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KADYNE BELLO MARTINS
Atividade Avaliativa para conclusão da disciplina
Economia Empresarial
Tutor: Leonardo Dutra Will
Universidade Candido Mendes
Pós Graduação em Controladoria e Finanças
2020
Com o surgimento de novos mercados, resultantes da expansão marítimo-comercial e do surgimento de novos polos de produção, o feudalismo, no século XV, sofreu profundas transformações e abriu espaço para uma nova estrutura econômica baseada no lucro. Essa nova vivência fez com que os governos buscassem alternativas para o desenvolvimento da economia, surgindo a necessidade de expandir ainda mais a produção. Assim, a manufatura sucedeu o artesanato, como forma de produção e organização de trabalho.
O processo de desenvolvimento industrial, porém, veio a iniciar apenas no fim do século XVIII e início do século XIX, surgindo assim a necessidade de buscar maneiras de melhor controlar os gastos, a produtividade, o trabalhador e o retorno financeiro. Desse modo, no decorrer do tempo surgiram diversos modelos e sistemas de produção industrial, no qual um foi superando e aperfeiçoando o outro, de acordo com suas respectivas necessidades.
De acordo com Júnior (2007), o interesse científico sobre o comportamento e o desempenho das firmas e indústrias tornou-se mais efetivo a partir de meados do século XVIII, com os avanços tecnológicos e as repercussões sociais que marcaram a primeira Revolução Industrial.
Nesse contexto, surge a Organização Industrial (do termo inglês) ou Economia Industrial, em que segundo Hasenclever e Kupfer (2002) consiste em uma área de conhecimento relativamente recente que veio a florescer somente a partir dos anos 1950, motivada principalmente pela busca de novos meios e métodos para estudar a dinâmica real dos diversos setores industriais empreendidos por diferentes autores insatisfeitos com a tradição microeconômica neoclássica.
A Economia Industrial abriga uma grande diversidade de linhas de pensamento, que podemos agregar em duas correntes principais, que são denominadas abordagem tradicional (mainstream) e abordagem alternativa (schumpeteriana/institucionalista).
A abordagem tradicional possui como modelo teórico-analítico proposto por F. M. Scherer, conhecido como modelo Estrutura-Conduta-Desempenho (ECD). O referido modelo tem por principal objetivo a análise da alocação dos recursos escassos sob as hipóteses de equilíbrio e maximização dos lucros. 
Para a parte “Estrutura” deve-se analisar qual a estratégia de mercado que a empresa escolhida tem e qual a dos concorrentes, e como se divide a participação no mercado. Utiliza-se de variáveis como grau de concentração e/ou de barreiras à entrada. 
Para a parte “Conduta” analisa-se qual a estrutura de preços (política de preços das empresas), o alinhamento de pesquisas para o desenvolvimento frente aos concorrentes, a variável propaganda, e o principal: possuir uma estratégia de mercado. 
Para a parte “Desempenho” utiliza-se da análise em termos do desvio da taxa de lucro efetiva em relação à taxa ideal em eficiência alocativa (ótimo de Pareto) o que significa o desvio do preço efetivo em relação ao custo marginal de produção.
Na abordagem alternativa substitui-se a noção de equilibro de mercado pela de trajetórias da evolução, e as ideias principais se baseiam nas instituições, hábitos, regras e a própria evolução dos processos econômicos. Possuindo assim, uma abordagem específica e histórica para a análise. Existem vários níveis e tipos de análise, mas que são relacionados por meio dos conceitos de hábito e de instituição, ajudando a ligar o específico e o geral.
Vale salientar, de acordo com Hasenclever e Kupfer (2002), que essa abordagem não presume que a concepção do homem seja de um ser que toma decisões com base nos hábitos e permita uma operacionalização imediata da teoria, sendo necessário a inclusão de elementos adicionais, de modo a mover a abordagem do abstrato para o concreto.
Os autores neo-schumpeterianos explicitam essas premissas de três formas: (1) a existência de assimetrias técnico-econômicas entre os agentes; (2) a existência de variedade tecnológica; e (3) a existência de diversidade comportamental entre os agentes. Os conceitos básicos da teoria que os autores buscam construir e que dão suporte a essas premissas são igualmente três: (1) a tecnologia é apropriável, cumulativa, tácita e irreversível; (2) existe incerteza quanto aos resultados dos esforços ou decisões tecnológicas (e não só em relação a elas); e (3) a despeito do anterior, existem paradigmas e trajetórias tecnológicas setoriais que ordenam o progresso técnico, fazendo da busca e seleção de inovações um processo não randômico, nem totalmente exógeno. O resultado dessa construção teórica é a obtenção de modelos evolucionistas que se contrapõem às formulações determinísticas habituais no pensamento neoclássico. (HASENCLEVER e KUPFER, 2002, p. 16).
A Economia Industrial, por ser uma área de estudo recente da Economia, ainda requer algumas adaptações minuciosas; sendo assim, não desconsidera os conhecimentos de outras vertentes econômicas, como por exemplo a Teoria dos Preços tradicional. 
Segundo Júnior (2007), há temas microeconômicos específicos que, inclusive, têm sido desenvolvidos com base nas necessidades e preocupações da Economia Industrial, representando componentes importantes da caixa de ferramentas do profissional de ambas as disciplinas; a citar, Teoria dos Custos de Transação, Teoria dos Jogos e Teoria dos Mercados Contestáveis.
A Teoria dos Custos de Transação considera que a empresa não possui apenas os custos de produção, mas também os custos de transação e busca compreender por que as firmas são responsáveis pela própria produção de bens e serviços ou optam por sua terceirização. Os custos de transação são os custos totais associados a uma transação, executando-se o mínimo preço possível do produto.
A Teoria dos Jogos é utilizada em diversos compôs acadêmicos; na Economia, tem sido usada, segundo Joseph Lampel, para examinar a concorrência e a cooperação dentro de diversos mercados, desde pequenos grupos de empresas até relações internacionais. Sendo, a partir desse ponto um pequeno passo até a estratégia.
A Teoria dos Mercados Contestáveis é uma vertente microeconômica em que um mercado é caraterizado por nenhuma (ou poucas) barreiras à entrada e que possibilita assim a entrada de um potencial concorrente. De acordo com essa teoria, um mercado monopolista ou oligopolista pode ter uma estrutura assemelhada aquela de mercado competitivo sem se basear na premissa de que uma empresa monopolista seja ameaçada por competidores em potencial, que sejam capazes de entrar no mercado, e que em qualquer momento ponham fim à sua posição dominante.
Atualmente, é indiscutível afirmar que as contribuições de outras vertentes econômicas têm sido de grande valia para a Economia Industrial, pois além de ajudar em sua compreensão como objeto de estudo, também são essenciais para o desenvolvimento da ciência. 
BIBLIOGRAFIA 
EDUCA MAIS BRASIL. Expansão Marítima Européia. Disponível em: https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/historia/expansao-maritima-europeia. Acesso em: 07. set. 2020.
HASENCLEVER, Lia; KUPFER, David. Economia industrial: fundamentos teóricos e práticas no Brasil. Campus, 2002.
JÚNIOR, Roland Veras Saldanha. Introdução à Organização Industrial. 2007. Disponível em: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4139278/mod_resource/content/1/introducao.pdf. Acesso em: 07. set. 2020.
RIBEIRO, Caroline Carranza. Economia Industrial. Disponível em: https://www.studocu.com/pt-br/document/pontificia-universidade-catolica-de-sao-paulo/economia-industrial/tarefas-obrigatorias/lista-01/4378468/view. Acesso em: 07. set. 2020.
WIKIPÉDIA. Custo de transação. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Custo_de_transacao. Acesso em: 07. set. 2020.
______. Mercado disputado. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Mercado_disputado. Acesso em: 07. set. 2020.
______. Teoria dos jogos. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_dos_jogos.Acesso em: 07. set. 2020.

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