Prévia do material em texto
Gonococo Introdução O Gonococo consiste em um nome conhecido do coco gram-negativo Neisseria gonorrhoeae, agente etiológico da gonorreia, uma infecção com grande importância epidemiológica e clínica com um padrão de resistência a antimicrobianos de crescimento alarmante. Taxonomia: o gênero Neisseria, que possui as espécies de importância N. gonorrhoeae e N. meningitidis, fazem parte da família Neisseriaceae. Outras espécies desse gênero costumam ser saprófitas do trato respiratório. Morfologia e bioquímica: o N. gonorrhoeae consiste em diplococos gram-negativos (formato de grãos de café), de faces côncavas. São aeróbios ou anaeróbios facultativos, indofenoloxidase e catalase positivos (permitem o metabolismo aeróbio) e fermentam glicose. Não são capsulados (causam infecções localizadas), com frequência possuem plasmídeos, são comumente encontradas no citoplasma e produtoras de pequenas colônias e infectam somente o ser humano. Estruturas Antigênicas A estrutura antigênica dos gonococos é complexa, seus principais antígenos são: Fímbrias ou pili: estão relacionadas com o processo de adesão da bactéria às células, sendo imunogênicas. Proteínas I, II e III: são chamadas de proteínas Por, Opa e Rmp, respectivamente, e estão relacionadas à ligação do gonococo ao receptor de superfície celular. Lipooligossacarídeos: também chamados de LOS são mais uma das estruturas imunogênicas do gonococo. Outras: são encontradas proteínas como Lip, Fbp e IgA1 protease, essa última que é responsável pela clivagem de anticorpos da classe IgA1, facilitando sua sobrevivência nas mucosas. Manifestações Clínicas A principal manifestação clínica desse agente consiste na gonorréia ou blenorragia, que se caracteriza por uretrite purulenta (popularmente ‘’pinga pus’’ ou ‘’mela cueca’’). No homem, pelo compartilhamento entre a via genital e urinária, é mais comum que haja sintomas como a disúria, ao passo que na mulher, a separação das vias faz com que muitas sejam assintomáticas e, quando manifestem sintomas, surjam como vulvovaginites. Complicações: em homens, as principais complicações são a cistite, pielite, orquite (principal causa infecciosa de esterilidade), epididimite e prostatite. Nas mulheres, pode causar vaginite, cervicite, bartolinite e metrite (também é importante causa de esterilidade). Quando em outros sítios, pode causar proctite (infecção retal, associada a sexo anal receptivo), conjuntivite (chamada ophtalmia neonatorum, associada a parto vaginal da mãe contaminada, previnido pelo uso do colírio argirol), além de artrite gonocócica (síndrome de Reiter, associada a conjuntivite e uretrite), além de endocardite. Diagnóstico diferencial: a uretrite gonocócica cursa com disúria e piúria, sendo diferente de uretrites, causadas, por exemplo, por Chlamydia trachomatis, Mycoplasma spp., Mimeae, Trichomonas vaginalis, Candida sp., Herpesvirus 2 e outras, que são, em sua maioria, não-purulentas e com menor desconforto urinário. Diagnóstico Bacterioscopia: pode ser realizada facilmente coletando um espécime da secreção purulenta. Não é específico para Neisseria ghonorreae, porém o achado de diplococos gram-negativos pode auxiliar o diagnóstico. Cultura: geralmente se realiza a primocultura em Thayer-Martin incubada em atmosfera úmida e rica em CO2. Após a incubação, a bactéria é posta na cultura secundária em Ágar Muller-Hinton, em que pode-se realizar a identificação bioquímica através da fermentação de glicose pela bactéria. Tratamento Antigamente, a Penicilina G benzatina era o tratamento de escolha para o gonococo, mas hoje se verifica acentuada resistência. Outras opções incluem a tetraciclina e a claritromicina, além da eritromicina, lincomicina e clindamicina. Pode-se utilizar também o tianfenicol, além da ceftriaxona e o ciprofloxacino, que atualmente são as mais utilizadas nos serviços. Profilaxia Adoção de práticas de sexo seguro, redução do número de parceiros e tratamento de casos da doença. Gabriel Torres→ Uncisal→ Med52→ Gonococo