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CARDIOLOGIA 02 - Eletrocardiograma COMPLETO

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sintomáticas como: BAV de 3º grau 
(BAVT); Disfunção do nódulo sinusal sintomática (DNS) caracterizada por: bradicardia, parada sinusal, 
bloqueio sinuatrial e taquicardia paroxística (Síndrome Bradi-taqui).
 Bradicardias temporárias sintomáticas relacionadas a drogas: digoxina, diltiazem, B- bloqueador, 
amiodarona.
 Infarto agudo do miocárdio (IAM): IAM anterior com: surgimento de bloqueio de ramo direito (BRD) e PR > 
0,20s (200ms), Bloqueio de ramo direito (BRD) com hemibloqueio anterior esquerdo (HBAE), BRE agudo, 
BAV 2° grau Mobitz 2 (isto é: PR constante que de repente interrompe), BAVT; IAM inferior com: BAVT ou 
BAV 2°grau com instabilidade hemodinâmica, IAM de VD, com instabilidade hemodinâmica e BAVT, 
frequentemente necessitando de implante de MP dupla câmara para estimulo AV sequencial.
 Pós-operatório de cirurgia cardíaca: marcapasso epicárdico (eletrodos instalados durante cirurgia 
cardíaca).
 Controle de taquiarritmia com overdrive como: QT longo, Extra-sistolia atrial bloqueada, Taquicardia 
ventricular incessante, Taquicardia ventricular induzida por extra-sístole ventricular, Taquiarritmia 
ventricular dependente de bradicardia.
 Pós-operatório: história de Stokes-Adams, BAVT ou Mobitz II, Pausa sinoatrial prolongada.
 Bradicardia refratária durante ressuscitação ou choque hipovolêmico.
 Parada cardíaca em assístolia.
 Disfunção de MP definitivo.
 Definitivo: O MP pode ser indicado como um recurso terapêutico definitivo. O MP definitivo consiste em uma 
ferramenta fundamental para melhorar a qualidade de vida do idoso. A American Heart Association junto com o 
American College of Cardiology determinaram as indicações de MP definitivo de acordo com os trabalhos 
existentes na literatura atual em classes, conforme será descrito a seguir.
o Classes I: todas as condições em que há concordância para colocação de um MP;
o Classes II: condições em que pode ser indicada a colocação do MP, porém há discordância sobre a 
necessidade do uso.
o Classe III: condição em que existe uma concordância da não colocação da MP.
1.2.2. Bloqueio da condução intraventricular
Como sabemos, ao longo da massa ventricular, o estímulo cardíaco viaja por intermédio das fibras do Feixe de 
His. O feixe de His conduz a onda de despolarização normalmente, mas em um dos seus ramos o impulso elétrico é 
bloqueado. O complexo QRS torna-se, então, alargado devido ao retardo da onda de despolarização no ventrículo que
teve seu ramo bloqueado.
Com o atraso da condução pelo 
ramo direito, a ativação ventricular 
esquerda é realizada normalmente, 
através do ramo esquerdo da esquerda 
para direita. Quando a ativação 
ventricular esquerda está próxima da 
finalização, o impulso passa da 
esquerda para direita através do septo 
interventricular (ativação transeptal 
transmiocárdica), desencadeando a 
ativação lenta e anormal do lado direito 
do septo interventricular e parede livre 
do ventrículo direito. O contrário 
também é verdadeiro para o bloqueio do 
ramo esquerdo do feixe de His.
Tais alterações podem, portanto, serem avaliadas da seguinte maneira no ECG, optando pela análise das 
derivações V1 (para ventrículo direito e vetor septal) e V6 (para ventrículo esquerdo). Em ambos, o complexo se 
mostrará mais alargado.
Arlindo Ugulino Netto – CARDIOLOGIA – MEDICINA P6 – 2010.1
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 Bloqueio de ramo direito do feixe de His: pode ser bem avaliado por meio das 
seguintes caracter„sticas:
o Nas deriva‚†es precordiais direitas (V1) teremos o seguinte padrƒo:
 Padrƒo RSR’: o que seria “complexo QRS” no ECG aparece com uma 
grande quilha na onda R, formando duas grandes ondas positivas: R e 
R’.
 Onda T assim€trica e em sentido oposto ao QRS.
o Nas deriva‚†es precordiais esquerdas (V6) e DI: padrƒo QRS com onda S 
ampla e arrastada.
o Eixo el€trico do cora‚ƒo (S“QRS): varivel, tendendo desvio para a 
direita.
 Bloqueio de ramo esquerdo do feixe de His: ocorre quando h bloqueio do 
tronco do ramo esquerdo antes da sua bifurca‚ƒo em fasc„culos Šntero-superior 
e p…stero-inferior ou o bloqueio dos dois fasc„culos ao mesmo tempo. Sua 
etiologia pode estar relacionada com: hipertensƒo arterial sistˆmica, doen‚a 
das art€rias coronrias, doen‚as valvulares, isquemia, esclerose, fatores 
mecŠnicos, em conseq‘ˆncia da hipertrofia ventricular esquerda, etc.
o Complexo QRS alargado (> 0,12 segundos).
o Na avalia‚ƒo das deriva‚†es precordiais esquerdas (V5 e V6):
 Ausˆncia de ondas q iniciais.
 Ondas R alargadas e monofsicas, apresentando entalhes 
(aspecto em torre) e empastamentos.
 Segmento ST infradesnivelado.
 Onda T negativa.
 Altera‚†es da repolariza‚ƒo.
o Na avalia‚ƒo das precordiais direitas (V1 e V2):
 Ausˆncia da onda r inicial.
 QRS negativo.
De um modo geral, no bloqueio de ramo esquerdo (BRE), a “orelha de coelho” no complexo QRS em V6 
representa o atraso entre a despolariza‚ƒo do septo para o ventr„culo esquerdo. J no bloqueio de ramo direito (BRD), a 
“orelha de colho” em V1 representa o atraso entre a despolariza‚ƒo do septo para o ventr„culo direito. 
Em resumo, temos:
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2. Taquiarritmias
Sƒo arritmias card„acas caracterizadas por uma frequˆncia maior que 100 bpm. Pode ser um achado normal do 
ECG, principalmente quando o paciente tem realizado algum esfor‚o f„sico vigoroso ou por descarga de adrenalina por 
nervosismo, por exemplo. Contudo, pode estar relacionada com a presen‚a de doen‚a card„aca de base e de reflexos 
cardiovasculares.
O aumento da frequˆncia card„aca tem relevŠncia cl„nica importante a partir do momento que h um 
comprometimento do fluxo coronariano. Como se sabe, o enchimento das art€rias coronrias acontece durante a 
distole; contudo, como na taquicardia h muito pouco tempo para que o ventr„culo relaxe, a pressƒo coronria cai de 
uma forma importante. Indiv„duos que j apresentem algum tipo de obstru‚ƒo em coronria e apresenta taquicardia 
apresentam maior predisposi‚ƒo a desenvolver infarto no curso desta arritmia. 
As taquiarritmias (TA) podem ser classificadas em TA supra-ventriculares e TA ventriculares.
2.1. Taquiarritmias supra-ventriculares (TASV)
Sƒo arritmias causadas por disfun‚†es em s„tios localizados acima do n… atrioventricular, o que inclui o trio 
(acometido pela fibrila‚ƒo atrial e flutter atrial), a taquicardia atrial, a taquicardia sinusal, a taquicardia juncional (que 
ocorre na jun‚ƒo entre o trio e o ventr„culo), taquicardia reentrante nodal e a taquicardia reentrante atrioventricular 
(Síndrome de Wolf-Parkinson-White).
Na anlise das taquicardias supra-ventriculares, € sempre necessrio examinar os seguintes parŠmetros:
 Frequˆncia atrial;
 Frequˆncia ventricular;
 Regularidade ventricular (RR): o QRS € regular na taquicardia reentrante nodal, da taquicardia reentrante 
atrioventricular (S„ndrome de WPW), flutter atrial e na taquicardia atrial; € irregular na fibrila‚ƒo atrial e, 
enventualmente, no flutter e na taquicardia atrial.
 Identificar morfologia da ativa‚ƒo atrial (P, F, f);
 Avaliar rela‚ƒo P:QRS. A onda P pode nƒo existir e, caracteristicamente, o QRS mant€m seu padrƒo normal 
de ondas, mas se mostra estreitado (diferentemente da taquicardia ventricular, onde o QRS € alargado e 
bizarro).
 Importante: nas arritmias supraventriculares o QRS se mostra estreitado (< 0,12 segundos), visto que o 
dist‹rbio de condu‚ƒo se d acima do n… AV. Os dois ventr„culos se ativam ao mesmo tempo. A presen‚a de 
um QRS largo (> 120 ms) significa alguma aberrŠncia, isto €: uma situa‚ƒo anormal.
Os principais tipos de taquiarritmias supra-ventriculares atriais sƒo:
 Taquicardia sinusal: caracterizada pelos 
seguintes parŠmetros:
 Ondas P de morfologia normal;
 Frequˆncia atrial de 100 a 200 bpm;
 Frequˆncia ventricular de 100 a 200 
bpm;
 RR regular
 P:QRS –