Aula 13 - A célula apoptóptica
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Aula 13 - A célula apoptóptica


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começam a 
degradar os constituintes citoplasmáticos. Esta degradação, somada 
à contínua entrada de água, acarreta a ruptura total da membrana 
plasmática e o posterior extravasamento dos constituintes citoplasmáticos 
no meio extracelular (Figura 13.2). Estes conteúdos internos da célula 
(que normalmente nunca estão no meio extracelular) induzem a invasão 
de células fagocíticas (macrófagos) que irão ativar uma forte RESPOSTA 
INFLAMATÓRIA do organismo.
Diferentemente da necrose, a apoptose é um tipo de morte 
celular altamente organizado, tanto no núcleo quanto no citoplasma. 
É também uma morte silenciosa, já que não induz resposta 
inflamatória do organismo. Geralmente acomete células isoladas e 
é um processo catalisado por moléculas que possuem a função específi ca 
de ativá-la. 
A apoptose se caracteriza por uma seqüência de eventos (Figura 13.1) 
bem previsíveis. Inicialmente, as células apoptóticas sofrem um drástico 
murchamento de sua estrutura, bem ao contrário do que acontece na 
necrose, em que as células incham. Em um epitélio, por exemplo, 
uma célula que entrou em processo de apoptose começará a perder as 
suas microvilosidades e a desfazer as junções intercelulares. Um fato 
importante, que chama muita atenção, é que a cromatina desta célula 
começa a condensar, concentrando-se na periferia do núcleo. Na etapa 
seguinte, o citoplasma da célula apoptótica começa a sofrer violentas 
movimentações, dando impressão de que a célula está borbulhando 
(Figura 13.2). Este processo, conhecido por BLEBBING (borbulhamento), 
leva a célula apoptótica a fragmentar-se em diversos pedaços 
completamente selados por membrana. Estes fragmentos são os corpos 
apoptóticos. As organelas também se fragmentam, mas sem nenhum 
tipo de extravasamento. Nesse ponto, já são observados fragmentos 
do núcleo carregando pedaços de cromatina hipercondensada que será 
fragmentada nas etapas posteriores da apoptose. 
RESPOSTA 
INFLAMATÓRIA
Resposta imune local de 
um tecido a um dano 
ou infecção, causada 
geralmente por leucócitos 
ou macrófagos, ao 
lançarem no local 
mediadores (como a 
histamina) que causam 
dor no organismo.
BLEBBING DE 
MEMBRANA 
Também conhecido 
como zeiose, é a intensa 
movimentação do 
citoplasma, fruto de 
uma atividade ainda 
não muito conhecida 
das proteínas do 
citoesqueleto. Em 
videomicroscopia, 
observa-se uma 
frenética formação de 
bolhas na célula. Estas 
bolhas, por sua vez, 
estarão carregadas de 
pedaços de organelas e 
núcleo com cromatina 
fragmentada. Este 
evento, mesmo sendo 
violento, garante que 
não ocorra rompimento 
das membranas da 
célula. Para ver um 
interessante vídeo de 
zeiose, viaje pela Internet 
em www.cellsalive.com/
apop.htm
Biologia Celular II | A célula apoptóptica
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Estes corpos apoptóticos, contendo pedaços de organelas e do 
núcleo, modifi cam drasticamente a composição da membrana plasmática, 
expressando no folheto externo o fosfolipídio FOSFATIDILSERINA que, 
em células viáveis de mamíferos, é encontrado somente no folheto interno 
da membrana plasmática (Aula 7 de Biologia Celular I). Nos tecidos, 
esses corpos apoptóticos são fagocitados por células da vizinhança (que 
não são células fagocíticas profi ssionais) ou por macrófagos (Figura 
13.3). Como os constituintes citoplasmáticos não foram extravasados, os 
macrófagos não ativam a resposta infl amatória. Daí vem o termo morte 
silenciosa, já que o organismo não sofrerá nenhum \u201cefeito colateral\u201d 
com a morte de uma ou mais células por apoptose. 
Figura 13.2: A figura (a) é de um macrófago apaptótico: note a intensa 
vacuolização e massas de cromatina condensada no núcleo. Compare com a 
fi gura (b), de uma célula normal.
a b
A
U
LA
 
1
3
 
M
Ó
D
U
LO
 3
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Figura 13.3: Os corpos apoptóticos são compartimentos selados contendo fragmentos 
do núcleo e de organelas que expõem na sua superfície fosfatidilserina. Na necrose 
o conteúdo citoplasmático é extravasado.
BASES MOLECULARES DA APOPTOSE
A morte celular por apoptose é um evento extremamente 
organizado. Toda a seqüência de alterações morfológicas descritas 
anteriormente funciona graças a uma rede de sinalização celular ativada 
pela célula que entra no processo de apoptose. Para facilitar o estudo, 
dividiremos as bases moleculares da apoptose em seis etapas:
Parece difícil? Não é não! Toda esta seqüência de eventos da 
apoptose é mediada por um sistema molecular, ou seja, a apoptose 
funciona tão maravilhosamente graças a uma base molecular de 
sinalização. Certas moléculas especiais serão responsáveis por cada etapa 
descrita anteriormente. Agora, prepare-se: vamos nos aprofundar nesse 
mundo interessante e descobrir quem são os atores e atrizes responsáveis 
por todo esse processo e como eles atuam.
O parasita esperto - a translocação de fosfatidilserina do folheto interno para o folheto 
externo da membrana é um importante passo para a eliminação dos corpos apoptóticos, 
já que este fosfolipídio no folheto externo \u201cchama a atenção\u201d de macrófagos, que logo 
fagocitarão estes corpos. Parasitas do gênero Leishmania, que necessitam viver dentro 
de macrófagos para sobreviver e dividir-se, expressam fosfatidilserina na sua superfície 
para estimular a sua internalização pelos macrófagos. 
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 (1) Estímulo: qual é o tipo de estímulo que dispara a apoptose?
 (2) Geração do sinal intracelular: em que o estímulo foi 
 transformado?
 (3) Propagação intracelular do sinal 
 (4) Ativação dos efetores: atividade de enzimas (caspases) que 
 iniciam a conversão da célula ao fenótipo apoptótico
 (5) Clivagem de proteínas celulares pelas caspases.
 (6) Formação e eliminação dos corpos apoptóticos.
Muita calma, pessoal! Nós vamos montar, etapa por etapa, este 
interessantíssimo quebra-cabeça.
A ATIVAÇÃO DA APOPTOSE: O ESTÍMULO
A indução da apoptose em células de mamíferos pode ocorrer de 
duas maneiras distintas. A apoptose pode ser ativada por um estímulo 
externo, que é geralmente fruto de uma interação receptor-ligante 
(Aula 13 de Biologia Celular I). Neste caso particular, as proteínas 
receptoras da superfície celular são chamadas receptores de morte. Estes 
receptores de morte ligam-se a moléculas (ligantes) que se encontram 
na superfície de outras células; e o resultado é a apoptose dessas células 
(Figura 13.4.a). O receptor de morte mais conhecido é o Fas (também 
chamado Apo1 ou CD95), um tipo de receptor da família TNF (do inglês 
tumor necrosis factor). 
O ligante deste receptor é chamado \u2013 muito logicamente, aliás \u2013 
Fas ligante, e é expresso principalmente por LINFÓCITOS T CITOTÓXICOS 
(Figura 13.4.b). A apoptose induzida por estímulo externo ocorre 
principal-mente na interação destes linfócitos com células infectadas 
por vírus. Estas células infectadas expressam em alta quantidade o 
receptor Fas e, ao serem reconhecidos pelo Fas ligante da superfície 
dos linfócitos, entram em apoptose, o que bloqueia o prosseguimento 
da infecção viral (Figura 13.4.b).
A apoptose também pode ser induzida por estímulos internos. 
Nesta via de apoptose, a mitocôndria desempenha um papel essencial, 
como veremos adiante. São estímulos internos, além de certas condições 
de estresse e dano celular; aqueles que resultam do efeito de radiações, 
toxinas e drogas. 
TNF 
(Do inglês tumor 
necrosis factor) \u2013 
família de receptores de 
membrana relaciona-
dos à indução de morte 
celular programada.
LINFÓCITOS T 
CITOTÓXICOS
São um tipo de 
leucócito responsável 
pela resposta imune