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Escrita Braille e Alfabeto Manual

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Ibraimo Fernando Anibal 
Domingos João
Rogério José Elias Tarua 
Vasco Francisco
Alfabeto Manual 
(Licenciatura em Informática)
Universidade Rovuma
Nampula
2021
 Ibraimo Fernando Anibal 
Domingos João
Rogério José Elias Tarua 
Vasco Francisco
Alfabeto Manual 
(Licenciatura em Informática)
Trabalho de carácter avaliativo da cadeira de Necessidade Educativas Especiais, curso de licenciatura em Informática, 4oAno, pós-laboral.
 Docente:
 Mcs. Amélia Ernesto Tocova
Universidade Rovuma
Nampula
2021
Índice
Introdução	3
1. Escrita e Leitura braille	4
1.1. Origem	4
1.2. Historial	6
1.3. Cela	9
1.4. Números e Letras braile	11
1.5. Maquina Braille	14
2. Alfabeto Manual	15
2.1. Função do Alfabeto Manual	16
2.2. Uso do Alfabeto Manual	16
2.3. Origem Historial do Alfabeto Manual	16
2.4. Posição de Língua de Sinais	18
Conclusão	20
Bibliografia	21
Introdução 
O presente trabalho, dedica-se ao estudo do tema: Escrita e Leitura Braille e Alfabeto Manual, no que concerne ao processo de ensino e aprendizagem, este tema é de grande valia para os caros estudantes, visto que estará dotado de conhecimentos sólidos acerca do mesmo. 
O presente trabalho tem como objectivo compartilhar resultados de uma pesquisa sobre a escrita e leitura braille assim como o Alfabeto Manual. Acreditamos ser pertinente o tema abordado para profissionais da área de educação em Informática tendo em vista que o braille é o principal meio de comunicação escrita das pessoas cegas. Está organizada de forma a contemplar uma apresentação sobre os principais aspectos históricos do braille assim como do alfabeto manual seguida por actividades utilizando o braille ilustrado. 
Portanto, para que fosse possível a realização do trabalho, foi necessária uma vasta gama de investigação no campo científico, através de manuais e obras que estão devidamente mencionadas no trabalho por citações e na bibliografia final. 
Ainda, o trabalho está organizado da seguinte maneira: introdução, desenvolvimento, conclusão e bibliografia, para além de capa, índice.
1. Escrita e Leitura braille 
O sistema braille utiliza seis combinações de pontos dispostos em células rectangulares com três linhas e duas colunas, resultando em 63 combinações que representam letras e símbolos utilizados em diferentes áreas: Português, Matemática, Química, Física, Música, etc. Este é a ilustração do símbolo fundamental (=). Ele é formado por todos os pontos que faz parte da célula. Ou seja, é a representação de uma célula completa. Separadamente cada ponto tem sua localização. São 6 pontos, sendo que cada um ocupa seu lugar na célula braille. 
Estes pontos são escritos da esquerda para a direita e de cima para baixo em duas colunas e três linhas formando uma matriz (3x2). É a partir desta matriz (3x2) que se dá origem ao código braille. Ou seja, é através da combinação dos pontos desta matriz que surgem os símbolos que compõem o sistema. 
São 63 combinações e 64 símbolos distintos, isto porque alguns especialistas consideram a célula em branco como um símbolo braille. Esses símbolos representam letras, números, símbolos químicos, notas musicais, símbolos matemáticos entre outros. Daremos destaque para os símbolos utilizados na escrita matemática. Observamos que aqui é utilizada a ilustração do braille em tinta, mas o código braille é em alto-relevo para que o leitor cego possa ler utilizando a percepção táctil.
1.1. Origem 
O francês Louis Braille criou um sistema de leitura para deficientes visuais, o braile. Louis perdeu a visão quando era criança, tinha 3 anos de idade, em um acidente enquanto brincava na oficina de seu pai. Feriu-se com um objecto pontiagudo em um dos olhos, porém a infecção se alastrou ao outro olho, ficando, assim, sem visão de ambos os olhos. Na busca de facilidades para sua vida e para a vida de outras pessoas deficientes visuais, na sua juventude, Louis criou um programa para ensinar os cegos a ler.
E foi dessa vivência de Louis que surgiu o braile, que é um sistema de leitura e escrita táctil para cegos, ou seja, a leitura com as mãos. São 63 símbolos em relevos e combinações de até seis pontos dispostos em uma célula em duas colunas de três linhas cada.
Todo esse recurso criado por Louis Braile possibilitou diversas adaptações para as pessoas com deficiência visual e, principalmente, a inclusão delas para que conquistem seu espaço na sociedade e no mercado de trabalho. Permitindo, assim, que elas adquiram conhecimento e possam mostrar, de maneira extremamente sensível, como elas sentem o mundo segundo a “visão” delas.
Existem máquinas de escrever para a produção de textos em braile e computadores que, através de um comando de voz, transforma esse comando em um texto adaptado ao código. Ainda para a impressão dos textos em braile, eles são submetidos a um programa de tratamento específico e sai numa impressora braile. Para fazer a leitura em braile, é preciso conhecer os símbolos e a leitura deve ser feita da esquerda para a direita. Os áudio-books e as audiotecas são outras formas de acesso à informação que eles podem ter acesso.
Algumas instituições, como Dorina Nowill oferecem programas de capacitação em Braile e dispõe de uma extensa variedade de material sobre o assunto. Inclusive, em 2015, ela lançou a biblioteca digital para cegos – Dorinateca. Essa biblioteca tem um amplo acervo de livros em formatos áudio e digital Daisy (Digital Accessible Information System, é um sistema de livros digitais sonoros).
Porém, com toda essa adaptação, o braile ainda possui suas limitações. O material impresso em braile tem um custo bem alto, são pesados e de difícil manuseio; além disso, faltam profissionais especializados a ensinar e educar os deficientes visuais e isso é agravado por um ensino mal orientado.
É necessário que os alunos deficientes visuais saibam ler e escrever em braile, exactamente, como os demais alunos são habilitados a ler e a escrever; já que é pelo hábito da leitura que as pessoas enriquecem o vocabulário, estimula a criatividade e a imaginação, aumenta a capacidade de empatia, formula e organiza um pensamento, dinamizando o raciocínio e, além de tudo, a leitura é terapêutica.
1.2. Historial 
Louis Braille nasceu em quatro de Janeiro de 1809 no povoado de Coupvray, cerca de 40 quilômetros a leste de Paris. Seu pai, Simon-René, era seleiro e fabricante de arreios no povoado que vivia a família Braille. Louis nasceu com a visão normal e ficou cego logo após ter sofrido um acidente na oficina de seu pai quando tinha três anos de idade. 
De acordo com que diz REALY (2004). O menino “sofreu um acidente no olho esquerdo ao tentar perfurar um pedaço de couro. Na época não havia antibióticos, e quando, aos cinco anos, a infecção decorrente da lesão progrediu e afectou também o outro olho, ele ficou totalmente cego”. 
Cabalmente preso à escuridão, Louis Braille foi adaptando-se a sua nova realidade e, mesmo que fosse esperado que seu futuro resumisse em algum ofício simples como trançar cestos, ou outra actividade artesanal, Braille surpreendeu o mundo com sua persistência e imortalizou seu nome. (REALY, 2004:143)
Na época em que Braille já havia se “adaptado” com a total falta de acuidade visual, seus pais ficaram sabendo da existência do Instituto de Jovens Cegos de Paris e o enviaram para estudar lá, onde teria acesso a livros. Estes livros eram uma pequena colecção desenvolvida pelo fundador do Instituto de Jovens Cegos, Valentin Haüy, que eram feitos em papéis pressionados sobre letras confeccionadas em chumbo. Essa pressão fazia com que as letras ficassem marcadas em alto relevo na folha e seu contorno pudesse ser percebido pelos dedos. 
Os livros de Haüy possuíam letras grandes, fato intencionado para que os deficientes visuais pudessem sentir com o tato as formas das letras no qual identificavam palavras e frases. Devido a isto, aquantidade de páginas para transcrever um pequeno texto em alto relevo era muito grande e a produção requeria muito tempo. 
Os problemas não estavam somente na produção de obras da biblioteca do Instituto, estava também no alto custo destas produções, e, também, no grau de dificuldade de leitura destas obras para o tato dos cegos daquele Instituto. Mesmo com toda dificuldade e lentidão para ler os livros de Haüy, Braille tinha hábito de leitura e em pouco tempo já havia lido todo o acervo da biblioteca do Instituto.
 Desta pequena colecção havia livros de “textos religiosos e alguns de gramática em diferentes idiomas” (BIRCH, 1993:25). Porém, entre essas obras não existiam nenhuma que contemplasse a música. Fato que deixava Louis impossibilitado de ler material sobre piano e violoncelo que eram os instrumentos que ele estudava. Foi então que ele resolveu adaptar um método de comunicação nocturna de um oficial do exército francês chamado Charles Barbier. 
Barbier desenvolveu um “método de modo que as ordens militares pudessem ser passadas secretamente entre os soldados, não importando o quão escuro estivesse, e baptizará o sistema de escrita nocturna.” (BIRCH, 1993, p.30). Era uma escrita que usava pontos e traços em alto relevo que possibilitava a comunicação silenciosa e inacessível aos inimigos durante as manobras militares.
De acordo com BIRCH (1993) este método de pontos em relevo foi levado ao Instituto de Jovens Cegos pelo próprio Barbier. O acontecido foi logo após ele ter assistido uma “demonstração no Museu da Indústria: alunos cegos leram livros de Valentin Haüy, aquelas páginas grandes preenchidas com enormes letras em relevo. O capitão Barbier ficara pasmado com a lentidão do processo de traçar cada contorno da letra” (p.30). 
E foi apresentar seu método de escrita ao Instituto. Porém, devido à existência de um acervo de livros já adaptados em letras em alto-relevo, e considerando o alto custo pago por isso, o Instituto não se interessou pelo código de Barbier e chegou a proibi-lo. Os educadores persistiram que deveriam continuar alfabetizando seus alunos pelo método antigo, ou seja, o método convencional da escrita latina em relevo. 
Mesmo sendo proibido, Braille se interessou pelo novo código a ponto de identificar algumas limitações e iniciar um estudo para aperfeiçoá-lo. Passou assim a trabalhar dia e noite adaptando e aperfeiçoando o código de Barbier na busca de um meio para que os cegos pudessem ter melhor acesso a leitura. Braille esteve com o Capitão Barbier que ficou admirado ao saber das pretensões de um garoto de 13 anos de idade. Mas, apesar da sua consideração pelas crianças cegas, Barbier não compartilhou com a convicção de Braille da necessidade de um sistema tão elaborado. 
“O que os cegos poderiam querer além da compreensão da comunicação básica? Por que desejariam um alfabeto completo, pontuação, até matemática e música, como aquele menino ambicioso estava sugerindo?” (BIRCH, 1993:33). 
Na verdade, Barbier não compreendia que para os cegos poderem participar do mundo da literatura e da ciência, eles deveriam ter acesso não somente a leitura, mas também, deveriam estar aptos a expressar seus pensamentos através da escrita. Mas, para a alegria dos cegos do mundo inteiro, aquele garoto ambicioso persistiu firme nas adaptações do código com ou sem a ajuda do capitão Barbier. Sua meta era reduzir o número de pontos para que cada símbolo pudesse ser imediatamente sentido pelo dedo e eliminar qualquer combinação de pontos que pudesse ser confundida por outra. 
Ou seja, cada combinação de pontos deveria ser diferente de outra e tátilmente reconhecida para não haver nenhum equívoco. No método de Barbier não havia nenhuma combinação de pontos que acentuasse as palavras, escrevesse números, operasse a matemática ou fizesse composição de música. Mas, Braille começou a pensar nisso, e, depois de muito trabalho, já tinha seus primeiros representantes do novo código de leitura - o sistema braille, e contou com o auxílio de alunos cegos do Instituto de Jovens Cegos de Paris para fazer os testes. 
Ao contrário de Barbier o código de Braille seria mais exacto, económico e simples para o tato. Logo os alunos perceberam que aquelas formas eram mais fáceis de distinguir do que grandes letras em relevo dos livros que utilizavam. Esse novo sistema, o braille, somente foi reconhecido após a morte de Louis. Hoje é utilizado no mundo inteiro, e é mais que um código, é um importante e eficiente meio de leitura e escrita para os cegos poderem representar seus pensamentos mais complexos e comunicá-los aos outros através do papel.
1.3. Cela 
Cela ou Célula Braille - Espaço rectangular onde se produz um símbolo braille. De uma "cela" damos origem a todos os símbolos possíveis para representar letras do alfabeto, códigos matemáticos, numerais, sinais de pontuação, simbologia química, musical e informática, totalizando 64 combinações.
Os pontos são dispostos em duas colunas verticais, com três pontos cada. De cima para baixo podemos fazer a contagem dos pontos nº. 1, nº. 2, nº. 3, nº. 4, nº. 5 e nº. 6.
 A diferente disposição desses seis pontos permite a formação de 63 combinações ou símbolos braille. As dez primeiras letras do alfabeto são formadas pelas diversas combinações possíveis dos quatro pontos superiores (1-2-4-5); as dez letras seguintes são as combinações das dez primeiras letras, acrescidas do ponto 3, e formam a 2ª linha de sinais. A terceira linha é formada pelo acréscimo dos pontos 3 e 6 às combinações da 1ª linha.
Os símbolos da 1ª linha são as dez primeiras letras do alfabeto romano (a-j). Esses mesmos sinais, na mesma ordem, assumem características de valores numéricos 1-0, quando precedidas do sinal do número, formado pelos pontos 3-4-5-6
 
 
 
1.4. Números e Letras braile
Cada sinal gráfico em Braille é definido a partir de uma matriz de 2 colunas e 3 linhas, formando uma "cela" e cada cela terá 6 casas. Em cada casa dessa matriz há exclusivamente duas opções: ou é apresentado um ponto em auto-relevo ou plano.
Nas ilustrações desta página, onde houver uma bolinha vazia  corresponderá ao espaço plano que seria apresentado na cela e onde for indicada uma bolinha cheia  corresponderá a um ponto em auto-relevo. A seguir um modelo de cela com as 6 casas disponíveis.
De acordo com a cela e o modo de apresentar as opções temos 26 possibilidades de apresentar uma cela. Repare que 26=64. E se você acha que 64 símbolos são MUITOS - engana-se! Não se esqueça que não temos apenas as 26 letras latinas para representar; temos que registrá-las em maiúsculas também, sem falar da acentuação, a pontuação, dos números e outros tantos símbolos que também usamos na escrita.
Contudo o alfabeto Braille tem tudo isso, segundo algumas regras de combinação de símbolos, podemos fazer esses 64 iniciais renderem até onde precisarmos.
Vamos organizar em grupos de 10 símbolos para facilitar para você.
O primeiro grupo de símbolos (a → j)
Neste grupo apenas as duas primeiras linhas da cela (casas 1, 2, 4 e 5) podem apresentar pontos em auto-relevo . Na terceira linha sempre plano (casas 3 e 6).
O segundo grupo de símbolos (k → t)
A lógica que simplifica a memorização é usar na mesma ordem apresentada para os símbolos de a → j, porém agora para k → t com o ponto na casa 3 em auto-relevo.
 
 
O terceiro grupo de símbolos (u → z)
Aqui vão ser completadas as letras que faltam (u, v, x, y, z), a partir do grupo anterior, adicionando o ponto na casa 6 em auto-relevo .
 
Diferentemente do k e do y, o w não fazia parte do alfabeto português na fase pseudoetimológica, estando presente apenas em palavras estrangeiras; quando de seu aportuguesamento, foi substituída por u nas palavras de origem inglesa, ou por v, nas de origem alemã; ainda é empregada em palavrasestrangeiras que não estejam devidamente aportuguesadas.
 
1.5. Maquina Braille 
A mais tradicional e mais usada no mundo, a Perkins Brailler atenderá as necessidades da maioria das pessoas. Robusta e portátil, permite imprimir 25 linhas com 42 células numa folha. Permite o uso de papéis de diversos tamanhos até, no máximo, tamanho A4. Possui 9 teclas, sendo uma tecla de espaço, uma tecla de retrocesso, uma tecla de avanço de linha e 6 teclas correspondente aos pontos. Possui alça de transporte na parte superior da máquina.
Desenvolvida em 1951, Perkins Brailler é a mais tradicional máquina de escrever que se tornou referência mundial por sua qualidade e eficiência na escrita Braille.
Este modelo tradicional é robusto, portátil e durável. Permite imprimir 25 linhas com 42 células em cada página. Podem ser usados papéis de diversos tamanhos até, no máximo, tamanho A4. Possui 9 teclas, sendo uma tecla de espaço, uma tecla de retrocesso, uma tecla de avanço de linha e 6 teclas correspondente aos pontos. Possui alça de transporte na parte superior da máquina.
Fig. Máquina de Escrever em Braille modelo Perkins Brailler (tradicional)
Fonte: BIRCH (1993).
2. Alfabeto Manual
“É um recurso das línguas de sinais que utiliza as mãos para representar o alfabeto das línguas orais. Cada letra ou número são representadas por configurações de mão específicas. O Alfabeto Manual também é conhecido como Alfabeto Digital, Datilologia ou Dactilologia”. (CHARLES e LIBERATO, 2020).
O alfabeto manual é parte integrante da libras e tem a função de soletrar as palavras. Muitos objectos, palavras, lugares, situações etc, não possuem sinais ou a pessoa não conhece o sinal, sendo neste caso, usado o alfabeto para sua nomeação. Cabe salientar que, dependendo do nível de habilidade e rapidez da pessoa que o utiliza sua compreensão pode tornar -se complexa. 
Por isso, recomenda-se que a soletração das palavras ocorra devagar, utilizando-se uma pausa curta entre elas ou movendo a mão para o lado informando que esta palavra já foi soletrada. 
Segundo BRITO (1995.14), “As línguas de sinais possuem formas diferentes para representar os numerais quando utilizados como cardinais, ordinais, quantidade, medida, idade, dias da semana ou mês, horas e valores monetários. Em LIBRAS possuem também a sua configuração específica, pois, a sinalização dos numerais depende da situação”. 
Vejamos os numerais: 
a) Cardinais: até 10, representações diferentes para as quantidades, a partir de 11 são idênticos e não possuem movimento. 
b) Ordinais: do 1º até o 9º têm a mesma forma dos cardinais, mas possuem movimento. 
· 1º Ao 4º: têm movimentos para cima e para baixo; 
· 5º Até o 9º: têm movimentos para os lados. 
A partir do numeral dez não há diferenças.
2.1. Função do Alfabeto Manual
A principal função do alfabeto manual é auxiliar na intercomunicação entre duas línguas diferentes, a oral e a de sinais, a fim de superar a barreira na comunicação, portanto é uma ferramenta muito útil no aprendizado das línguas de sinais.
2.2. Uso do Alfabeto Manual
Exemplos de situações onde geralmente usamos o alfabeto manual:
· Para perguntar ou responder o nome de pessoas, lugares, marcas e termos técnicos que ainda não possuem sinal próprio em Libras;
· Para perguntar os sinais que ainda não conhecemos. Por exemplo, se alguém não conhece o sinal de Alemanha, pode perguntar soletrando A-L-E-M-A-N-H-A;
· Para explicar ao surdo a forma escrita de uma palavra em língua portuguesa;
· Para sinalizar uma palavra da língua portuguesa que por empréstimo passou a pertencer à Libras. Exemplo: CPU, USB.
2.3. Origem Historial do Alfabeto Manual 
Fonte: (FELIPE, Tanya A; MONTEIRO 2001)
O alfabeto manual de Libras teve origem ainda no império. Foi criado pelo abade Charles-Michel de LÉpée, no século XVI. Ele foi o fundador da primeira escola para deficientes auditivos em Paris, e o precursor no uso da língua de sinais. Este método de linguagem utilizando sinais foi desenvolvido e aperfeiçoado pelo abade Sicard e Clerc, surdos, que começaram a ensinar a língua de sinais por meio gramatical.
O alfabeto manual consiste na soletração de letras e numerais com as mãos. Para fazer uso dele, é necessário soletrar pausadamente, formando as palavras com nitidez. Ele é usado apenas para soletrar nomes de pessoas, de lugares, de rótulos, endereços, e para vocábulos inexistentes na língua de sinais. Pode ser usado também para descrever algo a que se tem dúvida.
Muitas palavras em Libras são simbolizadas pelas letras e não por sinais, é o caso de Março, onde são soletradas todas as letras. Há palavras em que se usam as iniciais, como Julho onde se soletram JUL.
Em Moçambique, desde 1998, com a introdução do Projecto Escolas Inclusivas, que as políticas educativas tentam direccionar o currículo para uma filosofia de inclusão, onde crianças e jovens com necessidades especiais, com e sem deficiência, possam estudar juntos numa escola regular e não serem segregados numa escola especial. 
A Reforma Curricular do Ensino Básico (2003), daí advinda, não contemplou programas curriculares específicos no âmbito da inclusão nem um programa vocacionado para a educação de surdos, apesar dos discursos da igualdade, da diversidade e dos conteúdos inclusivos, continuarem plasmados nos Planos Estratégicos de Educação (PEE, 1999-2003/4; 2006-2010/11; 2012-2016/19). 
Os surdos, nesse contexto, são considerados deficientes e não uma minoria linguística, com uma língua e cultura próprias. Apesar do reconhecimento oficial do uso da Língua de Sinais no ensino de crianças surdas (CR, 2004: 125), em termos curriculares, pouco ou nada, foi desenhado nesse sentido. Os surdos são colocados nas escolas regulares e o currículo usado nessas escolas continua o mesmo, desenhado por ouvintes e para ouvintes. A comunidade ouvinte não tem informação nem conhecimento sobre a comunidade surda e os programas curriculares actuais encontram-se completamente desfasados da realidade surda. 
Como sustenta LEITE (2008: 30) “se quisermos uma escola para todos, temos de reconhecer a multiculturalidade e valorizá-la como ponto de partida para que elementos dos grupos maioritários e dos grupos minoritários aprendam a comunicar em situações de igualdade, e onde, por isso não há lugar para silêncios e marginalizações”.
2.4. Posição de Língua de Sinais 
Segundo SKLIAR (1997: 145) a língua de sinais “é a língua minoritária relegada, tradicionalmente, ao uso em situações informais e quotidianas entre pares”. Ela tem, portanto, uma manifesta função intergrupal. Já a língua oral “é maioritária e utilizada em interacção com os ouvintes e quando o interesse é necessidade de integração” (Idem: 146). Apesar dessa dicotomia funcional, o aluno surdo necessita de ambas as línguas com um desenvolvimento competente, seja na Língua de Sinais, seja na língua oral maioritária.
A comunicação em línguas de sinais ocorre por meio de sinais e não apenas por meio do alfabeto manual. Para a maioria das palavras existe um sinal específico em Libras;
Isso significa que não é necessário utilizar o alfabeto manual para soletrar todas as palavras;
Utilizar apenas o alfabeto manual em uma conversação seria além de cansativo, extremamente demorado e difícil para compreender;
O alfabeto manual é um recurso utilizado para escrever palavras que não tenham um sinal específico na Libras. Ele é considerado, portanto, um empréstimo linguístico da língua portuguesa.
2.5. Sinais para Comunicar com Surdos em Moçambique 
Segundo LACERDA (2009) a importância da Língua de Sinais como meio de comunicação entre surdos deveria ser reconhecida e a provisão deveria ser feita no sentido de garantir que todas as pessoas surdas tivessem acesso à educação na sua língua nacional de sinais. Os documentos legais referidos reconhecem a importância do uso da LS nas escolas regulares e especiais, contudo, não fazem menção ao conjunto de direitos e medidas que é necessário criar e assegurar para que os alunos surdos beneficiem disso nas escolas, tais como: o direitoa uma educação bilingue, atendendo ser o surdo um indivíduo pertencente a uma comunidade linguística e culturalmente minoritária; o direito a ter professores que dominem a Língua de Sinais Moçambicana; o direito ao apoio de intérpretes de LSM e o acesso ao ensino do Português como segunda língua (L2). 
Fonte: CHARLES E LIBERATO (2020).
Conclusão 
Concluo que o alfabeto manual consiste na soletração de letras e numerais com as mãos. Para fazer uso dele, é necessário soletrar pausadamente, formando as palavras com nitidez. Ele é usado apenas para soletrar nomes de pessoas, de lugares, de rótulos, endereços, e para vocábulos inexistentes na língua de sinais. Pode ser usado também para descrever algo a que se tem dúvida.
É necessário que os alunos deficientes visuais saibam ler e escrever em braile, exactamente, como os demais alunos são habilitados a ler e a escrever; já que é pelo hábito da leitura que as pessoas enriquecem o vocabulário, estimula a criatividade e a imaginação, aumenta a capacidade de empatia, formula e organiza um pensamento, dinamizando o raciocínio e, além de tudo, a leitura é terapêutica.
Porém, com toda essa adaptação, o braile ainda possui suas limitações. O material impresso em braile tem um custo bem alto, são pesados e de difícil manuseio; além disso, faltam profissionais especializados a ensinar e educar os deficientes visuais e isso é agravado por um ensino mal orientado.
Ainda de concluir que o alfabeto manual é parte integrante da libras e tem a função de soletrar as palavras. Muitos objectos, palavras, lugares, situações etc, não possuem sinais ou a pessoa não conhece o sinal, sendo neste caso, usado o alfabeto para sua nomeação. Cabe salientar que, dependendo do nível de habilidade e rapidez da pessoa que o utiliza sua compreensão pode tornar -se complexa. 
Por isso, recomenda-se que a soletração das palavras ocorra devagar, utilizando-se uma pausa curta entre elas ou movendo a mão para o lado informando que esta palavra já foi soletrada.
Bibliografia
BIRCH, B. Louis Braille. São Paulo. Editora Globo. 1993.
BRITO, Lucinda Ferreira. Por uma gramática de línguas de sinais. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro: UFRJ, Departamento de Linguística e Filologia, 1995. 
CAPOVILLA, FERNANDO CÉSAR, RAPHAEL, WALKIRIA DUARTE, TEMOTEO, JANICE. Dicionário da Língua de Sinais do Brasil: A Libras em suas Mãos - 3 VOLUMES: A Libras em Suas Mãos. ed. 1. São Paulo: Edusp, 2017.
CHARLES E LIBERATO. Alfabeto Manual e Datilologia. Disponível em: <http://charles-libras.blogspot.com/2010/04/alfabeto-manual-e-datilologia.html>. Acesso em: 04 Jul. 2020.
FELIPE, Tanya A; MONTEIRO, Myrna S. Libras em Contexto: curso básico, livro do professor instrutor – Brasília: Programa Nacional de Apoio à Educação dos Surdos, MEC: SEESP, 2001. 
 
MARCELLY, L. As histórias em quadrinhos adaptadas como recurso para ensinar Matemática para alunos cegos e videntes. 141f. Dissertação (Mestrado em Educação Matemática) - Universidade Estadual Paulista, Rio Claro. 2010.
QUADROS, Ronice Muller de; KARNOPP, Lodenir Becker. Língua de sinais 
 Brasileira: estudos linguísticos. Porto Alegre : Artmed, 2004. 
PORTAL EDUCAÇÃO. Alfabeto Manual de Libras. Disponível em: <https://siteantigo.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/educacao/alfabeto-manual-de-libras/41153>. Acesso em: 04 Jul. 2020.
REALY, L. Escola Inclusiva: Linguagem e mediação. Campinas: Editora Papirus. 
 2004. 
TALINE GALAN STELLE, ELIZIANE MANOSSO STRIEICHEN. Os principais mitos sobre os surdos e a língua de sinais. Disponível em: <https://www.libras.com.br/download-files/libras/os-principais-mitos-sobre-os-surdos-e-a-lingua-de-sinais.pdf>. Acesso em: 04 Jul. 2020.

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