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DisciplinaIntrodução ao Direito I87.724 materiais511.306 seguidores
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na lei 
sobre o fato que se trata. Já o erro de direito ocorre pelo desconhecimento do fato previsto 
na norma em função de falso juízo sobre o que ela dispõe, ou seja, o agente emite uma 
declaração de vontade baseado no falso pressuposto de que está procedendo de acordo com 
a lei.
A doutrina e jurisprudência têm entendido que o erro de direito e a ignorância da lei não se 
confundem, sustentando que o primeiro vicia o consentimento, nas hipóteses em que afete 
a manifestação da vontade na sua essência.
O novo Código Civil, em seu art. 139, admite o erro de direito como motivo único ou 
principal do negócio jurídico, desde que não implique recusa à aplicação da lei. Assim, não 
é levado em conta o erro de direito nas hipóteses em que o mesmo seja alegado visando à 
suspensão da eficácia legal por conta de sua inobservância; enquanto que nada impede que 
o seja alegado nos casos em que vise a evitar efeito de ato negocial, cuja formação teve 
interferência de vontade viciada por aquele erro.
Art. 4º. Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os 
costumes e os princípios gerais de direito.
 Nos casos em que a lei for omissa, cabe ao magistrado utilizar-se das fontes integradoras 
do direito, que incluem a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito.
A utilização da analogia se dá quando o juiz busca em outra lei, que tenha suportes fáticos 
semelhantes, disposições que a própria lei não apresenta. Já o uso dos costumes, que 
tratam da prática reiterada de um hábito coletivo, público e notório, pode ter reflexos 
jurídicos na falta de outra disposição. Finalmente, também pode o magistrado socorrer-se 
dos princípios gerais de direito, que nada mais são do que regras orais que se transmitem 
através dos tempos, séculos às vezes, e que pontificam critérios morais e éticos como 
subsídios do direito.
Art. 5º. Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às 
exigências do bem comum.
A ciência do direito, como atividade interpretativa, surge como uma teoria hermenêutica, 
por ter dentre outras funções, as de:
a) interpretação das normas, que compreende múltiplas possibilidades técnicas 
interpretativas, dando ao intérprete a liberdade jurídica na escolha destas vias, buscando 
sempre condições para uma decisão possível, baseada em uma interpretação e um sentido 
preponderante dentre às várias possibilidades interpretativas;
b) verificar a existência da lacuna jurídica, identificando a mesma e apontando os 
instrumentos integradores que possibilitem uma decisão possível mais favorável, com base 
no direito;
c) afastar contradições normativas através da indicação de critérios para solucioná-las.
De acordo com Maria Helena Diniz, a ciência jurídica exerce funções relevantes, não só 
para o estudo do direito, mas também para a aplicação jurídica, viabilizando-o como 
elemento de controle do comportamento humano ao permitir a flexibilidade interpretativa 
das normas, autorizada pelo art. 5º da Lei de Introdução, e ao propiciar, por suas criações 
teóricas, a adequação das normas no momento de sua aplicação11.
Assim, ao interpretar a norma, o intérprete deve levar em conta o coeficiente axiológico e 
social nela contido, baseado no momento histórico que está vivendo, já que a norma geral 
em si deixa em aberto várias possibilidades, deixando esta decisão a um ato de produção 
normativa, sem esquecer que, ao aplicar a norma ao caso concreto, deve fazê-lo atendendo 
à sua finalidade social e ao bem comum.
Em relação ao fim social, a mesma autora afirma que: \u201cpode se dizer que não há norma 
jurídica que não deva sua origem a um fim, um propósito ou um motivo prático, que 
consistem em produzir, na realidade social, determinados efeitos que são desejados por 
serem valiosos, justos, convenientes, adequados à subsistência de uma sociedade, 
oportunos, etc\u201d12.
Tércio Sampaio Ferraz Júnior13, observa que os fins sociais são do direito, já que a ordem 
jurídica como um todo, é um conjunto de normas para tornar possível a sociabilidade 
humana; logo dever-se-á encontrar nas normas o seu fim (telos), que não poderá ser anti-
social.
Na prática, o intérprete-aplicador deverá, em cada caso sub judice, verificar se a norma 
atende à finalidade social, devendo ser interpretada inserida no próprio meio social em que 
está presente, já que imersa nele e conseqüentemente sob constante simbiose com o 
mesmo, adaptando-a às necessidades sociais existentes no momento de sua aplicação.
Dessa forma, recebendo continuamente vida e inspiração do meio ambiente, a aplicação da 
lei seguirá a marcha dos fenômenos sociais, estando apta a produzir a maior soma possível 
de energia jurídica14.
No que tange ao bem comum, sua noção é bastante complexa e composta de inúmeros 
elementos ou fatores. De qualquer forma, são reconhecidos comumente como elementos 
do bem comum a liberdade, a paz, a justiça, a utilidade social, a solidariedade ou 
cooperação, não resultando o bem comum da simples justaposição destes elementos, mas 
de sua harmonização face à realidade sociológica15.
Não há consonância na doutrina sobre a importância atribuída a esses elementos, mas de 
qualquer forma entende-se que ao aplicar norma, decidindo o fato, é dever de seu 
intérprete-aplicador estar atento ao fato de que as exigências do bem comum estejam 
ligadas ao respeito dos direitos individuais garantidos pela Constituição.
Sendo assim, percebe-se que todo o ato interpretativo deve estar baseado na concreção de 
determinado valor positivo ou objetivo, objetivo este fundado no bem comum, respeitando 
assim o indivíduo e a coletividade.
 Art. 6º. A lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, 
o direito adquirido e a coisa julgada.
O art. 6º da LICC declara a inaplicabilidade da lei revogada aos processos que estão em 
curso, com base na intangibilidade do ato jurídico perfeito e do direito adquirido, 
consagrados constitucionalmente.
Desta forma, a lei nova só incidirá sobre os fatos ocorridos durante seu período de 
vigência, não podendo a mesma alcançar efeitos produzidos por relações jurídicas 
anteriores à sua entrada em vigor, ou seja, alcançando apenas situações futuras.
No que diz respeito aos processos pendentes, em matéria processual vigora o princípio do 
isolamento dos atos processuais, que determina que a novel norma atingirá o processo no 
ponto em que está, não podendo a mesma retroagir aos atos processuais já realizados 
durante a vigência de lei anterior, visto que seus efeitos ficarão intocáveis e insuscetíveis 
de alteração pela lei retrooperante, pois sobre eles a nova lei não terá efeito algum.
§ 1º. Reputa-se ato jurídico perfeito o já consumado segundo a lei vigente ao tempo 
que se efetuou.
Entende-se como ato jurídico perfeito o que já se tornou apto a produzir seus efeitos, pois 
já consumado, segundo a norma vigente, ao tempo em que se efetuou.
O ato jurídico perfeito é um dos elementos do direito adquirido e desta forma é um meio 
de garantir o mesmo, uma vez que, se a nova lei desconsiderasse o ato jurídico já 
consumado sob a vigência de lei precedente, o direito adquirindo decorrente do mesmo 
também desapareceria, já que sem fundamento.
Assim, a segurança do ato jurídico perfeito, que é resguardada pelo art. 6º, § 1º, da Lei de 
Introdução, preconiza que o ato jurídico válido, consumado durante a vigência da lei que 
contempla aquele direito, não poderá ser alcançado por lei posterior, sendo inclusive 
imunizado contra quaisquer requisitos formais exigidos pela nova lei.
Em relação aos contratos em curso de formação, aplicar-se-á a nova norma, por ter efeito 
imediato, na fase pré-contratual. Nos casos de os contratos terem sido legitimamente 
celebrados, os mesmos serão cumpridos e terão seus efeitos regulados pela lei vigente à 
época de seu
Devanir
Devanir fez um comentário
Quero uma resenha critica o que é direito com 30 linhas para que eu possa entender melhor
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Rinaldo
Rinaldo fez um comentário
Material não está atualizado com a Lei nº 13.655/2018
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Antonio
Antonio fez um comentário
GRATO. SERÁ DE GRANDE VALIA PARA FUTURAS ORIENTAÇÕES A ALGUNS TRABALHOS.
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