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PATOLOGIA Graziela Gonzaga Santana CONCEITOS PIGMENTOS • Pigmentos são substâncias com cor própria, origem, composição química. Eles emprestam sua coloração ao local que ele está. PIGMENTAÇÃO • A pigmentação é o acúmulo de pigmento em um determinado local, passa a ser patológica quando se tem uma alteração que leva ao acúmulo de pigmento. • Pigmentação patológica pode ser sinal de alterações bioquímicas pronunciadas, sendo o acúmulo ou a redução de determinados pigmentos um dos aspectos mais marcantes em várias doenças. • Depósitos de substâncias que emprestam sua cor aos tecidos. Podem ser de origem orgânica e inorgânica; endógenos ou exógenos. PIGMENTOS ENDÓGENOS • Os pigmentos originam-se de substâncias sintetizadas pelo próprio organismo. • Pigmentações endógenas podem ser: Derivadas da hemoglobina (pigmentos biliares, hematoidina, hemossiderina, pigmento malárico, pigmento esquistossomótico). Melanina. Ácido homogentísico. Lipofuscina. PIGMENTAÇÃO ENDÓGENA DERIVADOS DA HEMOGLOBINA BILIRRUBINA: • Pigmento não férrico. • A bilirrubina vem de hemácias senescentes (velhas), e tem-se a destruição delas por macrófagos no baço, no fígado e na medula óssea. • Temos hemoproteínas (citocromo p450; triptofano) e a quebra delas também vai produzir bilirrubina. Primeiramente, o macrófago separa o grupo heme da globina. O grupo heme tem o anel Fe-protoporfirina. Esse será aberto pela heme oxidase, que vai separar a porção que tem ferro (formara a hemossiderina) e a porção não ferrica. A porção ferrica é transformada em biliverdina que é um composto instável que será quebrado rapidamente pela biliverdina redutase, gerando bilirrubina → bilirrubina não conjugada ou indireta (BbI). Isso acontece dentro do macrófago. • Bilirrubina não conjugada: lipossolúvel, assim, não pode ser carreada pelo sangue. Logo, ela se liga a albumina para ser transportada para o hepatócito. • A bilirrubina ligada a albumina é levada para o fígado. No fígado, ela atravessa o endotélio, após isso ela dissocia-se da albumina. • A bilirrubina pode passar para o interior do hepatócito de duas formas: por canal não dependente de sódio (bilitranslocase) ou por difusão passiva. • Dentro do hepatócito, a bilirrubina continua hidrofóbica, logo, ela não consegue se deslocar dentro do hepatócito. Diante disso, ela precisa se ligue a uma das duas proteínas: proteína V e ligandina (proteína Y). • Assim, a bilirrubina consegue atravessar o citoplasma. Esse conjugado vai para o REL que é um local de biotransformação. Não derivados da hemoglobina 2 • No REL, o ácido glicurônico será adicionado à molécula de bilirrubina por uma enzima: UDPglicuroniltransferase. • Isso passará a ser chamado de bilirrubina direta (BbD). • O ácido gliurônico muda a característica química da molécula que passa a ser polar (hidrofílica), ou seja, ela consegue sair pelo canalículo biliar. • Para ela sair, precisa-se um de complexo proteico de membrana que a deixa sair, esse complexo é chamado de bilirrubina translocase, há dois tipos: tipo II (joga para dentro do canalículo de Hering) e tipo III (joga de volta para o sangue). • Se tiver uma quantidade normal vai para o canalículo; se tiver em excesso vai para o sangue • Portanto, o excesso de bilirrubina, mesmo que conjugada, pode ser transportada de volta para o sangue através de translocase do tipo III. • Se houver excesso de quebra de hemácias, haverá um excesso de bilirrubina que ficará sobrando no sangue na forma de bilirrubina indireta que é lipossolúvel e passa a se depositar nos tecidos, principalmente os adiposos, causando icterícia. • Canalículo de Hering: Primeiro arranjo de canalículos de via biliar. É onde se tem a translocase tipo II. Não possui parede própria, é formado pela membrana plasmática de dois hepatócitos. Os canalículos de Hering vão começar a se fundir e à medida que se fundem, começam a ter parede própria. Primeiro, tem-se um arranjo de uma membrana basal apoiando um epitélio cúbico. Depois disso, vão se fundindo, formando vias maiores, ductos biliares. A partir daí, já se tem uma pequena camada muscular e um epitélio; também chamado de colangio. Vai formando os ductos biliares lobares que vão se fusionar e formar dois: ducto hepático esquerdo e ducto hepático direito. A estrutura continua a mesma. Os dois se somam e fazem o ducto hepático comum, o qual faz o ducto cístico que vai para a vesícula e o colédoco que vai para o duodeno (papila maior). • A bilirrubina é um imunomodulador negativo, isto é, diminui a RI celular, a síntese de IL-2 e a citotoxidade independente de anticorpos. • Ela tem função antioxidante, mas ela em excesso é um imunomodulador negativo. • Quando a bilirrubina chega ao duodeno: a microbiota intestinal transforma em urobilinogênio → uma parte é reabsorvida no íleo terminal. Aí ele volta para o sangue, e volta para o fígado (ciclo entero-hepático dos sais biliares). • Em partes ele vai ser secretado pelos rins, então em exame de urina achamos o pigmento biliar • Doença de crohn = se eu não reabsorver esses sais, eu vou ter uma bile saturada de colesterol e vou fazer cálculo, porque eu interrompi o ciclo de aproveitamento (ciclo entero-hepatico) • O que não é reabsorvido se transforma em estercobilinogenio que dá a cor as fezes. • Obstrução do trajeto de excreção da bili = tenho + bilirrubina no sangue + pigmento biliar na urina = urina marrom (coluria); as 3 fezes não terão estercobilinogenio, pois ele não chegou para ser degradado, assim temos fezes brancas (acolia fetal). Hemoproteína ou hemácia → quebra da hemoglobina liberando heme → heme oxigedase abre o anel Fe-protoporfirina → biliverdina → biliverdina redutase → bilirrubina (indireta - lipossolúvel) → cai no sangue ligada a albumina → proteína transportadora (bilitranslocase)→ chega ao hepatócito → liga à ligandina e à proteína Z → REL → ação da enzima UDP glicuroniltransferase adicionando até dois glicuronil → forma o glicuronato de bilirrubina ou bilirrubina direta (conjugada) → o transportador II joga a bilirrubina direta para dentro do canalículo de Hering → vai para as vias biliares intra e extra-hepaticas e depois para o duodeno. → é transformado em urobilinogenio → parte é reabsorvido e secretado pelo rim e parte é metabolizado por bactéria e forma o estercobilinogenio. Dados fisiológicos: Bilirrubina direta = 0,4mm/dl Bilirrubina indireta = 0.8mm/dl Nem sempre hiperbilirrubinemia significa icterícia, pois a icterícia associa-se a um valor em torno de 3,5 mg/dL. (Antes disso, considera hiperbilirrubinemia) • Etapas para a formação da bilirrubina: Todas as etapas podem sofrer alteração que leve a icterícia 1. Formação da Bb. Exemplos de excesso de formação de bilirrubina pelo aumento da quebra da hemácia: talassemia; anemia autoimune; anemia falciforme → anemias hemolíticas genéticas e que podem cursar com icterícia. Toda vez que se tem esplenomegalia, pode-se ter um aumento da atividade esplênica, o que gera aumento de hemocaterese e, a partir daí aumento da produção de bilirrubina. Outra situação que gera hemólise: na medula óssea, deficiência de ácido fólico e de B12, principalmente, as hemácias recém-formadas acabam evoluindo, os eritroblastos vão para hemólise precocemente, ainda na medula óssea, e isso pode cursar com icterícia. Eritroblastose (doença hemolítica do recém- nascido) – ataca as hemácias do bb devido ao fator RH --> bilirrubina Anemia meganoblastica = tenho hemácias grandes que vão ser destruídas na medulaóssea e isso leva a um aumento de bilirrubina = icterícia • Aumento da produção de bilirrubina → eleva a bilirrubina indireta. Porque o aumento da hemólise e da hemocaterese eleva a bilirrubina indireta, pois é a primeira a se formar. Não se consegue captar e conjugar tudo, mas de todo jeito, aumenta sim a captação e a conjugação. Dessa forma, temos também um aumento da bilirrubina direta, mas é menor que o aumento da indireta. 4 2. Transporte no sangue. (É feito pela albumina) Para eu ter uma hipoalbuminemia que eu não consiga transportar bilirrubina, o fígado precisa estar lesionado. Dessa forma, a bilirrubina não é metabolizada e a icterícia ocorre devido à má função hepática e não puramente a transporte. Ou seja, a hipoalbumineia não leva a icterícia 3. Captação e transporte pelo hepatócito Quem capta a bilirrubina no hepatócito é a bilitranslocase e dentro do hepatócito é a ligandina e a proteína V. Icterícia no recém nascido • Recém-nascidos prematuros possuem uma menor capacidade funcional do fígado, portanto a sua capacidade de captação, transporte e conjugação da bilirrubina esta diminuído. Ao mesmo tempo tem uma maior quebra de hemácias e isso gera uma produção de bilirrubina que pode se manifestar na forma de icterícia. • Enquanto estiver em níveis baixos chama de icterícia fisiológica do recém-nascido – coloca o neném para tomar sol porque a bilirrubina indireta é termofotolabil. • Se tiver uma elevação maior (10) = é indicado a fototerapia Doença de Gilbert (doença genética): • Se caracteriza pela deficiência de captação e transporte dentro do hepatócito pela bilirrubina. É uma doença benigna, já que se trata de icterícia transitória relacionada a uma maior carga de trabalho que o paciente teve em um período de tempo, um estresse. 4. Conjugação com o ácido glicurônico: Deficiência total ou parcial da enzima UDP glicuroniltransferase. Isso vai cursar com a doença chamada de Síndrome de Crigler- Najjar, a qual tem graus variados de manifestação, 3 formas. Assim posso ter indivíduos assintomáticos ou sintomáticos com icterícia severa Aqui temos uma predominância de bb indireta, ou seja, dependendo do grau da crise, podemos ter ou não bb direta 5. Excreção nos canalículos biliares. Podemos ter caso de obstrução no processo de excreção. Isso pode ser exemplificado por casos de hepatite viral aguda, cujo exsudato terá linfócitos e macrófagos. Desse modo, tem-se uma elevada quantidade de células no espaço porta, o qual é fechado e os hepatócitos vão formar uma camada chamada de placa limitante. Aumentando a quantidade de células, a pressão no espaço porta também aumenta e o canalículo biliar colaba. Assim, a drenagem de bili diminui e a bilirrubina retorna ao sangue. Isso vai funcionar como obstrução, aumentando muito a bilirrubina direta e, também, a indireta (em menor proporção). Podemos também ter casos de hepatite ocasionada por cirrose. Nessas situações, temos dois mecanismos: insuficiência hepática com destruição hepatocitária e com aumento de bilirrubina indireta; obstrução por fibrose em espaço porta, com aumento da BD → o paciente não terá síntese proteica, não consegue captar, transportar e nem conjugar, não possui hepatócitos funcionando adequadamente e, ainda, apresenta obstáculo por conta da fibrose na passagem da bilirrubina pelos canalículos. Outras causas de obstrução: cálculo em vias biliares extra-hepáticas ou na papila; neoplasias (adenocarcinoma de papila; colangiocarcinoma (BD); hepatocarcinoma (BD); adenocarcinoma pancreático; metástases (BI; BD); colédococarcinoma) Se o cálculo biliar estiver no ducto hepático comum ou no colédoco = aumenta a pressão retrógada, a bb não consegue mais sair do hepatócito, sai pelo transportador 3 e volta para o sangue. Temos predomínio de icterícia direta, com leve elevação da indireta. Se estiver no ducto cístico, não dá icterícia. • Icterícia do aleitamento materno: pode acontecer até depois de uma semana do nascimento e pode durar até três meses. Não é indicativo para impedir o aleitamento e está 5 relacionado a níveis hormonais da mãe que passam para o leite, mas não se sabe a causa exata. Isso porque o estrógeno aumenta a captação de bilirrubina pelo hepatócito, como a criança não consegue conjugar tudo, ocasiona a icterícia, a qual vai desaparecer conforme a criança se adapta. A tal questão do estrógeno explica o motivo de mulheres terem menor quantidade de bb diante aos homens. HEMOSSIDERINA: • Funções do Fe: transporte de oxigênio e de elétrons. • O ferro encontra-se numa quantidade de 4 a 6g por indivíduo, a quantidade é pequena, pois o ferro é um radical livre e em maiores quantidades é toxico, sendo capaz de gerar dano na célula. Por causa disso a DMT1 não está sempre disponível, sendo necessário a regulação da absorção de FE. • Cerca de 60 a 80% desse Fe está presente na hemoglobina; aproximadamente 10% está em mioglobina; o restante (10-20%) nas hemoproteínas. • A melhor fonte alimentícia de Fe é o fígado, depois a carne vermelha e depois os vegetais, pois o ferro vegetal não é tão absorvível igual o Fe animal. • O ferro é absorvido no duodeno e, principalmente, no jejuno. Na borda em escova dos enterócitos temos uma enzima (ferroredutase), a qual vai transformar o ferro férrico em ferroso, o qual é bom para ser absorvido, mas é mais toxico. Então, o Fe ferroso vai precisar sofrer desintoxicação: Em pacientes negros não é possível perceber o aspecto amarelado ictérico na pele, mas na esclera, na palma da mão e no assoalho da língua é perceptível. Grande infiltrado inflamatório (circulado em vermelho) e os pontinhos são os macrófagos e os linfócitos. As “manchas” marrom-amareladas são ductos biliares repletas de bilirrubina. Quadro de colestase intra-hepática que acaba por gerar o processo de inflamação (destruição hepatocitária e fibrose), uma situação grave. Caso de colestase intra-hepatocitaria É possível ver a bilirrubina dentro do hepatócito (circulado em verde). Também conseguimos ver um cilindro de bilirrubina dentro do canalículo biliar primário (circulado em azul). O fígado, macroscopicamente, estará amarelo- esverdeado. Vemos bilirrubina dentro da célula de kupffer. À medida que a bilirrubina se extravasa da célula de kupffer, ela passa a ser fagocitada. 6 • Quando o Fe férrico se transforma em Fe ferroso ele vai ser transportado por uma: • Proteína de transporte → DMT1 (transportador de metal). Assim teremos o Fe no enterócito. • Para o ferro sair do enterócito e adentrar na corrente sanguínea temos outra proteína transportadora que é a ferroportina. • Como não podemos ter muito ferro no sangue a ferroportina é regulada pelo HFE, pelo receptor de transferrina 1 e pela própria transferrina. • Caso de necessidade de ferro no sangue = Fe+3 para FE+2 → ação de DMT1 → Fe é liberado no sangue através da ferroportina → Fe se liga à transferrina → essa se liga ao receptor de transferrina e ao HFE → e esse complexo vai inibir o DMT1 a fim de controlar esse processo. • Se não houver necessidade de ferro no sangue: não sintetiza transferrina, DMT1 não atua e não se tem ferroportina. • Caso de excesso de ferro no sangue: quando eu tenho os hepatócitos cheios de ferro, DMT1 adentra nas células → o complexo HFE dissocia-se → não sintetiza transferina → e começa a produzir hepcidina. Essa se liga a ferroportina, internaliza e degrada a ferroportinae isso impede a liberação de ferro na corrente sanguínea • Portanto, o ferro é digerido e absorvido de acordo com a necessidade do organismo. • Em caso de processo inflamatório temos a IL-1 e TNF-α. Ambas podem agir no fígado aumentando a produção de hepcidina. Essa bloqueia o transporte de Fe para o sangue, então eu vou ter todo o Fe guardado dentro do hepatócito, mas ele não está chegando na medula óssea. Dessa forma, vamos ter menos hemoglobina (anemia), hemácias menores e hemácias mais pálidas. • Para eu armazenar o Fe no fígado, eu preciso de ferritina. Essa só é produzida mediante à presença do ferro. Dessa forma a quantidade de ferritina é igual à do Fe. → Se a ferritina estiver alta (+200), isso significa que tenho ferro no sangue e que a anemia é devido a um processo inflamatório • Em resumo, utiliza-se a ferritina para saber se há muito ferro no organismo ou não, uma vez que só se tem ferritina a partir do ferro. ------------------------------------------------------------ • Hemácia velha vai para o baço → sofre hemocaterese → o ferro vai ser levado para o fígado, ligado a transferina → o fígado vai armazenar de duas maneiras, em forma de: ferritina ou hemossiderina. • Na forma de ferritina é utilizável, já na forma de hemossiderina fica insolúvel e, assim, inutilizável. • A ferritina só é produzida mediante à presença do ferro. Assim, com o excesso de ferro, a hepcidina não o deixa sair do hepatócito e o ferro é o indutor da produção de ferritina. Logo, quanto mais ferro dentro do hepatócito, mais ferritina terá. Além disso, quando se tem excesso de ferritina significa que o depósito de ferro está muito elevado, apesar de não conseguir utilizá-lo, pois ele está fechado dentro do hepatócito. • A ferritina possui duas proteínas, que formam um certo tipo de arranjo, onde temos a cadeia pesada e leve. • É na cadeia pesada que as moléculas de ferro se ligam, sendo preciso ficarem “presas” devido a sua toxicidade. Pode se ter ate 4.500 moléculas de ferro presas à cadeia pesada, isso é importante, pois o ferro precisar ser “guardado” pelo fato de ter dois elétrons desemparelhados na última camada, isto é, ele é radical livre. Portanto, é preciso que o Fe fique preso devido a sua toxicidade potencial. • A ferritina transforma o ferro ferroso em ferro férrico, de modo que ele seja menos danoso. • A cadeia leve confere estabilidade ao composto. ------------------------------------------------------------- • O ferro ligado à ferritina forma um arranjo composto por duas cadeias, uma pesada (onde o ferro liga) e uma leve (estabilidade). 7 • Quando temos muita ferritina ligada ao Fe, dentro do hepatócito, começa a formar um aglomerado, assim, o REL gera uma emissão de membrana e forma um vacúolo ao redor desse aglomerado → autofagossomo • Esse vai para o lisossomo, que possui enzimas que vão degradar as proteínas, ou seja, vão degradar a ferritina, restando apenas o ferro que vai se agrupando formando um aglomerado insolúvel, ou seja, vacúolos repletos de micelas de ferro (moléculas insolúveis que ficam depositadas dentro dos hepatócitos e macrófagos). Esse vacúolo é chamado de siderossomo, o qual possui em seu interior as micelas de ferro que são insolúveis, formando o “potencial dano por radicais livres”. Siderossomo = hemossiderina • Depósitos de ferro no corpo: fígado (principal), baço e medula óssea. • Dependendo da quantidade de hemossiderina, da célula que armazena e a etiologia, nós vamos ter algumas doenças relacionadas ao armazenamento do ferro. A quantidade vai depender da etiologia ➔ Em toda hemorragia vamos ter a produção de hemossiderina = a hemossiderina é produzida pela quebra da hemoglobina → quebrei hemoglobina → produzi ferro → liguei a ferritina → agrupou → hemossiderina • Temos 2 situações de deposito do ferro além do normal, ambas se dão do deposito de hemossiderina: Hemossiderose: Hemossiderose localizada –; geralmente temos a hemossiderose de forma localizada dentro de macrófago hepático, pulmonar, isquêmico, dérmico, pancreático... como em casos de hematomas (coloração marrom). – isso ocorre devido a quantidade de hemossiderina depositada. ➔ No pulmão de um paciente com insuficiência cardíaca vamos ter deposito de hemossiderina e uma hemossiderose localizada. ➔ Insuficiência cardíaca – volume residual de sangue – pressão no VE aumenta – a pressão se traduz dentro do sistema venoso pulmonar – acumula sangue nos capilares pulmonares – hiperemia passiva – capilar se rompe – faço hemorragia. Essa hemácia dentro do alvéolo não é normal e quem vai retira-la de lá é o macrófago alveolar. Esse vai fagocitar as hemácias e produzir hemossiderina. Hemossiderose sistêmica/generalizada – ocorre de forma generalizada. Ex.: transfusões repetidas em paciente portador de beta talassemia na forma grave, as hemácias transfundidas serão degradas com o tempo, assim como as hemácias do próprio paciente; com a condição de talassemia do paciente, teremos muito mais pigmentos férricos nele, assim, produzirá muito mais hemossiderina (no fígado, no pâncreas, no baço, na pele...). Em resumo a Hemossiderose – menos danosa e raramente evolui para fibrose, ou seja, é uma condição benigna. Pode ser localizada (hematomas grandes) ou generalizada (transfusões frequentes; transporte de ferro excessivo), depende da quantidade. Células que geralmente armazenam: macrófago, células parenquimatosas do fígado, do pâncreas, do coração... Pode acontecer da hemossiderose generalizada também fazer depósito parenquimatoso, mas isso não é suficiente para gerar dano por radical livre e morte de células. Hemocromatose – é genética e posso ter um aumento da absorção intestinal por erro do DMT-1, do HFE ou da transportina. • Ela cursa com quantidades muito altas de hemossiderina, ou seja, há um descontrole, 8 fazendo com que o organismo absorva muito ferro, o qual vai ficar armazenado principalmente em células parenquimatosas. Com quantidades suficientes para gerar dano por radical livre... o Se começa a destruir células hepáticas, começa um processo de inflamação crônica no fígado, a qual vai cursar com cirrose. o Se começa a destruir cardiomiócito, acontece perda de força de sístole, o que evolui para insuficiência cardíaca. o Se começa a destruir ilhotas pancreáticas, lembrando que a célula mais sensível da ilhota é a célula beta, vai resultar em diabetes mellitus secundário. o A pele do indivíduo vai ficando cada vez mais castanho-dourada. Figura A – Corte de um fígado com uma coloração mais avermelhada e até meio amarronzada na parte circulada de vermelho. Figura B – corte de pâncreas. A cor vermelha amarronzada é devido à quantidade de hemossiderina. Hemossiderose localizada – macrófagos com pigmento castanho dourado Fígado repleto de pigmento castanho-dourado de hemossiderina (pigmento de ferro). Para verificarmos se o pigmento é de hemossiderina fazemos uma reação química, pois sabe-se que o ferro reage com alguns corantes, tornando-se azul. Diante disso, utilizamos o corante azul da prússia e, assim, tudo que for ferro ficará azul. Caso de hemossiderose, com deposição de hemossiderina dentro de hepatócitos. Coloração de azul da prússia (processo histoquímica). 9 Foto aumentadaPIGMENTAÇOS ENDÓGENOS NÃO DERIVADOS DA HEMOGLOBINA MELANINA: • Contribui para a coloração de pele e anexos. • É um pigmento que tem cor variável e ela é produzida por todos os vertebrados e até por algumas plantas. Sua função é a pigmentação e proteção contra a radiação solar (ultravioleta). Paciente com insuficiência cardíaca e com edema pulmonar crônico devido ao aumentou da pressão hidrostática dentro do vaso. Com a pressão os capilares se romperam, fizeram múltiplas microhemorragias pulmonares e com isso os macrófagos fagocitaram as hemácias, essas produziram bilirrubina e o ferro ficou armazenado na forma de hemossiderina, o que confere a coloração amarronzada. → Quando esse paciente expectorar, vamos ver que o escarro dele tem hemossiderina, ele vai ser mais ferruginoso No exame de escarro temos alvéolo repleto de liquido e macrófago com hemossiderina → chamadas de células de vicio cardíaco → indicam insuficiência cardíaca Ao redor da área de neoplasia, temos muita hemorragia, muito edema, colapso alveolar e encontramos, também, muita hemossiderina. Neoplasia → gera obstrução do sistema de brônquios (o ar é absorvido e o pulmão colaba - atelectasia) e leva a uma hemorragia. Assim temos deposito de hemossiderina. Na imagem vemos macrófagos repletos de hemossiderina dentro dos alvéolos em atelectasia Visto de mais perto é possível visualizarmos os grânulos finos amarelo-dourados se somando e formando grânulos maiores. Quanto maior o granulo, mais intensa a coloração. Tem tanta hemossiderina que tem dentro e fora do macrófago, ou seja, o macrófago também se rompeu → Ainda é hemossiderose localizada (pulmão) Grânulo fora do macrófago. O macrófago já se rompeu e o grânulo já está do lado de fora. 10 • É produzida pelo melanócito, o qual tem origem na crista neural. Durante a embriogênese ele migra para a ectoderme, logo, ele passa a fazer parte da camada basal da epiderme. Por isso, que o pigmento da melanina está presente nos anexos, pois faz parte do mesmo arranjo histológico. • Sendo uma célula da crista neural, o melanócito é permanente. Isso explica o fato de área cicatrizada fica branca. • Um melanócito é capaz de injetar melanina em até 40 queratinócitos próximos, ou seja, o melanócito pode ter até 40 dendritos. Ele vai produzir um vacúolo (melanossomo) de melanina, o que vai ser injetado dentro do queratinócito. • Pessoas com pele mais clara conseguem injetar melanina apenas na camada basal, já indivíduos com pele mais escura podem injetar melanina até a camada de queratina. • Portanto, geneticamente, não há diferença drástica em quantidade de melanócito, há diferença apenas na quantidade de melanina produzida, na distribuição dessa melanina (quanto mais escura a pele, mais distribuída a melanina para as camadas de queratinócitos) e na capacidade de degradação da melanina (pessoas com pele mais clara degradam mais rapidamente). • Indivíduo negro: produzem mais melanina → mais vacúolos (melanossomos) → esses se mantem nas camadas da pele até a creatina → melanossomos mais resistente a degradação. • Os melanócitos de todas as pessoas não produzem a mesma quantidade de melanina, pois depende da resposta de tirosinase (é genético). • A melanina será produzida a partir da fenilalanina (é um aminoácido), a qual será transformada em tirosina e através da tirosinase produziremos a melanina. • Quem estimula a ação da tirosinase: radiação solar, medicamentos, hormônios como estrógeno, ACTH, progesterona e hormônio estimulante de melanócitos. Isso explica o surgimento de Melasma na gravidez. Luz solar baixa = pessoas com muita melanina não conseguem absorver a melanina, não biotransforma tocoferol e não tem vitamina D suficiente. Ocorre em criança com raquitismo; adulto com osteomalacia Ou seja, Indivíduos de pele escura, podem ter bloqueio na biotransformação • Há dois tipos de melanina produzida no corpo: Eumelanina – pigmento que dá tons escuros e é responsável por ter cabelos castanhos ou pretos Feomelanina – pigmento que nos dá tons de cabelo da cor loira e a ruiva (amarelo e vermelho). • Há uma diferença na quantidade, conferindo a coloração. Uma pessoa com cabelos e olhos escuros, por exemplo, tem, normalmente, 99% de eumelanina e 1% de feomelanina. • Já uma pessoa com cabelo claro, tem 95% de eumelanina e 5% de feomelanina. • A pessoa ruiva tem 60-67% de eumelanina e o restante de feomelanina. • Logo, a cor é distribuída de acordo com a quantidade de eumelanina e feomelanina. • O indivíduo ruivo é um caso a parte, pois sua herança genética é específica. Seus melanócitos são ovalados. • Cabelos brancos, os melanócitos vão sendo perdidos com o tempo. Em caso de cabelo branco precoce, trata-se também de uma herança genética em que melanócitos são perdidos precocemente. Além disso, fatores emocionais, como traumas e estresse, podem aumentar a quantidade de cabelos brancos. • Lesões hipercromáticas/hiperpigmentação: Sardas – são chamadas de efélides: são recorrentes de exposições acentuadas à luz solar, que é o maior estimulador da tirosinase. Só que ela é produzida em 11 alguns locais somente, então, fica pequenas manchinhas. Melasma – estimulação estrogênica. O melasma pode ocorrer por causa de alterações hormonais durante a gravidez ou de exposição ao sol. As mulheres são muito mais propensas do que os homens a desenvolver essa condição. Nevos melânicos/melanocíticos – manchas pequenas marrons regulares na pele, salientes ou não. São popularmente conhecidos por pintas. A maioria das pintas surge em decorrência da genética e da exposição solar e possui um formato regular. Trata-se, apenas, de neoplasias benignas de melanócitos. Os nevos podem ser resultados à exposição solar ou serem congênitos, os quais costumam ocupar uma região maior e possuem alta capacidade mitótica e, por isso, é necessário avaliar de tempo em tempo, já que há uma chance de desenvolvimento maligno. Melanoma – condição maligna grave, com alto risco de mortalidade. É o tipo mais grave de câncer de pele. É de desenvolvimento rápido, sendo preciso tratar o mais rápido possível. Nevo melânico com grupos de células névicas. Essas podem estar profundos a ponto de a cor não ser vista, assim, fica da cor da pele Células nevicas com produção de melanina. Isso é um nevo juncional, que está junto à camada basal. São mais preocupantes, assim como o nevo congênito, por causa da taxa mitótica alta Assimétrico, bordas irregulares, tamanho maior, heterocrômico → características malignas. Apesar de ser regular, o nevo está ulcerado, possui uma parte mais escura no lado direito da imagem e é possível ver a vascularização → tumor maligno. Irregular, bordas bem indefinidas e heterocrômico → maligno. 12 Lentigo – acontece nas mãos e na face, geralmente em indivíduos mais idosos, acontece devido à exposição ao sol. Essas manchas podem ser benignas ou podem ter um componente de células melanocíticas proliferativas, sendo malignas (lesão pré melanoma). Manchas café com leite da doença de Von Recklinghausen (neurofibromatose tipo I) – hiperpigmentação melânica associada a um erro genético em NF1, de modo que o indivíduo tem proliferação de células ao redor dos nervos, formando lesões arredondadas, salientes, de vários tamanhos e que levam à deformidade. A pessoa possui áreas hiperpigmentadas (manchas café com leite) que sãoos primeiros sinais da doença). Hiperpigmentação de mucosa na doença de Peutz-Jeghers – é uma síndrome genética, na qual há uma proliferação hamartomatosa da mucosa intestinal que carrega um risco maior de malignidade, não para as lesões hamartomatosas, mas sim para o restante do corpo. Os indivíduos afetados por essa doença apresentam efélides na região oral e perioral, nas palpa das mãos e nas genitálias. • Lesões hipocromáticas/hipopigmentação melânica: Vitiligo – doença autoimune em que há destruição de melanócitos, isto é, a pessoa não voltará a produzir melanina. Nevo maligno com inflamação ao redor. A área branca circulada em amarelo é pelo fato de que quanto menos diferenciado o tumor, menos conseguirá produzir melanina, ou seja, temos melanomas brancos. Melanoma. Grande quantidade de melanina na derme do indivíduo; células do melanoma infiltrando na derme; granulomas grosseiros Melanoma metastático de um linfonodo do hilo pulmonar; melanina dentro do linfonodo. Células disformes, binucleadas, macronucleose, muito indiferenciadas, tamanhos e formatos diferentes. → Sendo da crista neural, posso ter melanoma primário no SNC e na retina, além da pele, pois tem a mesma origem embrionária. 13 Diante disso, o indivíduo passa a ter manchas com ausência de melanina e na parte de fronteira da área não pigmentada para a área pigmentada há uma hiperpigmentação, ou seja, uma espécie de borda mais escura. Essa hiperpigmentação é uma tentativa dos melanócitos transferirem melanina para essas áreas não pigmentadas. É possível bloquear o avanço da doença, mas não tem cura. Albinismo – erro gênico. Há duas formas de manifestação, ou seja, pode ser parcial ou total. Pessoas albinas não podem ser expostas ao sol, pois há riscos de lesões malignas, uma vez que serão lesões malignas de melanócitos e queratinócitos não pigmentadas. Além disso, esses indivíduos também terão uma exposição maior da retina à luz solar, o que aumenta a propensão à perda ocular e surgimento de neoplasias na retina. Áreas cicatriciais – são despigmentadas, pois o melanócito é permanente. LIPOFUSCINA: • Lipo = lipídio. • Fuscina = fuscos = pardo. • Pigmento derivado do lipídio com coloração marrom. • É também chamado de pigmento de envelhecimento, pigmento ceróide e pigmento de desgaste. • Consideramos que a lipofuscina é resultado de uma peroxidação lipídica que é a ação dos radicais livres sobre os lipídeos de membrana que leva a uma reação em cadeia que quebra toda a membrana, havendo degradação de lipídio e uma parte não degrada, a qual forma a lipofuscina. • Trata-se de uma reação autocatalítica, o produto da degradação de um inicia a degradação do outro. Logo, os lipídeos serão degradados, mas haverá pequenos restos que não poderão ser mais quebrados e estes formam a lipofuscina. • Isso acontece em vacúolos autofágicos, ou seja, uma organela será degradada para que se possa utilizar as moléculas estruturais, restando um pouquinho de lipídio que possui coloração marrom. Isso pode ser por excesso de degradação ou falta das enzimas que finalizam o processo de degradação. • Isso acontece mais durante o envelhecimento em células permanentes, como em cardiomiócitos, neurônios, músculos, retina, medular da suprarrenal. • Em casos de desnutrição intensa, pode acontecer uma degradação muito grande de organelas, tendo produção de lipofuscina. • A lipofuscina por si só não traz danos, mas ela indica que há algo não está adequado. • Muito radical livre → começa a gerar uma destruição → forma vacúolo autofágico → quebra as macromoléculas → resta lipofuscina. • A lipofuscina está muito relacionada aos processos de atrofia, podendo ser fisiológica ou patológica. Um exemplo de atrofia fisiológica é o envelhecimento, quando se tem uma grande autofagia de organelas, a célula diminui de volume e, posteriormente, perde-se células por apoptose e o órgão como um todo diminui de volume. 14 • Uma dieta ruim pode facilitar o surgimento de grandes depósitos de lipofuscina. Já uma dieta rica em antioxidantes (vitaminas A, C e E; laranja; couve; maça, uva, brócolis...) pode diminuir esse tipo de deposição. PIGMENTOS EXÓGENOS • Pigmentos formados no exterior e, por via respiratória, digestiva ou parenteral, penetram e depositam-se em diversos órgãos. • Ex.: tatuagem (é patológico porque não é um processo biológico do próprio corpo); carvão; prata; chumbo; ouro; arsênio. TATUAGEM • A tatuagem por si só não apresenta riscos, exceto em casos de uso de agulhas não esterilizadas e em ambientes inadequados. • Além disso, deve-se ter cuidado com o pigmento utilizado, pois pode desencadear reações de toxicidade e de alergia. • De modo geral, o pigmento de cor vermelha é o mais propenso a gerar riscos, pois geralmente é derivado do mercúrio que é um metal pesado e tóxico. CARVÃO (ANTRACOSE) • A inalação da poeira de carvão que pode estar nas grandes cidades a partir da queima de combustível dos veículos, da fumaça de chaminés industriais e da poeira do asfalto. • Além disso, o uso frequente de fogão de lenha também é causa dessa inalação. • A antracose é caraterizada por lesão pulmonar com acúmulo de poeira de carvão nos pulmões e reação tecidual. • Em grande quantidade, o pigmento de carvão pode desencadear uma resposta inflamatória crônica, levando à fibrose pulmonar, a qual já é sintomática, chamada de pneumoconiose dos trabalhadores de carvão (PTC). • Então, a antracose e a PTC são duas extremidades da mesma coisa. Só que na antracose se tem pouca quantidade de pigmento de carvão, sendo insuficiente para gerar dano. Já na pneumoconiose, a saturação do ambiente com partículas de carvão é muito intensa, há processo inflamatório e fibrose e é incapacitante. Suprarrenal atrofiada com uma coloração bem mais marrom comparada com a suprarrenal normal. Embaixo na figura é possível ver um miocárdio com atrofia e muito mais marrom que o normal, isso é chamado de atrofia parda do miocárdio. Cardiomiócito com depósitos de lipofuscina em seu interior. Lâmina do SNC. Neurônio e uma grande quantidade de lipofuscina dentro dele. /// Pulmão com antracose. 15 PRATA (ARGIRIA) • O depósito de prata se chama argiria e isso pode ser por uso de medicamentos, pela presença em mineração de prata e trabalho de ouvires que manuseia prata. • Outra causa de argiria é o uso de amálgama em restaurações dentárias. • Então, podemos ter impregnação, de modo geral, em macrófagos da pele, fazendo com que a pele fique com uma coloração cinzenta. OURO (CRISÍASE) • A deposição de sais de ouro é chamada de crisíase. • Também pode estar relacionada à mineração e ao trabalho de ourives. Mas, de modo geral, está relacionada ao uso de medicações com sais de ouro. • A coloração é negra. CHUMBO (SATURNISMO) • O chumbo é um metal pesado e tóxico. • O saturnismo é uma doença grave caracterizada pela contaminação por sais de chumbo e que causa, inclusive, psicose. • Coloração azulada ou negra, dependendo da profundidade do tecido onde se encontra. BISMUTO • Na gengiva, a contaminação por sais de chumbo ou bismuto produz uma coloração negra denominada de linha de burton. A antracose fica depositada nos septos e nos linfonodos. Antracose vista microscopicamente. Interstício repleto de pigmento negro. Antracose dentro de macrófagos; células com pigmentos de carvão. Cortede derme com macrófagos repletos de pigmentos negros de prata. Caso de argiria.