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empreendedorismo aula 01

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School criou um curso sobre gerenciamento de pequenas empresas e, em 
1953, Peter Drucker montou um curso sobre empreendedorismo e inovação na 
Universidade de Nova York.
Segundo Dolabella (1999), outros eventos marcantes na história do empre-
endedorismo foram:
 a criação do International Council for Small Business (1956);
 a realização do primeiro congresso internacional sobre o tema (Toronto, 
1973);
 a criação, no Babson College, de um dos mais importantes congressos 
acadêmicos em empreendedorismo, o Frontiers of Entrepreneurship 
Research (1981).
Timmons (apud DOLABELA, 1999) chegou a afirmar que o empreende-
dorismo é “uma revolução silenciosa, que será para o século XXI mais do que a 
Revolução Industrial foi para o século XX”.
Um dado que mostra o crescimento do interesse pelo empreendedorismo é 
que nos Estados Unidos o número de cursos passou de dez, em 1967, para 1 064, 
2Verdade incontestável.
3Definição proposta por Dolabela (1999).
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Empreendedorismo 
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em 1998. No Brasil, o primeiro curso na área surgiu em 1981, na Escola de Admi-
nistração de Empresas da Fundação Getulio Vargas, sendo que em 1984 o ensino 
de empreendedorismo foi introduzido na Faculdade de Economia, Administração 
e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP). Em 1992, a Universi-
dade Federal de Santa Catarina (UFSC) criou a Escola de Novos Empreendedores 
(ENE), que com o tempo veio a se tornar uma das referências em âmbito nacional, 
apoiando a formação de centros congêneres em outras universidades do Brasil.
A pesquisa em empreendedorismo cresce no Brasil e no mundo, sendo que 
os principais temas sempre são:
 características comportamentais dos empreendedores;
 empreendedorismo e pequenos negócios em países em desenvolvimento;
 empreendedorismo em corporações e intraempreendedorismo;
 políticas governamentais para a área;
 mulheres, minorias, grupos étnicos e empreendedorismo;
 educação empreendedora;
 empreendedorismo e sociologia;
 financiamento de pequenos negócios;
 empresas de alta tecnologia;
 biografia de empreendedores.
O que é um empreendedor?
Um exame da literatura disponível mostra que definir um empreendedor 
ainda é um dos grandes problemas a ser resolvido pelo empreendedorismo como 
disciplina acadêmica, pois ainda não se chegou a um consenso sobre isso. Calvin 
Kent (1990) cita a comparação feita por Peter Kilby em 1971: a busca do empreen-
dedor seria igual à caça do Heffalump, um personagem do Ursinho Pooh.
Trata-se de um animal um tanto grande e importante. Ele tem sido caçado por muitos indiví-
duos utilizando-se de vários tipos de engenhocas e armadilhas, mas até agora ninguém teve 
sucesso em capturá-lo. Todos que clamam tê-lo visto relatam que ele é enorme, mas todos 
discordam das peculiaridades. [...] Assim é o empreendedor. Ninguém definiu exatamente 
como um empreendedor é, contudo, as contribuições dos empreendedores para o bem-estar 
da humanidade são ao mesmo tempo grandes e importantes. (KENT, 1990, p. 1)
Como exemplo dessa caçada ao Heffalump, Garcia (2001) reuniu 43 defini-
ções de empreendedor e empreendedorismo e Filion (2000) menciona ter reunido 
mais de cem.
Apesar de não nos propormos a resolver aqui essa divergência conceitual, 
faz-se necessário adotar uma definição de empreendedor para balizar as discus-
sões sobre o tema.
Nesse sentido, podemos começar pela origem da palavra empreendedor. Cun-
ningham e Lischeron (1991) apontam que ela seria derivada do francês entrependre:
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Empreendedorismo
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No início do século XVI, os empreendedores eram definidos como franceses que se 
encarregavam de liderar expedições militares. O termo foi estendido por volta de 1700, 
incluindo contratistas que se encarregavam de construções para os militares: estradas, 
pontes, portos, fortificações e coisas pelo estilo. Na mesma época, economistas franceses 
também usaram a palavra para descrever pessoas que corriam riscos e suportavam 
incertezas a fim de realizar inovações. (CUNNINGHAM; LISCHERON, 1991, p. 50)
Em 1755, Richard Cantillon identificou o empreendedor como sendo quem 
assume riscos no processo de comprar serviços ou componentes por um certo 
preço com a intenção de revendê-los mais tarde por um preço incerto. Para ele, 
havia uma relação entre capacidade inovadora e lucro: “Se o empreendedor lucrará 
além do esperado, isso ocorrerá porque ele havia inovado: fizera algo de novo e 
diferente” (CANTILLON apud FILION, 2000, p. 17).
No início do século XIX, Jean-Baptiste Say caracterizou o empreendedor 
pelas funções4 de reunir diferentes fatores de produção e fazer a sua gestão, além 
da capacidade para assumir riscos (SAY, 1986).
Livesay (1982) afirma que durante muito tempo o termo empreendedor foi 
associado ao homem de negócios bem-sucedido, seu sucesso sendo prova sufi-
ciente de suas habilidades e ele sendo motivado pela prosperidade material, o 
reconhecimento público e a estima. Segundo esse autor, as primeiras definições 
traziam também, no seu bojo, uma estreita relação entre a propriedade do negócio 
e o empreendedorismo.
Bruce (1976) propôs uma maior extensão para a palavra empreendedor, de 
modo a incluir indivíduos envolvidos em organizações já existentes, ao descrever 
um empreendedor como sendo qualquer pessoa cujas decisões determinam dire-
tamente o destino da empresa. Essa definição desvincularia o empreendedor da 
propriedade do negócio.
Garcia (2004) associou o termo empreendedor a resultados. Para ele, as 
“pessoas que se destacam em qualquer campo, por gerarem resultados e se des-
tacarem das demais merecem ser chamadas de empreendedoras”. Segundo esse 
mesmo pesquisador, a área de negócios permite que as pessoas empreendedo-
ras encontrem um campo propício para testar suas habilidades, vencer desafios e 
aprender com suas experiências, motivos pelos quais os empreendedores costu-
mam ser encontrados dirigindo empresas.
Como não pretendemos resolver o problema conceitual do que ou quem 
seria um empreendedor, optamos por adotar o conceito de Garcia pelas seguin-
tes razões:
 permite relacionar empreendedorismo a resultados;
 não restringe o conceito apenas à propriedade de uma empresa, mas am-
plia à sua gestão ou à gestão de projetos de forma bem-sucedida, o que 
permite que o termo seja empregado tanto no modo de produção capita-
lista como no socialista.
4Usa-se aqui o termo fun-ção como “atribuição de 
uma pessoa dentro de sua 
atividade profissional especí-
fica” (AURÉLIO).
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Empreendedorismo 
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Tipos de empreendedores
Outra questão relacionada ao empreendedorismo é: mesmo se houvesse um 
acordo geral sobre o que é um empreendedor, seriam todos eles iguais? Se for con-
siderado que os empreendedores são, acima de tudo, humanos, a resposta é não. 
Palich e Bagby (1992) argumentaram que os empreendedores são tão diferentes 
entre si como o são do resto da população. Apesar dessa diversidade, algumas 
tentativas foram feitas para classificá-los a partir de certas características.
Vesper (1980), por exemplo, propôs uma classificação dos empreendedores 
baseada nos diversos modos de operação, chegando a 11 tipos possíveis, listados 
a seguir:
 Autônomos – caracterizam-se por executar seus serviços pessoalmente, 
baseando-se em alguma habilidade técnica ou comercial.
 Formadores de equipes – contratam outras pessoas e delegam tarefas, 
formando equipes, podendo também perceber vantagens por operarem, 
expandindo seus negócios.
 Inovadores independentes – são os criadores de novos produtos e criam 
empresas para desenvolvê-los e fabricá-los.
 Multiplicadores de padrão – criam ou reconhecem um padrão de ne-
gócio passível de ser multiplicado, seja por sistema de franquia, seja por 
montagem de uma rede,