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Disciplina: Perfis Criminais e Comportamentais: Criminal Minds.
Identificação da tarefa: Tarefa 3. Unidade 3. Envio de arquivo.
Pontuação: 10 pontos. 
Francisco Costa Rocha (O Chico Picadinho)
Assassino em série brasileiro que esquartejou duas mulheres nos anos de 1966 e 1976. Foi uma criança curiosa, irrequieta, solitária, desatenta, briguenta, indisciplinada e displicente. Matava gatos para testar suas sete vidas, invocava o diabo, colocava fogo em variadas coisas, sofria de enurese noturna, asma e pavor noturno. Na adolescência, não conseguia parar em emprego nenhum, pois faltava-lhe a persistência e orientação necessária. Quanto aos relacionamentos afetivos, não gostava de firmar compromissos. Preferia a companhia de mulheres da noite.
Em 05 de Agosto de 1966, Francisco foi preso pela primeira vez, condenado a 18 anos de reclusão pelo homicídio qualificado de Margareth Suida, e ainda 2 anos e 6 meses por destruição de cadáver. Posteriormente, sua pena foi comutada para 14 anos, 4 meses e 24 dias, mas, oito anos após o crime, foi liberado por comportamento exemplar, em junho de 1974.  Dez anos depois, em 26 de outubro de 1976, Francisco foi condenado a 22 anos e seis meses de prisão, em um veredicto não unânime. No parecer, para efeito de livramento condicional expedido pelo então Instituto de Biotipologia Criminal, foi excluído o diagnóstico de personalidade psicopática e estabelecido que Francisco tinha personalidade com distúrbio de nível profundamente neurótico.
Segundo o DSM-V (2014, p.660) o padrão de comportamento antissocial
continua até a vida adulta. “Indivíduos com transtorno da personalidade antissocial não têm êxito em ajustar-se às normas sociais referentes a comportamento legal”, e complementa, “A característica inerte do transtorno da personalidade antissocial é um padrão resumido de indiferença e impassibilidade e abuso infração dos direitos das outras pessoas, o qual aparece na infância ou até no começo da adolescência e continua na vida adulta” (p.659).
A personalidade dele enquadra-se nos critérios diagnósticos propostos pela CID 10 para o Transtorno de Personalidade Antissocial como insensibilidade aos sentimentos alheios, atitude flagrante e persistente de irresponsabilidade e desrespeito por normas, regras e obrigações sociais, incapacidade de manter relacionamentos, embora não haja dificuldades em estabelecê-los, baixa tolerância à frustração e um baixo limiar para descarga de agressão, incluindo violência, além de apresentar uma conduta antissocial inadequadamente motivada.
Existe uma curiosidade e ainda ao mesmo tempo uma apreensão com as pessoas que se comportam de uma configuração, que não é acatado como normal ou natural, mas não têm uma deficiência intelectual ou traços de uma doença mental. A falta de uma definição e de um conceito diante da psicopatia fez com que fosse vista 11 de forma imensa, abordando por muito tempo sem uma diferenciação especifica (BITTENCOURT, 2011).
Os indivíduos portadores da personalidade psicopática se enquadram na classificação semi-imputáveis, pois possuem a perturbação de saúde mental referida no parágrafo único do art. 26. Neste caso, a pena deve, portanto, ser aplicada, mas diminuída ou substituída pela medida de segurança. Esse tipo de personalidade exige certa cautela ao ser analisada, uma vez que não chegam a ser normais, devido ao caráter antissocial que possuem, mas também não caracterizam a anormalidade referente no artigo 26 do Código Penal, enquadrando-se dessa maneira como semi-imputáveis.
Por muito tempo a pessoa que tinha a conduta desigual, ou seja, o comportamento diferente de acordo aos princípios sociais ou jurídicas era visto como loucos ou lunáticos, ou seja, condutas violentas ou antissociais eram avaliados como influência demoníaca e o delinquente. O doente mental era separado da convivência social por meio do isolamento (NUNES; TRINDADE, 2013).
Chico Picadinho foi considerado incapaz de se responsabilizar por seus atos, podendo voltar a matar se sair da Casa de Custódia e Tratamento. Virou uma pena perpétua sua pena e isso não existe em nosso ordenamento jurídico, todos os laudos confirmaram que o interditado não possui condições de gerir a sua vida civil, sem representar ameaça à sociedade, haja vista as características de transtorno mental. Pode ser compreendido que indivíduos acometidos pela psicopatia não podem voltar ao convívio social, sem acompanhamento contínuo, porque a punição sofrida não alcança seu objetivo, de maneira que não há reeducação. Em 2017 ocorreu uma decisão feita pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, em conflito positivo de competência, permitindo que Francisco, então com setenta e cinco anos de idade, continuasse internado na Casa de Custódia e Tratamento Psiquiátrico de Taubaté.
As pessoas consideradas ou identificadas como psicopatas são analisadas como manipuladoras, persuasivas, frias, dissimuladas, irresponsáveis, narcisistas, impulsivas, agressivas, insensíveis e imorais, sendo capazes de realizar qualquer coisa para contentar seus desejos. Não se importam na maioria das vezes em não cumprir normas morais e jurídicas, ou seja, são capazes todavia de eliminar pessoas que fiquem em seu caminho sejam elas família, pessoas conhecidas ou pessoas aos quais não conhecem. Não ligam para as emoções ou sentimentos das outras pessoas e muito menos com a dor e o sofrimento das mesmas, pelo fato de serem pessoas que não tem medo, remorso ou arrependimento. São consideradas pessoas de inteligência muito avançada e de um raciocínio rápido e persuasivo (SILVA, 2014).
Ao analisar o caso chico picadinho que trata de alguma forma de distúrbio de personalidade, é possível compreender, que ainda hoje não existe uma unificação na maneira de julgar crimes cometidos por indivíduos que apresentam traços de psicopatia. Somente o uso dos conceitos psiquiátricos, aliados ao pouco conhecimento diante da subjetividade da conduta humana transtornada é ineficaz como medida criminológica suficiente de explicação do crime e do delinquente.
Indivíduos como os psicopatas apresentam grandes riscos à sociedade e a si mesmos, pelo fato de que não demonstram seus sentimentos e são pessoas capazes de ir até às últimas consequências para alcançarem suas vontades ou desejos. Possuem o fato de não se importarem em ferir ou magoar até mesmo as pessoas mais chegadas ou próximas (HARE, 2013).
BAUER, Guilherme. Serial Killers - Crimes, histórias, razões: Chico Picadinho. 2010.
BITTENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal: parte geral 1. 16ª ed. São Paulo: Saraiva, 2011. p. 419 
DSM V. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais [recurso
eletrônico]: DSM-5 / [American Psychiatric Association. Tradução: Maria Inês Corrêa Nascimento et al.] 5ª ed. Dados eletrônicos. Porto Alegre: Artmed, 2014.
HARE, R. D. Sem consciência: o mundo perturbador dos psicopatas que vivem entre nós. Porto Alegre: Artmed, 2013.
LEIMIG, Luara. Após conflito entre juízes, Tribunal de Justiça decide manter Chico Picadinho em cárcere em hospital psiquiátrico, 2017.
LEMOS, Eduardo Dallagnol; FACHEL, Thiago Aguiar; BOHMANN, João Arthur Krupp. Chico Picadinho: o novo julgamento, 2017.
NUNES, Laura M.; TRINDADE, Jorge. Criminologia: Trajetórias transgressivas. Porto Alegre: Livraria do Advogado editora, 2013.
SACRAMENTO, Lívia de Tartari. Psicopatologia Forense e o Caso Chico Picadinho: estória pregressa e primeiro assassinato, 2012.
SILVA, A. B. B. Mentes Perigosas: o psicopata mora ao lado. 2ª ed. São Paulo, 2014.

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