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ASSISTÊNCIA AO PARTO

Material sobre assistência ao parto: define parto normal, apresentações e termo, direito a acompanhante (Lei 11.108), tipos de parto (PSNV, PSAC, PSAF, PDAC) e roteiro admissional (anamnese, exame obstétrico, BCF, exames laboratoriais, assepsia). Descreve fases do trabalho de parto, monitorização, alívio da dor e fármacos (meperidina, ocitocina).

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ASSISTÊNCIA AO PARTO 
Procura-se respeitar o momento da mulher, realizando as suas vontades quanto à posição 
adquirida durante o trabalho de parto, dando-a sempre assistência independente da sua 
escolha, desde que não haja nenhum prejuízo para ela ou para o bebê. 
O parto normal tem como característica um início espontâneo por mecanismo endógeno 
(induzido ou conduzido), de baixo risco materno-fetal desde a concepção até o nascimento 
(gestação não patológica). 
 O RN pode nascer em diferentes tipos de apresentação, sendo a mais comum delas a 
apresentação cefálica e o tempo para o mesmo ser considerado a termo é de 37 a 42 semanas. 
Lei nº 11.108, de 07 de abril de 2005, garante o direito a um acompanhante durante o trabalho 
de parto, parto e pós-parto imediato, promovendo suporte contínuo, no âmbito do Sistema 
Único de Saúde (SUS). 
Tipos de parto: 
- PSNV (Parto Simples Normal em Vértice) 
- PSAC (Parto Simples Artificial por Cesárea) 
- PSAF (Parto Simples assistido por Fórceps) 
- PDAC (Parto Duplo Artificial Por Cesárea) 
*normal em vértice: parto foi natural 
*parto simples: único feto 
*artificial: procedimentos realizados que se distanciam do parto natural (fórceps, cesáreo) 
*duplo: mais de um feto. 
Diagnóstico ao TP 
 
 
Pródromos do TP: 2 contrações cada uma < 30 s, tornando necessária uma segunda avaliação 
após 1 hora, não sendo admitida a mulher nessa hora, a menos que haja alguma condição 
adversa. 
 
 
Roteiro admissional 
Chegada da parturiente: Anamnese + dados do TP + história do pré-natal + partograma + exame 
físico (geral e obstétrico) 
➔ Exame geral: PA, FR, FC, T° e peso 
➔ Exame obstétrico: padrão de contrações uterinas, palpação obstétrica (Manobra de 
Leopold), toque vaginal e vitalidade fetal. 
➔ Exame fetal: Exame fetal: avalia, através de uma perturbação sonora, a higidez do feto 
e sua aptidão em desenvolver o trabalho de parto sem que haja o sofrimento fetal. 
Avalia-se a cardiorreatividade do feto, a qual deve elevar a frequência cardíaca em 
15bpm durante 15 segundos e, após esse intervalo, retornar à sua frequência basal. 
➔ Exames laboratoriais: Tipagem sanguínea ABO, fator Rh, VDRL e teste rápido para 
HIV. 
➔ Cuidados de assepsia para proteção do obstetra e da parturiente são muito 
importantes: as mãos do obstetra devem ter sido lavadas e escovadas, o períneo é 
preparado com solução de PVPI e utilizam-se campos estéreis, máscara, capote e gorro. 
Trabalho de parto 
Parturiente se encontra em TP: 
 
Fases clínicas do parto: Dilatação, Expulsão, Dequitação, Período de Greenberg 
1º PERÍODO 
Dilatação: 
Fase de latência – quando existe contrações uterinas irregulares (contrações de 
treinamento) e dilatação/apagamento cervical > 4 cm 
*nulíparas pode durar 20 hrs e multíparas > 14 hrs. 
Fase ativa – presença de contrações regulares (2 contrações em 10 min com duração de 
no min 40 seg. + dilatação > ou = 4 cm 
*dilatação neste período é de 1 cm/h. 
 
Obs. Colo em uma gestação sem estar em TP é posterior, grosso e fechado, a medida 
que se aproxima do TP ativo evolui para centralizando, esvaecendo (afinando, 
‘’apagando’’) e dilatando. 
- A cada hora deve ser feito o controle da dinâmica uterina, durante 10 minutos são 
avaliadas frequência, intensidade e duração das contrações, além de palpação dos 
pulsos. 
BCF deve ser realizada antes, durante e após as contrações uterinas. 
- A cada 4 horas medir a temperatura, aferir a PA, toque vaginal e a diurese. 
*toque vaginal não deve ultrapassar 6x e devem ser realizados por médicos qualificados. 
- Bolsa das águas: é a bolsa amniótica colada ao colo, se projeta para dentro da vagina, 
sendo possível se observar através da inspeção vaginal. 
- A parturiente pode referir dor, as maneiras de aliviá-la, seja farmacológicas (bloqueio 
peridural ou analgésico) ou não farmacológicas (posição antálgica, banhos quentes ou 
massagens). 
Opiáceo: meperidina, que além de seu efeito anestésico, propicia melhora da atividade 
uterina. Pode-se aplicá-la a cada duas horas, na dose de 50 mg IM. 
Algumas vezes é necessário o uso de drogas durante o parto. As mais utilizadas são 
analgésicos, anestesia de condução e a ocitocina para corrigir os distúrbios da 
contratilidade uterina OU analgesia peridural. 
A ocitocina é utilizada em doses fisiológicas para correção dos distúrbios do trabalho de 
parto (1 a 8 mU/min.), dose que pode ser dobrada a cada 30 minutos até que o perfil 
contrátil desejado seja alcançado. 
 
2º PERÍODO 
Expulsivo: 
 
- Inicia quando a dilatação é completa (10 cm) e termina com o nascimento. 
- Refere desejo de defecar, devido a descida da apresentação fetal promove a 
compreensão do períneo sobretudo dos mm. levantadores do ânus. 
- ‘’Puxo’’ é o esforço expulsivo materno, só devem ser encorajados quando ocorrem as 
contrações uterinas. 
- Fenomenos plásticos que ocorrem nesse momento – distensão da musculatura 
perineal, esvaziamento da bexiga e ampola retal e a dilatação do esfíncter anal. 
- Pode ser feito nesse período expulsivo se necessário a Manobra de Ritgen, faz-se um 
movimento de retração, empurrando a musculatura perineal para trás, protegendo de 
rotura, ou a ajuda do médico com o desprendimento da cintura escapular (médico 
experiente). 
- O uso do fórcipe obstétrico é indicado quando a abreviação do desprendimento do 
polo cefálico fetal for indicado. 
 
QUANDO FAZER EPISIOTOMIA? 
1. O feto não consegue sair pelo impedimento causado pela parede muscular 
2. Saída do feto poderá levar a lacerações perineais grave (3º ou 4º grau), em caso de 
sofrimento fetal, distocia de ombros, alguns casos de parto operatório (uso de 
fórceps e extrator à vácuo), fetos macrossômicos, período expulsivo prolongado. 
➔ Realizar secção perilateral do mm. levantador do ânus por um tesoura com aplicação de 
anestesia (xilocaína sem vasoconstrictor). 
3. Só é realizada se o feto se encontrar em posição OP (occipto púbico), pois ele precisa 
da musculatura para defletir e, caso a episiotomia seja realizada em OS (occipto 
sacral) ele não conseguirá rodas e haverá uma distocia no TP. 
➔ Tipo: Lateral (contraindica); Médio-lateral e Mediana (perineotomia) 
*lateral causa extensas lesões do mm. levantador do ânus e sangramento. 
*se a distância da vagina-anus for curta (corpo perineal pequeno): não fazer mediana 
pois há maior risco de lesão de esfíncter. 
 
 
Manobras que podem ser feitas no período expulsivo 
- Manobra de Mc Roberts (abdução e hiperflexão das coxas) – promove a rotação da sínfise 
púbica e retificação da lordose lombar. 
- Pressão suprapúbica e Manobra de Rubin I - a pressão suprapúbica pode ser realizada no 
sentido vertical, com o objetivo de comprimir o ombro fetal, diminuindo o diâmetro biacromial, 
ou ainda, pode ser realizada sobre a região do ombro fetal, com intuito de realizar pequeno 
movimento de flexão e rotação dos ombros, permitindo seu desprendimento (Rubin I). 
- Manobra de Woods (saca-rolha): consiste em pressão na face anterior (sobre a clavícula) do 
ombro posterior fetal com o auxílio de dois dedos, com o intuito de rodá-lo 180°. 
- Manobra de Rubin II consiste na introdução dos dedos de uma das mãos na vagina, atrás do 
ombro anterior do feto, e empurrando o ombro em direção do tórax do feto. Assim, a manobra 
de Woods provoca a abdução do ombro fetal e a de Rubin II. 
- Remoção do braço posterior (Jacquemier). Esta manobra consiste na introdução da mão do 
obstetra profundamente na vagina e retirada do braço fetal posterior, diminuindo o diâmetro 
impactado.a adução. 
- Manobra de Gaskin – posicionar a paciente de joelhos, com as mãos apoiadas (posição de 
quatro) e tentar realizar o desprendimento dos ombros na ordem inversa; iniciando-se pelo 
posterior, que agora está posicionado anteriormente, e a seguir, o anterior, agora posicionado 
posteriormente (Figura 14). Neste momento, as manobrasde rotação também podem ser 
realizadas. 
- Em caso de insucesso, outra possibilidade consiste na Manobra de Zavanelli, na qual se propõe 
a reintrodução da cabeça fetal na vagina, seguindo inversamente os movimentos fetais já 
realizados (rotação para OP, flexão e reintrodução da cabeça na vagina) e término do parto por 
cesariana de emergência. 
 
Após a saída do feto, pode-se mantê-lo na altura do introito vaginal com a face para baixo ou 
para o lado (evitar aspiração de líquido amniótico) ou apoiá-lo sobre o abdome materno, para, 
em seguida, realizar o clampeamento do cordão umbilical aproximadamente a 10 cm de sua 
inserção no recém-nascido 
3º PERÍODO 
Dequitação: 
- Assistência a saída da placena→ intervalo de tempo desde o nascimento da cça até a 
saída da placenta e membranas. 
- Recomenda-se uma intervenção mínima e uma duração de no máximo 30 minutos. 
- NÃO deve ser realizadas manobras para promover o descolamento da placenta de 
forma rápida. 
Obs. O clampeamento da cordão umbilical não se enquadra nesse período e sim, na 
etapa anterior (2 º período). 
- Assim que a placenta se apresenta no introito vaginal, solicita-se à mulher que exerça 
pequena pressão abdominal para sua completa expulsão. Nesse momento, roda-se a 
placenta para que o desprendimento das membranas seja completo (Manobra de 
Jacobs). 
 
Após a retirada a placenta deve ser avaliada: 
(a) Expulsão foi completa 
(b) Integridade dos cotilédones e membranas 
- Se acaso a placenta ou não sair ou ter dúvida sobre, deve-se fazer revisão da cavidade 
uterina e a curetagem uterina. 
Curagem uterina é realizada se o tempo de dequitação é maior que 30 min. Consiste na 
inserção da mão do obstetra para auxiliar o processo. 
- REVISAR canal de parto à procura de eventuais lacerações que devem ser suturadas, 
assim como a episiotomia. 
Pcts com cesárea prévia devem ter a revisão do segmento uterino para afastar hipótese 
de rotura da cicatriz de cesárea. 
- Formas de saída da placenta (principais) 
 
 
 
 
 
 
 
 
Baudelocque Duncan: ocorre quando a placenta está inserida na parede lateral e à 
medida que acontece a descida da placenta o hematoma retroplacentário é 
eliminado, isto é, o sangramento é junto com a saída da placenta. 
Baudelocque Schultze: a placenta é inserida no fundo uterino e o hematoma só é 
excluído posteriormente à sua descida completa. 
4º PERÍODO 
Período de Greenberg: pós-parto imediato, logo após a dequitação (1 h? 2 h?) 
- Momento de risco materno, com possibilidade de grandes hemorragias, 
principalmente por atonia uterina. 
- DEVE avaliar a integridade do canal de parto, se há perda volêmica, globo de segurança 
de Pinard (contração uterina fixa para oclusão dos vasos da porção muscular, de forma 
definitiva), reparação de eventuais porventuras existentes. 
- Se não houver formação do globo você estará diante de um puerpério hemorrágico → 
perda sanguínea > 500 ml 
Causas: atonia uterina; lacerações de trajeto e retenção de fragmentos placentários. 
- Realizar episiorrafia se necessário → 1º sutura da mucosa vaginal com pontos 
contínuos ancorados 2º sutura dos mms. com pontos separados 3º sutura da pele do 
períneo com mms. separados. 
*A identificação de cada grupo muscular seccionado é fundamental para a reconstrução 
adequada do assoalho pélvico, em especial se houver secção de fibras musculares do 
levantador do ânus e do esfíncter externo do ânus. Após o procedimento, realiza-se o 
toque retal para identificar se houve transfixação.