Hisória do Direito Brasileiro - Apostila (63)
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Hisória do Direito Brasileiro - Apostila (63)

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Professor: André Studart Leitão

Aula 9
Deveres Instrumentais, Prescrição

e Decadência

Direito Previdenciário - Custeio

Coordenação: Dr. Wagner Ballera

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"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A
violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do
material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

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1. Deveres instrumentais

O § 2º do art. 113 do CTN preceitua que a obrigação acessória decorre da legislação tributária e

tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da

fiscalização dos tributos. A seguir, o § 3º do mesmo dispositivo determina que a obrigação acessória, pelo

simples fato de sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente a penalidade

pecuniária.

As obrigações acessórias substanciam deveres positivos (fazer) e negativos (não-fazer), sendo

destituídas de valor patrimonial, em razão de seu caráter não pecuniário. Advirta-se, nesse contexto, que,

quando a penalidade pecuniária ganha corpo, já não mais se tratará de obrigação acessória, tendo em vista

a alteração substancial do instituto.

Importante atentar, ainda, para o fato de que, a despeito da elástica definição de "legislação

tributária" constante do art. 96 do CTN, esses deveres instrumentais precisam decorrer de lei em sentido

estrito (lei em sentido formal e material). E isso porque ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer

alguma coisa senão em virtude de lei, a teor da Constituição da República (art. 5º, II).

A grande maioria dos deveres instrumentais previdenciários da empresa, seguindo o preceito magno

insculpido no inciso II do art. 5º da Constituição Federal, está inserida no art. 32 da Lei n. 8.212/91. Referida

listagem não é exaustiva, havendo outras obrigações acessórias com fundamento no mesmo diploma legal,

a exemplo das previstas nos arts. 52 e 91.

2. Decadência e prescrição das contribuições de seguridade social

O exercício de um direito não pode ficar pendente indefinidamente, sob pena de gerar instabilidade

social. Exige-se, pois, como medida necessária à segurança jurídica, que o decurso do tempo tenha

influência tanto na aquisição, como na extinção de direitos.

No presente estudo, examinaremos a fluência temporal como causa extintiva de direitos no âmbito

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previdenciário, mais especificamente, no custeio do Sistema de Seguridade Social. Falar-se-á da decadência

e prescrição das contribuições previdenciárias.

Porém, antes de adentrarmos na temática proposta, uma questão prejudicial se impõe: a

constitucionalidade dos arts. 45 e 46 do plano de custeio da previdência social, Lei n. 8.212/91.

O art. 146, III, "b", da Constituição Federal dispõe caber à lei complementar o estabelecimento de

normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre prescrição e decadência.

Todavia, o constituinte não desceu a minúcias quanto ao que caracterizaria "normas gerais de

prescrição e decadência", remanescendo dúvidas no que diz respeito à respectiva delimitação conceitual. O

que seriam afinal normas gerais de prescrição e decadência?

Caso se considere a fixação de prazos como norma geral, então, os arts. 45 e 46 da Lei n. 8212/91

estariam eivados de inconstitucionalidade, por trazerem disposições diversas das constantes do CTN. Nesse

sentido, há o entendimento majoritário dos Tribunais Regionais Federais.

Sem embargo da natureza tributária das contribuições sociais, parece-nos ausente o vício de

inconstitucionalidade. A definição uniforme de prazos não é uma exigência razoável, devendo-se atentar,

antes de tudo, para as especificidades (mormente as econômicas) próprias de cada sistema.

Além disso, considerando como norma geral a fixação de prazos, exaure-se praticamente o

conteúdo material do instituto, afinal quais pontos seriam passíveis de regulação pela lei de tributação?

Dizendo mais claramente, o que poderiam ser normas específicas sobre prescrição e decadência, senão o

estabelecimento dos respectivos prazos?

Isso não significa dizer que a previsão do prazo previsto no CTN é despicienda. Pode, sim, ter

aplicação, só que apenas subsidiária. Caso a lei de tributação não preveja o prazo, aplica-se o CTN. Essa

conclusão resulta, inclusive, do disposto no parágrafo 4º do art. 150 deste Código, referente aos tributos

sujeitos ao lançamento por homologação, quando se verifica a expressão "se a lei não fixar prazo".

Destarte, as normas gerais estão limitadas às seguintes questões: a) método de contagem do prazo

prescricional; b) disposições sobre a interrupção e suspensão; e, c) regras de reinício do curso do prazo. Não

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A
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"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A
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há, por conseqüência, qualquer inconstitucionalidade nos arts. 45 e 46 da Lei n. 8.213/91.

De acordo com o art. 45 do plano de custeio, o direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus

créditos extingue-se após 10 (dez) anos.

O prazo decenal refere-se ao prazo que tem a Seguridade Social de lançar seu crédito, ou seja, de

formalizá-lo, conferindo-lhe existência e definindo-lhe suas dimensões valorativas.

Os termos iniciais desse prazo encontram-se fixados nos incisos do art. 45 e correspondem: a) ao

primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; e, b) à data em que se

tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente

efetuada.

Contudo, não se pode olvidar de que as contribuições previdenciárias estão sujeitas ao lançamento

por homologação, e de que o art. 150, § 4º do CTN prevê regra específica para os tributos sujeitos a essa

modalidade de lançamento, quando presente a satisfação parcial do débito.

O que se homologa não é o lançamento, mas o pagamento (ainda que parcial), provocando-se a

extinção total do crédito tributário, exceção feita às hipóteses dolosas consignadas no parágrafo 4º do art.

150 do CTN. Se o Poder Público permanecer inerte durante o período legal, contado do fato gerador, o

pagamento a menor, na prática, equivalerá a um pagamento total, haja vista a extinção do crédito tributário

remanescente pela decadência.

Por outro lado, inexistindo antecipação do pagamento (omissão total do pagamento), o termo a quo

será o primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador (art. 173, I, CTN).

Essas regras foram alteradas pelo Superior Tribunal de Justiça, cuja 1ª Seção criou, a partir da

aplicação concorrente dos arts. 173 e art. 150, § 4º do CTN, a teoria dos cinco mais cinco.

Com a devida vênia a esta Egrégia Corte, essa interpretação contraria os ditames legais. Isso porque

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os arts. 173 e 150, § 4º do CTN referem-se, respectivamente, a uma regra geral e a uma regra especial, não

sendo devida a sua aplicação conjunta.

Essa questão continua sendo alvo de controvérsia na 1ª Seção do STJ, que também já decidiu nos

seguintes termos: a) não havendo antecipação