PORTUGAL E BRASIL NO SÉCULO XVIII

Disciplina:História do Direito Brasileiro2.375 materiais101.549 seguidores
Pré-visualização5 páginas
dos Habsburgos ao trono espanhol contra o neto de Luis XIV, as possessões portuguesas se tornaram alvos interessantes de ataque por parte dos corsários franceses.

*
*

Em setembro de 1710, ocorreu o primeiro ataque por parte do corsário francês Duclerc, que à frente de seis navios, desembarcou na enseada de Guaratiba (11/09) à frente de 1.500 homens, intentando ocupar a cidade, visando saqueá-la – em 18/09 se apossaram da fazenda dos jesuítas em Santa Cruz e, no dia seguinte, alcançaram a rua da Vala, que marcava o limite entre a cidade e o sertão;
Depois de encarniçados combates e de inúmeras vítimas, os franceses são cercados e se rendem – Duclerc e o que sobrou de seus são presos e em março de 1711, Duclerc foi assassinado em seu cativeiro;
O ataque de Duclerc não serviu de lição aos habitantes, sobretudo, às autoridades da cidade no sentido de promover o reforço de suas defesas – em 1711, outro corsário francês, o capitão René Duguay-Troin, de Saint-Malo, comandando uma frota de dezoito navios, atacou o Rio de Janeiro em setembro de 1711, de onde partiu, após alguns dias com um butim de 610.000 cruzados, 100 caixas de açúcar e duzentas cabeças de gado;
Apesar dos dois ataques e das ameaças que se sucederam ao longo do século XVIII, o projeto de construção de uma muralha entre os quatro morros da cidade (chegou a ser iniciada a construção), jamais foi concluída e acabou por desaparecer da paisagem do Rio na segunda metade do século XVIII.

*
*

O REINADO DE D. JOSÉ I (DE 1750 A 1777) E AS REFORMAS DO MARQUÊS DE POMBAL

*
*

O reinado de D. José I se confunde com a atuação de seu ministro, Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal.
Durante o reinado de D. José I, a Coroa Portuguesa buscou a realização de algumas reformas econômicas, administrativas e jurídicas que permitissem a adaptação do império colonial à nova realidade que se impunha, na segunda metade do século XVIII, às monarquias européias nos campos político, econômico e social.
Tais reformas implementadas pelo Marquês de Pombal, foram estimulados os monopólios comerciais e as manufaturas dentro da lógica das práticas mercantilistas e do “exclusivo colonial”, procedeu-se a expulsão dos jesuítas e o confisco dos bens da ordem religiosa, proibição da escravidão dos indígenas e uma reforma educacional que se mostrou de pouca efetividade.

*
*

A administração do Marquês de Pombal buscou tornar a administração portuguesa mais eficiente e procurou introduzir modificações no relacionamento entre a Metrópole e a Colônia.
As reformas promovidas ao longo do reinado de D.José I combinavam um “absolutismo ilustrado” com a aplicação conseqüente de doutrinas mercantilistas – foram criadas companhias de comércio privilegiadas visando o desenvolvimento do Norte (a Companhia Geral do Comércio do Grão-Pará e Maranhão – 1755 - e Companhia Geral de Pernambuco e Paraíba – 1759).
Buscou-se também coibir o contrabando do ouro e diamantes e melhorar a arrecadação tributária – ao mesmo tempo, a administração pombalina procurou tornar a Metrópole menos dependente das importações de produtos industrializados, incentivando a instalação de manufaturas em Portugal e no Brasil.
O programa econômico de Pombal foi parcialmente frustrado pela depressão de alguns dos principais produtos coloniais - a crise do açúcar do início da segunda metade do século XVIII e a queda da produção de ouro a partir de 1760, juntamente com o crescimento das despesas do governo (reconstrução de Lisboa destruída por um terremoto e as guerras contra a Espanha pelo controle da região que se estende de S.Paulo ao Rio da Prata).

*
*

Do ponto de vista da organização judicial na Colônia, em 1751 foi criado o Tribunal da Relação do Rio de Janeiro, formado por dez desembargadores e presidido pelo Governador da Capitania do Rio de Janeiro e em 1765 foram criadas as Juntas de Justiça, onde quer que existissem ouvidores de capitania.
Do ponto de vista da legislação, a promulgação da “lei da boa razão” em 1769, visando à submissão de todas as leis e costumes vigentes em Portugal e nas colônias ao crivo da “boa razão” (interpretação dos juristas leais ao regime), a reforma dos Estatutos da Universidade de Coimbra em 1772 e a constituição de uma Junta do Novo Código, prenunciavam, para Portugal, o fim da tradição jurídica do Antigo Regime e o advento da “era das codificações” sob a égide da nacionalização e da “razão natural” moderna.

*
*

O REINADO DE Dª MARIA I (DE 1777 A 1816) E A REGÊNCIA DE D. JOÃO

A TRANSMIGRAÇÃO DA FAMÍLIA REAL PARA O BRASIL E O IMPÉRIO LUSO-BRASILEIRO (DE 1808 A 1821)

*
*

A subida ao trono português de Dª Maria I, ficou conhecida como a VIRADEIRA, o que teria representado uma reversão das diretrizes administrativas e judiciais implantadas no reinado de seu pai, D. José I, sob a direção do Marquês de Pombal.
A partir de estudos mais recentes, tem-se verificado que a administração de Dª Maria I representou na verdade uma continuidade fundamental em relação à maioria dos princípios e orientações firmadas no reinado de D. José I, ainda que algumas medidas tomadas tenham se mostrado contrárias àquelas tomadas durante a administração pombalina.

*
*

Com a morte de D. José I e a demissão de Pombal, a rainha de D. Maria I, reafirmou, por meio de uma ordenação de 05/01/1785, a proibição da instalação de manufaturas no Brasil – tal proibição atendeu as demandas de comerciantes portugueses e do Conselho Ultramarino, permitindo-se na área têxtil tão somente a produção de panos grosseiros de algodão para vestimenta dos escravos e para o ensacamento das colheitas.

A proibição da instalação de manufaturas na América portuguesa a partir da ordenação de 1785, coincidiu com uma situação econômica internacional favorável à reativação das atividades agrícolas, sobretudo da produção do açúcar (por força da revolta escrava em S.Domingos) e do algodão (pela desorganização da produção das colônias inglesas da América do Norte motivada pela guerra de independência).

*
*

No reinado de Dª Maria I ocorreu o movimento que ficou conhecido como Inconfidência Mineira e que está inserido na ambiência característica da CRISE DO SISTEMA COLONIAL DA ERA MODERNA.
Um conjunto de eventos e de processos sociais, políticos e econômicos desenvolvidos na segunda metade do século XVIII e nas primeiras décadas do século XIX acabaram por produzir uma nova “ambiência” que geraria uma “vasta onda revolucionária” e que atingiria as colônias ibéricas da América.
No Brasil, de um modo geral, a historiografia toma a Inconfidência Mineira como o caso clássico de “tomada de consciência revolucionária” na contestação à dominação portuguesa – deve-se levar em consideração, todavia, que tal consciência revolucionária encontra seus limites nas condições objetivas que marcavam o “viver em colônias” no final do século XVIII e início do século XIX.

*
*

A repressão à Inconfidência Mineira, por parte das autoridades portuguesas, se fez nos quadros legais e mentais fixados no livro V das Ordenações Filipinas que previa uma série de penas: perda e confisco dos bens e multas, prisão simples e prisão com trabalhos forçados, galés temporárias ou perpétuas, desterro (condenação de deixar o local do crime) e o degredo (condenação de residência obrigatória em certo lugar), banimento ou exílio (degredo perpétuo), os açoites, a decepação do membro e as várias formas de pena de morte – morte simples (sem tortura), morte natural (forca), morte para sempre (com exposição do cadáver na forca), morte atroz (com cadáver esquartejado) e morte cruel (com tortura prévia).
Aqueles que gozassem de determinados privilégios (privilégios de fidalguia, de cavalaria, de doutorado em cânones ou leis, ou medicina, os juízes e vereadores) não poderiam ser submetidos a penas infamantes.

*
*

A morte por enforcamento era destinada normalmente às pessoas dos estratos sociais inferiores, já que este tipo de morte era considerada infame.
Havia as penas de morte que envolviam o esquartejamento (antes ou depois da execução) e outros
KAREN GUERREIRO fez um comentário
  • Muito bom, ajudou bastante!
    0 aprovações
    Carregar mais