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Princípios do processo penal

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pois não estando presentes a
regra a ser aplicada é aquela em que o indivíduo responde o processo em liberdade. A
prisão deve ser vista como uma medida extrema. Outrossim, deve ficar claro que o postulado
aqui examinado não impede a decretação da prisão cautelar.
TODA MEDIDA CAUTELAR OU MEDIDA CONSTRITIVA DE DIREITOS INDIVIDUAIS SÓ PODEM
SER DECRETADAS DE MODO EXCEPCIONAL.
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO PROCESSO PENAL
1.1– Dimensão de atuação do princípio da presunção de
inocência
DIMENSÃO EXTERNA = Para Renato Brasileiro (2020, p. 49) “o princípio da presunção de
inocência e as garantias constitucionais da imagem, dignidade e privacidade demandam uma
proteção contra a publicidade abusiva e a estigmatização do acusado, funcionando como
limites democráticos à abusiva exploração midiática em torno do fato criminoso e do próprio
processo judicial”
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO PROCESSO PENAL
1.2 – Limite temporal do Princípio da Presunção de Inocência
No HC 84.078 – 05.02.2009 – O STF, por 7 votos a 4, entendeu que a execução
provisória da pena somente com o trânsito em julgado da sentença penal
condenatória, vedando a execução provisória da pena. Neste caso, a presunção
de inocência vai até o trânsito em julgado, sendo possível apenas a prisão
cautelar.
Entretanto, em 17/02/2016 por meio do HC 126.292, o Plenário do STF, em
decisão histórica e pelo placar de 7 votos a 4, entendeu que a possibilidade de
início da execução da pena condenatória após a confirmação da sentença em
segundo grau não ofende o princípio constitucional da presunção de inocência. Isso
porque a manutenção da sentença condenatória pela segunda instância encerra a
análise de fatos e provas que assentaram a culpa do condenado, o que autoriza o
início da execução da pena, até mesmo porque os REs ao STF e ao STJ comportam
exclusivamente discussão acerca de matéria de direito.
A CF não dá margem, segundo Brasileiro (2020) a essa interpretação. Nesse
histórico julgado, o STF defendia a desnecessidade do trânsito em julgado para o
início da execução provisória da pena.
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO PROCESSO PENAL
1.2 – Limite temporal do Princípio da Presunção de Inocência
Ao analisar o julgamento do HC 126.292 Renato Brasileiro (2020, p. 51) afirma
que “o Plenário do STF concluiu que seria possível a execução provisória de
acórdão penal condenatório proferido por Tribunal de segunda instância quando
ali esgotada a jurisdição, ainda que sujeito a recurso especial ou extraordinário
(...). Cuida-se, na verdade, de verdadeira execução provisória da pena”.
Principais argumentos utilizados pelo STF no HC 126.292: 1) O trânsito em julgado
da sentença penal condenatória como limite temporal do princípio da presunção
de inocência estava dando margem às manobras procrastinatórias por parte da
defesa do réu dando ensejo em algumas situações à prescrição. 2) Os recursos
extraordinários (a exemplo do RE e do REsp) não examinam fatos, matérias
probatórias, logo não há motivos para se aguardar o julgamento do mesmo para
o início imediato do cumprimento da pena. 3) em nenhum país do mundo, depois
de observado o duplo grau de jurisdição, a execução de uma pena ou de uma
condenação fica suspensa, aguardando referendo da Corte Suprema.
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO PROCESSO PENAL
1.2 – Limite temporal do Princípio da Presunção de Inocência
NECESSIDADE DE TRÂNSITO EM JULGADO – julgamento das Ações Diretas de
Constitucionalidade 43/DF, 44/DF e 54 tendo como relator o Ministro
Marco Aurélio julgadas em 07 de novembro de 2019
A CF exige o trânsito em julgado para o início da execução penal e
enquanto estiver pendente qualquer tipo de recurso, não é possível o início
do cumprimento da pena. Entende-se por trânsito em julgado o
esgotamento de todas as vias recursais.
Mesmo que a condenação tenha sido confirmada em segunda instância,
mas se houver um Recurso Extraordinário perante o STF questionando o
acórdão condenatório tal fato por si só impedirá a formação da coisa
julgada. Então, nesta situação também ocorre o impedimento para o início
do cumprimento da pena. Mas, nada impede que seja determinada a
prisão preventiva, o que não pode ocorrer é a execução provisória de
uma pena sem o trânsito em julgado da condenação.
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO PROCESSO PENAL
1.2 – Limite temporal do Princípio da Presunção de Inocência
NECESSIDADE DE TRÂNSITO EM JULGADO – A prisão penal decorrente da
sentença penal condenatória só pode ser objeto de execução quando aquela
transitar em julgado. Renato Brasileiro (2020, p. 53) defende que “há, portanto,
um requisito de natureza objetiva para o início do cumprimento da reprimenda
penal, qual seja, a formação da coisa julgada, que é obstada pela interposição
de todo e qualquer recurso, seja ele ordinário ou extraordinário, seja ele dotado
de efeito suspensivo ou não”.
Para Renato Brasileiro (2020, p. 55) defende de forma bem clara e elucidativa
que: “a solução para o caos do sistema punitivo brasileiro deve passar por uma
mudança constitucional ou legislativa – e não jurisprudencial, como feita pelo STF -,
para que seja antecipado o momento do trânsito em julgado de acórdãos
condenatórios proferidos pelos Tribunais de 2ª instância (...)”.
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO PROCESSO PENAL
2 - PRINCÍPIO DA IGUALDADE PROCESSUAL OU DA
PARIDADE DAS ARMAS – PAR CONDITIO – ARTIGO 5º,
CAPUT, CF.
Para Américo Bedê Júnior e Gustavo Senna (2009, p. 279): “Pelo princípio da igualdade –
paridade das armas -, no processo penal se pode entender que as partes devem ser
tratadas de forma isonômica, devendo ser assegurada igual oportunidade para elas. Logo,
para a acusação e a defesa devem ser asseguradas os mesmos direitos, possibilitando-lhes
idênticas possibilidades de alegação, de prova e de impugnação, enfim, em condições de
igualdade processual”.
Esse princípio é requisito indispensável para a efetivação do sistema acusatório. Ademais,
pode ser apontada como consequência direta deste princípio o fato de que, no processo
penal, o réu não pode se defender sozinho (a não ser que ele próprio seja advogado),
conforme o que preconiza o artigo 263 do CPP, in verbis: “se o acusado não o tiver, ser-lhe-
á nomeado defensor pelo juiz, ressalvado o seu direito de, a todo o tempo, nomear outro
de sua confiança, ou a si mesmo defender-se, caso tenha habilitação”.
Por fim, este princípio sofre mitigação pelo princípio do favor rei, segundo o qual o
interesse do acusado possui certa prevalência sobre a pretensão punitiva do Estado,
conforme será visto em outra oportunidade.
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO PROCESSO PENAL
3 – PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA 
Art. 5º, LV da CF- aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos
acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios
e recursos a ela inerentes;
Assegura-se a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes.
É um desdobramento do princípio do devido processo leal.
Subdivide-se em: 3.1) Defesa Técnica; e, 3.2) Autodefesa.
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO PROCESSO PENAL
3.1 – Defesa Técnica
Exercida por um profissional da advocacia regularmente inscrito na OAB. Tem 
que estar registrado.
Não se pode cogitar de um processo penal sem defesa técnica. Súmula 523 
do STF = “No processo penal, a falta da defesa constitui nulidade absoluta, mas 
a sua deficiência só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu”.
Observações:
1 - O caráter irrenunciável da defesa técnica: o réu não pode dispor da 
defesa técnica. A presença do defensor é obrigatória, mesmo contra a 
vontade do réu.
Súmula 709 do STF : “É nulo o julgamento da apelação se, após a manifestação
nos autos da renúncia do único defensor, o réu não foi previamente intimado
para constituir outro”.
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO PROCESSO PENAL
3.1 – Defesa Técnica
Observações:
2 – Direito de escolha do defensor pelo próprio acusado
A escolha de defensor, de fato, é um direito inafastável do réu.
3 - (Im) possibilidade de o acusado exercer a sua própria defesa técnica
É possível desde

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