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Material de Apoio- Análise Textual - Aula 1 -  A LINGUAGEM

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seja, do emprego de uma preposição em lugar de outra, alterando completamente o sentido do texto, já que lutar pela corrupção tem sentido completamente oposto a lutar contra a corrupção.
Observe alguns outros exemplos:
“Marcos encontrou uma obra na biblioteca que estava mal conservada”.
“Eram dois irmãos muito parecidos somente no aspecto físico. Do ponto de vista da personalidade, eram bastante diferentes. O mais velho era calmo e tímido, já o mais novo era irritadiço e extrovertido, enfim, um era o antídoto do outro”.
Na primeira frase, a ausência de coesão é decorrente do mau emprego do pronome relativo que: em decorrência de sua colocação, pode estar se referindo a dois antecedentes distintos, tornando a frase ambígua. Quem estava mal conservada? A obra ou a biblioteca? Para tornar a frase coesa, bastaria colocar a oração adjetiva junto ao termo a que se quer fazer referência. Assim:
“Marcos encontrou uma obra que estava mal conservada na biblioteca”.
Desse modo, fica claro que a obra é que está mal conservada.
Na segunda frase, a ausência de coesão é decorrente do mau emprego da palavra antídoto, cujo significado é contraveneno. Se, do ponto de vista da personalidade, os dois irmãos eram opostos, a palavra adequada para marcar essa oposição seria antítese ou antípoda, que encerram a idéia de oposição, contrariedade. Assim:
“Eram dois irmãos muito parecidos somente no aspecto físico. Do ponto de vista da personalidade, eram bastante diferentes. O mais velho era calmo e tímido, já o mais novo era irritadiço e extrovertido, enfim, um era o antípoda (ou a antítese) do outro.
Um tipo muito comum de impropriedade de linguagem presente em textos escolares, jornalísticos e até mesmo em enunciados de vestibulares é o uso indevido da dupla negação. Leia o texto seguinte:
“Nos camarins, após o show, os integrantes da banda mostravam-se encantados com a recepção da estréia brasileira, com um público inflamado de 10 mil, que em nenhum momento dos 90 minutos de espetáculo não parou de vibrar com a música energética, direta e honesta do Midnight Oil”.
Para perceber se falta coesão no texto que você produz, a melhor atitude é lê-lo atentamente, procurando estabelecer as relações entre as palavras que formam as orações, as orações que formam os períodos e, finalmente, entre os vários períodos dos que formam o texto.
Aula 4 – Material de Apoio – Profª Rossana – Análise Textual
COERÊNCIA TEXTUAL
Produzimos textos porque pretendemos informar, divertir, explicar, convencer, discordar, ordenar, etc., ou seja, o texto é uma unidade de significado produzida sempre com uma determinada intenção. Assim como a frase não é uma simples sucessão de palavras, o texto tambem não é uma simples sucessão de frases, mas um todo organizado capaz de estabelecer contato com nossos interlocutores, infuindo sobre eles. Quando isso ocorre, temos um texto em que há coerência.
A coerência é resultante da não-contradição entre os diversos segmentos textuais que devem estar encadeados logicamente. Cada segmento textual é pressuposto do segmento seguinte, que por sua vez será pressuposto para o(s) que lhe suceder(em), formando assim uma cadeia em que todos eles estejam concatenados harmonicamente. Quando há quebra nessa concatenação, ou quando um segmento textual está em contradição com um anterior, perde-se a coerência textual.
A coerência é tambem resultante da adequação do que se diz ao contexto extraverbal, ou seja, àquilo a que o texto faz referência, que precisa ser conhecido pelo receptor.
Ao ler uma frase como “No verão passado, quando estivemos na capital do Ceará, Fortaleza, não pudemos aproveitar a praia, pois o frio era tanto que chegou a nevar”, percebemos que ela é incoerente em decorrência da incompatibilidade entre um conhecimento prévio que temos da realidade com o que se relata. Sabemos que, considerada uma realidade “normal”, em Fortaleza não neva (ainda mais no verão!).
Claro que, inserido numa narrativa ficcional fantástica, o exemplo acima poderia fazer sentido, dando coerência ao texto – nesse caso, o contexto seria a “anormalidade” e prevaleceria a coerência interna da narrativa.
No caso de apresentar uma inadequação entre o que informa e a realidade “normal” pré-conhecida, para guardar a coerência o texto deve apresentar elementos linguísticos instruindo o receptor acerca dessa anormalidade.
Uma afirmação como “Foi um verdadeiro milagre! O menino caiu do décimo andar e não sofreu nenhum arranhão.” É coerente, na medida em que a frase inicial (“Foi um verdadeiro milagre!) instrui o leitor para a anormalidade do fato narrado.
COERÊNCIA E COESÃO
A coesão textual é elemento facilitador para a compreensão do texto, mas é a coerência que lhe dá sentido. Podemos ter textos desprovidos de elementos de coesão, mas coerentes, bem como textos que apresentam mecanismos de coesão, mas que não são coerentes.
COERÊNCIA DISSERTATIVA
Na dissertação apresentamos argumentos, dados, opiniões, exemplos, a fim de defender uma determinada ideia ou questionar determinado assunto.
Se, por exemplo, numa dissertação, expusermos argumentos, dermos exemplos e dados contrários à privatização de empresas estatais, não poderemos apresentar como conclusão que a Petrobras deva ser imediatamente privatizada, pois tal conclusão estaria em contradição com os pressupostos apresentados, tornando o texto incoerente.
Nas dissertações, a coerência é decorrente não só da adequação da conclusão ao que foi anteriormente apresentado, mas da própria concatenação das ideias apresentadas na argumentação.
Na produção de textos dissertativos, muitas vezes discutimos assuntos polêmicos sobre os quais não há consenso. Em dissertações que discutem temas como a pena de morte e a legalização do aborto, estão presentes convicções de natureza ética e religiosa que variam de indivíduo para indivíduo. Portanto, qualquer que seja a tese que defendamos, sempre haverá pessoas que discordarão dela. O que importa em um texto dissertativo não é a tese em si, pois como vimos, as pessoas têm – felizmente – opinões diferentes sobre um mesmo tema, mas a coerência textual, ou seja, a argumentação deve estar em conformidade com a tese e a conclusão deve ser uma decorrência lógica da argumentação.
COERÊNCIA NARRATIVA
Nas narrações atribuímos ações a personagens. Essas ações se sucedem temporalmente, isto é, uma ação posterior pressupõe uma ação anterior com a qual não pode estar em contradição, sob pena de tornar a narração inverossímil.
Se, num primeiro momento, afirmamos que um determinado personagem, ao sair para fazer compras, deixou em casa o único talão de cheques que tinha, não podemos, em seguida, dizer que ele pagou as compras que fez com um cheque.
Nas narrações, as incoerências podem tambem ser decorrentes da caracterização do personagem com relação às ações atribuídas a ele. Se um determinado personagem é, no início da narração, caracterizado como uma pessoa que não suporta animais, não podemos dizer em seguida, sem apresentar uma justificativa convincente, que ele criava em casa cachorros e passarinhos. A ação “criar cachorros e passarinhos” está em contradição com o pressuposto apresentado de que “ele não suporta animais”.
COERÊNCIA DESCRITIVA
Nas descrições apresentamos um retrato verbal de pessoas, coisas ou ambientes, enfatizando elementos que os caracterizam. Ao tratar da descrição de um funeral, recorremos a figuras como “roupas negras”, “pessoas tristes”, “coroas de flores”, “orações”, etc. Nesse caso, as figuras utilizadas são coerentes com a cena que está sendo descrita.
Se descrevemos um dia ensolarado de verão, não podemos afirmar que as pessoas andam pelas ruas protegidas por pesados casacos, pois essa descrição seria incoerente, já que a figura “pesados casacos” está em contradição com o pressuposto “dia ensolarado de verão”.
Aula 5 – Material de Apoio – Profª Rossana – Análise Textual
OS GÊNEROS
Podemos afirmar que todo texto se estrutura a partir de características gerais de um determinado gênero (texto narrativo, descritivo,