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INTRODUÇÃO 
 
• Antropozoonose. 
• Carlos Justiniano Ribeiro Chagas, pesquisador 
instituto Oswaldo Cruz (descrição 1909). 
• Globalizada em todos os continentes (cosmopolita) 
• ↑ prevalência e morbimortalidade: porque ela tem 
uma prevalência alta, sua cronificação gera 
complicações que elevam essa morbimortalidade 
• Clínica bifásica (aguda e crônica). 
• Sinonímia: tripanossomíase americana. 
Professor nunca viu chagas aguda na sua prática clínica! 
EPIDEMIOLOGIA 
BRASIL (2012 – 2016) 
• Doença Chagas Aguda: 19.914 suspeitos / 1190 
confirmados (5,9%) / 18 óbitos. 
• Chagas aguda tende a ser uma doença mais grave! 
• 664 (55,8%) homens e 17 (3,2%) mulheres estavam 
gestantes. 
• Idade média das pessoas com a doença foi 32 anos e 
a faixa etária mais acometida de 20 a 49 anos. 
• Incidência (decrescente): Norte (Pará 1026 casos) / 
Nordeste / Sudeste / Sul / Centro-oeste. 
ASPECTOS GERAIS 
PERÍODO DE INCUBAÇÃO 
 
Transmissão vetorial: depende do barbeiro. 
• TRANSMISSIBILIDADE: maioria dos indivíduos 
transmitem durante toda vida (na maioria das vezes a 
doença é achada de forma acidental) 
 
VETOR 
• Insetos hemípteros hematófagos da família 
Reduviidae e subfamília Triatominae. 
• POPULARMENTE: barbeiro, bicudo, chupão, 
chupança (Mato Grosso), procotó (sertão da Paraíba), 
vum-vum (Bahia), vinchucas (países andinos), chincha 
voladora (México) e kissing bugs (Estados Unidos). 
• ESPÉCIES: Triatoma infestans (transmissão 
interrompida) / Triatoma brasiliensis (importante no 
brasil) / Panstrongylus megistus / Triatoma 
pseudomaculata e Triatoma sordida. 
• DISTRIBUIÇÃO REGIONAL: Triatoma rubrovaria (Rio 
Grande do Sul), e Rhodnius neglectus (Goiás), 
Triatoma vitticeps (Rio de Janeiro e Espírito Santo), 
Panstrongylus lutzi (Ceará e Pernambuco), Rhodnius 
nasutus (Ceará e Rio Grande do Norte). 
Tanto ninfas como adultos de ambos os sexos são 
hematófagos: isso é um problema, pois tanto machos 
como fêmas irão transmitir a doença 
 
 
DISTRIBUIÇÃO DOS VETORES MAIS IMPORTANTES 
 
Brasil: principal é o T. Brasiliensis 
ETIOLOGIA 
• Protozoário flagelado (Trypanosoma cruzi). 
• Forma infectante sangue e líquidos (tripomastigotas) 
• Forma tecidual (amastigotas) 
• Forma tubo digestivo vetor (epimastigota). 
 
O barbeiro pica e defeca na pele do hospedeiro, que é como 
ocorre a contaminação 
O EPIMASTIGOTA: 
• Contaminação do ser humano 
• Dimensões variáveis 
• Citoplasma abundante 
• Cinetoplasto situado perto do núcleo 
 
 
CICLO EVOLUTIVO 
 
Barbeiro (vetor) → se contamina com a forma tripomastigota 
sanguínea presente no ser humano contaminado → se 
transforma em epimastigota → divisão binária → se transforma 
no trato digestivo anterior e depois posterior em tripomastigota 
metacíclico (trato digestivo posterior) → mosquito pica e defeca 
no local da picada → tripomastigotas metacíclios se 
transformam em amastigotas no tecido do homem → formam 
os tripomastigotas (recomeça o ciclo) 
TRANSMISSÃO 
• Vetorial (vetor → homem) 
• Vertical (transplacentária): fase aguda ou crônica. 
• Via oral (contaminação de alimentos): surtos de 
doença de chagas aguda → ex.: açaí 
• Transfusional 
• Transplante de órgão: infecções graves 
(imunossupressão) 
• Acidentes laboratoriais 
• Acidentais: crianças (ingesta de triatomídeos ou 
contato com excretas contaminadas). 
MECANISMOS DE PATOGENICIDADE 
 
RESPOSTA IMUNE 
 
 
RESPOSTA IMUNE → FORMAS CARDÍACAS OU 
INDETERMINADA 
 
Direta 
Indireta 
Formas indeterminadas: tem a doença mas não tem nenhuma 
alteração detectada. 
Se o paciente tem predominância de Th1 → vai ter resposta mais 
inflamatória → então serão os pacientes com formas cardíacas 
Já os pacientes com forma indeterminadas serão aqueles com 
predomínio de resposta th2 
MANIFESTAÇÕES CLINICAS (FASE AGUDA) 
• Parasitemia ↑ / casos graves óbito (minoria). 
• Morbimortalidade > na transmissão oral. 
• *Febre constante elevada (até 3 meses) 
• Prostração, diarreia, vômitos, inapetência, cefaleia, 
mialgias → sintomas bem inespecíficos 
• Linfoadenopatia / Hepatoesplenomegalia / Exantema 
• Chagoma de inoculação / Sinal do Ramaña 
(patognomônico) 
• Miocardite / Pericardite / Meningoencefalite → 
traduzem gravidade 
• Edema localizado ou generalizado. 
FASE AGUDA 
 
• FORMA CRÔNICA: Parasitemia ↓ e intermitente e 
assintomática no início 
• FORMA INDETERMINADA: ausência de 
manifestações clínicas, radiográficas e 
eletrocardiográficas; a maioria dos pacientes 
permanece na forma indeterminada, sem apresentar 
sintomatologia, por toda a vida (pode evoluir para 
formas cardiodigestivas 1 – 2% dos pacientes ao ano). 
• FORMA CARDÍACA (30%): miocardiopatia dilatada e 
IC, maioria dos óbitos da fase crônica / média 10 – 20 
anos após infecção inicial. 
 
• FORMA DIGESTIVA (10-15%): megacólon e/ou 
megaesôfago (comprometimento da musculatura lisa 
faz com que o orgão tenha perda de função e 
consequente dilatação) 
 
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL 
• FASE AGUDA: leishmaniose visceral, malária, dengue, 
febre tifoide, toxoplasmose, mononucleose 
infecciosa, esquistossomose aguda, infecção por 
coxsakievírus, sepse, doenças autoimunes, 
leptospirose, febre amarela, meningococcemia, 
hepatites virais, febre purpúrica brasileira, 
hantaviroses e rickettsioses. 
DIAGNÓSTICO 
 
Edema na 
região da 
pálpebra
Sinal de Romaña
Resposta 
inflamatória 
no local da 
entrada do 
parasito
Chagoma de inoculação
FASE AGUDA 
• Gota fresca: primeiros 30 dias / durante a febre. 
• Métodos de concentração: Strout, micro-hematócrito 
e creme leucocitário / pós 30 dias. 
• Gota espessa ou esfregaço: < sensibilidade 
• Sorologia (indireto): HAI / IFI / ELISA = pouco indicado 
na fase, efeito complementar. IgG: 2 amostras com 
intervalo de 15 dias / IgM complexo e com falsos +. 
Resumindo: não se faz sorologia em fase aguda de chagas 
FASE CRÔNICA (IGG) 
• Sorologia (2 testes): 1 teste de ↑ sensibilidade + 1 
teste de ↑ especificidade (HAI, IFI e *ELISA) → precisa 
desses dois positivos 
• Casos inconclusivos: imunoblot. 
• Métodos parasitológicos indiretos: xenodiagnóstico e 
cultura pouco utilizados. 
• PCR: não utilizado (falta de padronização). 
TRATAMENTO 
• Tratamento específico (eficácia): 
► Agudos > 60% 
► Congênitos >95% 
► Crônicos recentes 50-60%. 
• Benznidazol (escolha) e Nifurtimox (alternativo). 
• Efeitos colaterais: B: 53% e N 85%. 
Todo tratamento da doença de chagas deve ser consentido, você 
tem que entrar em acordo com o paciente já que a droga vai 
causar muitos efeitos colaterais 
• Objetivos: curar a infecção, prevenir lesões orgânicas 
ou sua evolução e ↓ transmissão. 
• BENZNIDAZOL (comp 100mg): 5mg/Kg/dia (1-3 
doses) por 60 dias. Máx. 300mg/dia. 
• NIFURTIMOX (comp 120mg): 10mg/Kg/dia (3 doses) 
por 60 dias. 
Recomendações terapêuticas para tratamento etiológico da doença de Chagas 
PROFILAXIA 
• TRANSMISSÃO VETORIAL: controle químico de 
vetores com inseticidas quando a investigação 
entomológica indicar a presença de triatomíneos 
domiciliados; melhoria habitacional em áreas de alto 
risco suscetíveis a domiciliação. 
• TRANSMISSÃO TRANSFUSIONAL: manutenção do 
controle de qualidade rigoroso de hemoderivados. 
• TRANSMISSÃO VERTICAL: identificação de gestantes 
chagásicas na assistência pré-natal ou de recém-
nascidos por triagem neonatal para tratamento 
precoce. 
• TRANSMISSÃO ORAL: cuidados de higiene na 
produção e manipulação artesanal de alimentos de 
origem vegetal. 
• TRANSMISSÃO ACIDENTAL: utilização de 
equipamento de biossegurança. 
• VACINA???: inúmeras tentativas: de parasitas 
atenuados a recombinantes 
- Atualmente, qual a principal forma de transmissão de 
chagas no Brasil? Transmissão oral por caldo de cana e 
açaí 
- Qual o agente etiológico e o vetor da chagas? 
Tripanossoma cruzi e triatoma infestans (vetor) 
- paciente de 30 anos evoluindocom febre há 10 dias, 
associado a linfonodomegalia generalizada e 
esplenomegalia, além de edema bipalpebral e conjuntivite 
unilateral? Chagas aguda 
- Qual o nome do sinal descrito acima? Sinal de Romanã 
- quais exames complementare podem ser utilizados no 
diagnóstico de chagas aguda? Exame direto de sangue 
periférico ou sorologia IgM 
- qual o tratamento para chagas aguda? Benznidazol 
- qual a conduta epidemiológica para chagas aguda? 
Notificação compulsória e neste ano (2020), chagas 
crônica também entrou na lista de notificação 
compulsória 
- quais as principais complicações cardíacas e 
gastrointestinais da doença de chagas crônica? 
Insuficiência cardíaca, alterações eletrocardiográficas 
(BRD + BDAS + BAVT), Megacólon e megaesôfago

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