação é deixar um patrimônio para seus filhos, como um apartamento, uma casa, enquanto, para outras famílias, é deixar uma base educacional para que os filhos tenham um bom padrão de vida. Não nos limitamos apenas a demonstrar o patrimônio no âmbito dos bens, mas também descrevemos o patrimônio líquido, articulando a contabilização com seus princípios e regras, comparando-o com o ambiente corporativo. Esperamos ter contribuído no entendimento das duas visões de patrimônio. Referências HOJI, M. Finanças da família: o caminho para a independência financeira. São Paulo: Profitbooks, 2007. SÁ, A. L. Teoria geral do conhecimento contábil. Belo Horizonte: Ipat, 2002. SEGUNDO FILHO, J. Finanças pessoais: invista no seu futuro. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2003. Objetivos Específicos Temas • Compreender a cultura da poupança. Carlos Alberto de Souza Cabello Educação Financeira Aula 14 Professor Poupança: Adiar o Consumo Hoje para um Futuro Melhor Amanhã Introdução 1 Caderneta de poupança e as mudanças recentes na remuneração 2 Tipos de caderneta de poupança 3 Fluxo de caixa familiar: receitas, despesas e poupança Considerações finais Referências Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 2 Introdução Nesta aula, abordaremos o assunto caderneta de poupança. Iniciaremos demonstrando algumas alterações realizadas recentemente pelo Banco Central decorrentes de oscilações na taxa básica e na taxa Selic e os reflexos na forma de calcular os rendimentos dessa tradicional aplicação destinada desde muito tempo às classes menos providas de recursos. Citaremos também o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), entidade privada autorizada pelo governo a dar garantia aos poupadores. Faremos uma viagem à origem desse investimento, esclarecendo os objetivos do governo em relação a ele. Abordaremos também os tipos de caderneta de poupança nem sempre muito divulgados pela mídia, mostrando suas particularidades e o destino dos recursos captados. Concluíremos com algumas evidências do fluxo de caixa familiar em relação à poupança, até mesmo culturais. 1 Caderneta de poupança e as mudanças recentes na remuneração A caderneta de poupança é o investimento com mais tradição do mercado. Seu princípio é que a remuneração ocorra a cada 30 dias, conhecida como data de aniversário, rendendo, em média, 6% ao ano. A aplicação na caderneta de poupança é considerada uma aplicação pós-fixada, pois o rendimento só é conhecido no vencimento dela. Isso significa que ao depositar na poupança dia 10 deste mês, somente saberei quanto irei receber de juros no dia 10 do próximo mês. O depósito de poupança tem sua origem no decreto 2.723, de janeiro de 1861, quando o Imperador Dom Pedro II autorizou a criação da Caixa Econômica, atual Caixa Econômica Federal, com o objetivo de receber a juros de 6% as pequenas economias das classes mais humildes ou abastadas, assegurado pelo Governo Imperial (SÁ NETTO, 1861, p. 11). Analisando a citação anterior, concluímos que a poupança sofreu inúmeras mudanças, porém a remuneração básica (6% ao ano) foi mantida até que, em 1964, por meio da Lei 4.380, foi estabelecida uma nova forma de remuneração. A partir de então, a poupança passou a ser remunerada da seguinte forma: taxa de remuneração básica, na época a correção monetária, mais 0,5% ao mês, e essa forma de cálculo foi mantida até 3 de maior de 2013. Mas a partir de 4 de maio de 2013, o governo federal foi obrigado a mexer na forma de remuneração da poupança para que esse investimento, que em sua essência sempre foi direcionado às classes mais baixas, não fosse uma opção para os investidores de outros títulos Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 3 e ações. De acordo com a legislação atual, a remuneração dos depósitos de poupança é composta de duas parcelas: I _ a remuneração básica, dada pela Taxa Referencial _ TR, e II _ a remuneração adicional, correspondente a: a) 0,5% ao mês, enquanto a meta da taxa Selic ao ano for superior a 8,5%; ou b) 70% da meta da taxa Selic ao ano, mensalizada, vigente na data de início do período de rendimento, enquanto a meta da taxa Selic ao ano for igual ou inferior a 8,5%% (BCB, on-line). A mudança da forma de remuneração da poupança, que começou a valer desde 4 de maio de 2013, significa que os depósitos realizados agora irão render 70% da taxa básica de juros Selic mais a TR1 . A fórmula desse novo cálculo será 70% da taxa Selic mais TR quando a taxa básica de juros for igual ou inferior a 8,50% _ que será aplicada para os depósitos feitos a partir de 4 de maio. Porém, quando a taxa Selic for superior a 8,5%, valerá a regra antiga, ou seja, quando a taxa for superior a 8,5% ou o depósito foi realizado antes de 4 de maio, valerá a regra antiga com rendimento segundo a TR mais 0,5% ao mês. A interpretação dessa mudança é simples: a reduçãoda taxa de juros passa a ser favorável aos consumidores, pois a taxa Selic2 é uma referência para todas as outras taxas de juros. Dessa forma, à medida que os empresários necessitarem de recursos para ampliar seus negócios ou até mesmo para investir, pagarão menos juros pelo dinheiro e, por consequência, seus produtos ou serviços serão vendidos mais baratos, portanto controlarão a inflação. Outra característica importante da poupança é que esta é isenta de imposto de renda e não oferece comissão. Logo, os bancos administram esse capital de graça. Caderneta de poupança é o tipo de investimento popular em que todos os bancos pagam a mesma taxa de rendimento TR (Taxa Referencial) + 0,5%, mensalmente. O inconveniente é que se for sacado antes de completar um mês, o rendimento do mês incompleto é perdido (HOJI, 2007, p. 88). Para saber mais sobre o assunto remuneração dos depósitos de poupança, acesse o site do Banco Central do Brasil e pesquise sobre poupança. No site é exibida na íntegra a medida provisória contendo mudanças no critério de remuneração da poupança, articulado à taxa Selic. 1 TR: taxa referencial do Sistema de Lote de Juros, utilizada no cálculo do rendimento de vários investimentos. 2 Taxa Selic: índice pelo qual as taxas de juros cobradas pelo mercado se balizam no Brasil. É a taxa básica utilizada como referência pela política monetária. A meta para a taxa Selic é estabelecida pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 4 A aplicação na caderneta de poupança requer principalmente a consciência do adiamento de uma compra hoje para comprar melhor no futuro. Para assegurar não apenas a caderneta de poupança, foi criado o Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O Banco Central, por meio da resolução 2.197, de 31 de agosto de 1999, autorizou a criação de uma entidade privada, porém sem fins lucrativos para administrar e criar mecanismos para proteger os titulares de crédito contra instituições financeiras. Desde sua criação até o momento, sua função básica é proteger os investidores. O FGC tem como associados os bancos múltiplos, bancos comerciais, bancos de investimentos, banco de desenvolvimento, a Caixa Econômica Federal, sociedades de crédito e financiamento, sociedades de crédito imobiliário e associações de poupança e empréstimos. Entre suas funções, está a de proteger depositantes e investidores em âmbito do sistema financeiro, contribuindo para a manutenção da estabilidade do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e prevenir possíveis crises no sistema bancário. São garantidos: depósitos à vista ou sacáveis mediante aviso prévio; depósitos de poupança; depósitos a prazo, com ou sem emissão de certificado (CDB/RDB); depósitos mantidos em contas não movimentáveis por cheques, destinadas ao registro e controle do fluxo de recursos referentes à prestação de serviços de pagamento de salários, vencimentos, aposentadorias, pensões e similares; letras de câmbio; letras imobiliárias; letras hipotecárias; letras de crédito imobiliário; letras de crédito do agronegócio; operações compromissadas que têm como objeto títulos emitidos após 08.03.2012 por empresa ligada (BCB, on-line). Fica evidente a preocupação do governo em dar garantias aos poupadores e tal preocupação estende-se a diversos tipos de créditos garantidos pelo FCG. Para saber mais sobre o assunto, acesse o site do Banco Central do Brasil e pesquise sobre funções do FCG e sua composição. No site, você encontra as funções do FCG, instituições associadas, valor máximo de garantia, entre outras informações. No contexto de negócios, na prática, diante da concorrência, os bancos criam alternativas para obter aumento de liquidez e, para tal, oferecem: • articulação de depósito e saque diretos da conta corrente; • programação de investimento com prazo até um ano, em que o cliente fornece apenas datas de aplicação e de resgate; Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 5 • aplicação e transferência por telefone; • possibilidade de abertura de diversas contas. 2 Tipos de caderneta de poupança Segundo Fortuna (2011), existem diversos tipos de caderneta de poupança: • Caderneta de poupança tradicional (imobiliária); • Caderneta de poupança de rendimentos crescentes; • Caderneta de poupança com finalidade específica; • Caderneta de poupança rural – caderneta verde. Sendo assim, iremos detalhar cada um dos tipos citados pelo autor. 1. Caderneta de poupança tradicional: refere-se à tratada no início desta aula. Iniciamos contextualizando as alterações ocorridas quanto à remuneração diante de flutuação da taxa Selic. A caderneta de poupança tradicional é um produto da Sociedade de Crédito Imobiliário (SCI), e os recursos captados em depósito de poupança devem ser distribuídos em: a. no mínimo, 65% em operações de financiamento imobiliário; b. o restante em operações de financiamento imobiliário contratado à taxa de mercado; c. 20% em encaixe obrigatório no Banco Central. 2. Caderneta de poupança de rendimentos crescentes: apresenta algumas características próprias e permite aos depositantes, tanto pessoas físicas como pessoas jurídicas, receber correção monetária mais juros, com taxas crescentes, daí a denominação, acordados com a instituição financeira detentora da conta poupança. Há uma outra particularidade: pode ser feito um único depósito em cada conta e também uma única retirada. Esse tipo de caderneta beneficiava-se do adicional compensatório da CPMF3 sobre o valor sacado, na condição que esse valor tivesse se mantido em depósito por período igual ou superior a três meses. 3. Caderneta de poupança com finalidade específica: refere-se à poupança de pessoas físicas ou jurídicas, articulando as seguintes modalidades: garantia locatícia e revendedores lotéricos. A modalidade garantia locatícia é uma forma de evitar calotes de obrigações de locatárias, enquadrada em aluguel de imóveis. 3 Contribuição Provisória sobre a Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF) foi um tributo brasileiro. Sua esfera de aplicação foi federal e vigorou de 1997 a 2007. Sua última alíquota foi de 0,38%. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 6 4. Caderneta de poupança rural - caderneta verde: é uma caderneta semelhante à tradicional, tendo apenas uma distinção: seus recursos por ela captados são destinados a financiamento de operações rurais. Outra particularidade é que esse tipo de caderneta de poupança é exclusivo do Banco da Amazônia, do Banco do Nordeste, do Banco do Brasil e dos bancos cooperados. Esses 68% das captações dessa caderneta de poupança são direcionados a aplicações do crédito rural e os 32% restantes, à aquisição de cédula de produto rural (CPR) e à comercialização e/ou industrialização de produtos agropecuários. Diante dos tipos de poupança descritos anteriormente, pode-se concluir que a caderneta de poupança é um investimento que propicia um elenco de contribuições sociais, além de ser uma aplicação com a garantia do governo federal. Para saber mais sobre o assunto, leia o capitulo 6, Mercado bancário, do livro Mercado financeiro, de Eduardo Fortuna, da Editora Qualitymark (2011). O autor descreve os diversos tipos de poupança, demonstrando as leis de regulamentação delas e o destino dos recursos captados. 3 Fluxo de caixa familiar: receitas, despesas e poupança Segundo Zdanowicz (2004), o conjunto de ingressos e desembolso de numerário ao longo de um período é denominado fluxo de caixa. A importância do fluxo de caixa familiar possibilita um controle entre receitas e despesas, permitindo até a acumulação de recursos para uma poupança. A poupança deveser interpretada como a diferença entre o dinheiro recebido (receitas) e o dinheiro que foi gasto (despesas), devendo ser feita com visão de médio e longo prazos. Algumas informações importantes: • A poupança não é feita em uma única vez nem em um único mês. • A poupança pode ser criada a partir do aumento das receitas. • Por meio do controle dos gastos. • Da redução das despesas. • Visa a combater os desperdícios. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 7 A criação da poupança proporciona tranquilidade a situações inesperadas, mas o princípio básico para sua criação deve estar articulado à conquista de um objetivo, ou seja, à aquisição de um bem ou até mesmo uma viagem. A preparação de um fluxo de caixa familiar deve contemplar o componente poupança, pois esse demonstrativo permite visualizar as entradas e saídas de dinheiro em curto e médio prazos. Um fluxo de caixa familiar deve conter no mínimo os três componentes básico: renda, consumo e poupança. Existem pessoas ou famílias que somente adotam os dois primeiros componentes, deixando a poupança de lado. O que acontece com essas pessoas? Elas simplesmente reduzem suas esperanças e a probabilidade de um dia melhorarem de vida, pois sempre dependerão exclusivamente de seu salário para viver, e este sempre será o limite do seu consumo. Quem adota os três componentes de um fluxo de caixa familiar, ou seja, incluindo poupança, tem uma reserva de recursos que, se bem administrada, poderá ainda lhe ser uma fonte extra de renda, além de não depender do dinheiro dos bancos e incorrer em juros caso surja alguma despesa emergencial. A poupança é ao mesmo tempo uma reserva contra adversidades da vida e uma potencial fonte geradora de renda, possibilitando o planejamento financeiro de longo prazo (GAVA, 2004, p. 9). Sem dúvida, a capacidade da poupança é uma das mais respeitadas virtudes das pessoas e deve ser um hábito a ser ensinado às crianças de forma a se inserir na cultura de um povo. Considerações finais Nesta aula, apresentamos particularidades da caderneta de poupança e algumas influências provocadas pela taxa Selic sobre o cálculo dos rendimentos desse investimento. Detalhamos economicamente as razões das mudanças no processo de remunerar esse investimento, articulando-o a suas influências na economia como um todo. Mostramos a preocupação do Governo Federal em assegurar a caderneta de poupança, mesmo que agora, com a redução em seus rendimentos, ainda seja uma aplicação com garantia. A caderneta de poupança é um investimento popular, que também apresenta particularidades no social. Finalizamos a aula abordando o fluxo de caixa familiar diante da necessária cultura da poupança. Referências BANCO CENTRAL DO BRASIL. FAQ – Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Disponível em: <http://www.bcb.gov.br/?FAQFGC>. Acesso em: out. 2013. BANCO CENTRAL DO BRASIL. Remuneração dos depósitos da poupança. Disponível em: <http://www4.bcb.gov.br/pec/poupanca/poupanca.asp>. Acesso em: out. 2013. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 8 SÁ NETTO, R. de . Memória da Administração Pública. Col. Leis do Império do Brasil. Secretaria de Estado dos Negócios do Império (1823 -1891): Rio de Janeiro, 1861, p. 11. V. 1. FORTUNA, E. Mercado financeiro: produtos e serviços. 18. ed. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2011. GAVA, F. W. As finanças pessoais: entendendo os problemas financeiros e balanceando o orçamento doméstico. 2004. 54f. Monografia - Faculdade de Ciências Econômicas. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2004. HOJI, M. Finanças da família: o caminho para a independência financeira. São Paulo: Profitbooks, 2007. ZDANOWICZ, J. E. Fluxo de caixa: uma decisão de planejamento e controle financeiro. 10. ed. Porto Alegre: Sagra Luzzatto, 2004. Educação Financeira Aula 15 Procedimentos e atitudes para lidar com as finanças na trajetória da vida – Fase 20 aos 30 anos e a Fase dos 30 aos 45 anos Objetivos Específicos • Identificar na fase dos 20 aos 30 anos e na fase dos 30 aos 45 anos ações financeiras para garantir tranquilidade no futuro. Temas Introdução 1 Planejamento para soluções no futuro 2 Como organizar as finanças em cada fase da vida? Considerações finais Referência Professor Carlos Alberto de Souza Cabello Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 2 Introdução Nesta aula, falaremos sobre uma interessante situação pela qual todas as pessoas, independentemente de sexo, nacionalidade e preferências, passam: como gerenciar os procedimentos e atitudes para lidar com as finanças durante a vida. Abordaremos uma visão mais contemporânea dos planejamentos financeiros pessoal e da família. Descreveremos quais aspectos da educação financeira contribuem e influenciam duas fases da vida: entre 20 e 30 anos e dos 30 aos 45 anos de idade. Abordaremos algumas dicas essenciais em cada fase, de forma a fazê-lo refletir sobre essas ações. 1 Planejamento para soluções no futuro Inicialmente, vamos atentar para alguns aspectos em termos de planejamento financeiro. O planejamento financeiro ultrapassa a ação de controlar despesas, pois envolve estabelecimento de metas, poupança e administração de tempo. O ideal é fazer um planejamento a curto prazo. Vianna (2001) afirma que entendemos estratégia em suas diversas dimensões, incluindo mentalidade, pensamento, visão, gestão, planejamento, administração, desenvolvimento e até controle. Antes da visão conceitual, tentar dar um sentido pragmático a esse tema é importante. Por exemplo, toda vez que uma empresa obtém resultados bem-sucedidos em tempo razoável, tende a repetir o procedimento, ou seja, o controle ou o investimento. Assim, podemos afirmar que suas escolhas estratégicas foram acertadas e que seus principais indicadores atingiram os objetivos estabelecidos. Conceitualmente, estratégia provém de um termo militar grego, strategos (de stratos, exército, e ago, dirigir), sendo a forma de planejar e dirigir operações militares em uma guerra. Passou a ser uma ferramenta básica no mundo empresarial. Contudo, como articular estratégia em nosso dia a dia? Estamos em uma guerra? Quem é o nosso inimigo? Será o tempo? Pois é, o tempo que nos alegra e nos entristece nesse contexto é o nosso inimigo. A dimensão tempo é um fator importante que deve ser repensado ao tomar decisões do tipo: investir em estudos ou viajar, adquirir uma casa ou um carro. Todas essas ações estão associadas a determinadas fases da vida. Em relação ao contexto estratégico, significa que devemos elaborar um planejamento financeiro articulando as fases de nossa vida. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 3 Esse planejamento integra questões financeiras, sociais, psicológicas e seu êxito se associa a nosso conhecimento do entorno em que vivemos e ao controle de nossas ações. O ideal é fazer um planejamento a curto prazo ou a longo prazo? Veja: Não existe um planejamento de longo prazo que dê certo, sem controlá-lo no curto prazo, pois o longo prazo é a soma de vários “curtos prazos”. Para que os objetivos sejam alcançados, não é suficiente fazer o planejamento; é necessário controlar o plano elaborado. O controle pressupõe o monitoramento constante de um plano a curto prazo expresso em valores monetários. Da mesma forma que o futuro é o resultado de ações praticadas hoje, o total é a soma das partes. Então devemos monitorar constantemente as partes que formarão o total no futuro (HOJI, 2007, p. 161). Fica evidente que o planejamento deve estar associado à fase da vida da pessoa, pois os desejos e necessidades são distintos, assim como os recursos. Entre as fases da vida,outro fator que deve ser destacado é a disponibilidade de recursos associados a nossas receitas. Basta criar a estratégia certa em nosso planejamento financeiro e acompanhá-la constantemente, para nosso futuro ser bem-sucedido. 2 Como organizar as finanças em cada fase da vida? Administrar as finanças adequando gastos à receita mensal é um desafio enfrentado pela maioria das pessoas em todas as fases da vida. Para responder a essa pergunta, é necessário mudar comportamentos errôneos. Alguns especialistas em finanças confirmam que o orçamento pode ser adequado a cada fase de nossa vida. Para os jovens que ainda não constituíram família, as maiores preocupações são com gastos com roupas, viagens e formação escolar quando o pai ou alguém não pode suprir essas necessidades. Independentemente da idade, ao conquistarmos um rendimento, nós nos tornamos responsáveis pelos nossos gastos e por administrar esse dinheiro. A partir desse momento, o princípio básico da economia fica evidente, ou seja, nossas necessidades são ilimitadas e nossos recursos, limitados. Nessa fase, você tem o tempo a seu favor, devendo apenas ser disciplinado. Vamos dividir as fases da vida cronologicamente entre os 20 e 30 e os 30 e 45 anos (Figura 1). Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 4 Figura 1 – Fase dos 20 aos 30 anos Formação escolar Compras de roupas Viagens Nesse período, a maioria dos jovens ainda moram com os pais e, por isso, não possuem compromissos financeiros. É nessa fase que se devem equilibrar gastos de forma a começar a pensar em um investimento a longo prazo: a aposentadoria. Começando a poupar nessa faixa etária, o investimento não significará uma grande parcela do orçamento, ou seja, um valor significativo do salário ou da mesada. Com um pequeno investimento mensal, será possível conquistar um montante para a aposentadoria. Nessa fase da vida, o que não queremos são regras, mas, pensando no futuro, é interessante seguir os seguintes princípios: • Procure administrar melhor seu dinheiro e gaste menos do que ganha. Você deve poupar sempre. Para um poupador, a probabilidade de tomar decisões erradas ou equivocadas é muito pequena, mas pessoas que não possuem essa cultura enfrentarão obstáculos para sua futura aposentadoria. • Apesar de sempre haver oportunidades para você gastar, como viagens, festas etc., é necessário reservar um percentual para uma poupança. Vinte por cento de seu salário é um bom começo. Caso não consiga poupar mensalmente essa quantia, procure guardar parte de seu décimo terceiro salário. • Pense diversas vezes antes de escolher um carro. Cuidado com as regras e taxas do financiamento para não comprometer seu orçamento por um longo tempo. Analise também o tipo de veículo que comprará, pois, dependendo do modelo e da marca, haverá outros gastos posteriores, como seguro, manutenção etc. • Uma estratégia sábia é procurar adquirir um imóvel antes de casar, pois será mais fácil negociar o número de parcelas, mesmo que o valor das prestações comprometa uma parte razoável de seu salário. É evidente que a disciplina é um fator determinante nessa fase da vida. Procure criar horizonte para si próprio. Adiar uma viagem ou postergar a troca do carro para adquirir uma casa pode significar muito quando chegar o momento de casar. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 5 É nessa fase também que devemos começar a nos preocupar com nossa aposentadoria. Devemos reservar uma determinada quantia mensalmente para investir em uma previdência complementar, pois ninguém sabe como será o futuro. A tese é simples: deposite uma parte dos seus rendimentos em um fundo de previdência complementar enquanto você estiver trabalhando. Se a vida lhe for generosa, você nunca ficar doente e mantiver a energia na velhice, muito bem. Mas se a doença, o cansaço ou o simples desejo de reduzir o ritmo de trabalho for um fato da sua vida, o seu plano de previdência lhe proverá uma renda importante para ajudar no seu padrão de vida (MARTINS, 2004, p. 83). Para saber mais sobre esse assunto, leia os capítulos 4 e 5 de A árvore do dinheiro: guia para cultivar a sua independência financeira, de Jurandir Macedo Júnior. O autor aponta algumas ações importantes para um planejamento financeiro a longo prazo, articulando-o com as fases da vida. Entre os 30 e 45 anos de idade, as pessoas já estão inseridas no mercado de trabalho e, consequentemente, sua renda está distribuída entre diversos compromissos. No que tange a investimentos, as pessoas nessa faixa etária devem possuir um plano de previdência privada e também diversificar suas aplicações em outros investimentos. É interessante destacar que é fundamental ter cautela em qualquer tipo de investimento. É essencial evitar riscos não apenas na saúde, mas também em aplicações. É fundamental minimizar as possibilidades de endividamento que possam comprometer parte da renda mensal, mesmo que os empréstimos sejam atraentes (Figura 2). Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 6 Figura 2 – Fase dos 30 aos 45 anos O mercado de trabalho Escola para os filhos Plano médico Alimentação Nessa fase da vida, as pessoas, mesmo com experiência, devem pensar no futuro e seguir alguns princípios: • Priorizar a carreira profissional pode fazer muita diferença. Administrar as receitas para manter as responsabilidades e, simultaneamente, investir em educação continuada não é uma tarefa fácil, mas possível. • Procurar obter o máximo de informações sobre tributos. Há algumas possibilidades de abater certos valores do imposto de renda, o que pode contribuirá para investir na educação continuada. • Ficar atento ao diversificar os investimentos. Nessa fase da vida, ainda dá para arriscar, mas sempre se deve ponderar o nível de risco. Investimentos como ações são muito arriscados. Não é prudente investir em apenas um tipo de aplicação. Investir em ações é altamente arriscado, logo você deverá investir apenas uma parcela de seus rendimentos que não será utilizada no curto prazo e que, caso você venha a ter perdas acentuadas, não irá deixá-lo sem nenhuma reserva (alocar no máximo 30% de todos os seus recursos) (MARTINS, 2010, p. 102). Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 7 Outro fator importante é manter-se longe de financiamentos, tentando sempre comprar bens à vista. Analise bem suas compras, pesquise preços, taxas de juros, enfim evite endividar- se. Para saber mais sobre o assunto, leia o Guia econômico de planejamento da aposentadoria, de Mara Luquet, páginas 80 a 86. De forma muito didática, a autora analisa comportamentos financeiros em cada fase da vida das pessoas, demonstrando os obstáculos enfrentados para planejar a longo prazo. Considerações finais Evidenciamos alguns aspectos essenciais em duas importantes fases de nossa vida: dos 20 aos 30 anos e dos 30 aos 45 anos de idade. Destacamos que as estratégias não se destinam apenas a empresas, devendo ser aplicadas também às pessoas. Dos 20 aos 30 anos, quase todas as pessoas já estão no mercado de trabalho. Nessa fase, dependendo da estrutura socioeconômica, uma boa parcela dessas pessoas está concentrada na formação universitária. Por diversas razões, há aqueles que não estão estudando, mas trabalhando. Diante da competitividade no mercado de trabalho, grande parcela das pessoas nessa fase da vida está também atrás de oportunidades, como empreendimentos em negócios próprios. Uma significativa parcela depessoas nessa fase da vida já está no mercado de trabalho, porém continua no seio familiar, o que propicia condições para começar a poupar, já pensando no futuro, pois suas responsabilidades ainda não comprometem totalmente seus rendimentos. Na fase dos 30 aos 45 anos de idade, a situação já é outra. As pessoas já estão no mercado de trabalho formal ou informal, tendo grandes responsabilidades, e qualquer investimento futuro irá exigir disciplina e cautela. Em ambas as fases abordadas, procuramos enfatizar que os investimentos destinados ao futuro são essenciais. É importante enfatizar que a medida dos esforços e a forma como nos dedicamos a Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 8 determinadas metas têm que estar de acordo com nossas próprias estratégias e um dos fatores muitas vezes esquecido é a própria saúde. Durante a conquista de nossas metas, devemos sempre avaliar nossa saúde. Não adianta nada acumular um patrimônio com muito esforço ao longo do tempo se no momento de aproveitá-lo nossa saúde se encontra comprometida. Medir as estratégias pode ser a chave do sucesso. Referência HOJI, M. Finanças da família: o caminho para a independência financeira. São Paulo: Profitbooks, 2007. LUQUET, M. Guia econômico de planejamento da aposentadoria. São Paulo: Globo, 2001. MACEDO JÚNIOR, J. S. A árvore do dinheiro: guia para cultivar a sua independência financeira. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007. MARTINS, L. Aprenda a investir: saiba onde e como aplicar seu dinheiro. São Paulo: Atlas, 2010. MARTINS, J. P. Educação financeira ao alcance de todos: adquirindo conhecimentos financeiros em linguagem simples. 1. ed. São Paulo: Fundamento Educacional, 2004. VIANNA, M. A. F. Erros que as empresas não podem cometer. Conjuntura Econômica, Rio de Janeiro, v. 56, n. 6, jun. 2001. Educação Financeira Aula 16 Procedimentos e Atitudes para Lidar com as Finanças após os 55 anos Objetivos Específicos • Identificar na fase após os 55 anos ações financeiras para garantir tranquilidade no futuro. Temas Introdução 1 A vida financeira a partir dos 55 anos 2 Contexto brasileiro: permanecer na ativa a partir dos 55 anos equilíbrio financeiro 3 A exploração dos idosos mesmo após aposentados Considerações finais Referências Professor Carlos Alberto de Souza Cabello Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 2 Introdução Nessa aula falaremos sobre um tema muito abordado pela imprensa e pela mídia televisiva, a vida financeira após os 55 anos. Cada fase de nossa vida financeira apresenta distintos desafios e requisitos. Se uma pessoa resolver medir e comparar sua evolução financeira desde que começou a trabalhar ficará surpresa. Identificará que deixou de tomar diversas atitudes que acabaram afetando sua vida financeira. Outro fato que irá perceber é o quanto poderia ter poupado e não poupou. Diante desses fatos é necessário rever algumas ações e implementar outras. Nessa fase da vida, especificamente em nosso país, percebemos que grande parte da população dessa idade em diante está à míngua, a aposentadoria que recebe nem sempre é suficiente para manter plano médico e remédios. Desencadeamos nosso estudo no enfoque do empréstimo consignado com inúmeros detalhes, inclusive informações do INSS, deixando evidente a reflexão sobre o não planejamento financeiro impactando nessa fase da vida. 1 A vida financeira a partir dos 55 anos A vida financeira a partir dos 55 anos representa uma fase onde a maioria das pessoas possui experiência e já conquistou um patrimônio. Nesse contexto há também aquelas que por diversos fatores, nível social, de escolaridade, migração e outros não desenvolveram uma poupança ou algum patrimônio para suprir as necessidades dessa fase. É interessante destacar que as pessoas nessa fase, além de possuírem experiências irão enfrentar também alguns dissabores principalmente com a saúde. Podemos perceber o número de pessoas nessa fase de idade que continuam a trabalhar, em muitos casos, com a mesma intensidade que autuavam antes mesmo de se aposentar. A principal razão para tal ação, manter-se trabalhando, é justificada pelo valor recebido da aposentadoria que, muitas vezes, não sacia nem mesmo necessidades básicas do cidadão. Tal questão é sem dúvida um problema conjuntural e estrutural da sociedade brasileira, que foge à nossa atenção no momento. Aqui nossa intenção é explicitar a vida financeira das pessoas nessa fase da vida. Porém, a realidade nem sempre é a mesma para todos, existem ainda aquelas pessoas que, mesmo nessa fase, por diversos motivos não conquistaram patrimônio e também não possuem uma reserva financeira. Um dos trunfos é a experiência e a cautela, em contrapartida uma corrida contra o tempo para agilizar e administrar entradas e saídas visando uma reserva adiante. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 3 2 Contexto brasileiro: permanecer na ativa a partir dos 55 anos equilíbrio financeiro A realidade brasileira para as pessoas que chegam à fase dos 55 anos em diante e que reservaram uma parcela do orçamento investindo em fundo de investimentos passa a ser uma das fases mais bonitas da vida, onde os mesmos terão experiência, cautela e respaldo financeiro, sendo o tempo um aliado. Atente para o trecho abaixo: O futuro está ligado ao presente por meio da linha do tempo. As escolhas que fazemos no presente determinam o futuro. Se você tomar sol do meio-dia sem utilizar o protetor solar (escolha no presente), no final do dia seu corpo estará igual a um “pimentão vermelho” (resultado futuro). Se você andar sem guarda-chuva sob a chuva (escolha no presente), minutos após estará com as roupas ensopadas e sujeito a contrair um resfriado (resultado futuro). (HOJI, 2007, p. 31). A situação exposta acima pelo autor teria uma solução possível em curto prazo, no caso do segundo exemplo a solução seria simples: trocar as roupas, tomar um antigripal e tudo estaria resolvido. Mas a analogia para as pessoas que não se preparam para a vida futura não reserva soluções tão práticas assim. Por uma questão até mesmo de sobrevivência, as pessoas acabam aceitando somar diversas atividades para complementar aposentadoria ou até mesmo para aguardar a aposentadoria. Diante disso a complementação financeira é obtida em empregos mesmo após a aposentadoria, como em bancas de jornal, portarias em prédios residenciais, entre outras atividades. Em maio de 2006, as pessoas com 50 anos ou mais de idade (3.613 mil) representavam 18,1% das pessoas ocupadas no agregado das seis regiões metropolitanas investigadas pela Pesquisa Mensal de Emprego. Este grupo etário foi o único a apresentar aumento de sua participação na população ocupada no período de maio de 2002 a maio de 2006, crescendo 2,7 pontos percentuais. (IBGE). Mesmo com um retrato não muito atualizado é possível perceber a necessidade que faz com que as pessoas mantenham-se trabalhando mesmo após 55 anos de idade, muitas vezes já aposentados. É evidente que nessa fase, exatamente como em outras, as pessoas possuem gastos constantes e na fase dos 55 em diante ainda são sobrecarregadas com o custo de prevenir a saúde com preços altíssimos de planos de saúde. Em outro contexto, para as pessoas que durante as fases anteriores conseguiram equilibrar o orçamento e investir seja em fundos de investimentos, previdência privada ou até mesmo criando um patrimônio, através de imóveis para alugar ou outro tipo de patrimônio, o retorno é agradável e prazeroso. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 4 Quadros 1 − Resultados de investimentos em fases anteriores aos 55 anos de idade CelebraçãoExercícios Viagem A realidade não é a mesma para as pessoas que, durante as fases anteriores por outros motivos não conseguiram equilibrar o orçamento, e investir seja em fundos de investimentos, previdência privada ou até mesmo criando um patrimônio. Para uma grande parcela da população brasileira nessa fase da vida, a experiência e cautela não serão suficientes para complementar o orçamento, além de que nessa fase outros gastos irão aparecer, tais como gastos com remédios, sem contar o caríssimo plano de saúde. Essa fase para essas pessoas passa a ser até mais difícil do que as anteriores, pois apesar de experiência a resistência as forças já não são as mesmas. Em diversas atividades a situação é semelhante, essas pessoas continuam com a mesma carga de trabalho. Quadro 2 – Pessoas aposentadas na ativa, independente da área de atuação Sapateiro Pintor Florista Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 5 3 A exploração dos idosos mesmo após aposentados No contexto socioeconômico diversas manobras até mesmo legais são utilizadas por financeiras especialistas em empréstimos consignados para os aposentados, além muitas vezes da exploração ser em casa. Um dos tipos de empréstimos cobiçados pelas financeiras em relação aos aposentados é o empréstimo consignado. Para as financeiras o risco é mínimo ou até mesmo inexistente proporcionando grandes demandas em função da baixa taxa de juros. O que significa na prática mais um tipo de exploração às pessoas dessa faixa etária. Apesar de algumas medidas para proteger os aposentados sabe-se que financeiras e outros acabam por explorar essas pessoas. As financeiras oferecem diversas facilidades para empréstimos, o que faz com que muitos aposentados, por falta de informação, adiram a esses empréstimos. As operações de crédito consignado realizadas por aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) totalizaram R$ 3,576 bilhões em agosto de 2013. Em valores nominais – isto é, sem considerar a inflação – o resultado foi 37,69% superior ao mesmo período de 2012, quando foram liberados R$ 2,597 bilhões. Em relação a julho de 2013, quando foram registrados R$ 3,245 bilhões, houve aumento de 10,02%. (MINISTÉRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL, 2013). Em uma sociedade do consumo o que determina as regras de comportamento das pessoas, inclusive nessa fase, quando não se tem dinheiro e deseja-se algum produto ou serviço tendo uma garantia de rendimento, é correr atrás do crédito. O crédito passou a ser uma constante no primeiro ciclo de vida das famílias, quando estas procedem a aquisição de equipamento indispensável à sua autonomia familiar e econômica (casa, automóvel, eletrodoméstico, mobiliário, computador). A aquisição de bens através do recurso crédito é o resultado de uma expansão densificada das necessidades e das práticas de consumo. O crédito é hoje fortemente associado a esses novos padrões de consumo acompanhando de perto as suas tendências e oscilações. (FRADE; MAGALHÃES, 2006 apud MARQUES; CAVALLAZZI, 2006, p. 24). Sendo assim, nessa perspectiva de crédito, as pessoas, independentemente da fase da vida, deparam-se com as necessidades de compras e quanto mais fácil em obter, maior a tendência ao endividamento. Para as pessoas na fase acima dos 55 anos, os já aposentados, outra modalidade de crédito − o empréstimo consignado − passou a ser modalidade bastante incentivada no governo Lula. Esse tipo de crédito é oferecido às pessoas na ativa, ou seja, trabalhadores ou aposentados e pensionistas do INSS, devido à segurança do pagamento oferecido com baixas taxas de juros. Com base no roteiro técnico de empréstimos consignado do INSS de 2005, são oferecidos três tipos de empréstimo consignado aos aposentados e/ou pensionistas. A primeira opção oferecida é feita diretamente no benefício previdenciário, onde o próprio INSS repassa o Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 6 valor consignado à instituição financeira envolvida na transação. Fica evidente que a taxa de juros cobrada, tendo o INSS como aval, é inferior e destinada a outra pessoa que não nessas condições de mínimos riscos. A segunda forma disponibilizada refere-se à retenção com base na Lei 10.953 de 2004, que em seu artigo 6 diz: Art. 6o Os titulares de benefícios de aposentadoria e pensão do Regime Geral de Previdência Social poderão autorizar o Instituto Nacional do Seguro Social – INSS a proceder aos descontos referidos no art. 1o desta Lei, bem como autorizar, de forma irrevogável e irretratável, que a instituição financeira na qual recebam seus benefícios retenha para fins de amortização, valores referentes ao pagamento mensal de empréstimos, financiamentos e operações de arrendamento mercantil por ela concedido, quando previstos em contrato, nas condições estabelecidas em regulamento, observadas as normas editadas pelo INSS. (CASA CIVIL, 2004). Fica evidente que, nessa segunda forma de empréstimo consignado, o INSS repassa o valor integral do benefício e a instituição retém o valor do desconto. Evidencia também nessa segunda opção que a existência do risco para a financeira é inexistente, já que o INSS repassa todo o benefício para a financeira. A terceira opção oferecida para esse tipo de transação, que inclusive é previsto em Instrução Normativa do INSS, número 1171 , é realizada através de um cartão de crédito, nessa opção a instituição envia arquivo magnético à Dataprev2 que realiza uma Reserva da Margem Consignável (RMC), no valor de até um terço da margem de 30% permitida por lei. E, dessa forma, mensalmente a financeira envia à Dataprev o arquivo com informação sobre valor a ser consignado nas operações feitas com o cartão de crédito. A exigência legal é que as Instituições Financeiras devem ser conveniadas com o INSS (artigo 1º, inciso III, IN INSS/ DC nº 110)3. Sendo assim, percebemos que a exploração dos aposentados de uma forma até legal é institucionalizada, ou seja, diante do contexto em que o mesmo acaba por enfrentar, o endividamento para as pessoas na fase dos 55 anos em diante, já aposentados, reflete a necessidade urgente da realização de um planejamento financeiro nas fases anteriores. Em alguns casos a mídia tem relatado que algumas pessoas nessas condições acabam por não conseguir nem o mínimo de condições de sobrevivência, vítimas de financeiras e falta de informação. 1 Instrução Normativa do INSS nº 117: Consiste em ato administrativo expresso por ordem escrita expedida pelo chefe de serviço ou ministro de Estado a seus subordinados, dispondo normas disciplinares que deverão ser adotadas no funcionamento de serviço público reformulado ou recém-formado. Altera a redação e acrescem dispositivos à Instrução Normativa nº 110 INSS/DC, de 14 de outubro de 2004, que estabelece procedimentos quanto à consignação de descontos para pagamentos de empréstimos pelo beneficiário da renda dos benefícios. 2 A Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social (Dataprev) é uma empresa pública brasileira. É responsável pela gestão da Base de Dados Sociais Brasileira 3 Artigo 1º, inciso III, IN INSS/DC nº 110. Estabelece procedimentos quanto à consignação de descontos para pagamento de empréstimos contraídos pelo beneficiário da renda mensal dos benefícios. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 7 A crise social econômica afeta a todos, independentemente de fase de idade, mas para um jovem mesmo com pouca experiência e maturidade algumas alternativas podem ser oferecidas em função de seu próprio estado de saúde.Serviços paralelos “bicos” são alternativos que complementam a renda familiar e conseguem suprir uma determinada época. Para pessoas com idade acima de 55 anos sobram poucas alternativas as quais são aceitas para suprir necessidades vitais. Alguns benefícios são oferecidos ou vigiados pelo governo endereçados às pessoas nessa fase da vida, consideradas como “idosos”. Entre esses benefícios podemos mencionar atendimento preferencial nos postos de saúde tendo a gratuidade de remédios, normalmente de uso continuado. Para saber mais sobre o Assunto leia o capitulo 4, página 74 da Dissertação de Mestrado intitulada: “A utilização do crédito consignado pelos aposentados da Terceira Idade: um estudo Exploratório”, de Rosa Maria de Freitas, do Programa de Mestrado Profissional em Administração das Faculdades Integradas Pedro Leopoldo, em Pedro Leopoldo, Minas Gerais, 2010. Na pesquisa é apresentado comportamento do consumidor nessa fase apontando as razões para recorrer ao empréstimo consignado e as consequências diante das financeiras ancoradas no INSS. Considerações finais Durante essa aula destacamos implicitamente fatos e consequências do não planejamento financeiro em fases da vida precedentes à fase explícita, dos 55 anos em diante. Destacamos que, mesmo com experiência e cautela, a permanência da maioria das pessoas referenciadas não se trata de opção. Mencionamos os prazeres para aqueles que investirão, seja em poupança ou em fundos de ações e com pesar explicitamos os desafios enfrentados pelas pessoas que, por diversas razões e falta de informações, não pouparam ou criaram estratégias para garantir um padrão de vida adequado nessa fase da vida e, em consequência, ficam sem alternativas a não ser manterem-se trabalhando. Mostramos também os bastidores do preço do crédito para os aposentados, inclusive passeando pelos camarins do INSS. Fica evidente a necessidade de reflexão para aqueles que não aderiram a ideia de uma poupança ou um respaldo para a fase dos 55 anos de idade em diante. Educação Financeira Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 8 Procuramos destacar alguns dilemas enfrentados pelas pessoas ao atingirem essa idade, fatos positivos articulados à experiência e maturidade, mas também alguns obstáculos, na maioria das vezes intrínsecos, tais como condição física. Esperamos ter contribuído e até mesmo alertado para um problema que, para muitos, é só uma questão de tempo. Referências CASA CIVIL. Empréstimo Consignado. 2004. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/_ato2004-2006/2004/lei/l10.953.htm>. Acesso em: nov. 2013. HOJI, M. Finanças da Família: o caminho para a independência financeira. São Paulo: Profitbooks, 2007. FRADE, C.; MAGALHÃES, S. Sobre endividamento: a outra face do crédito. In: MARQUES, C. L.; CAVALLAZZI, R. L. (Coord.) Direito do consumidor endividado: superendividamento e crédito. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006. FREITAS, R. M. A utilização do crédito consignado pelos aposentados da 2010 da terceira idade: um estudo exploratório. 2010. Dissertação (Mestrado) Fipel, Minas Gerais. MINISTÉRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. Consignado: operações somam R$ 3,58 bilhões em agosto. Disponível em: < http://www.previdencia.gov.br/noticias/consignado-operacoes- somam-r-358-bilhoes-em-agosto/ >. Acesso em: nov. 2013. IBGE. O trabalho a partir dos 50 anos de idade. Indicadores IBGE. Disponível em: < http://www. ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/trabalhoerendimento/pme_nova/trabalho_50anos. pdf. Acesso em: nov. 2013. EDU_FIN_01_PDF_2013 Capa Créditos Folha de rosto Introdução 1 Educação financeira Considerações Finais Referências EDU_FIN_02_PDF_2013 Folha de rosto Introdução 1 Orçamento familiar: importância, componentes e tipos de despesas Considerações Finais Referências EDU_FIN_03_PDF_2013 Folha de rosto Introdução 1 Por que precisamos de crédito? 2 A demanda por crédito 3 Conhecendo o cartão de crédito e sua importância aos consumidores Considerações finais Referências EDU_FIN_04_PDF_2013 Folha de rosto Introdução 1 Banco Central do Brasil e suas funções 2 As competências do Banco Central do Brasil 3 Os impactos das ações do Banco Central nas transações cotidianas das pessoas e empresas Considerações finais Referências EDU_FIN_05_PDF_2013 Folha de rosto Introdução 1 Produtos e serviços oferecidos pelos bancos 2 A investida dos bancos nos setores de varejo apoiados nas TICs e benefícios e malefícios oferecidos aos clientes 3 Critérios básicos da educação financeira e harmonia com os bancos frente ao orçamento familiar e conquista da moradia Considerações finais Referências EDU_FIN_06_PDF_2013 Folha de rosto Introdução 1 Identificar a necessidade do produto ou serviço 2 Fatores que impulsionam a adiar ou não a aquisição de um produto ou serviço oferecido à família Considerações finais Referências EDU_FIN_07_PDF_2013 Folha de rosto Introdução 1 Conceitos essenciais da contabilidade para as empresas 2 Finanças e a empresa Considerações finais Referências EDU_FIN_08_PDF_2013 Folha de rosto Introdução 1 Elaboração do planejamento financeiro 2 Aspectos comportamentais a serem refletidos 3 Oportunidades para economizar Considerações finais Referências EDU_FIN_09_PDF_2013 Folha de rosto Introdução 1 Dinheiro e o crédito 2 Investimentos 3 As razões para conquistar e/ou manter nosso patrimônio Considerações finais Referências EDU_FIN_10_PDF_2013 Folha de rosto Introdução 1 Mercado financeiro 2 Mercado monetário e de crédito 3 Sistema Financeiro Nacional Considerações finais Referências EDU_FIN_11_PDF_2013 Folha de rosto Introdução 1 Por que investir e como ser investidor mesmo com pouco dinheiro 2 Opções de investimentos com poucos recursos 3 Como gerenciar os riscos Considerações finais Referências EDU_FIN_12_PDF_2013 Folha de rosto Introdução 1 Modalidades de empréstimos oferecidos pelos bancos 2 Oscilação nas taxas de juros nas operações de crédito 3 Efeitos da taxa básica para o consumidor final Considerações finais Referências EDU_FIN_13_PDF_2013 Folha de rosto Introdução 1 O patrimônio familiar 2 A contabilização do patrimônio líquido da família Considerações finais Referências EDU_FIN_14_PDF_2013 Folha de rosto Introdução 1 Caderneta de poupança e as mudanças recentes na remuneração 2 Tipos de caderneta de poupança 3 Fluxo de caixa familiar: receitas, despesas e poupança Considerações finais Referências EDU_FIN_15_PDF_2013 Folha de rosto Introdução 1 Planejamento para soluções no futuro 2 Como organizar as finanças em cada fase da vida? Considerações finais Referência EDU_FIN_16_PDF_2013 Folha de rosto Introdução 1 A vida financeira a partir dos 55 anos 2 Contexto brasileiro: permanecer na ativa a partir dos 55 anos equilíbrio financeiro 3 A exploração dos idosos mesmo após aposentados Considerações finais Referências