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São Luís – MA, 23 a 26 de agosto 2005 
 
1
SERVIÇO SOCIAL, QUESTÃO SOCIAL E GLOBALIZAÇÃO: 
aportes para o debate1 
 
Simone de Jesus Guimarães* 
 
RESUMO 
 
A matéria prima da profissão de Serviço Social no Brasil é a questão social. 
Compreender a questão social hoje, num mundo globalizado e as exigências 
colocadas à profissão em seus processos de enfrentamento da mesma é o 
objetivo deste trabalho, que procurará mostrar a profissão considerando cinco 
posturas radicais do profissional: a democrática, a ética, a política, a relativa à 
cidadania e à competência teórica e técnica. 
 
Palavras-Chave: Serviço Social; questão social; globalização 
 
 
ABSTRACT 
 
The Social Work professions’s raw material in Brazil is the social question. 
Compremend the social question nowadays, in a globalized world, and the 
requirements put forward to the profession in its facing up processes is theaim 
of this work, which tries to show the profession, considering five radical 
postures of the professional: the democratical, the ethical, the political and the 
ones related to citzenship and theoretical and technical competence. 
 
Keywords: 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
O Serviço Social no Brasil se insere, desde 1930, como uma especialização da 
questão social. Como tal, a profissão, interna e externamente, sofre as influências das 
mutações da mesma, enquanto expressão constituída e constituinte dos processos de 
alienação, antagonismo, desigualdade, discriminação e injustiça social presentes nos modos 
de ser e aparecer do capitalismo na sociedade brasileira. Nesse processo internaliza valores 
e concepções de mundo, produz e intercambia conhecimentos e práticas, resiste e/ou se 
molda às velhas ou novas formas de enfrentamento da questão social pelo Estado, pelas 
classes sociais e pelo conjunto da sociedade. 
Nos primórdios da profissão a questão social era vista e tratada como questão 
moral, religiosa, inerente à natureza desajustada e/ou patológica dos indivíduos e grupos 
sociais com os quais mantinha relações profissionais. A partir do Movimento de 
Reconceituação e, sobretudo, pós 1980, a questão social passa a ser considerada como 
 
1 As idéias centrais contidas neste trabalho são objetos de preocupação e estudos da autora nos últimos anos, 
como membro do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Serviço Social e Questão Social da Universidade Federal 
do Piauí e, muitas dessas idéias, têm sido explicitadas em encontros de Assistentes Sociais no Piauí. 
* Doutora em Serviço Social 
 
São Luís – MA, 23 a 26 de agosto 2005 
 
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expressão dos antagonismos e desigualdades da sociedade capitalista brasileira, portanto, 
sendo vista como “questão política” inerente às condições de vida indignas e desumanas da 
maioria da população e expressão dos movimentos persistentes desta em resistir, tornar-se 
cidadã em plenitude e dar novos rumos a essa sociedade. 
A questão social hoje, mais do que nunca, é complexa, adquire dimensões 
amplas e profundas. Adentra-se a um novo milênio com incertezas, crises e de dilemas de 
toda ordem e natureza. Um milênio com progressos imensuráveis, mas também misérias 
incomensuráveis e violências diversas em todos os cantos e lugares. Vivencia-se a era da 
globalização dos países, das regiões, da idéias, dos costumes, dos povos. Como o Serviço 
Social vê e enfrenta a questão social, matéria prima principal da atuação profissional dos 
Assistentes Sociais em seus processos de inserção no país? O objetivo deste trabalho é 
delinear alguns pontos importantes da relação do Serviço Social com a questão social hoje. 
 
2 QUESTÃO SOCIAL NUM MUNDO GLOBALIZADO 
 
A globalização do mundo segundo Ianni (1992, p. 11) “expressa um novo ciclo 
de expansão do capitalismo, como modo de produção e processo civilizatório de alcance 
mundial”. Envolve nações, nacionalidades, regimes políticos, projetos nacionais, indivíduos, 
grupos, classes sociais, economias, sociedades, culturas e civilizações. 
Nesse processo o capitalismo globaliza não só a produção, a distribuição, a 
troca e o consumo, mas também as coisas, gentes, idéias, cultura, o Estado, as instituições, 
desterritorializando-os e/ou reterritorializando-os conforme seus objetivos e estratégias 
fundamentais. Como parte desse contexto, a questão social mundializa-se, passa a ter 
novos significados e características, ganha dimensões globais expressas, por exemplo, no 
aumento do desemprego em todo o mundo, nos crescentes processos migratórios 
envolvendo diferentes países e na assunção, cada vez maior, de processos de trabalho 
flexíveis, precários e sem garantia de proteção social. 
No horizonte da globalização encontram-se as propostas neoliberais, 
promovidas ou sustentadas por governantes de países capitalistas desenvolvidos ou não. 
Suas propostas e estratégias de reordenamento do capitalismo, sustentadas no 
“endeusamento do mercado” e na “quebra da condição salarial” dos trabalhadores, 
conquistada, em especial, até a metade do século XX, visam dar novos fundamentos a esse 
modo de produção face às crises do capitalismo e ao novo reordenamento geopolítico, 
econômico e cultural dos países pós Guerra Fria. 
 
 
 
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O “novo Mercado” capitalista globalizado, associado às inovações tecnológicas 
em curso, passa a gerenciar, controlar e a gerir as relações sociais de produção entre os 
indivíduos, grupos, classes, nações, mas também os costumes, os sonhos, as esperanças e 
as expectativas de homens, mulheres e crianças em seus múltiplos cotidianos. Invade, 
enfim, a vida em sua totalidade, transformando o mundo numa “imensa fábrica global”. 
Esse mercado encontra suporte no “Estado Mínimo”, novo papel dedicado ao 
Estado pós-crise do “Estado de Bem-Estar Social” a partir dos meados da década de 70, 
que, de indutor de crescimento econômico e impulsionador do bem-estar social das 
populações e dos trabalhadores, passa a ser considerado o “grande vilão” e responsável 
pelas crises do capitalismo. É nesse contexto que emerge o “Estado mínimo” ou “Estado 
máximo” para o capital no dizer de Paulo Netto (1993, p. 81), voltado para “erradicar 
mecanismos reguladores que contenham qualquer componente democrático de controle do 
movimento do capital” e, ao mesmo tempo, gerindo o social na ótica dos ajustes neoliberais 
de diminuição dos gastos sociais e da desregulamentação, diminuição ou do aniquilamento 
dos direitos sociais historicamente conquistados. No caso do Brasil, estudiosos tem 
afirmado que o “Estado de Bem-Estar Social”, em conformidade a outros países, não se 
concretizou, afirmando alguns que, nesse país, historicamente, o que predominou, foi um 
“Estado de Mal-Estar Social”, sendo um importante instrumento dos interesses 
conservadores e elitistas da sociedade. Nesse quadro de análises, os direitos sociais 
conquistados pela Constituição Brasileira de 1988 apresentam-se hoje mais distantes de 
suas efetivações práticas na vida de milhares de homens, mulheres, trabalhadores, pobres e 
miseráveis, já que esses direitos tornam-se obstáculos às exigências da globalização, do 
neoliberalismo e dos novos processos produtivos do “modo de ser capitalista”. 
Parte dessa realidade são as novas formas de organização da produção e do 
trabalho baseadas na flexibilização e na precarização, em associação a outras formas de 
organização, com conseqüências graves para a grande maioria da população, sintetizadas 
no desemprego estrutural e em massa; em regimes e contratos de trabalho flexíveis, 
temporários, parciais; na precariedade das condições e relações de trabalho; na 
desregulamentação e ausência de direitos; na “quebra” da força dos sindicatos entre outras. 
Os processos de exclusão social, política, econômica,cultural, étnica, religiosa, 
etc., são faces dessa nova realidade. A “nova pobreza”, inserida nesses processos de 
exclusão, coloca os indivíduos e grupos sociais destituídos de cidadania, dignidade, 
esperança e vida melhor. Pobreza essa que não é residual, intemporal ou conjuntural, mas 
que expressa situações e estados de degradação e dissociação social e humana profundas. 
O excluído torna-se assim um “desfiliado” (CASTEL, 1997) dos processos de trabalho e de 
proteção social e, como tal, “sem lugar na sociedade”, considerando-se, muitas vezes, um 
“normal inútil” (DONZELOT, apud CASTEL, 1997, p.29), vivendo o dia-a-dia, o aleatório, 
 
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engajando-se em relações sociais de produção e trabalho temporários e de extrema 
precarização dos direitos e da vida. 
As mudanças que ocorrem no mundo e no Brasil afetam, direta ou indiretamente, 
a vida do brasileiro em geral, mas são os desempregados, os pobres, os trabalhadores, os 
destituídos de saúde, de moradia e “todos os que se encontram fora dos circuitos vivos das 
trocas sociais” (CASTEL, 1997, p.20), enfim, destituídos de riqueza, de poder e cidadania os 
mais atingidos. Nesse contexto, boa parte da sociedade sente-se apática, desesperançada 
e sem capacidade de maiores resistências e lutas para além do cotidiano e da sobrevivência 
material. Mas outros lutam e resistem diuturnamente por mudanças substantivas na 
sociedade, no Estado e nas relações entre sociedade, Estado, mercado e classes sociais, 
que apontem novos modos e caminhos de constituição e desenvolvimento da sociedade 
brasileira. 
Esse é o quadro geral da questão social no Brasil de hoje, globalizado, inserido 
em contextos e problemáticas econômicas, políticas, culturais e sociais de dimensões, 
internas e externas, ao mesmo tempo locais e globais, regionais e intercontinentais, de 
raízes seculares e contemporâneas, de questões não resolvidas ou resolvidas em benefício 
de minorias privilegiadas. Um país em que concentração de terra, de riqueza e de bens, nas 
mãos de poucos, associam-se às práticas históricas de clientelismo, de favor e outras 
práticas autoritárias e conservadoras ao lado de outras mais modernas, sintonizadas ao 
mundo globalizado e de revolução tecnológica sem precedentes, conferindo a esse país um 
grau de desigualdade e injustiça desumanas, pois, como afirma Ianni (1992, p.92), “vista 
assim, em perspectiva ampla, a sociedade em movimento apresenta-se como uma vasta 
fábrica de desigualdades e antagonismos que constituem a questão social”. 
 
3 DESAFIOS À PROFISSÃO DE SERVIÇO SOCIAL 
 
A questão social é a principal base material instituinte e instituída das práticas 
profissionais do Assistente Social. Historicamente o profissional é requisitado a 
compreender e dar resposta às problemáticas, situações, necessidades e demandas postas 
e repostas pela questão social. 
Em seus primórdios e até 1950, a profissão de Serviço Social inseria-se na 
sociedade, basicamente, a partir do tripé; Igreja, sociedade e Estado. Nesse contexto, a 
questão social era vista como “questão moral”, religiosa ou sob o prisma das classes 
dominantes do período interessada em ajustar e trabalhador e sua família aos processos de 
industrialização e urbanização em curso, numa visão dos problemas sociais como “questão 
 
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política” pública, a ser considerada nos quadros da manutenção da ordem, da paz e da 
justiça imperantes. 
A partir da década de 60, especialmente, outras possibilidades se vislumbram 
para o Serviço Social em seus processos de inserção na realidade social. Com o Movimento 
de Reconceituação e as mudanças que ocorrem no mundo, a profissão se abre para novos 
horizontes e modos de conceber e atuar sobre a questão social. A partir desse período os 
Assistentes Sociais buscam alianças e compromissos com as classes oprimidas, 
subalternizadas e destituídas de riqueza, poder e condições de vida digna. É desde então 
que a questão social passa a ser compreendida no quadro dos processos de dominação e 
alienação da sociedade capitalista brasileira 
Nas últimas décadas, sobretudo pós conjuntura dos finais da década de 80 e no 
quadro de um capitalismo globalizado, de revolução tecnológica, de propostas neoliberais 
em curso e mudanças no mundo do trabalho, analisadas atrás, em que a questão social 
mundializa-se, adquire novos contornos e significados locais, nacionais e mundiais, cresce a 
exigência ética, técnica e política dos profissionais lutarem e se posicionarem na direção de 
compreender a complexidade da questão social tanto em seus aspectos mais globais 
quanto em seus aspectos mais específicos dos cotidianos profissionais. Compreender e 
atuar sobre a questão social na ótica dos movimentos que almejam cidadania, direitos, 
justiça, democracia amplos em direção a novos modos de viver e conceber o Estado, a 
sociedade, as relações entre os grupos e classes sociais é uma exigência que se impõe. 
Os caminhos e rumos adotados na busca desses propósitos são múltiplos e 
variados. Parte dos profissionais, implícita ou explicitamente, consciente ou 
inconscientemente, não consegue ultrapassar uma visão estreita e estrita da questão social 
no país e em seus cotidianos profissionais, voltando suas práticas, no geral, por caminhos e 
rumos burocráticos, rotineiros, que não ultrapassam o status quo da sociedade, do Estado, 
dos campos e áreas de atuação, enfim, dos modos históricos e predominantes de conceber 
a questão social: como caso de polícia, de política, de repressão, de assistência (enquanto 
assistencialismo e não direito), de cidadania regulada e tutelada. 
Mas outros Assistentes Sociais, no limite dos vários campos e áreas de atuação 
profissional, procuram estar consoantes às exigências propaladas durante a formação e 
pelo Código de Ética, comprometendo-se com a necessidade de contribuir para a instituição 
de uma nova sociedade, constituída de fraternidade, igualdade e justiça social para todos. 
Nesse processo os limites são muitos, Os desafios são constantes. Para tanto, necessário 
se faz que o Assistente Social seja cada vez mais ousado, tenha coragem de resistir e 
vencer os desafios, seja portador de esperanças e sonhos, tenha coragem de lutar contra os 
imobilismos reinantes nas várias esferas da sociedade, seja integrado e participante de 
novas formas de sociabilidade e de práticas sociais. 
 
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Enquanto expressão das desigualdades e antagonismos sociais, a questão 
social envolve interesses conflitantes, movimentos, resistências e rebeldias. É na “tensão 
entre produção da desigualdade e produção da resistência e rebeldia que trabalham os 
assistentes sociais” (IAMAMOTO, 1988, p.28). O que a sociedade espera e exige da 
profissão e do profissional (o que não é exclusividade dessa profissão) é: ousadia. Como diz 
Iamamoto (1998), mais do que uma profissão interventiva, executiva, o Serviço Social tem 
que ser propositivo. Isso significa dizer, entre outras coisas, que tratar a questão social hoje 
exige que o profissional compreenda as múltiplas faces e expressões dessa realidade, que 
tenha capacidade de conhecer, investigar, antecipar, propor e executar alternativas de 
enfrentamento dessa questão na ótica dos interesses da coletividade, da maioria das 
populações pobres, oprimidas, excluídas e discriminadas. 
Sendo um profissional que mantém relações sociais e contratuais históricas 
entre Estado e sociedade civil, cabe ao Assistente Social um papel fundamental ao formular, 
implementar, executar, gerir e avaliar Políticas Sociais voltadas para a cidadania, ao 
combate à exclusão e à miséria, e à eliminação de processos e movimentos de 
discriminação, preconceito, alienação e injustiças sociais. O Assistente Social pode 
contribuir para que os serviços sociais, sob sua responsabilidade direta ou indireta,sejam de 
fato direitos sociais, que devem ser descentralizados, desburocratizados, transparentes, 
democratizados, universalizados, com qualidade e controle social da sociedade, portanto de 
natureza pública (seja estatal ou não estatal), voltados para os interesses reais da maioria 
população. Nesse contexto, a exigência dos novos tempos à profissão de Serviço Social é 
que ela seja de fato pública, ou seja, que esteja a serviço da maioria da população, agindo 
com transparência, democracia, na perspectiva da cidadania e da justiça de fato e de direito. 
Por fim, o Serviço Social na contemporaneidade, frente aos novos desafios da 
questão social e dos problemas sociais, requer, no nosso entendimento, conduzir a 
profissão a partir, pelo menos, de cinco radicalidades, a saber: democrática; ética; política; 
de cidadania; de competência teórica e técnica. 
A radicalidade democrática deve ser entendida na perspectiva de que a 
profissão lute pela ampliação da democracia como valor estratégico, instrumental, 
constituinte e constitutiva de todas as relações existentes na sociedade, no Estado, na 
política, na cultura, na família, entre os indivíduos, grupos e classes sociais. Que a prática 
profissional seja democrática, contribua com o processo de democratização das instituições, 
das políticas públicas, que seja transparente, aberta, plural, pública e com controle popular. 
A radicalidade ética é uma exigência permanente. Enquanto expressão do 
dever-ser de uma sociedade, a ética indaga e toma partido sobre os rumos e sobre os 
dilemas de uma dada realidade, dadas relações e projetos existentes numa sociedade. A 
ética não deve ser entendida como um código de castração (OLIVEIRA, 1998, p. 29), mas 
 
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como “parte da própria condição humana, do fato de que o ser humano não é um ser pronto 
em sua vida”, de que está sempre em busca de si mesmo e da “humanização da vida 
humana”. Assim sendo, a ética diz respeito à busca radical da realização do homem como 
ser ontocriativo, capaz de criar o seu próprio ser tanto na dimensão individual quanto 
coletiva. 
Nesse contexto o Código de Ética do Assistente Social deve ser entendido não 
como mero instrumento normalizador da profissão e dos profissionais na sociedade, mas 
como instrumento que conduz a profissão nos caminhos da justiça social, da equidade, da 
democracia e contra todas as formas de exclusão, exploração, dominação e alienação. 
A radicalidade política, significa entender que o ser humano é um “animal” social 
e político. A política enquanto dimensão constitutiva do ser humano perpassa a vida, a 
sociedade, as relações homem-homem, homem-natureza, homem-sociedade. Perpassa, 
portanto, as profissões, os profissionais. O cotidiano profissional é político. Os processos de 
pensar e agir da profissão são também políticos. As relações sociais estabelecidas pelo 
profissional com indivíduos, grupos e classes sociais são políticas. Dimensionar essa 
política no horizonte dos interesses maiores da população é uma questão que se coloca 
para a profissão. 
A radicalidade da cidadania é parte constituinte e constitutiva do projeto ético 
político do profissional na contemporaneidade. Considerada sob esse ponto de vista a 
defesa da cidadania deve ser encarada como valor estratégico e instrumental fundamental 
da profissão de Serviço Social. Nesses termos a cidadania está referida a direitos, a 
deveres, à democracia, à representação, à conquista, à luta, a conflito, à participação 
política e ativa da população definindo os rumos principais do país. 
Um último ponto refere-se à radicalidade da competência teórica e técnica. Cada 
vez mais se exige do profissional competência teórica e técnica para conhecer, decifrar, 
analisar, propor, planejar, intervir, executar, avaliar, assessorar e exercer múltiplas 
atividades no sentido de contribuir com propostas capazes de preservar e efetivar direitos e 
transformar o mundo cotidiano em novas possibilidades. “Enfim, ser um profissional 
propositivo e não só executivo” (IAMAMOTO, 1998, p. 20). 
Para atender às novas exigências da realidade atual, o profissional deve romper 
com o burocratismo das suas atividades profissionais e ir além das rotinas institucionais que 
impedem o pleno exercício profissional na perspectiva da justiça, da cidadania, do direito e 
da luta contra todas as formas de opressão, injustiça e discriminação. Apreender o 
movimento do real em suas contradições, possibilidades e limites para daí formular e 
executar propostas, projetos e práticas é um desafio que se impõe ao profissional. 
 
 
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4 CONCLUSÃO 
 
Em suma, pode-se concluir que um dos novos compromissos do profissional de 
Serviço Social na contemporaneidade, é ser vigilante implacável da cidadania, da equidade, 
da justiça e da democracia amplos como forma de combate à miséria, a pobreza, as 
desigualdades, as injustiças, os preconceitos e as discriminações reinantes, que se 
expressam na questão social e afligem a população brasileira, mas, particularmente, 
aqueles com os quais o Assistente Social convive profissionalmente. É ser um profissional, 
trabalhador e cidadão que luta e aspira por mudanças substanciais para o país. 
 
REFERÊNCIAS 
 
ANTUNES, Ricardo. O desenho multifacetado do trabalho hoje e sua nova morfologia. 
Serviço Social e Sociedade. São Paulo: Cortez, 2002, n. 69. 
 
BENEVIDES, Maria Victória de Mesquita. Cidadania e democracia. Lua Nova. São Paulo, 
CEDEC, n. 33, 1994. 
 
CASTEL, Robert. As armadilhas da exclusão social. BOGUS, Lúcia. (Org.). Desigualdade e 
questão social. São Paulo: EDUC, 1997. 
 
IAMAMOTO, Marilda. O Serviço Social na contemporaneidade. São Paulo: Cortez, 1998. 
 
_____. Projeto profissional, espaços ocupacionais e trabalho do Assistente Social na 
atualidade. Brasília: CFESS, fevereiro de 2002. 
 
IANNI, Octávio. A idéia de Brasil moderno. São Paulo: Brasiliense, 1992. 
PAULO NETTO, José. Crise do socialismo e ofensiva neoliberal. São Paulo: Cortez, 
1993. 
 
OLIVEIRA, Manfredo Araújo de. Os desafios éticos e políticos da sociedade brasileira. 
Serviço Social e Sociedade. São Paulo: Cortez, n. 58,1988. 
 
VIEIRA, Evaldo. O Estado e a sociedade civil perante o ECA e A LOAS. Serviço Social e 
Sociedade. São Paulo, Cortez, n. 56, 1998.

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