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Autor: Nadson Cardoso de Jesus 
Análise do conto “A professora”, de Helena Parente Cunha 
“A Professora” trata-se de um conto breve e sucinto, marcado muito pela melancolia, 
transparecida pela vida e pelo entorno da morte da personagem principal. A obra representa 
uma mulher solitária e que tinha muito apego por animais e que fatalmente morreu sem ter 
ninguém que “realmente” se importasse, sem nem um amigo, sem um amor, sem família. 
Morreu sem ter ninguém que pudesse sentir verdadeiramente tristeza pela sua partida. 
A obra representa um fato recorrente no cotidiano atual, as pessoas tendem a não buscar 
se relacionar afetuosamente, tendem não buscar conhecer um pouco mais os outros. As pessoas 
estão entrando cada vez mais em uma bolha e se preocupando somente com quem está dentro. 
Quem faz parte da sua bolha recebe sua atenção, quem está fora, desde que não perfure sua 
bolha, não interessa. Em contrapartida, mostra também o lado das pessoas solitárias, tendo em 
vista a professora, que por não saber se relacionar ou fazer com que as pessoas se relacionem 
com ela, opta por se relacionar com animais. 
No seguinte trecho, o conto apresenta um pardal; 
Em surdas batidas, o passarinho não cabia nas asas nem nos quadrados. Ela 
se ergueu mais ela, acima da cabeça calada e se estendeu até a certeza da mão. 
O pardal pousou na palma expectante. Aquele ela desnovelou do fundo da 
boca o sorriso sem preâmbulos e saiu da sala num passo copioso, entre as 
alturas das mãos (PARENTE CUNHA, 1998, p.2). 
Segundo o site Lefrontal, os pardais são cheios de simbolismos, alguns remetem à 
capacidade de se adaptar e ao fato de que geralmente vivem em grupo. No entanto, esse pardal 
estava solitário e machucado, o que nos leva a refletir sobre a falta de um “grupo”, de pessoas 
que estivessem ao redor da professora e que se preocupassem com ela. Desse modo, é possível 
assimilar que ambos estavam “quebrados” e rompiam o “ciclo” natural por não conseguirem se 
relacionar em grupo. 
O conto nos leva a imaginar a professora como uma pessoa triste, que se sentia 
incompleta. Essa incompletude se dá, diante da falta de relacionamento com as pessoas com 
quem convivia no espaço acadêmico e também pela falta de proximidade com a família. Diante 
dessa perspectiva, o pequeno pardal pode também simbolizar a própria professora, pois assim 
como o pardal não foi acolhido, ela quando entrou na sala de aula, também não teve recepção. 
Foi a professora quem acolheu o pardal, mas ela não encontrou ninguém que a acolhesse. 
Um peso de tristeza aparece na obra quando é dito: “Nós procurávamos conter as 
aglomerações de susto compatível e inexplicável culpa que embargavam nossas entranhas”. 
Essa declaração surge muito tarde, não havia mais a chance para conhecerem e se relacionarem 
com a professora, ela já havia morrido. A partir disso, pode se observar que é necessário que 
ocorra algo realmente “astronômico” para que as pessoas percebam e tenham vontade de 
conhecer alguém que não faz parte da sua bolha. Nesse caso, esse acontecimento foi a morte. 
Análise semiológica de “A professora” 
1. Quebra do Natural 
PERSONAGEM PROFESSORA X ESPAÇO NA SOCIEDADE: uebra da ideia natural 
de empatia pelo semelhante, da ideia de que todas as pessoas têm um “grupo” de pessoas que 
se preocupem com elas, alguém mais “próximo”, que todos têm um vínculo com alguém. No 
conto, as pessoas não tiveram “empatia” ou não sentiram vontade em conhecer a professora, 
simplesmente a ignoraram. 
2. Empatia pelo seu “semelhante” 
PERSONAGEM PROFESSORA = PARDAL: A professora viu-se no pardal, solitária 
e “quebrada”. Sendo assim, sentiu empatia pelo pardal e o ajudou. O que não chegou a acontecer 
com ela, as pessoas apenas ignoraram. 
Referências: 
Referência completa: PARENTE CUNHA, Helena. A professora. In: ______. Janeiro: 
Tempo Brasileiro, 1998, p. 2729. 
Simbologia do pardal. Lefrontal. Disponível em: < https://www.lefrontal.com/pt/simbologia-
do-pardal>. 
RAMALHO, Christina. A Semiotização Ficcional do Discurso. 
RAMALHO, Christina. Vozes épicas: história e mito segundo as mulheres. Rio de Janeiro. 
UFRJ, 2004. Tese de doutoramento em Ciência da Literatura. 
 
https://www.lefrontal.com/pt/simbologia-do-pardal
https://www.lefrontal.com/pt/simbologia-do-pardal

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