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CCJ0009-WL-PA-28-T e P Narrativa Jurídica-Antigo-15863

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que seguem, redija um relatório para cada caso concreto. 
  
Caso concreto 1 
Onde: Rodovia Presidente Dutra, na altura do Município de Nova Iguaçu. 
Quem aƟvo: Josias Albuquerque Rodrigues, 38 anos, casado, camelô. 
Quem passivo: Márcia CrisƟne de Albuquerque Rodrigues, 32 anos, casada, auxiliar de escritório. 
Quando: mais ou menos às 8h do dia 09/11/2008 
Fato: cárcere privado, ameaça e lesões corporais 
  
Como (numerar a ordem cronológica): 
(      ) Mais ou menos às 2h da manhã, em 09/09/2006, Josias chega à casa de Márcia, como quem não quer nada e agride a mulher na frente das crianças. Ela vai à 
delegacia e ele passa a ameaçá-la, para “retirar a queixa”, ainda que isso de nada adiante – Lei Maria da Penha. 
(     ) Ele entra no ônibus e toca o terror; gente chorando, se jogando no chão, mas o motorista que não é bobo sai correndo. 
(     ) Por fim, os agentes do Bope vencem Josias pelo cansaço e ele se entrega. 
(     ) A nossa eficiente polícia chega na hora H, mas o doido pára um ônibus na via Dutra e entra com a Márcia – o revólver tá na cabeça dela. 
(     ) Essa maluquice dura 10 horas e pára o trânsito na Via Dutra; as redes de televisão colocam essa novela no ar. 
(     ) Márcia não suporta mais as crises de ciúmes de Josias e se separa dele, em agosto de 2006. Foram 10 anos de suplício com aquele neuróƟco. O doido, maluco 
com a separação, começa a azucrinar a vida da mulher e de seus 3 filhos. Ele tá com a idéia fixa de que é corno. 
(    ) Durante as 10h que ele passa no ônibus, não pára de agredir a mulher, puxa o cabelo dela e a xinga muito. Consumiu grande quanƟdade de entorpecente. 
Consequência: Josias é levado para o 352º DP acusado de porte ilegal de arma, ameaça, cárcere privado e lesões corporais. 
  
Depoimentos: 
1) Gilson Luís Mota Reis, 43 anos, vizinho: 
– Cansei de separar briga dos dois, ela apanhava quase todo dia.  Eu Ɵnha pena era das crianças. 
  
2) Jorge Bertrand Rodrigues, passageiro do 499: 
– Assim que entrou no ônibus ele disse que não ía maltratar ninguém; o negócio dele era com a mulher. Pô, mas ficou todo mundo com medo, geral começou a 
correr pra traseira do ônibus. 
  
Caso concreto 2 
André Ramalho de Lima está, há dois meses, preso, acusado de matar o enteado, no dia 16 de julho de 2007. André está senƟndo na pele os riscos da prisão 
preventiva: “cumpre pena ” antes de ser julgado e pode estar pagando por um crime que não cometeu. 
O Defensor Público Walter Corrêa afirma que André é víƟma de denúncia inepta do Ministério Público. Garante ainda que ele foi prejudicado por 
invesƟgação mal feita e por falhas da perícia técnica. Acusado de ter matado o filho de sua companheira, de dois anos, foi preso e sofreu maus-tratos na prisão. É 
réu primário, tem carteira assinada e residência fixa, mas para ele não valeu a presunção de inocência. 
Consta da denúncia que André matou o garoto porque era inimigo do pai biológico da criança. Nenhuma testemunha confirmou a versão. Muito pelo 
contrário: o pai biológico era um dos melhores amigos de André. 
A criança Ɵnha problemas sérios de saúde (anemia profunda e crises convulsivas) e, de acordo com a mãe, passava mais tempo no hospital do que em casa. 
Por causa da anemia, era obrigada a tomar injeções para complementar a alimentação. Algumas causavam alergia, caracterizada por manchas pelo corpo. 
No dia da morte, a criança, que Ɵnha acabado de sair de uma internação, começou a passar mal. O padrasto, num ato de desespero, fez massagens cardíacas 
no bebê e respiração boca-a-boca. 
Para o MP, a intenção de André, ao fazer a respiração boca -a-boca, era impedir que a criança de dois anos o apontasse como autor do homicídio. Na 
necropsia, o médico legal concluiu que as manchas espalhadas pelo corpo do bebê eram marcas de espancamento. 
No depoimento, André disse que foi ameaçado pelos policiais do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) para confessar o crime.  
O Defensor apontou a arbitrariedade da prisão de André, alegando a presunção de inocência, que deve incidir mesmo quando o réu confessa o crime, 
porque não se sabe em quais condições o acusado o fez e que o Supremo Tribunal Federal tem entendimento firmado de que só cabe prisão quando a sentença 
condenatória já transitou em julgado, ou seja, quando não restarem mais dúvidas de que o réu é culpado pelo crime[1]. 
André estuda entrar com ação de indenização por danos morais e materiais pelo tempo em que ele ficou preso. 
(Adaptação de caso concreto relatado na Revista Consultor Jurídico)[2] 
  
 
[1] Existem opiniões divergentes sobre essa questão. Sugerimos que leia um pouco sobre os requisitos da prisão preventiva. 
[2] INTERDISCIPLINARIDADE: dando conƟnuidade à proposta de estudo interdisciplinar, sugerimos que você recorra aos conteúdos indicados para a melhor solução do exercício 
apresentado. 
Direito Penal: princípio da presunção da inocência, Ɵpicidade, nexo causal, medidas de segurança. 
Plano de Aula: 14 - Teoria e Prática da Narrativa Jurídica 
TEORIA E PRÁTICA DA NARRATIVA JURÍDICA
Estácio de Sá Página 2 / 2

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