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Universidade Federal Fluminense Economia da Educação – Professora Daniele Cruz Aluna: Maria Eduarda Vasconcelos Batista Resenha Crítica: Os reformadores empresariais da educação e a disputa pelo controle do processo pedagógico da escola. O texto de Luiz Carlos de Freitas destaca a interferência dos “Reformadores Empresariais” no campo da educação. Temática essa que vem das discussões acerca do papel que a educação cumpre na formação do indivíduo, e a sua eficácia, tendo em vista a sociedade, e principalmente as demandas do mercado de trabalho. O caráter utilitarista é adotado, de forma a se relacionar com a Teoria do Capital Humano dos anos 70, agora com uma nova roupagem, a tendência é de esvaziamento teórico e político, e de controle ideológico no ambiente escolar. O fortalecimento dos processos de gestão e a instauração de uma lógica neoliberal e responsabilizadora (accountability) por meio de avaliações externas, saturam a estrutura organizacional das instituições de ensino. De forma a interferir diretamente nos conteúdos e métodos adotados no espaço escolar, de forma que sejam adequados ao padrão dito “básico” diante dos reformadores empresariais. Mas que de bom grado acabam aceitando, e até, valorizando, a diferenciação do “básico”. A distinção de alguns sujeitos, para os reformadores se justifica mais uma vez por uma lógica responsabilizadora, em que o mérito e o esforço são as principais razões para o crescimento profissional, descartando o contexto socioeconômico que envolve os diferentes indivíduos. Em outros casos, essa trajetória pode ser retomada também com justificava determinista, da distinção inata, das aptidões tácitas, ou diferenças originais. Essa abertura no campo educacional, além de propiciar subordinar as categorias do processo pedagógico, em todos os sentidos, as necessidades da iniciativa privada. Ao utilizar os dados produzidos pelas avaliações de maneira, a responsabilizar e culpabilizar. Interfere diretamente na dinâmica entre professores e alunos. O impacto sofrido pelo discente se dá pela padronização exigida pela instituição de ensino (gestão nos moldes empresariais), seu comportamento, seus valores e atitudes também são avaliados. A disciplina como ordem, silencia o estudante. Que diante de um professor que tem seu salário associado à média de desempenho de seus educandos, não se vê acolhido. O foco dessa relação não está mais centrado na construção do conhecimento, mas sim no resultado, se tornando conflitiva e concorrencial, culpabilizando pais, alunos e professores. E como se não bastasse essa tendência, vista como superada, retorna com força, como um projeto continuado desde o governo de FHC. Os reformadores calculam mais de 20 anos de experiência, circulando em meio a “órgãos nacionais de elaboração de políticas educacionais, Ministérios, Congresso Nacional e articulam expressivo apoio da mídia liberal/conservadora, que veicula cotidianamente suas propostas, sem contar o apoio de inúmeras empresas educacionais de consultoria, ONGs e institutos privados”. FREITAS (2014, p. 1106) A vertente que se contrapõe as ideias dos reformadores é a matriz formativa que compreende além do aspecto cognitivo, as esferas do desenvolvimento corporal, artístico, afetivo e criativo. Englobando as dimensões da diversidade cultural, conhecimento, história, lutas sociais, trabalho coletivo e solidariedade. Tendo como foco a formação total do indivíduo, em plena autonomia de pensar e agir. Referências Bibliográficas: FREITAS. Luiz Carlos de. OS REFORMADORES EMPRESARIAIS DA EDUCAÇÃO E A DISPUTA PELO CONTROLE DO PROCESSO PEDAGÓGICO NA ESCOLA. Educ. Soc., Campinas, v. 35, nº. 129, p. 1085-1114, out.- dez., 2014