O PERÍODO DA REGÊNCIA E DO SEGUNDO REINADO

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ASPECTOS RELEVANTES DO DIREITO NO BRASIL IMPERIAL: O PERÍODO DA REGÊNCIA E DO SEGUNDO REINADO
A ambiência jurídico-política do Período Regencial: as reformas liberalizantes de 1831 a 1837 (a lei dos juizados de paz, a lei da Regência, os Códigos Criminal e de Processo Criminal, o Ato Adicional), o “Regresso” e o fim da experiência liberal-descentralizadora (a partir de 1837). O golpe jurídico-político da Maioridade. A primeira década do Segundo Reinado: implantação e consolidação. O apogeu do Segundo Reinado (de 1850 a 1870) e a modernização jurídico-política: Lei de Terras, Lei de extinção do tráfico de escravos, o Código Comercial, a Consolidação das Leis Civis de Teixeira de Freitas.

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PARA ENTENDER O PRIMEIRO REINADO NO PERÍODO COMPREENDIDO ENTRE 1824 E 1831 (CONSIDERAÇÕES NECESSÁRIAS...)
O processo autoritário que envolveu a elaboração da primeira Constituição brasileira, jurada no dia 25 de março de 1824 (dissolução da Assembléia Constituinte pelo decreto de 12 de novembro de 1823, a convocação, por este mesmo decreto, de um grupo formado pelo Conselho de Estado e presidido por D. Pedro I para a elaboração do texto constitucional ) provocou violenta reação em Pernambuco, dando origem à formação da CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR.
 Proclamada em 02 de julho de 1824, a Confederação intentou reunir sob a forma republicana e federativa as províncias de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte e, caso fosse possível, as províncias do Piauí e do Pará.
Submetida à dura repressão das forças do governo central, a Confederação foi derrotada em novembro de 1824, e muitos de seus participantes foram executados, dentre eles, o frei Caneca.
Este, porém, não foi o único problema enfrentado pelo imperador. Questões internas e de política externa tensionaram a condução político-administrativa do Império Brasileiro no período compreendido entre 1824 e 1831 e que se encerraria com a abdicação de D. Pedro I em 07/04/1831.

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 No plano internacional, os EUA reconheceram nossa independência em maio de 1824 mediante a assinatura de um simples acordo comercial.

 As diversas repúblicas latino-americanas foram, progressivamente, reconhecendo a independência brasileira, apesar das desconfianças em relação a um regime monárquico e o domínio brasileiro na Província Cisplatina (atual Uruguai).

Em 29 de agosto de 1825, por mediação da Inglaterra, Portugal reconheceu a independência brasileira (que seria admitida como uma concessão de Portugal) mediante algumas condições:
O pagamento de uma indenização de 2 milhões de libras por parte do Brasil (para a qual a Inglaterra forneceu um empréstimo).

Concessão, por parte do Brasil à ex-metrópole, da mesma tarifa de importação que cabia aos produtos ingleses (15% “ad valorem”).

O compromisso do governo brasileiro de não permitir a união de qualquer outra colônia lusitana ao Brasil (tal preocupação por parte de Portugal fazia sentido, uma vez que havia interesses brasileiros fortemente consolidados no tráfico de escravos, especialmente em Angola).

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 O reconhecimento de nossa independência, por parte da Inglaterra, ocorrido em 18 de outubro de 1825, se deu em troca da renovação dos tratados de 1810 (renovação esta que foi assinada em 17 de agosto de 1827) e do comprometimento brasileiro em extinguir, em breve, o tráfico de escravos da África.

Além disso, o reconhecimento da independência brasileira por parte da Inglaterra ficou condicionada ao reconhecimento de nossa independência por parte de Portugal.

Com relação à extinção do tráfico de mão-de-obra escrava africana para o Brasil, foi firmado com a Inglaterra, em 23 de novembro de 1826, um tratado que declarava que o comércio interatlântico de escravos se tornaria ilegal três anos após a ratificação do acordo (o que se deu em 13 de março de 1827) – já a ratificação dos acordos comerciais (ou seja, da renovação dos tratados de 1810) se daria em 10 de novembro de 1827.

A renovação dos tratados de 1810, ocorrida em agosto de 1827, revelou o enfraquecimento da posição política de D. Pedro, sobretudo em função do desgastante conflito travado pelo Império com os argentinos pela posse da Província Cisplatina.

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A GUERRA DA CISPLATINA (1825 – 1828)
Em 1825, quatro após sua incorporação ao Brasil, iniciou-se uma rebelião na Província Cisplatina, de que se aproveitou o governo de Buenos Aires para incorporá-la, em 25 de outubro de 1825, às Províncias Unidas do Rio da Prata (Argentina).
Tal fato levou o governo de D. Pedro I a declarar guerra à Argentina em dezembro de 1825, conflito este que se arrastou até 1828.
 Apesar da superioridade material, a condução da guerra mostrou-se desastrosa para o Brasil, o que viria a corroer o prestígio político e militar de D. Pedro I que foi acusado de não conseguir manter a integridade territorial do império.
A guerra acabou se transformando em um grande fracasso para o Brasil, sendo que, em outubro de 1828, foi criado, através de mediação inglesa, o Estado da Banda Oriental do Uruguai, estado-tampão entre Brasil e Argentina – com este acordo, a Inglaterra se tornaria a grande beneficiária no ambiente comercial da região do Rio da Prata.
A guerra trouxe para o Brasil graves consequências: gastos que estavam acima da capacidade dos cofres públicos; interrupção de abastecimento e elevação dos preços do gado bovino e muar do Rio Grande do Sul para RJ, SP e MG; aumento do recrutamento militar, prática detestada pela população; contratação de tropas mercenárias estrangeiras que foram protagonistas de graves motins no Rio de Janeiro em 1828.

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 Outras questões marcaram significativamente o Primeiro Reinado:

 O retorno ao funcionamento da Assembléia Geral em 1826 levou ao debate de projetos importantes, como por exemplo, o que tratava da responsabilidade dos ministros (resguardar o cidadão dos abusos das autoridades políticas, garantindo-lhe o direito de denúncia), o que versava sobre os abusos da imprensa (regulamentação dos crimes de abuso da liberdade de imprensa, projeto proposto por Gonçalves Ledo) e o que propunha a criação dos JUIZADOS DE PAZ (cuja implantação encontrava-se prevista no texto constitucional de 1824 – art. 162).

 A partir da legislatura de 1826, a Assembléia Geral (especialmente a Câmara dos Deputados) iria desempenhar papel fundamental na consolidação da representação política e na confrontação com o poder do imperador, almejando inclusive a hegemonização do processo político.

 Uma séria crise econômico-financeira ajudou a desgastar o cacife política político de D. Pedro I – tal crise se caracterizou por um aumento do déficit externo, pela queda na produção do açúcar e pela baixa dos preços dos demais produtos primários de exportação (algodão, couros, tabaco, café) devido à concorrência internacional e à recessão da economia mundial – além disso, podemos destacar a “quebra” do Banco do Brasil e o descalabro financeiro do governo, com a emissão descontrolada de dinheiro, que incentivou as falsificações e estimulou a elevação dos preços e a conseqüente desvalorização da moeda.

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 Uma séria desconfiança começou a ser alimentada por parte das elites brasileiras de que D. Pedro I pretendia a recomposição do Reino Unido, sobretudo a partir da morte de D. João VI em 1826 e da instalação de um governo absolutista, em Portugal, tendo a frente seu irmão mais novo, D. Miguel– deve-se lembrar que D. Pedro I nunca se desvinculou das questões sucessórias relacionadas ao trono português, participando ativamente do movimento de restituição do trono a sua filha, D. Maria da Glória (em nome da qual abdicara da Coroa portuguesa), o qual havia sido usurpado por seu D. Miguel, por meio de um golpe de Estado.

 Progressivamente, foi-se verificando o afastamento do Exército em relação ao Imperador, descontente, na base (ou seja, no meio dos soldados), com as más condições de vida, os atrasos nos pagamentos dos soldos e a rígida disciplina e na cúpula (ou seja, entre os comandantes), com as derrotas militares e com a presença de oficiais portugueses