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DisciplinaIntrodução ao Direito I87.578 materiais509.229 seguidores
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admitidos legalmente 
ao casamento e aos pactos antenupciais.
Assim, observar-se-á o direito brasileiro no caso de ter sido aqui estabelecido o primeiro 
domicílio conjugal, se os nubentes tiverem domicílios internacionais diferentes; ou o 
direito estrangeiro, no caso de ambos tiverem, por ocasião do ato nupcial, domicílio 
comum fora do Brasil.
Em relação à capacidade para celebração de pacto antenupcial, cada um dos interessados 
fica submetido à sua lei pessoal ao tempo da celebração do contrato (lex domicilii), 
observando a existência de preceito de ordem pública internacional vedando a celebração 
ou modificação de pactos antenupciais na constância do casamento ou alteração do regime 
de bens por mudança de nacionalidade ou de domicílio posterior ao casamento, de nada 
importando que o domicílio se transfira de um país a outro. No que tange ao regime 
matrimonial de bens, prevalece a lei do domicílio que ambos os nubentes tiverem no 
momento do casamento ou a do primeiro domicílio conjugal, na falta daquele comum, 
salientando que de nada adianta a mudança domiciliar com intuito de subtrair o regime 
matrimonial submetido anteriormente.
Ainda sobre o tema, é importante ressaltar que na hipótese de regime ou casamento 
convencionados no Brasil, ou mesmo casamento aqui realizado mas sem convenção de 
regime, o mesmo deverá ser apreciado pelo direito brasileiro. No caso de os cônjuges 
pretenderem fixar seu primeiro domicílio fora do Brasil, a jurisdição brasileira não será 
competente, pois o regime nesse caso será apreciado pela jurisdição internacional.
No caso de duas pessoas casarem aqui, domiciliadas no Brasil, e possuírem bens em 
diversos países, a lei brasileira não poderá se aplicar em relação a estes, em Estados onde 
impera a lex rei sitae, por respeito à mesma.
§ 5º O estrangeiro casado, que se naturalizar brasileiro, pode, mediante expressa 
anuência de seu cônjuge, requerer ao juiz, no ato de entrega do decreto de 
naturalização, se apostile ao mesmo a adoção do regime de comunhão parcial de 
bens, respeitados os direitos de terceiros e dada esta adoção ao competente registro.
O novo Código Civil, em seu artigo 1.639, § 2º, dispõe que qualquer modificação após a 
celebração do ato nupcial é permitida, desde que haja autorização judicial atendendo a um 
pedido motivado de ambos os cônjuges, verificadas as razões por eles invocadas e a 
certeza de que tal mudança não venha a causar qualquer gravame a direitos de terceiros, 
obedecendo ao princípio da mutabilidade justificada do regime adotado.
O § 5º do art. 7º da LICC permite ao estrangeiro naturalizado brasileiro, com a expressa 
anuência de seu cônjuge, a adoção da comunhão parcial de bens, que é o regime 
matrimonial comum no Brasil, resguardados os direitos de terceiros anteriores à concessão 
da naturalização, ficando os mesmos inalterados, como se o regime não tivesse sofrido 
qualquer alteração. De acordo com o princípio da mutabilidade justificada do regime 
adotado, disposto no Código Civil, que visa a garantir terceiro de qualquer surpresa que 
advenha de um regime matrimonial de bens mutável, é exigido o registro da adoção do 
regime da comunhão parcial de bens, funcionando como meio de publicidade da alteração 
feita pelo brasileiro naturalizado29.
§ 6º O divórcio realizado no estrangeiro, se um ou ambos os cônjuges forem 
brasileiros, só será reconhecido no Brasil depois de três anos da data da sentença, 
salvo se houver sido antecedida de separarão judicial por igual prazo, caso em que a 
homologação produzirá efeito imediato, obedecidas as condições estabelecidas para a 
eficácia das sentenças estrangeiras no País. O Supremo Tribunal Federal, na forma 
de seu regimento interno, poderá reexaminar, a requerimento do interessado, 
decisões já proferidas em pedidos de homologação de sentenças estrangeiras de 
divórcio de brasileiros, a fim de que passem a produzir todos os efeitos legais.
O divórcio de cônjuges estrangeiros domiciliados no Brasil é reconhecido em nosso país, 
mas tratando-se de divórcio realizado no estrangeiro, quando um ou ambos os cônjuges 
forem brasileiros, só será aqui admitido após um ano (art. 226, § 6º, da CF/88) da data da 
sentença, salvo se houver sido antecedida de separação judicial por igual prazo, caso em 
que a homologação terá efeito imediato, obedecidas as condições estabelecidas para a 
eficácia das sentenças estrangeiras no país (art. 49 da Lei 6.515/77).
Maria Helena Diniz verifica que a lei brasileira constitui um obstáculo invencível ao 
reconhecimento do divórcio antes do prazo de um ano, contado da sentença, se um ou 
ambos os cônjuges forem brasileiros, excetuando-se o fato de que já exista concessão da 
medida cautelar de separação de corpos, cuja data constitui marco inicial para a contagem 
daquele prazo legal, embora a separação de cama e mesa possa ter significação na 
contagem do prazo da conversão da separação judicial em divórcio30.
Uma vez homologado o divórcio obtido no estrangeiro, é permitido novo casamento no 
Brasil, exigindo-se para isso a prova da sentença do divórcio na habilitação matrimonial, 
que é a certidão da sentença de divórcio proferida no estrangeiro, devidamente 
homologada pelo Superior Tribunal de Justiça (EC 45/2004).
O estrangeiro ou apátrida, cuja sentença de divórcio ainda não tenha sido homologada, e 
que deseje contrair novas núpcias no Brasil, está sujeito à anulação de casamento caso sua 
sentença de divórcio seja negada pelo STJ. Washington de Barros Monteiro esclarece 
ainda que a homologação de sentença pode ser negada quando estrangeiros aqui 
domiciliados se dirigem à justiça de outro país para obter a sentença de divórcio, burlando 
a soberania nacional, sendo isso apenas tolerado se o divórcio foi pronunciado no foro dos 
cônjuges. No caso de a sentença for proferida em país onde jamais os cônjuges residiram 
ou de onde não são naturais, a homologação tem sido denegada, podendo ser apenas 
concedida, com restrições, para fins patrimoniais31.
§ 7º. Salvo o caso de abandono, o domicílio do chefe da família estende-se ao outro 
cônjuge e aos filhos não emancipados, e o do tutor ou curador aos incapazes sob sua 
guarda.
De acordo com o critério da unidade domiciliar, mantido § 7º do art. 7º da LICC, no que 
diz respeito às relações pessoais entre os cônjuges, seus direitos e deveres recíprocos, e aos 
direitos e obrigações decorrentes da filiação, aplicar-se-á a lei do domicílio familiar, que se 
estende aos cônjuges e aos filhos menores não emancipados.
Maria Helena Diniz salienta que \u201cPreciso será esclarecer que não mais se considera a 
pessoa do marido em si, mas o domicílio da família, ou seja, de ambos os consortes, ou 
melhor, o do País onde o casal fixou domicílio logo após as núpcias, com intenção de 
constituir família e o seu centro negocial\u201d, respeitando assim o princípio da igualdade 
jurídica dos cônjuges, representando um sistema familiar em que as decisões devem ser 
tomadas de comum acordo entre marido e mulher (arts. 1.567 e 1.569 do CC)32.
No que tange aos tutelados e curatelados, depois de assumido o encargo tutelar, em em 
virtude de estarem sob sua guarda, submeter-se-ão à lei domiciliar de seus tutores e 
curadores.
Assim, o § 7º do art. 7º trata do caso de domicílio internacional legal quando dispõe que, 
exceto na hipótese de abandono, o domicílio familiar, eleito pelo casal ou em alguns países 
pelo marido, estende-se ao outro cônjuge, quando for o caso, e aos filhos menores não 
emancipados, e o do tutor ou curador, aos incapazes sob sua guarda (Código Bustamante, 
art. 24).
§ 8º. Quando a pessoa não tiver domicílio, considerar-se-á domiciliada no lugar de 
sua residência ou naquele em que se encontre.
O Código Bustamante, em seu artigo 26, preleciona que aquele que não tiver domicílio 
conhecido, considerar-se-á domiciliado no local de sua residência
Devanir
Devanir fez um comentário
Quero uma resenha critica o que é direito com 30 linhas para que eu possa entender melhor
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Rinaldo
Rinaldo fez um comentário
Material não está atualizado com a Lei nº 13.655/2018
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Antonio
Antonio fez um comentário
GRATO. SERÁ DE GRANDE VALIA PARA FUTURAS ORIENTAÇÕES A ALGUNS TRABALHOS.
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