A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
86 pág.
aula 4

Pré-visualização | Página 1 de 9

DESCRIÇÃO
Estudo da programação orçamentária e financeira.
PROPÓSITO
Compreender o conceito e a importância dos ingressos e dispêndios públicos no contexto das
Finanças Públicas.
PREPARAÇÃO
Antes de iniciar o estudo deste conteúdo, tenha em mãos a Lei nº 4.320/64 e o Manual de
Contabilidade Aplicado ao Setor Público (MCASP – 8ª edição – 2019), visando acompanhar os
dispositivos mencionados nas referidas normas.
OBJETIVOS
MÓDULO 1
Descrever os ingressos públicos
MÓDULO 2
Descrever os dispêndios públicos
MÓDULO 3
Descrever as especificidades do orçamento público
INTRODUÇÃO
No estudo das Finanças Públicas, é importante ter conhecimento dos ingressos e dispêndios públicos,
com foco em suas especificidades. Além disso, é importante acompanhar a gestão dos recursos e
observar onde são empregados, tendo em vista a implantação das políticas públicas.
MÓDULO 1
 Descrever os ingressos públicos
RECEITAS ORÇAMENTÁRIAS
De acordo com o Manual de Contabilidade Aplicado ao Setor Público (MCASP):

O ORÇAMENTO É UM IMPORTANTE INSTRUMENTO DE
PLANEJAMENTO DE QUALQUER ENTIDADE, SEJA
PÚBLICA OU PRIVADA, E REPRESENTA O FLUXO
PREVISTO DE INGRESSOS E DE APLICAÇÕES DE
RECURSOS EM DETERMINADO PERÍODO.
(2018 p. 30)
Nesse sentido, tanto as receitas orçamentárias previstas (ingressos) quanto as despesas
orçamentárias fixadas (dispêndios) estarão contidas na lei orçamentária (LOA).
O Estado necessita de recursos para fazer face às despesas com educação, saúde, transporte,
habitação, segurança etc. Esses recursos ingressam nos cofres públicos por meio das receitas
arrecadadas pelo ente.
Importante observação também é feita quanto à natureza dos ingressos de recursos nos cofres
públicos, que podem ser orçamentários ou extraorçamentários:
“Em sentido amplo, os ingressos de recursos financeiros nos cofres do Estado denominam-se receitas
públicas, registradas como receitas orçamentárias, quando representam disponibilidades de recursos
financeiros para o erário, ou ingressos extraorçamentários, quando representam apenas entradas
compensatórias. Em sentido estrito, chamam-se públicas apenas as receitas orçamentárias” (MCASP,
2018, p. 31).
O referido manual adota a definição de receita no sentido estrito. Dessa maneira, a citação ao termo
“receita pública” refere-se às “receitas orçamentárias”.
O MCASP define ingressos extraorçamentários como recursos financeiros de caráter temporário ou
transitório, do qual o Estado é um simples agente depositário. Sua devolução não se sujeita à
autorização legislativa. Em outras palavras, independe de lei para ser realizada. Logo, não integram a
Lei Orçamentária Anual (LOA). Os ingressos extraorçamentários, em geral, não têm reflexos no
Patrimônio Líquido da Entidade, pois são constituídos por ativos e passivos exigíveis .
 EXEMPLO
Casos de ingressos extraorçamentários: os depósitos em caução, as fianças, as operações de crédito
por antecipação de receita orçamentária (ARO), as consignações, os salários não reclamados, a
emissão de moeda e outras entradas compensatórias no ativo e no passivo financeiro. Também
podemos chamar os ingressos extraorçamentários de receitas extraorçamentárias.
Em relação às receitas orçamentárias, o MCASP define como sendo as disponibilidades de
recursos financeiros que ingressam durante o exercício e que aumentam o saldo financeiro da
instituição. Instrumento por meio do qual se viabiliza a execução das políticas públicas, as receitas
orçamentárias são fontes de recursos utilizados pelo Estado em programas e ações cuja finalidade
precípua é atender às necessidades públicas e às demandas da sociedade. Essas receitas pertencem
ao Estado, transitam pelo patrimônio do Poder Público e, via de regra, por força do Princípio
Orçamentário da Universalidade, estão previstas na Lei Orçamentária Anual – LOA.
DIFERENÇA ENTRE INGRESSOS E RECEITAS
ORÇAMENTÁRIAS
A Lei nº 4.320/64, em seu art. 3°, trata das receitas orçamentárias ao mencionar que a LOA
compreende todas as receitas, até mesmo as de operações de crédito autorizadas em lei. Inclusive,
esse dispositivo cumpre com o princípio orçamentário citado anteriormente, pois o ingresso com
empréstimos e financiamentos também é considerado receita orçamentária.

Já o parágrafo único, do art. 3°, Lei nº 4.320/64, expressa situações que são consideradas ingressos
ou receitas extraorçamentários, como, por exemplo, as operações de crédito por antecipação da
receita, as emissões de papel-moeda e outras entradas compensatórias, no ativo e passivo financeiro.
E nos casos em que recursos ingressam de forma transitória ou temporária?
Nos casos em que recursos ingressam de forma transitória ou temporária, quando o Estado é mero
depositário e deve devolvê-los posteriormente, tais recursos são classificados como ingressos ou
receitas extraorçamentários. Nessa situação, não podem ser utilizados nas despesas públicas
orçamentárias, pois não integram o patrimônio público, não se vinculando à execução do orçamento.
Afinal, não se trata de uma renda para o Estado.
Já as receitas orçamentárias são consideradas fonte de recursos para custear as despesas com
programas e ações públicas.
CLASSIFICAÇÃO DA RECEITA
ORÇAMENTÁRIA POR NATUREZA
A Lei nº 4.320/64, em seu art. 11º, estabeleceu que a receita orçamentária é classificada da
seguinte forma:
 
Imagem: Sergio Albuquerque Barata
 Classificação da receita orçamentária.
A Portaria Interministerial STN/SOF nº 163, de 4 de maio de 2001, tratou de atualizar essa
classificação da receita orçamentária, chamando de classificação quanto à natureza. Tal classificação
é obrigatória e padronizada para todos os entes da federação e visa identificar a origem do recurso
segundo o fato gerador, ou seja, o acontecimento real que ocasionou o ingresso da receita nos cofres
públicos. Dessa forma, a natureza de receita é a menor célula de informação no contexto
orçamentário para as receitas públicas, contendo todas as informações necessárias para as devidas
alocações orçamentárias. 
O MCASP acrescentou outras classificações. Desse modo, as receitas orçamentárias são
classificadas segundo os seguintes critérios:
Natureza
Fonte / Destinação de Recursos
Indicador de Resultado Primário
O foco do estudo será a classificação da despesa quanto à natureza.
CLASSIFICAÇÃO SEGUNDO A LEI Nº 4.320/1964
O art. 11 da Lei nº 4.320/64 define as receitas correntes e as receitas de capital, a saber:
Receitas correntes: São as receitas tributárias, de contribuições, patrimoniais, agropecuárias,
industriais, de serviços e outras e, ainda, as receitas provenientes de recursos financeiros recebidos
de outras pessoas de direito público ou privado, quando destinadas a atender despesas classificáveis
em despesas correntes.
 
Imagem: Shutterstock.com
 
Imagem: Shutterstock.com
Receitas de capital: São aquelas provenientes da realização de recursos financeiros oriundos de
constituição de dívidas; da conversão, em espécie, de bens e direitos; dos recursos recebidos de
outras pessoas de direito público ou privado, destinados a atender despesas classificáveis em
Despesas de Capital e abrange, ainda, o superavit do orçamento corrente.
No § 4º, a referida lei estabeleceu o seguinte esquema para classificação da receita:
Receitas correntes
Receita tributária (impostos, taxas e contribuições de melhoria), receita de contribuições, receita
patrimonial, receita agropecuária, receita industrial, receita de serviços, transferências correntes e
outras receitas correntes.
Receitas de capital
Operação de crédito, alienação de bens, amortização de empréstimos, transferências de capital e
outras receitas de capital.
Receitas correntes e receitas de capital.
CLASSIFICAÇÃO SEGUNDO O MCASP
O MCASP (2018, p. 34) apresenta a classificação da Lei nº 4.320/64, da seguinte forma:
Receitas correntes
As receitas orçamentárias correntes são arrecadadas dentro do exercício financeiro, aumentam as
disponibilidades financeiras do Estado