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empreendedorismo aula 01

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figura 2.
Intuição (principal)
Sentimento (auxiliar)
Sensação (terciária)
Pensamento (inferior)
Introversão
Extroversão
Consciente
Inconsciente
(Z
A
C
H
A
R
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S,
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Figura 2 – Exemplo da relação entre as funções psíquicas – Tipo ENFP.
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A Psicologia e os empreendedores
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Segundo o Manual do Programa de Qualificação MBTI (2003), na solução 
de problemas as escolhas das funções S/N e T/F levariam aos comportamentos 
descritos no quadro 4.
Quadro 4 – Efeito das funções no processo de tomada de decisão
T (pensamento ) S(sensação)
((M
A
N
U
A
L,
 2
00
3)
Analisa Identifica fatos relevantes
Debate Determina passos realistas
Cria e explica o modelo Implementa
N (intuição) F(sentimento)
Vê todas as possibilidades Envolve
Busca alternativas Considera o efeito nos outros
Resolve vários problemas Mantém harmonia
Como exemplo, é apresentado no quadro 5 o fluxo que seria seguido no 
processo de tomada de decisão do tipo ENFP.
Quadro 5 – Efeito das funções no processo de tomada de decisão – 
Tipo ENFP
F (sentimento) 
Função auxiliar
Envolve 
Considera o efeito 
nos outros
N (intuição) 
Função principal
Vê todas as possibilidades 
Busca alternativas
T (pensamento) 
Função terciária
Analisa 
Debate
S (sensação) 
Função inferior
Identifica fatos relevantes 
Determina passos realistas
De acordo com a teoria junguiana, cada tipo psicológico teria um estilo de 
tomada de decisão, o que poderia afetar a condução da empresa. Com relação a 
esse aspecto (tipo do empreendedor e desempenho da empresa), Ginn e Sexton 
(1989) estudaram, pela perspectiva da tipologia junguiana, um grupo de 159 funda-
dores de empresas do ranking das 500 empresas privadas com mais rápido cresci-
mento da revista Inc. (Estados Unidos) e um grupo de 150 fundadores da indústria 
manufatureira e comércio varejista do estado do Texas (Estados Unidos). Partiu-se 
da premissa de que nem todos os empreendedores parecem ter o mesmo nível de 
interesse no crescimento de suas empresas: o crescimento seria uma escolha. Perce-
beu-se uma alta concentração de tipos NT, tendo sido comentado o seguinte:
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O padrão NTJ descreve uma pessoa que gosta de pensar adiante, organizar planos e fazer 
um esforço sistemático para alcançar seus objetivos. Eles estão mais interessados em bus-
car as possibilidades mais além do que é presente, óbvio e conhecido. Eles gostam da ação 
executiva e do planejamento de longo prazo.
O padrão NTJ se diferencia do padrão NTP, também representado no grupo de funda-
dores de alto crescimento, só com respeito à manutenção de opções abertas mais do que 
querer as coisas decididas. (GINN; SEXTON, 1989, p. 6)
Ao compararem seus dados com um estudo feito por Hoy e Hellriegel (1982) so-
bre fundadores de empresas com crescimento médio, Ginn e Sexton concluíram que:
aparentemente os fundadores de empresas com alto crescimento têm preferências psico-
lógicas que favorecem o planejamento de longo prazo, enquanto que as preferências dos 
fundadores de empresas de médio crescimento não só não incluem planejamento de longo 
prazo como os limitam a uma abordagem “aqui e agora”. (GINN; SEXTON, 1989, p. 7, 
grifo do autor)
No tocante a tipo e escolha profissional, Roberts (1991) estudou um grupo 
de empreendedores de base tecnológica e de engenheiros, todos vinculados ao 
Massachusets Institute of Technology (MIT), aplicando como instrumento de 
teste o questionário MBTI. A incidência mais alta foi de empreendedores com a 
tipologia ENTP. Roberts cita Keirsey e Bates, que teriam caracterizado esse tipo 
como “inventor” e apontado os seguintes traços:
O ENTP pode ser um empreendedor e claramente produzir com o que ou com quem es-
tiver à mão, contando com a engenhosidade para resolver problemas à medida que eles 
aparecem, mais do que gerar um planejamento cuidadoso antecipadamente. (KEIRSEY; 
BATES, 1978, p. 186)
Um exame detalhado da literatura mostra que existe muita coisa a ser pes-
quisada no campo do empreendedorismo, desde a perspectiva da tipologia jun-
guiana. Contudo, apesar da quantidade relativamente escassa de publicações so-
bre esse tema específico, isso não invalida o fato de que o autoconhecimento do 
tipo psicológico pode ser de grande utilidade para um empreendedor avaliar seus 
pontos fortes e fracos na condução de um negócio.
Maslow e a hierarquia de necessidades
Maslow nasceu em 1908, em Nova York. Foi um crítico vigoroso da 
Psicanálise, particularmente da abordagem da personalidade de Freud. Segundo 
Maslow, quando os psicólogos estudam somente indivíduos emocionalmente 
perturbados, ignoram as qualidades humanas positivas como felicidade, satisfação 
e paz de espírito.
Ele propôs uma hierarquia de cinco necessidades inatas que ativam e dire-
cionam o comportamento humano (MASLOW, 1954, 1968), a saber:
 necessidades fisiológicas, como alimentação, água e sexo;
 necessidades de segurança, como proteção, ordem e estabilidade;
 necessidades de afiliação e amor;
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 necessidade de estima (de si mesmo e dos outros);
 necessidade de autorrealização.
Essas necessidades possuem uma hierarquia (figura 3), estando na base as 
necessidades fisiológicas e no topo as de autorrealização. Segundo Maslow, não 
somos impulsionados por todas as necessidades ao mesmo tempo e apenas uma 
dominará nossa personalidade. Qual delas dominará dependerá da satisfação das 
outras no nível mais abaixo na hierarquia. Assim, pessoas famintas não sentem 
vontade de satisfazer a necessidade de segurança, mas a fisiológica de comida.
Maslow denominou essas necessidades como instintoides, aos quais confe-
ria um componente hereditário. Contudo, elas poderiam ser influenciadas ou anu-
ladas pelo aprendizado, pelas expectativas sociais e pelo medo de desaprovação. 
Por exemplo, pais com hostilidade e rejeição tornam mais difícil para uma pessoa 
satisfazer as necessidades de amor e estima.
Se as crianças forem superprotegidas e não forem autorizadas a tentar novos 
comportamentos, explorar novas ideias ou praticar novas habilidades, é possível 
que se tornem adultos inibidos, incapazes de alcançar a autorrealização. Por 
outro lado, liberdade demasiada na infância pode levar à ansiedade e segurança, 
minando a necessidade de segurança.
Autorrealização
Estima
Afiliação e amor
Segurança
Fisiológicas
Figura 3 – Hierarquia das necessidades de Maslow.
Maslow tinha uma visão otimista da personalidade humana: todos temos 
o livre-arbítrio de escolher a melhor maneira de satisfazer nossas necessidades 
e realizar nosso potencial. Contudo, atingir a autorrealização exige esforço e 
coragem.
No tocante aos empreendedores, a criação de uma empresa pode estar rela-
cionada diretamente à satisfação de necessidades rumo à autorrealização. Birley 
e Westhead (apud LEZANA, 1997) estudaram as razões que levam uma pessoa a 
empreender. Para isso, entrevistaram mais de mil empresários em 11 países dife-
rentes. Concluíram que cinco necessidades são as mais presentes.
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 Segurança: a empresa é vista como um meio de sentir-se seguro com 
relação a uma série de fatores como o desemprego, por exemplo.
 Aprovação6 (ou estima): a empresa é vista como um meio de mostrar 
aos outros que é capaz de levar uma ideia adiante, gerar empregos e obter 
respeito da comunidade.
 Desenvolvimento pessoal (estima e autorrealização): muitas pessoas 
abrem empresas para desenvolver novas habilidades e conhecimentos, 
bem como testar seu potencial.
 Independência (autorrealização):