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Maria Fernanda Brandão – FPP TXIII – TUTORIAL 1 Febre e integração dos sistemas cardiovas- cular, renal e respiratório Regulação da temperatura corporal Faixas de normalidade da temperatura humana Temperatura corporal central: É a temperatura profunda Bem constante, variando em torno de 0,6ºC apenas Pode haver variação de 13 a 60ºC no ar seco e uma pessoa ainda conseguiria manter sua tem- peratura central quase constante Os valores normais variam com o local Entre 36,5 e 37ºC quando medida por via oral Aproximadamente 0,6ºC mais alta se medida por via retal Temperatura cutânea: eleva e diminui conforme o espaço ao redor Função do aumento da temperatura Produção de calor: produto final do metabolismo. Depende da Intensidade do metabolismo basal de todas as moléculas do corpo Intensidade extra do metabolismo causada pela atividade muscular (inclusive os calafrios) Metabolismo extra causado pela tiroxina e outros hormônios sobre as células Metabolismo extra causado pelo efeito da epinefrina, norepinefrina e pela estimulação simpática sobre as células Metabolismo extra causado pelo próprio aumento da atividade química das células, em especial, quando a temperatura da célula se eleva Metabolismo extra necessário para digestão, absorção e armazenagem de alimentos (efeito ter- mogênico dos alimentos) Perda de calor Grande parte do calor produzido pelo corpo é gerada nos órgãos profundos, especialmente no fígado, no cérebro e no coração, e nos músculos esqueléticos durante o exercício. A seguir, esse 2 calor é transferido dos órgãos e tecidos profundos para a pele, onde ele é perdido para o ar e para o meio ambiente Determinada Pela velocidade de condução do calor de onde ele é produzido, no centro do corpo até a pele Pela velocidade de transferência do calor entre a pele e o meio ambiente Sistema de isolamento do corpo A pele, os tecidos subcutâneos e o tecido adiposo atuam em conjunto como isolantes do corpo As bactérias e vírus gostam de viver em temperaturas ao redor dos 36-37ºC. É o ponto onde eles são mais ativos. O aumento da temperatura corporal tem como objetivo atrapalhar as funções básicas dos invasores e também estimular a função das nossas células de defesa, que passam a funcionar melhor nessas temperaturas. A febre também é um sinal de alerta que nos indica que algo de errado está acontecendo. Com a idade, perdemos progressivamente a capacidade de gerar calor, e muitos idosos apresentam infecções graves sem febre. A ausência de febre e seus sintomas fazem com que o doente demore mais tempo para procurar auxílio médico, o que favorece o desenvolvimento da sepse Tipos de transferência de calor Formas de ganho e perda de calor Radiação: em pessoa desnuda sentada dentro de sala com temperatura normal, aproximadamente 60% da perda total de calor se dão por radiação. Se dá na forma de raios de calor infra- vermelhos, tipo de onda eletromagné- tica O corpo humano irradia os raios de calor em todas as direções. Os raios de calor também são irradiados pelas pa- redes e por outros objetos na sala, na direção do corpo. Se a temperatura do corpo é maior do que a temperatura 3 do ambiente, maior quantidade de calor é irradiada pelo corpo do que a que é irradiada para o corpo Condução: somente diminutas quantidades de calor, aproximadamente 3% são perdidas pelo corpo por condução direta a partir da superfície corporal para objetos sólidos, como uma cadeira ou uma cama. A perda de calor pela condução para o ar, entretanto, representa proporção considerável da perda de calor do corpo (aproximadamente 15%), mesmo em condições normais. Convecção: o calor primeiro deve ser conduzido para o ar e depois, removido pela convecção das correntes de ar. Tendência de o ar adjacente à pele ascender quando aquecido. Roupas diminuem o fluxo das correntes de convecção do ar Evaporação: evaporação insensível pela pele e pelos pulmões, não pode ser controlada pelo propósito de regulação da temperatura, pois resulta de difusão contínua de moléculas de água, através da pele e das superfícies respiratórias. Entretanto, a perda de calor por evaporação de suor pode ser controlada pela regulação da intensidade da sudorese. Mecanismo necessário em temperaturas muito altas do ar: quando o ar está mais quente que o corpo, e o corpo recebe calor por condução e convecção Controle central da temperatura e onde está o termostato Zona termoneutra: metabolismo produz calor o suficiente para manter a temperatura corporal quando a temperatura média do ambiente varia entre 27,8 e 30°C Quando a produção ou perda de calor ultrapassa a zona termoneutra o corpo usa de mecanismos homeostáticos Controle central do hipotálamo: Termorreceptores: neurônios sensoriais alocados em partes periféricas como a pele, e centrais como o hipotálamo Monitoram a temperatura da pele e a temperatura do centro do corpo, respectivamente, e mandam esta informação para o centro termorregulador O “termostato” hipotalâmico compara a quantidade de sinais emitidos e a temperatura desejável de ajuste. Isso permite que o centro da temperatura coordene a resposta fisiológica de aumento ou baixa de temperatura central Perda de calor é promovida pela dilatação dos vasos sanguíneos na pele e pela sudorese. 4 Ganho de calor é gerado pela termogênese com tremor e, possivelmente, pela termogênese sem tremor. Situações fisiológicas que aumentam a temperatura corporal Mecanismo de alteração da temperatura Vasos periféricos: fluxo sanguíneo é responsável pela transferência de calor Especialmente importante é o plexo venoso contínuo, suprido pelo influxo de sangue dos ca- pilares da pele A condução de calor para a pele pelo sangue é controlada pelo grau de vasoconstrição das arteríolas e das anastomoses arteriovenosas que suprem sangue para os plexos venosos da pele. Essa vasoconstrição é controlada quase completamente pelo sistema nervoso simpático, em resposta às alterações da temperatura central do corpo e alterações da temperatura am- biente. 5 Sudorese Estimulação dá área pré-óptica-hipotalâmica anterior do cérebro provoca sudorese tanto ele- tricamente como por excesso de calor. Sinais transmitidos por vias autônomas para a medula espinhal e depois, pelo simpático para a pele em todas as partes do corpo Glândulas sudoríparas são inervadas por fibras nervosas colinérgicas (fibras que secretam ace- tilcolina, mas que cursam pelos nervos simpáticos junto com as fibras adrenérgicas) Essas glândulas também podem ser estimuladas em certo grau, pela epinefrina ou pela nore- pinefrina que circulam no sangue, mesmo que as glândulas propriamente ditas não tenham inervação adrenérgica. Isso é importante durante o exercício, quando esses hormônios são secretados pela medula adrenal e o corpo precisa perder quantidades excessivas do calor produzido pelos músculos em atividade Termogêneses Com tremor: o corpo usa o calafrio (tremor rítmico causado pela contração do músculo es- quelético) para gerar calor. Sinais do centro termorregulador hipotalâmico iniciam esses tre- mores do músculo esquelético. O tremor do músculo gera cinco ou seis vezes mais calor do que o músculo em repouso. O tremor pode ser parcialmente suprimido por controle voluntá- rio. Sem tremor: produção de calor metabólico por outros meios que não o tremor. Pode ser por desacoplamento mitocondrial, induzido pela proteína desacopladora 1 (UCP1) no tecido adi- poso marrom Variações do termostato Fogachos: diminuição transitória do ponto de ajuste do termostato, causada pela ausência de estrogênio. Quando o ponto de ajuste é mais baixo, uma temperatura ambiente que antes era confortável subitamente é percebida como muito quente. Esse desconfortodispara a resposta termorreguladora normal para o calor, incluindo sudorese e vasodilatação cutânea, o que leva à ruborização da pele. Ocorre na menopausa, por exemplo. Febre: considerada parte da resposta imune normal do corpo. É o aumento de temperatura por alteração no termostato central hipotalâmico As toxinas de bactérias, entre outros patógenos, estimulam a liberação de fatores químicos pirogênicos a partir de células do sistema imune. Os pirogênios são citocinas indutoras de febre que também têm muitos outros efeitos. Eles induzem a febre por reajustar o termostato 6 hipotalâmico em um ponto superior. A temperatura ambiente normal é percebida como muito fria, e o paciente começa a tremer, gerando calor adicional. Podem também aumentar a ter- mogênese sem tremor, provocando aumento da temperatura corporal. A febre alta pode ser perigosa, uma vez que uma febre de 41°C por mais do que um breve período causa danos ao encéfalo Causas: tumor cerebral, degradação de proteínas, intoxicações alimentares, pós-cirurgia (de- gradação tecidual) Ação antipirética: paracetamol, evitam síntese de pirogênicos para evitar danos ao cérebro Situações extremas Hipotermia: temperatura do corpo cai anormalmente Reações enzimáticas ficam mais lentas, e a pessoa perde a consciência. Quando o metabo- lismo diminui, o consumo de oxigênio também diminui, a PA diminui, a FR e o DC também. Quando a temperatura retal atinge 28ºC o corpo não consegue mais se aquecer Hipertermia: exaustão por calor e o choque por calor, a temperatura do corpo aumenta para valores anormalmente altos Temperaturas centrais de 37,5 a 39°C, tem como característica a desidratação grave. Nesta situação, pacientes costumam sentir náuseas, cefaleia e cãibras musculares. Eles geralmente estão pálidos e suando profusamente Todo aumento de temperatura é febre? Não, nos exercícios físicos vigorosos, por exemplo, a temperatura pode chega a 38,3 – 40ºC 7 Papel dos hábitos de vida na manutenção da homeostase corporal Tabagismo Cigarros possuem nicotina, substância psicoativa, isto é, produz a sensação de prazer e causa dependência e tolerância A fumaça do cigarro é composta de duas fases: na fase gasosa, encontramos monóxido de car- bono, amônia, cetonas, formaldeído, acetaldeído e acroleína, na fase particulada, de nicotina e alcatrão. O fumante inala, só na fase gasosa, um quatrilhão de moléculas de radicais livres. Produzimos radical livre no corpo como mecanismo de defesa, para combater infecções. Mas quando há radicais livres em excesso, eles lesionam os tecidos do corpo. Para combater os radi- cais livres, precisamos de antioxidantes, mas o organismo do fumante não consegue produzir uma quantidade tão grande de antioxidantes para combater tantos radicais livres, por isso a pessoa acaba desenvolvendo doenças como enfisema, infarto, lesão das artérias e doença pul- monar crônica” Etilismo Álcool é metabolizado no fígado, e grandes quantidades podem lesioná-lo Uso pesado de álcool aumenta a liberação de hormônios relacionados ao estresse que atuam na contração de vasos sanguíneos e influenciam na pressão arterial, podendo causar hipertensão. Além disso, o consumo pesado por período prolongado de álcool também leva ao aumento da fração nociva do colesterol (conhecido como LDL), triglicerídeos, e à alteração no funcionamento de plaquetas. Assim sendo, eventos como arritmias, inflamação do músculo cardíaco (miocardio- patia) e infartos agudos são consequências possíveis do alcoolismo. A mesma lógica que funciona para o prejuízo das artérias do coração, chamadas de coronárias, também existe para artérias de outros órgãos do corpo, como o cérebro; portanto, o beber pesado e crônico também aumenta o risco para acidente vascular cerebral (AVC) Sedentarismo 8 A menor demanda da função cardíaca em consequência do sedentarismo diminui a qualidade funcional do miocárdio como "bomba". A atividade motriz insuficiente mantém de forma perma- nente a perfusão miocárdica nos níveis de repouso. O resultado pode ser um aporte instável de oxigênio para as fibras miocárdicas (isquemia miocárdica) em situações nas quais há aumento da demanda. A inatividade física, com as suas graves consequências sobre a musculatura ventilatória (principal- mente sobre o diafragma e os músculos intercostais externos), tem como consequência uma ca- pacidade vital limitada e uma redução das potenciais excursões do tórax. Isso significa que a falta de uso prejudica a ventilação pulmonar em repouso e durante o exercício e favorece o envelhe- cimento prematuro desse sistema Programas do SUS de hipertensão, doenças renais e DPOC HIPERTENSÃO HIPERDIA: Programa de Hipertensão Arterial e Diabetes. Promove consultas mensais para avaliação continuada tanto da hipertensão quanto da diabetes por meio de medição da glicemia e aferição da pressão arterial, contudo, há falha de adesão dos pacientes, que prefe- rem utilizar-se apenas das farmácias, que distribuem a medicação. DPOC o SUS oferece a medicação necessária, mas há diferenças no tratamento da doença entre países e revelam a existência de lacunas importantes entre o tratamento recomendado e o ofer- tado aos pacientes com DPOC no SUS RENAL procedimentos como dosagem de sódio, dosagem de hormônio tireoestimulante (TSH), dosagem de tiroxina (T4), ultrassonografia do aparelho urinário, cultura de bactérias para identifi- cação, hemocultura e eletrocardiograma. A partir deste ano (2014), serviços de nefrologia, que atendiam apenas pacientes em estágio avançado, podem se habilitar também para o atendimento de pacientes em estágios iniciais, com acompanhamento ambulatorial e realização de exames periódicos Relação dos três sistemas fisiológicos (cardiovascular, respiratório e renal) A hipertensão pulmonar é uma síndrome clínica e hemodinâmica, que resulta no aumento da resistência vascular na pequena circulação, em geral por mecanismos mistos, envolvendo vaso- constrição (aumento de vasoconstritores e diminuição de vasodilatadores) e remodelagem da pa- rede arterial (arteriolar 9 DPOC: Uma das complicações mais frequentemente reportadas em pacientes portadores de DPOC é o cor pulmonale, caracterizado por dilatação e hipertrofia do ventrículo direito, e potencialmente insuficiência secundária à hipertensão primária A hipertrofia do ventrículo direito pode ser considerada como um indicativo de hipertensão pul- monar, a qual, por sua vez, está relacionada ao grau de hipóxia alveolar [14]. A hipóxia alveolar é um potente constritor dos vasos pulmonares e há uma relação inversamente proporcional entre a pressão arterial pulmonar e a PaO2 em pacientes com cor pulmonale Referências A inatividade física aumenta os fatores de risco para a saúde e a capacidade física. Rev Bras Med Esporte, Niterói, v. 4, n. 2, p. 69-70, abr. 1998. Disponível em: <http://www.scielo.br/sci- elo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-86921998000200005&lng=en&nrm=iso>. ALVES JÚNIOR, A. C. Consolidado a rede de atenção as condições crônicas: experiência da rede hiperdia de Minas Gerais. Brasilia-DF 2011. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publi- cacoes/consolidando_rede_atencao.pdf>. Acessado em 8 de nov. de 2021. BARRETO, A. et al. Hipertensão Arterial Pulmonar. Fisiopatologia, Aspectos Genéticos e Resposta ao Uso Crônico do Sildenafil Pulmonary Arterial Hypertension. Physiopathology, Genetic Aspects and Response to the Chronic use of Sildenafil. 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