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Patologia Geral | Natália Santos PIGMENTAÇÕES: As pigmentações são formações, normais ou patológicas, de pigmentos, ou seja, substâncias que apresentam cor própria e possuem origem, composição química e significado biológico variadas. Elas se encontram em células vegetais e animais, nas quais desempenham funções importantes de clorofila e melanina, por exemplo; As pigmentações podem ser classificadas, segundo a origem, em endógenas quando tem origem de substâncias sintetizadas pelo próprio organismo e exógena quando são formadas no exterior, penetram e se depositam nos órgãos; A pigmentação patológica pode ser sinal de alterações metabólicas pronunciadas, sendo o acúmulo ou a redução de determinados pigmentos um dos aspectos mais marcantes em várias doenças; PIGMENTAÇÕES ENDÓGENAS: Derivados da Hemoglobina - A hemoglobina é uma molécula formada por 4 cadeias hemeproteicas, sendo a parte heme associada a átomos de ferro. A hemoglobina realiza o transporte de oxigênio; ✓ Bilirrubina ✓ Hemossiderina Derivadas da Melanina - Sintetizada a partir de melanócitos da epiderme, a partir do aminoácido tirosina; DERIVADAS DA HEMOGLOBINA: BILIRRUBINA: A bilirrubina é um pigmento endógeno, de coloração amarelada, derivado do metabolismo do grupo heme da hemoglobina. Ela não tem uma função tão importante, sendo, portanto, necessário ser produzida, metabolizada e excretada continuamente; O metabolismo da bilirrubina se dá da seguinte forma: Formação ✓ A bilirrubina é produzida pelo baço (polpa vermelha), é o principal órgão responsável pela hemocaterese, que é a captação e o metabolismo das hemácias envelhecidas e metabolismo da hemoglobina. ✓ O processo ocorre nos macrófagos do baço, onde o grupo heme é catabolizado e convertido em biliverdina (pigmento intermediário de cor esverdeada) pela enzima heme-oxidase. ✓ Em seguida, a biliverdina é convertida em bilirrubina (Bb) não conjugada pela enzima biliverdina redutase. ✓ Essa bilirrubina não conjugada também chamada de bilirrubina indireta, é pouco solúvel em água e, portanto, de difícil excreção. Por esse motivo, ela precisa ir ao Fígado. Transporte ✓ Para chegar ao Fígado, o transporte da Bilirrubina não conjugada que se encontra no baço se da via corrente sanguínea sendo transportada pela Albumina; GRUPO HEME BILIVERDINA BILIRRUBINA INDIRETA Heme oxidase Bili redutase FÍGADO Albumina Patologia Geral | Natália Santos Captação hepática ✓ A bilirrubina é captada pelo Hepatócito, sendo a ocorrência de sua entrada nele ainda não totalmente conhecida. A partir da captação tem-se inicio das etapas que ocorrem no fígado; Conjugação ✓ A Bilirrubina não conjugada, que adentra os hapatócitos, conjuga com o Ácido Glicurônico, sendo o produto a Bilirrubina Conjugada ou direta, a qual é hidrossolúvel e agora sim é passível de excreção; ✓ É uma das principais reações envolvidas no processo de “destoxificar” a Bilirrubina, a fim de facilitar o processo de excreção quando ela passa pelo fígado; Excreção ✓ Através de vias biliares, a bilirrubina direta chega nas vias intestinais, sofre ação da flora intestinal e é eliminada nas fezes. No intestino, uma parte da Bb conjugada por ser absorvida, retornar à corrente sanguínea e cair na via de excreção renal, sem haver nenhum processo relacionado a isso; Icterícia: A icterícia que é um sinal clinico de hiperbilirrubinemia no corpo, com deposito de pigmento na pele, escleras e mucosas, associada a alguma alteração patológica, seja ela infecciosa, inflamatória ou neoplásica. Em adultos: ✓ Esse quadro representa, na maioria das vezes, algum tipo de alteração de natureza hepática, pois, o fígado, é o principal órgão responsável pelo processo metabólico de conjugar e tornar a Bilirrubina mais passível de excreção e, quando não está funcionando bem ocorre acúmulo de Bilirrubina. ✓ Além de disfunções intestinais o quadro de icterícia pode também ser relativo a alterações intestinais a qual prejudica a excreção de bilirrubina; Em recém-nascidos: ✓ Um número elevado pode apresentam um grau leve de icterícia, pode ser considerada um processo fisiológico já que na maioria das vezes, esse aumento se dá pela imaturidade funcional do fígado, que não consegue metabolizar todos seus compostos nos primeiros dias Patologia Geral | Natália Santos de vida, acumulando o pigmento na pele. Em boa parte dos casos, a orientação a fim de diminuir os índices de Bilirrubina acumulada é realizar um banho de sol (10-15min), em horários devidos, ou ficar na câmara fluorescente, que irão quebrar a bilirrubina, que posteriormente, será eliminada na linfa. ✓ Tem-se ainda casos mais graves, em que a Bilirrubina em excesso pode entrar no SNC, podendo ocasionar problemas neurológicos. O excesso de bilirrubina na corrente sanguínea tem diversas causas, dentre as quais podemos citar: ✓ Aumento da produção de bilirrubina - Como nos casos de anemias hemolíticas, que causa aumento da hemocaterese; ✓ Redução da captação e transporte de bilirrubina nos hepatócitos; ✓ Diminuição da conjugação da bilirrubina, por carência de enzimas envolvidas no processo; ✓ Baixa excreção celular de bilirrubina; ✓ Obstrução biliar intra-hepática ou extra-hepática - Comum em cálculos e tumores; ✓ Combinação de lesões - Hepatites e cirrose hepática; HEMOSSIDERINA: São agregados maciços de ferro, de tonalidade amarronzada, que se formam no interior de macrófagos em locais onde há excesso de átomos de ferro. O pigmento se acumula nos macrófagos do fígado, baço, medula óssea, linfonodos e pode ainda se acumular nos macrófagos da derme, pâncreas e rins; A deposição excessiva de hemossiderina nos tecidos pode ser localizada ou sistêmica: ✓ A hemossiderose localizada é encontrada em hemorragias, vista no interior de macrófagos de 24 às 48H após o início do sangramento; ✓ A hemossiderose sistêmica ocorre por aumento da absorção intestinal de ferro, em anemias hemolíticas e após transfusões de sangues repetidas; O excesso de átomos de ferro costuma se formar em processos hemorrágicos, onde se tem a perda de hemácias em um determinado local, que perdem oxigenação e passam por um processo metabólico. Surgem ali células inflamatórias que vão metabolizar as hemácias e, através disso, produzir os pigmentos por meio da agregação do ferro. ➔ Em lâminas, é possível visualizar a presença de pigmentação amarronzada ou amarelada intracelular, dentro de macrófagos, representando a metabolização do ferro. Patologia Geral | Natália Santos DERIVADOS DA MELANINA: É um pigmento com várias tonalidades sintetizado pelos melanócitos que fazem parte do epitélio de revestimento da pele (epiderme). Funções da melanina: ✓ Funções estéticas, sendo responsável pela cor da pele e suas variações; ✓ Proteger contra a ação da radiação UV no DNA das células, sendo a incidência de câncer de pele maior em pessoas que possuem menos melanina na pele; ✓ Possuir uma ação antioxidante, atuando como antioxidante para eliminação dos radicais livres; Produção: Sua produção se dá no interior dos melanócitos, a partir de um aminoácido, a tirosina, por intermédio da enzima Tirosinase. Da tirosina até a Melanina tem-se algumas etapas metabólicas e bioquímicas no processo, não sendo uma etapa única. Observações: ✓ A melanina é produzida nos melanócitos, mas pode ser distribuída em outras células da epiderme; ✓ A quantidade de produção de melanina altera de um indivíduo para o outro. Por isso, ela possui tonalidades variadas, podendo ser amarelada, amarronzada, cinza, preta, etc; OBS: Durante o envelhecimento, há perda progressiva da pigmentação melânica dos cabelos, resultando na formação de cabelos grisalhos e brancos. Admite-se que cabelos brancos decorram de apoptose de melanócitos, provavelmente mediada por lesão do DNA mitocondrial pelo estresse oxidativo,com redução acentuada do número dessas células no folículo piloso; Hiperpigmentações melânicas: Nome dado as lesões em que se tem excesso de melanina; Nevos: ✓ É uma área de acúmulo de melanina, com uma pequena proliferação benigna de melanócitos; ✓ São lesões normalmente bem delimitadas, de evolução/crescimento muito lento e simétricas; ✓ Podem ser planos ou mais elevados; ✓ Indivíduos que possuem nervos, devem ter cuidado com o sol, visto que ele pode alterar o padrão de evolução da lesão; Efélides - Sardas: ✓ Pequenos pontos hiperpigmentados múltiplos em alguns locais no corpo que representam área de maior proliferação de melanina como no tronco e face; ✓ São benignos e sem tendencia de evolução para neoplasisas; Patologia Geral | Natália Santos ✓ Muito associadas à exposição solar, pra quem já possui tendência; Lentigo solar: ✓ São lesões irregulares, limites mal definido, assimetria e de crescimento mais intenso; ✓ São associadas à exposição solar intensa, sendo mais comum em indivíduos com mais de 40 anos que possuíram muito contato com o sol ao longo da vida; ✓ Pode evoluir para um processo maligno, como o melanoma; ✓ Há proliferação de melanócitos, o que não é um bom sinal; Melasma: ✓ Lesões benignas, pigmentadas pelo excesso de melanina devido ao estimulo hormonal. Isso ocorre porque a enzima tirosinase é muito sensível às alterações hormonais. ✓ É comum em grávidas - “manchas de gravidez” - e costuma melhorar depois do parto; Melanoma: ✓ É uma lesão neoplásica maligna; ✓ Possui como características: o Bordas irregulares; o Limites mal definidos; o Assimetria; o Rápido crescimento; o Capacidade de invasão e disseminação – Grande possibilidade metastática; ✓ Pode ter mais de uma cor e é de pior prognóstico; Patologia Geral | Natália Santos Hipopigmentações melânicas: Nome dado as lesões associadas à baixa de melanina; Vitiligo: ✓ Hipopigmentação de etiologia desconhecida, com patogenia autoimune, com destruição dos melanócitos pelo próprio sistema imunológico; ✓ Tem como característica - Perda de melanócitos e presença de áreas de despigmentação com graus variados de acometimento (manchas brancas irregulares pelo corpo); ✓ Não se herda o vitiligo, mas pode-se herdar alguma alteração genética que propicia a questão autoimune; ✓ O padrão de distribuição varia – Pode ocorrer no corpo todo, só nas extremidades, etc. Albinismo: ✓ O indivíduo continua possuindo melanócitos, mas não produzem melanina em virtude de um defeito genético na enzima tirosinase (converte tirosina em melanina); ✓ Herança genética recessiva, podendo ser mais comum em relações consanguíneas; Patologia Geral | Natália Santos PIGMENTAÇÕES EXÓGENAS: Os pigmentos exógenos penetram o organismo de diversas maneiras, podendo ser aspirados, deglutidos ou mesmo introduzidos via parenteral. Aqui, destacam-se duas pigmentações: ANTRACOSE: A Antracose se dá pela impregnação de partículas de carvão (pigmento de cor preta) no pulmão, devido à aspiração do material, afetando trabalhadores de minas de carvão, moradores de locais poluídos e fumantes; O pigmento pode ser visualizado em lâminas tanto no meio intracelular quanto extracelular; Uma vez inalado, o carvão é fagocitado por macrófagos e transportado aos linfonodos regionais; O acúmulo do pigmento gera coloração negra nas partes afetadas, em forma de manchas irregulares no parênquima dos pulmões, da pleura e nos linfonodos do hilo pulmonar. Pode ser acompanhado de fibrose e redução da capacidade respiratória; TATUAGENS: As tatuagens são a impregnação de pigmentos insolúveis na derme, de forma proposital para fins estéticos ou de forma acidental (ex. em mineiros). Podem ser permanentes ou transitórias, conforme o pigmento seja introduzido na derme, seguindo para o tecido conjuntivo ou estrato córneo da epiderme, respectivamente.